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Encontram-se instrumentos, nas pesquisas qualitativas, para coletar dados, tais como a observação participante, a entrevista, história de vida, análise documental, entre alguns outros. Apresentam-se aqui os instrumentos utilizados para a coleta de dados desta pesquisa, pensando no cumprimento dos objetivos estabelecidos, para compreender o uso e reflexão das habilidades metacognitivas e metalinguísticas ao longo do processo de escrita e de revisão do texto desenvolvido.

Toma-se como principal método de investigação a observação participante, de- vido à impossibilidade do observador externo se aproximar dos sujeitos de pesquisa e de conhecer suas perspectivas e pontos de vista. A observação “...possibilita um contato pessoal e estreito do pesquisador com o fenomeno pesquisado, o que apresenta uma série de vantagens” (LÜDKE; ANDRÉ,1986, p.26). Entres essas vantagens, pode se mencionar a possibilidade de uma experiência direta que permite ao observafdor uma aproximação com os sujeitos e o objeto de estudo, para a compreensão e interpretação do fenômeno estudado.

Para conseguir essa aproximação, apresentou-se o projeto de pesquisa à vice diretora da escola, explicando os objetivos da pesquisa e o processo de coleta de dados. Mencionou-se que seriam reunidos os sujeitos de pesquisa para ter sessões com a pesquisadora que seria observadora, ao mesmo tempo em que participaria e conduziria atividades junto ao grupo. Lüdke e André(1986) mencionam que o observador como participante revela sua identidade e objetivos ao grupo pesquisado, desde o início da pesquisa, e que, a partir dessa posição, poderá ter acesso a informações variadas. Em função de estabelecer uma conexão com os alunos, realizou-se um primeiro encontro para conversar com eles sobre seus gostos e preferências e sobre suas perspectivas a respeito das tecnologias digitais: os dispositivos móveis, redes sociais e a internet. O objetivo principal desse encontro foi gerar uma familiaridade e afinidade com eles e, desta forma, aproximara pesquisadora presente nas sessões e encorajá-los a atuar o mais naturalmente possível.

Além da observação participante, usada ao longo do desenvolvimento da pes- quisa, foram realizadas entrevistas para alcançar alguns objetivos, tais como o reco- nhecimento e análise das habilidades metacognitivas a partir da narrativa reflexiva do aluno sobre o processo de escrita, do texto elaborado e da revisão feita por ele mesmo. A entrevista, em pesquisas qualitativas, pode ser usada em conjunção com outros tipos de estratégias de coleta de dados, como será feito neste caso, com a observação participante e os mecanismos de captura de telas. Entrevistar, emprega-se para coletar dados descritivos, a partir do discurso dos sujeitos, e para desenvolver introspecção com o objetivo de compreender as formas em que os sujeitos interpretam uma parte do

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mundo (BOGDAN; BIKLEN,1982, p.135).

Uma das fases do processo de coleta de dados incluiu entrevistas individuais com cada um dos alunos. Devido o contato prévio com eles, as entrevistas foram desenvolvidas como conversas, sem se estabelecer uma relação hierárquica entre a pesquisadora e os sujeitos. Como apontam Lüdke e André (1986, p.33): “A relação que se cria é de interação, havendo uma atmosfera de influência recíproca entre quem pergunta e quem responde”. Para gerar essa influência recíproca, foram feitos roteiros sobre tópicos gerais que deviam ser tratados na entrevista, sem precisar de uma ordem rígida e estruturada.

Do mesmo jeito das entrevistas individuais, foram feitas rodas de conversa, tanto no começo da coleta de dados quanto no final. O objetivo de fazer uma roda de conversa no começo foi para conhecer aos sujeitos e estabelecer uma relação deles com a pesquisadora. No final, o objetivo de fazer uma roda de conversa foi para encerrar a coleta com reflexões em grupo e para conhecer as perspectivas e opiniões sobre as atividades realizadas. Obtiveram-se dados para a compreensão e reconhecimento de novas possibilidades nos processos de alfabetização e letramento (digitais) e suas práticas pedagógicas, como mencionado entre os objetivos da pesquisa. Usaram-se as rodas de conversa como obtenção de dados nesta pesquisa, porque permitem uma interação entre o pesquisador e os participantes, podendo-se dizer que elas foram uma espécie de entrevista em grupo. A roda de conversa não se trata de um processo conduzido, em que são alternadas perguntas e respostas “...mas uma discussão focada em tópicos específicos na qual os participantes são incentivados a emitirem opiniões sobre o tema de interesse” (MELO; CRUZ,2014, p.33).

O roteiro da Fase A baseia-se em perguntas a respeito dos hábitos e usos comuns dos alunos a respeito da tecnologia digital, bem como em questionários de "coeficiente digital"4. O roteiro da entrevista individual foi inspirado em perguntas que pudessem

desvelar o conhecimento cognitivo e a regulação dos processos cognitivos, categorias que compõem a metacognição. Por último, o roteiro da Fase E foi elaborado a partir dos dados coletados nas fases anteriores.

Ao fazer rodas de conversa e entrevistas individuais com os alunos, a pes- quisadora ouviu as ideias e formas de pensar dos alunos, porque, como menciona

Buckingham(2006, p.67)

...estamos todos engajados na construção desse objeto [o público infantil], buscando atender aos nossos próprios interesses e objetivos. Assim, descrevemos, medimos e analisamos o público de diferentes modos;

4 O coeficiente digital ou digital quotient em inglês determina a familiaridade e confiança com meios

digitais. Algumas empresas de tecnologia digital, como Ofcom, elaboraram questionários para medir o coeficiente digital, a partir do uso e conhecimento de tablets, celulares, relógios digitais, aplicativos, entre outros.

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expressamos nossas preocupações e ansiedades a respeito dele; nós o observamos, o contamos, o interrogamos, fazemos experiências com ele; tentamos entretê-lo, informá-lo; manipulá-lo, empoderá-lo; e alguns de nós até gostam de imaginar que estão falando em nome desse público, ou ‘dando-lhe uma voz’.

A pesquisadora não quer falar em nome deles, mas ouvi-los e aprender através das conversas, expressões e ideias que eles discutam ao longo da coleta. Desta forma, foi gerada uma relação horizontal entre os participantes da pesquisa e a pesquisadora. Devido ao fato de que o foco desta pesquisa é o processo de escrita, mas também a escrita em si, uma outra estratégia para a coleta de dados foi a realização de um blog, criado especificamente para os propósitos deste estudo que serviu de plataforma para as atividades que os alunos realizaram: comentar, recomendar, redigir um post, etc. Foram conduzidas sessões nas quais os alunos tinham algumas comandas e instruções para a realização de atividades escritas no meio digital5.

Para o registro dos dados, foram usados alguns instrumentos, como:gravador de tela, gravador de aúdio, caderno e editor de textos na nuvem.

O gravador de tela foi um instrumento fundamental para a coleta e registro dos dados, portanto foi necessário usar tablets em lugar dos computadores da escola, uma vez que era indispensável algum programa de software livre que pudesse ser instalado em, pelo menos, seis computadores da sala de informática. Pela demora e dificuldade da aprovaçãopor parte da Prefeitura, optou-se por usar dispositivos móveis para realizar a coleta de dados6. A pesquisadora teve acesso a três tablets Samsung Galaxy Tab4 para

a realização da coleta e foi usado o aplicativo para Samsung, chamado Mobizen, para gravar a tela enquanto os alunos realizavam as atividades que foram pedidas.

Mesmo que o aplicativo para gravar a tela gravasse também o aúdio, teve-se a cautela de gravar o aúdio de forma independente. O aúdio foi gravado com o aplicativo Sound Recorder para Android. Cada um dos tablets gravou o aúdio com o microfone próprio, portanto cada uma das gravações tem uma perspectiva diferente, dependendo do usuário do tablet. Para que foram ouvidos todos os participantes da sessão desde uma mesma distância, foi gravado um aúdio com o dispositivo móvel da pesquisadora, colocado no meio dos três alunos, em cada sessão.

Para fazer as anotações, foi usado o editor de textos de Google Drive como instru- mento de registro. Enquanto os alunos faziam as atividades no tablet, a pesquisadora, com seu próprio tablet, ia anotando tudo aquilo que ia acontecendo e que era de inte-

5 As atividades descrevem-se a seguir, no detalhamento das fases da coleta de dados. Nos AnexosBe

Cpodem se encontrar os roteiros das rodas de conversa e das entrevistas individuais.

6 Os tablets foram concedidos pelo Cnpq, através de projeto da orientadora deste estudo (Processo

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resse para a pesquisa e para a interpretação dos dados. Em algumas ocasiões foram feitas anotações no caderno, com papel e caneta.

Em seguida, será detalhado o procedimento da coleta, das fases e das atividades realizadas pelos alunos, para uma melhor compreensão desse processo. O procedimento de coleta de dados foi realizado em cinco etapas, ao longo de diferentes sessões, como mostrado no Quadro1. Apresenta-se cada fase com o respectivo número de sessões, as datas em que aconteceram e os participantes que estiveram envolvidos:

Quadro 1 – Coleta de dados

Fase de coleta de dados Data Participantes

A. Roda de conversa: Mapea- mento do uso e conhecimento de mídias digitais

23/06/2015

Aluno 1, Aluno 2, Aluno 4, Aluno 5, Aluno 6

B. Sessão piloto: Tarefas através de comandas no meio digital

08/09/2015 Aluno 1, Aluno 4,Aluno 6

11/09/2015 Aluno 2, Aluno 3

18/09/2015 Aluno 5

C. Sessão de produção escrita: Post no blog

25/09/2015 Aluno 1, Aluno 5,Aluno 6

01/10/2015 Aluno 2, Aluno 3,Aluno 4

D. Entrevista individual: Reflexão sobre o processo de escrita e revisão do texto

13/10/2015 Aluno 1 13/10/2016 Aluno 6 16/10/2016 Aluno 4 16/10/2016 Aluno 5 22/10/2016 Aluno 2 22/10/2016 Aluno 3

E. Roda de conversa: Reflexão so-

bre as atividades realizadas 19/11/2015

Aluno 1, Aluno 2, Aluno 3, Aluno 4, Aluno 5*

*Na Fase E da coleta de dados, o Aluno 6 não apareceu, mesmo tendo confirmado a presença antecipadamente.

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dados.

Fase A. Roda de conversa: Mapeamento do uso e conhecimento de mídias

digitais.

Realizou-se um primeiro contato para conhecer os sujeitos de pesquisa, através de uma roda de conversa, como já destacado. O objetivo deste encontro foi conhecer o panorama do conhecimento e uso da tecnologia e das mídias digitais dos alunos. Durante esta roda de conversa, a pesquisadora obteve informações sobre os sujeitos e sobre suas preferências. Adicionalmente, averiguaram-se algumas das práticas de letramento realizadas nos meios digitais e redes sociais e com quais objetivos. A partir da informação coletada, foram propostos os tópicos para a realização da fase piloto. Os alunos falaram sobre os seus interesses, entre os quais ressaltaram a música, cantores, o hip-hop, o Chaves, os jogos no computador e nas tablets.

Alguns tópicos do roteiro de perguntas (AnexoB) para o mapeamento foram os seguintes:

• Tecnologia digital e acesso à internet • Experiência e usos da tecnologia digital • Sobre aplicativos no celular

• Busca e uso de informação • A relação escola-tecnologia

• Novos letramentos e multiletramentos

Fase B. Sessão piloto: Tarefas através de comandas no meio digital.

No começo, essa fase aqui apresentada correspondia à segunda fase da coleta de dados, pois se pretendia que os alunos conseguissem realizar uma produção escrita, a partir das comandas dadas. Porém, ao realizar essa fase, a pesquisadora percebeu que as comandas pareciam muito “mecânicas” e tinham uma ausência de incentivo para a produção de textos por parte dos alunos7. Tal como é mencionado por Lüdke e André(1986, p.18), o quadro teórico inicial serve de esqueleto, de esquema, de estrutura básica, a partir do qual “novos aspectos poderão ser detectados, novos elementos ou dimensões poderão ser acrescentados, na medida em que o estudo avance”.

7 Aqui é importante mencionar a dificuldade que presentou-se à pesquisadora na criação de atividades

que tentassem fugir daquilo que se faz nas práticas de alfabetização e letramento no papel, da reprodução e transposição do papel à tela. Quer dizer, essa primeira fase da coleta de dados foi um exercício interessante para pensar, de forma geral, nas possibilidades da tecnologia e os meios digitais nas práticas pedagógicas.

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Portanto, decidiu-se aumentar mais uma fase à coleta de dados. Quer dizer, esta fase, aqui mencionada, tornou-se uma fase piloto, anterior à fase de produção escrita. A fase piloto ajudou aos alunos a se familiarizarem com o uso dos dispositivos móveis: tablets. As sessões foram feitas em duas partes com três alunos cada uma delas. Na sessão, os alunos tinham algumas comandas para realizar num post de blog, criado pela pesquisadora, especificamente para a coleta de dados:<http://revolucaodolivro. wordpress.com>: Figura 1. Enquanto os alunos realizavam as comandas, a tela era gravada com o aplicativo gratuito Mobizen para Samsung e os discursos emitidos pelos alunos foram gravados em formato .mp4.

Figura 1 – Impressão de tela do blog<http://revolucaodolivro.wordpress.com>

Na primeira sessão com os alunos, quando a pesquisadora fez uma sondagem sobre as preferências e gostos que eles tinham e alguns deles mencionaram o jogo Minecraft, portanto o post onde encontravam-se as comandas para esta fase tratava esse tópico. No quadro a seguir, expõem-se as comandas pedidas aos alunos, as mesmas que apareciam ao final do post apresentado na Figura2(logo abaixo).

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Quadro 2 – Comandas da Fase B. Sessão piloto: Tarefas através de comandas no meio digital

Você já conhecia algumas formas de jogar no Minecraft? Você já conhecia a nova modalidade de jogo de Minecraft? Achou interessante o Minecraft Story Mode? Deu vontade de jogar? Sim ou não e por quê? O que você falaria para alguém que nunca jogou Minecraft (algum colega ou seus professores)? Como você os convenceria de experimentar esse jogo? E, se você não joga atualmene, você tentaria aprender para compartilhar experiências com os colegas? Por quê acham que o jogo de Minecraft foi um grande sucesso? Qual é o segredo?

• Faça um comentário no YouTube, respondendo essas perguntas. Ingresse no link do vídeo para fazer seu comentário: <http://www.youtube.com/ watch?v=u9zPR957528>

• Em seguida, procure no YouTube um outro vídeo sobre o Minecraft que você ache interessante e compartilhe ele conosco aqui nesta postagem clicando em "Deixe um comentário", escreva por quê você gostou desse vídeo e convide os leitores deste blog a assisti-lo.

• Compartilhe o blog com todos seus conhecidos fazendo uma postagem no Twitter, no Facebook ou no Instagram! Convide eles a participar fazendo comentários e curtindo o conteúdo deste blog!

• Para finalizar, ingresse no sítio<https://suaexperiencia.wordpress.com> e clique no seu nome. Depois disso, clique em "Editar"na parte inferior do lado direito e siga as instruções ali explicitadas.

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Figura 2 – Impressão de tela do post sobre Minecraft <https://revolucaodolivro. wordpress.com/2015/06/29/minecraft-o-jogo/>

Fase C. Sessão de produção escrita: Post no blog.

Devido ao mencionado anteriormente (quando descrita a fase piloto), foi adicio- nada mais uma fase, tomando o momento anterior como uma primeira experiência para os alunose como alicerce para reestruturar a apresentação da atividade escrita. Nesta fase, os alunos realizaram um post no blog mencionado<https://revolucaodolivro. wordpress.com>. O encontro foi realizado com três alunos por vez, pela disposição do número de tablets e pela importância da interação em grupo (papel das trocas dialógicas no processo de escrita individual) e da observação detalhada da pesquisadora.

Foram dadas instruções gerais sobre a criação de posts em blogs e foi lhes dada a liberdade de decisão sobre os tópicos a abordar. O objetivo desta fase da coleta de dados foi conhecer o processo de escrita que o aluno realiza (em seu contexto também coletivo)

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e o percurso por ele no tablet, para completar a produção escrita. Adicionalmente, pretendia-se conhecer as estratégias e recursos que os alunos utilizam para atingir seus objetivos. Nesta parte da pesquisa, também foi gravada a tela e os discursos emitidos pelos alunos.

Fase D. Entrevista individual: Reflexão sobre o processo de escrita e revisão do

texto.

Nesta etapa da coleta de dados, a pesquisadora fez encontros individuais com os alunos. Pediu-lhes para fazer uma revisão do texto que realizaram no encontro prévio. Esse encontro foi planejado para ser entre duas ou três semanas depois da produção escrita, para que os alunos tivessem um espaço para se afastar do texto, antes de revisá-lo. O objetivo deste encontro foi conhecer as habilidades metacognitivas usadas para a produção escrita e averiguar a consciência que o aluno teve sobre esse processo. Por meio de um roteiro (AnexoC) , com alguns tópicos para ajudar a conversa, a pesquisadora realizou perguntas aos alunos, para ativar as suas memórias sobre o processo que seguiram. Em relação à consciência metalinguística, foram feitas perguntas durante a revisão que eles faziam do seu próprio texto, para se ter um aprofundamento sobre o conhecimento e o controle linguístico que eles tinham da sua produção e revisão.

Antes das entrevistas, a pesquisadora assistiu a filmagem de tela, feita em cada um dos tablets onde os alunos elaboraram seu post do blog, com a intenção de gerar perguntas específicas sobre as ações e o processo realizado, devido a que cada aluno agiu de jeito diferente para completar sua produção escrita.

Fase E. Roda de conversa: Reflexão sobre as atividades realizadas.

Nesse último encontro, reuniram-se os alunos com a pesquisadora para conversar sobre as práticas de alfabetização e letramento e sua relação com a tecnologia. O objetivo dessa roda de conversa foi conhecer as opiniões e reflexões que os alunos tinham a respeito das atividades feitas no tablet e sobre as projeções sobre atividades didáticas digitais. Queria se conhecer a relação do aluno com o objeto de conhecimento, com o dispositivo móvel, com o meio digital e aprofundar as discussões pertinentes “ao papel e à tela”. A roda de conversa não foi estruturada de forma que obedecesse a perguntas e respostas. Em vez disso, a rodai foi planejada a partir de alguns tópicos, tais como os seguintes, de modo que os alunos se sentissem mais à vontade para debater a respeito desses temas:

• Estratégias de produção textual no papel e na tela

• A situação atual da escola a respeito das tecnologias digitais

• Aprendizagem da leitura e da escrita em tablets ou dispositivos móveis • Desempenho e ferramentas no uso da tecnologia digital

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• Reflexão sobre as semelhanças e diferenças das atividades no papel e na tela • Mudança de pensamento e de ação das novas gerações a respeito da tecnologia

digital

Obteve-se, no processo de coleta, dados que compuseram o seguinte corpora:

Corpus 1. Processo de produção (vídeo com a tela gravada) e produção escrita

dos sujeitos (texto no blog).

Quadro 3 – Duração dos dados coletados (gravação de tela)

Aluno Fase B (vídeo)

hh:mm:ss Fase C (vídeo) hh:mm:ss Fase D (vídeo) hh:mm:ss Aluno 1 00:48:18 01:05:33 00:40:57 Aluno 2 01:36:14 01:08:53 01:02:44 Aluno 3 01:11:25 01:35:54 01:20:26 Aluno 4 00:47:54 01:38:59 00:55:29 Aluno 5 01:23:07 01:07:46 00:55:30 Aluno 6 00:51:19 01:05:33 01:08:21

Cada um dos alunos redigiu dois textos, um dos quais foi feito na Fase B, quando foi pedida uma reflexão sobre a atividade realizada e outro foi o post criado na Fase C da coleta de dados. Portanto, somaram-se doze textos, elaborados nessas duas fases, mais seis textos, equivalentes às versões corrigidas e melhoradas, desenvolvidos na Fase D da coleta.

Capítulo 3. Método 81

Quadro 4 – Duração dos dados coletados (gravação de aúdio)

Aluno Fase A hh:mm:ss Fase B (aúdio) hh:mm:ss Fase C (aúdio) hh:mm:ss Fase D (aúdio) hh:mm:ss Fase E hh:mm:ss Aluno 1 00:51:21 00:48:18 01:05:33 00:40:57 01:20:26 Aluno 2 01:36:14 01:08:53 01:02:44 Aluno 3 01:11:25 01:35:54 01:20:26 Aluno 4 00:47:54 01:38:59 00:55:29 Aluno 5 01:23:07 01:07:46 00:55:30 Aluno 6 00:51:19 01:05:33 01:08:21

Como indicado no Quadro4, foram coletados um total de 20 aúdios durante as sessões com os sujeitos. Os aúdios foram transcritos em sua totalidade pela pesquisadora (AnexoE).

Corpus 3. Observações feitas pela pesquisadora (anotações, lembranças)

Em cada uma das sessões, a pesquisadora fez observações escritas, algumas digitadas no tablet e salvadas no editor de textos de Google Drive e outras anotadas em um caderno. Estas observações contem descrições e impressões feitas ao longo das 13 sessões da coleta de dados.

Para registrar as sessões, foi proposto elaborar protocolos que contivessem uma descrição detalhada das características do encontro, dos objetivos, do desenvolvimento das atividades e das ações realizadas pelos sujeitos. Além disso, foi registrado o apro- veitamento dos alunos, a respeito da metacognição, bem como a respeito dos novos letramentos. E, por último, foram mencionadas as impressões e inferências da pesquisa- dora, tomadas das observações realizadas nas sessões. No AnexoD, presenta-se um exemplo de protocolo do encontro com os alunos 2, 3 e 4, durante a Fase 2, durante o