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3.4 Estrutura dos Mapas Conceituais Estendidos

3.4.1 Processo de Extração e Representação do Conhecimento

Tomando como referência a Espiral do Conhecimento, a extração e representação de MM utilizando o MCE podem ser considerada como um processo de externalização (transformação de conhecimento tácito para explícito) e de combinação (explícito para explícito), já que o MCE representa a visão interna de um agente sobre um domínio (tácito) expressada em relacionamentos e no posicionamento em uma matríz de atributos (explícito), a partir de um processo de elicitação (tácito-explícito) ou de extração (explícito-explícito) do conhecimento.

O posicionamento dos conceitos no MCE possibilita a representação do MM do agente, já que liga as proposições relacionadas ao tópico e as percepções do agente sobre o mesmo tópico (JARAMILLO, 2018). O posicionamento dos conceitos é feito nos quadrantes da matriz de atributos e deve atender a três fatores: a) O Conceito Causa (Cc) refere-se ao cenário ou ao agente? b) O Cc influencia mudanças no Conceito Efeito (Ce)? e c) A relação é de reforço ou de balanceamento? Segundo Jaramillo (2018), o primeiro fator se relaciona a assertividade do agente ou a efetividade de mudanças que podem ocorrer no domínio ou no agente. O segundo fator foca na ação do Cc sobre o Ce e o terceiro fator é sobre as relações

(polaridade) de reforço ou balanceamento entre os conceitos.

Um exemplo utilizando uma proposição de uma das coletas foi: “grupo produzir conhecimento por meio de questionamentos” da seguinte questão focal: Considerando o formato diferenciado das aulas que a disciplina Administração de Empresas está lhe proporcionando, como você vê as interações entre os integrantes do grupo? O primeiro passo é identificar na proposição os Cc, Ce e o verbo.

 Cc: “grupo”

 Ce: “conhecimento por meio de questionamentos”  Verbo “produzir”

Feita a identificação dos Cc, Ce e do verbo, o próximo passo é responder aos três fatores conforme a proposição. Para responder ao primeiro fator, verifica-se o Cc está relacionado ao domínio ou ao agente. Se estiver relacionado ao domínio, então o Cc representa mudanças no domínio. Caso esteja relacionado ao agente, então Cc representa à assertividade do agente sobre sua capacidade de ação no domínio. Respondendo ao primeiro fator têm-se:

Primeiro fator: “grupo” faz referência ao domínio. Conceitos como “eu”, “na minha casa”, “no meu trabalho”, “aluno”, “aluna” são exemplos de conceitos que se referem ao agente.

A resposta para o segundo fator é verificar se o Cc influência o Ce. Caso exista uma influência do Cc para o Ce, têm-se uma controlabilidade do Cc que aponta para o atributo CT. Nesse exemplo o Cc influência o Ce.

Segundo fator: Cc - verbo “produzir” - CE. A resposta para esse fator é sim, referente ao “S” conforme fluxograma da Figura 21.

Para responder ao terceiro fator, verifica se o Cc reforça o Ce. Caso exista um reforço (+), então têm-se uma controlabilidade para o Cc e para o Ce, e o posicionamento no quadrante da matriz de atributo para os conceitos Cc e Ce será CT-CT. Para uma situação de balanceamento do Cc ocorre uma incerteza do agente sobre sua capacidade de ação, porém o agente acredita que o conceito provoque mudanças no domínio, assim o posicionamento será PN-CT. Para o Ce o posicionamento será de incertezas PN-PN, que revela dúvida do agente sobre sua capacidade de ação a respeito do domínio e acerca de mudanças que possam ocorre no domínio.

Terceiro fator:

e Ce

 Balanceamento: posicionamento no quadrante da matriz de atributo CT-PN para Cc e PN-PN para CE

Se o Cc fosse relacionado ao agente (primeiro fator) e o Cc influenciasse o Ce (segundo fator), porém no terceiro fator o valor da relação do Cc para o Ce fosse de balanceamento (“N”), então teríamos os seguintes posicionamento nos quadrantes da matriz de atributo: Cc - PN-CT, Ce – PN-PN. O posicionamento dos conceitos nos quadrantes da matriz de atributo do MCE é apresentado no fluxograma da Figura 20. As letras dentro de retângulos ao lado de cada atividade após o símbolo de decisão no fluxo representam, “L – linha” e “C – coluna”. Ao lado dessas informações são apresentados os posicionamentos dos quadrantes da matriz para o Cc e Ce em relação a visão do agente (atributos de assertividade) e do domínio (atributos de efetividade).

Figura 20 - Fluxograma de posicionamento nos quadrantes da matriz do MCE

Observando a Figura 20 referente ao fluxograma, o primeiro fator é sobre o posicionamento do conceito no domínio ou no agente e para os outros caminhos, sucederá três decisões conforme os fatores listados anteriormente. O Cc é posicionado primeiro e em seguida são feitas as decisões para o Ce.

Para uso do MCE, a atividade de aquisição do conhecimento pode ser feita por entrevistas a um agente, com o uso da técnica de elicitação, ou por meio de extração de conhecimento por meio de textos. O MCE busca tratar uma questão focal sobre um determinado problema, exposto por um agente do conhecimento, como os mapas conceituais. Para extração de proposições para construção de MCE (Capítulo 5) a partir dos textos obtidos dos questionários os passos são descritos a seguir.

Os cinco primeiros passos para a extração das proposições foram feitos (Capítulo 5) de acordo com o processo Verbka, proposto por Vasques et al. (2016a). Verbka é um processo de aquisição do conhecimento baseado na extração de conhecimento textual, mediante a compreensão semântica da língua natural e com foco na semântica verbal. No processo Verbka, os conceitos extraídos são fundamentados em eventos e ações, que são representadas em um mapa conceitual causal, ou seja, um mapa com foco nas relações de causa e efeito dos conceitos. Os últimos três passos, referentes ao posicionamento dos conceitos nos quadrantes da matriz de atributos do MCE, é feito com base nos passos definidos por Jaramillo (2018). Os oito passos necessários para a extração de proposições a partir de textos e posicionamento dos conceitos no MCE são descritos a seguir:

1. Identificar os verbos.

2. Identificar a sentença para cada verbo.

3. Perguntar para o verbo “Quem? ” e “O que/qual?” 4. Responder às perguntas.

5. Preencher a tabela com as respostas, seguindo a estrutura: Conceito Causa Verbo Conceito efeito Resposta “Quem?” verbo no infinitivo Resposta “O que/qual?”

6. Posicionar os conceitos na matriz de atributos do MCE.

7. Resolver inconsistências de posicionamento com base no critério conserva- dor.

a. O critério conservador se baseia na dinâmica de sistemas (SENGE et al., 2000). Devido a que uma não controlabilidade indica que o

conceito não influencia o sistema ou uma influência negativa, as in- consistências são dirimidas posicionando na posição de menor con- trole. Assim, se houver uma não controlabilidade, a posição da in- consistência é NC. Se houver uma PN e um CT, a posição da incon- sistência é PN.

8. Construir o MCE.

Assim, os passos utilizados de acordo com Vasques et al. (2016a) foram: 1) identificação dos verbos; 2) identificação da sentença para cada verbo com a classificação dos sintagmas, que podem ser, Sintagma Nominal (SN), formado pelo substantivo e seus adjetivos e o Sintagma Verbal (SV) formado pelo verbo e seus complementos; 3) pergunta-se ao verbo “Quem? ” e “O que/qual?”; 4) responder às perguntas feitas ao verbo no passo anterior; 5) preencher a tabela contendo as informações do sintagma nominal, verbo e sintagma verbal obtidas no passo 4.

Já os passos utilizados de acordo com Jaramillo (2018) foram: 6) se refere ao posicionamento das proposições na matriz de atributos. O posicionamento dos conceitos se inicia pelo Conceito Causa (Cc). Para o posicionamento do conceito devem ser respondidas cada três questões que são: a) o Cc refere-se ao cenário ou ao agente?; b) o Cc influencia mudanças no Conceito Efeito (Ce) ?; c) a relação é de reforço ou de balanceamento? Se o Cc se refere à ação (que é representada pelo verbo - V) do agente sobre o contexto, então Cc será posicionado a partir da linha em CT, PN ou NC, dependendo do nível de controlabilidade do agente. Por outro lado, se pela argumentação, o Cc referir-se ao agente, então, seu posicionamento se dá a partir da coluna, em CT, PN, NC (JARAMILLO, 2018).

Por serem estruturas de causa e efeito, o posicionamento dos conceitos é interdependente. Por exemplo, ao ser posicionado a partir da visão do agente (linha) verifica-se Cc é por ele controlável e pode produzir mudança no Ce. Se sim, então, Cc é controlável (Cc = CT). Além disso, se a relação modifica Ce, ela será de reforço (+). Por fim, Ce recebendo uma ação de reforço de Cc (CT), então, também será controlável (Ce = CT).

O passo 7 trata do critério conservador e o item a) desse critério está relacionado a inconsistências de conceitos posicionados em quadrantes diferentes na matriz de atributos. Esses passos se baseiam no critério conservador. Em síntese, esse critério se baseia em casos em que haja uma contradição entre conceitos posicionados em quadrantes distintos. Nesses casos, esses conceitos denotam incerteza e indicam pouca efetividade (JARAMILLO, 2018).

Nessa situação, o conceito é disposto na posição que indica menor controle sobre o atributo em que o conceito apresentar conflito. A última etapa é o passo 8, que se refere à construção do MCE. Para a construção dos mapas aconselha-se o uso do software Blue KMS®.

A Figura 21 mostra a sequência de passos descritos acima referente ao processo de extração e posicionamento de proposições para MCE.

Figura 21 - Processo de Extração e Posicionamento de Proposições para MCE