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Como resultado do processo criativo, vou apresentar uma narrativa dividida em 21 capítulos , cada um entre 7 e 8 páginas, perfazendo um total aproxima- do de 150 páginas. Para efeitos de definição, o produto final pode ser conside- rado uma novela, pois é uma narração em prosa de extensão entre o conto e o romance, como uma ampliação do conto, que se detém mais em acompa- nhar a trajetória de uma única personagem.

Pelo cronograma fica nítida a opção por uma intensa correlação entre es- critura e revisão, redundando em um material com divisões (capítulos,situa- ções) espelhadas. Cada mês de trabalho reelabora e amplia o material dos meses anteriores. O método de escritura-reescritura procura concretizar a es- trutura narrativa, a distribuição dos acontecimentos narrativos.

Cap 1 – Cemitério da cidade. Cerimônia de enterro do pai. Todos da cidade presentes. Chegada de Jeovaldo. Recepção calorosa. Caem de seus braços equi- pamentos de contato ( celular, laptop). Jeovaldo fere-se nos pés e mãos, em queda furtuita.

Cap 2 – De volta à sua casa. O velho cachorro o recebe. Memórias: fusão entre o decrépito cão, a casa velha e o ultrapassado consultório que funciona na casa paterna.

Cap 3 – Casa invadida pelos habitantes da cidade. Festa pelo retorno. Contraste entre a passsividade estupefacta de Jesualdo e a casa cheia de convivas.

Cap 4 – Primeira noite na conhecida casa. As lembranças da quase morte no lago. O bastimo quase fatal, o sufocamento. Os planos de sair daquela cidade.

Cap. 5 – A terrível madrugada. Os sons do cão velho que se arrasta pelos móveis, as madeiras que estalam na casa. A antiga angústia que retorna. O peso da noite sem fim, do dia adiado. O novo Getsêmani.

Cap. 6 – A multidão de manhã cedo na porta da casa. Jesualdo conduzido para a hidroginástica obrigatória de todos os idosos cidadãos que não param de compará-lo ao falecido pai. Pouco a pouco as figuras da multidão começam a se indivualizar, como se os olhos de Jesualdo começassem agora a perceber cada rosto, cada vislumbre de seu pai. Cada personagem como uma possibi- lidade, um aspecto da vida do pai. E, a cada nova revelação, uma intensa ne- gatividade por parte de Jesualdo.

Cap. 7 – Fuga da hidroginástica senil. Jesualdo vaga no quadrilátero central da cidade. Relembra suas tentativas frutastradas de deixar o lugar. Renova seu desejo de sair dali. Encontra a figura fantástica de Tio Zaqueuzam. Todas personagens são tios de Jesualdo. Na casa de Tio Zaqueuzam há um computador, que não funciona.

Cap. 8 – A multidão de tios leva Jesualdo para um almoço comunitário. Todos os tios são agora nomeados, todas as figuras com suas histórias explodem na mente de Jesualdo. Todos têm profundos laços de gratidão com o pai morto. Jesualdo é a esperança: o pai novamente conosco. No meio da festa, Jesualdo se retira, para espanto dos tios. Jesualdo apenas tem em sua mente perturba- ção e cansaço. Tudo ali é um experimento. Todos estão envolvido em uma tor- tura. Jesualdo transforma essa generalizada celebração na portunidade para reforçar os motivos de seu desprezo e ódio contra tudo que lembre o pai.

Cap. 9 – Em seu retorno para a casa, com o objetivo de se arrumar para ir embora dali, encontra com seu duplo: o violento Demovaldo, moleque de rua, malandro, que fora tratado e bem recebido pelo pai. A ira e passividade de Jesualdo se intensificam. Demovaldo questiona a volta de Jesualdo e o amea- ça: o filho teria apenas mais um dia para ficar na cidade. Jesualdo tem uma segunda noite de agonia, em um diálogo imaginário no qual responderia a to- das as acusações de Demovaldo e as desconfianças do povo da cidade. Seria por caso ele o assassino do pai?

Cap 10 – A multidão de manhã bem cedo reconduz Jesualdo para a hidro- ginástica. Jesualdo, exausto, deixa-se se conduzir, perdendo-se entre o desejo

de voltar para a capital e o ódio por não conseguir mostrar aos outros quão terrível era o pai. Principalmente quando de tarde há uma homenagem ao fa- lecido na praça central da cidade, com uma festa e inauguração do busto do pai, que Jesualdo descerra, sob o olhar atento e ameaçador de Demovaldo.

Cap 11 – Terceira noite de agonia. Os ruídos da casa se tornam mais agudos e doloridos. Jesualdo experimenta o torpor da morte naquela casa-sepultura. Todo seu ódio ao pai concentra-se na figura do cão doente e fétido.

Cap 12 – A multidão de manhã bem cedo leva Jesualdo para o cemitério, para celebração do terceiro dia, a manhã da resurreição? Jesualdo se apavora com a situação. O cemitério fica no limite da cidade, primeira e última parada para quem chega ou parte. A figura do pai reverbera em cada um dos mem- bros daquela cerimônia. Para terror da ira muda de Jesualdo.

Cap 13 – Jesualdo, contra sua vontade começa a atender os pacientes no velho consultório de seu pai. Fazendo o trabalho do falecido, Jesualdo ques- tiona a pretensa bondade e abnegação do pai. Cada um chega com os dentes mais brancos. Até que Jesualdo atende Demovaldo.

Cap 14 – A rotina da vida de Jesualdo é amplificada entre idas matinais para a Hidroginástica, atendimento aos pacientes e noites sem dormir.

Cap 15 – Almoço na casa de Tia Cleomir a única figura feminina da cidade. A ambivalência de sentimentos de Jesualdo, diante da ausência e falta de algo e a abundância e beleza de Tia Cleomir.

Cap 16 – A imundície de Jesualdo começa a se manifestar: manchas pelo corpo, queda de pelos, mal odor, os dentes ficando amarelados. Ele e o cão cada vez mais parecidos. Tudo por culpa do pai.

Cap 17 – Ida ao lago, de madrugada. O mergulho nas águas gélidas. Demovaldo salva Jesualdo da morte nas águas.

Cap 18 – Celebração de um ano de morte do pai. O filho em andrajos no cemitério. Lembranças da chegada no cemitério, tudo que poderia ter aconte- cido diferentemente.

Cap 19 – Jeovaldo resolve abrir finalmente o único cômodo que continuava fechado na casa: o quarto do pai. Lá encontra, para seu desespero e ira, fotos suas e do pai, um álbum de família, tudo bem guardados, todo o cuidado do mundo, tudo em contraste com a mísera situação de agora. AInda, lá encontra um telefone, computador, tudo que teria resolvido sua vida. na mesa da escri- vaninha, junto ao telefone, uma caderneta aberta com o número de Jesualdo. A revolta de Jesualdo, sua calada e desesperada agonia.

Cap 20 – Incêndio na casa de Jeovaldo. A cidade toda se engaja em tentar salvar das chamas o que é possível. Jesualdo desaparece: apenas encontram o cão morto.

Cap 21 – Anos depois a descrição da cidade, suas ruas, o cemitério, o busto do pai, o lago, o céu sem estrelas, um passeio turístico, a cidade famosa por suas histórias, a cidade onde tudo começou, todos vindo aqui para saber da verdadeira história de Jesualdo. Demovaldo é o guia turístico, celebrando a

bondade proverbial de Jeovaldo, seu amor pelo filho, a estátua na praça. Os idosos sorridentes da cidade são a imagem final do livro.

c.4) Dançando nas águas do abismo

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Apresentação

O projeto Dançando nas Águas do Abismo procura desenvolver uma metodo- logia de criação para a dança a partir de sua integração em uma série de ati- vidades correlatas: estudo e análise textual e iconográfica do repertório de mitos titânicos, isto é, narrativas que na cultura helênica apresentam figuras em situações físicas extremas, imóveis, congeladas, como Atlas, Sísifo, Íxion, Tântalo, entre outras; após este estudo dos mitos, seriam propostos modos de

interpretação fisicizada desse mitos, junto com vocalizações que não formas- sem textos e sim sequências rítmicas. Essas sequências rítmicas realizadas durante os atos de repetição das frases coreográficas seriam depois o mate- rial para musicas e palavras que seriam elaboradas para, junto com as coreo- grafias, musica e texto, compor um espetáculo.

O diferencial da proposta está no ponto de partida e no sequenciamento das atividades: no lugar de processos criativos elaboradas a partir de temas, propo- mos não partir da ideia, mas da consciência corporal. Então, o texto do mito será interrogado como registro de um corpo, um corpo a ser decifrado, construído. Mais que o conteúdo do mito, temos a reflexibilidade do método: devolver ao dança- rino um saber sobre seu corpo e suas possibilidades expressivas a partir de figura míticas flagradas em uma imponderável situação de eterno movimento.

Descritivo do planejamento e execução