PERSPECTIVA CULTURAL
1. Artes plásticas
5.3. Profissionais das letras
O título da capa da edição nº 155 é “A literatura emancipada” completado pela frase: “Nova geração de ficcionistas, ensaístas e poetas põe a tecnologia a seu serviço, encara o mercado e viabiliza a própria profissão”. Nas páginas internas a reportagem, de José Castello, intitula-se “Profissionais das letras”166 e a linha-fina: “Há proximidade, sim, entre a geração de escritores dos anos 70, sufocada pela ditadura, e a atual, premida pelo pragmatismo do mercado”. O gancho jornalístico é o lançamento livro, que reúne contos e poesias, de Nelson de Oliveira “Geração 90/Os transgressores” sobre a novíssima geração da cena literária na prosa, na poesia e na dramaturgia, cujo critério para definir a geração 90 foi cronológico.
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Conforme se constata, o EU&, numa leitura abrangente da realidade contemporânea no campo literário, como poucas vezes se vê na mídia, utiliza o mesmo recurso empregado em outras reportagens ao comparar a situação atual à do passado, portanto oferece um parâmetro para a avaliação pelo leitor. Informa que no ensaio que abre a coletânea estão textos de Marcelo Mirisola, Ronaldo Bressane, Arnaldo Bloch, Daniel Pellizzari e Cláudio Galperin. Diz que esta geração tem semelhança com a geração 70, que produziu a “célebre poesia marginal”. Mas que também existem brutais diferenças como, por exemplo, que o contexto brasileiro dos anos 70 era de perseguições políticas e liberação sexual; mas o dos anos 90, apresenta a internet, a violência e o pragmatismo. Ou seja, aponta as diferenças de contexto, mas ressalta a presença das tensões. Geração 90: Marcelino Freire, Clarah Averbuck, Luiz Ruffato, Eduyr Augusto, Tony Monti, Jorge Cardoso, Marçal Aquino, André Sant’Anna e Paulo Polzonoff que estão distantes da Geração 70 de José Agrippino de Paula, Ana Cristina César, Cacaso, Francisco Alvim e Chacal.
Além disso, adota a estratégia, também constante em outras matérias, de ouvir vários especialistas sobre o assunto, sobretudo sobre o que caracteriza ou não uma geração de escritores, apresentando opiniões diversificadas, reafirmando-se como arena de debate intelectual plural. O EU& afirma que para Nelson de Oliveira167 “há certos cruzamentos temáticos e conceituais na base dessa nova literatura, pois ela está enraizada em novos fenômenos técnicos e culturais, dos quais a TV e a internet são só os principais exemplos”.
Informa que para, Silviano Santiago168, “uma geração (...) é produto de uma estratégia ideológica, isto é, resultado de uma nova postura estética, política ou mercadológica”, portanto, falta “coesão interna para que aspirem formar uma nova geração” e que na poesia e nos ensaios há mais coesão do que na produção ficcional. Desta forma, oferece para o leitor a noção dos elementos que caracterizam uma geração de escritores.
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EU& - Nelson de Oliveira – um dos principais teóricos da nova geração e autor do livro 168
O EU& prossegue com outros escritores e informa que segundo Joça Reiners Terron169 o diferencial entre as duas gerações é que os integrantes dos anos 90 “parecem ter criado as condições necessárias para a sua literatura existir”, criaram pequenas editoras, selos e revistas para veicular seu trabalho, portanto, aponta o emprego da tecnologia a serviço dos escritores dos anos 90. Também destaca que para Moacyr Scliar170 são jovens com excelente domínio da linguagem “mas que evitam experimentalismos” e que segundo Rogério Pereira171, entre as características deles estão a rapidez na escrita (herança da contemporaneidade) e a “preocupação constante com a violência urbana, a solidão do homem no inferno das cidades e a provocação ao estado ‘normal’ das coisas”, isto é, as tensões da modernidade. Segundo o EU&, o poeta percebe que a geração de 90 trabalha individualmente, mas que, com o tempo, irá se reunir.
Para João Gilberto Noll172 há sinais de ousadia na “abordagem escancarada e acachapante de alguns temas, como o brutalismo urbano, a sexualidade exacerbada, o marasmo enlouquecedor da sociedade”, ou seja, outro reforço da presença das tensões da modernidade. O EU& afirma que, de acordo com Sérgio Sant’Anna173, há sim uma Geração 90 pelo número de novos escritores, pelo espírito rebelde diferente das gerações imediatamente anteriores e certa aproximação com a geração de 70, pelo desejo de uma literatura que une “inconformismo com a busca de uma nova linguagem”. Fernando Monteiro (prosador) faz análise semelhante: “A temática urbana voltou a reatar o contato com o romance psicológico (...) com margem para até mesmo um clima cosmopolita”.
A temática destes autores também recebe atenção do suplemento, quando informa que vários nomes se enquadram na linha de “vingar os problemas latentes urbanos”: Augusto Massi, Fábio, Weintraub, Wilmar Silva, Tarso de Melo, Donizete Galvão, Ricardo Aleixo, Contador Borges, Heitor Ferraz, Eucanaã Ferraz, Eduardo Sterzi, Cláudio Daniel, Jussara Salazar, Carlito Azevedo, Nelson Ascher. Mas como de costume o EU& não elabora uma conclusão sobre o assunto. Apenas oferece um elenco de opiniões fundamentadas e delega ao leitor a decisão sobre a polêmica, sem deixar de destacar que a diversidade de estilos da chamada geração 90 torna o país mais democrático.
Além dos escritores acima, cita outros de várias épocas: Roberto Drummond, Hida Hilst, Dalton Trevisan, Ignácio de Loyola Brandão, Rubem Fonseca, Luiz Vilela, Márcia
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EU& - Joça Reiners Terron – um dos mais importantes da nova geração 170
EU& - Moacyr Scliar – escritor consagrado 171
EU& - Rogério Pereira – crítico e editor do mensário “Rascunho”, um dos principais porta-vozes da geração 90
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EU& - João Gilberto Noll – escritor ficcionista dos anos 80 173
Denser, Fabrício Carpinejar, Raduan Nassar, John Fante, Charles Bukowiski, Paulo Leminski, Rogério Pereira; Heloisa Buarque de Holanda; Mário Vianna e Beth Nespoli.