LIÇÕES E EXPERIÊNCIAS DE UMA UTOPIA A SER ALCANÇADA
3. O CONCEITO DE QUALIDADE DE VIDA
3.1. Qualidade de vida em uma Sociedade Urbana
A proeminência dos estudos de qualidade de vida no âmbito da realidade urbana, de um lado, pode ser justificada pelo alto grau de urbanização da sociedade, de modo que a noção de um contexto explicitamente "urbano" para qualidade de vida é deliberada e realista. Acrescenta-se ainda, por outro lado, conforme destacam Santos e Martins (2002, p. 7) o fato de que, ―a urbanização atual, muitas vezes intensa e desordenada, é ela própria geradora de um conjunto de problemas e de disfuncionamentos internos cuja influência nas condições de vida dos cidadãos importa conhecer e avaliar‖. Além disso, quando se fala em estudar a qualidade de vida, os indicadores ―incidem em geral sobre as áreas urbanas‖ (PARTIDÁRIO, 2000, p.31), seja com foco na rede de cidades ou no espaço intraurbano.
Cabe ressaltar que a origem da expressão qualidade de vida, associada ao espaço urbano não é recente. Segundo, Pelletier e Delfante (2000, p. 235), historicamente esta remete-se ao século XI, no contexto do desenvolvimento dos mercados e feiras, em que as autoridades cívicas e religiosas ou laicas garantiriam as condições de bem-estar. Passando, mais tarde, pelo contexto da Idade Média, sobretudo no Ocidente, onde os autores destacam ―que os regulamentos visavam à segurança, a ornamentação, a higiene, os serviços e, claro, o habitat‖ decorreriam de preocupações em melhorar as condições de vida. Até chegar, a urbanização do século XX, onde, em decorrência da expansão da cidade não ocorrer com o provimento das infraestruturas/equipamentos essenciais à qualidade de vida, há:
Las dificultades de accesibilidad, el deterioro fìsico de una ciudad, la dificultad de relaciones sociales, la contaminaciòn ambiental, la saturaciòn de los servicios, la pobreza y la inseguridad social, son algunos de los problemas que caracerizan hoy a los contextos urbanos, es decir, que son problemas propios de las ciudades donde se concentra la mayor cantidad de recursos y de poblaciòn y donde se manifestan en mayor magnitud los problemas de diferencias y descontento social Dificultàndo todo esto la posibilidad de definir hipòtesis sobre nivèles de calidad de vida (CHACÓN, 1998, p. 2).
O autor destaca que, neste contexto, por vezes a sociedade é marcada pelo paradoxo de um crescente nível de vida, porém insuficiente para a satisfação dos indivíduos, o que torna as investigações, simultaneamente necessárias e mais difíceis. Deste modo que,
A investigação actual sobre a qualidade de vida urbana confronta-se, assim, com o desafio da procura de novos modelos de abordagem que levem em conta as profundas mudanças económicas, sociais e tecnológicas em curso que, justamente, se têm vindo a manifestar de forma particularmente expressiva à escala das cidades (SANTOS; MARTINS, 2002, p. 7).
A qualidade de vida urbana (QVU) é definida por Marans e Stimson (2011, p. 1) com base em Mulligan et al. (2004) como a satisfação de uma pessoa, considerando as condições humanas e físicas, que são dependentes da escala urbana e podem afetar os comportamentos individuais, de grupos sociais, famílias e unidades econômicas como empresas.Ao conceituar a QVU McCrea (2007) faz uma distinção entre a qualidade de vida derivada do ambiente urbano e a com experiência no ambiente urbano, onde a primeira associa-se com a satisfação derivada de domínios urbanos como moradia, bairro, comunidade e região e a segunda inclui a satisfação em todos os domínios da vida; por exemplo, trabalho, relacionamentos, saúde, bairro etc., portanto mais ampla.
Neste sentido, Tobelem-Zanin (1995) destaca a importância do conceito de qualidade de vida para observar o estado das condições de vida da população urbana, de acordo com três conceitos fundamentais: quadro de vida, nível de vida e estilo de vida.
A autora [...] indica que as condições de vida estão simultaneamente ligadas ao quadro de vida, ao modo de vida bem como, ao nível de vida. Relacionam-se, assim, directamente com o meio físico, natural e humano em função dos seus equipamentos, da situação geográfica da sua morada e da distância a todos os outros domínios de actividades (emprego, lazer, serviços). Existe também uma ligação directa ao nível de vida dado que este determina frequentemente o modo de vida e, sobretudo, as potencialidades e possibilidades de vida de cada grupo social [...]. No que toca ao quadro de vida, diz que permite definir o que rodeia a vida quotidiana do indivíduo e do grupo. O quadro de vida diz respeito ao ambiente natural (sítio, clima) e às modificações antrópicas (residência, equipamentos e arranjos urbanos diversos). Salienta ainda que o nível de vida não é apenas sinónimo do nível salarial, mas deve antes definir-se como uma capacidade de recursos. Estes recursos podem ser avaliados em função da riqueza e dos salários dos agregados, mas, também, em função da riqueza da cidade. Esta última permite em grande parte determinar as potencialidades reais de cada cidade de criar, equipar, manter e gerar o quadro de vida oferecido aos seus habitantes. Por fim, apresenta os modos de vida de cada grupo social como sendo determinados pelas características gerais da sociedade. Cada grupo social possui o próprio modo de vida. Encontra-se ligado às potencialidades de cada grupo, potencialidades que podem ser de ordem económica (dado que o nível de vida determina inevitavelmente a forma de viver de cada um, bem como as suas necessidades e aspirações), ou ainda, de ordem social ou cultural. Assim sendo, cada grupo, definido pela sua idade ou estrato social, mantém com um mesmo meio relações que são apenas parcialmente comuns ao conjunto da população (RODRIGUES, 2007, p. 24-25).
Para Tobelem-Zanin (1995) a dimensão subjetiva é representada pelo bem-estar e a objetiva pelos elementos materiais, sendo estas medidas complementares, figura 18. Afinal quanto maior a satisfação dos indivíduos com o seu ambiente, mais fortes são os laços estabelecidos entre os membros do grupo com o quadro de vida, melhores são os modos e nível de vida e, por conseguinte a qualidade de vida (TOBELEM-ZANIN, 1995).
Figura 18 - Elementos/conceitos da qualidade de vida Qualidade de vida
Fonte: Adaptado a partir de Tobelem-Zanin (1995) por Valente (2006).
A Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho (Eurofound) considera a "qualidade de vida" como um conceito mais amplo do que "condições de vida". As condições de vida, juntamente com a possibilidade das pessoas, na medida do possível, atingir os objetivos e escolher o estilo de vida que desejam, seriam elementos centrais para a melhoria da qualidade de vida, que é identificada por um número de dimensões tidas como essenciais para a vida humana, para o bem-estar, considerando os valores gerais e objetivos políticos da UE. Porém, o bem-estar depende de outros fatores além das condições de vida, como as formas que as pessoas reagem e se sentem em relação suas vidas nos diferentes domínios da vida. Esta também é a perspectiva de Lora et al. (2008, p.9), segundo ele os conceitos são distintos porque, a qualidade de vida:
[...] abarca más que el enfoque de ―condiciones de vida‖, el cual se centra en los recursos materiales al alcance de los individuos. La calidad de vida comprende también las circunstancias en que se desarrolla la vida de las personas. Por consiguiente, se acepta que es un concepto multidimensional, no solamente porque requiere tener en cuenta diversos aspectos de la vida de las personas, sino también porque abarca aspectos externos a los individuos, y las interrelaciones entre unos y otros.
Bem-estar elementos subjetivos representações pessoais (definição pelo indivíduo)
Condições de vida elementos objetivos condições
materiais oferecidas
Quadro de vida meio natural e suas
modificações antrópicas
Nível de vida -hierarquia dos salários dos rendimentos e dos consumos
- ecologia urbana - segregação
Modos de vida - segundo a idade e as condições
profissionais - função das potencialidades
socioeconômicas - define o consumo ambiental Ambiente natural e
urbano (patrimônio) Habitat Equipamentos de
serviços e ordenamentos urbanos
Rendimento
das famílias Rendimentos da cidade Perfis sociais Perfis demográficos Composição dos agregados Formação de ativos Finanças locais Salário Desemprego Consumo riqueza
Portanto, para a realidade do século XXI, na qual elevaram-se, de um lado os padrões de vida e de outro os problemas, a qualidade de vida urbana relaciona-se a necessidade investigação para a reconstrução das cidades, no sentido de que estas sejam mais saudáveis, sustentáveis e ofereçam condições para a satisfação de uma ampla variedade de necessidades. 3.2 Qualidade de vida, bem-estar, felicidade, saúde e sustentabilidade: Convergências e divergências conceituais.
A retomada do interesse pela qualidade de vida tem colocado, em vários contextos, o tema de forma implícita e/ou explicita nas políticas públicas, apesar de ainda não se ter uma definição e modo de mensuração bem definidos e universalmente aceitos. O conceito é frequentemente relacionado com outros como: felicidade, bem-estar, saúde, sustentabilidade, etc. Contudo, apesar dos pontos comuns tais termos diferem entre si.
Ainda que, por vezes, a qualidade de vida seja tomada como sinônimo de bem-estar e felicidade69 (MARANS; STIMSON, 2011, p. 4), estes conceitos são distintos, embora os dois últimos elementos possam ser componentes da qualidade de vida. Smith (1973, p. 66) já havia destacado que qualidade de vida é mais concreta ou específica, em suas palavras:
[…] the concept of social well-being is sometimes thought of as synonymous with the quality of life. But it may be preferable to regard it as being at the more concrete or specifcend of the continuum of abstraction that descends from human happiness through the concept of the quality of life to social well-being. ―Quality of life‖ implies a rather personalized concept, whereas reference to aggregates of people defned by area of residence more appropriately addresses the welfare of some social group. (SMITH, 1973 apud MARANS; STIMSON, 2011, p.38).
Na visão filosófica eudaimonista, felicidade seria entendida como viver o "bom e virtuoso" levar uma vida feliz e bem sucedida, já pela visão hedonista seria a maximização da satisfação ou do prazer, porém ambas remontando a um passado distante (MCCREA; MARANS; STIMSON E WESTERN 2011, p.56).
69 No Dicionário Oxford de Filosofia (Rio de Janeiro: Zahar, 1997) a consulta ao vocábulo qualidade de vida remete diretamente ao vocábulo, felicidade. Para Langlois e Anderson (2002) apud Rodrigues (2007, p.26) o bem-estar é a interpretação da qualidade de vida resultante de experiências ambientais e pessoais subjetivas, assim como para Molina (2005, p.77) a qualidade de vida resulta do bem-estar. Da mesma forma, em seus estudos a UNESCO não diferencia a qualidade de vida de bem-estar e felicidade, por partilhar da visão de que a qualidade de vida refere-se a felicidade e ao bem-estar. Assim como a European Foundation for the Improvement of Living and Working Conditions (2003), define a qualidade de vida como o bem-estar geral, e o Atlas do Canadá que relaciona à qualidade de vida a função de medir o bem-estar. Tal como parte dos estudos da área médica que propõe esta aproximação da qualidade de vida nesta área à indicadores sociais, como o de bem- estar, felicidade e satisfação.
Cabe destacar que, felicidade e satisfação são distintas. Segundo McKennel e Andrews (1980) apud Fahey et al. (2003); Kahneman et al. (2004); Eurofound (2004) a felicidade é um estado de espírito/afetivo, incorporando tanto a existência de emoções positivas como a ausência de emoções negativas. A felicidade a reatividade emocional aos eventos recentes. Já a satisfação representa mais um estado cognitivo. Isso significa que alguém pode ser feliz sem avaliação de sua vida tão boa, por outro lado, uma pessoa atribuindo um nível elevado de satisfação com a sua vida pode sentir-se infeliz.
No entanto, pode ser possível que a satisfação possa decorrer da felicidade a longo tempo. Kahneman et al. (2004) destacam que redes afetivas e circunstâncias objetivas têm pouca correlação com a satisfação, enquanto que as características pessoais relacionadas ao temperamento e personalidade têm forte correlação com satisfação. Igualmente, para Rutledge et al (2014, p. 12255) ―a felicidade momentânea é um estado que não reflete o quão bem as coisas estão indo, mas sim se as coisas estão indo melhor do que o esperado. Isto inclui as expectativas positivas e negativas, ou mesmo na ausência de resultados‖. Sendo que um estado permanente de felicidade varia em torno de um ponto de ajuste hedônico, em que os indivíduos se adaptam às mudanças de longa duração em circunstâncias de vida.
As relações entre ―recompensas‖ que são objetos externos quantificáveis (por exemplo, dinheiro) e as respostas afetivas e motivacionais, manifestas pelo grau de felicidade, foram analisadas por Rutledge et al. (2014). Os estudiosos da University College London monitoraram por ressonância magnética a atividade cerebral de pessoas que tomavam decisões que culminavam em ganho ou perda de dinheiro e também as respostas ao questionamento ―O quão feliz você está agora?‖ antes e após a decisão; e chegaram a conclusão que a felicidade é altamente influenciada pelas expectativas, nem tanto pelos ganhos, ou seja, matematicamente se as expectativas são menores não há desapontamentos. Se as expectativas são altas e alcançadas, a felicidade será maior, a qual aparece associada a grande quantidade de dopamina, que pode explicar alegria momentânea. A partir de tais constatações foi proposta uma equação matemática da felicidade70, que ―explica a felicidade
70
where t is the trial number, we is a constant term, other weights w capture the influence of different event types, 0 ≤ γ ≤ 1 is a forgetting factor that makes events in more recent trials more influential than those in earlier trials, CRj is the CR if chosen instead of a gamble on trial j, EVj is the EV of a gamble (average reward for the gamble) if chosen on trial j, and RPEj is the RPE on trial j contingent on choice of the gamble. If the CR was chosen, then EVj = 0 and RPEj = 0; if the gamble was chosen, then CRj = 0. Parameters were fit to happiness ratings in individual subjects. We found that CR, EV, and RPE weights were on average positive [all t(25) > 4.6, P <
momentânea, melhor do que um conjunto de modelos alternativos, incluindo os modelos sem restrições exponenciais, parâmetros para opções não escolhidos e modelos baseados em serviços públicos‖ (RUTLEDGE et al., 2014).
Acerca da avaliação da qualidade de vida pelo indivíduo, considerando a distância relativa entre o que se tem e o que se deseja, Herculano (2000) lembra-se do pensamento de E. Durkheim (1977), relativo à diferença entre o prazer e a felicidade e com a sua apologia à moderação, pois
Dizia Durkheim ser a felicidade um estado geral e constante, enquanto o prazer é uma espécie de crise, que dura um momento e morre. O que definiria a felicidade seriam as disposições permanentes, a saúde psíquica e moral no seu conjunto. Sendo a felicidade uma constante, ela não aumentaria com o progresso, pois, para Durkheim, haveria uma intensidade normal de todas as nossas necessidades intelectuais, morais, físicas, que não poderia ser ultrapassada: tudo que fosse além desta medida ou nos deixaria indiferentes ou nos faria sofrer. A felicidade estaria estreitamente vinculada à moderação, a um desenvolvimento moderado, sem acumular indefinidamente estímulos. O autor criticava o utilitarismo, que supunha que a felicidade crescesse com o progresso, e o psicologismo, que imputava à busca da felicidade as causas da realização do progresso humano. (HERCULANO, 2000, p.6).
Considerando a relação entre a sustentabilidade e felicidade, para Stiglitz; Sen e Fitoussi (2010) estes temas são complementares, entretanto suas formas de avaliação são distintas, já que a primeira necessita de uma medida quantitativa, como o estoque de recursos (naturais e sociais) necessários para que futuras gerações atendam suas necessidades, de modo que não necessariamente podem integrar um mesmo indicador.
Em relação ao bem-estar, conceito abordado em muitos estudos, há uma variedade de perspectivas, desde aquelas que partem do Estado de bem-estar social (welfare state), onde haveria patamares mínimos de bem-estar assegurados pelo estado, até abordagens, a maioria, em que há aproximações aos conceitos de (well-being) bem-estar subjetivo, a autoestima, a percepção e controle, otimismo, afeto positivo, saúde e às condições do meio.
Os estudos da qualidade de vida com foco no bem-estar subjetivo, a partir do nível de felicidade e satisfação, remontam a década de 1960, principalmente nos EUA, e são comuns no âmbito da psicologia, especialmente a social (FAHEY et al., 2003). As medidas de bem- estar subjetivo estendido para felicidade, enquanto resposta subjetiva de recompensas, ainda continuam a ser utilizadas pelas nações para a implantação de políticas. No Brasil, por exemplo, a portaria nº 2.446, de 11 de novembro de 2014, que redefine a Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS) tem dentre seus valores fundantes a felicidade, vista ―enquanto autopercepção de satisfação, construída nas relações entre sujeitos e coletivos, que contribui
0.0001] with EV weights lower than RPE weights [t(25) = 4.3, P < 0.001; Fig. 2A]. The forgetting factor γ was 0.61 ± 0.30 (mean ± SD). (RUTLEDGE et al 2014, p. 12253).
na capacidade de decidir como aproveitar a vida e como se tornar ator partícipe na construção de projetos e intervenções comuns para superar dificuldades individuais e coletivas a partir do reconhecimento de potencialidades‖.
Segundo Dodge et al. (2012) não se tem uma definição clara de bem-estar, mas descrições que concentraram nas dimensões de bem-estar, em vez de definições, sendo possível identificar várias perspectivas de abordagem para o bem-estar e de sua relação com a qualidade de vida, a proposta de Shin e Johnson (1978, p.478) do bem-estar como uma avaliação global da qualidade de vida de uma pessoa segundo seus próprios critérios, que ainda influencia a literatura atual comprova tal fato. De modo semelhante, para o Serviço de Administração Pública Americana, bem-estar – das pessoas e dos lugares – encontra-se relacionado com qualidade de vida, a qual abarca aspectos econômicos, sociais, psicológicos, ambientais e estilos de vida (BOOZ-ALLEN, 1973).
Essa perspectiva é próxima à adotada pela MEA que também considera que o bem- estar possui constituintes múltiplos, incluindo materiais básicos para uma vida boa, liberdade de escolha, saúde, boas relações sociais, e segurança. Sendo que tais componentes, vividos e percebidos pelas pessoas, são dependentes da situação socioeconômica, cultural e das circunstâncias ecológicas, reflexo da geografia local.
A noção difundida por Sen (1997) apud UN (2013) que embasa as perspectivas de organizações como a UN e a WHO, partem do pressuposto de que bem-estar relaciona-se com recursos, no sentido da capacidade que as pessoas têm para realizar escolhas e agir, que pode englobar desde questões elementares como escapar da morbidade e mortalidade, ser adequadamente nutrido até aquelas mais complexas, como a autorrealização, respeito e a vida comunitária. Portanto, envolve as dimensões material e imaterial (cognitivas/subjetiva e relacionais). Neste sentido, a noção de bem-estar estaria bem próxima a de qualidade de vida.
Ao tratar das capacidades, o autor propõe que estas são condicionadas por circunstâncias, pessoais e sociais, quais sejam:
1) Heterogeneidades pessoais, a idade, sexo ou deficiência pressupõe