As melhores condições para o desenvolvimento territorial estaria nas regiões que apresentassem maior capacidade de organizar os fatores endógenos, direcionando-os para o fortalecimento da organização social, para o aumento da autonomia local dos atores na tomada de suas decisões, para a capacidade de reter e reinvestir capitais em nível local, enfim, para promover a inclusão social e o aumento da capacidade de regenerar e conservar o meio ambiente (VEIGA, 1998).
As políticas públicas para o desenvolvimento territorial favorecem estratégias na execução de planos que atendam às diversidades de atores sociais, com o propósito de melhorar a articulação dos serviços públicos. Esta articulação, se
exercida pelos promotores das políticas de desenvolvimento em tempo hábil, ao certo irão promover o acesso ao mercado interno e uma identidade própria que fornecerá uma sólida base para a coesão social e territorial, verdadeiros alicerces para o capital social.
Segundo Gehlen (2004), a ideia de desenvolvimento está diretamente vinculada às políticas públicas e suas relações com as organizações, objetivando conduzir um desenvolvimento econômico e sustentado. A combinação entre participação comunitária e mobilidade de recursos públicos reflete esse desenvolvimento.
Por outro lado, segundo Boisier (2004), o desenvolvimento territorial traz uma abertura para questões relacionadas às relações de poder que se estabelecem no território e até se constituir um novo corpo cognitivo para atender as demandas decorrentes dos processos de descentralização.
De acordo com o MDA/SDT (2005) a participação ativa das populações locais traz uma inovação ao enfoque territorial. A noção de desenvolvimento está relacionada a aumento e geração de riquezas, como pode ser observado em dois propósitos:
a coesão social, como expressão de sociedades nas quais prevaleça a equidade, o respeito à diversidade, à solidariedade, à justiça social, o sentimento de pertencimento e inclusão; e
a coesão territorial como expressão de espaços, recursos, sociedades e instituições imersas em regiões, nações ou espaços supranacionais, que os definem como entidades cultural, política e socialmente integradas (MDA/SDT, 2005).
Para Almeida Filho (2006), a concepção de desenvolvimento territorial é o desenvolvimento nacional a partir da ótica do Estado, com base empírica na divisão política do território. Cabe ao governo federal, em articulação com os governos estaduais e juntamente com a sociedade civil definir o conjunto de projetos prioritários que assegurem uma distribuição equilibrada do desenvolvimento econômico e social nas macrorregiões.
A distribuição e prioridades desses projetos são precedidas pelas discussões introduzidas pelos formuladores de políticas públicas. Nesse processo, os formuladores precisam contar com a contribuição do envolvimento de atores sociais,
dos dois grupos, os representantes do governo e da sociedade civil, para as mudanças qualitativas no desenvolvimento territorial.
As políticas públicas de desenvolvimento territorial assumem uma referência sobre a natureza do processo de globalização, como a da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) que, formulando o desenvolvimento territorial como um processo também multidimensional de ocupação dos espaços regulados pelos estados nacionais poderia apreender duas determinações. Uma delas decorrente do próprio processo de globalização, orientada por uma dominância da dimensão econômica e que tem uma natureza intrinsecamente internacionalizada. Nesse caso, o território é um espaço submetido aos interesses dos atores que atuam em escala global, incluindo, como sustenta a CEPAL, governos nacionais, organismos multilaterais, grandes empresas multinacionais e organizações não governamentais.
Uma segunda determinação está colocada ao nível dos interesses postos pelos estados nacionais, percebidos nos projetos nacionais e concretizados pelas políticas públicas de desenvolvimento territorial. Nesse caso, os principais atores têm base nacional, embora, evidentemente, tenham vínculos com o nível de determinação da globalização. Os atores são vinculados às forças políticas nacionais e atuam privilegiadamente no âmbito político nacional (ALMEIDA FILHO, 2006).
Para Ortega (2007), o desenvolvimento territorial no Brasil ganha força e maior expressão a partir de meados da década de 1990. A temática do desenvolvimento territorial tem despertado o interesse de diferentes áreas do conhecimento, além de organizações públicas e privadas, inclusive internacionais, como o Banco Mundial.
As diferentes experiências de desenvolvimento territorial no Brasil apontam a necessidade de organização e pactuação da sociedade em torno de objetivos comuns e de que essas condições podem ser construídas. Momento em que se amplia a participação da sociedade civil organizada nos processos de tomada de decisão. É preciso compreender que as transformações econômicas, políticas e sociais no país acabaram fortalecendo experiências locais de organização em torno da busca de objetivos comuns.
Para a construção de políticas territoriais, novos arranjos institucionais devem ser elaborados por organizações representativas. Nesse sentido Ortega (2007) afirma que:
Novas organizações representativas (de caráter econômico ou político) e a construção de novos arranjos institucionais (arranjos sócio-produtivos locais) têm criado oportunidades de coordenação de cadeias produtivas e de formulação e gestão de políticas públicas concertadas em que diferentes segmentos sociais se fazem presentes. Essa cultura econômica e política, que valoriza os atores sociais coletivos, permitem construir estratégias alternativas para o desenvolvimento territorial. Entretanto, a busca de sinergia local com vistas à elaboração de projetos comuns de desenvolvimento sustentável, explorando as vantagens comparativas e competitivas de cada território, requer a superação do voluntarismo e do individualismo. Ou seja, requer a construção de pactos territoriais em função de objetivos comuns.
No Brasil, o desenvolvimento territorial tem como base as políticas de desenvolvimento, orientadas pelas políticas Ministeriais do governo federal, sob o Decreto de 25 de fevereiro de 2008, que Instituiu o Programa Territórios da Cidadania, e de acordo com o Art. 6º do mesmo Decreto, designou o Comitê Gestor Nacional para executar, orientar e monitorar o programa, composto por um representante, titular e suplente, da Casa Civil e da Presidência da República, que o coordenará os seguintes Ministérios e Secretárias: Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão; Ministério do Desenvolvimento Agrário; Ministério do Meio Ambiente; Ministério da Integração Nacional; Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Ministério de Minas e Energia; Ministério da Saúde; Ministério da Educação; Ministério da Cultura; Ministério do Trabalho e Emprego; Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Ministério das Cidades; Ministério da Justiça;
Secretaria-Geral da Presidência da República; Secretaria de Relações Institucionais;
Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial; Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca; e Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres.
De acordo com o MDA (2005), na formação do território da cidadania, deve-se levar em conta que as características e necessidades de um determinado local giram em torno de objetivos comuns. Em sendo observadas essas especificidades, tem-se o desenvolvimento rural sustentável tão desejado.