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PARTE II. Estudo Empírico Error! Bookmark not defined

4.4. Conceção, design e implementação do módulo mobile learning em AVA 96

4.4.1. As ferramentas tecnológicas para design e conceção do módulo 96

4.4.1.1. Seleção da aplicação mobile: Mobile Learning Engine Moodle

Uma das decisões tomadas para a conceção, design e implementação deste módulo piloto foi a opção pela plataforma Moodle versão mobile. Como é sabido, o Moodle é um Course Management System (CMS), também conhecido como Learning Management System (LMS) ou também chamado ambiente virtual de aprendizagem (AVA). É uma plataforma gratuita que se encontra bastante disseminada a nível da educação em todo o mundo e que disponibiliza aos educadores ferramentas para a comunicação, interação, colaboração e para gerirem e promoverem as aprendizagens. De acordo com a Moodle.org, a plataforma possui as seguintes capacidades:

 permite a usabilidade em grande escala, a centenas de milhares de estudantes;

 facilita a comunicação entre os estudantes e os seus professores e tutores, em cursos que são realizados na modalidade de elearning ou blearning;

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 cria comunidades de aprendizagem, amplamente colaborativas, através de atividades: Fórum, Wiki, Base de dados, etc., em torno de uma determinada temática;

 fornece conteúdos aos estudantes, através de pacotes SCORM, e avalia a aprendizagem dos estudantes, utilizando tarefas diversas.

Por outro lado, a opção pelo Moodle justifica-se dado ser a plataforma oficial da Universidade Aberta na qual estão integrados milhares de estudantes, embora com funcionalidades específicas criadas pelo Modelo Pedagógico Virtual46. Assim, e dado o facto de ser um módulo experimental, justificava-se

efetuar a testagem da aplicação mobile do Moodle para eventual alargamento a outros cursos e experiências.

A designação “mobile learning” implica que a aprendizagem se realiza através de dispositivos móveis. Dado que a população dos cursos da Universidade Aberta são adultos integrados profissionalmente e com taxas de ocupação muito grande, não só a flexibilidade do modelo de ensino da instituição, como a introdução deste tipo de dispositivos para acesso à aprendizagem parece importante. Com esta modalidade é possível aproveitar todo o tempo de espera que, muitas vezes, se dispõe no dia-a-dia (por exemplo, quem é que nunca teve de esperar horas numa fila das finanças, viajar durante longas horas, perder tempo no dentista ou esperar pelo filho que está no treino de futebol) para aprender. Desta forma, é possível afirmar que agora é exequível aprender a qualquer hora que queiramos aprender, independentemente do local onde se esteja (o estudante, agora aprende quando e onde quiser).

A utilização cada vez mais frequente dos ambientes virtuais de aprendizagem, juntamente com o avanço e a oferta dos dispositivos móveis, têm motivado a existência de alguns estudos nesta área. Ribeiro et al. (2009) avalia os recursos oferecidos pela MLE-Moodle através dos dispositivos móveis no processo de ensino aprendizagem. Villems (2010) refere como vantagens da ferramenta MLE- Moodle ser open source, ter código aberto e não exigir quaisquer recursos adicionais na suainstalação. Funciona como se estivéssemos a instalar um módulo adicional para a instituição. Já Xhafa et al. (2012) criou e testou o Protótipo Campus Mobile, baseado na tecnologia J2ME usando o MLE- Moodle, para dar suporte aos clientes móveis permitindo a execução de atividades de aprendizagem online a qualquer hora e em qualquer lugar. Sampson et al. (2008) realizaram um estudo com base na criação de um Sistema de Gerenciamento de Conteúdos (Moodle móvel) criado com o objetivo de facilitar a aprendizagem dos estudantes. Este Sistema de Gerenciamento de Conteúdo foi concebido com base nas orientações do W3C a um CMS já existente (Moodle).

O MLE-Moodle é uma extensão que torna um ambiente virtual de aprendizagem, neste caso, o Moodle, num sistema mobile learning, tornando possíveis aos seus utilizadores tanto uma aprendizagem através do computador como através dos dispositivos móveis (mobile learning).

O acesso ao MLE-Moodle pode ser realizado através de duas formas:

46 Estas funcionalidades e aplicações foram desenvolvidas no âmbito do LE@D Laboratório de Educação a Distância e

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 via Browser do dispositivo móvel. Com a utilização do browser do dispositivo móvel ou com a instalação de uma aplicação de um browser, por exemplo o Opera Mini. Este permite ao utilizador um acesso rápido e eficiente à aplicação MLE-Moodle, devido às suas características. Algumas das vantagens na utilização desta forma de acesso são: a) não existir a necessidade de instalar uma aplicação no telemóvel (600KB); b) ficar tudo online; c) nada é instalado no dispositivo móvel; d) é possível visualizar as imagens que são colocadas na plataforma de uma forma mais simples do que com a aplicação MLE-Cliente.

 via Aplicação MLE-Cliente. A instalação da aplicação MLE-Cliente tem uma estética diferente da que surge no acesso feito pelo browser do dispositivo móvel. Vantagens na utilização desta forma de acesso são: a) aprendizagem offline; b) a aplicação MLE- Cliente já se encontra integrada no MLE-Moodle.

Neste estudo, importa destacar que o objetivo da criação do MLE-Moodle não é deixar de ser possível o uso do Moodle através de um computador, mas passar a ser possível utilizá-lo, exclusivamente, através de um dispositivo móvel. O propósito é que a aplicação Moodle passe a ser visualizada nas duas modalidades de ensino (elearning no computador e mobile learning em dispositivos móveis), simultaneamente, de acordo com as necessidades do professor e do estudante. Estando o estudante em casa ou no local de trabalho, não faria sentido aceder ao Moodle através do seu dispositivo móvel: só se fosse para visualizar o fórum ou recordar algum conteúdo de uma forma rápida. Foi com base nestes argumentos que o Mobile Learning Engine, MLE, foi criado com integração num sistema de elearning (neste caso o Moodle).

Contudo, nem todas as atividades que o Moodle oferece na versão para computador são passíveis de ser acedidas através do dispositivo móvel. Apresentam-se assim, de modo sintético, as ferramentas para dispositivos móveis:

1) Recursos: materiais ou links disponibilizados como conteúdos para consulta pelos

utilizadores, numa página. Estes podem ser: a) ficheiros enviados para a área de ficheiros da página; b) páginas editadas diretamente no Moodle; ou c) páginas web externas que são integradas na página.

2) Recursos disponíveis nos dispositivos móveis: texto, texto HTML, imagens, vídeos,

áudio, links e diretórios de ficheiros enviados.

3) Atividades: às tarefas que são colocadas na página da disciplina, com “obrigação” de

envolvimento dos estudantes intervenientes nessa unidade curricular, designamos por atividade. Estas podem ser colaborativas e avaliadas.

Destacamos algumas das atividades tradicionais da plataforma Moodle disponíveis para os dispositivos móveis, e que possuem as mesmas características e funções (por isso, optamos apenas por descrever a sua aplicação em atividades móveis).

 Lição

 Trabalhos. É possível enviar e visualizar trabalhos realizados pelos estudantes. Por exemplo, numa visita a um museu, o estudante pode ter como tarefa o envio de uma imagem e a justificação do porquê da sua escolha. O professor teria que colocar duas atividades: o texto em linha para o estudante escrever a sua justificação. E o envio de um único ficheiro para o estudante enviar a sua imagem através do dispositivo móvel.

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 Glossário  Teste

 Questionário  Fórum

 Referendo. Os referendos podem ser utilizados de diversas formas como, por exemplo, recolha de opinião ou inscrição num determinado grupo ou atividade, sendo dado aos estudantes, a escolher, de uma lista de opções definida pelo tutor.

 Wiki

 Instant messaging system

As atividades, parcialmente específicas, do mobile learning são:

 Flashcard Trainer. Trata-se duma atividade que permite ao professor criar conteúdos de aprendizagem e aplica-se a qualquer área que seja realizada no formato de pergunta e resposta. O estudante realiza o primeiro grupo de questões: se tiver êxito, passa para o próximo nível de questões; se errar, volta a recordar as questões já respondidas, anteriormente. Exemplos: aprendizagem de datas históricas (num lado do cartão define-se a pergunta e, no outro, a data; aprendizagem e treino de vocabulário).

 MLO-Mobile learning Objects (offline learning). O MLO permite que o estudante possa fazer o download de um objeto de aprendizagem e aprender, estando offline, e a realização das mesmas atividades do MLE-Moodle: questões de escolha múltipla, flashcard trainer, entre outras.

 Mobile Tags. Possibilita a inserção de códigos QR com links ou pequenos textos com dicas sobre os conteúdos lecionados facilitando a entrada em determinados sites, quando o acesso aos mesmos é realizado através dos dispositivos móveis. O estudante pode tirar a fotografia a um código QR e descodificá-lo a partir desta opção ou, caso o professor coloque uma imagem na plataforma, o estudante pode fazer download para o dispositivo móvel e proceder à sua descodificação, a partir desta opção.

De referir ainda que, nestes dispositivos móveis, não está incluído até ao momento, o iPhone (Moodle iPhone). Apenas os dispositivos móveis com sistema operativo Android possuem um cliente da plataforma Moodle, chamado Mbot.

O professor pode desenhar um conjunto de atividades que permitam ao estudante/formando, mesmo fora do ambiente escolar ou da sua casa, ter acesso à plataforma de aprendizagem Moodle, através do MLE-Moodle. Alguns cenários possíveis são: a) visitas de estudo, os estudantes têm, agora, a possibilidade de preencher questionários ou fazer upload de imagens/vídeos/relatórios de áudio ou escritos num fórum e, até, a possibilidade de ler códigos QR com informações pertinentes sobre o local onde estão a realizar a visita de estudo; b) locais de aprendizagem marcados por GPS; c) realização de mini testes, com acesso a resultados, após a sua conclusão. Estes são cenários possíveis numa sala de aula, onde, por falta de verbas, não existam os equipamentos (sistemas informáticos) necessários para o acesso à aprendizagem.

Agora, o estudante tem a possibilidade de realizar atividades, por exemplo: o Flash-Card (desenvolvimento de vocabulário), enquanto vai no autocarro, a caminho de casa, após um dia de

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escola. Esta atividade pode ser finalizada ao chegar a casa, no computador. Mais tarde, o professor tem acesso aos resultados da aprendizagem realizada.

O MLE (Mobile learning Environment) tem como funcionalidade permitir o acesso ao LMS (open source Moodle) através de tecnologias móveis. Com a crescente utilização do LMS e com a aplicação da aprendizagem móvel, surgiu a necessidade de criar um add-on, denominado de MLE (Mobile learning Environment), desenvolvido pelo austríaco Matthias Meisenberger, como spin off de uma tese de mestrado, depois capitalizada com a criação de uma empresa (eLibera.com), que pretende fornecer serviços de personalização e de apoio (Valentim, 2009).

Figura 11. Configuração do MLE

Esta add-on está disponível desde 2008 para descarga e uso gratuitos47 tendo atingido, nas

versões mais recentes, um estado razoável de maturidade, incluindo tradução do interface para português, que permite confiança para o seu uso em ambientes de produção.

Esta aplicação pode ser utilizada: a) pela instalação de um cliente Java (midlet), que é descarregado para os telemóveis, de acordo com as suas características, sendo uma solução para dispositivos móveis com grandes limitações; b) através do acesso feito pelo browser de um dispositivo móvel.

O MLE-Moodle48 possui uma disciplina com o nome de “Comunidade Móvel”, que foi criada

para apoiar todos os estudantes “móveis”. Qualquer tipo de informação que seja destinada a esta comunidade de estudantes móveis deverá ser colocada no espaço desta disciplina.