3 A TEORIA DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS
5.2 Núcleo 1 Escola como o lugar do Conhecimento
5.2.1 Subnúcleo 1.1 Conhecimento para crescimento pessoal
As crianças representam a escola como o local privilegiado dos processos de ensino e aprendizagem dos conteúdos que são socialmente valorizados. Demonstram, através de suas falas, interesse, reconhecimento e importância do que é ensinado na escola:
Eu adoro a escola. Para mim a escola é um lugar especial, um lugar para aprender ler e escrever.
(PC, AL24)
Eu quero aprender muito mais do que eu sei […] a escola é boa da primeira vez que eu entrei nela eu não sabia nada mas depois comecei a saber e hoje eu sou inteligente mas eu quero aprender mais e saber detalhe por detalhe em mínimos detalhes ler também não pode ficar de fora porque ler é estudo e aprende bastante. (PA, AL20)
Em seus textos livres, também demonstram refletir sobre esse aspecto da função da escola de transmissão e produção de conhecimento:
A escola
A escola é legal a gente aprende muito a gente aprende a respeitar os colegas a gente aprende a ler muito. (PD, AL23)
As palavras “especial”, “legal”, “boa”, são alguns dentre os vários adjetivos que os alunos usaram para qualificar a escola. Não foram encontrados, entre as produções das crianças, conteúdos ou elementos que qualificassem a escola de maneira negativa.
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Isso é notável visto que, conforme veremos adiante, os alunos têm reivindicações e sugestões coerentes e significativas para melhorar aquele espaço. A despeito disso, no entanto, qualificam-na de maneira positiva.
Por sua vez, os verbos “aprender”, “estudar” e a expressão “quero saber muito mais do que eu sei”, são elementos que indicam suas representações de escola quanto à sua função. Observa-se que, em geral, os alunos afirmam que gostam de estudar e reforçam essa afirmação nos depoimentos, fornecendo até mesmo o nome de suas disciplinas favoritas.
A expressão “a gente aprende respeitar os colegas” demonstra que a aluno sabe que, além dos conteúdos escolares, valores morais também são trabalhados naquele ambiente.
O fracasso e as dificuldades no processo de aprender não são ignorados, mas pouco se fala sobre eles. Em um dos poucos registros, foi identificado um olhar sensível sobre esta questão:
O aluno
O aluno é inteligente mas tem dificuldade mas não é burro aprende logo [...]
alguns até tiram nota baixa na prova o outro tira nota boa esse é o aluno [...] (PD, AL13)
“Ter dificuldade” não significa “ser burro” e, tampouco, não possuir o potencial de aprender. Esse texto livre registra, com simplicidade, algo que pedagogos há tempos debatem entre si: a questão de como lidar com o fracasso, como evitá-lo, como respeitar os diversos tempos do aprender.
Mas estudar e aprender o quê? Aprender “mais”, aprender “coisas novas”, coisas “diferentes”:
Eu quero aprender mais do que eu estou aprendendo, que nós estuda bastante mais que nós estamos estudando, que nós aprende mais que esse ano seja legal [...] (PA, AL06, grifo nosso)
Eu gosto muito da escola, gosto de aprender coisas diferentes na escola.” (PC, AL7, grifo nosso)
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Eu gosto de aprender coisas novas [...] (PC, AL2, grifo nosso)
As crianças também apontam a importância de, na escola, aprender a “ler e escrever”. Embora elas falem de outras disciplinas, como matemática ou história, nesta turma pesquisada o grande destaque foi para a leitura, atividade diretamente ligada à disciplina de Português.
Eu quero aprender a ler. (PA, AL29)
Eu gosto de fazer lição as minhas preferidas são matemática e português [...] (PC, AL25)
O aprendizado da leitura e a atividade de ler aparecem como uma função clara da escola, atividade privilegiada por esta. Esses dados que apareceram nos textos escritos aparecem também nos desenhos, conforme as Figuras 2 e 3 abaixo:
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Figura 3 - Orientação: “Coisas que eu mais gosto na escola” (PB, AL8).
Para além das disciplinas tradicionalmente trabalhadas na escola e do aprendizado da leitura e da escrita, há também o desejo de aprender o manuseio das novas tecnologias, dos novos instrumentos técnicos produzidos pela humanidade:
[...] Eu quero aprender matemática, história e geografia, mas o que eu quero aprender mais é matemática e eu quero aprender a mexer no computador. (PA, AL11, grifo nosso)
Também fica evidenciado, na fala das crianças, o como se dá esse processo de aquisição dos saberes na escola.
Estudar Sentar Coordenação Olhar Ler Aprender.
É isso que eu penso sobre a escola. (PD, AL8)
Neste texto livre, sob a forma de um acróstico, o aluno expressa uma representação de uma escola profundamente assentada no modelo tradicional de ensino: uma escola que transmite o conhecimento a um aluno sentado, que passivamente olha e aprende o que é julgado importante por esta instituição. Neste processo, ser um bom aluno depende de encher o caderno, fazer as lições e tirar boas
65 notas:
Espero que eu seja boa e tire notas 10, entenda a matéria e que a escola melhore cada vez eu quero encher meu caderno[...] (PA, AL20) Eu queria ser um bom aluno e vou fazer a lição [...] (PA, AL4)
Embora representem os métodos de ensino e avaliação da escola atrelados à pedagogia tradicional - centrada quase que exclusivamente na aula expositiva e na memorização dos conteúdos, na figura do professor e da avaliação classificatória - os alunos demonstram grande expectativa e confiança de que o conhecimento ali produzido, transmitido e por eles aprendido, serve para melhorá-los, para seu crescimento e aprimoramento pessoal, conforme fica evidente no registro da aluna, a seguir, acerca das suas expectativas sobre a escola e a série que cursa:
Quero orgulhar a minha família e a cada dia aprender mais e mais, eu quero aprender tudo o que existe no mundo. Cada vez eu cresço mais e mais, vou tentar deixar meus avós, tios e tias mais felizes. E ensinar tudo o que eu sei para meus primos, tudo o que eu aprendi e vou aprender vai me ajudar em tudo o que eu fizer. Eu vou tentar. E se eu conseguir além de orgulhar os outros vou me orgulhar de mim mesma. Eu vou gostar de ter aprendido tudo o que é preciso quando eu crescer. (PA, AL2)