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Timor, timorense na linguagem

No documento Língua e Linguagem no quotidiano (páginas 132-135)

98 4 Data analysis: some examples

P- Reported speaker”+ “1 st P embedded verb subject” Moreover, in a particular kind of circular context, reporting and reported

1. Timor, timorense na linguagem

Ao descrever este conceito no contexto Timor e timorense, todavia segundo (Paulino; Santos & Araújo, 2016), temos que examinar a tradição oral e a evolução do conceito de escrita na sociedade timorense, tendo em vista a compreensão da identidade histórica e cultural de Timor-Leste. O sol apareça, a vida começa e o homem nasce no seu choro. Este choro marca a primeira identidade do homem na fala e na linguagem. Ao nascer de cor escura ou branca já trazemos em nós uma marca de identidade histórica e cultural. Como dizia Sylvan “a cultura é a memória de um povo

que não morre”. Neste sentido, para Sylvan, a cultura não é uma coisa morta, mas

sim, um processo contínuo de identidade de um povo durante a sua estadia no mundo. Assim, para o povo timorense a cultura é o símbolo que identifica a sua existência, maioritariamente na linguagem da tradição oral, e a tradição escrita ainda é desnecessária no seu contexto de uso. Neste caso, as sociedades que não existem ainda a tradição escrita, como: a sociedade africana, algumas sociedades da região da Ásia ou da América Latina e Timor, a tradição oral é o fator fulminante na vida comunicativa dessas realidades. Como define Malinowski, esta é a chamada a sociedade “primitiva” na sua tradição. Onde o sistema de comunicação na sua maioria concentra-se imediatamente na ação para transmitir os conceitos do ambiente que nela se rodeia. Esta transmissão codifica-se na língua e na linguagem.

Afirma João Guimarães Rosa (1954):

Toda a língua são rastos de velho mistério”, citado pelo Paulino & Santos (2014:21), é um mistério da língua que se encarna na vida humana e tal provoca a divergência e convergência de uma ideia na comunicabilidade do próprio ser. Se nós hoje, compreendemos a linguagem como uma coisa funcional e movimentada, então, a sua existência (na medida do possível) encontra-se no campo linguístico de “afirmação da identidade pessoal e coletiva” e no campo educacional possui um grande valor pedagógico.

Esta afirmação reflete, no sentido hermenêutico na aprendizagem (especificamente na aprendizagem do português) um desafio, isto é, em cada debate de política educacional, os debates são somente uma questão superficial de relatórios, onde a sua hermenêutica do currículo propriamente dito acaba só nos papeis.

No caso de Timor-Leste a política de imersão das línguas cooficiais ainda é de pouca importância. Cada político faz a sua política e não cumprem o que está na lei.

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Dizia um orador numa palestra1 na UNTL, “aqui em Timor-Leste temos que cumprir as leis, nós não podemos fazer as leis para depois pisarmos em cima destas leis”. Esta afirmação provoca uma inquietação em nós como professores do ensino de língua portuguesa na UNTL em pensar e repensar nos alunos (como receber estes novos alunos que são oriundos de vários Municípios que nem todos dominam a língua portuguesa e que nem todos são preparados mentalmente para aprender e interagir nessa língua), sendo eles o futuro possuidor dessa língua nas suas vidas profissionais. É nesse sentido que todos os professores devem – no âmbito da sua disciplina e no quadro da avaliação formativa – pronunciar-se quanto à competência linguística evidenciada pelos alunos, nomeadamente no Tétum e no Português, especificamente no que respeita à sua capacidade de comunicação oral e escrita nessas línguas (Paulino e Santos, 2014).

Neste contexto de pensamento pode trazer como tema de reflexão para o campo da hermenêutica de ensino aprendizagem da língua portuguesa na UNTL. Fazer o currículo, planejar as aulas, procurar atingir as metas das competências desejadas são quadros dos planos estratégicos de uma dada matéria, entre outros quadros existentes, mas ainda é insuficiente para responder as demandas.

De cada vez os alunos cheguem ao ensino universitário ainda mostram um quadro mínimo conhecimento em língua portuguesa, porque isso o que acontece? Esta situação pode observar-se nestes dois quadros (os alunos que se formaram no ensino secundário em todos os Municípios no ano de 2014-2016), exemplo:

A partir deste teste de diagnóstico, a porcentagem dos alunos das duas turmas que tiveram nível A1 e A2 é maior do que os restantes níveis. Neste caso, podemos dizer que os alunos que entram na UNTL ainda têm o português a um nível básico.

1 Palestra datada, 6 de Julho de 2016. Fez uma observação na questão da importância de aprender as línguas

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Este teste de diagnóstico de língua portuguesa segue o Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas1, no exemplo a seguir podemos observar e analisar as competências linguísticas que constam nos testes dos alunos que aprendem o português como língua estrangeira ou segunda língua.

Com este quadro de nivelação em que os alunos mostram no teste diagnóstico a sua aprendizagem da língua portuguesa, especificamente no caso da UNTL – 2014 - 2016, pode realçar-se que o ensino do português no ensino básico, pré-secundário e secundário ainda é muito precário em termos das competências linguísticas aplicadas nas escolas e isso dificultam os alunos na medida em que eles confrontam com as exigências linguísticas a nível universitário. Esta afirmação também foi feita pela Dra. Ângela Carrascalão na XXVI Econtro da AULP no Centro de Convenções Díli (CCD), em 29 de Junho de 2016. Dra. Ângela fez esta declaração2 no âmbito do desafio (da língua portuguesa) que os alunos da Faculdade de Direito da UNTL enfrentam. Por que é que a evolução de aprendizagem dos alunos perante a língua portuguesa se torna cada vez mais precário?

1É um guia usado para descrever os objetivos a serem alcançados pelos estudantes de línguas estrangeiras

na Europa (Manual, 2015).

2

QEC - (Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas)

Divide o conhecimento dos alunos em três categorias, cada uma com duas subdivisões, exemplo – língua portuguesa.

Em Português Europeu Nível Em Português do Brasil Nível A- Utilizador básico

A1 Inicial A – Falante básico A1 Iniciante

A2 Básico A2 Básico B - Utilizador Independente B1 Intermediár io B - Falante Independente B1 Intermediário B2 Independen te B2 Usuário Independente C - Utilizador Avançado C1 Fluente/Efi caz C- Falante proficiente

C1 Proficiência operativa Eficaz

C2 Fluente

Estruturado

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Para resolver esta questão tentamos trazer pequenas hermenêuticas das práxis avaliativas para observar melhor as dificuldades dos alunos em aprender a língua portuguesa. Então o que é o quadro da avaliação formativa e para que serve?

A partir deste quadro um professor timorense no ensino de aprendizagem, neste caso, da língua portuguesa, como língua segunda ou língua estrangeira (...), deve fazer sempre, um teste de diagnóstico antes de o aluno entrar na imersão das competências linguísticas desta mesma disciplina a nível superior do ensino. Esta avaliação formativa é bastamente necessária e deve ser aplicada para avaliar a competência linguística de cada aluno e descobrir os níveis das capacidades linguísticas tanto orais e escritos antes que eles pragmaticamente confrontam com as ideias linguísticas do português.

Por que razão é que esta situação acontece? Qual é a política do governo timorense, principalmente do Ministério da Educação em problematizar esta questão? O que é que acontece se ensinarmos o português desde o ensino básico?

No documento Língua e Linguagem no quotidiano (páginas 132-135)