3.1 RESPONSABILIDADE FISCAL E EQUILÍBRIO
3.1.2 Transparência
A transparência vem assentada pelo professor Olinto (2000, p. 909) como qualidade de transparente, o que quer significar algo que se deixa penetrar pela luz; que através da sua espessura deixa distinguir os objetos. Sobre este prisma, destaca-se este, assim como o planejamento, um dos pilares de sustentação do controle da Administração Pública, segundo Silva (2009, p. 22).
A transparência, por meio de seus instrumentos, tem a missão de trazer aos olhos dos administrados a maneira com que se está conduzindo a res pública, assim como fazer enxergar os resultados obtidos.
Acerca do tema, leciona Silva (2009, p.22):
Transparência – ampla divulgação, inclusive em meios eletrônicos de acesso ao público, dos atos praticados peal Administração Pública. A transparência também será assegurada mediante incentivo à participação popular e realização das audiências públicas durante os processos de elaboração e discussão dos planos, diretrizes orçamentárias e orçamentos.
É concretizada, na lição de Kahir (2001, p. 16), com a divulgação ampla, inclusive pela Internet, de quatro novos relatórios de acompanhamento da gestão fiscal, que permitem identificar as receitas e despesas: Anexo de Metas Fiscais, Anexo de Riscos Fiscais; Relatórios Resumido da Execução Orçamentária; Relatório da Gestão Fiscal.
Por instrumentos de transparência, para efeito da LRF, assinalou Nascimento (2008, p.225):
- os planos, os orçamentos e a lei de diretrizes orçamentárias; - as prestações de contas e o respectivo parecer prévio;
- Relatório Resumido da Execução Orçamentária e a sua versão simplificada; - relatório de gestão Fiscal e sua versão simplificada;
- apesar de não ser citada como instrumento de transparência a Consolidação da Contas Públicas também é um documento interessante para o leitor como um objeto de estudo.
A transparência da gestão pública exige também incentivo à participação popular e à realização de audiências públicas, tanto durante a elaboração, como no curso da discussão dos planos, da Lei de Diretrizes orçamentárias e dos orçamentos. (NASCIMENTO, 2008, p. 225)
Nos ensinamentos de Figueiredo, Ferreira, Raposo, Braga e Nóbrega (2001 p. 21), representaria a transparência fiscal:
Uma importante contribuição à causa da boa governança, pois promoveria um debate político mais bem informado sobre a concepção e os resultados da política fiscal ampliariam o controle sobre os governos no tocante à execução dessa política e, assim, aumentaria a credibilidade e a compreensão das políticas e opções macroeconômicas por parte do público. Num ambiente de globalização, a transparência fiscal reveste-se de considerável importância para alcançar a estabilidade macroeconômica e o crescimento de alta qualidade (...).
O termo da transparência ou visibilidade, também tratado como publicidade, segundo Medauar (2008, p. 131), encontra-se associado à reivindicação geral de democracia administrativa. Orienta a doutrinadora que o surgimento do termo decorreu na década de 50, acentuando-se nos anos de 70, como o múnus de alterar a tradição do “secreto” predominante na atividade administrativa, o que demonstrava ser contrário ao caráter democrático do Estado.
Do aludido, imprescindível transcrever o absolutismo constitucional do Principio da Publicidade, amparado pelo art. 37 da CFB, cujo escopo visa manter a total transparência na prática dos atos da Administração Pública, que não poderá ocultar ao administrado o conhecimento dos assuntos que lhe interessam direta ou indiretamente, consoante manifestou Bulos (2001, p. 563).
Da afirmação deste preceito democrático, por oportuno, ressalta-se o inciso XXXIII do art. 5° da CFB, segundo o qual “todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado”.
Pode-se extrair dos apontamentos de Medauar, assim como se extrai do texto do art. 5º, inciso XXXIII, da CFB, a ação democrática do Governo Federal, realizado pela Controladoria Geral da União, ao instituir o portal da transparência do Estado, buscando assim definir a necessidade da transparência na coisa pública:
O Estado deve aperfeiçoar e fortalecer continuamente seus mecanismos de prevenção e combate à corrupção. A promoção da transparência pública é um importante passo em direção a esse fim. [...] permite o controle social, constituindo mecanismo de capacitação do cidadão e fortalecimento da gestão pública. [...]
No Brasil, devido às suas dimensões e à complexidade político-social dos mais de cinco mil municípios existentes, é indispensável o fomento
permanente à participação social, a fim de que os cidadãos possam tomar parte no controle dos gastos públicos e colaborar, assim, com a gestão pública.
Alves e Gomes (2001, p. 119) ressalta que a Lei de Responsabilidade Fiscal tem na transparência da gestão fiscal um dos elementos fundamentais para a manutenção do equilíbrio das contas públicas.
Emprestando grande relevância ao tema, fez questão de assegurar, ao instituir o art. 48-A da LC/2000 (incluído pela LC 131/2009), a obrigatoriedade imposta aos entes da Federação do dever de fornecer a qualquer pessoa física ou jurídica o acesso a informações referentes, conforme se extrai do caput do artigo e incisos:
Art. 48-A. Para os fins a que se refere o inciso II do parágrafo único do art. 48, os entes da Federação disponibilizarão a qualquer pessoa física ou jurídica o acesso a informações referentes a:
I – quanto à despesa: todos os atos praticados pelas unidades gestoras no decorrer da execução da despesa, no momento de sua realização, com a disponibilização mínima dos dados referentes ao número do correspondente processo, ao bem fornecido ou ao serviço prestado, à pessoa física ou jurídica beneficiária do pagamento e, quando for o caso, ao procedimento licitatório realizado;
II – quanto à receita: o lançamento e o recebimento de toda a receita das unidades gestoras, inclusive referente a recursos extraordinários.
Lino (2001, p. 162), ao se reportar à tentativa de imposição pelo legislador, clamando por mais transparência nos gastos públicos, assinalou:
[...] os sistemas de controle institucionais, tanto o interno quanto o externo, porque frágeis e carentes, devem ser apoiados, no que couber, pela fiscalização da sociedade, mediante a facilitação e mesmo estímulo ou incentivo, na dicção da lei, do maior acesso possível do público às informações e discussões relativas à aplicação da totalidade dos recursos orçamentários e financeiros.
Para Pereira (apud ROCHA, 2001, p. 51), a transparência consagra-se com deveres explícitos de registro e divulgaçao de informações e o estímulo ao
controle social e à participaçao popular, como um dos seus postulados de gestão fiscal responsável.
A transparência na gestão fiscal é um dos “pilares” em que se assenta o sistema instituído pela LRF. Pressupõe-se que o planejamento e a divulgação de informaçaoes, a partir de relatórios minuciosos que os entes públicos devem remeter aos órgãos de controle, consita em fator de estímulo ao contreole socias das finan ças publicas.
O legislador teve a intenção de atribuir à sociedade o munus de analisar as contas públicas, por intermédio da publicidade de documentos que demonstram o objetivo dos atos praticados pelo gestor público, formando sobre a essência da clareza, opinião acerca da legalidade e dos resultados obtidos, como forma de legitimação do próprio ato.