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04. Do recurso adesivo

V – DOS PEDIDOS:

Diante do exposto, requer o Recorrente:

a) A admissibilidade, conhecimento e processamento do presente recurso na forma adesiva ao recurso de apelação, uma vez que preenchidos os pressupostos de admissibilidade;

b) O recebimento do presente recurso no seu efeito suspensivo e devolutivo (ver sempre);

c) O total provimento do recurso adesivo para o fim de reformar a sentença de primeiro grau na parte que deixou de condenar o Recorrido ao danos morais, para o fim de condenar o mesmo no valor de R$ 50.000,00 a títulos de danos morais;

d) A inversão do ônus de sucumbência, condenado o Recorrido Recorrido em custas e honorários advocatícios;

e) A juntada do comprovante de recolhimento do preparo recursal, inclusive porte de remessa e de retorno OU a concessão do benefício da gratuidade da justiça;

Termos em que, Pede deferimento.

Local..., data... Advogado...

05. Apelação

5.1 Previsão legal

A apelação tem previsão legal no art. 994, I e art. 1.009 a 1.014 do CPC/15.

5.2 Cabimento

Cabe recurso de Apelação da sentença de primeiro grau, seja sentença terminativa ou definitiva, conforme previsão do caput do artigo 1.009 do CPC/15:

O CPC define sentença no artigo 203, §1º do CPC como “§ 1º Ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais, sentença é o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487 , põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução.” (BRASIL, 2015)

O objetivo do recurso de apelação é devolver o reexame da decisão judicial ao órgão superior, com o objetivo de sua reforma, total ou parcial ou sua invalidação;

O recurso de Apelação buscará a reforma ou invalidação da sentença.

NA REFORMA → o apelante busca uma nova decisão a ser proferida pelo tribunal, pois nesse caso o juiz de direito não analisou detidamente as provas carreadas aos autos do processo ou teve um entendimento equivocado. Por isso, o apelante requer uma nova decisão sobre o processo. (VIANA, 2018, p. 353)

Da sentença cabe apelação. (BRASIL, 2015)

A decisão pode ser impugnada no todo ou em parte. (BRASIL, 2015) Art. 1.009.

NA INVALIDAÇÃO → o apelante busca obter do tribunal a declaração de que a sentença é inválida, porque houve um ato nulo no curso do processo e por esse motivo invalidou os atos processuais que o sucederam, atingindo, inclusive, a sentença. Assim, o apelante pode pleitear que o tribunal declare aquele ato absolutamente nulo, determinando que o processo seja refeito e que o processo se reinicie a partir daquele momento processual. (VIANA, 2018, p. 353).

Para cabimento da Apelação não importa se a sentença resolveu o mérito ou não, bem como o procedimento em que a sentença foi prolatada (se procedimento comum ou especial), nem se se trata de jurisdição voluntária ou contenciosa.

Ou seja, tanto faz se for uma sentença definitiva ou terminativa. A sentença definitiva ou de mérito é aquela que põe fim ao procedimento de primeiro grau julgando o mérito, ou seja, indicando quem tem razão na demanda: SE O AUTOR OU O RÉU. Já a sentença terminativa ou processual é aquela que encerra a demanda sem julgar o mérito, porque houve uma nulidade ou vício processual. Nesse caso, a ação poderá ser ajuizada novamente, uma vez que não houve julgamento do mérito. (VIANA, 2018, p. 354).

NA SENTENÇA TERMINATIVA → o juiz extingue o processo sem resolução de mérito, tendo o autor duas opções: apelar ou distribuir novamente a demanda depois de corrigir o vício processual que ocasionou a extinção do processo. (VIANA, 2018, p. 354)

NA SENTENÇA DEFINITIVA → O autor tem apenas uma opção: interpor o recurso de apelação. Isso porque a sentença definitiva julga o mérito da causa e essa sentença faz coisa julgada material, enquanto que a sentença terminativa não enfrenta o mérito da causa. (VIANA, 2018, p. 354)

Segundo DIDIER e CUNHA (2018, p. 195) a “apelação pode ser interposta contra toda e qualquer sentença, tenha ou não sido apreciado o mérito, em jurisdição contenciosa ou voluntária (art. 724, CPC), em processo de conhecimento ou de execução”.

No entanto, se o processo envolver de um lado o Estado Estrangeiro ou organismo internacional, e de outro, município ou pessoa residente ou domiciliada no pais, será cabível recurso ordinário para o STJ, o qual se equipara, neste caso, ao recurso de apelação, conforme previsão do art. 1.027, II, “b”, do CPC/15:

Art. 1.027. Serão julgados em recurso ordinário: II - pelo Superior Tribunal de Justiça:

b) os processos em que forem partes, de um lado, Estado estrangeiro ou organismo internacional e, de outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País.(BRASIL, 2015)

Cabe, ainda, apelação contra sentença proferida em Mandado de Segurança, conforme previsão do artigo 14 da Lei 12.016/2009.

Observar, porém, caso a decisão do juiz seja a de julgar parcialmente o mérito, nestes casos, o recurso cabível é o de Agravo de Instrumento. Exemplo: se o juiz antes da instrução já julgou procedente o pedido quanto ao dano material, mas determinou prova quanto ao dano moral, houve julgamento parcial do mérito. Neste caso, o recurso quanto ao dano material já julgado será o de agravo de instrumento. Verificar os artigos 356 e §5º e o artigo 487, I do CPC/15:

Art. 356. O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais dos pedidos formulados ou parcela deles:

I - mostrar-se incontroverso;

II - estiver em condições de imediato julgamento, nos termos do art. 355.

§ 5º A decisão proferida com base neste artigo é impugnável por agravo de instrumento. (BRASIL, 2015)

Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz:

I - acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na reconvenção; (BRASIL, 2015)

Portanto, é de atentar para o fato de que sentença é a decisão do juiz de Primeiro Grau que encerra uma fase do procedimento (art. 203, §1º do CPC). Já, a decisão interlocutória também é decisão do juiz de Primeiro Grau, mas que não encerra o procedimento na instancia. Ambas podem ter por conteúdo alguma situação dos artigos 485 e 487 do CPC. Porém, se for decisão interlocutória e tiver por conteúdo uma das situações dos artigos 485 ou 487 do CPC a decisão interlocutória será uma decisão parcial impugnável por meio de agravo de instrumento (conforme art. 354, parágrafo único e artigo 1.015, II do CPC). (DIDIER JUNIOR; CUNHA, 2018, p. 195-196)

Preliminares de Apelação: §1º do art. 1009 do CPC

Observar que também serão impugnadas na Apelação as decisões interlocutórias que não sejam passíveis de Agravo de Instrumento.

Assim sendo, serão alegadas na Apelação, em preliminares, inclusive nas contrarrazões, as questões resolvidas na fase de conhecimento sobre as quais não cabe Agravo de Instrumento, consoante previsão do §1º do artigo 1.009 do CPC.

Caso sejam arguidas as matérias não sujeitas ao Recurso de Agravo de Instrumento nas contrarrazões, conforme previsão do §1º, o Apelante será intimado para no prazo de 15 dias, manifestar-se sobre elas:

Matérias do art. 1015 decididas na sentença: art. 1.009, §3º do CPC

Ainda, conforme previsão do §3º do artigo 1.009 do CPC se na sentença o juiz se manifestar sobre alguma matéria do artigo 1.015 do CPC será impugnado no recurso de apelação:

§ 3º O disposto no caput deste artigo aplica-se mesmo quando as questões mencionadas no art. 1.015 integrarem capítulo da sentença. (BRASIL, 2015)

Se na sentença o juiz confirma, concede ou revoga a tutela provisória: art. 1.013, §5º do CPC: Se na sentença o juiz confirmar, conceder ou revogar a tutela provisória, isso será impugnável na apelação. Então, se a decisão da tutela provisória for através de decisão interlocutória (antes da sentença) caberá agravo de instrumento, conforme art. 1.015, I do CPC, mas se na sentença o juiz se manifestar sobre tutela provisória, impugna na apelação, conforme o §5º do art. 1.013 do CPC:

§ 5º O capítulo da sentença que confirma, concede ou revoga a tutela provisória é impugnável na apelação. (BRASIL, 2015)

* Para todos verem: esquema

A

PEL

ÃO

Cabe da sentença

Preliminar de apelação: decisão interlocutória que não coube agravo de instrumento

Matérias do rol do art. 1015 desde que decididas na SENTENÇA

Capítulo da sentença que concede, confirma ou revoga TUTELA PROVISÓRIA é impugnável na

apelação

§ 1o As questões resolvidas na fase de conhecimento, se a decisão a seu respeito não comportar agravo de instrumento, não são cobertas pela preclusão e devem ser

suscitadas em preliminar de apelação, eventualmente interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões. (BRASIL, 2015)

§ 2º Se as questões referidas no § 1º forem suscitadas em contrarrazões, o recorrente será intimado para, em 15 (quinze) dias, manifestar-se a respeito delas. (BRASIL, 2015)

5.3 Do prazo

O prazo para interposição da Apelação é de 15 dias, bem como para as contrarrazões. Valem as regras dos prazos para os recursos (Prazo em dobro, intimação, suspensão, prazo em dias úteis, ...)

5.4 Estrutura da petição da apelação

A apelação será interposta por meio de duas petições:

* Para todos verem: esquema

Ambas as petições acabam com pedido, local, data e assinatura do advogado PORÉM EM SE TRATANDO DE FGV ESSES DADOS DEVEM SER DE FORMA GENÉRICA COM OS ...

De acordo com o artigo 1.010 do CPC/15, a Apelação terá os seguintes elementos:

Art. 1.010. A apelação, interposta por petição dirigida ao juízo de primeiro grau, conterá:

I - os nomes e a qualificação das partes; II - a exposição do fato e do direito;

III - as razões do pedido de reforma ou de decretação de nulidade; IV - o pedido de nova decisão. (BRASIL, 2015)

Portanto, a Apelação será INTERPOSTA POR MEIO DE PETIÇÃO DIRIGIDA AO JUIZ DA CAUSA, sendo que a peça vai ter duas partes: uma chamada de petição de interposição que vai conter o endereçamento ao juiz da causa, os dados de identificação da causa SEGUIDA DA PETIÇÃO COM AS RAZÕES DO RECURSO DE APELAÇÃO, QUE É DIRIGIDA AO TRIBUNAL, onde estão os fundamentos de fato e de direito e o pedido de reforma da decisão.

Portanto, conforme o art. 1.010 devem ser preenchidos os seguintes requisitos: I - os nomes e a qualificação das partes;