MOVIMENTOS...
Trabalhar atividades lúdicas, criativas, associando corpo, música e dança se faz necessário, uma vez que, na atualidade tecnológica, nós estamos cada vez mais distantes dessa realidade. Com o bombardeio de informações, muitos acreditam que adquiriram conhecimento e isso vem mostrando ser inverídico, pois vivemos na era da informação, mas a obtenção de conhecimento é destinada àqueles que se dedicam, pesquisam e vivenciam este processo.
A sucessão sistemática de mudança, numa direção definida, se faz necessário dentro do espaço escolar, uma vez que esse local foi constituído no intuito de aprimorar, refletir, vivenciar e buscar recursos necessários para um aprendizado concreto, eficaz e consciente. Durante a oficina, alguns participantes mencionaram o quanto foi e é importante vivenciar a dança com conexão, completude e de modo consciente. Com os encontros, eles puderam observar que é possível aprender por meio do corpo e que, apesar da sala de aula não trazer um espaço específico para dança, ela pode ser inserida aos poucos no espaço existente.
É notório o quanto propor dinâmicas e atividades lúdicas deixam o fazer dos participantes mais abertos e receptivos a novos desafios. O lúdico traz regras, mas não imposições, uma vez que há flexibilidade e a criatividade é o carro chefe dessa maneira de aprender; isso aconteceu durante a formação. A ludicidade tem o poder de tornar
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a aprendizagem significativa e prazerosa, tornando o momento vivido em algo único. “No trabalho em sala, a tarefa dos professores é a de ajudar os participantes a desenvolver essa capacidade de observarem a si mesmos.” (STRAZZACAPPA, 2012, p. 127). Houve relatos de professora dizendo que as atividades faziam com que ela se sentisse melhor, mais consciente, viva. Algumas fizeram descobertas de ganhos e/ou perdas da infância, pois sentiram a informação reverberar no corpo com a consciência da própria existência e isso foi emocionante. Escutar o relato da professora, que se lembrava de passos que realizou na adolescência e/ou infância, ajudou na criação de determinado aprendizado; outra disse que os pais proibiam a dança de determinadas músicas, sendo fator limitador para essa atividade, o que mostra o quanto o corpo carrega carimbos, registros e informações ao longo da vida e o quanto isso pode acrescentar ou limitar o indivíduo no processo de ensino-aprendizagem.
Apesar do pouco tempo dos encontros, foi estabelecido um espaço para as professoras, a partir de estímulos, desenvolverem atividades criadas por elas. Dessa maneira, a professora percebia o quão rico era esse momento, em que ela, como discente, deixava a criatividade e a ludicidade reverberar no corpo.
Ao final de um encontro, foi solicitado que as professoras fizessem a avaliação oral por meio de uma palavra, e essas foram algumas que surgiram: “maravilhoso”, “muito divertido”, “delícia”, “Yes, porreta!”, “Supimpa”, “Muito bom, mas muito complexo pra mim”. Pela avaliação, foi possível aferir que as propostas satisfizeram a maioria dos participantes, com exceção de uma professora, que manifestou ter muita dificuldade com as atividades de coordenação motora e rítmica.
Ao final das oficinas, as participantes agradeceram a oportunidade, levaram sugestões de atividades e trouxeram resultados surpreendentes. As professoras entregaram, também, uma avaliação processual da oficina
em que responderam sobre o aproveitamento das dinâmicas e das atividades propostas. Foi possível perceber e constatar, com as avaliações das professoras, que o objetivo do trabalho foi atingido superando suas expectativas. Foi sugerida, ainda, a ampliação da oficina, por se tratar de um trabalho rico, e que ela se tornasse um curso de maior duração; oferecendo vagas para um número maior de pessoas, como também a outras coordenações regionais de ensino.
Durante a formação, foram quebrados paradigmas do tipo “não posso dançar porque meu espaço não permite”, “não posso executar determinado passo porque não sei dançar”. “Todo o defeito cria um estímulo para elaborar uma compensação. [...] junto com as deficiências, estão dadas as forças, as tendências, as aspirações a superá-lo ou nivelá-lo. (VIGOTSKI, 1997, p. 14-15). A professora pôde, com os encontros, mostrar seu potencial criativo de modo lúdico apesar das limitações e foi observado também que esta situação pode ser revertida pelo fato de conhecer/sentir seu próprio corpo, e a oficina a ajudou para a construção desse processo. Daí a ênfase em se buscar atividades que suscitem a criação, tendo os envolvidos como protagonistas da sua própria aprendizagem, pois nosso corpo não deve ser tratado como parte e, sim, como conhecimento adquirido ou que vai adquirir algo ao longo do processo; nosso corpo nos traz, nos carrega e nos deixa marcas e carimbos.
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