4.1 Análise dos dados da pesquisa: etapa quantitativa
4.1.2 Análise descritiva dos dados quantitativos: professores
A maioria dos alunos está iniciando sua trajetória profissional e sua participação nas organizações, ou seja, há espaço para progressão de carreira, o que demanda esforço no sentido de aprender. As características da maioria indica que são pessoas conectadas as inovações tecnológicas e inclinadas a aceitar mais facilmente processos de adaptação, por outro lado, estão adquirindo experiência, o que exige maior disponibilidade para buscar o novo e ter contato com a realidade.
Também é necessário ajustarem-se aos processos organizacionais e desenvolverem com mais intensidade a integração com colegas.
O contexto profissional descrito anteriormente levado para a sala de aula é apropriado para o uso de métodos de aprendizagem ativa, pois as vantagens atribuídas a aprendizagem ativa estão relacionadas principalmente quanto a forma de aprender com maior proximidade da realidade e com um ambiente de maior integração e dinamicidade (CUI, 2013; WESTHUIZEN; NEL; RICHTER, 2012).
Observa-se que são 59,74% de professores e 40,26% de professoras, sendo que no Brasil, segundo o INEP (2013), o número total de funções docentes em exercício das IES é de 362.732, e destes 198.863 (54,82%) são do gênero masculino e 163.869 (45,18%) são do gênero feminino. Portanto, a distribuição de gênero relativa aos professores envolvidos na presente pesquisa equipara-se ao cenário nacional.
Tabela 7 – Distribuição dos professores por faixa etária.
Faixa etária Número de professores Percentual
20 - 30 anos 4 5,20%
31 - 40 anos 22 28,57%
41 - 50 anos 23 29,87%
51 - 60 anos 15 19,48%
Mais de 60 anos 13 16,88%
Total 77 100%
Fonte: Dados da pesquisa.
Na Tabela 7 consta a relação entre o número de professores e as várias faixas etárias, sendo que apenas a faixa inicial 20 – 30 anos apresentou um número desproporcional em relação às demais, contando com 5,19% do total de professores. Também é possível destacar que a faixa com maior número de professores é a de 41 – 50 anos, com 29,87%, seguida pela faixa de 31 – 40 anos, com 28,57% do total de professores. Ao somar estas duas faixas, percebe-se que a maior parte dos professores participantes da pesquisa possui entre 31 e 50 anos de idade, correspondendo a 58,44% do total.
O tempo de docência está apresentado na Tabela 8, e apresenta o maior percentual de professores na faixa entre 11 – 15 anos, são 35,06% do total. Na sequência são 25,97% de professores que possuem mais de 20 anos de docência.
Isto indica que os professores participantes da pesquisa possuem boa experiência, são 74,03% de professores com mais de 11 anos na docência. Também corrobora com esta intepretação o baixo número de professores com menos de 5 anos de experiência, os quais resultam em 10,39% do total.
Tabela 8 – Distribuição dos professores por tempo de docência.
Tempo de Docência Número de
professores Percentual
Menos de 5 anos 8 10,39%
De 6 - 10 anos 12 15,58%
De 11 - 15 anos 27 35,07%
De 16 - 20 anos 10 12,99%
Mais de 20 anos 20 25,97%
Total 77 100%
Fonte: Dados da pesquisa.
Os dados das Tabelas 7 e 8, apontam que a maioria dos professores tem mais de 31 anos e mais de 5 anos de docência. Este tempo de idade e atuação profissional pode ter refletido na opção por qualificação, como é possível verificar nos dados da Tabela 9, pois são 62,86% de doutores, ou seja, a maioria entre os professores da amostra. No Brasil, de acordo com dados do INEP (2013), o número de professores que trabalham em IES é de 362.732, sendo que 115.087, ou 31,73%
são doutores. Portanto, o conjunto de professores participantes da pesquisa possui maior formação acadêmica que a média dos demais colegas brasileiros.
Tabela 9 – Formação dos professores.
Formação Número de
professores Percentual
Pós-Doutorado 7 9,09%
Doutorado 44 57,14%
Mestrado 24 31,17%
Especialização 2 2,60%
Total 77 100,00%
Fonte: Dados da pesquisa.
Cabe lembrar que a amostra é composta somente por professores que declaram o uso da aprendizagem ativa em suas aulas. É possível imaginar que os professores com maior tempo de docência e titulação busquem a metodologia ativa
para aperfeiçoar suas aulas. A excelência no ensino não vem naturalmente, mas requer o desenvolvimento de habilidades e técnicas ao longo do tempo de sala de aula, ao vivenciar diferenciadas condições (AUSTER; WYLIE, 2006).
O volume expressivo de professores mestres e doutores indica a preocupação com o autodesenvolvimento, de “estar preparado e dirigido para melhorar a sua própria educação permanente” (GILIS et al., 2008). O avanço acadêmico permite melhorias na formação docente, “ter uma abertura crítica de inovação educativa” (GILIS et al., 2008), pois a escolha da estratégia de ensino é influenciada pelas disponibilidades do ambiente, mas, também é ligada as características do professor (agência) (GREGORY; JONES, 2009).
4.1.3 Análise descritiva dos dados quantitativos: superiores diretos dos alunos
Com os dados fornecidos nos questionários coletados dos alunos, foram enviados 111 questionários “competências” por meio da ferramenta eletrônica formulário google docs aos superiores diretos dos alunos. Cabe recordar que o número de questionários foi inferior ao dos alunos porque os muitos alunos não tinham autorização para fornecer os dados de seus superiores ou não possuíam superiores.
A amostra referente ao número de superiores diretos dos alunos apontou 33 integrantes e a distribuição por gênero consta na Tabela 10.
Tabela 10 – Distribuição dos superiores quanto ao gênero.
Gênero Número de superiores Percentual
Feminino 8 24,24%
Masculino 25 75,76%
Total 33 100%
Fonte: Dados da pesquisa.
Diferentemente da proporção de gênero identificada no número de alunos (Tabela 2) em que apontou maior número de mulheres alunas, a quantidade de superiores homens, 75,76%, é superior ao número de superiores mulheres, 24,24%%. Esta condição de maioria de homens também foi constatada no grupo de professores (Tabela 6), onde o gênero masculino resultou em 59,74%. São dados que demonstram o predomínio dos homens nas situações de comando, o que talvez possa influenciar os processos de ensino.
Em relação à idade dos superiores diretos dos alunos (Tabela 11), observa-se certa proximidade entre as primeiras faixas, enquanto as últimas, 51 – 60 e mais de 60 anos, correspondem a apenas 12,12% do total. Os dados indicam que na amostra as organizações estão oportunizando aos jovens assumirem cargos mais elevados, o que pode refletir na dinâmica de aprendizado das organizações.
Tabela 11 – Distribuição dos superiores por faixa etária.
Faixa etária Número de
superiores Percentual
20 - 30 anos 8 24,24%
31 - 40 anos 9 27,27%
41 - 50 anos 10 30,30%
51 - 60 anos 4 12,12%
Mais de 60 anos 2 6,06%
Total 33 100,00%
Fonte: Dados da pesquisa.
A maior parte dos superiores diretos (39,39%) está no atual cargo entre 1 – 5 anos, somados com a faixa dos que estão a menos de um ano tem-se 57,58% do total, conforme está exposto na Tabela 12. Portanto, talvez até por reflexo do fato que são jovens os superiores, o tempo em que estão em cargos mais significativos também é baixo. Isto pode indicar um estado de aprendizado mais intenso, visto que ao assumir novas posições é necessário absorver mais informações.
Tabela 12 – Tempo no cargo.
Tempo no cargo Número de
superiores Percentual
Menos de 1 ano 6 18,19%
De 1 - 5 anos 13 39,39%
De 6 - 10 anos 6 18,18%
De 11 - 15 anos 7 21,21%
Mais de 20 anos 1 3,03%
Total 33 100%
Fonte: Dados da pesquisa.
Em relação à formação acadêmica dos superiores diretos dos alunos (Tabela 13) pode-se observar que são poucos os que possuem mestrado (15,15%) ou doutorado (3,03), a maioria possui graduação (51,52%) e logo em seguida vem aqueles com especialização (21,21%).
Tabela 13 – Formação dos superiores.
Formação Número de superiores Percentual
Doutorado 1 3,03%
Mestrado 5 15,15%
Especialização 7 21,21%
Graduação 17 51,52%
Médio 3 9,09%
Total 33 100%
Fonte: Dados da pesquisa.
Apesar da parcela mais significativa de formação dos superiores diretos ser a graduação, pode-se perceber que existe a busca por melhor qualificação, pois ao somar a quantidade de especialistas, mestres e doutores constata-se que 39,39%
do total de superiores diretos detém maior formação. Estes dados podem indicar o esforço dos superiores diretos em atingir um nível de qualificação superior ao dos
subordinados. Assim, os superiores terão como diferencial profissional, além da experiência, a qualificação demonstrada por sua formação.
Contudo, a questão da busca por titulação de mestre e doutor no Brasil está ligada ao exercício da docência, pois esta é entendida como “atividade complexa, tendo em conta que seu exercício envolve condições singulares e exige uma multiplicidade de saberes, competências e atitudes” (SOARES, 2010), bem como existe a cobrança de titulação às IES por parte dos atores legais, expressos, por exemplo, na Legislação Básica sobre Educação Superior e Formação Docente.
Assim, os dados demonstrados na Tabela 13 corroboram que busca dos profissionais que trabalham nas organizações consiste em obter até a formação de especialista, preterindo as titulações de mestre e doutor.