4.3 Integração dos resultados quantitativos e qualitativos
4.3.6 Relações da aprendizagem ativa com a aprendizagem de
Abrange os conhecimentos, as aptidões profissionais e o saber-fazer que se dominam e aplicam em um contexto específico (OIT, 2011).
A identificação da acentuada especificidade atribuída à competência Técnico- Profissional faz com que esta se distancie de ser reconhecida como metacompetência pela ausência de relacionamento mais amplo com outras competências, desta forma contrariam as colocações de Zawacki-Richter, Hanft e Bäcker (2011) os quais relacionam às metacompetências às competências transversais, as quais são competências complexas cujas facetas influenciam outras competências.
Nesta discussão sobre a competência Técnico-Profissional vale relembrar as considerações de Havelka e Merhout (2009), em que os conhecimentos necessários para atuar na empresa serão desenvolvidos considerando as especificidades demandadas conforme o segmento da empresa e o cargo de atuação do individuo.
O debate apresentado anteriormente contempla a inclinação do aluno em aprender, do professor em ensinar e as demandas das organizações apresentadas sob a ótica dos superiores. No próximo item serão abordados estes elementos considerando o desenvolvimento das metacompetências, a aprendizagem gerencial e a aprendizagem ativa.
4.3.6 Relações da aprendizagem ativa com a aprendizagem de
própria aprendizagem. Sua característica se constitui em um formato que possibilita ativa participação do aluno, seu comprometimento e a sua integração social para a solução de atividades conduzidas no ambiente de ensino. Ao considerar o indivíduo aluno, as vantagens atribuídas à aprendizagem ativa estão relacionadas principalmente quanto à forma de aprender com maior proximidade da realidade e com um ambiente de maior integração e dinamicidade, como também possibilita ganhos de aprendizagem (CUI, 2013; WESTHUIZEN; NEL; RICHTER, 2012). Estes entendimentos da aprendizagem ativa respondem as manifestações dos superiores entrevistados, como segue:
S2 - Então o comprometimento com o aprendizado, eu digo assim, hoje 30% é das instituições, das empresas e das universidades, 70% tem que ser do aluno. O aluno tem que correr atrás do conhecimento.
S4 - Eu entendo que as universidades, mesmo com a pós-graduação que eu já fiz, ela é muito focada em teoria. Muita teoria e pouca prática.
S5 - eu vejo as minhas amigas estudando a medicina há muito tempo e eu sempre pensei que talvez fosse interessante nas áreas de gerenciamento, sejam elas administração, economia, seja gerenciamento do estado ou de uma empresa, do que quer que seja, seria importante às pessoas terem essa experiência um pouco mais real de aprendizagem, para elas não chegarem tão despreparadas.
S3 - Na empresa você tem eu acho que 10% de teoria e 90% de prática, então tu vai aprendendo no dia a dia. Imagina se você vai querer dar uma teoria de todos os programas e sistemas que tem no banco, você não consegue, então você vai aprendendo na prática.
A responsabilidade do aluno pelo aprendizado, sua integração social e proximidade com a realidade que é proporcionada pela aprendizagem ativa se alinha ao ensino de metacompetências (NORDHAUG, 1998), pois em seu desenvolvimento o foco é predominantemente em habilidades interpessoais e conceituais, habilidades de análise e resolução de problemas. A consideração positiva da aprendizagem ativa para o desenvolvimento de metacompetências também se dá pela integração teoria e prática com o uso de problemas autênticos e que promovam a organização da aprendizagem com interação social, permitindo o contato com várias perspectivas sobre o assunto (SCHAEPER, 2009). Estas interpretações se identificam com as colocações dos entrevistados:
S4 - Se as faculdades tivessem mais aulas práticas dentro das salas, envolvimentos, treinamentos onde eles iriam por em prática várias situações, seriam profissionais mais preparados para o mercado de trabalho
A1 – Só a teoria não adiante, tem que haver a prática para presenciá-la.
Quanto mais próximo da realidade melhor.
A1 - O papel do aluno é absorver o máximo possível. Trazer para a sala de aula exemplos práticos para que se consiga absorver o máximo possível da teoria para conseguir levar à prática.
A3 – se eu não estiver vivenciando lá (na organização) não adianta aprender aqui
P1 - Eu aprendi muito mais fazendo, do que lendo um artigo e tal. Mas, qual é a praticidade do que eu estou lendo? Se eu não vejo a conexão com a realidade, não consigo absorver. É como um quebra-cabeça. Eu leio só o manual de instrução. Mas se eu não pegar o quebra-cabeça para montar, não me adianta nada. Para mim, a prática serve para que eles vejam que o que se aprende em sala de aula não é só uma teoria. E que a prática vai depender de eles compreenderem que aquilo é prático, do que propriamente de a gente ficar o tempo todo cobrando.
As falas destacadas demonstram a importância do ensino da teoria ser conectado com a prática, os alunos, professores e superiores concordam que vivenciar a aplicação do que se está aprendendo proporciona melhorias de aprendizado. Esta relação se observa nas organizações, onde o formato de aprender se assemelha ao da aprendizagem ativa, como é possível observar nas declarações dos entrevistados:
A1 - Mostro como se faz, depois a coloco para fazer, nesta sequência…
Sempre oportunizando para quem está aprendendo anotar o que vai precisar mais tarde, para que não perturbe outras pessoas que tão fazendo outra coisa.
A2 - Mas eu gosto de estar do lado da pessoa, fazendo junto com ela, porque eu acredito que só vai aprender fazendo
A5 - Eu tive uma pessoa que me ensinou muito bem, que foi meu antigo coordenador. Ele me botou do lado e me dizia “você vai fazer assim, assim e assim”. Então quando uma pessoa vem me perguntar como eu faço, ou
“ah, eu preciso da sua ajuda”, não, senta aqui, você vai fazer assim.
S3 - quem está ensinando tem que saber ensinar, saber expor o conhecimento pra pessoa, adaptando a quem está recebendo a informação.
Os processos de ensino descritos anteriormente pelos alunos gestores e o superior descrevem a aprendizagem gerencial no ambiente de trabalho, a qual ocorre pela troca derivada da ação do indivíduo na situação de trabalho e o contexto como colegas, metas, organização do desenvolvimento das atividades, simulações e reflexão (FOX, 1997). Assim é identificada a relação da aprendizagem gerencial com o ensino das metacompetências para o Administrador por meio da aprendizagem ativa, a qual também se realiza por meio de processos de aprendizagem
caracterizados por configurações didáticas de ação integradora, que tenham o aluno como centro e de maneira ativa, pressupondo um aprendiz autônomo, utilizando problemas autênticos e que promovam a organização da aprendizagem com interação social (SCHAEPER, 2009).
Com o propósito de sintetizar as análises anteriores, estão expostos no Quadro 28 conceitos de aprendizagem ativa, aprendizagem gerencial e metacompetência, sendo ligados aos fragmentos pontuais das entrevistas que ilustram as relações já demonstradas entre a aprendizagem ativa e gerencial e a convergência de ambas para o desenvolvimento das metacompetências para o Administrador.
Quadro 28 – Síntese das relações entre aprendizagem ativa, gerencial e metacompetências.
Aprendizagem Ativa Aprendizagem gerencial
fomenta o entendimento do contexto geral e a sua participação, os desafios e as consequências derivadas dela, bem como a reflexão disto quando estiver atuando. (OCDE, 2002, p. 12).
configura-se em um processo pertinente ao indivíduo e congrega o conteúdo das várias esferas de sua vida (Bitencourt, 2005).
A3 - conversando com pessoas de fora, de outro ambiente, de outra atividade... poxa o cara fez isso e aquilo... estrala a ideia e você consegue fazer um link e pô, eu tive a mesma dificuldade. A situação era a mesma, o ramo de atividade era outro, a situação era outra, mas a solução que ele fez pode servir para mim.
A5 - eu tenho muitos amigos que são bancários também, então a gente sai [...] então é meio concorrente, mas a gente se ajuda entende...
P7 - quando eles trazem reportagens sobre o que eu expliquei para debater, quando eles percebem o que foi passado em sala de aula no dia a dia deles. Isso te dá uma contrapartida daquilo que você trabalhou, uma motivação a mais.
- O estudante é exposto a um problema organizacional e necessita reflexão para a sua resolução, pois assume a posição do personagem exposto no caso (LUNDBERG et al., 2001; ORLANSKY, 1986; DORN; MERCER, 1999).
- enfatiza a aplicação da teoria e conceitos, remetendo o aluno em fazer e pensar sobre o que estão fazendo, assim desenvolvendo não só o conhecimento, mas também as suas competências e habilidades necessárias para se destacar dentro de ambientes de negócios (BONWELL; EISON, 1991; MEYERS; JONES, 1993; AUSTER; WYLIE, 2006).
Pretende diminuir o lapso entre o campo teórico e a prática gerencial, aproximar a realidade do executivo com o contexto de sala de aula (FOX, 1997; ANTONELLO, 2004; BITENCOURT, 2005).
- consiste em promover o ensino que habilite o Administrador a desempenhar adequadamente suas atividades no cotidiano do trabalho, ou no mundo da prática (GODOY; FORTE, 2007; FOX, 1997).
A1 - na faculdade a gente vê muita teoria e que, ao presenciar na prática, tentar empregar no trabalho, na empresa… isso ajuda muito a ter uma visão tanto da prática quanto da teoria.
P9 - Os fatos que acontecem, de uma forma geral, relatadas nas revistas voltadas para o negócio, eu uso um vínculo entre a teoria e a realidade relatada nessas revistas.
S2 - Não adianta eu ser um bom comunicador se eu não tiver uma base, uma teoria para poder me expressar ou para poder me comunicar com a equipe, com os indivíduos, para expor a minha ideia com clareza.
Metacompetência
- processo de desenvolvimento do profissional competente passa pela aplicação de aprendizagens que vão além daquelas adquiridas via educação e treinamento formal (GODOY; D’AMELIO, 2012).
- para a aprendizagem de metacompetências são indicados processos de aprendizagem implícitos, caracterizados por configurações didáticas de ação integradora (SCHAEPER, 2009)
A2 - a gente teve que fazer um plano de negócios, abrir uma empresa, então envolveu todos os conhecimentos que a gente adquiriu até o sétimo semestre.
S2 - a gente teve, por exemplo, simuladores. Era criada uma empresa pra agir dentro do mercado de capitais, pra comprar e vender ações. Então foi uma das matérias que me gravou, me marcou por esse dinamismo na disciplina.
S5 - Eu não tinha o conhecimento. [...] E eu aprendi com quem? Aprendi só com os livros? Não, aprendi com o pessoal como corta a malha, com o pessoal que embala o lençol, as experiências deles também me ajudaram a construir um sistema que hoje está aí. Foi a partir daí que eu tive a oportunidade de... fui resolvendo esses problemas e foram surgindo outros e os próximos foram surgindo e a gente teve que ir resolvendo e claro que teve uma ajuda pelo fato de que eu sou filha de um dos donos também.
Fonte: Elaborada pelo autor a partir do referencial teórico e transcrição das entrevistas.
A síntese apresentada no Quadro 28 revela para o ensino superior um quadro desafiador em desenvolver metacompetências, o qual envolve reorientação dos processos de aprendizagem, “que se afasta de uma cultura de aprendizagem baseada no princípio de doutrinação” e requer uma didática de habilitação (BARTH et al., 2007, p. 419). Este contexto de desenvolvimento de metacompetências também é pertinente às organizações, que demandam urgência em desenvolver suas equipes para acomodar o ritmo de desenvolvimento e evolução do ambiente de negócios. Assim, observa-se a proximidade da aprendizagem gerencial com a aprendizagem ativa no desenvolvimento de metacompetências pelo caráter dinâmico e plural de ambas, pela integração ao contexto organizacional e social e, a consideração do ambiente formal e informal no qual se encontram os indivíduos (ANTONELLO, 2004; FLEURY; FLEURY, 2001a).