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ANÁLISE DOS DADOS

No documento universidade do vale do itajai (páginas 74-79)

A análise dos dados se inicia com a transcrição das entrevistas. Após a leitura e de cada entrevista transcrita, elas foram codificadas (STRAUSS; CORBIN, 1998), e desenvolvidas tabelas analíticas para navegar entre os dados (EISENHARDT, 1989; MILES; HUBERMAN, 1994) como o auxílio dos softwares livres Iramutec e Freemind.

A codificação corresponde a uma transformação dos dados brutos da entrevista. Esta codificação pode ser por recorte, agregação e enumeração. A análise na sequência é feita em unidades: Unidade de registro, Unidade de contexto e Unidade de numeração. No campo da análise das entrevistas as unidades de registro correspondem as frases. As unidades de contexto correspondentes correspondem aos parágrafos.

Foram desenvolvidas categorias de análise, apresentadas no referencial teórico e compiladas no Quadro 12 abaixo, que foram usadas com guias nas entrevistas e guias para o agrupamento dos conteúdos transcritos.

Quadro 12 – Caminho de análise da pesquisa

Objetivo Específico Construto Característica de análise

Categorias de análise Descrever as pressões

institucionais para a governança dinâmica da universidade

Campo Organizacional

Pilar Regulação Leis Pilar normativo Resoluções

Notas técnicas Pilar econômico-

político Pressões políticas Pilar cognitivo Cultura organizacional Identificar as práticas de

governança dinâmica da universidade frente a migração para o sistema federal de ensino;

Governança

Dinâmica Liderança eficaz Em se tratando de uma teoria em construção, instigou-nos o interesse em compreender como se comportavam as características de análise proposta pelos autores, sem categorias de análise pré- definidas para este construto.

Tomada de decisão consensual e participativa Capacidade para adaptação

Hierarquia de círculo Narrar as habilidades e

comportamentos que propiciam a existência de capacidades dinâmicas durante o processo de migração para o sistema federal de ensino;

Analisar a influência da governança dinâmica no desenvolvimento de capacidades dinâmicas na Universidade.

Capacidades Dinâmicas Capacidade Absortiva

Aquisição Aproveitamento de oportunidades.

Entendimento da mudança.

Comportamento para incentivar a mudança como algo normal.

Habilidade da organização aproveitar Feedback.

Assimilação Acesso aos níveis decisórios (estrutura organizacional que favorece a permuta de conhecimento e a participação dos funcionários na tomada de decisão).

Capacidade de obtenção de consenso (negociação; troca de experiências entre

funcionários; discussão).

Equipes diversificadas

Transformação Compartilhamento de objetivos Experiências (capacidade os grupos de trabalho terem objetivos compartilhados)

Conectividade

Confiança

Cooperação

Aceitação de propostas (capacidade de aceitar propostas feitas pelos funcionários)

liberdade de opinião

Aplicação Habilidade de desenvolvimento de projetos.

Habilidade de trabalhar com novas tecnologias, habilidade criativa.

Objetivo Específico Construto Característica de

análise Categorias de análise

Capacidades Dinâmicas Capacidade Adaptativa

Práticas de gestão Novas práticas de gestão.

Adaptabilidade de sistemas de gestão.

Respostas a mudanças do mercado.

Exploration Habilidades desenvolvidas nas pessoas.

Capacitações.

Explotation Utilização de recursos e habilidades em atividades da universidade.

Capacidades Dinâmicas Capacidade Inovativa

Desenvolver novos

produtos ou serviços Criatividade (habilidade criativa).

Inovação em novos produtos ou serviços, agilidade em inovar.

Orientação ao cliente (capacidade de satisfazer as necessidades do cliente)

Ganhar novos

mercados Educação do mercado (promover produtos já existentes e novos produtos)

Inovação de

processos Mecanismo de suporte técnico para realização das mudanças nos processos de realização de serviços

Novas abordagens de ensino Cultura inovadora Comprometimento (Disposição

para mudar)

Cultura organizacional para inovação;

Incentivo ao desenvolvimento de novas ideias;

Receptividade à inovação Fonte: Elaborado pela autora

Foram seguidos os seguintes passos para analisar os dados: a) leitura das entrevistas;

b) codificação das entrevistas; c) releitura das entrevistas codificadas; d) agrupamento dos relatos de acordo com as categorias; e) estruturação dos textos referentes a cada tema; f) análise e interpretação dos resultados; g) confecção do texto final. Para representar as categorias encontradas no campo, criou-se o Apêndice C onde, tem-se o Quadro 12 – Caminho de análise da pesquisa, acrescido das categorias encontradas no campo, destacadas em negrito.

A utilização dos softwares livres contribuiu com a organização das categorias (denominadas nodes) e hierarquização de acordo com as propriedades e dimensões. As

categorias pré-determinadas pela literatura podem ser arquivadas, junto aos seus conceitos, o que facilita o processo de análise. Outra vantagem da utilização do software é a aglutinação de diversos trechos de entrevistas sobre a mesma categoria, o que permite facilmente que se formem as tabelas analíticas propostas por Miles e Huberman (1994).

Alterações na criação de categorias ou na hierarquização (entre propriedades e dimensões) foram realizadas de acordo com uma sistemática determinada previamente pelo sistema, o que agiliza a análise dos dados, sobretudo quando novas categorias, propriedades ou dimensões não previstas pela literatura. O software também permitiu a realização de anotações que foram ser utilizadas ao longo da redação do texto final.

Para a comparação entre as categorias de análise e os textos extraídos das entrevistas realizadas junto aos informantes chave utilizou-se os princípios de análise de conteúdo. Assim, verificou-se características em comum entre a descrição das categorias de análise e as falas dos entrevistados.

Em seguida, procedeu-se a codificação aberta, a codificação axial e a codificação seletiva. Primeiramente procedeu-se a codificação aberta, onde se identificaram os conceitos das dez categorias de análise. Na sequência procedeu-se a codificação axial, onde se agruparam os fragmentos das falas dos entrevistados às categorias de análise. Por fim, procedeu-se a codificação seletiva, onde se atinge a categorização final e apresenta-se o agrupamento definitivo.

Uma das técnicas de análise de conteúdo utilizada nesta tese foi a de nuvem de palavras, apresentado no Apêndice D. A nuvem de palavras agrupa as palavras e as organiza graficamente.

É uma análise lexical graficamente interessante. Para a sua elaboração foi inserido no software de análise de conteúdo a transcrição das entrevistas realizadas nesta tese. Na sequência gerou- se a figura que representa os termos mais discutidos durante o processo de entrevista.

Além da nuvem de palavras, utilizou-se também a análise de similitude para elaborar o mapa conceitual. Esse tipo de análise baseia-se na teoria dos grafos e é utilizada frequentemente por pesquisadores das representações sociais. Possibilita identificar as co-ocorrências entre as palavras e seu resultado traz indicações da conexidade entre as palavras, auxiliando na identificação da estrutura da representação.

A relação entre as categorias de análise e as falas dos entrevistados gerou figuras que ilustram a interação entre elas. Após toda esta tabulação, optou-se pelo método conhecido como

“Mapa Mental” para representar, de forma gráfica, como as ideias se organizam e se associam

em torno de um elemento principal, criando uma linha de raciocínio muito mais fluida, lógica e espontânea. Os mapas mentais construídos nesta tese são oriundos dos softwares livres Iramutec e Freemind.

A seguir será apresentado o capítulo dos resultados da pesquisa e a discussão dos resultados.

4 ESTUDO DE CASO - UNISUL

Este capítulo está organizado em três grandes segmentos. O primeiro, por meio da análise documental, tem o propósito de apresentar a instituição estudada, seus marcos legais que demonstram a trajetória institucional. Com isto, o leitor desta tese poderá conhecer os fatos históricos da Instituição estudada relacionados ao fazer da estratégia.

No segundo item, faz-se uma apresentação do ambiente institucional, das pressões sofridas pela instituição. Trabalha ainda as práticas de governança dinâmica, realizadas para responder a regulamentações e pressões de órgãos de controle. Há neste item um detalhamento da governança dinâmica necessária para se tomar a decisão de adesão ou não a federalização.

O terceiro e último item, detalha como se deu o desenvolvimento de capacidades dinâmicas, pós migração para o sistema federal. Detalha ainda de que forma a governança dinâmica esteve presente neste processo e de que forma influenciou o desenvolvimento de capacidades.

Portanto, nas seções seguintes deste capítulo, estarão apresentadas as análises dos tópicos expostos acima.

No documento universidade do vale do itajai (páginas 74-79)