processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993).228
Mais uma vez é importante trazer os ensinamentos de Vólia Bonfim Cassar, pois a mesma avalia que “por último, a Resolução 96/2000 do TST modificou a redação do inciso IV da Súmula nº 331 para incluir de forma expressa a responsabilidade subsidiária da Administração Direta, autárquica ou fundacional [...].”229 Tal inciso foi alterado devido ao art.
71 da Lei nº 8.666/93 não permitir tal possibilidade de responsabilidade em face da Administração Pública.
Ademais, “cabe ressaltar que a Lei nº 8.863/94 ampliou o alcance da Lei nº 7.102/83, para permitir a terceirização para toda área de vigilância patrimonial, pública ou privada, inclusive pessoa física.”230
Desta maneira, é importante alertar que a Terceirização no Brasil passou por vários momentos, sendo que um foi dando entendimento para a criação do próximo, para que se chegasse onde está hoje o entendimento acerca do instituto.
Assim, ao término deste breve histórico e verificado sua evolução legal, passa-se à análise do conceito doutrinário do tema central deste terceiro capítulo, uma vez que não possui qualquer definição legal.
O termo Terceirização, como já se percebeu no início deste tópico, advém primeiramente do âmbito da administração de Empresa, destarte, para tal ciência “é vista como um processo de gestão.”231 Neste aspecto, quem procurou conceituar primeiramente foram os estudiosos que doutrinam no ramo da Administração Empresarial.
Desta forma, Frank Stephen Davis apud Dora Maria de Oliveira apresenta um conceito formalizado de que a “terceirização é a passagem de atividades e tarefas a terceiros.
A empresa concentra-se em suas atividades-fim, aquela para a qual foi criada e que justifica sua presença no mercado, e passa a terceiros (pessoas físicas ou jurídicas) atividades- meio.”232 (grifo nosso).
Desta maneira, percebe-se que para a ciência da Administração de Empresas, a Terceirização é a transferência de certa atividade que não a atividade-fim da Empresa tomadora de serviço para terceiros.
Seguindo essa linha de raciocínio, os doutrinadores que estudam Direito do Trabalho conceituam não muito diferente dos estudiosos da Administração, pois como analisa Maria Sylvia Zanella Di Pietro: “no ambiente do direito do trabalho, terceirização é a contratação, por determinada empresa (tomador de serviços), do trabalho de terceiros para o desempenho de atividade-meio.”233
Corroborando o conspícuo entendimento acima, Sergio Pinto Martins elucida que
“consiste a terceirização na possibilidade de contratar terceiro para realização de atividades que geralmente não constituem o objeto principal da empresa.”234 (grifo nosso).
Destarte, nota-se que ambas as definições enfatizam que a terceirização é a contratação de um terceiro que prestará serviços, desempenhando uma atividade que não é a principal da Empresa tomadora de serviços. Assim, esta se preocupa apenas com sua atividade final, a qual é a razão de estar no mercado.
Deste modo, tem-se a clara explicação de como é exatamente a relação que se estabelece na Terceirização nas palavras de Vólia Bonfim Cassar, que explana: “é a relação trilateral formada entre trabalhador, intermediador de mão-de-obra (empregador aparente,
231 RAMOS, Dora Maria de Oliveira. Terceirização na administração pública. São Paulo: LTr, 2001, p. 49.
232 RAMOS, Dora Maria de Oliveira. Terceirização na administração pública. p. 49.
233 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 19. ed. 3. reimpr. São Paulo: Atlas, 2006, p. 342.
234 MARTINS, Sergio Pinto. A terceirização e o direito do trabalho. p. 10.
formal ou dissimulado) e o tomador de serviços (empregador real ou natural), caracterizada pela não coincidência do empregador real com o formal.”235
Assim também se percebe que há três elementos que participam da relação estabelecida pela Terceirização, ou seja, há a Empresa que contrata outra para o desempenho de serviços que não aquele principal da atividade, sendo que o pessoal que trabalha é colocado pela Empresa contratada.
A relação estabelecida entre a Empresa contratante e a contratada é regida pela legislação civil, isto é, contrato civil, e os trabalhadores têm sua relação jurídica protegida pelo Contrato de Emprego firmado com a Empresa contratada.236
Nesse sentido, observa-se a doutrina de Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino que resumidamente ratificam as ideias apresentadas: “na terceirização, a empresa, em vez de executar determinados serviços com seus próprios empregados, contrata os serviços de outra empresa, para que esta realize com o seu pessoal, sob sua responsabilidade (da empresa contratada).”237
Partindo deste princípio, percebe-se que o intuito da Empresa na contratação de terceiros para prestar serviços é de dedicar-se na sua atividade principal, apenas na realização de seu produto final. Por isso então, opta pela Terceirização, de modo que os serviços que não lhe são pertinentes sejam feitos por outrem.
Versando sobre o assunto, Sergio Pinto Martins aponta outro objetivo pretendido pelas empresas que contratam terceiros:
o objetivo principal da terceirização não é apenas a redução de custos, mas também trazer agilidade, flexibilidade e competitividade à empresa. Esta pretende, com a terceirização, a transformação dos seus custos fixos em variáveis, possibilitando o melhor aproveitamento do processo produtivo, com a transferência de numerário para aplicação em tecnologia ou no seu desenvolvimento, e também em novos produtos.238
235 CASSAR, Vólia Bonfim. Direito do trabalho. p. 388.
236 CASSAR, Vólia Bonfim. Direito do trabalho. p. 388.
237 PAULO, Vicente; ALEXANDRINO, Marcelo. Manual de direito do trabalho. 12. ed. Rio de Janeiro:
Forense; São Paulo: Método, 2008, p. 79.
238 MARTINS, Sergio Pinto. A terceirização e o direito do trabalho. 9. ed. rev. e ampl. São Paulo: Atlas, 2009, p. 11.
Nessa perspectiva, vislumbra-se com a Terceirização, um maior aproveitamento de tempo, pois a Empresa passa a dedicar-se apenas na sua principal atividade, e capital que passará a ser mais fácil acumulá-lo, em decorrência da redução dos custos protagonizada pela contratação de terceiros para a prestação de serviços.
Acatando e complementando a ideia acima, cabível se faz anotar o argumento de João Manoel Moreira Barros:
o empresário com o passar dos anos sempre buscou maior qualidade na produção, ou seja, a especialização dentro da empresa. Assim, visando o desenvolvimento de novas técnicas de administração para melhor gestão dos negócios e o conseqüente aumento de produtividade e a redução de custos fez com que satisfizesse suas necessidades por meio da contratação de serviços prestados por outras empresas no lugar daqueles que poderiam ser prestados por seus próprios empregados.239
Nesse aspecto, observa-se que a empresa procura especializar-se na função que é a razão de existir, e com isso passa a terceiros serviços que somente lhe tomariam tempo e mais dispêndio se fosse realizados por seus próprios trabalhadores. Assim, terceirizando poderá destinar maior qualidade a sua atividade-fim.
Todavia, nem sempre é o que acontece, isto é, “na verdade os empresários pretendem na maioria dos casos, a diminuição de encargos trabalhistas e previdenciários, com a utilização da terceirização, podendo ocasionar desemprego no setor [...].”240
Partindo desse princípio, nota-se que pode variar de empresário para outro as consequências jurídicas de uma Terceirização. Em outros termos, se uma empresa somente busca a diminuição de custos e encargos trabalhistas por meio da contratação de mão-de-obra mais barata, arcará com uma possível responsabilidade para com a justiça; do contrário se o empresário almejar uma melhoria na qualidade dentro e fora da Empresa.
Considerando este entendimento, será verificada nos próximos tópicos a discussão sobre a responsabilidade e encargos de ambos os sujeitos integrantes do processo da Terceirização.
Ademais, é salutar observar que “terceirizar é entregar a terceiros, atividades não essenciais da empresa. A empresa tomadora (a que irá terceirizar alguma atividade meio)
239 BARROS, João Manoel Moreira. Prática trabalhista e processo do trabalho. São Paulo: Lúminem, 2009, p. 184.
240 MARTINS, Sergio Pinto. A terceirização e o direito do trabalho. p. 11.
contrata um prestador de serviços para executar uma tarefa que não esteja relacionada o seu objetivo principal.”241
Diante disso, conclui-se a segunda parte do terceiro capítulo, constatando que a Terceirização é uma transferência de serviços não principais a outrem, de modo que a tomadora de serviços apenas dedique-se na sua atividade-fim. Assim, o prestador dos serviços contratados colocará os empregados para executarem as respectivas atividades e em princípio será o Empregador daqueles.
Desta feita, adentra-se no estudo da Terceirização, ou seja, da lícita e da ilícita, enfatizando os requisitos para que cada uma delas seja encontrada na prática, pois nem sempre é simples visualizar uma possível irregularidade. E em momento posterior observa-se a responsabilidade de cada um dos elementos que fazem parte dessa atividade.