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Empregador: conceito

No documento 2 DIREITO DO TRABALHO (páginas 65-70)

3.4 SUJEITOS DO CONTRATO DE EMPREGO

3.4.2 Empregador: conceito

considerado como empregador a empresa e não a pessoa jurídica ou física que contrata, assalaria e toma os serviços do trabalhador.”204(grifo do autor)

E posteriormente, completando a sua tese ensina que:

vinculando o empregado à atividade econômica (empresa) e não à pessoa física ou jurídica que explora, o legislador protegeu das variações das pessoas que exploram o empreendimento e das manobras fraudulentas que visem impedir a aplicação da lei trabalhista. Desta forma, a mudança de sócio, a alteração da estrutura societária ou do tipo de sociedade, a transferência do fundo de comércio e qualquer outro ato neste sentido, não trarão prejuízos aos contratos de trabalho, conforme os arts. 9º, 448 e 468 da CLT.

Observa-se correto o entendimento acima, pois, assiste razão quando ensina que do modo como está descrito na norma legal, ou seja, no art. 2º da CLT, traz mais segurança ao Empregado. Desta feita, visou o legislador em proteger o Empregado das possíveis alterações que acontecerão no decorrer do pacto laboral.

Disso também decorre o fato de o Empregador não ostentar o elemento da pessoalidade. Acima foi visto que tal característica somente importa ao Empregado. A fim de formar tal entendimento, Evaristo de Moraes Filho205 alude o seguinte:

O que se veio dando, como é notório, foi o que se denominou despersonalização do empregador, isto é, o contrato de trabalho deixou de ser intuito personae quanto à pessoa natural (ou jurídica) do detentor momentâneo da empresa. O contrato de trabalho, e com ele o seu exercente, passou a prender-se diretamente à empresa, à organização, ao conjunto organizado, independente do seu titular. (grifo do autor).

Nota-se que o conceito legal está apto a definir a figura do Empregador, uma vez que a vontade do legislador foi de proteger o Empregado de modificações que por ventura possam ocorrer na constância do Contrato de Emprego.

Consoante o art. 2º, trata-se do Empregador. Porém, deve-se salientar o §1º do mesmo art., visto que há algumas espécies de empregadores por equiparação: “art. 2º, §1º - Equiparam-se ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados.”206

204 CASSAR, Vólia Bonfim. Direito do trabalho. p. 335.

205 MORAES FILHO, Evaristo de; MORAES, Antonio Carlos Flores de. Introdução ao direito do trabalho. p.

265.

206 Vade Mecum Universitário De Direito. Anne Joyce Angher, organização, p. 614.

Igualmente como o caput do art. 2º, o § 1º arca com críticas doutrinárias, pois, não deve haver Empregador por equiparação, não há uma qualidade especial para tais sujeitos, bastando apenas que utilizem da força de trabalho empregaticiamente contratada.207

Nesse mesmo sentido, está à idéia de Glaucia Barreto explanando que “mesmo as pessoas não organizadas da forma empresarial, são consideradas empregadores, para fins do reconhecimento da relação de emprego, desde que contratem a pessoa física do trabalhador de forma subordinada, não-eventual, onerosa e pessoal.”208 (grifo nosso).

Em suma, para entender melhor toda essa discussão, deve-se conciliar os dois conceitos acima registrados: Empregado e Empregador, em razão de um completar o outro para com o Contrato de Emprego. Verifica-se por meio dos elementos que cada definição contém e quando trata-se de empregador, basta apenas que figure no outro pólo da Relação de Emprego, uma pessoa física que preste serviço de maneira subordinada juntamente com os demais requisitos exigidos para a caracterização do Empregado.

Ou seja, “será empregador todo ente para quem uma pessoa física prestar serviços continuados, subordinados e assalariados. É por meio da figura do empregado que se chegará à do empregador, independentemente da estrutura jurídica que tiver.”209

Com isso, chega-se ao final deste tópico e, por conseguinte, ao final deste capítulo.

Assim, pode-se perceber que foram constatados vários aspectos sobre os sujeitos da Relação Empregatícia, ou seja, Empregado e Empregador, bem como suas definições e algumas das suas características.

Notadamente, verificou-se o estudo do pacto que une estes sujeitos e seus principais elementos caracterizadores. E o que restou, foi que Relação de Emprego e Contrato de Emprego não são a mesma coisa. Aquela deriva deste, que é o que soleniza a prestação do trabalho.

Dito isto, passa-se neste momento ao estudo do tema central deste trabalho, a Terceirização. Verificar-se-á os aspectos que envolvem a discussão acerca do assunto, de modo a elucidar tal modalidade de contratação de trabalho.

207 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. p. 379.

208 BARRETO, Glaucia. Curso de direito do trabalho. p. 40.

209 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito do trabalho: história e teoria geral do direito do trabalho: relações individuais e coletivas do trabalho. p. 640.

4 TERCEIRIZAÇÃO NO BRASIL

No capítulo anterior, houve o estudo de alguns dos principais institutos do Direito do Trabalho, procurando apontar algumas discussões sobre tais temas, com o intuito de criar uma base teórica para se obter um melhor entendimento sobre o tópico que se aborda aqui.

Nesse sentido, constatou-se o anteriormente o conceito de Empregador e Empregado, bem como o elo que os liga. Isto é, abrangeu-se o estudo sobre a Relação de Emprego que vincula os dois principais sujeitos do Direito do Trabalho, sabendo que este ramo preocupa-se em regulá-los, a fim de que os preceitos trabalhistas sejam resguardados.

Em decorrência disso, parte-se para o estudo da Terceirização, que de início pode-se apontar suas várias denominações, pois, é o que ensina Sergio Pinto Martins:

vários nomes são utilizados para denominar a contratação de terceiro pela empresa para a prestação de serviços ligados a sua atividade-meio. Fala-se em terceirização, subcontratação, terciarização, filialização, reconcentração, desverticalização, exteriorização do emprego, focalização, parceria etc.210 Não obstante possuir várias designações, para fins deste trabalho, utilizou-se apenas Terceirização para referir-se ao assunto, pois como analisa Sergio Pinto Martins apud Eloísa Maria Mendonça Avelar, “o marco da utilização do termo terceirização foi a utilização no âmbito da administração de empresa. Posteriormente, os Tribunais trabalhistas também passaram a utilizá-lo.”211

Deste modo, percebe-se a razão de ser adotada tal denominação para referir-se ao tema, ou seja, é em razão de os Tribunais adotarem em seus julgados esta designação.

Destarte, sendo este o entendimento majoritário, é o que será adotado.

Assim, cabe ressaltar que antes de adentrar no estudo do instituto é prudente ter em mente alguns pontos acerca da Terceirização, como bem informa Jorge Cavalcanti Boucinhas

210 MARTINS, Sergio Pinto. A terceirização e o direito do trabalho. 9. ed. rev. ampl. São Paulo: Atlas, 2009, p. 06.

211 AVELAR, Eloisa Maria Mendonça. A terceirização do trabalho e a globalização. Ed. Juruá, p. 01-25.

Material da 3ª aula da Disciplina Atualidades em Direito do Trabalho, ministrada no curso de Pós-Graduação Lato Sensu TeleVirtual em Direito e Processo de Trabalho Anhanguera-UNIDERP | REDE LFG, p. 03.

Filho, afirmando que “no Brasil, enfrenta-se grande dificuldade em lidar com a terceirização em razão da falta de legislação específica sobre o tema.”212

Nesse ponto ratifica José Alberto Couto Maciel: “não há nenhuma outra legislação que regulamente a terceirização no país, a não ser artigos esparsos, em normas especiais [...].”213 Dessa forma, percebe-se que em razão de apenas possuir algumas ponderações legais, que irão ser tratadas logo mais, não há qualquer norma determinada a regulamentar a contratação de terceiros, o que dificulta um pouco o entendimento sobre o assunto.

Outro ponto a ser destacado é no tocante que “a terceirização, em princípio, é vista pela Justiça do Trabalho como uma fraude, uma precarização do emprego, algo que deve ser evitado porque teria se originado com o objetivo de reduzir direitos trabalhistas.”214

E ainda completa Maurício Godinho Delgado: “por se chocar com a estrutura teórica e normativa original do Direito do Trabalho esse novo modelo sofre restrições da doutrina e jurisprudência justrabalhista, que nele tendem a enxergar uma modalidade excetiva de contratação de força do trabalho.”215

Percebe-se que os doutrinadores afirmam que a Terceirização sofre com recusas por parte dos Tribunais, pois como dito acima ela foge do modelo tradicional de Relação Trabalhista, isto é, contrato entre dois sujeitos. Por outras palavras, no momento em que for estudado o conceito de Terceirização poderá se perceber que a relação estabelecida é diversa da tradicional no Contrato de Emprego.

Com essas primeiras impressões sobre a Terceirização, passa-se agora ao exame do histórico do instituto, razão pela qual visa facilitar a compreensão sobre o tema para que posteriormente haja uma melhor possibilidade de serem estudados os dispositivos legais que tratam da matéria.

212 FILHO, Jorge Cavalcanti Boucinhas. Terceirização das atividades de manutenção, inspeção e conservação de prédios e equipamentos – parte I. Jornal trabalhista Consulex. Brasília, ANO XXVII, n. 1.319, p. 04 -07, abr.

2010, p. 05.

213 MACIEL, José Alberto Couto. Terceirização-Parte I. Jornal trabalhista Consulex. Brasília, ANO XXVII, n.

1.325, p. 04-09, mai. 2010, p. 05.

214 MACIEL, José Alberto Couto. Terceirização-Parte I. Jornal trabalhista Consulex. p. 04.

215 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. p. 415.

No documento 2 DIREITO DO TRABALHO (páginas 65-70)