QUEIXAS PREVALENTES EM PACIENTES DO AMBULATÓRIO DE SEXOLOGIA DO HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE.
HEITOR HENTSCHEL
Método: foi procedida a análise dos prontuários das pacientes atendidas entre 30 de junho de 1999 a 26 de julho de 2006. As clientes vem encaminhadas de postos de saúde de Porto Alegre e localidades vizinhas. São atendidas duas primeiras consultas e duas re-consultas nas manhãs de terças-feiras. Todas as pacientes são atendidas pelo autor. O atendimento é individual e, se for necessária a presença do parceiro, este é convidado para um próximo encontro. O exame físico, se necessário, é procedido em ambiente contíguo com ajuda de auxiliar de enfermagem. Há possibilidade de serem solicitados exames laboratoriais e de imagem para ajudar na solução diagnóstica. Resultados: de 30 de junho de 1999 até o dia 26 de julho e 2006 foram atendidas 330 pacientes que geraram 1155 consultas. As queixas mais freqüentes foram ( pode ter mais de uma) desejo sexual hipo-ativo 124, anorgasmia secundária 105, anorgasmia primária 58, patologia ginecológica 35, anticonceptivo inadequado 21, aversão sexual 16, dispareunia ( com desejo e com orgasmo) 10, vaginismo 09, outras 35. Comentários e Conclusões: Utiliza-se o esquema básico da Resposta Sexual Humana postulado por Masters & Jonhson e Kaplan com desejo, excitação, orgasmo e resolução. Sabe-se que sem desejo não há excitação e portanto não ocorre lubrificação adequada e dificilmente ocorre o orgasmo. Mulheres que nunca sentiram orgasmo, com o passar do tempo perdem o desejo e algumas desenvolvem aversão sexual. Algumas mulheres com anorgasmia primária têm dificuldade de sentir prazer sexual porque foram desmotivadas por temores ou conceitos religiosos punitivos; têm medo ou não se permitem sentir prazer. É grande a influência dos anticonceptivos na gênese da disfunção sexual. A relação dolorosa - dispareunia - é relativamente rara.
HIPOGONADISMO HIPOGONADOTRÓFICO IATROGÊNICO: RELATO DE CASO HEITOR HENTSCHEL; DANIELLE LIMA ALBERTON
INTRODUÇÃO: HIPOGONADISMO HIPOGONADOTRÓFICO. Esta situação pode ocorrer antes da gênese ou amadurecimento das gônadas. A ocorrência, após o amadurecimento sexual, pode ser decorrente de tumores, acidentes hemorrágicos, traumatismos cranianos ou por uso de medicação. OBJETIVO: Apresentar um caso de hipogonadismo hipogonadotrófico iatrogênico. MATERIAL E MÉTODO: Paciente com 21 anos veio à consulta por dificuldade sexual devido à dor e desconforto durante e após o ato sexual. No inicio do relacionamento, as relações eram ótimas. Aos poucos foi se instalando retardo para ocorrer orgasmo. Mais tarde, foi observada diminuição progressiva da lubrificação e ocorrência de dor após o coito. Referia importante disúria e sensação de peso no baixo ventre, corrimento vaginal de odor desagradável e de coloração branco amarelada.
Submeteu-se a grande número de exames e de tratamentos com antibióticos, cremes e pomadas. O companheiro foi acusado de infidelidade e de transmitir doença sexual. A paciente nunca gestou e fazia uso de anticonceptivo oral há quatro anos. Ao exame clínico, percebeu-se mulher com características sexuais femininas normalmente desenvolvidas porém com marcada atrofia de mucosa vulvar. Apresentava lesão erosada em ambos os pequenos lábios e inúmeras pontes de fibrina. O exame cito-hormonal mostrou ausência de células superficiais cornificadas e de lactobacilos. Grande percentual de células profundas (basais). CH: 30- 70-0 CONCLUSÃO: Foi diagnosticado atrofia vulvar por hipogonadismo hipogonadotrófico decorrente de ausência de produção de esteróides sexuais, por ausência de produção de gonadotrofinas e de GnRH devido ao uso de anticonceptivo. Foi instituída terapia de reposição hormonal e suspenso o uso de anticonceptivo. Em duas semanas a mucosa estava cicatrizada. Em trinta dias apareceram as células cornificadas. Na 1ª menstruação foi inserido DIU. Em dois meses retornou à atividade sexual com orgasmo e, evidentemente, sem dor.
USO DE ANDROGÊNIOS EM PACIENTES COM QUEIXAS SEXUAIS.
HEITOR HENTSCHEL; DANIELLA LIMA ALBERTON
INTRODUÇÃO: Os androgênios desempenham importante papel no desempenho sexual, quer de homens ou de mulheres. A testosterona produzida nos testículos e nas células da teca do folículo ovariano é responsável pelo desejo sexual. O desejo é a base da atividade sexual. Existe uma série de situações em que a produção de testosterona é diminuída ou mesmo abolida.
OBJETIVO: Analisar a freqüência de prescrição, efeitos e cuidados no uso de androgênios em pacientes que consultam no ambulatório de sexologia do HCPA. MATERIAL E MÉTODOS: Foram analisados os prontuários 330 mulheres que consultaram de 30 de junho de 1999 a 26 de julho de 2006, que geraram 1155 consultas, numa média de 3,5 consultas RESULTADOS: O efeito do androgênio em algumas mulheres resultou em liberação da capacidade de sentir orgasmos, alguns múltiplos e mesmo em sonhos.
Uma paciente relatou que: “23 anos de vida foram jogados fora.” CONCLUSÕES: A prescrição de androgênios é precedida de vários cuidados entre eles a certeza de anticoncepção eficaz ou em mulheres após a menopausa. Os resultados são alentadores e o aparecimento de para-efeitos com exceção de um caso, não foram descontinuados. O uso é parcimonioso e acompanhado com visitas freqüentes. Não foi constatado nenhum caso de hipertrofia clitoridiana. O uso de medicação local foi diminuído pela inexistência de produto confiável, A medicação oral tem preço muito mais alto e os resultados não são efetivos. As paciente relatam modificação importante no relacionamento conjugal embora em casos raros tenha ocorrido o inverso pelo fato de o marido não suportar uma mulher que tenha desejo sexual e que modifica seu padrão de comportamento. O custo da medicação injetável é cerca de oito reais por mês.
EXPRESSÃO DE HEAT SHOCK PROTEIN 90 (HSP90) EM MÚSCULO ESQUELÉTICO, ADIPÓCITOS E PLACENTA DE GESTANTES COMPRÉ-ECLÂMPSIA
RENATA ORTIZ PEDRINI; PEDRO SALOMÃO PICCININI; SABRINA SORAIA SCHRÖEDER; SÉRGIO MARTINS-COSTA; JOSÉ GERALDO LOPES RAMOS; HARALD KLEIN; WOLFGANG SCHECHINGER; HELENA VON EYE CORLETA; EDISON CAPP
Introdução: chaperonas ou proteínas de choque térmico participam da manutenção do enovelamento protéico. O complexo protéico de choque térmico (Hsp, heat shock protein em inglês) multichaperona 90 media a maturação e estabilidade de diversas proteínas, muitas das quais são cruciais na oncogênese, incluindo receptor de crescimento epidermal (EGF-R), Her-2, AKT, Raf, p53. Essas proteínas são chamadas de clientes do Hsp90. Sob condições sem estresse celular, essas proteínas formam complexos com Hsp90 e suas co-chaperonas para obterem suas conformações ativas ou para aumentar sua estabilidade. A inibição da função de Hsp90 interrompe o complexo e leva à degradação de proteínas clientes de maneira proteassoma-dependente. Isso resulta em interrupção simultânea de diversas vias de transdução de sinal que são centrais à progressão e sobrevivência tumoral. A resistência à insulina tem sido relacionada com expressão alterada de Hsp90. Objetivos: comparar a expressão protéica de Hsp90 em músculo esquelético, tecido adiposo e placenta de gestantes com e sem pré-eclâmpsia. Método: foi realizado um estudo do tipo caso-controle. O material foi coletado durante a cesárea; todas as pacientes assinaram termo de consentimento informado. Foi realizado western blot para expressão protéica de Hsp90. Resultados: nessa análise preliminar, não houve diferença estatisticamente significativa na expressão de Hsp90 entre controles e pacientes com pré-eclâmpsia em placenta (9223,0 ± 2775,3 X 14102,0 ± 1974,6, p= 0,68), tecido adiposo (4781,0 ± 3339,9 X 244,6 ± 18,0, p= 0,78) e músculo esquelético (8913,0 ± 4008,5 X 5647,6 ± 1648,0, p= 0,262). Conclusão: estes resultados são preliminares, número de amostras muito reduzido. O estudo se desenvolverá no próximos meses, aumentando-se o numero de amostras analisadas. Apoio financeiro ao projeto:
PROPESQ/UFRGS, FIPE
IDENTIFICAÇÃO DO LINFONODO-SENTINELA EM PACIENTES COM CARCINOMA DE COLO UTERINO INVASOR ESTÁDIO IB1 E IIA
EDUARDO BELMONTE TAVARES; RICARDO DOS REIS; BEATRIZ AMARAL; HELEUSA IONE MONEGO; WALDEMAR RIVOIRE; MARCIA BINDA; VALENTINO MAGNO; MARIA ISABEL EDELWEISS; EDISON CAPP
Introdução: Aproximadamente 25 % de todos os pacientes diagnosticados com câncer cervical serão candidatos a histerectomia radical com linfadenectomia pélvica. A determinação acurada do envolvimento linfonodal de uma paciente com câncer cervical, identificando as pacientes com linfonodos positivos, conduziria a paciente a um tratamento com quimiorradiação, evitando, com isso, uma cirurgia radical pélvica. Objetivo: determinar a viabilidade da identificação do linfonodo-sentinela em pacientes com câncer invasor de colo uterino estádio Ib1 e IIa.Material e Métodos: 16 pacientes consecutivas com câncer de colo uterino agendadas para histerectomia radical com linfadenectomia pélvica bilateral realizaram estudo para detecção de linfonodo- sentinela. 16 horas antes da cirurgia, 1 mCi de tecnécio 99 (99Tc) foi injetado em quatro pontos do estroma superficial do colo uterino ao redor do tumor, às 12, 3, 6 e 9 h. No dia da cirurgia, as pacientes foram submetidas ao mapeamento linfático com gamma-probe e azul patente injetado nos mesmos pontos que o 99Tc.Resultados: foi detectado pelo menos um (1 à 3 por paciente) linfonodo-sentinela em cada uma das 15 pacientes (93,7 %) que realizaram a técnica combinada. A maioria dos linfonodos-sentinela foi localizada na região obturadora (37 %).Seis pacientes (40 %) tiveram linfonodos-sentinela bilaterais. O índice de detecção intra-operatória foi de 90,9 %. A sensibilidade, especificidade e valor preditivo negativo para a detecção do linfonodo-sentinela foram todos de 100 %. Conclusão: A combinação do radiofármaco 99Tc e azul patente é efetiva na detecção do linfonodo-sentinela em câncer de colo uterino inicial.
O IMPACTO DO CÂNCER DE MAMA NA QUALIDADE DE VIDA DAS MULHERES
MICHELE PETTER CARDOSO; ANA CAROLINA LACERDA SCHEIBLER; JOCIELE GHENO
No Brasil, o câncer de mama tem grande prevalência entre as mulheres, sendo que nas regiões Sul e Sudeste, é a maior causa de morte por câncer. O estudo tem como objetivo analisar algumas formas de impacto psíquico, físico e social na qualidade de vida dessas mulheres. Nesta revisão de literatura, foram consultados o Scielo, utilizando como palavra-chave “câncer de mama” e o Periódico-Capes a partir da palavra-chave “câncer”, consultando a “Revista Brasileira de Cancerologia”. Desde a suspeita do câncer surgem alterações psicológicas e com a evolução da doença essas alterações são somadas a impactos físicos e sociais, podendo se estender durante anos após o tratamento. O estudo revela diminuição da qualidade de vida em mulheres mais jovens, em casadas, com menor escolaridade, além das que sentiram dor após a cirurgia, que apresentaram outras morbidades e que permaneceram mais tempo internadas. As mastectomizadas apresentaram pior qualidade de vida quando comparadas àquelas que realizaram cirurgia conservadora, em relação à auto-imagem e à sexualidade. Mulheres que realizaram mastectomia com reconstituição tardia apresentaram menor qualidade de vida quando comparadas com as que fizeram a reconstituição imediata. A maioria das pacientes questionadas considera sua qualidade de vida boa pelo seu estado não alterar significativamente o funcionamento social. Na busca da melhoria da qualidade de vida das mulheres, os profissionais de saúde devem definir ações de promoção de saúde, como o incentivo do auto-exame das mamas. Esse procedimento permite a identificação precoce de alterações nas mamas, melhorando o prognóstico do câncer e aumentando a sobrevida das pacientes.
ANÁLISE DAS ALTERAÇÕES ESPERMÁTICAS E DOS ÍNDICES DE FERTILIZAÇÃO DE PACIENTES SUBMETIDOS À REPRODUÇÃO ASSISTIDA
PAULA BARROS TERRACIANO; LUDMILA DO VALE MIQUELITO; LUCIANE CABREIRA BAPTISTA; ANDRÉA CINTRA FACIN;
FERNANDO FREITAS; EDUARDO PANDOLFI PASSOS; ENEDER ROSANA OBERST; ELIZABETH OBINO CIRNE LIMA A infertilidade ocorre em cerca de 20% dos casais. Em 40% deles, os fatores determinantes da esterilidade são masculinos e estão ligados a alterações como: a diminuição do número de espermatozóides; alteração na forma; na capacidade de movimento ou no vigor dos mesmos. Além das alterações mencionadas outras patologias espermáticas podem ocorrer, como por exemplo, defeitos de cabeça, de peça intermediária ou de cauda, que interferem negativamente na fertilidade destes pacientes. Este trabalho visa avaliar a morfologia espermática dos pacientes submetidos à Reprodução Assistida no HCPA no período de janeiro à maio de 2006. Para a realização da análise morfológica do sêmen, as amostras foram diluídas na proporção de 1:1 em formol salina a 4%.
Foram produzidos esfregaços com 10µl da mistura. As lâminas foram coradas pelo método de Cerovsky. Foram contados 200 espermatozóides/lâmina em microscópio óptico com aumento de 400x, e a porcentagem de anomalias por amostra foi calculada.
Foram analisadas amostras de 29 pacientes, sendo que todos apresentavam alguma alteração espermática. Porém, segundo o Manual da OMS, pacientes portadores de até 70% de alterações espermáticas são classificados como normais, quanto aos
parâmetros seminais. De cada amostra, dentre os 200 espermatozóides analisados, foram encontrados 19% de espermatozóides anômalos, sendo que 15% deste total apresentavam defeitos de cabeça e pescoço e os 4% restantes apresentavam defeitos de cauda ou gota citoplasmática. A taxa de fertilização observada nestes pacientes, que se submeteram a ICSI ou FIV foi de 37%.
Vale ressaltar, que a taxa de fertilização do Serviço de Reprodução Assistida dos pacientes submetidos à ICSI ou FIV do HCPA, neste período, varia de 50 a 60% , e que os dados apresentados no presente resumo, referem-se somente ao grupo que autorizou a inclusão de seus dados no presente projeto de pesquisa.
EXPRESSÃO DE PROTEÍNA-QUINASE B (PKB) EM MÚSCULO ESQUELÉTICO, ADIPÓCITOS E PLACENTA DE GESTANTES COM E SEM PRÉ-ECLÂMPSIA
PEDRO SALOMÃO PICCININI; RAFAEL BUENO ORCY; SABRINA SORAIA SCHRÖEDER; SÉRGIO MARTINS-COSTA; JOSÉ GERALDO LOPES RAMOS; HARALD KLEIN; WOLFGANG SCHECHINGER; HELENA VON EYE CORLETA; EDISON CAPP A pré-eclâmpsia (PE), significante problema de saúde gestacional, pode levar à morte materna, à restrição do crescimento fetal e a prematuridade. Os achados compatíveis com PE são hipertensão materna, proteinúria, edema e aumento da resistência vascular periférica. Existem evidências da relação entre síndrome de resistência à insulina e PE. A PKB (ou AKT) tem papel determinante na transdução do sinal de insulina e na regulação de múltiplas funções celulares, incluindo a sinalização da insulina e o metabolismo da glicose, além de transcrição gênica, síntese protéica, progressão do ciclo celular e bloqueio da morte celular programada (apoptose). Objetivo: comparar a expressão da PKB em músculo esquelético (ME), adipócitos e placenta de gestantes normais e com PE. Método: estudo do tipo caso-controle com gestantes submetidas à cesárea no Serviço de Obstetrícia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Placenta, tecido adiposo e músculo esquelético foram coletados durante a cirurgia, congelados em nitrogênio líquido e armazenados a -80ºC. Proteínas totais foram isoladas e submetidas a SDS-PAGE, após transferência para membrana de nitrocelulose. PKB foi identificada através de anticorpo específico. A análise das bandas foi feita por densitometria. Resultados: não houve diferença na expressão de PKB entre gestantes normais e com PE em placenta (10316,6
± 1019,6 X 7763,3 ± 2168,7, p = 0,14), músculo esquelético (11753,0 ± 2188,9 X 10995,0 ± 657,6, p = 0,59) e adipócitos (5458,0 ± 674,7 X 4566,6 ± 2954,2, p=0,657). Conclusão: a expressão de PKB é semelhante em gestantes normais e com PE. Outros elementos da cadeia de transdução do sinal de insulina devem ser investigados para identificar a etiopatogenia da resistência à insulina associada à PE. Apoio financeiro ao projeto: CNPq
PREVALÊNCIA DA OBESIDADE NA POPULAÇÃO FEMININA DE XANGRI-LÁ
NILTON LEITE XAVIER; PATRÍCIA IZETTI RIBEIRO; JORGE BIAZÚS; FERNANDO SCHUH; ELIANE RABIN; ANA BITTELBRUNN; RODRIGO CERICATTO; ELIZABETE ZIMMER; DELMAR ANTÔNIO DE SOUZA
Introdução: a obesidade é um dos 10 problemas de saúde pública global e sua prevalência tem aumentado. Muitos são os fatores de risco citados e vários associados à idade e ao estilo de vida. Objetivos: avaliar, na população feminina do município de Xangri- Lá, a prevalência da obesidade e seus fatores de risco. Métodos: estudo prospectivo com aplicação de questionário estruturado com as variáveis: idade, cor, estado civil, escolaridade, renda familiar, idade da menarca e paridade. Critérios de inclusão: idade ≥ 20 anos, assinatura do consentimento informado e presença no posto de saúde do Programa de Saúde da Família (PSF) para exame das mamas e medidas da estatura, peso e pressão arterial. A obesidade foi definida pelo índice de massa corporal (IMC) >
30 Kg/m². Resultados: Foram incluídas 611 mulheres com mais de 20 anos atendidas no PSF. A média de idade da amostra foi de 41,4 anos, com desvio padrão de 11,3. O IMC médio foi de 27,4 e verificou-se que 58,6% da população avaliada estava com peso acima do saudável, ou seja, IMC > 25. A obesidade ocorreu em 26% dos casos e mostrou correlação positiva com a idade (p=0,00), sendo que 51% das mulheres a partir dos 60 anos eram obesas. A menarca precoce mostrou-se um indicador independente à obesidade (p=0,003). A multiparidade, a baixa escolaridade e o estado marital, ser casada ou com parceiro estável, são fatores predisponentes (p < 0,05). Cerca de 66,3% das mulheres com menor nível de escolaridade (até 5 anos) estavam obesas ou com sobrepeso. Conclusões: a prevalência da obesidade nesta população feminina foi de 26,3%. A idade e a menarca precoce parecem ser os principais fatores de risco, mas também a paridade, a baixa escolaridade e o estado marital contribuem para a prevalência deste agravo.
AVALIAÇÃO DA PERCEPÇÃO DE QUALIDADE DE VIDA E DO ESTADO DE SAÚDE AUTO-REFERIDO E FATORES RELACIONADOS EM UMA AMOSTRA DE PUÉRPERAS ADOLESCENTES E ADULTAS.
CAROLINE VIEIRA PINHEIRO; ALBRTO MANTOVANI ABECHE; EDUARDO PANDOLFI PASSOS
Este estudo tem por objetivo investigar as características demográficas, de qualidade de vida e do estado de saúde auto-referido das pacientes adolescentes e adultas internadas no setor de Internação Obstétrica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. A amostra será composta de 200 puérperas, divididas em dois grupos: 100 adolescentes (14 a 19 anos) e 100 pacientes adultas (20 a 30 anos) a serem avaliadas após parto ou cesariana. Trata-se de um estudo transversal, tipo observacional, com análise quantitativa, no qual serão aplicados instrumentos de avaliação de qualidade de vida. Esses questionários são sensíveis a perdas e ganhos subjetivos e, portanto, permitem a compreensão detalhada do ponto de vista das adolescentes que se tornam mães tão precocemente. Todas as pacientes entrevistadas assinarão consentimento informado antes da inclusão no estudo. A partir dos dados coletados será possível estabelecer as semelhanças e diferenças entre os dois grupos, no que se refere à maternidade. Até o momento, foram feitas 70 entrevistas e os dados coletados ainda não foram analisados. Com os resultados a serem obtidos desse estudo, pretendemos revelar as percepções próprias das adolescentes, positivas e negativas, ao final da gestação. Estas informações seriam de grande utilidade no entendimento, manejo e estratégias de prevenção da gravidez na adolescência, visto que a falta de resposta a tais programas faz refletir sobre a complexidade desse problema.
ANÁLISE DOS ESPERMATOZÓIDES COM MÚLTIPLOS DEFEITOS EM PACIENTES SUBMETIDOS À REPRODUÇÃO ASSISTIDA NO HCPA
LUDMILA DO VALE MIQUELITO; PAULA BARROS TERRACIANO; LUCIANE CABREIRA BAPTISTA; ANDRÉA CINTRA FACIN;
FERNANDO FREITAS; EDUARDO PANDOLFI PASSOS; ENEDER ROSANA OBERST; ELIZABETH OBINO CIRNE LIMA
Cerca de 6% dos homens em idade fértil apresentam infertilidade. As causas da infertilidade masculina estão associadas à espermatogênese em 90% dos casos. Nos outros 10%, existe relação causal com o transporte espermático e alterações das glândulas acessórias do trato genital masculino (6%), com distúrbios da ereção (2%), com distúrbios da ejaculação (1%) e com as alterações funcionais do espermatozóide e do coito (1%). Na grande maioria desses casos, a fisiopatologia do distúrbio não está bem definida e não existe definição de um fator causal em 90% dos casos de oligospermia e azoospermia. Até 1992, os espermatozóides que apresentavam alterações morfológicas múltiplas, tinham apenas um defeito registrado. No entanto, foi demonstrado que o número médio de defeitos por espermatozóide é um significante fator de predição da função espermática. Após 1992, com a publicação do manual da OMS, com sugestões para a análise de sêmen humano, passou a ser indicada uma análise mais ampla com o registro dos múltiplos defeitos por espermatozóide. Este trabalho visa avaliar a porcentagem de pacientes que apresentam espermatozóides com múltiplos defeitos no grupo de pacientes que se submeteu à reprodução assistida no HCPA entre janeiro e maio de 2006. Para a realização das análises, foram feitas lâminas com esfregaço das amostras de sêmen, diluídas na proporção de 1:1em formol salina a 4% e foram posteriormente coradas pelo método de coloração de Cerovsky. As lâminas foram analisadas em microscópio óptico com aumento de 400x. Foram contados 200 espermatozóides/lâmina e calculou-se a porcentagem de espermatozóides com múltiplos defeitos. Desta forma, dos 29 pacientes do Serviço de Reprodução Assistida do HCPA, que autorizaram a inclusão de seus dados no presente projeto, 100% possuíam espermatozóides com pelo menos um defeito, e 72,41% destes pacientes apresentavam espermatozóides com múltiplos defeitos.
PADRÕES FONOARTICULATÓRIOS DE ADOLESCENTES NAS FASES FOLICULAR E LUTEAL DOS CICLOS MENSTRUAIS ELISÉA MARIA MEURER; HELENA VON EYE CORLETA, EDISON CAPP, GARCEZ VERA
ResumoA adolescência é uma fase psicossocial biológica, em que o desenvolvimento de características sexuais possibilita o alcance da capacidade reprodutiva e o surgimento de variações fonoarticulatórias. Objetivo: comparar intensidade e estabilidade de tom vocal, segundos formantes e diadococinesia verbal, em adolescentes, entre as fases lútea e folicular. Material e métodos:
participaram vinte e três adolescentes, com ciclos menstruais regulares, não usuárias de contraceptivos orais, não fumantes e falantes fluentes do português brasileiro. Elas responderam questionário e gravaram emissões verbais entre o quinto e o oitavo e, entre o décimo oitavo e o vigésimo terceiro dias de dois ciclos menstruais. Foram realizadas análises acústicas com o programa motor Speech Profile da Kay Elemetrics. Os dados foram armazenados em banco de dados e analisadas com o teste t de Student para amostras pareadas. Resultados: Não foram encontradas diferenças significativas fonoarticulatórias entre as duas fases do ciclo menstrual e, foram calculados padrões médios para as emissões das adolescentes. O tom de base da vogal sustentada foi 192,62 ± 23,92 Hz, valores mínimos e máximos dos segundos formantes da combinação vocálica foram 891,71 ± 110,34 Hz e 2471,46 ± 203,58 Hz. Na diadococinesia verbal elas apresentaram velocidade de 5,59 ± 0,64 seg/s e intensidade vocal de 61,53 ± 2,64 dB. Conclusões: as adolescentes avaliadas apresentaram tom e intensidade de voz, segundos formantes e velocidade de fala semelhantes entre as duas fases do ciclo menstrual.
TRAÇOS SUPRASSEGMENTAIS DE ADOLESCENTES NAS FASES FOLICULAR E LÚTEA DO CICLO MENSTRUAL ELISÉA MARIA MEURER; HELENA VON EYE CORLETA; EDISON CAPP
ResumoFalantes esclarecem suas mensagens com variações de acentuações e de entonações vocais, de junturas ou pausas que delimitam palavras e frases, de velocidade e ritmo nas verbalizações. Os processos motores da expressão verbal são influenciados por oscilações cíclicas dos hormônios sexuais. Objetivo: caracterizar modulações vocais, ritmos e velocidades de fala, em adolescentes em ambas as fases do ciclo menstrual. Material e métodos: participaram vinte e três adolescentes, com menstruações regulares, não usuárias de contraceptivos orais, não fumantes e falantes fluentes do português brasileiro. Elas responderam questionário e gravaram leituras de frases entre o quinto e o oitavo e, entre o décimo oitavo e o vigésimo terceiro dias de dois ciclos menstruais. Foram realizadas análises acústicas com o programa motor Speech Profile da Kay Elemetrics. As medições lançadas em banco de dados SPSS foram analisadas com o teste t de Student para amostras pareadas. Resultados:
Sem diferenças estatísticas significativas entre as fases dos ciclos menstruais, os valores médios calculados para variações de modulação, das menores para as maiores, foram raiva (21,74 ± 8,66 Hz) < normal (23,43 ± 12,35 Hz) < tristeza (24,85 ± 10,46 Hz)
< exclamativa (29,31 ± 12,40 Hz) < interrogativa (33,07 ± 12,40Hz) < alegria (33,31 ± 12,11 Hz). Da mesma forma, os valores médios agrupando as duas fases do ciclo para toda amostra foram velocidade = 5,16 ± 0,64 seg/s na frase com sentido e 1,86 ± 0,24 seg/s na frase sem sentido. Conclusão: Os traços suprassegmentais não parecem ser modulados pelas alterações hormonais do ciclo menstrual (fase proliverativa X fase lútea) em adolescentes. A atenção integral à saúde das mulheres envolve o conhecimento de influências de variações hormonais fisiológicas sobre os traços suprassegmentais.
PREVALÊNCIA DE ALTERAÇÕES CITOLÓGICAS CERVICAIS EM MULHERES HIV POSITIVAS
EUNICE BEATRIZ MARTIN CHAVES; EDISON CAPP; HELENA VON EYE CORLETA; PAULO NAUD; JEAN CARLOS DE MATOS
As mulheres constituem aproximadamente 40% dos casos de AIDS no mundo a maioria infectada através do contato heterossexual. O exame de Papanicolaou alterado é relativamente comum entre as mulheres soropositivas. No estudo, the Women\'s Interagency HIV Study (WIHS) patrocinado pelo National Institutes of Health, cerca de 40% das 2054 HIV infectadas e 17% HIV-negativas apresentaram-se com o exame de Papanicolaou anormal na primeira visita. Alguns estudos relatam que a infecção pelo papiloma vírus humano, tipos 16 e 18, esteja relacionada aos níveis de CD4 inferior a 200 cells/mm3. Níveis elevados de HIV-RNA plasmático têm sido associados com risco aumentado de neoplasia intraepitelial cervical. O objetivo do estudo foi conhecer a prevalência de alterações no exame de Papanicolaou nas pacientes acompanhadas no ambulatório de DST/AIDS, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. O delineamento do estudo foi transversal. Foram incluídas todas as pacientes HIV positivas que consultaram neste ambulatório no primeiro semestre de 2006 para revisão ginecológica, num total de 84 pacientes. A média de idade destas pacientes foi de 33,5 anos e em média sabiam-se HIV positivas há 97,5 meses. Destas, 94%
se contaminaram por transmissão heterossexual e 32,5% apresentaram alterações no exame de Papanicolaou. Considerando a alta prevalência de alterações citológicas nesta população, torna-se importante um acompanhamento ginecológico de rotina de todas as pacientes HIV positivas, a fim de prevenir o câncer de colo uterino.