T RATAMENTO
2.5. I NSTRUMENTOS D ISPONÍVEIS PARA C ONTROLE
necessárias (continuação da investigação, orientação da população, adoção de medidas de controle e prevenção).
Devem ser consideradas, principalmente, a incidência, letalidade e mortalidade de meningites (geral, bacterianas e por Neisseria meningitidis) na área; distribuição dos casos confirmados de meningite por Neisseria meningitidis, segundo critério de confirmação e, ainda, tipo de contato e oportunidade da quimioprofilaxia.
Para a análise e interpretação dos dados, é importante conhecer a virulência das cepas prevalentes, a proporção de susceptíveis na população e a existência de condições que favoreçam a transmissão dos portadores a outros indivíduos da comunidade.
Atentar para o fato de que, quando as cepas provenientes de um grupo de pacientes não estiverem relacionadas por sorogrupo e/ou sorosubtipo (nos casos do sorogrupo B), provavelmente, estes casos não representam um surto. Os surtos de doença meningocócica geralmente são causados por cepas estreitamente relacionadas.
Após a análise e interpretação dos dados disponíveis, é possível se avaliar e se necessário redirecionar as medidas de controle adotadas. A situação de surto deverá ser informada e discutida pelos três níveis de governo: Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria Estadual de Saúde e Ministério da Saúde/Centro Nacional de Epidemiologia.
2.4.5.5. Encerramento de casos: revisar as Fichas de Investigação para certificar- se de que todos os campos estão preenchidos de forma coerente, e atentar para a definição de qual critério foi utilizado para o diagnóstico, considerando as seguintes alternativas:
• Confirmado por critério clínico laboratorial (Cultura, CIE, Látex, e Bacterioscopia): a identificação da Neisseria meningitidis na cultura do líquor e/ou sangue é considerado “padrão-ouro” para o diagnóstico. A CIE e o Látex permitem a detecção do agente etiológico através do antígeno. O PCR detecta a cadeia genética da bactéria. A Bacterioscopia revela a presença de diplococos gram-negativo, sendo baixo o seu grau de especificidade.
• Confirmado por critério clínico epidemiológico: todo caso suspeito sem exames laboratoriais, que teve contato íntimo com caso confirmado labora- torialmente, num período de até 15 dias do início do aparecimento dos sintomas do caso índice.
• Confirmado por critério clínico: apenas a meningococcemia e a meningite meningocócica associada com meningococcemia permitem o encerramento por critério clínico.
• Confirmado por necrópsia: todo caso suspeito com achados anatomopa- tológicos sugestivos de meningite meningocócica ou meningococcemia.
2.4.5.6. Relatório final: os dados da investigação, em casos de surto, deverão ser sumarizados em um relatório com as principais conclusões da investigação.
G GG
GGU I AU I AU I AU I AU I A D ED ED ED ED E VVVVVI G I L Â N C I AI G I L Â N C I AI G I L Â N C I AI G I L Â N C I AI G I L Â N C I A EEEEEP I D E M I O L Ó G I C AP I D E M I O L Ó G I C AP I D E M I O L Ó G I C AP I D E M I O L Ó G I C AP I D E M I O L Ó G I C A
FUNASA 603
As vacinas contra N. meningitidis normalmente têm por base a reação imunogênica do hospedeiro ao polissacarídeo capsular dos meningococos e, portanto, são sorogrupo específicas.
No Brasil, as vacinas contra o meningococo A, B e C estão indicadas em situações específicas de surto, não estando disponíveis na rotina dos Serviços de Saúde.
• Vacina contra o meningococo A e C: é constituída por polissacarídeos capsulares purificados de Neisseria meningitidis que foram quimicamente identificados, induzindo uma resposta imunológica de célula T independente. A eficácia em adultos é alta, mas no grupo com menos de 2 anos é baixa. A imunidade conferida é relativamente curta (12 a 24 meses).
• Vacinas contra o meningococo do sorogrupo B: estão sendo desenvolvidas e testadas, mas as tentativas para se obter uma vacina eficaz, em menores de 2 anos, até o momento, não foram bem sucedidas. Provavelmente, isso se deve ao fato de que o polissacarídeo da cápsula desse meningococo é fracamente imunogênico, devido à sua semelhança estrutural com tecidos corporais humanos.
• Recomendações para vacinação
ð Epidemias de doença meningocócica: as vacinas somente serão utilizadas a partir de decisão conjunta das três esferas de gestão: Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria Estadual de Saúde e o Centro Nacional de Epidemiologia (CENEPI/FUNASA), após comprovação do(s) sorogrupo(s) predominante(s) em cada área, visando indicação correta do imunógeno específico.
A extensão da vacinação (bloqueio, campanha indiscriminada ou discriminada) será definida considerando a análise epidemiológica, as características da população e a área geográfica de ocorrência dos casos.
Todos os procedimentos, relacionados com o desencadeamento de campanha de vacinação em massa e ações emergenciais, deverão estar de acordo com as normas técnicas, preconizadas pelo Programa Nacional de Imunização (vide Manual de Normas e Procedimentos do Programa Nacional de Imunização).
Após a vacinação, são necessários 7 a 10 dias para a obtenção de títulos protetores de anticorpos. Casos ocorridos em pessoas vacinadas, no período de 10 dias após a vacinação, não devem ser considerados falhas da vacinação. Estes casos podem ocorrer, decorrentes das limitações da vacina que não têm 100% de eficácia, falhas programáticas, o indivíduo pode estar em período de incubação da doença, que varia de 2 a 10 dias (geralmente 3 a 4), ou ainda não ter produzido imunidade.
2.5.2. Q
UIMIOPROFILAXIAÉ a principal medida para prevenção de casos secundários. A administração de antibiótico, com finalidade quimioprofilática, muito embora não assegure efeito protetor absoluto e prolongado, tem sido adotada como uma medida eficaz.
A droga de escolha é a rifampicina, que deve ser ministrada precocemente, em dose adequada, simultaneamente a todos os contatos, no prazo máximo de 10 dias após o início dos sintomas do caso índice. O uso restrito da droga visa evitar a seleção de estirpes resistentes de meningococos e de bacilos da tuberculose.
A quimioprofilaxia é recomendada também a pacientes antes da alta, no mesmo esquema preconizado para os contatos, exceto se o tratamento da doença foi com ceftriaxona, droga capaz de eliminar o meningococo da orofaringe.
A rifampicina é utilizada em gestantes para o tratamento de doenças como hanseníase e tuberculose. No Brasil, esse medicamento tem sido utilizado para quimioprofilaxia da meningite, não tendo sido registrados efeitos teratogênicos.
2.5.3. A
ÇÕESDEEDUCAÇÃOEM SAÚDEA população deve ser informada, principalmente em situações de surtos, sobre os principais sinais e sintomas, e como proceder frente a um caso suspeito. A informação diminui a ansiedade e contribui para evitar o pânico.
2.5.4. E
STRATÉGIASDEPREVENÇÃONAVIGÊNCIADESUSPEITADEEPIDEMIAS• Orientar a população para que seja encaminhado, a uma Unidade de Saúde, qualquer indivíduo com febre, associada ou não a outros sinais e sintomas de meningite;
• Notificar imediatamente e investigar todos os casos suspeitos de doença meningocócica às autoridades sanitárias;
• Educar a população sobre a necessidade de evitar o contato direto e a exposição às gotículas de saliva do doente;
• Orientar a população para evitar aglomerados em ambientes fechados;
• Proceder à coleta de material de todos os casos para confirmação laboratorial;
• Realizar, de forma adequada e em tempo hábil (24 horas), a quimioprofilaxia dos contatos íntimos;
• Proceder análise dos casos considerando tempo, lugar e pessoa;
• Proceder à interpretação dos dados análise;
• Atentar para o aumento de determinado sorogrupo/sorosubtipo entre as bactérias isoladas dos doentes;
• Verificar se está ocorrendo alteração no padrão das formas clínicas com aumento da chance de falecer pela doença meningocócica, que pode ajudar a reconhecer a possibilidade de um surto emergente na comunidade.
ANTIBIÓTICO DOSE INTERVALO
Rifampicina
Q
UIMIOPROFILAXIAAdultos - 600mg/dose Crianças
> 1 mês até 10 anos dose - 10mg/kg/dose
< 1 mês
Dose - 5mg/kg/dose
2 dias DURAÇÃO
12/12hs 12/12 hs (dose máxima de
600mg)
12/12 hs (dose máxima de 600mg)
2 dias
G GG
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FUNASA 605