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MEDICINA Anestesiologia

No documento Revista (páginas 56-59)

ANÁLISE RETROSPECTIVA DE PARADAS CARDIORRESPIRATÓRIAS EM PACIENTES SUBMETIDOS A ANESTESIA NO HCPA

Rafael Roberge Sens, Henrique Giacomolli Dartora, Paulo Correa da Silva Neto, Valquíria Schroder, Carolina Quintana de Quadros Brenner, Elaine Aparecida Felix

INTRODUÇÃO: Entre 2002 e 2008 ocorreram 14 paradas cardiorrespiratórias (PCR) em procedimentos realizados sob supervisão de um médico anestesiologista no bloco cirúrgico do HCPA. A fim de realizar gerenciamento de riscos e diminuir a ocorrência de eventos adversos devem ser conhecidos fatores que possam ter contribuído aos desfechos negativos. OBJETIVO: Identificar características dos pacientes e de manejo anestésico que possam ter contribuido à evolução dos casos a PCR. MÉTODOS: Revisão do banco de eventos adversos do SAMPE em busca da ocorrência de PCR no período de tempo e revisão das fichas de eventos adversos para identificar os fatores associados. RESULTADOS: Entre 1/1/2002 e 31/12/2006 foram observadas 14 PCR em cerca de 60 mil procedimentos cirúrgicos realizados sob anestesia. Ocorreram 8 eventos em procedimentos eletivos e 6 eventos em procedimentos de urgência ou emergência. Entre os pacientes de procedimentos eletivos foram classificados:

3 pacientes ASA II e 2 pacientes ASA 3. Em apenas 1 paciente foi realizada técnica combinada de anestesia geral+regional e em todos os demais foi realizada anestesia geral. Dois dos pacientes tinham origem ambulatorial enquanto os demais estavam internados no HCPA (1 na Emergência, 5 na internação e 6 na CTI). Apenas 2 fichas apresentavam eventos que podem ter contribuído para a PCR. Hipotensão e bradicardia em uma delas e dessaturação na outra. CONCLUSÃO: Deve ser realizada uma revisão dos prontuários e fichas anestésicas, além

32ª SEMANA CIENTÍFICA DO HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE

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de entrevistas com os profissionais envolvidos nos casos a fim de identificar fatores que possam ter contribuído para estas complicações.

AVALIAÇÃO DAS HABILIDADES PRÁTICAS DESENVOLVIDAS NO ESTÁGIO DE ANESTESIOLOGIA Aline Jade Costa Mendonça, Greice Spindler Chaves, André Schwertner, Elaine Aparecida Felix

INTRODUÇÃO: O IAMPOR integra o currículo obrigatório da FAMED/UFRGS desde dezembro de 2008. A partir do primeiro semestre de 2009, o aproveitamento dos alunos passou a ser mensurado através de fichas de avaliação, em que o aluno registra o número de atividades desenvolvidas. OBJETIVO: monitorar as habilidades praticadas pelos alunos nestes 3 anos e meio do IAMPOR. MATERIAIS E MÉTODOS: foram analisadas as fichas de registro das habilidades praticadas pelos alunos no período de 04/09 a 03/12. RESULTADOS: Foram analisadas 398 fichas de avaliação. A média de procedimentos realizados por aluno foi de 79, 91, 99, 114, 102, 147 e 144 nos semestres de 2009/1, 2009/2, 2010/1, 2010/2, 2011/1, 2011/2 e 2012/1 respectivamente. Houve diferença média de 45,0 (IC 95% 10,1 a 79,8; p=0,02) procedimentos realizados a mais por aluno no semestre 2012/1 em relação a 2010/1 e 41,5 (IC 95% -4,1 a 87,3; p=120) em relação ao semestre 2011/1. Houve diferença média foi de 11,9 (IC 95% -0,4 a 24,3; p=0,06) procedimentos realizados a mais pelos alunos que cursaram o estágio no primeiro semestre do ano em relação que cursaram no segundo semestre. CONCLUSÃO: Há uma nítida tendência a aumento progressivo da média de procedimentos realizados por aluno durante o estágio no SAMPE, o que se deve, possivelmente, aos constantes ajustes que vem sendo realizados para o melhor aproveitamento do estágio e à melhora gradual de sua organização. Nota-se ainda uma tendência a que alunos que cursem o estágio durante o segundo semestre do ano, tenham mais oportunidades para realizar procedimentos, o que provavelmente decorra da entrada de novos residentes ao início de cada ano. É de fundamental importância monitorar o desempenho e aproveitamento dos alunos, em uma tentativa de constante aperfeiçoamento do estágio.

PANORAMA EVOLUTIVO DOS CANCELAMENTOS NAS UNIDADES CIRÚRGICAS DO HCPA

Gilmara Rodrigues de Souza, Ronaldo David da Costa, Gustavo Jose Somm, Monica Moraes Ferreira, Helena Maria Arenson Pandikow

Introdução: O nível de suspensões de cirurgias por falta de condições clínicas dos pacientes, periodicamente conferido no SAMPE, estima o alcance das medidas adotadas no pré-operatório para facilitar o ingresso dos pacientes aos procedimentos. Objetivos: Verificar se assistência oferecida no ambulatório APA (avaliação pré- anestésica) na Zona-13 promoveu algum impacto sobre o nível de suspensão de cirurgias por falta de preparo clínico dos pacientes. Método: Levantamento de dados do Sistema de Informações Gerenciais (IG) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre da movimentação cirúrgica de 2009 a 2011 no CCA e UBC. Resultados e Conclusões: Os resultados demonstram que, ao longo deste triênio, o índice de suspensões de cirurgias, por condições clinicas e, ou, decorrentes de APA inapropriadas, sofreu no CCA um decréscimo da ordem de 26 para 5%. Na UBC, a média de 19% no período permaneceu inalterada. Com base nesses resultados é possível inferir que o encaminhamento do fluxograma/ recomendações da APA aos novos residentes da cirurgia / áreas de procedimentos diagnósticos e terapêuticos sob anestesia, no início de cada ano acadêmico desde 2009, produziu impacto positivo sobre as suspensões no CCA. No que refere a UBC, e respaldados na crescente necessidade de reconsultas da APA- que produz represamento das marcações no sistema interconsultas- cabe reforçar a premência das equipes priorizarem o encaminhamento prévio dos pacientes não compensados para os ambulatórios da Medicina Interna.

ANÁLISE DOS EVENTOS ADVERSOS EM PROCEDIMENTOS ANESTÉSICOS NO SAMPE-HCPA

Henrique Giacomolli Dartora, Rafael Roberge Sens, Paulo Correa da Silva Neto, Valquíria Schroder, Carolina Quintana de Quadros Brenner, Elaine Aparecida Felix

Notificação de incidentes é um conceito familiar nas áreas de atuação humana que lidam com risco – exemplo, na indústria, a aviação e na medicina, a anestesiologia. Tem por meta reconhecer os fatores de riscos, as áreas suscetíveis à ocorrência do evento e buscar sua prevenção. Objetivos: Levantar a ocorrência de eventos adversos (E.A.) perioperatórios no Serviço de Anestesiologia e Medicina Perioperatória do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (SAMPE). Métodos: O SAMPE mantém um banco de dados (B.D.) continuamente alimentado com informações das fichas de anestesia - dados de identificação do paciente, do procedimento anestésico e do procedimento cirúrgico, além do relato de eventos adversos. A digitalização destas informações é laboriosa, por isso o B.D. encontra-se atualizado até o ano de 2008. Realizamos uma revisão do banco de dados no período de 2002 a 2008 e levantamos os eventos adversos encontrados. Resultados: Encontramos 60.967 relatos de eventos adversos, divididos em 183 tipos diferentes de eventos (ex. hipotensão, bradicardia, vômitos, anafilaxia etc). Hipotensão arterial foi o mais frequente - 5.680 registros (9,3%), seguido de bradicardia - 452 registros (0,7%), falha de bloqueio em neuroeixo - 416 registros (0,6%) e broncoespasmo - 320 registros (0,5%).

Existiram 22 óbitos (0,04%), 13 paradas cardiorrespiratórias (0,02%) e 6 anafilaxias (0,01%) neste período.

Conclusão: Embora a taxa de E.A. seja baixa, a sua é importante para criar estratégias de gerenciamento de riscos, visando sempre a segurança do procedimento perioperatório e do paciente. Mas para tanto, é preciso formar a cultura de notificação e descrição adequada dos eventos adversos, pois a subnotificação pode mascarar os dados e dificultar o reconhecimento de potenciais ameaças à segurança.

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BDNF COMO UM MODIFICADOR DE EFEITO NA INFLUÊNCIA DO GÊNERO NOS LIMIARES DE DOR EM VOLUNTÁRIOS SAUDÁVEIS

Bruna Regis Razzolini, Luciana Paula Cadore Stefani, Iraci Lucena da Silva Torres, Izabel Cristina Custódio de Souza, Joanna Ripoll Rozisky, Alícia Deitos, André de Oliveira Marques, Wolnei Caumo

INTRODUÇÃO: O BDNF (Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro) influencia a atividade sináptica a curto e longo prazo, regulando a atividade neural e a plasticidade relacionada a vias nociceptivas. Em ratas o BDNF está relacionado com aumento da dor, porém em ratos machos o efeito oposto é observado. Apesar de existirem estas evidências em animais, não se sabe se essa associação ocorre em humanos. OBJETIVOS: Avaliar se existem diferenças entre o gênero nos limiares de dor à pressão e ao estímulo térmico em humanos e determinar se essas diferenças podem ser explicadas pelos níveis de BDNF. MATERIAIS E MÉTODOS: Foram aferidos em 49 voluntários saudáveis (27 mulheres) os limiares de dor à pressão, com um algômetro de pressão, e ao estímulo térmico, através de um aparato baseado no princípio Peltier conectado a um software. O nível plasmático de BDNF, variável independente, foi coletado previamente as aferições. Comitê de ética do HCPA nº 07483.

RESULTADOS E CONCLUSÕES: O modelo de regressão linear multivariável (para limiares de dor à pressão e ao estímulo térmico) detectou um efeito significativo do gênero (p=.001 para ambos modelos), dos níveis séricos de BDNF (p<.004 para ambos) e da interação entre BDNF e gênero (<.001 para ambos). Quando ajustado para os níveis séricos de BDNF e idade, os limiares de dor à pressão e ao estímulo térmico foram significativamente menores nas mulheres quando comparados aos homens (p<.001 para ambos). Esses efeitos não foram observados quando o gênero foi avaliado isoladamente. Esses achados sugerem que o BDNF tem efeito facilitatório nos limiares de dor nas mulheres, mas tem o efeito oposto nos homens, sustentando a ideia de que o BDNF é um modificador de efeito na influência do gênero nos limiares de dor em voluntários saudáveis.

PERFIL DOS ÓBITOS TRANSOPERATÓRIOS DE PACIENTES SUBMETIDOS À ANESTESIA NO HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE (HCPA) NO PERÍODO DE 2002 A 2008

Paulo Corrêa da Silva Neto, Rafael Roberge Sens, Henrique Giacomolli Dartora, Valquíria Schroder, Carolina Quintana de Quadros Brenner, Elaine Aparecida Felix

INTRODUÇÃO: A incidência de óbitos perioperatórios diminuiu nas últimas décadas. Estudos brasileiros mostraram uma incidência de aproximadamente 20 óbitos para cada dez mil anestesias. Uma avaliação detalhada das complicações perioperatórias que culminam com o óbito dos pacientes é muito importante para o entendimento e melhoria na qualidade da assistência médica. OBJETIVOS: Descrever as características dos pacientes que evoluíram para óbito no período transoperatório entre os anos de 2002 e 2008 no HCPA. MATERIAIS E MÉTODOS: Foram revisadas as características dos pacientes através do banco de dados do Serviço de Anestesia do HCPA. RESULTADOS: No período, ocorreram 24 óbitos transoperatórios em um total de aproximadamente 60 mil anestesias. A mediana de idade dos pacientes foi 65 anos. Destes pacientes, oito (33%) realizaram cirurgia para correção de ruptura de aneurisma de aorta ou reintervenção deste procedimento. Em 70% dos casos, as cirurgias ocorreram em situação de emergência/urgência; já as cirurgias eletivas foram todas de grande porte em pacientes ASA III e IV. A maioria dos pacientes (75%) estava internada na CTI ou Emergência. Os pacientes foram classificados como ASA IV, IVE, V ou VE em 75% dos casos. Anestesia geral foi realizada em 79,16% dos casos. Dois pacientes apresentaram parada cardíaca antes da indução anestésica. CONCLUSÃO: Os dados mostram que os óbitos ocorreram majoritariamente em pacientes idosos, com condições clínicas graves, sendo submetidos à cirurgia de urgência/emergência e que necessitavam de cuidados intensivos previamente ao procedimento cirúrgico. A partir destes dados serão avaliados detalhadamente os prontuários dos pacientes menos graves, com o objetivo de identificar os fatores envolvidos no óbito transoperatório dos mesmos.

ASSOCIAÇÃO ENTRE PENSAMENTO CATASTRÓFICO, FATOR DE NECROSE TUMORAL E CORTISOL EM MULHERES COM CEFALEIA TENSIONAL CRÔNICA

Mônica Chassot, Francislea Cristina Sehn, Alícia Deitos, Izabel Cristina Custódio de Souza, Iraci Lucena da Silva Torres, Wolnei Caumo

Introdução: Cefaléia tensional crônica(CTH) caracteriza-se por dores de cabeça diárias ou quase diárias. Pode provocar ansiedade, desamparo, e uma condição cognitiva negativa referida como catastrofização. O pensamento Catastrófico é um estressor que pode afetar a função do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal e a função imunológica. A fim de compreender o papel do cortisol e fator de necrose tumoral(TNF) na catastrofização, investigou-se a relação entre catastrofização, secreção de cortisol, níveis de TNF e impacto da dor de cabeça.

Materiais e Métodos: Foram incluídas 19 mulheres, 18-60 anos, com CTH(segundo International Headache Society). Os instrumentos utilizados foram: Escala Brasileira de Pensamento Catastrófico(BPCS) e Teste de Impacto da Cefaleia Short-Form(HIT-6) e coletas de cortisol salivar e os níveis séricos de TNF. A relação entre o nível de cortisol salivar(obtido em três horários: 08:00, 16:00 e 22:00) e catastrofização foi medida através da análise de variância de medidas repetidas(ANOVA), com os grupos de catastrofização estratificados em níveis altos e baixos(alto=Q75>42 ou baixo=Q75<42). Resultados: Níveis elevados de catastrofização achataram a secreção de cortisol as 08:00(p<0,05). O modelo de regressão linear(B-PCS) revelou um efeito significativo do aumento dos níveis séricos de TNF, maior escore no HIT-6 e idades mais altas(p<0,05). O uso de antidepressivos foi associado com uma redução de 21% na pontuação da B-PCS. Conclusão: Nossos resultados destacam que catastrofização está correlacionada com impacto da CTH, menor oscilação circadiana do cortisol

32ª SEMANA CIENTÍFICA DO HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE

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salivar e níveis séricos mais altos de TNF. Estes dados sugerem que o comportamento catastrófico pode ter um substrato biológico, indicativo de associação com stress crônico e resposta inflamatória.

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