CORRELAÇÃO MOLECULAR DA FIBROSE INTERSTICIAL E ATROFIA TUBULAR DE ALOENXERTOS RENAIS Aline de Lima Nogare, Tiago Dalpiaz, Francisco José Verissimo Veronese, Luiz Felipe Santos Gonçalves, Roberto Ceratti Manfro
Introdução. A fibrose do enxerto renal é fator importantemente relacionado à perda crônica da função. A avaliação de genes relacionados a fibrose pode levar a descoberta de biomarcadores não invasivos e aumentar a sensibilidade do exame anátomo-patológico. Objetivo. Avaliar a expressão molecular de genes relacionados à fibrose de transplantes renais. Pacientes e métodos. RNA foi extraído de 121 biópsias de enxertos renais e foram classificadas em quatro grupos: (1) necrose tubular aguda (NTA; n=20), rejeição aguda (RA; n=58), (3) nefrotoxicidade por inibidor da calcineurina (NIC; n=13) e (4) fibrose intersticial e atrofia tubular (IF/TA; n=30).
O mRNA dos genes CTGF (connective tissue growth factor), TGF-β (transforming growth facto–beta) e KIM-1 (kidney injury molecule -1) foram amplificados e quantificados utilizando-se a técnica de reação em cadeia da polimerase em tempo real (RT-PCR). Os dados são apresentados em medianas e percentis 25 e 75. As análises estatísticas foram feitas utilizando-se os testes de Fisher, Tukey e Kruskal Wallis. O nível de significância foi estabelecido em P<0,05. Resultados e conclusões. Curvas ROC foram geradas para estabelecer os parâmetros diagnósticos de IF/TA. Os valores da área sob a curva foram 0,780 (TGF-β), 0,767 (CTGF) e 0,695 (KIM-1). Os níveis dos transcritos de mRNA de TGF-β e CTGF foram significativamente maiores nas amostras com IF/TA.
mRNA do gene KIM-1 mostrou maior expressão em IF/TA do que em NIC. Foi observado que a expressão de CTGF, TGF-β e KIM-1 aumentam com a intensidade da fibrose. As principais implicações destas descobertas são que as análises moleculares podem ser utilizadas para melhorar o diagnóstico anátomo-patológico e talvez para o desenvolvimento de biomarcadores não invasivos de IF/TA.
COMPARAÇÃO DE DIFERENTES EQUAÇÕES DE PREDIÇÃO PARA CAPACIDADE FUNCIONAL DE PACIENTES COM INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA EM HEMODIÁLISE
Carolina Gassen Fritsch, Karina Segatto, Gabriela Alves Pereira, Thiago Dipp, Cristiane Mecca Giacomazzi, Janice Luisa Lukrafka, Rodrigo Della Mea Plentz, Maria Cristina dos Santos Baumgarten, Vanessa Giendruczak da Silva Introdução: Pacientes com doença renal crônica (DRC) em hemodiálise (HD) apresentam miopatias musculoesqueléticas com consequências na capacidade funcional. Valores de referência são importantes para caracterização da presença de diversas doenças e para classificação da sua gravidade. A distância percorrida no Teste de Caminhada de Seis minutos reflete adequadamente a capacidade física dos pacientes para executar tarefas rotineiras. Objetivo: Verificar a capacidade funcional de pacientes com DRC em hemodiálise e compará-los com diferentes equações de predição. Materiais e Métodos: Estudo transversal realizado com 57 pacientes com 54±15 anos de idade com DRC em HD há 57 (6-60) meses. Os pacientes realizaram o Teste de Caminhada de Seis Minutos (TC6) e a distância percorrida foi comparada com as equações de predição para população brasileira propostas por Iwama et. al. (2009) e Soares et. al. (2011). Foi utilizado teste t de Student para comparação das médias e adotado p<0,05. Resultados c Conclusões: Houve diferença significativa da distância percorrida no TC6 pelos pacientes em relação aos valores preditos pelas equações propostas por Iwama et. al. (2009) (390±100 vs 566,9±34,9 m; p<0,01) e por Soares et al. 2011 (390±100 vs 565,5±59,6 m; p<0,01). Não houve diferenças entre os valores preditos pelas diferentes equações (p>0,05). Os resultados demonstram a redução na capacidade funcional desses pacientes sem diferença entre a utilização das equações de predição para população brasileira.
FARMACOCINÉTICA DO MEROPENEM INFUNDIDO POR 3 HORAS EM PACIENTES EM TERAPIA DE SUBSTITUIÇÃO RENAL CONTÍNUA
Fabiane Leusin, Fernando Saldanha Thome, Daiandy da Silva, Carmen Pilla, Cassia Maria Frediani Morsch, Antonio Balbinotto, Vanelise Zortea
Introdução: Terapia de substituição renal contínua (TRSC) é muito utilizado em pacientes criticamente enfermos com lesão renal aguda (IRA). Meropenem é um carbapenemico usado em doentes em estado crítico. Nosso objetivo foi avaliar a farmacocinética de meropenem infundido em 3 horas em pacientes submetidos a TSRC devido à IRA. Métodos: Após aplicar TCLE, coletamos amostras plasmáticas e efluente de 5 pacientes em TRSC, recolhidas em momentos 0, 30 minutos 1, 2, 4, 6 e 8 horas após o início da infusão de 3 horas, pelo menos, 24 horas após o início do uso do meropenem, as quantificações do meropenem foram feitas através de cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC). Resultados: Foram avaliados 5 indivíduos, idade média de 53,0 ± 19,7, peso de 62,1 ± 10,6 kg. Os parâmetros farmacocinéticos apresentados na medianas (intervalo): As concentrações plasmáticas: 34.86mg/L (10,08-139,27); meia-vida (t ½) 1,8 h (1,4-3,0), volume de distribuição(Vd) 8,29L (5,8- 15,3), depuração total (CLT) 3,98 L/h (2,51-4,35); Cmax (concentração plasmática máxima) 48,5 mg/L (37,0-
Rev HCPA 2012; 32 (Supl.) 166
105,8); Cmin (concentração plasmática mínima) 20,1 mg/L (14,0-16,6); constante de eliminação(Kel) 0,38 h-1 (0,34-0,43); área sob a curva de concentração versus tempo (AUC 0-8h) 251,1 mg/Lh (229,7-398,4); AUC(∞) 275,1 mg/Lh (263,8-453,6). As amostras de plasma tiveram um MIC acima de 8mg/L. No efluente, a concentração máxima variou de 24,35 a 74,81 mg/L e a depuração da terapia variou de 8,46 a 18,33 ml/min.Conclusões: A eliminação de meropenem através TSRC é semelhante à de um rim normal, em infusão de 3 horas a cada 8 horas. Os níveis plasmáticos foram sempre acima dos MICs necessário e sem acúmulo da droga.
Podemos concluir que não havia necessidade de ajustamento da dose de meropenem com a dose TSRC prescrito.
ASSOCIAÇÃO ENTRE C4d, ANTICORPOS ANTI-HLA DOADOR ESPECÍFICOS E CÉLULAS B EM ENXERTOS RENAIS COM REJEIÇÃO
Francisco José Verissimo Veronese, Virna Nowotny Carpio, Luiz Fernando Job Jobim, Beatriz Chamun Gil, Adriane Stefani Silva Kulzer, Melina Silva de Loreto, Luiz Felipe Santos Gonçalves, Roberto Ceratti Manfro
Introdução: Neste estudo avaliamos a correlação entre C4d, DSA e células B em enxertos com disfunção e sua associação com aspectos morfológicos, função e sobrevida do rim transplantado (Tx). Material e Métodos: A marcação para C4d, células B CD20+ e plasmócitos CD138+ foi realizada por imunoperoxidase em biópsias (bxs) por indicação de 110 receptores de transplante renal. Positividade para CD20 e CD138 foi definida por curva ROC (≥5 céls./mm2); foi determinada a presença de anticorpos anti-HLA do doador (DAS) classe I e classe II. Estes marcadores foram correlacionados com dados clínicos e do transplante, histopatologia de Banff e a evolução do Tx. Resultados: Depósitos de C4d e DSA circulantes foram detectados em 100% e 70% dos pacientes com rejeição mediada por anticorpos (RMA) respectivamente, e nos casos de rejeição aguda celular (RAC) em 42%
(p<0,001, vs. RMA) e 28% (p=0,003, vs. RMA). Estes dois marcadores correlacionaram-se positivamente (r=0,31, p=0,016). Houve correlação significativa entre DSA e plasmócitos CD138+ (r=0.32 p=0,006). As células CD138+ predominaram na RMA, associadas com maior painel pré-transplante e DSA, mas não a C4d, e as células CD20+ predominaram na RAC e nas bxs com fibrose intersticial/atrofia tubular, associadas a maior incompatibilidade HLA e retransplantes. Casos com C4d+ tiveram pior função e sobrevida do Tx em três anos de transplante, e aqueles com DSA+ uma pior sobrevida do Tx. Positividade para CD20 ou CD138 não foi preditiva da função ou sobrevida do enxerto. Na análise multivariada, somente o C4d foi fator de risco para perda do enxerto.
Conclusões: Esses resultados confirmam o valor prognóstico do C4d e dos DSA para uma pior evolução do Tx, e sugerem uma associação de células B CD20+ com RAC e de plasmócitos CD138+ com RMA.
APRESENTAÇÃO SINDRÔMICA DE GLOMERULOPATIAS: QUAIS AS DIFERENÇAS CLINICAS E DE DESFECHOS?
Francisco José Verissimo Veronese, Laura Cereser Albaneze, Rafael Zancan, Melina Silva de Loreto, Diego André Eifer, Maicon Antonio Carraro, Veronica Verleine Horbe Antunes, Elvino Jose Guardao Barros
Introdução: Neste estudo avaliamos o espectro das manifestações sindrômicas de diferentes GPs. Métodos: Foram estudados 507 pacientes adultos do Ambulatório de Glomerulopatias do HCPA, classificados conforme a síndrome clínica: 1) síndrome nefrótica (SNo), 2) síndrome nefrítica (SNe) incluindo os casos de glomerulonefrite rapidamente progressiva, e 3) alterações urinárias assintomáticas (AUA), definida por hematúria, proteinúria não nefrótica ou ambas. Foram avaliados dados demográficos e clínicos, resposta a tratamento e desfecho clínico em uma mediana de 5 anos de seguimento. Resultados: Foram classificados em SNo 271(40,2%) casos, em SNe 91(13,5%) e em AUA 145(21,5%). Os dados clínicos estão resumidos na tabela abaixo:
S. Nefrótica (n=271)
S. Nefrítica (n=91)
AUA
(n=145) P
Idade (anos) (X±DP) 40±17 35±16 39±14 0,111
Crs inicial (mg/dL) 1,60±1,31 3,40±3,13 1,25±0,78 <0,001
Crs final (n=230) 1,17±1,48 1,50±1,00 1,19±0,55 0,334
IPC inicial (Pu/Cru amostra) IPC final (n=210)
7,7±5,6 0,9±1,3
3,1±4,0 1,1±1,6
2,0±1,9 1,1±1,3
<0,001 0,556 Tipos histológicos prevalentes*
SNo: n=261; SNe: n=82; AUA: n=105
GESF 27%
Memb 21%
Cresc 15%
NL 10%
IgA 15%
GESF 9%
-
Grau de fibrose/atrofia na bx (%) 15±12 30±19 9,5±6 <0,001
*Pacientes com biópsia renal; GESF: glomeruloesclerose segmentar e focal; Memb: Membranosa; Cresc:
GN crescentica; NL: nefrite lúpica
Resposta total ou parcial ao tratamento foi observada em 79% (SNo) e 69% (SNe) dos casos (p=0,088). Os desfechos foram: estar em acompanhamento com FR, necessidade de diálise ou óbito: SNo: 80%/15%/5%; SNe:
55%/32%/13%; AUA: 95%/4%/1% respectivamente (p<0,001). Conclusões: A síndrome clínica mais comum em GPs foi a nefrótica, com GESF e Membranosa como etiologias prevalentes. A SNe apresentou pior prognóstico e as AUA a evolução mais favorável.
32ª SEMANA CIENTÍFICA DO HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE
Rev HCPA 2012; 32 (Supl.) 167
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E HISTOPATOLÓGICAS DE PACIENTES COM GLOMERULONEFRITE E DEPÓSITOS DE C1Q NA IMUNOFLUORESCÊNCIA
Francisco José Verissimo Veronese, Maicon Antonio Carraro, Rafael Zancan, Laura Cereser Albaneze
Introdução: O objetivo deste estudo foi descrever o perfil clínico e histopatológico de pacientes selecionados pela presença de C1q na biópsia renal (bx). Métodos: Foram estudados 36 pacientes adultos do Ambulatório de Glomerulopatias do HCPA com bx mostrando depósitos de C1q. Foram avaliadas características clínicas, diagnóstico histopatológico, imunofluorescência (IF) com full house (IgG, IgM, IgA, C3 e C1q), função renal (creatinina sérica, Crs), resposta a tratamento imunossupressor e desfecho clínico em 3 anos de seguimento.
Resultados: Os tipos histológicos predominantes foram nefrite lúpica (NL): 17(47,2%), seguido de GN membranoproliferativa (MP; 3 casos em associação com HIV e HCV): 5(13,9%) e GN proliferativa mesangial (PMes; 2 casos em associação com HIV e HCV): 5(13,9%). Duas pacientes (5,6%) apresentavam Nefropatia do C1q (NC1q). Os pacientes foram divididos de acordo com o grupo histológico: NL (n=17), NC1q (n=2) ou outras glomerulopatias (GPs) (n=17). Full house foi detectado em 11(65%) casos de NL, 1(50%) de NC1q e 1(6%) de GPs (p=0,039). A Crs na bx (p=0,277) e na última medida (p=0,233) não diferiu entre os grupos, mas a proteinúria inicial (NL:3,4±3,3; NC1q:8,3±3,5; GPs:4,6±3,6; p=0,035) e final (1,1±1,0; 6,4±0,4; 2,5±3,7 respectivamente; p=0,035) foram significativamente maiores no grupo NC1q. Resposta total ou parcial ao tratamento foi obtida respectivamente em 88%, 0% e 70% dos casos de NL, NC1q e GPs (p=0,019); no grupo NL 88% dos pacientes mantem função renal sem diálise (vs. NC1q: 100% e GPs: 76%; p=0,712). Um paciente com NL foi a óbito. Conclusões: Depósitos de C1q na IF de rim predominaram na NL e na GN associada a infecção viral (HIV e HCV). Embora sendo pequena a amostra, nos casos de NC1q houve resistência aos imunossupressores.
EFEITO DO TREINAMENTO MUSCULAR RESPIRATÓRIO E PERIFÉRICO INTRADIALÍTICO NA CAPACIDADE FUNCIONAL DE PACIENTES COM DOENÇA RENAL CRÔNICA TERMINAL
Francisco José Verissimo Veronese, Cíntia Oliveira Pellizzaro, Fernando Saldanha Thome
Introdução: O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito do treinamento muscular respiratório (TMR) e periférico (TMP) intradialítico em pacientes em hemodiálise (HD). Métodos: Ensaio clínico randomizado e controlado que incluiu 39 pacientes em HD do HCPA, divididos em três grupos: treinamento muscular respiratório (TMR, n= 11), periférico (TMP, n=14) e sem treinamento (Controles (C), n=14). Os pacientes foram avaliados por manovacuometria, teste de caminhada de 6 minutos (TC6M), espirometria e pelo QV KDQOL-SFTM 1.3; foram avaliados no período basal e aos 70 dias do treinamento Kt/Vsp, parâmetros bioquímicos e inflamação (PCRus).
Resultados: A média de idade dos 39 pacientes foi 48,3±12 anos. O ∆PImáx e o ∆PEmáx foram significativamente maiores nos grupos TMR (22,5±3,2 e 10,8±6,6 cmH2O) e TMP (9,1±2,9 e 9±3 cmH2O) em relação aos controles (-4,9±2,8 e -15,6±5,9 cmH2O); ∆PImáx: TMR e TMP vs. C, P<0,001 e ∆PEmáx: TMR vs. C, P=0,014 e TMP vs.
C, P=0,09. O ∆ da distância percorrida no TC6M também foi significativamente maior nos grupos TMR e TMP (65,5±9 e 30,8±8 metros) comparado ao C (-0,5±8,1 metros), P<0,001. Apesar das taxas de remoção de uréia, creatinina, fósforo e potássio terem aumentado após os treinamentos, os valores de Kt/V não se modificaram. A PCR reduziu somente nos grupos TMR e TMP. Houve um aumento significativo dos escores de qualidade de vida nos grupos de treinamento, mas não nos controles, nos seguintes domínios: energia/fadiga (P=0,002), sono (P<0,001), dor (P<0,001) e lista de sintomas/problemas (P=0,014). Conclusões: O TMR e TMP melhoraram significativamente a capacidade funcional destes pacientes, mas não tiveram impacto sobre a eficiência da HD.
Não se pode afirmar que a melhora bioquímica e inflamatória tenha relação direta com o treinamento.
DIFERENTES EQUAÇÕES DE PREDIÇÃO PARA FORÇA MUSCULAR RESPIRATÓRIA EM PACIENTES COM INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA EM HEMODIÁLISE
Gabriela Alves Pereira, Karina Segatto, Carolina Gassen Fritsch, Maria Cristina dos Santos Baumgarten, Cristiane Mecca Giacomazzi, Vanessa Giendruczak da Silva, Thiago Dipp, Janice Luisa Lukrafka, Rodrigo Della Mea Plentz Introdução: A Insuficiência renal crônica associada ao tratamento hemodialítico pode levar a repercussões no sistema respiratório, interferindo no estímulo respiratório, na mecânica pulmonar, na função muscular e na troca gasosa. Devido à importância de mensurar as pressões respiratórias máximas, vários estudos foram feitos a fim de formular equações com valores de predição. Objetivos: Avaliar a força muscular inspiratória e expiratória em indivíduos com insuficiência renal crônica (IRC) em hemodiálise (HD) e comparar às equações de predição.
Materiais e Métodos: Estudo transversal com pacientes com IRC em HD há no mínimo 3 meses. Para avaliar a força muscular inspiratória e expiratória foi mensurada a pressão inspiratória máxima (PImáx) e a pressão expiratória máxima (PEmáx). Para análise dos resultados foram considerados os valores absolutos e comparados às equações propostas por Neder et al.(1999) e Costa et al. (2007). Foram comparadas as médias e adotado p<0,05. Resultados e Conclusões: Foram avaliados 59 indivíduos (37 homens) com idade de 51± 15 anos. Houve redução da PImáx atingida em relação aos valores previstos por Neder et al.(1999) (61 [46 – 87] vs 102,7±15,6 cmH2O, p<0,01) e por Costa et al. (2007) (61 [46 – 87] vs 123±56,5 cmH2O; p<0,01). Houve redução da PEmáx atingida em relação aos valores previstos por Neder et al.(1999) (90,5±33,7 vs 108,4±19,8 cmH2O, p<0,05) e por Costa et al. (2007) (90,5±33,7 vs 104,6±20,55 cmH2O; p<0,01). Houve diferença entre os valores previstos por Neder et al.(1999) e por Costa et al. (2007) para a PImáx (p<0,05). Os resultados demonstram o impacto da IRC na força muscular respiratória e a existência de diferentes equações de predição se faz necessária para melhor predizer o status funcional de diferentes populações.
Rev HCPA 2012; 32 (Supl.) 168
AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE FUNCIONAL E FUNÇÃO PULMONAR DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES SUBMETIDOS A TRANSPLANTE RENAL
Juliana de Oliveira Mendes, Karina Schwarz Cerutti, Mariane Borba Monteiro, Janice Luisa Lukrafka
Introdução: Pacientes pediátricos submetidos à transplante renal podem apresentar alterações na função pulmonar bem como na capacidade funcional para o exercício. Objetivo: Avaliar a capacidade funcional e função pulmonar de crianças e adolescentes submetidas a transplante renal. Métodos: Foram avaliadas crianças e adolescentes com idade entre seis e 18 anos em acompanhamento no ambulatório de Nefrologia do Hospital da Criança Santo Antônio do Complexo Hospitalar da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre-RS. A capacidade pulmonar foi avaliada através da espirometria e das pressões respiratórias máximas (manovacuometria) e a capacidade funcional através do Teste da Caminhada dos 6 minutos (TC6). Resultados: A amostra foi composta por 25 pacientes, sendo 14(56%) do sexo masculino com média de idade de 13,5±3,3 anos. Destes, 19 (76%) realizaram hemodiálise anterior ao transplante. A média da Capacidade Vital Forçada (CVF) foi 97,91+24,32% e o Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1) foi 100,53+17,66% do valor predito. No TC6, os pacientes caminharam 229,14 metros a menos do que o predito (p<0,001). A Pressão Inspiratória Máxima (Pimax) foi significativamente menor que o predito, com uma diferença de -24,63cmH2O (p = 0,03), assim como a Pressão Expiratória Máxima (Pemax), com uma diferença de 49,27 cmH2O (p<0,001). Ao correlacionarmos, capacidade funcional, espirometria e pressões respiratórias máximas, encontramos associação entre CVF e TC6 (r=0,52, p=0,01) e CVF e Pimax (r=0,54 e p=0,01). Conclusão: Os pacientes apresentam diminuição da capacidade funcional bem como das pressões respiratórias máximas após o transplante renal. Quanto melhor a capacidade funcional e PImax, melhor a CVF.
FORÇA DE PREENSÃO MANUAL EM PACIENTES COM INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA EM HEMODIÁLISE Karina Segatto, Carolina Gassen Fritsch, Gabriela Alves Pereira, Maria Cristina dos Santos Baumgarten, Vanessa Giendruczak da Silva, Thiago Dipp, Cristiane Mecca Giacomazzi, Janice Luisa Lukrafka, Rodrigo Della Mea Plentz INTRODUÇÃO: Pacientes com insuficiência renal crônica (IRC) em hemodiálise (HD) apresentam em decorrência da síndrome urêmica, depleção proteica, perda de massa muscular podendo influenciar na capacidade de realização de exercício. Avaliações de diferentes grupamentos musculares são importantes para caracterização do status funcional desses pacientes. OBJETIVOS: Avaliar a força de preensão manual em pacientes com DRC em HD.
MATERIAIS E MÉTODOS: Estudo transversal realizado com indivíduos com DRC em HD m tratamento dialítico há no mínimo três meses, maiores de 18 anos e sem alterações hemodinâmicas limitantes. A avaliação da força de preensão manual foi realizada pela dinamometria de ambos os membros superiores. Foi utilizado o teste t de Student para comparação das médias e adotado p<0,05. RESULTADOS E CONCLUSÕES: Amostra foi composta por 59 indivíduos, sendo 60% do sexo masculino e com média de idade de 52±16 anos. 91,2% dos indivíduos tinham o lado direito como dominante e 60% tinham a fistula arteriovenosa (FAV) no lado esquerdo. A média de força atingida no membro superior direito foi de 25,9±9,4Kg e no membro superior esquerdo foi de 24,2±8,01Kg.
Houve redução dos valores atingidos em relação aos valores previstos para o membro superior direito (69,5±8,1 Kg, p<0,001) e para o membro superior esquerdo (65,1±8 Kg, p<0,001). A doença renal crônica apresenta consequências sobre a capacidade física dos pacientes com comprometimento do sistema musculoesquelético.
ANALYSIS OF FOXP3 GENE AND PROTEIN EXPRESSIONS IN RENAL ALLOGRAFT BIOPSIES AND THEIR ASSOCIATION WITH GRAFT OUTCOMES
Melina Silva de Loreto, Claus Dieter Dummer, Virna Nowotny Carpio, Gabriel Joelsons, Roberto Ceratti Manfro, Luiz Felipe Santos Gonçalves, Francisco José Verissimo Veronese
Background. The transcription factor FOXP3 is increased in acute rejection in renal transplant recipients, but its influence on graft outcomes and its relation to dendritic cells (DCs) is not yet clear. The aim of this study was to correlate FOXP3 expression with graft outcomes and with DCs in renal graft biopsies. Methods. We assessed 96 kidney transplant recipients undergoing allograft biopsy for cause. FOXP3 mRNA was analyzed by real-time PCR, and FOXP3 protein and DCsCD83+ by immunohistochemistry. The magnitude of FOXP3 expression was established by the receiver operating characteristics curve. Graft function and survival were assessed at 5 years post- transplantation, as well as independent predictors of graft loss. Results. Intra-graft FOXP3 gene and protein expression were significantly correlated (r=0.541, p<0.001). Both FOXP3 mRNA and protein were increased in patients with acute rejection (AR). FOXP3-RNAm high (≥ 2.36 log10RNAm ) or FOXP3-protein high (≥ 2.5 FOXP3 + cells/mm2) did not correlate with clinical variables, but patients with FOXP3-RNAm high tended to have higher glomerular filtration rates (GFR) from biopsy to last GFR. Patients with FOXP3-RNAm high had more CD83+ DCs on biopsy, but these cells did not associate to AR. Five-year graft survival was not influenced by either FOXP3 mRNA or protein expressions. Conclusions. FOXP3 mRNA and protein presented a good correlation in archival tissue of renal graft biopsies. Increased FOXP3 expression was found in AR biopsies, and those showing FOXP3- RNAm high had more DCs. In this cohort, FOXP3 expression was not associated with better renal graft outcomes.
32ª SEMANA CIENTÍFICA DO HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE
Rev HCPA 2012; 32 (Supl.) 169
CORE SET DA CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, INCAPACIDADE E SAÚDE PARA DOENTES RENAIS CRÔNICOS EM HEMODIÁLISE
Suzana Mallmann, Gabriela Leivas Baldissera, Cristiane Mecca Giacomazzi, Rodrigo Della Mea Plentz
Introdução: A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) traz uma ampla visão sobre a funcionalidade, incapacidade e saúde, tendo como premissa a teoria do modelo biopsicossocial. Porém, é pouco prática na clínica, assim, um conjunto de categorias é proposta para doenças crônicas (Core Set).Objetivo: Classificar doentes renais crônicos em hemodiálise segundo a Core Set da CIF.Materiais e métodos: Estudo transversal, com entrevista semi-estruturada por 2 pesquisadores independentes, com pergunta aberta ao final. Foram avaliados seis pacientes com doença renal crônica em tratamento hemodialítico no complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre (CEP nº 3628/11), com amostra intencional. Incluímos pacientes com idade > há 18 anos, em hemodiálise duastrês vezes/semana no mínimo há três meses, sendo excluídos pacientes sem cognição para responder ao questionário.Resultados: Seis pacientes, sendo 3 do sexo masculino, com média de idade de 50±0,5 anos participaram. Quanto às “Funções do corpo”, os indivíduos foram classificados como grave dificuldade em realizar atividades relacionadas com a capacidade respiratória e cardiovascular necessárias para a tolerância a esforços físicos (b455.3). Em “Estruturas do corpo”, os membros superiores apresentaram deficiência moderada (s73.2) e a estrutura dos membros inferiores apresentou deficiência grave (s75.3). Em “Atividade e Participação”, os indivíduos têm dificuldade completa (d4302.4) em levantar e transportar objetos com os membros superiores e também dificuldade grave em subir/descer (d4551.3) e andar distâncias longas (d4501.3). Na pergunta aberta houve dificuldade grave em viajar (d920.3).
Conclusão: Doentes renais têm características próprias, sendo identificadas pelo Core Set da CIF.