Para haver o dever de indenizar, devem estar presentes os requisitos essenciais, quais sejam, a ação ou omissão voluntária, a relação de causalidade ou nexo causal, o dano e, finalmente, a culpa.
Quanto ao elemento específico da culpa, Venosa [2003, p.
13] destaca que:
A tendência jurisprudencial cada vez mais marcante de alargar seu conceito. Surge, daí, a noção de culpa presumida. Esse fundamento fez surgir a teoria da Responsabilidade Objetiva, [...]
que desconsidera a culpabilidade. [...] da teoria da culpabilidade levou a criação da teoria do risco, que sustenta ser o sujeito
responsável por riscos ou perigos na atuação que promove, ainda que coloque toda diligência para evitar o dano.
A teoria do risco é a da Responsabilidade Objetiva. Segundo Rodrigues [2001, p. 11], por essa teoria, aquele que, através de sua atividade, cria um risco de dano para terceiros, deve ser obrigado a repará-lo, ainda que sua atividade e o seu comportamento sejam isentos de culpa.
Assim também leciona Gomes [2001, p. 39]: A Responsabilidade Civil objetiva baseia-se fundamentalmente no risco que uma atividade oferece a coletividade e nos danos que dessa atividade possam provir.
Nesse sentido, cita-se o parágrafo único do artigo 927 do Código Civil, o qual dispõe:
Art. 927. [...]
Parágrafo único: Haverá a responsabilidade de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, riscos para o direito de outrem.
A partir do dispositivo acima descrito, Venosa [2003, p. 14]
leciona que, o magistrado poderá definir como objetiva, ou seja, independente de culpa, a Responsabilidade do causador do dano no caso concreto.
Nesse mesmo sentido, prescreve Rodrigues [2001, p. 11]:
Na responsabilidade objetiva a atitude culposa ou dolosa do agente causador do dano é de menor relevância, pois, desde que exista relação de causalidade entre o dano experimentado pela vítima e o ato do agente, surge o dever de indenizar, quer tenha este último agido ou não culposamente.
Na Responsabilidade Objetiva, Diniz [2006, p. 131] proclama que: É irrelevante a conduta culposa ou dolosa do causador do dano, uma vez que bastará a existência do nexo causal entre o prejuízo sofrido pela vítima e a ação do agente para que surja o dever de indenizar.
Nesse sentido, extrai-se do Tribunal de Justiça de Santa Catarina:
ACIDENTE DE TRÂNSITO - INDENIZAÇÃO - DANOS MATERIAIS - BURACO EM RODOVIA ESTADUAL - DEINFRA - RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA - TEORIA DO RISCO ADMINISTRATIVO - INTELIGÊNCIA DO ART. 37, § 6º, CRFB - CULPA EXCLUSIVA DO MOTORISTA - NÃO COMPROVADA - SENTENÇA MANTIDA - APELAÇÃO CÍVEL IMPROVIDA. De acordo com o artigo 37, § 6º, da Constituição Federal, o Brasil adotou a teoria do risco administrativo quanto à responsabilidade civil do Estado, sendo esta objetiva. Ou seja, o ente público deve indenizar os danos causados a terceiros, independentemente de demonstração da culpa, diante da comprovação do nexo de causalidade entre o fato e o dano. E ainda, salienta-se que a responsabilidade do ente público somente é afastada na hipótese de o evento lesivo ter sido provocado por culpa da própria vítima ou de terceiro, ou então em virtude de caso fortuito ou força maior.
(Apelação cível nº. 2006.027924-9 de Otacílio Costa. Des.
Relator: Sérgio Roberto Baasch Luz. Data da Decisão:
29/03/2007).
Desta forma, a obrigação de reparação do dano, na Responsabilidade Objetiva, é decorrência da simples existência deste e da relação de causalidade. Conforme Gomes [2001, p. 40] a culpa não atua na formação da Responsabilidade de indenizar [...].
Para configurar a Responsabilidade Objetiva, basta somente que se comprove que de uma ação ou omissão restou um dano, independente se o agente agiu ou não com culpa.
Entretanto, a Responsabilidade Subjetiva, segundo Gagliano [2006, p. 13], é a decorrente de dano causado em função de ato doloso ou culposo.
Nessa linha de raciocínio, Diniz [2006, p. 131] entende que a prova da culpa do agente será necessária para que surja o dever de reparar.
Assim também entende Gomes [2001, p. 25]: O traço caracterizador da Responsabilidade Subjetiva é a culpa, sem ela não há dever de
reparação. Os elementos da Responsabilidade Civil subjetiva são o dano, o nexo de causalidade e a culpa.
Nesse sentido, colhe-se do Tribunal de Justiça de Santa Catarina:
CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL.
INDENIZAÇÃO POR DANO MATERIAL E MORAL. AUSÊNCIA DE PROVA ACERCA DO FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO INVOCADO PELO AUTOR. INCIDÊNCIA DO ART. 333, I, DO CPC. OBRIGAÇÃO DE INDENIZAR INEXISTENTE. O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito, a teor do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil. Para caracterização da responsabilidade civil subjetiva devem coexistir o ato ilícito, o dano, o nexo causal e a culpa. À míngua de quaisquer desses requisitos legais, não medra a pretensão indenizatória. (Apelação Cível nº. 2004.014913-1 da Capital. Des.
Relator: Luiz Carlos Freyesleben. Data da Decisão: 30/06/2005). A culpa é o elemento essencial e caracterizador da Responsabilidade Subjetiva. Para Gomes [2001, p. 34], somente haverá obrigação de ressarcir se o sujeito tiver precedido com culpa.
Entretanto, Rodrigues [2001, p. 11] pondera que: Realmente se diz subjetiva a Responsabilidade quando inspira na idéia de culpa. De modo que a prova da culpa do agente causador do dano é indispensável para que surja a dever de indenizar.
No que concerne ao ônus de prova na Responsabilidade Subjetiva, extrai-se do Tribunal de Justiça de Santa Catarina:
INDENIZATÓRIA. ACIDENTE DE CIRCULAÇÃO. CULPA DO ACIONADO NÃO SUFICIENTEMENTE DEMONSTRADA.
IMPROCEDÊNCIA. SENTENÇA CONFIRMADA. INSURGÊNCIA RECURSAL DESPROVIDA. É do autor da ação o ônus de provar os fatos constitutivos do direito subjetivo que pretende ver resguardado, assumindo ele o risco de ver negada a tutela jurisdicional buscada, acaso não logre comprovar os fatos alegados e que emprestam sustentáculo a esse direito (Apelação
Cível nº. 97.000312-9, de Lages, rel. Des. Trindade dos Santos.
Data decisão: 18/02/1999).
Diante do explanado, em matéria de Responsabilidade Civil subjetiva, tornou-se esclarecido que, é indispensável à comprovação da culpa do agente pela comissão ou omissão que resulte em dano, para que a vítima progrida no seu direito de ser ressarcida.
Entretanto, tanto no Direito Civil quanto em todas as áreas do direito, para toda regra existe uma exceção, e em se tratando de Responsabilidade Civil não é diferente.
Tudo o que até agora foi estudado, restou na certeza de que, todo aquele que causar dano a outrem, fica obrigado a reparar. Eis que surge a exceção a regra, pois teremos danos que foram provocados sem a conduta voluntária do agente. Diante de uma situação dessas, e devidamente comprovada, o agente fica imune de reparar o dano, pois está diante de uma excludente de Responsabilidade, objeto de estudo a seguir.