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Papel do enfermeiro e envolvimento do cliente no processo de tomada de decisão clínica.

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Academic year: 2017

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PAPEL DO ENFERMEI RO E ENVOLVI MENTO DO CLI ENTE

NO PROCESSO DE TOMADA DE DECI SÃO CLÍ NI CA

Diana Cat ar ina Fer r eir a de Cam pos1 João Manuel Gar cia do Nascim ent o Gr av et o2

O pr esent e t r abalho é de r ev isão de lit er at ur a, baseada em ar t igos de inv est igação da ár ea da enfer m agem , abor dan do o t em a: decisão clín ica par t ilh ada. Os obj et iv os est ão dir ecion ados par a o an alisar do papel do enferm eiro e do pacient e no processo de t om ada de decisão em cont ext os da prát ica clínica. Para fundam ent ar essas t em át icas, fez- se revisão de lit erat ura recent e que revelou os seguint es result ados: os pacient es preferem par t ilh ar a t om ada de decisão com os pr of ission ais e os pr of ission ais dev em apoiar e dar in f or m ação aos client es de for m a a diluir as bar r eir as que dificult am o seu env olv im ent o no pr ocesso de decisão. Ficou clar a a necessidade de m ais est udos que evidenciem pr oblem át icas no pr ocesso de decisão em cont ext o clínico, no sent ido de cont r ibuir par a a ev olução dos cuidados.

DESCRI TORES: en fer m agem ; au t on om ia pessoal; in for m ação; t om ada de decisões

THE ROLE OF NURSES AND PATI ENTS’ I NVOLVEMENT

I N THE CLI NI CAL DECI SI ON-MAKI NG PROCESS

Th is paper is a lit er at u r e r ev iew based on ar t icles in t h e n u r sin g f ield abou t sh ar ed clin ical decision . Th e obj ect iv es ar e t o ex am ine t he r ole of nur ses and pat ient s in t he decision- m ak ing pr ocess in t he cont ex t of clin ical pr act ice. To su ppor t t h ese t h em es, a r ev iew of r ecen t lit er at u r e w as con du ct ed w it h t h e f ollow in g r esult s: pat ient s pr efer shar ed decision- m aking w it h pr ofessionals w ho should suppor t and pr ovide infor m at ion t o pat ient s in or der t o ov er com e t he bar r ier s ham per ing pat ient s’ inv olv em ent in decision- m aking. Ther e is a clear need for m or e r esear ch st udies t hat addr ess t he pr oblem s in t he clinical decision- m aking pr ocess so as t o cont r ibut e t o healt hcar e im pr ov em ent .

DESCRI PTORS: nur sing, per sonal aut onom y , infor m at ion, decision m ak ing

PAPEL DEL ENFERMERO Y PARTI CI PACI ÓN DEL CLI ENTE

EN EL PROCESO DE TOMA DE DECI SI ONES CLÍ NI CAS

El present e t rabaj o es de revisión de lit erat ura, est á basado en art ículos de invest igación del área de enferm ería, abordando el t em a: decisión clínica com part ida. Los obj et ivos fueron dirigidos a analizar el papel del enferm ero y del pacient e en el pr oceso de la t om a de decisiones en cont ex t os de la pr áct ica clínica. Par a fundam ent ar esas t em át icas, se h izo u n a r ev isión de la lit er at u r a r ecien t e, la qu e r ev eló los sigu ien t es r esu lt ados: los pacient es pr efier en com par t ir la t om a de decisiones con los pr ofesionales y los pr ofesionales deben apoy ar y dar infor m ación a los client es de for m a a diluir las bar r er as que dificult an su par t icipación en el pr oceso de decisión . Qu edó clar a la n ecesidad de r ealizar m ás est u dios qu e pr esen t en ev iden cias pr oblem át icas en el pr oceso de decisión en el cont ex t o clínico, con la finalidad de cont r ibuir par a la evolución de los cuidados.

DESCRI PTORES: enfer m er ía; aut onom ía per sonal; infor m ación; t om a de decisiones

Escola Superior de Enferm agem de Coim bra, Portugal: 1Aluna do curso de Licenciatura em Enferm agem , e- m ail: dicatarinafcam pos@hotm ail.com . 2Professor

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I NTRODUÇÃO

O

s p r o f i ssi o n a i s d e En f e r m a g e m sã o

confront ados, ao longo da prát ica clínica, com um a série de sit uações diferent es que envolvem doent es com problem as e cuidados de saúde distintos e m uito pr ópr ios. Assim , o pr ocesso de t om ada de decisão clínica é com ponente vital da prática de enferm agem . A decisão clínica é processo que com preende t an t o o d iag n óst ico com o a av aliação clín ica e a d e l i b e r a çã o d a q u i l o q u e v a i se r e x e cu t a d o( 1 ). Co m p l e m e n t a r m e n t e , o p r o ce sso d e t o m a d a d e decisão na prática clínica de enferm agem é entendido co m o u m a sé r i e d e d e ci sõ e s t o m a d a s p e l o s en f er m eir os, em in t er ação com o clien t e: ( a) em r e l a çã o a o t i p o d e o b se r v a çõ e s a se r e m f e i t a s referent es à sua condição, ( b) a avaliação dos dados observados e consequent e derivação de significados ( diagnóstico) e ( c) conj unto de ações de enferm agem que devem ser tom adas com ou em nom e do cliente. Essa d ef in ição d esn u d a as f ases d o Pr ocesso d e Enferm agem , sublinhando a im portância da interação/ part ilha com o client e( 2). É de salient ar que o t erm o decisão clínica t em sido descrit o com o um a escolha ent r e alt er nat iv as, em que o âm ago da quest ão se cent ra na eleição de det erm inado curso de ação( 3).

A cr escen t e au t on om ia, a in f or m ação e o envolvim ent o dos client es est ão no coração de um a polít ica de saúde cent r ada neles m esm os( 4). Desse m odo, a part icipação do doent e t orna- se capit al na efet iva qualidade dos cuidados de Enferm agem .

A q u e st ã o n o r t e a d o r a d o a r t i g o é : q u e contribuições da investigação existem para um a visão su st en t ada sobr e a en f er m agem em pr ocessos de t om ada de decisão part ilhada na prát ica clínica? Os obj et iv os delin eados são os segu in t es: an alisar o p ap el d o en f er m eir o e d o clien t e n o p r ocesso d e t om ada de decisão em cont ext os da prát ica clínica. Est e ar t igo é sust ent ado em pesquisa e r ev isão de lit er at u r a r ecen t e e in t er n acion al. Os au t or es dos est udos de invest igação apresent ados( 4- 6) procuraram r eflet ir sobr e os conhecim ent os na ár ea da decisão clínica, focando, peculiarm ent e, a sua at enção para o papel que os enferm eiros devem assum ir e, ainda, par a o envolvim ent o do client e. Out r a lit er at ur a de r e f e r ê n ci a se r á u sa d a p a r a co n t e x t u a l i za r e fundam ent ar o pr ocesso de par t ilha na t om ada de decisão em cont ext o clínico.

METODOLOGI A

A p esq u i sa f o i ef et u ad a r eco r r en d o - se a d escr it or es em in g lês – d e ci si o n - m a k i n g; sh a r e d

d eci si o n - m a k i n g; a u t o n o my ; p a t i en t; n u r si n g. As

bases de dados usadas par a pesquisa de lit er at ur a foram : PubMed, MEDLI NE, Cum ulated I ndex of Nursing and Allied Healt h Lit er at ur e ( CI NAHL) , Pr oQuest e SciELO.

Os r e su l t a d o s d a p e sq u i sa m o st r a r a m cinquenta artigos originais e de revisão. Esses artigos foram , inicialm ent e, selecionados para det erm inar a sua r elação com o pr ocesso de t om ada de decisão na pr át ica clínica e par t ilha com o client e e, num a fase post erior, se eram produt o de invest igação, de r ev isão sist em át ica de lit er at ur a ou de m et análise. Foram novam ent e revisados com o int uit o de obt er ar t ig os r ecen t es e com os seg u in t es cr it ér ios d e inclusão: art igos de revisão que usassem bibliografia r ecen t e e est u d o s d e i n v est i g a çã o p u b l i ca d o s e devidam ent e referenciados. Const it uiu, ainda, crit ério a p er t en ça a d i f er en t es p op u l ações p ar a q u e se pudesse t er visão global da t em át ica.

Ap ó s a p r e ci a çã o cr ít i ca f o r a m , e n t ã o , sel eci on ad os t r ês ar t i g os( 4 - 6 ) i n t er n aci on ai s e d e r efer ência, que const it uem a base de discussão do t e m a e q u e r e t r a t a m e st u d o s d e i n v e st i g a çã o cient ificam ent e relevant es para t razer cont ribut os à t em át ica. Foram dest acados aspect os relacionados à partilha da tom ada de decisão nos artigos selecionados e realizada int erpret ação de dados, fundam ent ando-se em lit erat ura pert inent e sobre o t em a( 1- 3,7- 19).

A P R ES EN T A ÇÃ O E D I S CU S S Ã O D O S

ACHADOS

Saúde, aut onom ia e decisão clínica part ilhada

A Organização Mundial de Saúde define saúde com o est ado de bem - est ar t ot al: f ísico, m en t al e so ci a l , e n ã o a p e n a s à a u sê n ci a d e d o e n ça o u enferm idade( 7). Há forte tendência para sobrevalorizar a dim ensão física, provavelm ent e, porque é a m ais fácil de avaliar e obj etivar, no entanto, isso pode levar, ir r em ediav elm en t e, à ex clu são da par t icipação do client e nos cuidados( 6).

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n ecessár ias par a a su a ex pr essão: a con dição de liberdade – independência em relação a terceiros – e capacidade do indivíduo agir int encionalm ent e – ou sej a, sem qualquer t ipo de coação. I sso não encerra a ideia de que um a ação autónom a é aquela em que o indivíduo age livre de influências ext ernas, porque a p r óp r ia con d ição d e d oen t e acar r et a lim it es ao exercício pleno da vont ade aut ónom a, m as nem por isso deixa de ser autónom o, j á que continua podendo recusar ou aceit ar dem andas de t erceiros( 8).

O princípio da aut onom ia é aquele que m ais tem colocado desafios aos preceitos éticos da tradição hipocr át ica( 8), j á que, por v ezes, na r elação com o cliente, surgem conflitos im portantes quando ele tenta exprim ir o seu direit o à aut onom ia e o clínico quer fazer v aler a pr át ica do pat er nalism o, baseado no p r i n cíp i o d a b e n e f i cê n ci a . Est á - se n a e r a d a r espon sabilização pelas pr ópr ias escolh as e, com o co n se q u ê n ci a d i r e t a , h á a a p r o x i m a çã o a o consent im ent o infor m ado, ist o é, cada v ez m ais os p a ci e n t e s v ã o a ssu m i n d o r e sp o n sa b i l i d a d e s relacionadas com a sua saúde, em vez de delegá- las aos clínicos( 4). A posição do pacient e est á a m udar para um a posição de client e, com evident e aum ent o do grau de direit os e escolhas pessoais, cuidados de excelência e o direit o à aut odet erm inação( 7).

O p r o ce sso d e d e ci sã o cl ín i ca d e v e se r partilhado entre os profissionais de saúde, os doentes e, pr ov av elm en t e, a su a fam ília. A in v est igação( 4 ) d est aca os d ois ú lt im os, su st en t an d o q u e d ev em receber inform ação, apoio e cuidados especializados de form a a conseguir gerir a situação de doença. Essa ideia é reforçada pelo postulado de que se deve falar em ex er cício de au t on om ia qu an do h á par t ilh a de con h ecim en t os e in f or m ação en t r e as eq u ip as d e saúde e os client es, oferecendo dados im port ant es, em linguagem acessível, para que qualquer decisão possa ser t om ada conscient em ent e( 9).

Com unicação e t om ada de decisão

A com unicação é o processo de t ransm issão de m ensagens e int erpret ação do seu significado. As relações hum anas e a com unicação com os doent es sã o a a l m a e o co r a çã o d o t r a b a l h o e m Enferm agem( 7). Teoricam ent e, um a boa com unicação confere poderes aos out ros e perm it e conhecim ent o m ais aprofundado das pessoas e das suas respectivas escolhas( 7).

Para um a decisão clínica efetiva, a inform ação é fundam ental: ela dá poder de controle ao cliente e é confort ant e, pois o client e sabe o que esperar( 4).

Au t o r e s i n t e r n a ci o n a i s( 4 ) co r r o b o r a m a im port ância de com unicação eficaz, dizendo que, se os profissionais de saúde não derem especial atenção ao m od o com o se com u n icam , p od em lim it ar as escolhas do doent e e a confusão inst ala- se. Quando se fala, por exem plo, a um doente com cancro sobre o t r at am ent o do pr ot ocolo hospit alar, rapidam ent e pode- se ar r epen der, por qu e ele, obv iam en t e, n ão consegue com preender a com plexidade dos conceitos. Face a isso, é cr ucial que os enfer m eir os est ej am d e sp e r t o s e co n si g a m co n t o r n a r e a d a p t a r a linguagem a cada doente, lem brando que a pessoa é part e do processo de decisão clínica( 4).

Tom ar u m a d ecisão clín ica é u m cr it ér io, co m p e t ê n ci a q u e d i st i n g u e u m e n f e r m e i r o relativam ente a outros profissionais não diplom ados( 7). Essa com petência para decidir em contexto de clínica t em sido um at ribut o chave cada vez m ais requerido dos enfer m eir os de hoj e( 7, 10). As decisões sobr e os cuidados podem ser enquadradas, em Enferm agem , em dois cenários ant agónicos: a t om ada de decisão pode est ar cen t r ada n os obj et iv os do en f er m eir o, sendo t om ada por t erceiros, pela e para a pessoa e sua circunst ância ou a decisão é t om ada com e para o clien t e, at r av és da n egociação de est r at égias e est abelecim ent o de result ados em conj unt o( 11).

Essa autora sustenta que se deve fazer um a ci são com os m ét od os d e t r ab al h o r ed u t or es d a d eci sã o d o en f er m ei r o , p o i s el es t êm o r i en t a d o lim itadam ente as suas práticas para o ponto de vista orgânico do utente. Propõe, então, que se deva utilizar um pr ocesso de cuidados que “ ( …) per m it e cr iar e experim entar soluções do âm bito da enferm agem que correspondem às expect at ivas dos beneficiários”( 11).

Papel do enfer m eir o e env olv im ent o do client e na t om ada de decisão

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de saú de é cu r t a e as ex igên cias de cu idados de excelência são cada vez m aiores( 6).

D a d a a p e r t i n ê n ci a d a t e m á t i ca , invest igadores int ernacionais procuraram aprofundar qual o papel do enferm eiro e o envolvim ento do cliente n o p r ocesso d e d ecisão clín ica( 4 - 6 ). Desse m od o, achou- se pert inent e reunir t rês invest igações at uais, de form a a explicitar m elhor a im portância da partilha da t om ada de decisão. Assim , um prim eiro est udo( 4), desenvolvido no Reino Unido, reuniu 35 profissionais de saúde em at ividade clínica ( enferm eiros, m édicos e out ros profissionais de saúde ligados aos cuidados p r im ár ios e secu n d ár ios) . O ob j et iv o p r in cip al d a i n v e st i g a çã o f o i e x p l o r a r a s d i f e r e n t e s v i sõ e s referent es à part icipação dos client es no processo de decisão, descritas por profissionais da área da saúde. Um out ro est udo( 5), realizado em Ont ário ( Canadá) , pr ocu r ou per ceber qu e t ipo de papel pr ef er em os client es assum ir no processo de decisão clínica. Para t al, a am ost r a foi con st it u ída por u m con j u n t o de pessoas que apresent am diversas pat ologias – um as crónicas, outras agudas – e, com o grupo de controle, foram selecionados est udant es de enferm agem . Por últ im o, um out r o aut or( 6) desenv olv eu inv est igação em que ex plor ou o pr ocesso de decisão clínica na área de enferm agem , com especial foco na qualidade d o s d i a g n ó st i co s, p a r t i ci p a çã o d o cl i e n t e e con cor d ân cia en t r e as su as p er cep ções e as d os enferm eiros, no que concerne às necessidades e papel ( do clien t e) pr ef er ido n o pr ocesso decisór io. Essa invest igação cont ou com a part icipação de client es e e n f e r m e i r o s d e v á r i o s h o sp i t a i s d a Su é ci a ( selecionados, aleat oriam ent e, durant e o t em po em qu e o est u do decor r eu – en t r e 1 9 9 9 e 2 0 0 6 ) . Os pr in cipais ach ados das dif er en t es pesqu isas est ão explanados no present e art igo.

Co m o t e m a p a l p i t a n t e d a a t u a l i d a d e , a decisão clínica partilhada tem valor ím par, tanto para os doent es, que se sent em m ais confiant es, com o para os enferm eiros, que veem a sua profissão ser dignificada. Cont udo, é r econhecido que, enquant o alguns pacient es escolhem ent r ar num a polít ica de h ar m on ia en t r e os in t er esses dos pr of ission ais de saúde e os seus pr ópr ios, enquant o pessoa, out r os pr ef er em assegu r ar as r édeas, escolh en do qu al o cur so de ação que quer em seguir e out r os, ainda, opt am por t om ar at it ude m ais passiv a. Ou sej a, o aut or defende que os pacient es foram caract erizados com o passivos nas suas preferências para part icipar em decisões relat ivas a cuidados nos níveis físico e

p sicológ ico( 4 ). Por ém , r ef or ça q u e os en f er m eir os perceberam que os doent es poderiam assum ir papel m ais at iv o, decidindo, por ex em plo, a sua pr ópr ia diet a, coadunada com as indicações t erapêut icas( 4).

De acordo com o autor anterior( 4), há quatro m odelos ant agónicos referent es ao t ipo de int eração ent r e enfer m eir o e client e: um m odelo pat er nalist a em que os profissionais de saúde tom am as decisões p elo d oen t e; u m m od elo in f or m at iv o em q u e os profissionais fornecem inform ação ao client e que lhe p e r m i t a f a ze r a e sco l h a d e se j a d a ; u m m o d e l o i n t e r p r e t a t i v o e m q u e e n f e r m e i r o s e cl i e n t e s interagem para identificar as preferências dos últim os e os profissionais apoiam a t om ada de decisão e um m o d el o d el i b er at i v o q u e est á m u i t o p r ó x i m o d o ant er ior, m as que acr escent a dim ensão m or al que enfatiza a discussão de alternativas entre parceiros( 12). O m odelo deliber at iv o é ex plor ado por um invest igador, corroborando o int ercâm bio bilat eral de inform ações entre o cliente e o profissional de saúde, de form a que as preferências do client e sej am t idas em consideração para se chegar a um acordo sobre a escolha a fazer( 6).

O a u t o r su p r a ci t a d o( 6 ) r e f e r e q u e a p a r t i ci p a çã o d o s d o e n t e s e st á r e l a ci o n a d a a o s conceit os de poder e capacit ação (em p ow er m en t) .

Assim , o poder é visto com o algo extrínseco à pessoa, indicando que o aum ent o do poder de alguém deve se r e q u i l i b r a d o co m a d i m i n u i çã o d o p o d e r d e t erceiros. Os pré- requisit os para o envolvim ent o do clien t e n o pr ocesso de t om ada de decisão são as o p o r t u n i d a d e s e a i n f o r m a çã o d i sp o n ív e l . A capacit ação é defendida com processo que aj uda as pessoas a ganharem cont role sobre as suas próprias vidas. No âm ago desse conceito está a ideia de que é desej ável e possível que as pessoas ganhem controle so b r e a s su a s v i d a s e se j a m ca p a ci t a d a s p a r a co l a b o r a r n o s p r o ce sso s d e m u d a n ça( 1 3 ). D o i s invest igadores nort e- am ericanos( 14) realizaram est udo sobre a relação entre em powerm ent e t rat am ent o do

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n ecessár ia cr ian do am bien t e posit iv o e edu cador ; conselheiro, aj udando na exploração de sent im ent os e pensam ent os e dev e incent iv ar a ident ificação e análise de problem as do passado.

Ou t r o e st u d o( 4 ) a p o n t a d i st i n çã o e n t r e doent es que esperam inform ação e são guiados em direção ao t rat am ent o cert o e aqueles que preferem assu m ir a r esp on sab ilid ad e d e escolh er en t r e as alternativas possíveis. Ainda que haj a essa assim etria de pr im azias, os au t or es do en saio con clu em qu e proporcionar espaço e oport unidade ao doent e para escolh er qu em t em a palav r a f in al é com pon en t e essen ci al d o p r o cesso d e d eci são , h av en d o , em qualquer dos casos, algum nível de participação e de cont role sobre a sit uação.

Os a u t o r e s a n t e r i o r e s( 4 ) p r e t e n d e m esclarecer que tanto o diagnóstico com o o tratam ento sã o t r a u m á t i co s p a r a o s cl i e n t e s. Em b o r a a com p r een são d a in f or m ação t en h a sid o af ir m ad a com o pré- requisit o para a efet ividade da t om ada da d e ci sã o cl ín i ca , o s p a r t i ci p a n t e s d o e st u d o( 4 ) r e p o r t a r a m q u e o s cl i e n t e s n ã o d e v e r i a m se r pressionados a assim ilar um conj unt o de inform ação tão vasto, num m om ento tão estressante, j á que, por exem plo, se é diagnost icado um cancro no cólon de um doente, ele só vai querer que sej a retirado e opta, provavelm ent e, pelo t rat am ent o m ais radical, quando a so l u çã o p o d e r i a p a ssa r p o r t é cn i ca s m a i s co n ser v ad o r as. Po r ém , o s r esu l t ad o s d o m esm o e st u d o r e v e l a m q u e i n f o r m a çã o a p r o p r i a d a e opor t u n a, aj u st ada às n ecessidades in div idu ais de ca d a cl i e n t e , é e sse n ci a l p a r a f a ci l i t a r o se u en v o l v i m en t o n o p r o cesso d eci só r i o e r ed u zi r a ansiedade( 4).

Ou t r o e st u d o f o i co n d u zi d o p o r invest igadores( 5) que ent revist aram um conj unt o de pessoas ( que pr ocur ar am os ser viços de saúde dos hospit ais da região de Ont ário, Canadá) e dividiram -nas em dois grandes grupos: aquelas que procuraram os ser v iços de saúde por que sent ir am um a dor no peito ( que os autores denom inam vignet t e chest pain)

e aquelas que os pr ocur ar am dev ido ao est ado de saú d e d o m o m en t o ( q u e o s au t o r es d en o m i n am

vignet t e current healt h) . De acordo com os resultados

do est udo r ealizado, som ent e 1% dos par t icipant es da v ignet t e cur r ent healt h e 0,6% da v ignet t e chest

pain escolheram ser totalm ente autónom os na tom ada

de decisão. Contudo, os autores referem que a m aior parte respondeu que tam bém não escolheria um papel passivo. Assim , o est udo apresent a fort e preferência,

ao longo de toda a am ostra, pela partilha do processo decisór io em con t ex t o clín ico. Essa pr efer ên cia se m ost ra m ais elevada em client es da vignet t e cur r ent healt h ( 78,1% ) do que nos clientes da vignet t e chest p ain ( 65, 2% ) . Baseado nesses r esult ados, o aut or

su ger e qu e a adapt ação e a f am iliar ização com o est ado de saúde possibilit a ao client e par t icipar e part ilhar o processo de t om ada de decisão( 5).

D i a n t e d e sse s r e su l t a d o s, o s a u t o r e s( 5 ) concluír am que há for t e pr efer ência por par t ilhar a decisão clínica – os client es querem est ar envolvidos no pr ocesso de escolha, que afet ar á, sem m ar gem de dúvida, a sua qualidade de vida. Mas, prosseguem os aut ores, os client es não querem assum ir o t ot al com ando da decisão, m uito pelo contrário, eles estão dispost os a deixar grande part e da responsabilidade por t arefas que requerem conhecim ent os específicos para os profissionais de saúde.

À se m e l h a n ça d o a u t o r su p r a ci t a d o , é d e f e n d i d o e co r r o b o r a d o q u e a p r i n ci p a l r esp on sab i l i d ad e p ar a i n t eg r ar o s d o en t es co m o p a r ce i r o s a t i v o s n o p r o ce sso d e d e ci sã o e m en f er m agem é, in ev it av elm en t e, dos en f er m eir os, u m a v ez qu e o doen t e se en con t r a n u m a posição depen den t e e n ão se pode esper ar qu e assu m a a liderança. Os result ados de est udo desenvolvido na

Suécia revelam que 9% dos pacient es preferem ser

ativos na tom ada de decisão, 30% desej am participar em con j u n t o com o en fer m eir o n a decisão e 6 4 % delegam aos pr of ission ais a t om ada de decisão – esses aut ores afirm am que a escolha do client e por u m p ap el p assiv o n a d ecisão clín ica é u m a ação deliber ada, o que indica que não é, de t odo, um a atitude passiva, m as, sim , opção efetiva por escolher um papel sem int ervenção diret a( 6).

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p a r t i l h a d a e a co m u n i ca çã o f e i t a e m a m b a s a s dir eções( 7).

CONCLUSÃO

O presente artigo traz nova visão do processo de tom ada de decisão na prática clínica, possibilitando aos profissionais refletirem as suas práticas de decisão na prática clínica. Autores( 17) discutem a aplicação de p r i n cíp i o s d a p r á t i ca b a se a d a e m e v i d ê n ci a à s decisões diagnóst icas no cuidado de enferm agem , no ent ant o, pela revisão de lit erat ura efet uada é not ório que os enfer m eir os, algum as v ezes, subest im am a im portância das necessidades dos clientes( 4- 6), fazendo um a análise do processo de decisão clínica tendo em vist a som ent e os obj et ivos da equipa profissional. A discussão cent r a- se em diagr am as de decisão e a m ultiplicidade do paciente e o seu contexto social são esq u eci d o s. Pa r a o en f er m ei r o cu i d a r d o o u t r o , pr im eir am ent e t em que dem onst r ar que r econhece os lim it es da sua prát ica e que necessit a respeit ar o out ro com o alguém diferent e de si próprio( 18). Num a r ef l ex ão est r u t u r ad a so b r e b i o ét i ca cl ín i ca( 1 9 ), é defendido que a decisão será m ais qualificada quanto m elhor for a inform ação clínica disponível, no entanto, as polít icas de at uação não devem indicar um curso ú n ico p ar a o cu id ad o d e saú d e – d ev e- se b u scar

v a r i a çõ e s q u e p o ssa m se r m a i s a d e q u a d a s à s circunst âncias individuais. Para além disso, não deve n u n ca d eix ar d e se en v olv er os f am iliar es n essa decisão.

Co n si d er a - se, a q u i , q u e a s d eci sõ es em co n t e x t o cl ín i co d e v e m i n cl u i r a a v a l i a çã o d o s r ecur sos disponív eis, dos desej os do pacient e, dos conhecim entos cognitivos que os enferm eiros possuem da sua prática e, ainda, do conhecim ento gerado pela invest igação. A m elhor análise à t om ada de decisão,

gu idelin e clínica ou polít ica de at uação, pr eencher á

som ent e algum as falhas do processo de t om ada de decisão. A revisão de literatura efetuada com plem enta a av aliação de enfer m agem e polít icas de decisões discu t idas por algu n s au t or es( 1 7 ), m as n ão poder á subst it uí- las.

Se r i a d e m a i o r i n t e r e sse e st u d a r a v a r i a b i l i d a d e d a p r á t i ca d o s p r o f i ssi o n a i s d e e n f e r m a g e m e m r e l a çã o à co e r ê n ci a co m a s percepções dos clientes e preferências para participar na tom ada de decisão na prática clínica. Para concluir, ideia- se as seguint es quest ões que poder ão ser v ir de base a novas investigações: será que o enferm eiro m an t ém o m esm o g r au d e con cor d ân cia com os client es, independent em ent e do t ipo de at endim ent o ou necessidades ao longo do tem po? Quais os fatores que poderão influenciar a precisão da avaliação das per cepções dos client es?

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