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Rev. bras. ter. intensiva vol.21 número4

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Academic year: 2018

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Rev Bras Ter Intensiva. 2009; 21(4):341-342

A equidade e a não maleicência no cuidado de

pacientes críticos terminais

Fairness, not maleicence, in terminal critical patients care

EDITORIAL

Em relação ao artigo “A moralidade da alocação de recursos no cuidado de ido-sos no centro de tratamento intensivo(1)” permito-me a relexão de que, papel social

do médico não pode ser esquecido. Da mesma forma, o médico, independente da sua especialidade, deve basear suas opções terapêuticas na beneicência e não malei-cência. Ao princípio da autonomia, tão importante na perspectiva anglo-americana, precisa-se justapor o princípio da justiça, eqüidade e solidariedade.(2)

Por outro lado, o ser humano tem o direito de morrer sem sofrimento. Como conseqüência, o médico deve lutar pelo não prolongamento do morrer baseando-se nos princípios fundamentais da bioética para as decisões de admissão ou alta nas unidades de terapia intensiva (UTI).

A abordagem paliativista torna-se essencial em muitas ocasiões. O médico deve enfocar suas decisões terapêuticas na pessoa doente, avaliando suas necessidades de forma ampla. Cabe aqui o destaque de que, diante dessas decisões, deve-se levar em consideração um conjunto de fatores. Indiscutivelmente, com o envelhecimento da população associado ao controle das doenças crônicas, cada vez mais a idade torna-se um item que pode contribuir, mas não decidir, quais decisões terapêuticas devam ser tomadas.(3)

Deinições e conceitos são alterados em decorrência do momento político e social. Há cerca de 20 anos, o diagnóstico do vírus da imunodeiciência humana (HIV) era considerado como um atestado de óbito. Atualmente, a síndrome da imunodeiciência adquirida (SIDA) é vista como uma doença crônica. No século IX, ser idoso signiicava ter 50 anos. Atualmente temos presidentes da república com mais de 70 anos.

O prognóstico da doença de base, a resposta ao tratamento implantado, a qua-lidade de vida prévia e a possibiqua-lidade de quaqua-lidade de vida após a internação na UTI parecem ser fatores muito mais importantes para a tomada de decisão quanto à admissão na UTI e quanto à manutenção do tratamento intensivo.

É importante comentar que a maioria dos autores, ao mencionar limite terapêu-tico, descreve a não reanimação cardiorrespiratória (RCR). Entretanto, a experiência mostra uma realidade diferente. Um estudo brasileiro apontou que cerca de 80% das mortes em enfermarias de clínica médica não são precedidas de manobras de RCR. Entretanto, não são descritas nos prontuários ordens formais de não reani-mação. Nas UTIs, a limitação terapêutica é muito mais ampla do que a não RCR. Também nesses ambientes escreve-se pouco nos prontuários sobre a suspensão ou recusa de terapias, consideradas fúteis ou inúteis.(4)

Esses fatos me fazem concordar plenamente com o autor no que concerne a airmação de que devemos ampliar o debate sobre a aceitação das limitações do médico como curador e sobre a initude do ser humano. Acrescento a importância Rachel Duarte Moritz

Doutora, Supervisora do Programa de Residência Médica em Medicina Intensiva do Hospital Universitário (HU) e Professora Adjunta da

Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC - Florianópolis (SC), Brasil.

Autor para correspondência:

Rachel Duarte Moritz

Rua João Paulo 1929 - Bairro João Paulo

CEP: 88030-300 - Florianópolis (SC), Brasil

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342 Moritz RD

Rev Bras Ter Intensiva. 2009; 21(4):341-342

de que saibamos fornecer o tratamento adequado àqueles que estão no momento inal das suas vidas, providenciando-lhes cuidados ou ações paliativas.

Finalmente, lutar para que seja evitado o

prolongamen-to do morrer é um aprolongamen-to humano que deve ser embasado em princípios éticos. A melhor adequação inanceira advinda das decisões de limite terapêutico deve ser uma conseqüência e não uma meta política.

REFERÊNCIAS

1. Freitas EEC, Schramm FR. A moralidade da alocação de recursos no cuidado de idosos no centro de tratamento in-tensivo. Rev Bras Ter Intensiva. 2009;21(4):432-6. 2. Pessini L, Barchifontaine CP. Bioética: do principialismo à

busca de uma perspectiva latinoamericana. In: Costa SIF, Oselka G, Garrafa V, coordenadores. Iniciação à bioética.

Brasília: Conselho Federal de Medicina; 1998. p. 81-98. 3. Moritz RD, Lago PM, Souza RP, Silva NB, Meneses FA,

Othero JCB, et al. Terminalidade e cuidados paliativos na unidade de terapia intensiva: [revisão]. Rev Bras Ter Inten-siva. 2008;20(4):422-8.

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