MONOGRAFIAS, DISSERTAÇÕES E TESES
15.1
M
ONOGRAFIAAo iniciarmos nossas considerações sobre tipos de trabalho acadêmico é importante apresentar as características que diferem entre si os textos científicos, tais como Monografia, Dissertação e Tese. Estes, enquanto trabalhos que objetivam desenvolver a capacidade criadora e juízo crítico do aluno, promovem a atividade de pesquisa científica evitando a absorção passiva de conhecimentos já produzidos.
Para tanto trataremos primeiramente da terminologia Monografia (mono = que quer dizer uma só e graphein = que quer dizer escrita), que consiste em apresentar o domínio do assunto, a capacidade de sistematização e a construção de resultados de investigação científica com a finalidade de apresentar uma contribuição importante, mas não original à ciência.
Sua exigência ocorre como condição determinante para o término de curso de graduação e de pós‐graduação lato sensu (especialização) nas diversas áreas de ensino. Cada Instituição de Ensino Superior (IES) determina as diretrizes que deverão ser seguidas para produção e apre‐ sentação do trabalho. As monografias produzidas nas pós‐graduações stricto sensu (dissertação e teses) são chamadas científicas, por serem consideradas como autênticos trabalhos de investi‐ gação e por seguirem rigoroso enfoque teórico‐metodológico no alcance do nível de profun‐ didade.
15.
2
D
ISSERTAÇÃOA Dissertação caracteriza‐se por utilizar ordenação de idéias sobre o tema, um acompanhamento e todo um aparato técnico, além de habilidade em coletar e organizar as informações de maneira expositiva (descritiva) ou argumentativa. Destina‐se a obtenção do grau acadêmico de Mestre (Master of scientia ‐ M. Sc) e deve revelar a capacidade de sistematização e domínio do tema escolhido. A característica principal é o aprofundamento com que deve ser realizado o trabalho, além da defesa pública da dissertação perante uma banca composta por doutores.
15.3
T
ESENa continuidade do desafio de argumentar, justificar, convencer, persuadir, in‐fluenciar e descobrir novos conhecimentos está a Tese que, em suas características apresenta, também, a argumentação. Entretanto deve construir esta de maneira mais profunda. A Tese deve trazer uma contribuição inédita para o conhecimento, visando à obtenção do grau acadêmico de Doutor (Ph. D. – Doctor of Philosophy).
15.4
O
RGANIZAÇÃO DET
ESE,
D
ISSERTAÇÃO OUM
ONOGRAFIAEstas notas descrevem como organizar a escrita de uma monografia que é o ele‐mento final de um curso de graduação. Para saber como organizar um documento de monografia, devemos primeiro entender o que é pesquisa de graduação.
O
QUE ÉP
ESQUISA EMG
RADUAÇÃO?
fracasso.
Para provar uma contribuição, sua monografia deve mostrar dois fatos importantes:
1. O que você identificou um problema (ou pergunta) significativo. 2. O que você resolveu o problema (ou respondeu a pergunta).
O
Q
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ONOGRAFIA DEG
RADUAÇÃO?
O propósito da sua monografia é provar que você fez uma contribuição útil para o conhecimento, os examinadores lêem a sua monografia para encontrar respostas para as seguintes questões:
1. qual é o problema da pesquisa do estudante?
2. é um bom problema? (ele já tinha sido resolvido, anteriormente? ele é um problema útil para ser trabalhado?)
3. o estudante me convenceu que o problema tem foi adequadamente resolvido? 4. o estudante tem feito uma contribuição significativa e adequada ao conhecimento?
Uma definição clara do problema é essencial para provar que você tem feito uma contribuição relevante ao conhecimento. Para provar a originalidade e o valor da sua contribuição, você deve apresentar uma breve revisão da literatura já existente sobre o tema, e também sobre assunto diretamente ligados ao tema. Então, fazendo referências diretamente aos trabalhos revistos, você deve demonstrar que é importante respondê‐lo.
Descrever como você resolveu o problema é usualmente mais fácil que escrever sobre o problema, porque você esteve intimamente envolvido nos detalhes da solução durante o curso de seu trabalho de graduação.
Se a sua monografia não responde adequadamente as perguntas listadas acima, você enfrentará problemas com os requisitos do seu curso e com a defesa de sua monografia. Por estas razões, um esqueleto genérico para uma monografia, dado abaixo, foi desenhado para enfatizar as respostas para as questões (organizando a mono‐grafia em seções com títulos).
Este esqueleto pode ser usado para qualquer monografia. Alguns professores podem preferir outra organização, mas os elementos essenciais em qualquer mono‐grafia devem ser os mesmos. Outras notas seguem o esqueleto.
Sempre lembre que uma monografia é um documento formal: cada item deve estar no lugar apropriado, e a repetição de material em diferentes locais deve ser eliminada.
1. INTRODUÇÃO
Esta é uma introdução geral sobre o assunto da monografia – ela não é apenas uma descrição do que contém cada seção. Brevemente resuma o problema (você entrará nos detalhes do problema depois), algumas das razões justificando a utilidade do problema, e talvez dar uma visão geral dos resultados. Esta é uma visão com “olhos‐de‐pássaros” para as principais perguntas, sobre a monografia, comentadas e listadas acima.
2. INFORMAÇÃO DE CONTEXTO (OPCIONAL)
Uma breve seção dando a informação que pode ser necessária para o entendimento do trabalho, especialmente se o seu trabalho envolve dois ou mais áreas de pesquisa. O que significa que os seus leitores podem não ter experiência com algum material necessário para entender a sua monografia, então este material deve ser fornecido.
3. REVISÃO DO ESTADO‐DA‐ARTE
Aqui você revisa o estado‐da‐arte que é relevante para a sua monografia. Um título diferente é provavelmente mais apropriado; A idéia é apresentar (uma análise crítica vem um pouco depois) as maiores idéias no estado‐da‐arte até o presente momento, mas não incluído, as suas pessoais e brilhantes idéias.
Você deve organizar esta seção por idéias, e não por autor ou por publicação.
4. PROBLEMA DE PESQUISA (DEFINIÇÃO DO PROBLEMA)
Na área de engenharia normalmente fala‐se num problema a ser resolvido, em outras áreas fala‐se sobre um pergunta a ser respondida pela monografia. Em ambos os casos, esta seção tem três principais partes:
1. uma formulação concisa do problema que sua monografia aborda;
2. justificativa, referenciando diretamente a seção 3, que seu problema ainda não foi resolvido;
3. discussão de porque é útil resolver este problema.
No item 2 é onde você analisa a informação que você apresentou na Seção 3. Na última parte desta seção você explica porque problemas é útil; por exemplo, descrevendo aplicações para ele. Uma vez que esta é uma das seções que os leitores estão definitivamente buscando, enfatize‐a pelo uso da palavra “problema” no título ʺDefinição do Problemaʺ, ou talvez algo mais específico.
5. DESCREVENDO COMO VOCÊ RESOLVEU O PROBLEMA
Esta parte da monografia é muito mais livre no seu formato. Ela pode ter uma ou várias seções e subseções. Mas todas elas têm apenas um propósito: convencer os examinadores que você resolveu o problema que foi enunciado na Seção 4. Então mostre o que você fez que é relevante para resolver o problema: se no contexto da solução existem furos e subproblemas [existe uma Seção para isto – trabalhos futuros e limitações] em aberto não os inclua aqui, a não ser que sejam relevantes para demonstrar que você resolveu o problema.
6. CONCLUSÕES
Você geralmente cobre três pontos nas conclusões, e cada um, usualmente, me‐receuma subseção:
1. Conclusões
2. Resumo das Contribuições 3. Trabalhos Futuros
Conclusões não são um rápido sumário da monografia: elas são declarações curtas, concisas inferidas a partir do seu trabalho. Como auxilio, pode‐se organizá‐las como pequenos parágrafos enumerados, ordenados do mais importante ao menos importante. Todas as conclusões devem estar diretamente relacionadas ao problema definido na Seção 4.
A seção sobre Trabalhos Futuros inclui as idéias (ou problemas) que você encontrou (ou visualizou) durante o seu trabalho e que podem ser exploradas no futuro. Novamente, um lista de parágrafos concisos é usual.
7. REFERÊNCIAS
A lista de referências é fortemente ligada a revisão do estado‐da‐arte, dado na Seção 3. Muitos examinadores vasculham a lista de referencias buscando os trabalhos mais importantes da área, então assegure‐se que eles estejam listados e referenciados na Seção 3. Deve ser conhecido que muitos examinadores procuram por suas publicações se elas se enquadram na área tópico da monografia, então liste‐as também. Além disso, lendo os trabalhos dos seus examinadores você terá uma visão do tipo de pergunta que eles poderão fazer.
Todas as referências devem ser citadas no corpo principal da monografia. Note a diferença entre bibliografia e referências: uma bibliografia inclui trabalhos não referenciados no texto da monografia. Organize a lista de referências ou por ordem alfabética do sobrenome do autor ou por ordem de citação na monografia.
8. APÊNDICES
O que vai nos apêndices? Qualquer material o qual impede um suave desenvolvimento da apresentação da monografia, mas que é importante para justificar os resultados da monografia. Geralmente ele é um material cheio de detalhes para ser incluído no corpo principal da monografia, mas que está disponível para os examinadores. Exemplos grandes incluem listagens de programas, grandes tabelas, grandes provas ou derivações matemáticas.
15.5
C
OMEÇANDO O TRABALHOO melhor jeito de começar sua monografia é preparando um sumário estrutural (descrição estrutural). Inicia‐se fazendo um índice, listando cada seção e subseção que você deve incluir. Para cada seção e subseção, escreva um breve apontamento detalhando os seus pontos do conteúdo.
O sumário inteiro deve ter de 2 a 5 páginas.
Agora você e o seu orientador deve cuidadosamente revisar o sumário: tem material desnecessário (i.e. não diretamente relacionado ao problema)? Se sim, então remova‐o. Esta faltando algum material? Se sim, adicione‐o. É menos estressante e muito mais produtivo tomar tais decisões o mais cedo possível, ainda na fase do sumário estrutural, ao invés de se tomar tais decisões após um grande trabalho de escrita, onde joga‐se fora boa parte do material.
15.
6
Q
UANTO SE DEMORA PARA ESCREVER UMA MONOGRAFIA?
Muito mais do que você pensa. Mesmo que você já tenha feito toda a pesquisa – modelos já construídos, cálculos completos – é prudente deixar pelo menos um período completo (6 meses mestrado) para escrever a monografia. O problema não é que a digitação tome grande tempo, é o fato que escrever uma monografia requer a completa organização dos seus argumentos e resultados.
na redação, logo várias revisões são necessárias). E, que a verdade seja dita, os orientadores algumas vezes não são rápidos para revisar e retornar os manuscritos.
“Bottom line”: deixe tempo suficiente para você mesmo. Um trabalho apressado esta sujeito a complicações justo na hora da defesa.
15.7
D
ICASMantenha sempre a lembrança de quem serão os seus leitores. Quem é a sua au‐diência? O quanto você pode razoavelmente esperar que eles já conhecem sobre o assunto da sua monografia, antes de lerem a mesma? Normalmente eles são bons conhecedores da problemática geral, mas dificilmente eles estão intimamente envolvidos com novos avanços que aconteceram nos últimos dois anos; portanto, descreva claramente os novos conceitos que estão sendo utilizados. Algumas vezes, ajuda criar um cenário mental onde você esta explicando o problema para uma pessoa que tem o conhecimento necessário para entender a sua problemática.
Não faça os leitores trabalharem demais! Isto é de fundamental importância. Escolha títulos de seções e palavras que facilitem a entrega da resposta para estas perguntas. Quanto mais duro é o trabalho para eles entender o problema, a sua defesa do problema, a sua resposta para o problema, as suas conclusões e contribuições, pior sentimento eles terão em relação ao seu trabalho, como conseqüência, mais condições de ajustes e revisões serão propostas na defesa. Como um corolário ao que foi exposto: é impossível ser claro demais! Diga as coisas com cuidado, realçando a partes mais importantes com títulos apropriados, etc. Existe uma imensa quantidade de informação numa monografia: assegure‐se que você esteja guiando os leitores diretamente para as respostas das perguntas importantes.
Lembre que uma monografia não é uma história: usualmente ela não segue uma ordem cronológica das coisas. Ela é um documento formal para responder as principais questões.
Evite usar frases como “Claramente, este é o caso...” ou “Obviamente, este é ...”; dizendo isso, significa que se o leitor não entendeu então ele deve ser ignorante (ou estúpido). Ele pode não ter entendido por que a sua explicação estava pobre demais.
Evite “red flags”, declarações (tipo ʺ...o software é a parte mais importante de um sistema de computação”) que são apenas uma opinião pessoal e não estão substanciadas pela literatura especializada ou pela sua solução. Os examinadores, baseados nestas afirmações, gostam de fazer perguntas do tipo: Você pode demonstrar que software é a parte mais importante de um sistema de computação?
O propósito de sua monografia é mostrar claramente a sua contribuição ao conhecimento. Você pode desenvolver programas de computador, protótipos, e outras ferramentas como meios auxiliares nas provas dos pontos, mas lembre, a mono‐grafia não é sobre a ferramenta, é sobre a contribuição ao conhecimento.
Ferramentas como programas de computadores são produtos bons e úteis, mas você não pode obter um grau avançado de (conhecimento) apenas pelo desenvolvimento de uma ferramenta. Você deve usar a ferramenta para mostrar que você fez uma contribuição original ao conhecimento; i.e., através do seu uso ou das idéias por traz dela.
15.8
E
STRUTURAG
ERAL15.9
A
SPECTOSG
RÁFICOSFolhas e margens
Papel branco A4 (210x297mm).
Fonte 12 para o texto e 10 para transcrições longas (mais de três linhas) e notas de rodapé.
Tipo de letra: Times New Roman ou Arial Papel branco A4 (210x297mm).
Somente verso.
Espaço duplo para todo o texto. Espaço simples para os resumos, transcrições longas, notas de rodapé, referências bibliográficas. Parágrafo no 10° espaço.
Margem superior e esquerda 3,5cm. Margem inferior e direita 2,5cm.
Alíneas e citações a 4cm da margem .
Paginação e numeração de capítulos
Páginas antes do sumário numeradas em romanos minúsculos. Folha de rosto e sumário, contadas, mas não numeradas. Capa não contada nem numerada.
Apresentação e introdução, contadas, mas não numeradas. A partir da introdução, numeração em arábicos.
Abreviaturas e siglas:
Anexos
Apêndices
Bibliografia
Conclusão
Corpo da Obra
Introdução
Sumário
Listas
Resumo
Agradecimento
Dedicatória
Aprovação
Quando aparecem pela primeira vez, primeiro por extenso e depois abreviatura ou sigla entre parênteses.
Ilustrações:
FIGURAS: identificação na parte inferior seguida de seu número arábico e seu título.
TABELAS: identificação na parte superior seguida de seu número arábico e seu título. Devem ser inseridas o mais próximo possível do trecho a que se refere.
Lombada: (obrigatório para encadernação capa dura)
Nome do autor com impressão longitudinal (e legível) do alto para o pé da lombada; Título do trabalho com a impressão na mesma forma em que se fizer a do Nome do Autor;
11.1
‐
P
REPARAÇÃO DA APRESENTAÇÃO CIENTÍFICA111.1.1 IDENTIFIQUE SUA AUDIÊNCIA
A comunicação é a chave. Interprete sua apresentação como um diálogo com a audiência, não como um monólogo. Pergunte‐se: o que eles esperam aprender de a partir de minha apresentação? Como minha apresentação pode ser útil a eles?
Um conceito‐chave na arte da apresentação oral de temas científicos é a aceitação do apresentador pela platéia. Procure saber, antecipadamente, quem poderá estar assistindo à sua apresentação.
O conhecimento sobre seu público facilita a comunicação e ajuda a criar um clima confortável e uma relação favorável. Quando estiver preparando uma apresentação, esteja atento para o fato de que podem existir membros desinformados em seu público. Pergunte‐se: eles serão capazes de acompanhar minha apresentação? O que eles irão reter sobre ela?
11.1.2 ESTRUTURE E ORGANIZE SEU MATERIAL
Nada é mais desastroso em uma apresentação que exceder o tempo alocado a ela. Uma regra empírica é tentar fazer com que a apresentação se concentre em 75% a 80% do tempo a ela reservado.
Todo apresentador, entes de preparar sua apresentação, deve ser capaz de fazer um sumário sobre o seu conteúdo em não mais que duas ou três fases bem construídas. Para manter a atenção da audiência, use a velha regra: diga a eles o que você irá apresentar, apresente o que você prometeu e diga a eles o que você apresentou.
Toda apresentação consiste de três partes bem definidas: (1) a introdução oferece as bases e as perspectivas necessárias à apreciação do restante da apresentação; (2) o corpo da apresentação, que normalmente corresponde à maior parte, comunica novas informações ao público e (3) a conclusão faz um sumário da apresentação e deixa a platéia com uma mensagem para levar com ela. Uma regra empírica pode ser: numa apresentação de 60 minutos, reserve 10 minutos para a introdução, 30 minutos para o corpo principal e 5 minutos para a conclusão.
Quando usar slides, uma boa regra empírica sugere reservar cerca de 2 minutos por slide. Prepare um resumo com cuidado, um conjunto de slides ou transparências e uma folha com títulos ou algo similar que o ajude a se organizar e a não perder o “fio da meada” durante a apresentação.
11.1.3 CONHEÇA O ASSUNTO SOBRE O QUAL IRÁ REALIZAR A APRESENTAÇÃO
Freqüentemente, especialmente no caso de apresentadores iniciantes, a auto‐confiança extremada e injustificada leva a crer que a eloqüência e o estilo vão substituir o conhecimento. O falso sentimento de superioridade intelectual em relação à audiência, motivada pelo convencimento de que ninguém mais na platéia conhece tão bem o assunto quanto você, freqüentemente faz com que o apresentador está “viaje”, embora ele tenha a impressão de estar pisando em solo firme. Infeliz‐mente tarde, o apresentador descobre que seu público consiste de pessoas altamente qualificadas e conhecedoras do assunto.
A decisão de não fazer uma apresentação é às vezes mais benéfica à reputação de uma pessoa que a realização de uma apresentação superficial, sem dados comprobatórios de suas idéias e com o uso do tempo disponível para falar sobre resultados planejados de experimentos não realizados.
1 Texto de autoria de Dayan Adionel Guimarães, obtido em http://cict.inatel.br/nova2/docentes/
dayan/Academic/Apresenta%C3%A7%C3%A3o%20oral%20de%20trabalhos%20cient%C3%ADficos. doc,
Tome cuidado com afirmações sobre as quais nem mesmo você tem total convicção. Em vez de dizer “isto é assim”, diga “presume‐se ou cogita‐se que isto seja assim”. A descrição de dados científicos de forma precisa, completa e bem elaborada coloca o apresentador como uma fonte confiável e fundamentada de informação. Ao contrário, frases imprecisas e abertas a uma multiplicidade de interpretações gradualmente fazem aflorar o ceticismo de desinteresse da platéia.
11.1.4 REVISÃO E ENSAIO
Não importa quão experiente você seja, é sempre uma boa idéia revisar e ensaiar uma apresentação. Uma mesma apresentação serve a várias ocasiões, mas não sem adaptações. A apresentação deve estar em sintonia com cada platéia e ser re‐preparada para cada ocasião.
Não deixe a revisão para a última hora. Isto pode levar a uma apresentação aceitável, mas dificilmente levará a uma apresentação memorável. Uma apresentação científica é uma expressão de criatividade; e criação toma tempo!
Um ensaio realizado para um colega que possa lhe dar úteis e sinceras realimentações é uma iniciativa valiosa. Preferencialmente esse colega deve ser representativo do tipo de audiên‐ cia da sua apresentação oficial.
Um gravador de áudio e vídeo pode revelar vícios na comunicação oral e também vícios de postura.
11.2.5 PREPARE SUA APRESENTAÇÃO ‐ DEPOIS RELAXE
Tenha a consciência de que as etapas preliminares foram seguidas com cautela. Você deve estar confiante sobre o perfil de sua audiência, sobre seus conhecimentos, sobre os dados, infor‐ mações e contribuições que irá apresentar e sobre a organização e qualidade de apresentação do material de apoio. Agora somente resta relaxar. Para que você possa realizar uma grande apresentação, o relaxamento é essencial.
11.2.6 A VESTIMENTA
O modo adequado de se vestir para uma apresentação científica revela ao menos duas mensagens: respeito pela platéia e aceitação dos padrões vigentes neste contexto.
Lembre‐se que às vezes torna‐se necessário o uso de algum microfone de lapela e o transmissor desse microfone deverá ser afixado em alguma parte de sua vestimenta. Esta é uma dica importante principalmente para as mulheres.
11.2
‐
A
ESTRUTURA DE UMA APRESENTAÇÃO CIENTÍFICA11.2.1 ‐ O TÍTULO
O título deve ser breve e deve descrever da melhor maneira possível o conteúdo da apresentação. Deve também buscar dar importância ao trabalho, motivando a platéia. O título, embora tenha que ser breve, precisa ser tão abrangente quanto possível, não sendo, entretanto, abrangente por demais a ponto de perder seu significado e sobre‐dimensionar o conteúdo real do trabalho.
11.2.2 ‐ CONTEXTO E IMPORTÂNCIA
gradualmente no modelo experimental ou idéia que o apresentador pretende comunicar. Chegando próximo ao final da apresentação, o processo de zooming out leva a platéia à conclusão que incorpora um sumário da apresentação e uma mensagem “para casa”.
O processo de zooming in pode ser precedido por, por exemplo, uma abordagem histórica que mostre os estágios de desenvolvimento do tema da apresentação. Mas não se esqueça de atribuir os créditos aos pesquisadores que contribuíram em cada estágio desse desenvol‐ vimento! Lembre‐se que algum desses pesquisadores pode estar na platéia. E não deixe para atribuir os crédito ao final da apresentação, mostrando um slide com uma lista de pesquisadores não imediata e visivelmente associados às respectivas contribuições.
11.2.3 ‐ CONTANDO UMA ESTÓRIA
Há uma notável diferença entre apresentar o sumário de uma coleção de fatos, idéias e dados e contar uma estória interessante sobre suas conquistas em termos desses fatos, idéias e dados.
A habilidade de falar de forma coerente está intimamente relacionada à habilidade de pensar coerentemente. A forma coerente de pensar ajuda a separar os aspectos realmente importantes numa apresentação daqueles meramente periféricos e informativos. Essa forma de pensar coerentemente colabora para que a linha de raciocínio na se quebre quando tiver que ser momentaneamente abandonada durante os “parêntesis” ou “apêndices”.
Uma estória deve ter um foco e comunicar uma única mensagem principal. Nunca interrompa o fluxo normal da apresentação, endereçando tópicos diferentes e descorrela‐ cionados. Isto normalmente ocorre quando não se tem volume de dados suficiente para preencher o período alocado para a apresentação. É melhor usar metade do tempo que tentar preenchê‐lo com inutilidades do ponto de vista da mensagem “para casa” que se quer comunicar.
Apresente resultados já alcançados. Não é aconselhável comunicar resultados de trabalhos em andamento e muito menos de trabalhos a serem realizados.
11.2.4 ‐ FORMULAÇÃO E ARGUMENTAÇÃO
Para se comunicar eficazmente, evite sempre que possível o uso de jargões e siglas próprios de sua área de conhecimento. Em geral torna‐se bastante difícil para os participantes absorverem as novas informações e ao mesmo tempo tentar traduzir os jargões e siglas.
A precisão na formulação de seus argumentos é um outro pré‐requisito a uma boa apresentação científica. A voz reflete seu processo de pensamento; e um apresentador impreciso demonstra imprecisão ou falta de coerência em seu processo de pensamento. Uma apresentação oral difere em muito de um artigo escrito que é revisado, lido e relido. A partir do momento que as palavras deixaram sua boca e ecoaram na audiência tudo passa a estar fora de seu controle.
Seja cuidadoso e discreto quando se referir a dados ou hipóteses de outros pesquisadores que estão em desacordo com as suas idéias. Há formas elegantes e suaves de discordar sem desmerecer o trabalho de outrem e tentar elevar o mérito do seu trabalho. Um cientista deve sempre “lutar como um cavalheiro”, pois, afinal de contas, as idéias ou hipóteses do seu “competidor” podem estar corretas!
Para apresentar argumentos convincentes ao longo de sua apresentação, sempre reflita sobre as questões: quão sólidos e confiáveis são meus dados? Justifica‐se tirar estas conclusões a partir dos fatos que estou apresentando? Há interpretações alternativas para meus dados? Uma avaliação crítica de sua própria apresentação é essencial para obter credibilidade da platéia e tornar sua apresentação memorável.
platéia.
11.2.5 ‐ A CONCLUSÃO: BREVE E FOCALIZADA
Assim como o processo de progressivamente ir de um foco mais genérico para outro mais específico ‐ o zooming in ‐ é uma estratégia útil no início da apresentação, o processo reverso, o zooming out, é bastante útil nas proximidades do final da apresentação, quando queremos lembra aos ouvintes, mais uma vez, que os dados ou idéias que foram apresentados se relacionam com um princípio científico ou uma idéia mais abrangente ou principal. Isto ajuda a platéia a apreciar o significado do trabalho num contexto mais amplo.
A conclusão de uma apresentação científica deve ser firme e decisiva. Ela representa o momento mais importante, durante o qual comunica‐se aos ouvintes a “mensagem para casa”, o que realmente ficará nas suas lembranças. Ela determina a impressão final e o impacto que irá causar em sua audiência. A conclusão deve ser reduzida a uma sentença concisa, preferen‐ cialmente apresentada como um texto ou um diagrama simples em um slide ou transparência.
A conclusão deve consistir de uma única sentença principal, com não mais que duas ou três conotações (se absolutamente necessário). A conclusão deve ser clara e demarcar o final da apresentação. Após apresentar a conclusão apenas diga “obrigado” e pare de falar. Uma regra importante a ser observada em apresentações científicas é terminar no tempo certo e com uma mensagem clara e ressonante.
11.3
‐
R
ECURSOS VISUAIS11.3.1
–
S
LIDES,
T
RANSPARÊNCIAS,
V
ÍDEO,
Á
UDIO,
A
NOTAÇÕES EQ
UADRO‐
N
EGRO.
Podemos agrupar as formas de apresentação visual mais comuns em projeções multimídia, uso de transparências e uso de flip‐charts. Embora cada uma apresente suas vantagens em determinadas situações, as projeções multimídia se destacam por permitirem uma apresentação mais “limpa” e com melhor estética. Entretanto, a apresentação de slides via projetores multimídia tende a ser cansativa em eventos longos e o apoio de recursos como o “velho” quadro negro ou um simples flip‐chart podem quebrar a monotonia e atrair a atenção da platéia. As transparências convencionais, embora permitam ilustrações e anotações “em tempo real”, tendem a estar mais susceptíveis à desorganização e à estética debilitada. De qualquer forma vale a dica: cheque com antecedência a organização do material de apoio.
A iluminação do ambiente merece atenção. Quando há alguma forma de controlar a luminosidade, escureça a sala apenas o suficiente para que as projeções fiquem com boa nitidez. Há três pré‐requisitos básicos quando da preparação de slides. Eles devem ser “limpos” simples e devem, necessariamente, estar em sintonia com a “estória” que você se propôs a contar.
Assim como a apresentação em si, cada slide ou transparência deve ter um único foco. Imagens mostradas em uma apresentação oral diferem de figuras registradas em um trabalho escrito, como um artigo, por exemplo. Em uma apresentação oral as imagens se prestam a comunicar conceitos e dados a um público que está ouvindo e vendo ao mesmo tempo. Durante uma apresentação a platéia tem uma oportunidade limitada para examinar os dados apresentados e ao mesmo tempo ouvir o que o apresentador tem a dizer. Por esta razão, resultados complexos devem ser separados e apresentados cada um de uma vez. Posteriormente você pode mostrar resultados compostos de forma a estabelecer algum tipo de comparação.
Evite o uso de expressões matemáticas complexas. Embora grande parte dos ouvintes possa entendê‐las sem dificuldade, outra parcela pode simplesmente desviar a atenção na primeira aparição de uma dessas expressões. Quase sempre o significado de uma expressão pode ser descrito verbalmente.
Nos gráficos faça uso da simplicidade e da clareza e não exagere no tamanho do gráfico, nem para menos nem para mais. Evite escalas complexas ou termos que demandem “tradução” por parte da platéia. Lembre‐se: se alguém tiver que perder tempo em decifrar alguma sigla ou unidade, inevitavelmente perderá o “fio da meada”.
O tamanho das letras dos slides não deve ser muito grande e tão pouco muito pequeno. Uma boa regra empírica e considerar como adequado aquele tamanho de letra que permite uma visualização do slide em seu tamanho natural a cerca de dois ou três metros de distância.
Mantenha uniformidade na elaboração dos seus slides. Isto ajuda a acentuar e a destacar o fluxo e a coerência da apresentação. E lembre‐se: tudo que não colaborar para que sua estória seja comunicada deve ser excluído da apresentação.
Procure não tentar descrever o que um slide não está realmente permitindo interpretar. Em outras palavras, se sua fala tender a criar alguma interpretação, é melhor não apresentar o slide duvidoso.
Uma forma de mostrar conceitos complexos é usar uma seqüência de slides mostrando o mesmo conceito, porém elevando‐se gradativamente sua complexidade. O uso de cores pode ajudar neste processo, no qual cores diferentes destacam níveis de complexidade diferentes. Novas imagens ou conceitos vão se sobrepondo à medida que se avança na complexidade da abordagem.
Ao final da apresentação é aconselhável incluir um slide com uma sentença conclusiva, enfatizando a mensagem que se pretende seja levada na memória dos ouvintes. Uma lista de conclusões inevitavelmente não será assimilada pela platéia e a fará se desviar do propósito principal de seu trabalho.
Em algumas apresentações tem‐se que referir freqüentemente a um diagrama, figura ou conceito. Nestes casos é melhor deixar o citado diagrama, figura ou conceito sempre visível. Se isto não for possível é melhor repetir o diagrama, figura ou conceito que voltar slides e mais slides à sua procura.
Quando usar dois projetores, cuide para que um deles apresente slides que são trocados com pouca freqüência e o outro para apoiar o fluxo normal da apresentação. O primeiro projetor deve ser desligado sempre que sua imagem não estiver em sendo utilizada. Apresentadores inexperientes devem evitar esta “sofisticação”.
É sempre vantajoso manter anotações sobre sua apresentação disponíveis antes que ela ocorra, de forma a permitir que os interessados saibam apriori do que se trata o evento que está por vir. Essas anotações podem conter informações que não poderiam ser cobertas durante a apresentação ou podem corresponder a resumos focados nos principais pontos da apresentação. A primeira opção é preferível se a apresentação faz parte de algum processo de ensino; a segunda opção é mais adequada em eventos como congressos e seminários.
O quadro‐negro pode ser utilizado efetivamente se combinado com slides e anotações em papel. Uma visão geral sobre a apresentação comunicada através do quadro pode auxiliar a platéia a se manter sintonizada à medida que a “estória” da apresentação se desenrola. Além disso, algum diagrama ou conceito pode ser registrado no quadro nos casos em que tal diagrama ou conceito deve ser referenciado por várias vezes. Neste caso deve‐se atentar para que a informação registrada no quadro esteja visível mesmo com o projetor ligado.
Procure verificar com antecedência se a quantidade e variedade de giz ou pincel está disponível.
11.3.2
–
A
PRESENTAÇÕES EMP
ÔSTERUm pôster é um espaço físico no qual são afixadas folhas que comunicam os resultados de seu trabalho. Este espaço físico varia em dimensões, sendo que tipicamente tem‐se aproximadamente 1,2m de largura por 2m de altura. As folhas afixadas são marcadas através de algum sinal que permita uma identificação fácil da seqüência apresentada. Os caracteres utilizados têm tamanhos suficientes para que uma pessoa consiga ler o conteúdo a cerca de 2 ou 3 metros de distância. Um título destacado e os nomes dos autores identificam claramente o trabalho.
As apresentações em pôster proporcionam uma oportunidade de troca de informações com colegas do ramo, sem grande pressão. Em contraste com apresentações em slides, elas permitem contato direto e individual com o público. Principalmente para pesquisadores pouco experientes, essa forma de apresentação permite a criação de um clima de crítica construtiva e sugestões que valorizam ainda mais a sessão.
As apresentações em pôster (poster apresentation) têm cada vez mais despertado interesse nas apresentações científicas. O caráter até certo ponto informal e a possibilidade de uma troca mais efetiva de conhecimentos, opiniões e idéias têm transformado esse tipo de apresentação em um dos mais eficientes. Prova disto é a crescente importância dada à apresentação em pôster em congressos e simpósios, até o ponto de não serem agendadas apresentações convencionais em paralelo, forma de motivar a participação maciça do público e destaque para esse tipo de forma de comunicação.
Um pôster é um mostrador visual sujeito às mesmas recomendações para apresentação de dados em slides ou transparências. Um pôster deve ser estética‐mente planejado e “limpo”. Evite cores de fundo muito fortes. Prefira o branco, o bege, o azul claro ou o cinza.
Se o pôster for composto de pequenos painéis (folhas) cuide para que eles tenham o mesmo tamanho e, assim, se encaixem precisa e esteticamente no espaço a eles reservado.
As figuras e diagramas apresentados em um pôster devem ser dimensionados de forma a poderem ser vistos a distância, de forma clara e legível. Cada imagem deve endereçar um único ponto ou foco. Detalhes em legendas e descrições devem ser mantidos num mínimo.
Como qualquer apresentação científica, o pôster deve “contar uma estória”. Escolha um título breve e informativo e forneça, no canto superior esquerdo do pôster, uma introdução que indique porque o seu trabalho é importante no contexto de um princípio científico ou idéia mais abrangente. O canto inferior direito do pôs‐ter deve conter um número pequeno de conclusões bem elaboradas e uma sentença mais abrangente que resuma o trabalho e apresente a principal conclusão.
Um pôster deve se concentrar em um único foco. Inclua somente informações úteis e relevantes à “linha melódica” da estória.
O apresentador deve estar adequadamente e visivelmente identificado e sempre disponível. Ele deve se portar como um garçom em um restaurante de primeira classe, estando disponível sempre que for solicitado sem, contudo, importunar os clientes para perguntar se precisam de alguma coisa ou se estão gostando da comida.
Esteja preparado para fazer uma breve descrição sobre seu pôster quando for solicitado. Mantenha um conjunto de alfinetes, fita adesiva ou cola para reparos de emergência. Os observadores devem estar livres para observar seu pôster sem nenhum tipo de pressão ou “propaganda”. Se alguém não lhe fizer perguntas é porque não se interessou ou porque não conseguiu receber a comunicação visual que você esperava. Não é o número de pessoas que visita seu pôster que determina seu sucesso e sim a qualidade das interações com essas pessoas.
Preparação
do
Material
Apresentação
1.Ser generalista – não estatístico.
2.Usar gráficos, esquemas, figuras, preferencial‐
mente aos textos.
3.Tentar manter a uniformidade do material.
4.Não colocar muitos dados em uma só transpa‐
rência, não usar texto normal.
5.Explorar a possibilidade das cores. Use fundo
claro e letras escuras.
6.Observe a regra do sete:
a) Utilize no máximo sete palavras por li‐
nha e sete linhas por slide.
b) Evite embaralhar texto e imagens.
c) Seja breve.
d) Dê espaço entre as linhas para maior le‐
gibilidade
e) Balance textos e imagens.
f) Seja consistente.
g) Cheque a ortografia
h) Dê vida ao material.
1. Verificar antecipadamente a ordem dos
slides ou transparências, o estado do
retroprojetor e do microfone.
2. Ser polido.
3. Não complicar, não ficar atendo‐se aos deta‐
lhes.
4. Concentrar‐se no que fala e não nos detalhes.
5. Falar devagar, cuidado com os vícios de lin‐
guagem.
6. Checar o nível de compreensão da platéia.
7. Não ler simplesmente o que está escrito e,
sim, falar sobre o material.
8. Dar um tempo para as pessoas lerem antes de
começar a falar.
9. Falar primeiro sobre a mensagem e, após,
sobre o conteúdo.
10. Nunca exceder o tempo.
11. Título curto e interessante.
12. Apelar para a visão e a audição. Abusar dos
recursos disponíveis.
13. Terminar com clímax para ser lembrado
(Gran finale).
14. Ao responder as questões, repeti‐las e
agradecer.