• Nenhum resultado encontrado

Rev. bras. ortop. vol.47 número2

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Rev. bras. ortop. vol.47 número2"

Copied!
2
0
0

Texto

(1)

Editorial

dos ortopedistas e pilotos

Algumas proissões são de muita responsabilidade, e esta responsabilidade é o que mais pesa no exercício dessas proissões.

Na maioria das vezes, o proissional não é quem provê os elementos necessários para que a

qualidade do serviço que prestará seja a ideal, mas cabe a ele julgar a adequação daquilo que lhe é fornecido para aceitar a responsabilidade da execução.

O piloto de avião é um desses proissionais, pois, a cada viagem, depende dele a vida de várias

pessoas, que, ao utilizarem o serviço por ele comandado, não estão procurando risco de vida, mas apenas transporte.

O modelo do avião é escolhido por uma decisão político-econômica da companhia – da qual ele não participa –, o estado do avião é mantido por uma equipe de mecânicos – que ele desconhece,

mas que precisa coniar, pois uma falha na manutenção pode ser desastrosa.

A gasolina é abastecida em cada aeroporto, e também deve ser de máxima coniança pelas óbvias razões.

E, assim, as rotas, os aeroportos, os operadores de torres de aterrissagem. Ao piloto cabe apenas julgar todos esses serviços e aceitá-los ou vetá-los. O poder de veto é fundamental para o exercício de sua atividade.

Toda a imensa infraestrutura montada para um avião decolar e transportar passageiros esta con-dicionada à aprovação de um indivíduo: o responsável, o piloto.

A nossa atividade se assemelha muito a de um piloto. Talvez a diferença esteja no número de pessoas e no fato de que a nossa vida, a princípio, não está envolvida no ato cirúrgico.

A qualidade do hospital, sua assepsia e os cuidados de enfermagem, embora não sofram direto

a nossa inluência, são de nossa responsabilidade. Qualquer falha em um ponto dessa cadeia será

(2)

Os cuidados na sala de cirurgia, a enfermagem envolvida e o instrumental básico não são esco-lhidos segundo nossa orientação, mas são de nossa responsabilidade, pois qualquer falha decorrente de qualquer um desses itens será atribuída ao cirurgião responsável.

Quanto à escolha do material cirúrgico e aquele a ser implantado, nem cabe comentário.

Não sei se pilotos devem escolher entre três opções de gasolina para saber qual vai ser liberada, ou só podem voar num determinado avião após autorização de alguém que desconhece aviões, ou se

alguns aeroportos podem ser utilizados por determinados passageiros e por outros não. Será que no uso de algum equipamento tem, na cabine de comando, algum funcionário da empresa que fornece o equipamento orientando e sugerindo outros?

Acredito que não há este tipo de interferência no exercício da proissão de piloto, mas tenho certeza que se houvesse não aceitariam nenhuma dessas opções. Exigiriam as melhores condições

para preservar a vida de seus passageiros e a sua.

Nós, ao aceitarmos hospitais em condições inadequadas e seleção de materiais baseada em qual

-quer critério que não seja o nosso, colocamos em risco nossos pacientes e a nossa vida proissional. Nas duas proissões, a responsabilidade é pessoal e intransferível, não há ética institucional,

só pessoal.

Os pilotos se submetem a constantes treinamentos em simuladores e a rigorosos exames médi-cos periódimédi-cos para exercerem a sua responsabilidade.

Para aceitarmos a nossa responsabilidade tivemos um longo histórico de formação acadêmica, uma residência médica penosa e difícil, um exame de seleção rigoroso e uma constante educação continuada. Aprimoramos nossa responsabilidade a cada congresso, a cada artigo que lemos, a cada caso que discutimos e a cada opinião que ouvimos.

Não podemos, sob nenhuma hipótese, fazer concessões. Ninguém tem poder e é capaz de con -testar o nosso julgamento, pois o responsável tem autoridade de escolher e selecionar tudo aquilo pelo qual responderá, este é um preceito legal.

Assim como esperamos que os pilotos exercerão sua responsabilidade com o maior rigor, vamos exercer a nossa.

Referências

Documentos relacionados

The objective of this study was to evaluate the possibility of using this suprapatellar surgical access to introduce the intramedullary nail for the tibia, with comparisons between a

In the present study, we analyze the clinical and radiological results from surgical treatment of skewed consolidation of the distal radius by means of extra-articular osteotomy in

The present study had the aim of evaluating the characteristics of pediatric patients with fractures of the femoral diaphysis who were attended at the Pe- diatric Orthopedics

Objective: To evaluate the double-band and single-band techniques for anatomical reconstruction of the anterior cruciate ligament of the knee and demonstrate that the double-

The following measurements were obtained from the MRI: anteroposterior distances along the late- ral and medial femoral condyles, measured on their greatest anteroposterior

Arthroscopic stabilization of recurrent traumatic shoulder dislocation, by means of a reconstruction technique using metal anchors, presented good or ex- cellent functional results

Objective: To assess the clinical results obtained of patients who underwent arthroscopic surgical treatment following a first episode of traumatic anterior shoulder dislocation.. Me-

In the first study, the Shoulder and Elbow Group of the Department of Orthopedics and Traumatology, School of Medical Sciences, Santa Casa de São Paulo, evaluated 55 baseball