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Disciplina
Empreendedorismo
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Professor(a)
Franklin Jorge Santos
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Professor: Franklin Jorge Santos.
Disciplina: Empreendedorismo.
Carga Horária: 60 ha
SUMÁRIO
Quadro-síntese do conteúdo programático Contextualização da disciplina
MÓDULO 1 - Origem e Evolução do Empreendedor
1.1 Empreendedorismo - Aspectos Conceituais; 1.2 Conceitos relacionados ao empreendedor; 1.3 A utilidade dos empreendedores;
1.4 Empreendedorismo por oportunidade e por necessidade; 1.5 Características, valores e virtudes do ser empreendedor; 1.6 O líder empreendedor;
1.7 O futuro do empreendedorismo no Brasil e no mundo. Mensagem ao aluno:
Prezado aluno você está recebendo o primeiro módulo da disciplina, com os respectivos, estudo de casos e exercícios de revisão do conteúdo. Bom estudo. Dedique-se.
CONTEXTUALIZAÇÃO DA DISCIPLINA
Diz-se que a visão empreendedora já nasce com o indivíduo, não se constrói. No entanto, temos convicção de que eles podem ser desenvolvidos e este potencial empresarial é uma qualidade muito comum entre a população em geral.
Antes de iniciar qualquer tipo de atividade de risco no ramo de negócios é fundamental identificar seu potencial empreendedor, desenvolver habilidades empreendedoras, desenvolver suas características de comportamento empreendedor e identificar oportunidades e recursos.
Os problemas que afligem ou desafiam os empresários são ilimitados. Eles variam desde motivação pessoal, família, empregados e sócios, fornecedores e impostos.
Os impostos, frequentemente, causam grandes preocupações e problemas para muitos empresários, pois tanto por evitar quanto por não pagar eles acabam sendo motivo de rombos no caixa da empresa no fim do mês. As altas taxas de impostos têm levado alguns pequenos negócios para a economia informal.
A definição dos preços é um problema comum para novos empresários. O novo empresário não tem a experiência nem a segurança para determinar os preços de forma correta. Muitos não entendem a relação entre o preço e o mercado e consideram a definição dos preços como uma função de contabilidade, quando na verdade é uma função de persuasão e planejamento estratégico.
Vender ou não vender é a causa fundamental de muitos problemas, pois a maioria dos empresários tende a se interessar mais pelo desenvolvimento do produto do que pelo marketing, consideram que as vendas são problemas de outras pessoas, não deles.
Uma série de problemas é de competência da administração e um dos mais difíceis é o de pessoal, contratação, treinamento e supervisão. Um erro comum nos novos empresários é contratar alguém sem conhecimento prévio do que exatamente vai querer que ele faça. O treinamento de novos empregados é um item de alto custo que os proprietários de negócios, muitas vezes, não percebem claramente. Administrar significa conseguir que os outros façam as coisas de forma organizada e estejam motivados a fazê-lo. Embora isso possa ser demorado e levar até mesmo anos para se aprender, provoca resultados significativos.
Um conceito errôneo de um produto pode abalar profundamente as vendas e a sobrevivência de uma pequena empresa. Um mau produto ou serviço é particularmente destrutivo para novos negócios. A seleção correta do produto requer uma análise cuidadosa e pesquisa de mercado.
Muitos negócios são afetados por problemas com sócios e membros da equipe. Embora alguns negócios possam ter uma maior chance de sobreviver com sócios do que sem eles, sociedades podem provocar desavenças, disputas e separações. Trabalhar efetivamente em equipe é uma questão de vital importância e que diz respeito ao empreendedor de sucesso.
Segundo o Dornelas (2008), ao analisar as várias definições existentes para o termo “empreendedorismo”, alguns aspectos sempre estarão presentes em todas elas, principalmente no que diz respeito ao comportamento empreendedor, como:
• Iniciativa para criar um novo negócio e paixão pelo que faz;
• Utilização de recursos disponíveis de forma criativa transformando o ambiente social e econômico;
Ou seja, o empreendedor é aquele que faz as coisas acontecerem se antecipa aos fatos e tem uma visão futura da organização.
Módulo I
1.1 Empreendedorismo - Aspectos Conceituais
“O Empreendedorismo é uma revolução silenciosa, que será para o século 21 mais do que a revolução industrial foi para o século 20.”
Timmons, Jefrey A., New Venture Creation, Irwin, Boston, USA
O primeiro uso do termo “empreendedorismo” foi registrado por Richard Cantillon, em 1755, para explicar a receptividade ao risco de comprar algo por um determinado preço e vendê-lo em um regime de incerteza. Jean Baptiste Say, em 1803 ampliou essa definição- para ele, empreendedorismo esta relacionado àquele que “transfere recursos econômicos de um setor de produtividade mais elevada e de maior rendimento” ficando, portanto, convencionado que quem abre seu negócio é um empreendedor.
Como já dito o empreendedorismo tem sua origem na reflexão dos pensadores econômicos do século XVIII e XIX. O empreendedorismo tem sido visto como um engenho que direciona a inovação e promove o desenvolvimento econômico.
Figura 1- Algumas invenções e conquistas do século XX
Fonte: Dornellas (2008, p.6)
1.2 Conceitos relacionados ao empreendedor
A psicologia, a filosofia, a sociologia, a economia, a administração, a política e a medicina, para citar apenas algumas das ciências, vêm se interessando pelo assunto e trazendo suas próprias contribuições, com suas respectivas abordagens para definir esse que vem sendo o grande fenômeno socioeconômico deste século.
Cunningham e Lischeron (1991, apud HASHIMOTO, 2009, p.2) classificaram as escolas de pensamento em torno de um tema em uma boa tentativa de posicionar os estudos sob diferentes perspectivas. Estas seis escolas estão descritas a seguir:
A escola Bibliográfica estuda a história de vida de grandes empreendedores, mostrando que os traços empreendedores são inatos e não podem ser desenvolvidos. A pessoa simplesmente nasce empreendedora.
A escola psicológica estuda as características comportamentais e de personalidade dos empreendedores. Nesta escola assume-se que o empreendedor desenvolve uma série de atitudes, crenças e valores que moldam sua personalidade em três campos áreas de atenção: valores pessoais, como: honestidade, comprometimento, responsabilidade e ética; propensão ao risco, e necessidade de realização.
1903: Avião motorizado
1915: Teoria geral da relatividade 1923: Aparelho televisor
1928: Penicilina 1937: Náilon 1943: Computador 1945: Bomba atômica
1947: Descoberta da estrutura do DNA abre caminho para a engenharia genética 1957: Sputnik, o primeiro satélite
1958: Laser
1961: O homem vai ao espaço 1967: Transplante de coração
1969:O homem chega à lua; inicio da internet, Boeing 747 1970: Microprocessador
1989 : Wold Wide Web
1993: Clonagem de embriões humanos
A escola clássica tem como principal característica a inovação. Ela crê que o empreendedor é aquele que “cria algo” e não simplesmente o “possui”. Descoberta, inovação, criatividade são os temas de estudo desta escola. A base desta linha de estudos é o trabalho do economista Joseph Schumpeter(1950, apud HASHIMOTO, 2009, p.2).
A escola da administração sugere que o empreendedor é uma pessoa que organiza e administra um negocio, assume os riscos de prejuízo e o lucro inerentes a ele, planejando, supervisionando, controlando e direcionando o empreendimento. A importância do plano de negócios, como instrumento de planejamento e estruturação de idéias, nasce desta escola.
A escola da liderança mostra que o empreendedor é um líder que mobiliza as pessoas em torno de objetivos e propósitos. Esta escola parte do pressuposto nenhum empreendedor obtém resultados sozinho. É preciso, acima de tudo, que ela saiba montar sua equipe, motivá-la e desenvolvê-la para construir coisas em conjunto.
Escola corporativa diz que as habilidades empreendedoras podem ser úteis em organizações complexas, para ações de foco bastante especifico como abrir um mercado, expandir serviços ou desenvolver produto. Seu foco de estudo é a organização e o seu desenvolvimento. Ela ganhou relevância a partir da necessidade e das dificuldades das organizações em desenvolver empreendedores internos ou o clima empreendedor.
1.3 A utilidade dos empreendedores
O empreendedor revolucionário é aquele que cria novos mercados por meio de algo único. Entretanto, a maioria dos empreendedores cria negócios em mercados já existentes apesar do sucesso na atuação de segmentos já estabelecidos. Qualquer que seja o tipo de empreendedor- revolucionário ou conservador-, qualquer que seja o caminho escolhido para entrar e sobreviver no mercado, o processo empreendedor requer os seguintes passos:
• Identificação do desenvolvimento de uma oportunidade na forma de visão;
• Validação e criação de um conceito de negócio e estratégias que ajudem a alcançar essa visão por meio da criação, aquisição, franquia, etc;
• Captação de recursos necessários para implementar o conceito, ou seja, talentos, tecnologias, capital de crédito, equipamentos, etc;
• Implementação de conceito empresarial ou de empreendimento para fazê-lo começar a trabalhar.
• Captura da oportunidade por meio do inicio e crescimento do negocio;
Todas essas atividades levam tempo e não obedecem às regras definidas, fazendo por vezes que o empreendedor volte atrás no processo, ou ainda, mude os caminhos para ajustar seu negocio às novas oportunidades.
1.4 Características, valores e virtudes do ser empreendedor
O empreendedor é a pessoa que consegue fazer as coisas acontecerem, pois é dotado de sensibilidade para os negócios, tino financeiro e capacidade de identificar oportunidades. Com esse arsenal, transforma idéias em realidade, para beneficio próprio e para beneficio da comunidade. Por ter criatividade e um alto nível de energia, o empreendedor demonstra imaginação e perseverança, aspectos que, combinados adequadamente, o habilitam a transformar uma idéia simples e mal- estruturado em algo concreto e bem sucedido no mercado.
O empreendedor deverá possuir um perfeito conhecimento e domínio de sua atividade. Isso poderá ser comprovado por um plano de negócios conciso, completo, de fácil comunicação a terceiros e que reflita, de forma realista e clara, o empreendimento em si, o mercado em que está inserido, seus principais concorrentes, fornecedores e equipe de gestão. Além disso, deve informar a etapa em que o negócio se encontra o que planeja para curto, médio e longo prazo, as ações delineadas para atingir as metas estabelecidas e quais os resultados esperados. O empreendedor também deverá estar aberto a aconselhamentos e participação ativa de terceiros em seu negócio, de forma a obter o melhor proveito da sinergia assim criada.
Assumir riscos. É a primeira e uma das maiores qualidades do verdadeiro empreendedor. Arriscar conscientemente é ter coragem de enfrentar desafios, de tentar um novo empreendimento, de buscar, por si só, os melhores caminhos. É ter autodeterminação. Os riscos fazem parte de qualquer atividade e é preciso aprender a lidar com eles.
Identificar oportunidades. Ficar atento e perceber, no momento certo, as oportunidades que o mercado oferece e reunir as condições propícias para a realização de um bom negócio é outra marca importante do empresário bem-sucedido. Ele é um indivíduo curioso e atento a informações, pois sabe que suas chances melhoram quando seu conhecimento aumenta.
Determinar seus próprios passos, abrir seus próprios caminhos, ser seu próprio patrão, enfim, buscar a independência é meta importante na busca do sucesso. O empreendedor deve ser livre, evitando protecionismos que, mais tarde, possam se transformar em obstáculos aos negócios. Só assim surge a força necessária para fazer valer seus direitos de cidadão-empresário.
Tomar decisões. O sucesso de um empreendimento, muitas vezes, está relacionado com a capacidade de decidir corretamente. Tomar decisões acertadas é um processo que exige o levantamento de informações, análise fria da situação, avaliação das alternativas e a escolha da solução mais adequada. O verdadeiro empreendedor é capaz de tomar decisões corretas, na hora certa.
Liderança, dinamismo e otimismo Liderar é saber definir objetivos, orientar tarefas, combinar métodos e procedimentos práticos, estimular as pessoas no rumo das metas traçadas e favorecer relações equilibradas dentro da equipe de trabalho, em torno do empreendimento. Dentro e fora da empresa, o homem de negócios faz contatos. Seja com clientes, fornecedores e empregados. Assim, a liderança tem que ser uma qualidade sempre presente.
Um empreendedor de sucesso nunca se acomoda, para não perder a capacidade de fazer com que simples idéias se concretizem em negócios efetivos. Manter-se sempre dinâmico e cultivar certo inconformismo diante da rotina é um de seus lemas preferidos.
O otimismo é uma característica das pessoas que enxergam o sucesso, em vez de imaginar o fracasso. Capaz de enfrentar obstáculos, o empresário de sucesso sabe olhar além e acima das dificuldades.
Planejamento e plano de negócios. Liderar é saber definir objetivos, orientar tarefas, combinar métodos e procedimentos práticos, estimular as pessoas no rumo das metas traçadas e favorecer relações equilibradas dentro da equipe de trabalho, em torno do empreendimento. Dentro e fora da empresa, o homem de negócios faz contatos. Seja com clientes, fornecedores e empregados. Assim, a liderança tem que ser uma qualidade sempre presente.
Existe uma importante ação que somente o próprio empreendedor pode e deve fazer pelo seu empreendimento: planejar, planejar e planejar. No entanto, é notória a falta de cultura de planejamento do brasileiro, que por outro lado é sempre admirado pela sua criatividade e persistência.
Muito do sucesso creditado às micro e pequenas empresas em estágio de maturidade é creditado ao empreendedor que planejou corretamente o seu negócio e realizou uma análise de viabilidade criteriosa do empreendimento antes de colocá-lo em prática. Quando se considera o conceito de planejamento, têm-se pelo menos três fatores críticos que podem ser destacados:
- Toda empresa necessita de um planejamento do seu negócio para poder gerenciá-lo e apresentar sua idéia a investidores, bancos, clientes e para seus parceiros, sejam eles fornecedores ou seus funcionários,
- Toda entidade provedora de financiamento, fundos e outros recursos financeiros necessita de um plano de negócios da empresa requisitante para poder avaliar os riscos inerentes ao negócio, e
- Poucos empresários sabem como escrever adequadamente um bom plano de negócios. A maioria destes é composta de micro e pequenos empresários, os quais não têm conceitos básicos de planejamento, vendas, marketing, fluxo de caixa, ponto de equilíbrio e projeções de faturamento. Quando entendem o conceito, geralmente não conseguem colocá-lo objetivamente em um plano de negócios.
Tino empresarial. O que muita gente acredita ser um "sexto sentido", intuição, faro empresarial, típicos de gente bem-sucedida nos negócios é, na verdade, na maioria das vezes, a soma de todas as qualidades descritas até aqui. Se o empreendedor reúne a maior parte dessas características terá grandes chances de êxito. Quem quer se estabelecer por conta própria no mercado interno e, principalmente, alçar vôos mais altos na conquista do mercado externo deve saber que clientes, fornecedores e mesmo os concorrentes só respeitam os que se mostram à altura do desafio.
Como empresário e empreendedor, você deve vender três coisas: Você mesmo, sua empresa e seu produto. Ser bom vendedor e crucial para o perfil de um grande empreendedor.
Perfil do empreendedor:
Aceitação do risco – o empreendedor aceita riscos, ainda que muitas vezes seja cauteloso e
precavido contra o risco.
Ambição – o empreendedor procura fazer sempre mais e melhor, nunca se contentando
com o que já atingiu. Não tentar progredir significa estagnar e um empreendedor deve ter a ambição de chegar um pouco mais além do que da última vez.
Auto-confiança – o empreendedor tem auto-confiança, acredita em si mesmo. Se não
acreditasse, seria difícil tomar a iniciativa. A crença em si mesmo faz o indivíduo arriscar mais, ousar, oferecer-se para realizar tarefas desafiadoras, enfim, torna-o mais empreendedor.
Auto-motivação e entusiasmo – pessoas empreendedoras são capazes de auto motivação
relacionada com desafios e tarefas em que acreditam. Não necessitam de prêmios externos, como compensação financeira. A sua motivação permite entusiasmarem-se com suas idéias e projetos.
Capacidade de trabalho em equipe – o empreendedor cria equipe, delega, acredita nos
outros e obtém resultados por meio de outros indivíduos.
Conhecimentos técnicos – para ser um empreendedor não basta possuir características
empreendedoras; é preciso adquirir conhecimentos técnicos, daí que a formação em empreendedorismo seja fundamental para um empreendedor adquirir e/ou melhorar os seus conhecimentos.
Controle – o empreendedor acredita que a sua realização depende de si mesmo e não de
forças externas sobre as quais não tem controle. Ele vê-se com capacidade para se controlar a si mesmo e para influenciar o meio de tal modo que possa atingir os seus objetivos.
Criatividade – à medida que a concorrência se intensifica, a necessidade de criar novas
coisas em novos mercados também aumenta. Já não é suficiente fazer a mesma coisa de maneira melhor. Pelo contrário, é preciso que o empreendedor vá mais longe, apostando na criatividade, para que os negócios possam evoluir com as mudanças.
Decisão e responsabilidade – o empreendedor não fica à espera que os outros decidam
por ele. Ele toma decisões e aceita a responsabilidade que acarreta.
Determinação – o empreendedor deve definir metas e consequentemente tentar atingi-las,
sempre com um espírito positivo, sem se deixar abater por algo que corra mal.
Eficiência – o que o empreendedor faz, fazer o melhor que sabe e pode.
Energia – é necessária uma dose de energia para se lançar em novos projetos que
geralmente exigem intensos esforços iniciais. O empreendedor dispõe dessa reserva de energia, provavelmente proveniente de seu entusiasmo e motivação.
Flexibilidade – o empreendedor adapta-se às circunstâncias que o rodeiam, pois se algo
corre diferente do inicialmente previsto, o empreendedor não deve desistir, mas sim alterar os seus planos de modo a atingir os seus objetivos.
Iniciativa – o empreendedor não fica à espera que os outros (governo, empregador,
familiar) venham resolver o seu problema. A iniciativa é a capacidade daquele que, tendo um problema qualquer, age: arregaça as mangas e parte para a solução.
Liderança – o empreendedor tem a capacidade de planear um projeto e pô-lo em prática,
Otimismo – o empreendedor é otimista, o que não quer dizer sonhador ou iludido.
Acredita nas possibilidades que o mundo oferece, acredita na possibilidade de solução dos problemas, acredita no potencial de desenvolvimento.
Persistência – o empreendedor, por estar motivado, convicto, entusiasmado e crente nas
possibilidades, é capaz de persistir até que as coisas comecem a funcionar adequadamente.
Sem medo do fracasso e da rejeição – o empreendedor fará tudo o que for necessário para
não fracassar, mas não é atormentado pelo medo paralisante do fracasso. Pessoas com grande amor próprio e medo do fracasso preferem não correr o risco de não acertar – ficam, então, paralisadas.
1.5 Empreendedorismo por oportunidade e por necessidade
A criação de empresas por si só não leva ao desenvolvimento econômico, a não ser que esses negócios estejam focando oportunidades no mercado. Isso passou a ficar claro a partir do estudo anual do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) - utilizada para medir as taxas de empreendedorismo mundial.
O GEM diferencia os empreendedores em função de sua motivação para desenvolver um negócio próprio. O objetivo é verificar se as iniciativas empreendedoras decorrem de oportunidades de negócios ou se estão relacionadas à falta de opções no mercado de trabalho. Tem-se, portanto, as taxas de empreendedorismo por oportunidade e por necessidade. Originam-se duas definições de empreendedorismo, a seguir:
A primeira seria empreendedorismo por oportunidade, em que o empreendedor visionário sabe aonde quer chegar, cria uma empresa com planejamento prévio, tem em mente o crescimento que quer buscar para a empresa e visa à geração de lucros, empregos e riqueza.
A segunda definição seria o empreendedorismo por necessidade, em que o candidato a empreendedor se aventura na jornada empreendedora mais por falta de opção, por estar desempregado e não ter alternativas de trabalho. Nesse caso, esses negócios costumam ser criados informalmente, não são planejados de forma adequada e muitos fracassam bastante rápido, não gerando desenvolvimento econômico e agravando as estatísticas de criação e mortalidades de negócios.
1.6 O líder empreendedor
que aparecem em uma velocidade estonteante, assim co
Necessita principalmente desenvolver a capacidade de saber se comunicar com sua equipe de trabalho. Liderança sempre foi um tema estudado por muitos cientistas sociais e psicólogos, pois é uma importante característica presente dentro dos grupos e particularmente dentro das organizações. A infinidade de teorias sobre esse tema pode, de certa maneira, esclarecer muitos pontos, porém, pode também, dificultar a escolha de um modelo mais adequado.
O líder convive todos os dias com a diversidade e complexidade dos sistemas. Nestes sistemas processos, tecnologia e pessoas se misturam. Em um ambiente de profundas mudanças o líder precisa ser empreendedor e facilitador de processos além de aliar as necessidades da empresa e as necessidades individuais de seus colaboradores.
A definição de liderança também sofreu algumas modificações ao longo dos anos. A mais difundida diz que liderança é um processo de influenciar as atividades de um grupo organizado com relação aos seus esforços em relação ao estabelecimento de objetivos e ao esforço para atingi-los.
Atualmente, a liderança passou a ser vista mais como um “ato simbólico”, em que o líder toma para si a responsabilidade de identificar e desenvolver para os seus subordinados um senso do que é importante - definindo a realidade organizacional. Essa segunda definição é mais fluida que a primeira. Nela, o papel do líder é promover valores que resultarão em um significado comum para o grupo/organização sobre a natureza do negócio.
Podem-se descrever quatro tipos básicos de liderança:
Liderança Autocrática: é o líder quem determina as idéias e o que será executado pelo grupo, e isso implica na obediência por parte dos demais.
Liderança Democrática: nesse estilo de liderança, o grupo é considerado o centro das decisões, não tão somente a pessoa do líder. Isso não significa que, na liderança democrática, o papel do líder perca sua importância, pois é exatamente aí que a mesma fica bem caracterizada, distinguindo-se das funções de simples chefia e ganhando um sentido mais profundo.
Liderança Liberal: é aquela em que o líder funciona apenas como agente de informação, reduzindo sua importância na atividade de grupo e obtendo o mínimo de controle; o líder estimula a iniciativa e a criatividade, atuando como facilitador do processo.
Há várias competências que precisam ser desenvolvidas: ter visão de futuro; catalisar as soluções dentro e fora da empresa; transformar dados em informações; distribuí-las adequadamente e com rapidez para toda a equipe e para a empresa; avaliar os processos e inovar; usar e criar novas tecnologias; ser capaz de perceber e atender às necessidades da equipe, da empresa e do mercado; identificar tendências; valorizar as pessoas e os seus talentos e gerir projetos e promover mudanças.
Este perfil é totalmente diferente do líder do século passado que impunha os objetivos sem a participação das pessoas. Sua liderança tem que ser visionária e ao mesmo tempo capaz de formular estratégias para materializar, junto com a equipe que ele foi capaz de formar e capacitar, a visão de futuro estabelecida de forma participativa. Verá que o sucesso também está no fato de se ter uma equipe com formação coesa, preparada e envolvida com diretrizes bem definidas. Saberá identificar novas oportunidades, internamente, para fazer a estratégia se materializar dentro da visão de futuro e que não adianta determinar nada se as pessoas que serão impactadas não estiverem se sentindo envolvidas no processo. Seria como perguntar para todos: onde queremos chegar e fazer com que todos, de maneira organizada, desenhem o caminho.
Outro ponto é a questão da comunicação entre os liderados e o líder. Saber se comunicar com sua equipe é importante para o bom processo de gestão. Independentemente da postura do líder o “feedback” é essencial ao aprendizado. O líder do mais autocrático ao mais liberal poderá errar se deixarem de construir um canal direto e aberto para a comunicação entre as partes. Dessa forma, estimular uma cultura empresarial que valorize o “feedback” se torna decisivo para eliminar as restrições que impedem o crescimento dos trabalhadores e, por conseguinte, da empresa.
Um líder empreendedor tem uma visão mais crítica e reivindicativa perante as atitudes e ações que deve desempenhar, devendo saber ajudar cada membro da equipe a ajustar o seu comportamento para o alcance das metas e a encontrar a sua satisfação pessoal nesta trajetória. Enquanto líder terá que basear a sua gestão na confiança, na valorização das pessoas, na sinergia, na cooperação e em um processo de comprometimento e de envolvimento mental constante e negociado.
1.7 O futuro do empreendedorismo no Brasil e no mundo
O movimento do empreendedorismo no Brasil começou a tomar forma na década de 1990, quando entidades como o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas empresas) e a Softex (Sociedade Brasileira para Exportação de Software) foram criadas. Antes disso praticamente não se falava em empreendedorismo e em criação de pequenas empresas.
O fato que chamou a atenção dos envolvidos com o movimento de empreendedorismo no mundo e principalmente, no Brasil foi o resultado do primeiro relatório executivo da Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2000), onde o Brasil apareceu como o país que possui a melhor relação entre o numero de habitantes adultos que começam um novo negocio e o total dessa população: 1 em cada 8 adultos. Observou-se que o brasileiro adulto tem uma mentalidade empreendedora bastante desenvolvida. Esse foi outro aspecto favorável ao Brasil demonstrado na pesquisa. Constatou-se que, direta ou indiretamente, a atividade empreendedora faz parte da vida cotidiana do brasileiro.
Criado em 1999, o (GEM) é o maior estudo independente do mundo sobre a atividade empreendedora, abrangendo mais de 50 países consorciados, o que representa 90% do PIB e 2/3 da população mundial. O GEM é atualmente coordenado pela London Business School (Inglaterra) e Babson College (Estados Unidos).
No Brasil, desde 2000, o GEM vem se consolidando como uma importante referência para as iniciativas relacionadas ao empreendedorismo. O projeto é liderado no País pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), que coordena e executa o GEM, tendo como parceiros o SEBRAE Nacional, a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Sistema Fiep), a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR) e o Centro Universitário Positivo (Unicenp).
A pesquisa GEM também identifica e distingue em cada país que participa do estudo, um conjunto de "Condições Nacionais que Afetam o Empreendedorismo". Entre essas condições está a "Atual Política relativa ao Empreendedorismo". Nela é analisado até que ponto as políticas governamentais regionais e nacionais, refletidas ou aplicadas em termos de tributos e regulamentações, são neutras ou encorajam ou não o surgimento de novos empreendimentos.
uma piora relativa do Brasil. Países como Bolívia, Angola, Macedônia e Egito realizaram a pesquisa GEM pela primeira vez neste ano e ocuparam posições entre os dez países com as maiores taxas de empreendedorismo. A TEA apresentada pelo Brasil em 2008 ficou próxima das taxas obtidas por Uruguai (11,90) e Chile (13,08) e semelhante também às apresentadas por Índia (11,49) e México (13,09).
Os países da América Latina e Caribe foram os mais empreendedores na rodada da Pesquisa GEM em 2008. A Bolívia ficou em primeiro lugar, com uma TEA de 29,82, o que significa que um em cada três bolivianos desempenhou alguma atividade empreendedora. O Peru ocupou o segundo lugar no ranking, com uma TEA de 25,57, ou seja, um em quatro peruanos realizou atividades empreendedoras. No outro extremo do ranking, pode-se observar que os últimos lugares foram ocupados por países desenvolvidos, com a Bélgica em último lugar, precedida por Rússia e Alemanha.
A GEM 2008 revela dados preocupantes. A inovação ainda está longe de se tornar uma realidade nas empresas brasileiras. Apenas 3,3% dos entrevistados acreditam que seus produtos podem trazer alguma novidade para quem comprá-los. Em oposição a este dado, 68% dos brasileiros acreditam na importância de se lançar produtos inovadores, segundo a GEM. O dado revela que o consumidor brasileiro quer inovação, mas as empresas ainda não conseguem atendê-lo.
REFERÊNCIAS:
CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo: Dando asas ao espírito empreendedor.Saraiva: 3. ed,2008.
DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo Corporativo-Como ser empreendedor, inovar e se diferenciar na sua empresa. Campus, 2. ed , 2009.
___________________________. Empreendedorismo: Transformando idéias em negócios. Campus. 3. ed, 2008.
DRUCKER, Peter F. Inovação e espírito empreendedor: prática e princípios. São Paulo: Ed. Pioneira, 2002.
ELLIS, J. R. e TAYLOR, N. T. Specifying Entrepreneurship. Frontiers of Entrepreneurship Research. Wellesley: Babson College, 1987.
HASHIMOTO, Marcos. Espírito empreendedor nas Organizações: Aumentando a competitividade através do intra- empreendedorismo. Saraiva: 3 ed,2009.
KAWASAKI, GUY .A Arte do Começo. Nacional: Best Seller, 2006.
SANTOS, S. A., et al (org.). Empreendedorismo de Base Tecnológica: evolução e trajetória. Maringá: UNICORPORE, 2005.
HERSEY, P. & BLANCHARD, K. Psicologia para Administradores de Empresas. São Paulo:EPU, 2 ed, 1977.
MUCHINSKY, Paul M. Psicologia Organizacional. Trad. Ruth Gabriela Bahr. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004.
DEWES, M. 2005. Empreendedorismo e Exportação no Setor de Desenvolvimento de Software: Características de Empreendedores e Empresas. Dissertação (Mestrado em Administração) Escola de Administração. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2005.
Disponível em <http://volpi.ea.ufrgs.br/teses_e_dissertacoes/td/004042.pdf>.
Acesso em 04.dez.09.
SILVEIRA, A.; GONÇALVES, G.; BONELI, J.; CASTRO, E.; BARBOSA, P.; VILLENA, D. Empreendedorismo: a Necessidade de se Aprender a Empreender. Disponível em
http://www.novomilenio.br/foco/2/artigo/artigo_daniele.pdf>. Acesso em 04.dez.09.