Mestrado Integrado em Medicina
RELATÓRIO FINAL DE ESTÁGIO DO 6º ANO
Pedro Alexandre Pires Branco
Relatório Final de Estágio do 6º Ano Ano Letivo 2014/2015
“The physician must be able to tell the antecedents, know the present, and foretell the future — must mediate these things, and have two special objects in view with regard to disease,
Relatório Final de Estágio do 6º Ano Ano Letivo 2014/2015
Índice
1.1. Introdução ... 1
1.2. Descrição das Actividades Desenvolvidas ... 1
1.3. Estágios Profissionalizantes ... 1
1.3.1. Pediatria ... 1
1.3.2. Ginecologia e Obstetrícia ... 2
1.3.3. Saúde Mental ... 3
1.3.4. Medicina Geral e Familiar ... 4
1.3.5. Medicina Interna ... 4
1.3.6. Cirurgia Geral ... 5
1.4. Unidade Curricular Opcional ... 6
1.1. Introdução
O Mestrado Integrado em Medicina compreende uma Licenciatura em Ciências Básicas da Saúde, culminando com um ano profissionalizante organizado num conjunto de estágios parcelares.
O presente relatório servirá como método objetivo de análise e crítica das atividades realizadas durante o estágio profissionalizante do 6º ano do mestrado integrado em Medicina da Nova Medical School/Faculdade de Ciências Médicas (NMS/FCM) do ano letivo 2015/2016. Este visa expor as atividades desenvolvidas através de uma breve descrição de cada estágio realizado (Descrição das Atividades Desenvolvidas), colocando em destaque alguns objetivos mais específicos para cada estágio em particular; apresentar uma análise das atividades realizadas (Reflexão Critica Final) e, por fim, evidenciar atividades extracurriculares (Anexos), pois considero importante continuar a enriquecer a minha formação com o desempenho de atividades extracurriculares.
Para esta etapa final da minha formação estabeleci os seguintes objetivos gerais: desenvolver o conhecimento clínico; aperfeiçoar a avaliação do doente e a gestão dos respetivos problemas médicos, abordando o doente de uma perspectiva holística e biopsicossocial; reconhecer e aplicar a prevenção e promoção da saúde oportunamente; interagir eficazmente com o doente, a família e os restantes profissionais de saúde; respeitar os princípios éticos e deontológicos, mantendo uma conduta e um comportamento irrepreensíveis; fazer uso correto das tecnologias da informação; estabelecer estratégias de autoaprendizagem e atualização constantes.
1.2. Descrição das Actividades Desenvolvidas
1.3. Estágios Profissionalizantes
1.3.1. Pediatria - 14 de setembro a 9 de outubro de 2015
Objetivos: Consolidar conhecimentos das doenças pediátricas mais comuns; desenvolver capacidades comunicativas com os doentes de idade pediátrica, mas também com os pais ou cuidadores; assimilar a importância dos cuidados de saúde na promoção do bem-estar físico, mental e social do doente em pediatria, bem como a importância do agregado familiar e as repercussões da doença da criança neste.
Descrição das Atividades: Este estágio teve a duração de quatro semanas, e decorreu na UCERN - Unidade de Cuidados Especiais Respiratórios e Nutricionais do Hospital de Dona Estefânia, sob tutela do Dra. Rute Neves. No decorrer deste estágio, integrei-me na rotina do serviço, onde são característicos nesta unidade longos internamentos de patologias raras e crónicas e na sua maioria graves, que necessitavam de um apoio médico e de enfermagem quase constante constantes. Isto exigiu, muitas vezes, grande flexibilidade na orientação terapêutica e o corte de medidas de conforto, o que permitiu perceber a importância da comunicação com o agregado familiar e as repercussões da doença neste. Apesar da parte clínica desta Unidade se apresentar com um cariz mais especifico e especializado, os objectivos gerais para este estágio foram alcançados pela passagem, durante uma semana, no serviço de Infeciologia Pediátrica e complementados pelas consultas externas da minha tutora, onde foram consolidados os conhecimentos sobre as patologias mais comuns. Este estágio ainda foi complementado por múltiplas reuniões e sessões formativas internas, frequentado as aulas teórico práticas de Imunoalergologia, redigido uma história clínica que, posteriormente, foi alvo de avaliação e elaborado um trabalho de grupo intitulado " PFAPA (Periodic Fever, Adenitis, Pharyngitis, Aphtous Stomatitis)".
1.3.2. Ginecologia e Obstetrícia - 12 de outubro a 6 de novembro de 2015 Regência: Prof.ª Doutora Fátima Serrão Orientadora: Dra. Adriana Franco Local de Estágio: Hospital Vila Franca de Xira (HVFX)
Objetivos: Consolidar os conhecimentos previamente adquiridos no âmbito da
determinadas manobras particulares do exame objetivo e familiarizar-me com determinados procedimentos técnicos de índole diagnóstica e terapêutica.
Descrição das Atividades: Neste estágio não houve uma divisão rígida entre Ginecologia e Obstetrícia, tendo tido a oportunidade de ter contato com as patologias e de participar nas diversas áreas de Obstetrícia e de Ginecologia exercidas pela minha tutora, ao longo do mesmo, o que me permitiu experimentar diferentes vivências da área da Ginecologia, nomeadamente, no bloco operatório, enfermaria, consultas externas, do colo do útero e uroginecologia. Mais especificamente na área da Obstetrícia tive oportunidade de contatar com consultas de materno-fetal, ecografias obstétricas e de assistir a cesarianas programadas e partos eutócicos, frequentei a enfermaria de grávidas e o puerpério. Durante as 4 semanas, ainda frequentei o serviço de urgência uma vez por semana, que complementou os meus objectivos tanto com casos de Ginecologia como de Obstetrícia.
No final do estágio, foi efetuada uma apresentação oral, tendo como base as linhas orientadoras terapêuticas (guidelines) do presente ano, publicadas pelo Center for Disease Control and Prevention (CDC) sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s).
1.3.3. Saúde Mental - 9 de novembro a 4 de dezembro de 2015
Regência: Prof.º Doutor Miguel Xavier Orientador: Dr. Gonçalo Sobreira Local de Estágio: Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL)
Objectivos: adquirir e consolidar conhecimentos teórico-práticos em relação ao diagnóstico, tratamento e encaminhamento das principais patologias psiquiátricas, assim como, saber identificá-las e diferenciá-las; desenvolver competências comunicacionais na relação interpessoal médico-doente; tentar compreender a base da entrevista clinica no contexto da Saúde Mental, assim como, adquirir conceitos sobre a abordagem prática do doente psiquiátrico agudo.
patologias neurológicas, mas com repercussão psiquiátrica e, ainda, observar no S.U. do Hospital São José o funcionamento da urgência psiquiátrica e várias patologias mais prevalentes nesse contexto. Deste modo, foram atingidos os objectivos gerais e ainda foi possível obter uma visão mais integradora da Psiquiatria nas outras especialidades.
1.3.4. Medicina Geral e Familiar - 7 de dezembro de 2015 a 15 janeiro de 2016 Regência: Prof.ª Doutora Isabel Santos Orientador: Dr. Vasco Freire
Local de Estágio: Unidade de Saúde Familiar (USF) – S. João Evangelista dos Lóios Objectivos: Integrar-me no funcionamento de uma Unidade de Cuidados de Saúde Primários; adquirir competências na abordagem clínica centrada no doente, sendo capaz de reconhecer as suas dimensões somáticas, psicológicas e sociais; adquirir estratégias na gestão complexa de situações de multi-morbilidades crónicas e de polimedicação, fazendo uso da hierarquização real dos problemas de saúde; contatar com a realidade de determinada população e os recursos disponíveis para satisfazer as necessidades desta.
Descrição das Actividades: Durante este estágio assisti e participei ativamente nas consultas do meu tutor, quer no âmbito da saúde de adultos, incluindo consulta aberta e a consulta de vigilância de Diabetes, quer no âmbito da saúde infantil e da saúde da mulher, incluindo o planeamento familiar e saúde materna. Tive, ainda, oportunidade de acompanhar visitas domiciliárias. Por fim, elaborei o meu Diário do Exercício Orientado que foi alvo de avaliaão.
1.3.5. Medicina Interna - 22 de janeiro a 18 de março de 2016
Regência: Prof.º Doutor Fernando Nolasco Orientadora: Dra. Ana Suarez Local de Estágio: Hospital das Forças Armadas (HFAR) – Polo Lisboa
Objetivos: Realizar autonomamente a anamnese e observação do doente, interpretar
Descrição das Atividades: O meu estágio compreendeu sessões teórico práticas semanais na NMS/FCM, quatro semanas de atividades na enfermaria de Medicina Interna, onde tive a oportunidade de realizar as atividades que decorriam na enfermaria ao acompanhar diariamente os doentes a cargo do meu orientador. No final da manhã, por norma, realizava a discussão das hipóteses de diagnóstico; requisição e interpretação de ECD, pedidos de observação de especialidade e adaptação da terapêutica com o meu tutor. Também tive uma semana na Unidade de Cuidados Intensivos e uma semana em cada serviço de cada uma das seguintes especialidades: Cardiologia, Pneumologia e Gastrenterologia, onde acompanhei doentes em internamento, nas quais assisti a consultas externas e à realização de ECD. A componente de urgência foi realizada no Hospital São José, semanalmente, onde acompanhei a equipa fixa, nomeadamente a Dra. Ruth Correia. Ainda foi possível assistir a sessões clínicas efetuadas semanalmente no HFAR sobre matérias de interesse transversal a todas as especialidades.
1.3.6. Cirurgia Geral - 28 de março a 20 de maio de 2016
Regência: Prof.º Doutor Rui Maio Orientador: Dr. Carlos Balhana Local de Estágio: Hospital das Forças Armadas (HFAR) – Polo Lisboa
Objectivos: Consolidar os princípios gerais de atuação e prognóstico das patologias cirúrgicas mais prevalentes em contexto de internamento, consulta e urgência; desenvolver competência prática para realizar pequenos procedimentos como a anestesia local, sutura de feridas simples, drenagem de abcessos, pensos e cuidados de ferida operatória e não operatórias; enquadrar-me na dinâmica do procedimento cirúrgico de forma ativa, ajudando em cirurgias e participando nos procedimentos pré e pós operatórios; vivenciar a medicina para além da sua vertente curativa.
ainda, o meu tutor no British Hospital no qual pude participar e contatar com uma casuística diferente da do HFAR no âmbito das cirurgias. Frequentei as sessões formativas internas do HFAR e apresentei um caso clínico sobre abordagem cirúrgica num doente com neoplasia colorrectal, apresentado no minicongresso final.
1.4. Unidade Curricular Opcional
Medicina da Emergência e da Catástrofe
Regência: Prof.º Doutor Rui Moreno Duração: 23 de maio a 3 de junho de 2016 Local de Estágio: Faculdade de Ciências Médicas - Nova Medical School
Esta Unidade Curricular teve a duração de duas semanas, durante as quais eu tinha por objetivos familiarizar-me com a resposta a situações de emergência e de catástrofe e compreender a articulação e gestão dos meios disponíveis para fazer face a esse tipo de situações. Foram abordadas temáticas como: os desastres, naturais e aqueles causados pelo homem; as principais síndromes de apresentação clínica; a medicina pré-hospitalar e a humanitária; cenários multivítimas; a organização da resposta a estas situações e qual o circuito do doente de catástrofe como contemplado nos respetivos planos para o efeito.
1.5. Reflexão Crítica Final
Numa visão mais geral deste ano, no meu ponto de vista, é proveitoso a organização dos estágios clínicos em diversas Unidades Hospitalares, ao permitir uma multiplicidade de experiências práticas. Contudo, sugiro uma maior uniformização relativamente à carga horária e ao rigor da avaliação, bem como a distribuição com antecedência dos alunos pelos diversos locais de estágio. A meu ver, a elaboração de relatórios dos estágios parcelares seria mais proveitosa se privilegiasse componentes mais práticas, como acontece com o Diário do Exercício Orientado. Realço, ainda, o benefício de rácio tutor-aluno um para um, que permite excelentes resultados pedagógicos.
Abordando agora cada estágio parcelar individualmente, iniciei o ano com Pediatria e Ginecologia e Obstetrícia que podem ser incluídos no mesmo patamar de obtenção de valências pelo facto de ambas as especialidades lidarem com grupos populacionais com características próprias e que exigem cuidados distintos. Assim, tive a oportunidade de desenvolver competências e aptidões relevantes para a prática futura. Como aspeto menos positivo, apenas saliento o facto de, especialmente no estágio de Pediatria, existirem demasiados alunos por serviço o que constitui uma sobrecarga a nível do espaço e diminui a eficiência da aprendizagem de cada aluno.
No estágio de Saúde Mental alcancei os objetivos propostos e foi um excelente complemento prático aos conhecimentos adquiridos no ano transato que tinha uma componente mais teórica e, portanto, foi possível maturar os conhecimentos de uma forma mais prática.
Os estágios de Cirurgia e Medicina foram sem dúvida aqueles em que senti uma maior “independência tutelada”. Por constituírem os estágios mais longos foi possível desenvolver um maior número de aptidões e estimular a tão desejada autonomia médica. Por outro lado, a realização dos estágios no HFAR constituíram para mim o primeiro contacto com um hospital militar, com as suas particularidades e as suas valências organizacionais e logísticas. Neste sentido, e a par com a cadeira opcional de Medicina de Emergência e Catástrofe, foram fundamentais como complemento na minha formação como médico militar.
No âmbito das Actividades Extracurriculares, procurei ter contacto com vários tipos de formações, a fim de perceber como funcionam para que num futuro próximo possa, de uma forma mais especifica, tirar ainda mais partido nesse tipo de iniciativas. Por sua vez, a limitação de tempo que marcou este ano constituiu um maior desafio na procura de programas que realmente tivessem interesse para o meu futuro enquanto recente pós-graduado.
Em suma, a minha apreciação do ano profissionalizante é bastante positiva pois estimulou a minha autonomia clínica tendo me colocado perante situações reais, obrigando-me a desenvolver estratégias para a resolução das mesmas em áreas bastantes diversas da medicina. No entanto, o processo de aprendizagem não termina, a aspiração de querer aprender mais mantém-se, assim como, o caráter exigente e de aperfeiçoamento. Sem dúvida que os valores morais e éticos que sempre pautaram este curso manter-se-ão tanto no meu futuro profissional como pessoal.
Anexo 1 – Certificado de participação “iMed Conference 7.0”
Em 17, 18, 19 e 20 de setembro de 2015, participei no iMed Conference 7.0, realizado na Centro Cultural de Belém e na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.
Já na sua sétima edição, este é um o congresso organizado anualmente pela Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Médicas, pensado por estudantes de Medicina para estudantes da área das Ciências da Vida, com palestras, workshops e competições. O congresso conta com a participação de convidados ilustres no campo da Medicina e da área das Ciências da Vida. É já considerado um dos maiores congressos realizado por alunos de Medicina da Europa.
Anexo 2 – Ceetificado de participação no “VII cogreso MedUBI”
O MedUBI - Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade da Beira Interior organizou a 7.ª edição do Congresso MedUBI, que decorreu entre os dias 29, 30 e 31 outubro de 2015.
“Uma explosão de vida” foi o tema desta nova edição do Congresso, que incidiu nas áreas de Obstetrícia, Neonatologia e Reprodução Medicamente Assistida.
Foi uma edição de grande debate e aprendizagem, com abordagem de alguns dos desafios mais relevantes nas áreas em questão abordando temas sobre o percurso contínuo que vai desde a infertilidade, fertilidade e gravidez a alguns dos problemas de saúde e doença ligados à criança e ao adolescente.
Anexo 3 – Certificado de participação nas “6as Jornadas de Diabetologia Prática em Medicina Familiar da Região do Sul”
Em 12 e 13 de fevereiro de 2016, participei nas “6as Jornadas de Diabetologia Prática em Medicina Familiar da Região do Sul”.
A decisão de realizar este curso baseou-se na necessidade de conhecer e compreender alguns fatos relativos não só à patologia em causa, mas também à organização e gestão desta doença crónica ao nível dos cuidados de saúde. No curso participaram oradores ligados a esta área, que explicaram o seu trabalho ao nível desta patologia. Foi também possível perceber as necessidades e expetativas de algumas instituições relativamente à alocação de recursos, incluindo recursos financeiros, relativamente a esta patologia.
Anexo 4 – Certificado de participação nas “4as Jornadas do Departamento de Cirurgia do HBA”
Em 6 e 7 de junho de 2016, participei no curso das “4as Jornadas do Departamento de Cirurgia do HBA”.
A decisão de realizar este curso baseou-se na oportunidade que foi dado aos alunos da Faculdade de participar neste curso, onde foi possível ouvir os profissionais de várias especialidades e de vários Hospitais de Lisboa falar sobre as suas experiências, abordagens, tratamentos e expetativas.
O curso apresentou uma forte componente teórica, com temas complexos a serem explicados de forma simples e prática por oradores conhecedores e experientes, e com momentos de mesas redondas de discussão dos assuntos apresentados que se revelou numa parte muito interessante e esclarecedora.