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estudo exploratório sobre a informação retida pelo paciente :: Brapci ::

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Academic year: 2018

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RECI I S – R. Elet r . de Com . I nf. I nov. Saúde. Rio de Janeir o, v.6, n.1, p. 3 - 12, Mar ., 2012 [ w w w .r eciis.icict .fiocr uz.br ] e- I SSN 1981 - 6278

* Ar t igo Or iginal

Com u n ica çã o e m sa ú de n a a t e n çã o t e r ciá r ia : e st u do

e x plor a t ór io sobr e a in for m a çã o r e t ida pe lo pa cie n t e *

Rilv a Lope s de Sou sa - M u ñ oz

Médica, Pr ofessor a do Depar t am ent o de Medicina I nt er na, Cent r o de Ciências Médicas, Univer sidade Feder al da Par aíba, João Pessoa, PB, Br asil

r ilvalopes@hot m ail.com Br u n o M e lo Fe r n a n de s

Est udant e do Cur so de Gr aduação em Medicina, Univer sidade Feder al da Par aíba, Bolsist a PROBEX, João Pessoa, PB, Br asil

br unom elllo1@gm ail.com Ra issa D a n t a s de Sá

Est udant e do Cur so de Gr aduação em Medicina, Univer sidade Feder al da Par aíba, Bolsist a PROBEX, João Pessoa, PB, Br asil

r aissadsa@gm ail.com

An t ôn io Edilt on Rolim Filh o

Est udant e do Cur so de Gr aduação em Medicina, Univer sidade Feder al da Par aíba, Bolsist a PROBEX, João Pessoa, PB, Br asil

edilt oncear a@gm ail.com

Rodolfo Au gu st o Ba ce la r de At h a y de

Est udant e do Cur so de Gr aduação em Medicina, Univer sidade Feder al da Par aíba, Bolsist a PROBEX, João Pessoa, PB, Br asil

r odolfobacelar 1@hot m ail.com Sa m u e l Gou v e ia da Cost a D u a r t e

Est udant e do Cur so de Gr aduação em Medicina, Univer sidade Feder al da Par aíba, Bolsist a PROBEX, João Pessoa, PB, Br asil

sam uelgcduar t e@gm ail.com I sa be l Ba r r oso Au gu st o Silv a

Médica, Pr ofessor a do Depar t am ent o de Medicina I nt er na, Cent r o de Ciências Médicas, Univer sidade Feder al da Par aíba, João Pessoa, PB, Br asil

isab10@hot m ail.com

DOI : 10.3395/ r eciis.v6i1.436pt

Re su m o

O obj et ivo dest e est udo foi a valiar o conhecim ent o do pacient e sobr e sua doença e t er apêut ica após seis m eses de acom panham ent o am bulat or ial com ações de educação em saúde em pr oj et o de ext ensão. O delineam ent o foi longit udinal e exper im ent al. A cada visit a m ensal do pacient e ao am bulat ór io, os alunos ext ensionist as for necer am , de for m a r epet ida, a infor m ação sobr e sua doença cr ônica e t r at am ent o, em pr egando pr ocesso de educação em saúde, dur ant e as consult as e individualm ent e. Par a a r ealização das ent r evist as, foi ut ilizado um quest ionár io padr onizado par a avaliar a r et enção da infor m ação pelo pacient e, aplicado no at endim ent o inicial e seis m eses após a execução do pr oj et o de educação em saúde. H ouve am pliação da infor m ação sobr e diagnóst icos, que for am congr uent es com os r eais, assim com o sobr e os m edicam ent os em uso; 33,3% que r elat ar am conhecer o nom e dos m edicam ent os em uso no início do acom panham ent o passar am par a 65,5% ; os 12,5% que sabiam os efeit os colat er ais dos m edicam ent os passar am a 41,7% . Conclui- se que osbenefícios do Pr oj et o Cont inuum de ext ensão for am , em cur t o pr azo, um a m elhor a da infor m ação adquir ida pelos pacient es. Mais do que elabor ar conclusões, est e est udo levant a a quest ão da necessidade de se adot ar em pr ogr am as de ações educat ivas volt adas par a o pacient e a fim de aum ent ar seu conhecim ent o sobr e o pr ópr io t r at am ent o e, consequent em ent e, suas possibilidades de adesão à t er apêut ica.

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I n t r odu çã o

Um a das im por t ant es m udanças na at enção à saúde nos últ im os t em pos foi aquela que r econheceu o dir eit o dos doent es à infor m ação sobr e seu pr oblem a de saúde ( BÉRGAMO, 2005; MERCADO- MARTI NÉZ, 1999) . Est e t em a desdobr a- se em t ópicos de r elevância at ual, com o a hum anização do at endim ent o, a necessidade da par t icipação do pacient e na sua t er apêut ica e a im por t ância dos pr ocessos de com unicação em saúde. No ent ant o, a pr esença da dim ensão com unicat iva no at o educat ivo não t em suscit ado a at enção suficient e da par t e dos pesquisador es ( REI S, 2010) .

Com unicação em saúde diz r espeit o ao est udo e ut ilização de est r at égias de com unicação par a infor m ar e par a influenciar as decisões dos indivíduos e das com unidades no sent ido de pr om over em a sua saúde ( BRASI L, 2006) .

É pr eciso lem br ar que “ o pacient e t am bém apr ende” , pr incipalm ent e se a relação m édico -pacient e incor por a aspect os do cham ado “ m odelo ant r opológico da doença” , o que possibilit a ao m édico englobar aspect os fundam ent ais da ár ea sócio - cult ur al da vida do pacient e ( VI GI L, 2000) . Nesse sent ido, a Com unicação em Saúde é consider ada, at ualm ent e, um a pr át ica int r ínseca ao pr oj et o assist encial em t odos os níveis de at enção à saúde, pois possibilit a a or ganização de est r at égias individuais e colet ivas par a o enfr ent am ent o de pr oblem as no pr ocesso saúde- doença. I nfor m ação, educação e com unicação são bases de m udança do com por t am ent o do doent e, const it uindo um fat or de im por t ância clínica e social.

Est e pr ocesso t em sido denom inado “ alfabet ização funcional em saúdeue, segundo a Associação Médica Am er icana ( AMA) , é a capacidade de obt er , pr ocessar e com pr eender infor m ação básica em saúde necessár ia à t om ada de decisões apr opr iadas e que apoie o cor r et o seguim ent o de inst r uções t er apêut icas ( NOGUEI RA- MARTI NS, 2010) .

O Pr oj et o Cont inuum de ext ensão, vinculado ao Pr ogr am a de Bolsas de Ext ensão / Univer sidade Feder al da Par aíba ( UFPB) , enfoca a cont inuidade do cuidado, no sent ido de r eduzir o alt o índice de novas hospit alizações de por t ador es de doenças cr ônicas, com o hiper t ensão ar t er ial, diabet es

m ellit us e doença r enal cr ônica, enfer m idades que apr esent am elevada pr evalência ent r e os

pacient es int er nados nas enfer m ar ias de clínica m édica do Hospit al Univer sit ár io Laur o Wander ley ( HULW) . Nesse pr oj et o, aplicar am - se ações de Com unicação em Saúde at r avés da cont inuidade do cuidado am bulat or ial e de pr ocessos de educação popular par a os pacient es egr essos de hospit alização.

O obj et ivo dest e t r abalho foi a valiar o conhecim ent o r et ido pelo pacient e sobr e sua doença e t er apêut ica após seis m eses de acom panham ent o am bulat or ial com ações de com unicação no r efer ido pr oj et o de ext ensão.

M ÉTOD OS

O delineam ent o dest e est udo foi longit udinal, de int er venção não cont r olado, com m edidas pr é e pós - infor m ação sobr e doença e t r at am ent o ( CAMPANA, 2001) . A am ost r a foi escolhida por conveniência, um a vez que se pr et endeu apr eender o com por t am ent o dos pacient es at endidos no Pr oj et o Cont inuum de ext ensão em r elação à adesão ao t r at am ent o no cont ext o da ação educat iva r ealizada por alunos ext ensionist as do cur so de Medicina da UFPB no am bulat ór io de egr essos de int er nação das enfer m ar ias de clínica m édica do HULW.

Assim , os cr it ér ios de inclusão for am : est ar r ecebendo acom panham ent o no r efer ido pr oj et o de ext ensão; t er idade igual ou super ior a 18 anos; est ar , no dia da ent r evist a, pelo m enos na segunda consult a; e aceit ar a par t icipação no est udo. For am excluídos os pacient es com deficiências que im pedissem a com unicação, que est ivessem em condições clínicas que desaconselhassem sua par t icipação no est udo ou que t ivessem dom icílio dist ant e do ser viço. O local de r ealização do est udo foi o Am bulat ór io de Egr essos de I nt er nação do Ser viço de Clínica Médica ( HULW, UFPB. As at ividades de ext ensão do r efer ido pr oj et o for am desenvolvidas at r avés de seguim ent o clínico pós - hospit alização no am bulat ór io de egr essos das enfer m ar ias de clínica m édica do HULW e educação em saúde dos pacient es acom panhados. O at endim ent o am bulat or ial t eve per iodicidade m ensal. Os pr incipais obj et ivos oper acionais for am a or ient ação educat iva sobr e a t er apêut ica não - m edicam ent osa e o cont r ole da adesão ao tr at am ent o m edicam ent oso. A m onit or ização clínica visou ao cont r ole glicêm ico, pr essór ico ar t er ial e sint om at ológico.

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( CAMPANA, 2001) . Est e é definido pela com binação de apoios educat ivos que conduzem à saúde, com ações r elacionadas a indivíduos.

Assim , buscou - se a cada visit a do pacient e ao am bulat ór io, for necer , de for m a sist em át ica, a infor m ação e com unicação sobr e sua doença e t r at am ent o. O s est udant es ext ensionist as de gr aduação em Medicina esclar ecer am sobr e m edidas de t r at am ent o não - m edicam ent oso, com o d iet a, exer cícios físicos, r edução do peso, com bat e ao t abagism o e consum o alcoólico, e cuidados com os pés no caso dos diabét icos; quant o ao t r at am ent o far m acológico, esclar eceu - se a im por t ância de m ant er a adesão com o uso r egular dos m edicam ent os pr escr it os.

Par a a r ealização das ent r evist as face a face e a colet a dos dem ais dados, for am ut ilizados dois inst r um ent os: um quest ionár io sem i - est r ut ur ado e padr onizado ( Qu a dr o 1 ) , elabor ado pelos aut or es par a avaliar o a r et enção da infor m ação pelo pacient e, e um for m ulár io de dados clínicos e dem ogr áficos. Esse quest ionár io com as per gunt as sobr e o conhecim ent o do pacient e sobr e sua doença pr incipal e t r at am ent o foi aplicado no at endim ent o inicial no am bulat ór io de egr essos de int er nação e seis m eses após a execução do pr oj et o de ext ensão de educação em saúde. O inst r um ent o de colet a de dados foi subm et ido a pr é- t est e.

Qu a dr o 1 - Quest ionár io sobr e conhecim ent o do pacient e sobr e a sua doença aplicado no início

e seis m eses depois do acom panham ent o am bulat or ial

Subm et eu se o est udo à análise do Com it ê de Ét ica em Pesquisa do HULW/ UFPB. Esclar ecer am -se aos suj eit os par t icipant es os obj et ivos e a nat ur eza da invest igação e iniciar am - -se as ent r evist as após eles t er em assinado o t er m o de consent im ent o. A super int endência da HULW aut or izou a r ealização dest e est udo na inst it uição e sua post er ior divulgação em r evist a cient ífica com m enção da r azão social do hospit al.

RESULTAD OS

As at ividades assist enciais do pr oj et o Cont inuum de ext ensão for am r ealizadas ent r e j unho e dezem br o de 2009, com a inclusão de 32 pacient es r ecém - int er nados nas enfer m ar ias de clínica m édica do Hospit al Univer sit ár io Laur o Wander ley ( HULW) . Vint e e quat r o dest es for am acom panhados am bulat or ialm ent e com per iodicidade m ensal, pois oit o pacient es t inham dom icílio em cidades dist ant es, não per m it indo o seu acom panham ent o.

Na car act er ização sócio - dem ogr áfica da client ela at endida, ver ificou - se que a m édia de idade dos pacient es acom panhados am bulat or ialm ent e var iou de 18 a 77 anos( m édia de 51,8± 15) ; 17 ( 70,8% ) do sexo m asculino; 10 ( 41,7% ) br ancos, 9 ( 37,5% ) par dos e 5 ( 20,8% ) negr os; 16 ( 66,7% ) casados, 17 ( 70,8% ) pr ocedent es da cidade de João Pessoa e ár ea m et r opolit ana, com 5,0 ± 4,2 anos de inst r ução ( escolar idade básica em 65% dos casos, e 20% analfabet os) e r enda m ensal de at é um salár io- m ínim o em 70,8% dos casos.

Na avaliação dos diagnóst icos pr incipais, doenças r enais, car diovascular es e endócr inas for am as enfer m idades m ais fr equent es. Quinze ( 62,5% ) dos pacient es at endidos er am hiper t ensos, e 42% dest es t inham concom it ant em ent e hiper t ensão e diabet es m ellit us. As fr equências de doenças cr ônicas pr incipais est ão dem onst r adas na Ta be la 1 .

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As cat egor ias acim a não são m ut uam ent e excludent es.

Todos os pacient es apr esent avam com or bidades, e 40% possuíam m ais de cinco pr oblem as at ivos. A obser vação dos event os r egist r ados ao t ér m ino da vigência do pr oj et o indicou que 16 pacient es ( 66,7% ) não falt ar am a nenhum a das consult as m ar cadas. Oit o pacient es falt ar am aos at endim ent os agendados: cinco deles falt ar am um a vez, r et or nando após solicit ação de seu com par ecim ent o ao am bulat ór io por t elefone. Dois pacient es falt ar am duas vezes, em vir t ude de dificuldade de com par ecim ent o por pr oblem as de t r anspor t e at é o hospit al, e um falt ou t r ês vezes, não r et or nando m ais ao am bulat ór io, e com o qual não foi possível m ant er cont at os post er ior es por m udança de dom icílio e ausência de cont at o t elefônico.

Dur ant e os seis m eses de acom panham ent o, for am r ealizadas visit as m ensais, m as alguns dos pacient es t iver am um núm er o m enor de visit as, em vir t ude de sua inclusão post er ior no pr oj et o. Por essa r azão, o núm er o de visit as var iou de dois a cinco, com m édia de 3,4 visit as.

As r espost as dos pacient es à aplicação do quest ionár io sobr e a infor m ação r et ida no início do acom panham ent o no pr oj et o de ext ensão e após seis m eses de cont inuidade da at enção m ost r am que houve aum ent o do conhecim ent o sobr e diagnóst ico e t r at am ent o m edicam ent oso ( Ta be la s 2 e 3 ) .

Ta be la 2 - Conhecim ent o dos pacient es sobr e sua doença e t r at am ent o no início do acom panham ent o am bulat or ial pós - hospit alização ( n= 24)

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Não se obser var am m udanças no conhecim ent o dos pacient es sobr e o t r at am ent o não m edicam ent oso, havendo t am bém pouca alt er ação nas r espost as quant o ao conhecim ent o do diagnóst ico, em r elação às r espost as obt idas ant es da int er venção, por ém houve aum ent o do per cent ual de diagnóst icos congr uent es com seus os r eais. Por ém , os dem ais it ens sofr er am alt er ações nas r espost as: dos 33,3% que r elat ar am conhecer o nom e dos m edicam ent os em uso no início do acom panham ent o passar am par a 65,5% ; dos 12,5% que sabiam os efeit os colat er ais dos m edicam ent os passar am a 41,7% . Houve aum ent o das r espost as cor r et as r efer ent es aos m edicam ent os em uso e seus r espect ivos efeit os adver sos.

Não houve difer ença na r et enção da infor m ação em função da idade, pr oblem a de saúde apr esent ado ou núm er o de diagnóst icos.

D I SCUSSÃO

Os usuár ios do Pr oj et o Cont inuum apr esent ar am alt a coexist ência de hiper t ensão e diabet es

m ellit us, associação que eleva m uit o sua m or bidade, par alelam ent e à necessidade de

acom panham ent o cont ínuo e ações de Educação em Saúde.

Os dados obt idos apr oxim am - se dos r esult ados de out r os est udos que abor dam o t em a, em bor a est es focalizem de for m a m et odologicam ent e diver sa a com unicação feit a ao pacient e sobr e sua doença e t r at am ent o. Alguns pesquisador es analisar am os it ens do conhecim ent o de for m a separ ada ( GREEN; KREUTER, 1991; FLETCHER, S., FLETCHER, R.; THOMAS, 1979) . Out r os usar am pont uações que sint et izam os it ens analisados ( Olivar es; Espinosa, 1996; Azevedo, 1987) , enquant o os dem ais ut ilizar am um conceit o global de conhecim ent o que envolve a com pr eensão da doença e do t r at am ent o ( VARGAS; DOMECQ; MAUREI RA, 1991; DEWULF, 2006) . I sso deve ocor r er por que o conceit o de com unicação sobr e o m edicam ent o usado inclui difer ent es it ens que não são suficient em ent e equivalent es na r epr esent ação dessa var iável. Nesse sent ido, é pr eciso dist inguir a im por t ância de cada it em analisado de acor do com as car act er íst icas do pacient e e do t r at am ent o m edicam ent oso ( VASCONCELOS, 2009; ASCI ONE; KI RSCHT; SHI MP, 1986) .

Est udos sem elhant es r ealizados no Br asil são de delineam ent o obser vacional. Em est udo r ealizado em um am bulat ór io de hospit al univer sit ár io em For t aleza, Cear á, ver ificou - se exist ência de um nível de infor m ação suficient e r et ida pelos pacient es sobr e os m edicam ent os em uso de acor do com a pr escr ição m édica ( ASCI ONE; KI RSCHT; SHI MP, 1986) . Nest e est udo, o índice de acer t o par a o it em nom e do m edicam ent o foi de 69% , bast ant e super ior ao encont r ado no pr esent e est udo ant es da int er venção educat iva, apenas com par ando- se aos seus r esult ados após est a ação.

Ainda no est udo m encionado acim a, ver ificou - se que a infor m ação r et ida sobr e efeit os adver sos foi obser vada em som ent e 20% , e apenas 16% cor r espondiam a efeit os adver sos fr equent es e/ ou gr aves dos m edicam ent os em uso, cor r obor ando os dados encont r ados no pr esent e est udo. Por ém , nest e, ver ificou - se que o conhecim ent o sobr e esses event os aum ent ou de 12,5% par a 41,7% após a int er venção educat iva aos pacient es. Por out r o lado, aquela invest igação foi desenvolvida apenas com o pr opósit o de ver ificar o nível de infor m ação de pacient es am bulat or iais no que diz r espeit o à indicação t er apêut ica, ao nom e, à dose, à fr equência de adm inist r ação, à dur ação do t r at am ent o e aos efeit os adver sos e não houve ações educat ivas, t r at ando - se, por t ant o, de est udo obser vacional ( ASCI ONE; KI RSCHT; SHI MP, 1986) .

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pr escr ição e o m edicam ent o, quant o por quem o ut iliza ( REI S, 2010) . A possibilidade de o m edicam ent o causar efeit os adver sos acaba sendo fr equent em ent e om it ida pelo pr escr it or , t alvez por r eceio de que infor m ações negat ivas sobr e o uso do m edicam ent o pr ej udiquem a adesão do pacient e ou m esm o que ocor r a um efeit o nocebo em decor r ência da com unicação.

Tam bém na cidade de For t aleza, Cear á, m as em est udo de base populacional a r espeit o da avaliação da com unicação m édico - pacient e dur ant e a condut a pr escr it iva, obser vou - se que o m édico or ient ou a m aior ia dos pacient es a t om ar o m edicam ent o pr escr it o ( 92,5% ) e a cum pr ir adequadam ent e o t r at am ent o ( 70,6% ) , m as om it iu, na m aior ia das vezes, a infor m ação com os event uais event os adver sos ( SI LVA; SCHENKEL; MENGUE, 2000) . Cont udo, esse est udo lim it ou -se a colet ar infor m ações apenas sobr e a últ im a consult a m édica, não -se infor m ando quant as vezes o pacient e fr equent ou o am bulat ór io e se havia cont inuidade em r elação ao pr ofissional de saúde que o assist ia.

Esse pr oblem a de pesquisa t am bém foi avaliado no cont ext o do Pr ogr am a Saúde da Fam ília ( PSF) , na Bahia, onde se ver ificou que a com unicação sobr e o seu pr oblem a de saúde não er a apr ofundada pelo m édico, deixando- se de infor m ar , aspect os r elevant es sobr e a doença e t r at am ent o do pacient e at endido ( ARRAI AS; BARRETO; COELHO, 2007) . Tam bém em est udo r ealizado, em Pelot as, Rio Gr ande do Sul, sobr e a at enção am bulat or ial aos hiper t ensos, os m édicos não r ecom endar am aos pacient es a r ealização de exer cícios, o abandono do t abagism o e a r edução do peso cor por al ( FRANCO, 2002) . Por t ant o, apesar de im pr escindíveis ao cum pr im ent o do esquem a t er apêut ico, as or ient ações sobr e com o t om ar o m edicam ent o não seguem as r ecom endações da Or ganização Mundial da Saúde par a a boa pr escr ição m édica ( PI CCI NI ; VI CTORI A, 1997) .

Levinson e Chaum et on ( 1999) , est udar am a com unicação m édica ao pacient e sobr e seu diagnóst ico e t r at am ent o em um ser viço am bulat or ial, de at enção pr im ár ia, e não t er ciár ia, com o foi abor dado no pr esent e est udo ( OMS, 2001) . Out r os est udos quant it at ivos abor dar am a quest ão da infor m ação em pacient es com doenças gr aves com enfoque em aspect os bioét icos ( LEVI NSON; CHAUMETON, 1999; GULI NELLI , et al, 2004) . Out r as pesquisas encont r adas são t r abalhos de nat ur eza qualit at iva que focalizam t r at am ent os de doenças específicas com pacient es am bulat or iais ( OLI VEI RA, V.; OLI VEI RA, M.; GOMES, 2004; BARRÓN- RI VERA et al, 1998) .

No cont ext o de um a hospit alização, abor dou - se em um est udo o gr au de conhecim ent o do pacient e com alt a hospit alar sobr e seu t r at am ent o no Hospit al das Clínicas da Univer sidade de São Paulo, obser vando- se que esse conhecim ent o depende do nível de escolar idade do pacient e, m as não depende da idade, do t ipo de unidade de int er nação, do t em po de per m anência hospit alar e do núm er o de m edicam ent os pr escr it os ( BARRÓN- RI VERA et al, 1998) , cor r obor ando os achados de um est udo r ealizado em enfer m ar ias do Hospit al da Univer sidade Feder al da Par aíba. ( 14) Em am bos os est udos, ver ificou - se que os pacient es ainda t êm dúvidas sobr e o t r at am ent o pr escr it o e sua cont inuidade no m om ent o da alt a hospit alar .

Ainda em João Pessoa, Par aíba, Sant os et al. obser var am que 27% dos pacient es int er nados no HULW/ UFPB queixar am - se da falt a de infor m ações pr est adas pela equipe m édica sobr e os cuidados a ser em seguidos após a sua alt a hospit alar . Analisando esse fat o, os aut or es afir m am que t al var iável é r esponsável, m uit as vezes, pelo r et or no do pacient e à unidade de int er nação, em vir t ude da r eincidência da doença pr ovocada pela falt a de or ient ação t er apêut ica ( STAPE, 1979) . Os cit ados aut or es afir m am que, segundo o depoim ent o dos pacient es ent r evist ados, os m édicos do HULW são “ m uit o r eser vados e não infor m am os pacient es sobr e o t r at am ent o” . Ainda de acor do com Sant os; Andr ade; Magalhães ( 1997, p. 60) , “ ( ...) esses pr ofissionais ( os m édicos) ger alm ent e não est ão pr epar ados par a ser em educador es em saúde” .

Nesse sent ido, o pr oblem a da falt a de or ient ação ao pacient e const it ui a sua pr incipal insat isfação. Daí o aler t a de que o m édico pr ecisa r econhecer essa r eivindicação e conscient izar -se de que o -seu diálogo com o pacient e é de es-sencial im por t ância ( SANTOS; ANDRADE; MAGALHÃES, 1997) . Capr ar a e Fr anco ( 1999) colocam essa quest ão da r elação m édico - pacient e no cont ext o educat ivo. Consider a- se que a quest ão educat iva r efer e- se não apenas aos pacient es, m as t am bém aos pr ofissionais de saúde ( CAPRARA; FRANCO, 1999) .

A educação do doent e e dos seus fam iliar es pela equipe de saúde é fundam ent al por que se sabe que a causa pr incipal da m á adesão à t er apêut ica r esult a da falt a de educação do pacient e ( DEWULF, 2006; LÓPEZ, 1997; SOUSA- MUÑOZ; RAMALHO; BORGES, 2008) . Est udos m ost r am que pacient es com doenças cr ônicas hospit alizados ou que são acom panhados am bulat or ialm ent e após um a hospit alização r ecebem em m édia seis fár m acos difer ent es, podendo chegar a 20 em int er nações pr olongadas ( LÓPEZ,1997) .

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de infor m ação sobr e o m edicam ent o pr escr it o.

De m odo ger al, o for necim ent o de infor m ações adequadas aos pacient es sobr e m edicam ent os pode não ser consider ado um a t ar efa fácil par a m édicos ( REI S, 2010) . É fat o r econhecido que, m uit as vezes, o m édico não dispõe de t em po suficient e par a um a infor m ação por m enor izada do t r at am ent o pr escr it o, cont udo no cont ext o de um a int er nação ger alm ent e pr olongada em um hospit al t er ciár io, a im possibilidade ger ada pela falt a de t em po não encont r a just ificat iva ( MOREI RA, 2008) .

A infor m ação ver bal for necida pelo m édico pode ser insuficient e t am bém em vir t ude do fat o de que o pr ópr io pacient e pr ior iza as infor m ações r ecebidas sobr e a doença e o diagnóst ico, pr est ando m enor at enção às infor m ações sobr e o m edicam ent o pr escr it o, sobr et udo o pacient e de nível sócio - econôm ico desfavor ável. Além disso, o pacient e pode não com pr eender a infor m ação ver bal, não aceit á- la ou m esm o esquecer par t e dela após a or ient ação m édica. Nesse sent ido, t ant o a infor m ação ver bal feit a pelo m édico quant o a escr it a são im por t ant es e com plem ent ar es na educação do pacient e. O for necim ent o de infor m ações escr it as deve se const it uir em um m eio efet ivo de apoio às or ient ações ver bais t r ansm it idas ao pacient e sobr e os m edicam ent os.

Obser va- se, por t ant o, a im por t ância da capacit ação de pr ofissionais e de pessoal de saúde, em especial, com t écnicas de aconselham ent o em int er venção de pr om oção, pr ot eção e apoio ao pacient e com doença cr ônica. É fundam ent al que os pr ofissionais de saúde, que lidam com essa client ela, desenvolvam habilidades específicas de aconselham ent o. I sso decor r e da quest ão de que capacidade de com unicação t em sido apont ada com o um a das habilidades clínicas fundam ent ais par a t odos os pr est ador es de cuidados de saúde, sej a de cuidados pr im ár ios ou t er ciár ios de saúde ( LI MA, 2001; CANABARRO; HAHN, 2009) .

O enfoque do pr esent e t r abalho é sobr e a at enção t er ciár ia, onde é at endido um gr ande núm er o de pacient es por t ador es de doenças cr ônicas de alt a com plexidade. Em bor a o Plano de At enção à Hiper t ensão e ao Diabet es est ej am inser idos na at enção pr im ár ia, “ não supr em as dem andas im inent es, por ser em fr agm ent adas” ( p. 119) ( ROSA, 2009) .

A dim ensão de cuidado r equer a int egr ação de ações par a a pr om oção da saúde, pr evenção de doenças, t r at am ent o e r eabilit ação, incluindo ainda a eficácia, a or ganização das ações, os m odelos de gest ão dos ser viços e a for m ação dos pr ofissionais que at endem no sist em a de saúde ( ROSA, 2009) . Além disso, assist ência e educação par a saúde devem ser r ealizadas dur ant e a consult a am bulat or ial, sem que o pacient e esper e o m om ent o de encont r o de int er venções em gr upo em um a det er m inada dat a e hor ár io par a r eceber as r efer idas or ient ações.

Dur ant e as últ im as décadas, det ect a- se um gr ande desenvolvim ent o e um a r eor ient ação cr escent e das r eflexões t eór icas e m et odológicas nest e cam po de est udo, com a cont r ibuição dos est udos de Ant r opologia da Saúde e das Ciências Sociais cont em por âneos. Obser va- se, ent r et ant o, que essas r eflexões não vêm sendo t r aduzidas em int er venções educat ivas concr et as. Nest e sent ido, cabe not ar a evolução dos r efer enciais t eór icos post os à disposição de educador es e out r os pesquisador es, em cont r aposição à aplicação dest es elem ent os na pr át ica e no fazer pedagógicos concr et os ( REI S, 2010) .

No que concer ne às ações r ealizadas no at endim ent o da client ela do Pr oj et o Cont inuum de ext ensão, pacient es hiper t ensos, diabét icos e nefr opat as, am pliar am - se suas r elações com a equipe no seguim ent o am bulat or ial pós - int er nação. O fat o de t er em ocor r ido consult as fr equent es não indicou necessar iam ent e m aior gr avidade das m anifest ações e, ao cont r ár io do que adm it em gest or es dos sist em as de saúde, a ut ilização elevada não decor r eu de uso inadequado ( BRASI L, 2006) . No pr esent e t r abalho, a fr equência de consult as foi det er m inada pela necessidade de execução das ações educat ivas do pr oj et o.

A Com issão Nacional Sobr e Det er m inant es Sociais da Saúde coloca que os efeit os do nível de inst r ução apar ecem na capacidade de ent endim ent o das infor m ações sobr e saúde ( REI S, 2010) . Aqui cabe acr escent ar que os r esult ados encont r ados no pr esent e est udo r evelar am que, além desses fat or es acim a cit ados, e apesar do nível de inst r ução desfavor ável ( 20% de pacient es analfabet os) a or ient ação educat iva cont inuada par ece t er apr esent ado efeit o sobr e o conhecim ent o do pacient e sobr e sua pr oblem át ica de saúde, a consider ar seu aut o- r elat o.

Conclui- se que gr ande par t e das infor m ações for necidas dur ant e a at ividade educat iva t enha sido assim ilada pelos par t icipant es do pr oj et o. Por t ant o, os benefícios assist enciais or iginados por m eio da im plant ação do Pr oj et o Cont inuum de ext ensão for am , em cur t o pr azo, um m elhor am ent o da infor m ação dos pacient es sobr e seu pr oblem a de saúde. Per cebe- se a necessidade da cont inuidade dest a at ividade de ext ensão com o encer r am ent o da pesquisa.

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t er apêut ica.

Con flit os de in t e r e sse

Os aut or es declar am que não t em conflit os de int er esse.

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N ot a

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