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Os sabichões da Azeda

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Os Sa bich õe s da Az e da : Um blogu e de a lu n os do 1 º

Ciclo do En sin o Bá sico

Joã o V ít or Tor r e s

Cent r o de Com pet ência CRI E da ESE de Set úbal Cam pus do I PS - Est efanilha 2914 - 504 Set úbal Em ail: j t or r [email protected]

Cília Be su go

Escola Básica com Jar dim de I nfância da Azeda Av enida Coração de Maria 2910 Set úbal Em ail: ciliabesugo@hot m ail.com

Re su m o

Nest a com unicação ser á apr esent ada um a ex per iência educat iv a da ut ilização de blogues com alunos do pr im eir o ciclo. A exper iência ser á r elat ada pela pr ofessor a da t ur m a e por um elem ent o da equipa CRI E1,

do Cent r o de Com pet ência da Escola Super ior de Educação de Set úbal, que t em acom panhado est e pr oj ect o. Ser ão apr esent ados dados pr ovenient es da análise das m ensagens e com ent ár ios env iados par a o blogue e de um quest ionár io a que os alunos r esponder am , no final da exper iência. Com base nessa infor m ação ser á feit a um a br ev e r eflex ão sobr e as pot encialidades dest a fer r am ent a t endo por base a ex per iência v iv ida pela t ur m a ao longo de dois anos lect iv os.

1 – I n t r odu çã o

Os blogues t êm vindo a ser ut ilizados em div er sas ár eas e par a

diver sos fins nos últ im os anos. Tam bém na educação com eça a haver

r elat os da sua ut ilização o que leva m esm o a que j á se fale de

Edublogues ( Bar uj el, 2005) . As exper iências que encont r am os

r elat adas são, no ent ant o, sobr et udo em níveis de ensino bast ant e

avançados e pr incipalm ent e no ensino univer sit ár io ( Var andas, 2004;

Bar uj el, 2005; Gut ier r ez, 2005; Or ihuela & Sant os, 2004) .

Segundo Bar uj el ( 2005) exist em t r ês vant agens dos blogues

face às páginas Web convencionais que fazem com que est es sej am

par t icular m ent e int er essant es no âm bit o educat ivo. Por um lado ( i) as

fer r am ent as de cr iação e publicação de w eblogues são m ais sim ples

de ut ilizar e a sua apr endizagem m ais br eve; por out r o lado ( ii) a

1

(2)

21

ut ilização de opções gr áficas pr é- exist ent es ( Tem plat es) facilit a o

desenho gr áfico per m it indo que os alunos se cent r em nos cont eúdos

e no pr ocesso de com unicação. Finalm ent e ( iii) os blogues ofer ecem

um a sér ie de funcionalidades com o sist em as de com ent ár ios, ar quivo

aut om át ico de m ensagens que são um a m ais valia difícil de

im plem ent ar em páginas convencionais. Mas, ser ão est as

fer r am ent as sim ples de m odo a poder em ser ut ilizadas por alunos do

1º ciclo do ensino básico?

Par a Bar uj el ( 2005) o uso dos blogues em educação est á m uit o

ligado à pr om oção da leit ura e da escr it a, bem com o à aquisição de

com pet ências de com unicação sendo, por isso, ut ilizados no apoio ao

ensino de j or nalism o e de ciências de educação.

Mas, poder ão t am bém ser um a m ais valia no ensino de alunos

que sabem escr ever há r elat ivam ent e pouco t em po, com o é o caso de

alunos do 3º ano de escolar idade?

2 – Qu e m sã o os “Sa bich õe s da Az e da ”?

Os Sabichões da Azeda são um a t ur m a de 24 alunos que, no

ano lect ivo 2005/ 2006, com plet ar am o quar t o ano de escolar idade na

escola Básica com Jar dim de I nfância da Azeda, em Set úbal. A t ur m a

é const it uída por 18 r apar igas e 6 r apazes. São alunos int er essados,

at ent os e com m uit a vont ade de apr ender coisas novas. O nom e de

Sabichões foi escolhido por eles, par a designar a t ur m a quando

par t icipar am nas gincanas cult ur ais pr om ovidas na escola. A ver dade

é que lhes assent a com o um a luva, de acor do com a Sábia, Cília

Besugo, que os acom panhou com o pr ofessor a, e am iga, desde o seu

segundo ano de escolar idade.

Par a a par t icipação na gincana a professor a quer ia um nom e

or iginal e com o não se cansava de lhes r epet ir “ Vocês são m esm o uns

(3)

pesquisas das m at ér ias que est udavam na escola em enciclopédias e

out r as font es além dos m anuais escolar es, o nom e assent ou que nem

um a luva e passou a ser at é o nom e pelo qual se ident ificavam e com

que assinavam t ext os colect ivos, ( ver Figur a 7) . Out r o nom e que

t am bém adopt ar am em algum as das m ensagens par a se designar em

er a Cr om os passando a pr ofessor a, Sábia, a ser designada de

Cader net a nest a nom enclat ur a.

Figur a 1: Mensagem enviada pelos alunos no dia 17 de Junho de 2005

Os Sabichões, Cr om os, ou at é Mega Sabichões são alunos

bast ant e m ot ivados e int er essados e não houve, ao longo de t r ês

(4)

23 Figur a 2: Mensagem enviada pelos alunos no dia 23 de Junho de 2005

3 - Por q u ê u m blogu e ?

A ideia de const r uir o blogue par t iu de quat r o est agiár ias, da

Escola Super ior de Educação do I nst it ut o Polit écnico de Set úbal, que

t r abalhar am com est a t ur m a, no ano lect ivo 2004/ 2005, e que, no

âm bit o do seu est ágio, desenvolver am um pr oj ect o na ár ea da

com unicação. Essas quat r o fut ur as pr ofessor as, em Mar ço de 2005,

lançar am a ideia e cr iar am o blogue par a a t ur m a.

A pr ofessor a da t ur m a j á t inha ut ilizado as Tecnologias da

I nfor m ação e Com unicação ( TI C) em cont ext o educat ivo, em anos

ant er ior es, com out r os alunos, sabia o que er a um blogue, m as nunca

t inha pensado em cr iar um com finalidades educat ivas. No ent ant o,

concor dou com a ideia ainda sem saber a im por t ância que est a

(5)

Na hor a de escolher um nom e par a o espaço da t urm a na

I nt er net os alunos for am unânim es: O blogue ser ia designado por

“ Sabichões da Azeda” . As est agiár ias lançar am as pr im eir as

m ensagens e incent ivar am os alunos a par t icipar em at r avés do envio

de com ent ár ios. No ent ant o, a adesão não foi im ediat a e dur ant e

algum t em po o blogue foi um espaço r elat ivam ent e calm o at é à

alt ur a em que, com o ver em os adiant e, algum as pessoas com eçar am

a visit ar e deixar com ent ár ios com bast ant e r egular idade no blogue.

4 - Qu e m e scr e v ia n o b logu e ?

Em bor a exist isse apenas um ut ilizador e um a palavr a- passe

est es dados er am do conhecim ent o de t odos os alunos da t ur m a ( ver

secção 9) podendo, dest a m aneir a, qualquer deles, aut onom am ent e,

publicar m ensagens.

For am publicadas 311 m ensagens e 611 com ent ár ios. Duzent as

e quar ent a e cinco ( 79% ) dessas m ensagens for am publicadas nos

dias út eis e 66 ( 21% ) ao fim - de- sem ana. O r it m o de publicação, nem

sem pr e const ant e, foi em m édia, ao longo dos dois anos, super ior a 5

m ensagens por sem ana.

Muit os dos t ext os publicados ( 77) er am assinados pelo nom e

colect ivo “ Os Sabichões” ou “ Os Mega Sabichões” havendo, no

ent ant o: ent r adas assinadas individualm ent e por apenas um ( a)

aluno( a) ou gr upo de alunos, 3 m ensagens enviadas por fam iliar es de

alunos, 11 pelas est agiár ias e ainda oit o pela pr ofessor a.

For am encont r ados os nom es de t odos os alunos nas

assinat ur as das m ensagens, em bor a 9 deles só o fizessem

colect ivam ent e ( m uit as m ensagens er am assinadas com o nom e de

2, 3 ou 4 alunos) enquant o que os r est ant es enviar am pelo m enos

um a m ensagem em nom e indiv idual. A aluna que enviou m ais

(6)

25

individual par t icipando ainda, em gr upo, no envio de out r as 37. Na

Tabela 1 podem os ver os dados r efer ent es aos 13 alunos ( 54% ) que

enviar am 10 ou m ais m ensagens.

M e n sa ge n s En v ia da s

N om e I n div idu a lm e n t e Em gr u po Tot a l

Beat r iz 34 37 71

Cat ar ina Filipa 7 32 39

Ana Pint o 19 11 30

Raquel 20 9 29

Joana 6 10 16

I nês 4 11 15

Ant ónio 1 14 15

Miguel 9 4 13

Mar iana 2 10 12

Tat iana 1 10 11

Tom ás 0 10 10

Mar t a 0 10 10

Tiago 0 10 10

Tabela 1: Alunos m ais part icipat iv os

O núm ero m édio de com ent ár ios por m ensagem foi 2,0

r egist ando- se um pico ( 4,1) no m ês de Abr il de 2006 ( ver Figur a 3)

onde as 7 m ensagens publicadas nesse m ês r eceber am 29

(7)

Tabela 3: Núm er o de m ensagens e com ent ár ios enviados

As m ensagens er am , na sua m aior ia, enviadas a par t ir dos

com put ador es disponíveis no Cent r o de Recur sos da Escola ( BE/ CRE)

um a vez que o com put ador de que a t ur m a dispunha na sala não

t inha ligação à I nt er net . Os alunos deslocavam - se ao BE/ CRE onde,

de for m a aut ónom a, edit avam os cont eúdos no blogue. Alguns deles

faziam - no t am bém a par t ir de casa em nom e individual com o o

dem onst r am o núm er o de m ensagens enviadas ao sábado e dom ingo

( 21% ) .

A pr ofessor a só à post er ior via as m ensagens e apont ava os

er r os or t ogr áficos par a ser em cor rigidos pelos alunos. Hav ia, por

par t e dos alunos, gr ande cuidado e m uit a pr eocupação em não

com et er er r os or t ogr áficos no blogue. Em bor a cor r endo o r isco de

deixar publicados alguns er r os de ort ogr afia est e pr ocesso r efor çou a

aut onom ia dos alunos e a aut ocor r ecção em gr upo um a vez que o

blogue er a vist o com o um bem colect ivo da r esponsabilidade de

(8)

27

publicados enquant o a pr ofessor a não os det ect ou for am , com

cer t eza, t am bém eles m om ent os de apr endizagem para os alunos

um a vez que er am com ent ados com a t ur m a de for m a a ser em

evit ados no fut ur o.

Tam bém a pr ofessor a escr eveu, com o vim os, oit o vezes em

nom e pessoal t endo sem pr e com o dest inat ár ios das suas m ensagens

os pr ópr ios alunos. O blogue er a m ais um m eio de se dir igir à t ur m a

par a deixar m ensagens de incent ivos ou felicit ações pela obt enção

dos obj ect ivos pr opost os.

A gr ande m aior ia das m ensagens cont ava as act ividades da

t ur m a, m uit as vezes ilust r adas com im agens. Tam bém

fr equent em ent e cont avam as m at ér ias que est udavam nas aulas, as

not as obt idas nas pr ovas ( Figur a 2) ou publicavam t ext os colect ivos

( Figur a 7) .

Algum as das m ensagens t inham r ecados par a pessoas que liam

e com ent avam no blogue com r egularidade ( Figur a 2) . Set ent a e oit o

por cent o das m ensagens r eceber am com ent ár ios ( dos pr ópr ios

alunos, dos am igos “ vir t uais” ( ver Secção 5) , out r os professor es da

escola ou ainda de out r os alunos e pr ofessor es que visit ar am o

(9)

Figur a 4: Núm er o de com ent ários enviados a cada m ensagem

5 - Os a m igos v ir t u a is

A pr ofessor a falou a alguns am igos do pr oj ect o e, em par t icular ,

com um que t r abalha na ár ea da infor m át ica e que t am bém escr evia

num blogue colect ivo. Esse am igo da pr ofessor a, Em anuel, com eçou

a ler e a deixar com ent ár ios nas m ensagens. Muit os desses

com ent ár ios er am per gunt as dir ect as ou desafios aos alunos que

com eçar am a sent ir que as m ensagens que escr eviam er am lidas e

que o blogue er a, acim a de t udo, um a for m a de com unicar que os

m ant inha em cont act o com o Em anuel.

Mais t ar de out r a am iga vir t ual ( Car la) com eçou a fr equent ar ,

com bast ant e r egular idade, o espaço vir t ual dos Sabichões bem com o

o m onit or ( João Tor r es) que acom panhava a escola, no âm bit o do

pr oj ect o “ Com pet ências Básicas em TI C nas EB1” . Ao apar ecim ent o

dest es “ am igos vir t uais” é dada grande r elevância pelos alunos no

quest ionário dist r ibuído no final da exper iência. Est es “ am igos” , que

(10)

29

de ext r em a im por t ância ao fazer em com que o blogue não fosse um

r eposit ór io est át ico de infor m ação, pr oduzida pelos alunos, m as sim

um a fer r am ent a de com unicação que os m ant inha em cont act o com

pessoas que acabar am por t er um a r elação bast ant e especial com a

t ur m a.

Figur a 5: Mensagem enviada pelos alunos no dia 13 de Junho de 2005

No final de Junho de 2005 o am igo vir t ual, Em anuel,

m at er ializou- se e, a pedido dos alunos, foi fazer um a visit a à escola.

Foi o culm inar de um a com unicação que se est endia vir t ualm ent e

desde o início de Maio. A t ur m a pr epar ou um a fest a e cont ou os

(11)

-se, com m ais um a visit a, em Novem br o de 2005, e dest a vez, além

de Em anuel, est eve t am bém pr esent e m ais um a am iga vir t ual, Car la.

Houve um a em pat ia m ut ua ent r e os alunos e est es adult os o

que cer t am ent e cont r ibuiu par a r efor çar os laços de am izade que j á

os unia. Poucas das m ensagens enviadas não r ecebiam com ent ár ios

da Car la e do Em anuel, m uit as delas com desafios ou conselhos par a

os alunos ( ver Figur a 6) .

Par a a escr it a dest a com unicação pedim os a Em anuel que nos

escr evesse um t ext o sobr e o m odo com o ele viveu est a exper iência.

Tr anscr evem os aqui par t e desse r elat o.

( ...) I nicialm ent e t iv e um papel passiv o. Lim it ei- m e a ler os seus “ post ” , t ent ado perceber qual o sent ido e papel que quer iam dar ao blog.

Acabei por com eçar a int er vir r apidam ent e. Com ecei a efect uar alguns com ent ár ios e sobr et udo a “ exigir ” m ais e m elhores post deles.

Quest ionava const ant em ent e com o t inha sido o dia deles. Os pr ogr am as e as act ividades que t inham apr endido e efect uado.

Com o r espost a, os t ext os com eçar am a ser m ais fr equent es, m aior es e r espondiam de fact o ao que eu pedia.

Nat ur alm ent e acabei por com eçar a “ subir a fasquia” . Bast ant es vezes, acabei por lhes pedir que m e explicassem de fact o o que t inham apr endido. E eles assim o fizeram .

Na alt ur a par a alem do m eu blog pessoal, escrevia t am bém num blog colect ivo, e acabei por “ par t ilhar ” nest es blogs o pr oj ect o dos sabichões. Sei que m ais leit ores o com eçaram a ler. Alguns inclusive, com eçaram t am bém a fazer t am bém com ent ár ios no blog.

Desde o m eu prim eir o com ent ário feit o no dia 12 de Maio de 2005, passando por um a pr om essa de visit a par a os conhecer pessoalm ent e, cum pr ida por m im no dia 21 de Junho do m esm o ano, não sei precisar quant as m ensagens e com ent ários foram edit ados no blog, m as sei que foram frequent es e at revo- m e m esm o a dizer ... viciant e.

Na r ealidade, ainda t enho um a cer t a di culdade em descr ever o que foi par a m im est a exper iência. Dur ant e est es quase dois anos, at ravés do blog,

(12)

31 Vai ser difícil esquecer o ner voso que sent i quando os visit ei pela prim eir a vez. Os sor r isos de quando os sur pr eendi num a visit a de est udo que fizer am a Lisboa, ou quando m e vir am a assist ir à fest a de fim de ano da escola. ( ...)

Depoim ent o, de Em anuel Pessanha, r ecebido por e- m ail

Figur a 6: Mensagem enviada pelo aluno Tom ás, em 11 de Julho de 2005, e com ent ár io de Em anuel

6 - Os sa bich õe s e m fe r ia s

Na visit a à escola, em Junho de 2005, ficou com binado que

Em anuel aj udar ia a t ur m a a cr iar um blogue especial par a as fér ias

que ser ia designado por “ Os Sabichões em fer ias” , par a que os

Sabichões cont inuassem , a par t ir de casa ou da Escola, no ATL, a

escr ever e com unicar cont ando as novidades das suas fér ias dur ant e

o ver ão de 2005.

De Junho a Set em br o de 2005, for am enviadas 30 m ensagens

(13)

alunos2. Par a est e blogue a pr ofessor a enviou 5 m ensagens e o

Em anuel um a, com o not a de aber t ur a.

Foi t am bém at r av és do blogue de fér ias que um dos alunos,

Miguel, depois de t er ido par a os Est ados Unidos da Am ér ica,

cont inuou a com unicar com a t ur m a.

Figura 7: Tem plat e original criada por Em anuel par a o blogue “ Sabichões em fer ias”

7 – Pa r t icipa çã o n o w or k sh op

Em Set em br o de 2005 o Cent r o de Com pet ência CRI E da Escola

Super ior de Educação ( ESE) de Set úbal, que conhecia o pr oj ect o e o

acom panhava com r egular idade, cont act ou a pr ofessor a e os alunos

pr opondo dois desafios. O pr im eir o consist ia na r ealização de um a

2

(14)

33

ent r evist a com vist a a publicar , na página do Cent r o, um exem plo de

boas pr át icas de ut ilização dest a fer r am ent a em cont ext o educat ivo.

O segundo desafio consist ia na par t icipação act iva da pr ofessor a e

dos alunos num a sessão sobre blogues que t inha com o público alvo

os pr ofessor es do dist r it o de Set úbal par a que a exper iência fosse

cont ada na pr im eir a pessoa.

Os dois desafios for am aceit es e além da publicação da not ícia

r esult ant e da ent r evist a, a t ur m a deslocou- se à ESE, no dia 13 de

Out ubr o, onde quat r o dos alunos e a pr ofessor a cont ar am a

exper iência a cer ca de 20 pr ofessor es pr esent es. Os alunos falar am

do blogue, r esponder am às quest ões colocadas pelos professor es e

exem plificar am com o publicavam e edit avam infor m ação.

Por quest ões logíst icas apenas quat r o alunos puder am est ar na

sala com os pr ofessor s enquant o que os r est ant es 20 est avam

envolvidos em out r as act ividades, t am bém na ESE, no ent ant o est a

exper iência apar ece r efer ida por cer ca de m et ade dos alunos ( 11 -

46% ) no quest ionár io ( ver m ais à fr ent e na Secção 9) e é r efer ida

sem pr e com o um a exper iência posit iva associada ao blogue.

(15)

8 - Pa r t icipa çã o n a m a r a t on a de Le it u r a

O blogue, e as exper iências em t or no dest a fer r am ent a com o os

am igos vir t uais e a par t icipação no w or kshop, t or nar am - se de t al

for m a im por t ant es no dia- a- dia dest as cr ianças que foi o t em a

escolhido par a um t ext o colect ivo que apr esent ar am num a sessão

que decor r eu no agr upam ent o de escolas, em que a EB1/ JI da Azeda

est á int egr ada, no dia 26 de Janeir o de 2006. O t ext o, da aut or ia dos

alunos, reflect e t am bém , na nossa opinião, o m odo com o viam est a

fer r am ent a.

M a r a t on a da Le it u r a

Te x t o cole ct iv o

“O n osso blogu e ”

Tudo com eçou no ano lect ivo ant er ior com a vinda de quat r o est agiár ias par a a nossa sala, t inham um pr oj ect o, sobr e os m eios de com unicação, daí t iver am a ideia de nos cr iar um blogue na I nt er net , gost ám os da ideia, m as não sabíam os m uit o bem do que se t rat ava.

Tia go: O que é um blogue?

Ra qu e l: Tiago, um blogue é um a pequena página na I nt er net , onde podem os

escr ever o que nos apet ece, ou o que fazem os no dia a dia.

D a n ie la : Olha Tiago é par ecido com um diár io.

Ra qu e l: I sso m esm o, par a além de escreveres, t am bém lá podes colocar

desenhos, fot ogr afias, o que t e apet ecer …

Rica r do: Há blogues que falam apenas de um t em a, por exem plo polít ica, out r os

falam de vár ios t em as.

O nosso blogue cham a- se Sabichões da Azeda, a ideia do nom e surgiu de um as gincanas cult urais em que íam os part icipar. Nele quase t odos os dias escr evem os um pequeno r elat o das nossas act ividades na sala de aula e na escola.

D a n ie la : Est e pr oj ect o com eçou no ano lect ivo ant er ior , quando ainda est ávam os

(16)

35

M a r ia : O nosso blogue não t eve sem pr e est a cara, no inicio er a m uit o sim ples,

resolvem os aperfeiçoa- lo com a aj uda de um am igo que nós consideram os o t écnico do blogue, par a o apr esent ar num Wor kshop sobr e blogues.

Ra qu e l: O que é um Wor kshop?

Rica r do: É com o se fosse um a oficina onde se apr ende qualquer coisa, nest e caso

nós fom os ensinar , ou m elhor , explicar par a que ser via um blogue e com o se publica ou faz com ent ár ios num blogue. E sabem , est ávam os a explicar par a pr ofessor es.

M a r ia : E par ece que nos saím os m uit o bem , pelo m enos zer am - nos m uit os

elogios e com ent ár ios no blogue.

D a n ie la : O que nunca m udou nest e blogue foi ser sem pr e ver de.

M a r ia : Mas isso t am bém t em um a explicação.

Tia go: Pr edom ina o ver de, por que quase t oda a t ur m a é adept a do Spor t ing e do

Vit ória.

Sa r a : Por causa dest e blogue, est e ano lect ivo t em os vivido exper iências

inesquecíveis.

D a n ie la : Som os um a t ur m a de avent ur eir os, dem os um a ent r evist a par a um j or nal

elect r ónico, par t icipám os num Wor kshop na ESE de Set úbal sobr e blogues na educação, criám os um logót ipo par a a t ur m a…

Tia go: Daniela, est ás a esquecer- t e do m ais im por t ant e, conhecem os dois am igos

v ir t uais.

Sa r a : O que são am igos vir t uais?

Ra qu e l: São pessoas com quem falam os na I nt ernet e que um dia t ivem os o

pr azer de conhecer pessoalm ent e.

Tia go: E lem br as- t e com o cor r eu esse dia?

D a n ie la : Achas que é possível esquecer?

Tia go: Foi um dia espect acular , pr epar am os- lhe um a sur pr esa, um lanche,

oferecem os- lhes prendas, Pat inám os…

Rica r do: Acho que t al com o nós, t am bém eles ador ar am esse dia.

Ra qu e l: Era bom que eles pudessem vir visit ar - nos m ais vezes.

Sa r a : Ah! Já m e esquecia, t am bém t em os um blogue de fér ias, onde escr evem os

(17)

9 - Opin iõe s dos a lu n os

No final da exper iência foi dist r ibuído um quest ionár io aos

alunos par a r ecolher as suas opiniões sobr e o blogue e a fr equência

com que par t icipavam .

A pr im eir a quest ão t ent ava saber quais as apr endizagens,

r elacionadas com o blogue, que os alunos consider avam r elevant es. A

m aior ia dos alunos ( 18) r efer iu o fact o de t er apr endido a escr ever

m ensagens e com ent ár ios no blogue. No ent ant o algum as das

r espost as não er am t ão específicas ao blogue r efer indo apenas t er

apr endido a: “ escr ever ” ( 2 ocor r ências) ; “ escr ever sem er r os” ( 1

ocor r ência) ; “ escr ever no com put ador ” ( 2 ocor r ências) ou ainda

“ escr ever na I nt er net ” ( 2 ocor r ências) . Algum as das com pet ências

apont adas indicam a im por t ância do blogue no acesso, por par t e de

alguns alunos, às TI C. Tr ês alunos afir m ar am que at r avés do blogue

apr ender am a “ m exer no com put ador ” ; out r os t r ês a “ m exer ou ir à

I nt er net ” .

Out r o dos aspect os bast ant e r efer enciado ( 5 ocor r ências) est á

r elacionado com “ apr ender a conviver com am igos vir t uais” . Dois

alunos r efer em que se diver t ir am ; um diz t er apr endido o que é um

blogue e out r o ainda que apr endeu a “ cr iar blogues” . Apar ece

t am bém um a r efer ência à im por t ância do t r abalho em equipa: “ Eu

apr endi que se t r abalhám os j unt os sai um a coisa bem feit a…”

Apenas um dos alunos disse não saber de cor a palavr a- passe e

o ender eço do blogue. Tam bém apenas um disse não saber fazer

com ent ár ios, r egist ando ainda um a r espost a em br anco nest e it em .

Com o podem os const at ar na Tabela 3, t r ês quar t os dos alunos

( 18) afir m ar am ser capazes de escr ever m ensagens no blogue,

em bor a apenas 5 fossem capazes de inser ir im agens. No ent ant o,

nem t odos escr eviam com a m esm a fr equência havendo um núcleo

(18)

37

escr it o pelo m enos 20 m ensagens ( ver Tabela 2) . Todos os alunos

afir m ar am , no ent ant o, que escrever am pelo m enos 5 vezes no

blogue3.

Eu e scr e v i a pr ox im a da m e n t e : n

Mais de 20 vezes 9

Mais de 5 e m enos de 20 vezes 11

Pelo m enos 5 vezes 4

Nunca Escr evi 0

Tot al 24

Tabela 2: Respost a à quest ão “ Eu escr evi apr oxim adam ent e: ”

N o Blogu e e u con sigo: Sim N ã o

Escr ever m ensagens 18 6

I nser ir I m agens 5 19

Fazer Com ent ár ios 22 2

Recor dar sem pr e a passw or d 19 5

Tabela 3: Respost as à quest ão: “ No blogue eu consigo: ”

Cur iosam ent e, m ais de m et ade dos alunos ( 13) a r m ou

r ar am ent e ver o blogue. Dois alunos viam t odos os dias, 2 de dois em

dois dias e os r est ant es 7 pelo m enos um a vez por sem ana.

No quest ionár io foi ainda pedido aos alunos que com plet assem

a fr ase “ O blogue par a m im foi…” . Vint e, dos vint e e quat r o, ( 83% )

r efer ir am pela posit iva a opor t unidade de conhecer novas pessoas e

fazer nov as am izades. Onze ( 46% ) r efer ir am o fact o de o blogue t er

possibilit ado a par t icipação num Workshop. As ex pr essões que m ais

vezes apar ecer am qualificavam a exper iência com o “ espect acular ” ( 5

vezes) ; “ m uit o im por t ant e” ( 4 vezes) ; “ inesquecív el” ( 4 vezes) ; “ gira”

( 3 vezes) ; “ engr açada” ( 3 vezes) e diver t ida ( 2 vezes) . Apar ecer am

3

(19)

ainda, r efer idas por apenas um aluno, as expr essões “ m uit o

especial” ; “ m uit o boa” , “ agr adável” e “ um a gr ande exper iência” .

Cinco dos alunos ( 21% ) not ar am o fact o de o blogue lhes t er

per m it ido fazer nov as apr endizagens.

Eu v ia o blogu e n

Todos os dias 2

De dois em dois dias 2

Todas as sem anas 7

Rar am ent e 13

Tot al 24

Tabela 4: Respost as à quest ão: “ Eu via o blogue: ”

1 0 - Con clu sã o

É evident e que o blogue foi um a exper iência m uit o im por t ant e

na dinâm ica dest a t ur m a. Os alunos envolver am - se no pr oj ect o e a

im por t ância é bem visível no m odo com o o descr ever am no t ext o

colect ivo apr esent ado na Mar at ona de Leit ur a. Todos eles t iver am

um a par t icipação act iva, sendo no ent ant o est r anho que haj a m ais

r efer ências à pr odução de infor m ação do que à v isit a sist em át ica ao

espaço vir t ual. Esse fact o pode est ar , na nossa opinião, r elacionado

com os m eios t ecnológicos disponíveis quer em casa quer na escola.

O com put ador que exist ia na sala de aula não est ava, com o j á

r efer im os, ligado à I nt er net . Os alunos inser iam as suas m ensagens

no Cent r o de Recur sos da escola e em alguns casos em suas casas.

Est e fact o im plicava que se deslocassem ao BE/ CRE quando quer iam

act ualizar a página não sendo t ão fácil a deslocação sist em át ica de

m uit os deles par a sim ples consult a que ser ia facilit ada se pudesse ser

feit a na pr ópr ia sala de aula. As r efer ências feit as pelos alunos às

apr endizagens efect uadas, em r elação à ut ilização do com put ador e

(20)

39

que nem t odos t er iam acesso a est a t ecnologia for a da escola. As

exper iências associadas ao blogue com o o fact o de conhecer em

out r as pessoas ( Em anuel, Car la e João Tor r es) e par t icipar em em

out r as act ividades ( w or kshop sobre blogues) t am bém for am m uit o

valor izadas.

O blogue foi cer t am ent e t am bém um est im ulo à pr odução de

t ext o escr it o por par t e dest es alunos. Alguns cont ar am as suas fér ias

no blogue de fér ias de for m a espont ânea sem isso lhes ser pedido

nem im post o com o t r abalho suplem ent ar . Par a a análise das

m ensagens do blogue colám os t oda a infor m ação ( apenas das

m ensagens, sem com ent ár ios) num único ficheir o. Esse ficheir o

cr esceu at é 144 páginas o que, na nossa opinião, é significat ivo t endo

em cont a a idade e nível escolar dos alunos. A iniciat iva de r elat ar o

que acont ecia na sala de aula er a ger alm ent e deles. A ex ist ência de

leit or es assíduos das m ensagens que com ent avam fr equent em ent e

foi cer t am ent e fundam ent al par a m ant er o em penho dos alunos na

pr odução de m at er iais par a o blogue. O blogue foi t am bém , algum as

vezes, elo de ligação com out r os pr ofessor es da escola e com as

fam ílias dos alunos. Em bor a não em grande núm er o, houve

m ensagens enviadas por m ães e irm ãos dos alunos e t am bém alguns

com ent ár ios pr ovenient es de pessoas que se ident ificavam com o

fam iliar es dos alunos.

O decr éscim o no envio de m ensagens ver ificado nos últ im os

m eses do segundo ano, est á cer t am ent e r elacionado com a m aior

sobr ecar ga de t r abalho dos alunos nessa alt ur a, m as a análise dos

t ext os publicados deixa t r anspar ecer um a enorm e difer ença ao nív el

dos cont eúdos pr oduzidos. Nest a fase os alunos j á escr eviam

m ensagens subst ancialm ent e m aior es e m ais r eflect idas que

suscit avam , com o vim os, m aior núm er o de com ent ár ios.

Tem os a cer t eza que o blogue foi um a exper iência m ar cant e

(21)

im por t ant es que foi a eles que os alunos r ecor r er am par a or ganizar

um a fest a sur pr esa à pr ofessor a no final do ano lect ivo. Quando a

pr ofessor a pensava ir j ant ar com o am igo encont r ou t oda a t ur m a

que, em segr edo, t inha pr epar ado a sur pr esa par a ela.

Julgam os que as TI C e, em par t icular , os blogues podem

cont r ibuir com o m ais um a fer r am ent a ao ser viço da educação. No

ent ant o, as r elações hum anas for am m uit o im por t ant es na

exper iência vivida. A exper iência não t er ia sido cer t am ent e t ão r ica se

a est a com unidade não se t iv essem j unt ado out r os elem ent os que,

em m uit as ocasiões, viviam as alegr ias e desafios da t ur m a com a

m esm a int ensidade da pr ofessor a e dos seus alunos.

A associação de t ur m as ou a par t icipação cr uzada de

pr ofessor es em vár ios pr oj ect os com o est e, com papéis difer enciados,

podem ser fundam ent ais par a o seu sucesso, um a vez que haver á

que gar ant ir que a infor m ação pr oduzida t enha r ecept or es e que haj a

(22)

41

Re fe r ê n cia s:

BARUJEL, A. G. ( 2005) . El uso de w eblogs en la docencia

univer sit ar ia. Revist a Lat inoam er icana de t ecnologia educat iva ,

4( 1) , 9- 23.

GUTI ERREZ, S. ( 2005, Maio) . Weblogs e educação: cont r ibuição par a

a const r ução de um a

t eor ia. RENOTE - Revist a Novas Tecnologias na Educação, 3( 1) .

ORI HUELA, J. L., & Sant os, M. L. ( 2004) . Los w eblogs com o

her r am ient a educat iva: exper iencias con bit ácor as de alum nos.

Quader ns Digit als, 34.

VARANDAS, J. M. ( 2004) . Quem quer ser bloguist a? I n Act as do

pr ofm at 2004 ( p. 182- 187) .

Imagem

Figur a 1:  Mensagem  enviada pelos alunos no dia 17 de Junho de 2005
Tabela 1:  Alunos m ais part icipat iv os
Tabela 3:  Núm er o de m ensagens e com ent ár ios enviados
Figur a 4:  Núm er o de com ent ários enviados a cada m ensagem
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Referências

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cit adas pelo apr esent ador ou pelo r epór t er , out r as não. Em bor a os est udos sobr e font es de infor m ação sej am fundam ent ais par a a com pr eensão da im por t ância

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