• Nenhum resultado encontrado

Rev. Bras. Anestesiol. vol.68 número1

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Rev. Bras. Anestesiol. vol.68 número1"

Copied!
32
0
0

Texto

(1)

RevBrasAnestesiol.2018;68(1):1---32

REVISTA

BRASILEIRA

DE

ANESTESIOLOGIA

PublicaçãoOficialdaSociedadeBrasileiradeAnestesiologia www.sba.com.br

ARTIGO

ESPECIAL

Consenso

sobre

Ecocardiografia

Transesofágica

Perioperatória

da

Sociedade

Brasileira

de

Anestesiologia

e

do

Departamento

de

Imagem

Cardiovascular

da

Sociedade

Brasileira

de

Cardiologia

Marcello

Fonseca

Salgado-Filho

a,b,∗

,

Samira

Saady

Morhy

c,d

,

Henrique

Doria

de

Vasconcelos

a,e,f

,

Eric

Benedet

Lineburger

a,g

,

Fabio

de

Vasconcelos

Papa

a,h

,

Eduardo

Souza

Leal

Botelho

a,i,j

,

Marcelo

Ramalho

Fernandes

a,k,l

,

Maurício

Daher

a,m

,

David

Le

Bihan

c,n,o,p

,

Chiara

Scaglioni

Tessmer

Gatto

a,q,r

,

Cláudio

Henrique

Fischer

c,d,s

,

Alexander

Alves

da

Silva

a,t

,

Carlos

Galhardo

Júnior

a,i

,

Carolina

Baeta

Neves

a,n,s

,

Alexandre

Fernandes

a,i,j

e

Marcelo

Luiz

Campos

Vieira

c,d,q,r

aNúcleoVida---EcocardiografiaTransesofágicaIntraoperatóriadaSociedadeBrasileiradeAnestesiologia(ETTI/SBA),Riode

Janeiro,RJ,Brasil

bUniversidadeFederaldeJuizdeFora(UFJF),JuizdeFora,MG,Brasil

cDepartamentodeImagemCardiovasculardaSociedadeBrasileiradeCardiologia(DIC/SBC),SãoPaulo,SP,Brasil dHospitalIsraelitaAlbertEinstein,SãoPaulo,SP,Brasil

eUniversidadeFederaldoValedaSãoFrancisco(Univasf),Petrolina,PE,Brasil fJonhsHopkinsUniversity,Baltimore,EUA

gHospitalSãoJosé,Criciúma,SC,Brasil hTakaokaAnestesia,SãoPaulo,SP,Brasil

iInstitutoNacionaldeCardiologia(INC),RiodeJaneiro,RJ,Brasil

jUniversidadedoEstadodoRiodeJaneiro(UERJ),RiodeJaneiro,RJ,Brasil kHospitalPró-Cardíaco,RiodeJaneiro,RJ,Brasil

lHospitalCopaStar,RiodeJaneiro,RJ,Brasil

mInstitutodeCardiologiadoDistritoFederal,Brasília,DF,Brasil nInstitutoDantePazzanesedeCardiologia,SãoPaulo,SP,Brasil oHospitaldoRimeHipertensão,SãoPaulo,SP,Brasil

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](M.F.Salgado-Filho).

https://doi.org/10.1016/j.bjan.2017.07.004

(2)

pGrupoDasa,SãoPaulo,SP,Brasil

qInstitutodoCorac¸ão(Incor),SãoPaulo,SP,Brasil

rFaculdadedeMedicinadaUniversidadedeSãoPaulo(FMUSP),SãoPaulo,SP,Brasil sUniversidadeFederaldeSãoPaulo(Unifesp),SãoPaulo,SP,Brasil

tSãoPauloServic¸osMédicosdeAnestesia(SMA),SãoPaulo,SP,Brasil

Recebidoem20dejunhode2017;aceitoem17dejulhode2017 DisponívelnaInternetem1desetembrode2017

PALAVRAS-CHAVE

Ecocardiografia; Transesofágico; Perioperatório

Resumo ASociedadeBrasileiradeAnestesiologia,peloNúcleoVidadeEcocardiografia

Transe-sofágicaIntraoperatória(ETTI/SBA)juntamentecomoDepartamentodeImagemCardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DIC/SBC), fez uma forc¸a-tarefa para normatizar a feituradaecocardiografia transesofágicaintraoperatóriaparaosanestesiologistase ecocar-diografistasbrasileiroscombasenasevidênciascientíficasdaSociedadedosAnestesiologistas Cardiovasculares/SociedadeAmericanadeEcocardiografia(SCA/ASE)edaSociedadeBrasileira deCardiologia.

©2017SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eum artigoOpen Accesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

KEYWORDS

Echocardiography; Transesophageal; Perioperative

ConsensusonPerioperativeTransesophagealEchocardiographyoftheBrazilian SocietyofAnesthesiologyandtheDepartmentofCardiovascularImageofthe BrazilianSocietyofCardiology

Abstract Through the Life Cycle of Intraoperative Transesophageal Echocardiography

(ETTI/SBA)the Brazilian Societyof Anesthesiology,together with theDepartmentof Cardi-ovascular ImageoftheBrazilian SocietyofCardiology(DIC/SBC), creatededataskforceto standardizetheuseofintraoperativetransesophagealechocardiographybyBrazilian anesthesi-ologistsandechocardiographersbasedonscientificevidencefromtheSocietyofCardiovascular Anesthesiologists/AmericanSocietyofEchocardiography(SCA/ASE)andtheBrazilianSocietyof Cardiology.

©2017SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisan openaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc

¸ão

Desdeasuaintroduc¸ãonapráticaclínicanofimdadécada de 1980, a ecocardiografia transesofágica (ETE) tem se tornado uma das principais modalidades diagnósticas em cardiologia,poisorientaascondutasanestésico/cirúrgicase diminuiamorbidadeemortalidadeemcirurgiascardíacas.1

Devidoàgrandeproximidadeentreoesôfagoeocorac¸ão, ausênciadeossosoutecidopulmonareaousode transdu-toresdealta frequência é possível obterimagensde alta qualidade.1

AprimeiradiretrizsobreETEperioperatóriafoipublicada em1999pelaSociedadedosAnestesiologistas Cardiovascu-lares/Sociedade Americana de Ecocardiografia (SCA/ASE), quedefiniuanomenclaturaeos20cortesbásicosdaETE.2

NoBrasil,temosasdiretrizesdaSociedadeBrasileirade Car-diologia(SBC)sobreousodaETE.3 Osníveis deevidência

easindicac¸õesdousodaETEemcirurgiascardíacasenão cardíacasencontram-senatabela1.

AsdiretrizesdaSCA/ASEedaSBCdefinemosprofissionais habilitadosausaraecocardiografiacomométodo diagnós-tico oucomo monitorac¸ão hemodinâmicasegundoosseus critériosdeconhecimentosbásicoseavanc¸ados.1,3No

Bra-sil,estásendodefinidaaáreadeatuac¸ãoemecocardiografia perioperatória pela Sociedade Brasileira de Anestesiolo-gia(SBA)juntamentecomaSBC. Comoprimeiropassode padronizac¸ãodessahabilitac¸ãoe comointuito de promo-ver educac¸ão continuadaaos seusassociados,nos últimos cincoanosaSBAtemministradoocursodeecocardiografia intraoperatória(ETI/SBA),divididoemdoismódulos,básico (MóduloI)eavanc¸ado(MóduloII).4

(3)

ConsensosobreEcocardiografiaTransesofágicaPerioperatóriaETTI/SBA-DIC/SBC 3

Tabela1 Níveisdeevidênciadaecocardiografiatransesofágicaintraoperatória

Recomendac¸ões Classe

Distúrbioshemodinâmicosgraves,agudosepersistentes,comfunc¸ãoventricularduvidosa,quenão respondematratamento

I

Reparooutrocacirúrgicadelesõesvalvares,doenc¸asdaaortaemiocardiopatiahipertrófica I Aneurismaventricular,remoc¸ãodetumorescardíacos,trombectomiaintracardíacaeembolectomiapulmonar I

Cirurgiadecardiopatiacongênitacomcirculac¸ãoextracorpórea I

Colocac¸ãodedispositivosintracardíacos I

Avaliac¸ãodederramepericárdicoloculadoouposterior I

Avaliac¸ãodeprocedimentostranscateter(fechamentodecomunicac¸ãointeratrial,oclusãodeapêndice atrial,procedimentosvalvarestranscateteres)

I

Avaliac¸ãodafunc¸ãomiocárdicaapósrevascularizac¸ãodomiocárdiocomousemcirculac¸ãoextracorpórea IIa

Cirurgiasnãocardíacasdegrandeporteempacientesdealtorisco IIa

e ecocardiografistas brasileiros com base nas evidências científicasdaASE/SCAedaSBC.

Equipamento

AsondadeETEfoidesenvolvidaparaaprimorarimagenspara asquaisatécnicatranstorácicaapresentavalimitac¸ões,tais comoempacientesobesos,enfisematososenasanomalias torácicas.1Aondadeultrassom(US)doETEatravessaapenas

oesôfagoeopericárdioparaformarasimagensdocorac¸ão. Dessa forma, obtêm-se imagens com maior resoluc¸ão e maiornúmerodecortesanatômicos(fig. 1).Alémdisso,o transdutordoETEpodeficarfixoemdeterminadapartedo esôfagoouestômago,possibilitaumaanálisemaisdetalhada daanatomiacardíaca.1,5OstransdutoresdeETEatuais

fun-cionam com frequência de emissãode 3,5 a 7MHz, pode chegaraté20MHz.5

A maioria das sondas de ETE para adultos apresenta dois manetes na empunhadura. Um faz um movimento de anteflexão e retroflexão e o outro faz ummovimento delaterizac¸ão,paraaesquerdaedireita.1Ostransdutores

multiplanaresapresentamcontrole doângulodoplano do feixeultrassônico,quepodevariarde0oa180o.Todosesses

controles,associadosà retiradae introduc¸ão dasondano esôfago, possibilitam a visibilizac¸ão de vários cortes eco-cardiográficos(fig.2).1,6

AsondadeETEdeadultotemaproximadamente100cm eodiâmetrovariade9a12mm,1a2mmmaisespessona ponta. Para o usodasonda deETE deadulto, o paciente deveráteraomenos20Kg.7

Complicac

¸ões

Ascomplicac¸õesprovenientesdousodoETEpodemser sepa-radasemdoisgrupos:1-traumadiretodoesôfago,estômago e/ouviaaérea;2-efeitosindiretosdoETE(tabela2).1

Nogrupo1ascomplicac¸õesincluem:sangramento eso-fagiano, queimadura, disfagia e desconforto laríngeo.6 A

maioriadessascomplicac¸õesocorreduranteapassagemda sonda.Nos pacientesqueserão submetidosàcirurgiacom circulac¸ãoextracorpórea,apassagemdasondadeverá ocor-rerantesdaheparinizac¸ão ea retiradasódeveráocorrer

apósareversãocomprotaminaecomotempodecoagulac¸ão ativado(TCA)menordoque120segundos.1

Em um estudo com 10.000 exames de ETE houve um caso de perfurac¸ão da hipofaringe (0,01%), dois casos de perfurac¸ão doesôfago cervical(0,02%) e nenhumcaso de perfurac¸ãogástrica(0%).Aincidênciademorbidadee mor-talidadeéde0,2%e0%,respectivamente.8

As complicac¸ões mais comuns associadas ao uso do ETEintraoperatório são:odinofagia(0,1%), lesãodentária (0,03%),mauposicionamento dotuboorotraqueal(0,03%), hemorragiadotratogastrointestinalsuperior(0,03%), bac-teriemia(0%a17%).Apesardeaincidênciadebacteremia serelevada,nãohá correlac¸ãocomo desenvolvimentode endocarditeinfecciosa.8

Nogrupo2,temos ascomplicac¸õesindiretamente rela-cionadasaoETE,queincluem:alterac¸õeshemodinâmicas, pulmonares, manipulac¸ões na via aérea e distrac¸ão na atenc¸ãoao paciente.8É importantedeixarligadotodosos

alarmes do aparelho de anestesia e dos monitores, pois o aparelho de ETE pode estar posicionado de forma que dificultea visibilizac¸ão de todos os monitores de umasó vez.Alémdisso,duranteoexame,oexaminadorpodeficar desatentocom o paciente e tentar fazer alguma imagem ecocardiográficaoudefinirumdiagnóstico.Inicialmente,é importanteoexameecocardiográficocomumsegundo anes-tesista, para que, enquanto um anestesista faz o exame ecocardiográfico, o outro anestesista ajude no controle intensivodopaciente.1,9

Tabela2 Complicac¸õesdoecocardiogramatransesofágico

Traumadiretodaviaaéreaedoesôfago Sangramentoesofagiano

Queimaduraesofagiana Disfagia

Bacteremia

Paralisiadascordasvocais Efeitosindiretos

(4)

Figura1 Relac¸õesanatômicasentreasondatransesofágica,oesôfagoeocorac¸ão.

Técnica

de

passagem

da

sonda

A introduc¸ão da sonda deve ser feita com o paciente anestesiado, após a intubac¸ão traqueal.1 A sonda deve

serlubrificadacom geleiaprópriaparaETE (normalmente geleia de lidocaína ou lubrificante íntimo) e o estô-mago podeser esvaziado previamente, paraaprimorar as imagens.1

Apassagemdasondaémuitasvezesumdesafio.A téc-nica consisteem lubrificá-la adequadamente, passá-la na porc¸ãoposteriordaorofaringeecomamãoesquerdafazer umaelevac¸ãodamandíbula.Passarpeloesfínctersuperior doesôfagoéomomentocríticodoprocedimentoequando podemocorrerascomplicac¸õesmaisgraves.Asondadeve progrediremdirec¸ãoaoesôfagosemresistência.6Sehouver

resistênciaàpassagemdasonda,essanormalmenteocorre porque sua ponta aloja-se no seio piriforme, na valécula epiglótica, na parte posterior da língua ou em divertícu-los esofagianos. A sonda nunca deve ser forc¸ada contra uma resistência, pois pode acarretar complicac¸ões como perfurac¸ãoesangramento.1

Outratécnicaquepodeserusadaéaintroduc¸ãodasonda coma ajuda dolaringoscópio. Nesse caso, deve-se tomar

cuidado com o estímulohemodinâmico desencadeado por umasegundalaringoscopia.1

OexamedeETEpermiteanáliseanatômicaintrae extra-cardíaca, dos grandes vasos da base, análise de defeitos cardíacoscongênitoseanálisequalitativaequantitativados fluxosnomodo Doppler.1,3Um examecompleto durante o

período intraoperatório nãosó caracteriza o perfil hemo-dinâmico do paciente, mas pode levar a modificac¸ões na abordagemcirúrgicaematé25%dosexames,nosquaissão observadasalterac¸õescomoapresenc¸adeumforameoval patente(FOP),trombosemátrioesquerdo(AE)ouplacasde ateromanaaortaascendente(AoAsc).8

Osexames feitos devemser arquivados em umamídia digitalparaposterior análiseelaudo.Dessaforma,é pos-sível fazer umaanálise daevoluc¸ão dopaciente tanto no períodointraoperatórioquantonopós-operatório.6

Manipulac

¸ão

da

sonda

do

ecocardiograma

transesofágico

Ocorretousodasfunc¸õesdasondadeETEmultiplanar pro-porcionaobtenc¸ãoadequadadasimagenscardíacasdurante

0.º

180.º

90.º Rotação para

frente Rotação para trás

Avançar Virar para

direita Retroceder

Virar para

esquerda Direita Esquerda Anterior

Anteflexão Retroflexão Posterior

Flexão para direita

Flexão para esquerda

(5)

ConsensosobreEcocardiografiaTransesofágicaPerioperatóriaETTI/SBA-DIC/SBC 5

Figura3 (A)Cortedoesôfagomédiocincocâmaras.(B)Corte doesôfagomédioquatrocâmaras.(C)Cortedoesôfagomédio comissural.(D)Cortedoesôfagomédioduascâmaras.

oexameintraoperatório.Alémdisso,acorretamanipulac¸ão dasondadiminuiaincidênciadecomplicac¸õesnoesôfagoe noestômago.

Amovimentac¸ãodasondanosentidocaudalecranial pro-duzmodificac¸õesnasimagensnosentidoinferioresuperior do corac¸ão, respectivamente (esôfago alto: aproximada-menteentre20e25cm;esôfagomédio:aproximadamente entre30e40cm;transgástrico(TG):cercade40a45cm; TGprofundo:cercade45a50cm).Alterac¸õesparadireita ou para esquerda do corac¸ão podem ser obtidas com a movimentac¸ãodasondaemsentidohorárioouanti-horário. O melhor alinhamento das imagens pode ser obtido com o movimentoanteriorouposterior dasonda,usa-se,para isso,anteflexãoouretroflexãocomauxíliodamanoplamaior dasonda.1OmodomultiplanardoETEproporcionaajustes

finosnoângulodeinclinac¸ãodoplanodaimageme conse-quentementepossibilitaanálisesanatômicasmaisprecisas. Oângulopodevariarde0oa180o1(fig.2).

Exame

ecocardiográfico

abrangente

Adescric¸ãodatécnicadefeituradoexameecocardiográfico transesofágicoabrangenteseguiráomodelodaASE/SCA.1,2

Anomenclaturadascúspidesdavalvamitral(VM)seguiráa classificac¸ãodeCarpentieretal.10 Seguem oscortes

esta-belecidosparaessaanálisecompleta.

Corteesôfagomédiocincocâmaras

Avanc¸arasondaaté30cmdosincisivosnoesôfagomédio. Rotacionaroângulodotransdutorematé10o eprocurar a

via desaídado ventrículoesquerdo(VSVE) e a valva aór-tica(VA)eflexionarasondaanteriormente.Échamadode cincocâmaraspoisvisibilizamosoAE,oátriodireito(AD), o ventrículo esquerdo (VE), o ventrículo direito (VD) e a VSVEcompartedaVA.Avaliac¸ãodafunc¸ãoregionaldoVEé prejudicadapeloencurtamentodoápice(fig.3A).

Corteesôfagomédioquatrocâmaras

Avanc¸ar a sonda da posic¸ão anterior(cinco câmaras) até 30a35cm.Podemosdescrevero VE,VD,AE, AD,osepto interatrial(SIA), a VM e a valva tricúspide (VT). O ápice verdadeiro(nãoencurtado)poderáserexpostoatravés da retroflexãodasonda.Éumadasvisibilizac¸õesmaisusadas paradiagnóstico(fig.3B).

Corteesôfagomédiocomissuralmitral

Apartir daposic¸ão anterior (quatrocâmaras), rotacionar asondaaté45a60o.AVMtemumaaparênciatípicanessa

imagem(segmentosP1-A2-P3),ocortepassapeloeixo

comis-suraldaVM. Osmúsculospapilares e ascordas tendíneas sãoidentificados. Pequenas manipulac¸ões da sonda nessa imagempodemfornecerdetalhesanatômicoseumaanálise maiscompletadaVM(fig.3C).

Corteesôfagomédioduascâmaras

A partir da visibilizac¸ão comissural, rotacionar o ângulo entre 60o a 90o. Identifica-se o AE, o apêndice atrial

(6)

Figura4 (A)Cortedoesôfagomédioeixolongo.(B)Cortedoesôfagomédioaortaascendenteeixolongo.(C)Cortedoesôfago médiovalvaaórticaeixolongo.(D)Cortedoesôfagomédioaortaascendenteeixocurto.

sãoexpostas e pode-se avaliartanto a func¸ão ventricular quantovalvarmitral.Oseiovenosocoronariano(SC)évisto em eixocurto,logo acimadaparede basalinferior doVE (fig.3D).

Corteesôfagomédiodoeixolongo

Najaneladeduascâmaras,rotacionaroângulopara120o.

OAE,VE,VSVE,VA,AoAscproximal,SCeaVM(segmentos P2eA2)sãovisibilizados.Ajustessãofeitosparamaximizar

odiâmetrodaVSVEetirarsuasmedidascomprecisão. Pode--seaveriguaramovimentac¸ãoanterosseptaleinferolateral doVE(fig.4A).

Corteesôfagomédioeixolongodavalvaaórtica

Retira-se a sonda alguns centímetros da posic¸ão do eixo longonoesôfagomédio.Mantém-seângulode120oa140o.

Alinha-se a VSVE, a VA e a Ao Asc proximal onde a par-tirdessepontopode-seavaliaraVAemensurardiâmetros sinotubulares e anulares da Ao. Averiguar placas ateros-cleróticas protuberantes também é uma utilidade dessa janela.

Corteesôfagomédioeixolongodaaortaascendente A partir da visibilizac¸ão do eixo longo da VA, retira--se a sonda, girada no sentido anti-horário, 90o-110o.

Inspecionam-se as paredes da Ao Asc em diversas pro-fundidades a depender da patologia. Dissecc¸ão, suturas de enxertos são exemplos de avaliac¸ões nessa janela

(fig. 4B). Aporc¸ão distal da Ao Asce o arco aórtico pro-ximal não costumam ser visibilizados por essa técnica, impõem a necessidade de complementac¸ão com ultras-sonografia epiaórtica no auxílio de canulac¸ões arteriais (fig.4C).

Corteesôfagoaltoeixocurtodaaortaascendente

Apartirdavisibilizac¸ãodoeixolongodaVA(120oa140o),

retira-seasondae,comarodagemnosentidoanti-horário 90o, tem-sea imagem do eixo curtoda Ao Asce daveia

cavasuperior(VCS).Aartériapulmonarprincipalpodeser vista com bifurcac¸ão (giro dasondapara aesquerda) e o ramodireitodaartériapulmonarpodeservistoemgrande extensão(girodasondaparaadireita).Éumaboajanela paraverificarposicionamentodocateterdeartéria pulmo-nar(fig.4D).

Corteesôfagomédioveiapulmonardireita

(7)

ConsensosobreEcocardiografiaTransesofágicaPerioperatóriaETTI/SBA-DIC/SBC 7

Figura5 (A)Cortedoesôfagomédiovalvaaórticaeixocurto.(B)Cortedoesôfagomédioentradaesaídadoventrículodireito. (C)Cortedoesôfagomédiobicavalmodificado.(D)Cortedoesôfagomédiobicaval.

Corteesôfagomédioeixocurtodavalvaaórtica

Do local anteriormente descrito (veia pulmonar direita), retornaraAoaocentronatela,comgirodasondanosentido anti-horário.Avanc¸aratéosfolhetoscomissuraisdaVAnum ânguloaproximadode45o.Observa-seamorfologiageralda

VA (número deválvulas, presenc¸a de calcificac¸ões, mobi-lidade), além de determinar se há presenc¸a de estenose aórtica pela planimetria. Abaulamento de SIA continua-mentenociclocardíacoporpressõeselevadastambémpode serobservadonessajanela(fig.5A).Apartirdessaposic¸ão, adiscretaretiradadasondaousuaanteflexãodemonstra, também,oAAE.

Corteesôfagomédiodasviasdeentradaesaída doventrículodireito

DoeixocurtodaVA,avanc¸arasondaerotacionaroângulo dotransdutorentre50oa70oatéavisibilizac¸ãodaVT,viade

entradadoVD,viadesaídadoVD(VSVD)eartériapulmonar proximal.Observa-se,alémdisso,oAD,oAE,oSIA,oVDe avalvapulmonar(VP).Ésuperiorquandocomparadocoma visibilizac¸ãodequatrocâmarasnoplanodoesôfagomédio paraanálisedofluxopelaVTnomodoDoppler.Essajanela tambéméútilnascardiopatiascongênitas eno posiciona-mentocorretodocateterdeartériapulmonar(fig.5B).

Corteesôfagomédiobicavalmodificado

Da janelade via deentrada e VSVD, com girono sentido horárioentre50oa70o,centralizamosaVTevisibilizamos

oAE,SIA,ADeveiacavainferior(VCI).Podeserumajanela superiorparaanalisarfluxosregurgitantesexcêntricospela VTnomodoDoppler(fig.5C).

Corteesôfagomédiobicaval

Dajaneladescritaanteriormente(bicavalmodificada) ele-vara rotac¸ão angularpara 90o a 110o e girar a sonda no

sentidohorário.EstruturasaseremanalisadasincluemoAE, oSIA,oAD,aVCS,aVCIeoapêndiceatrialdireito(AAD). Essaposic¸ãodevisibilizac¸ãoéespecialmenteimportantena análisedeFOP,dosdefeitosdoSIAeparadetectarardentro dosátrios,assimcomoauxiliarna passagemdificultosado cateterdeartériapulmonarparaoVD(fig.5D).

Corteesôfagomédioveiaspulmonaresdireita eesquerda

Naposic¸ãobicavalnoesôfagomédio(90oa110o)continuar

agirara sondanosentido horárioatévisibilizaraVPSD e aVPID. Aogirara sondanosentidoanti-horário, observa-mosasveiaspulmonaressuperioresquerda(VPSE)einferior esquerda (VPIE) na extremidade direita datela, onde se encontraalinhadaparalelamentecomofeixesonorodoUS, éidealparaanálisedefluxonomodoDoppler(fig.6A).

Corteesôfagomédioapêndiceatrialesquerdo

Essecorteéobtidonoesôfagomédio,comumaangulac¸ão entre90o e 110o, vira-sea sondanosentidohorário. Com

(8)

Figura6 (A)Cortedoesôfago superiorveia pulmonardireitaeesquerda.(B)Corteesôfago médioapêndiceatrialesquerdo. (C)Cortetransgástricobasaleixocurto.(D)Cortetransgástricomediopapilareixocurto.

visibilizada. Devido à complexa e variável anatomia do AAE,a suaavaliac¸ão deveser feitaem diferentescortes. O Doppler colorido e o Doppler pulsátil são modalidades úteis de avaliac¸ão, principalmente com relac¸ão à func¸ão contrátildoAAE(fig.6B).

Cortetransgástricobasaleixocurto

Doesôfagomédioasondaéavanc¸adaatéoestômagoe man-tém a angulac¸ão em 0o. Durante a introduc¸ão da sonda,

muitas vezes o SC e a VT são visibilizados. Uma vez no estômago,essecorteéobtidocomumaleveanteflexãoda sonda.AsuaimagemcaracterísticaéaVMnoseueixocurto (fishmouth),comacúspideanterioràesquerdaea poste-rioràdireita.AmorfologiadaVMeotamanhoefunc¸ãodoVE podemseravaliados.Empacientescominsuficiênciamitral, ousodoDopplercoloridopodeserútilemcaracterizaroseu orifícioregurgitante(fig.6C).

Cortetransgástricomediopapilareixocurto

Apartir docorteTGbasaleixocurto,asondadevevoltar àposic¸ãoneutra,ouserminimamenteavanc¸ada, mantém--seaangulac¸ãoem0o.Essecorteéextremamenteútil na

avaliac¸ão e monitorac¸ão do volume, tamanho, da func¸ão regionale global doVE,alémdaavaliac¸ãodos territórios irrigadospelasartériascoronáriadireita(CD),descendente anterior(DA)ecircunflexa(Cx).Nelepodemser identifica-dasasparedesanterior,inferior,inferolateral,anterolateral

e septalVE, além dos músculos papilares anterolateral e posteromedial(fig.6D).

Cortetransgástricoapicaleixocurto

Mantidoocontato comaparedegástrica, asondaé ligei-ramente avanc¸ada e/ou retrofletida a partir do corte TG mediopapilar eixo curto,favorece avisibilizac¸ãodos seg-mentosapicais doVE e doVD(vira-se a sondanosentido horário).Essecortepodeserdifícildeserobtidodevidoa eventualperdadecontatodasondacomaparedegástrica causadapelaretroflexãodasonda(fig.7A).

Cortetransgástricobasaldoventrículodireito

EssaimageméobtidanomesmonívelqueocorteTGbasal eixocurto,somentevira-seasondanosentidohorário.AVT évisibilizadaemseueixocurto.OusodoDopplercolorido nesse corte podeajudar a caracterizar o orifício regurgi-tantedaVT(fig.7B).

Cortetransgástricoentradaesaídadoventrículo direito

Essa imagem é ortogonal em relac¸ão à descrita anterior-mente(bastarotacionarotransdutorem90o).Ascúspides

(9)

ConsensosobreEcocardiografiaTransesofágicaPerioperatóriaETTI/SBA-DIC/SBC 9

Figura7 (A)Cortetransgástricoapicaleixocurto.(B)Cortetrangástricobasalventrículodireito.(C)Cortetransgástricoentrada esaídadoventrículodireito.(D)Cortetrangástricoprofundo.

Cortetransgástricoprofundocincocâmaras

Essaimageméobtidacomoavanc¸odasondanoestômago, mantém-se contato com a parede gástrica (anteflexão da sonda).ÉaincidênciaidealparaoestudocomDopplerda VA,daVSVEemuitasvezesdaVM,jáqueofluxodesangue éparaleloaofeixedoUS(fig.7D).

Cortetransgástricoduascâmaras

EssecorteéobtidoapartirdoTGmediopapilareixocurto, muda-seoângulopara90o.Permiteavaliarasparedes

ante-rioreinferiordoVE,assimcomotodooaparatovalvarmitral (VM,músculospapilares,cordastendíneas).Tambémé pos-sívelavisibilizac¸ãodoAEedoAAE(fig.8A).

Cortetransgástricoeixolongo

Obtém-seessecortecomoavanc¸odoângulopara120-150o

apartirdoTGduascâmaras.Porc¸õesdasparedes inferola-teraleseptalanterior,daVSVE,daVAedaAoproximalsão visibilizadas.PelofatodeaVSVEedaVAseremparalelasao feixedeUS,épossíveloestudocomDoppler(fig.8B).

Corteaortadescendenteeixoslongoecurto

Pelo fatodaAo descendente(Desc)seradjacenteao esô-fagoeestômago,aaquisic¸ãodeimagensésimples.Docorte TG mediopapilareixo curto a sondadeveser rotacionada em cercade180o,compequenosajustesatésevisibilizar

aAoabdominal(abaixo dodiafragma),noníveldotronco celíaco;traciona-seasondaemantém-seoângulodo trans-dutorem0oeobtém-seoeixocurto;oeixolongoéobtido

como ângulo dotransdutor em 90o.A qualidade da

ima-gempodeseraprimoradacomdiminuic¸ãodaprofundidade eajustedoganho.Pelofatodenãohaverestruturas anatô-micas internasna Ao Desc,a descric¸ão dalocalizac¸ão de achados normalmente é baseada na distância do achado emrelac¸ãoaosdentesincisivos.Outrofatorimportantena avaliac¸ãodaAoDescéapresenc¸adaveiahemiázigos,que drenaotóraxesquerdoposterior,muitasvezesvisualizada nocampomaisdistaldaimagem,junta-senotóraxsuperior àveiaázigos,quedrenaotóraxdireito.Aveiaázigos,porser normalmenteparalelaàAoesuasparedesseremcontíguas, muitasvezespodesererroneamenteidentificadacomouma lâminadedissecc¸ãoaórtica.AanálisecomDopplercolorido epulsátil facilmentediferencia o fluxoarterial dovenoso (fig.8C-D).

Corteesôfagosuperiorarcoaórticoeixolongo

(10)

Figura 8 (A) Corte trangástrico duas câmaras. (B)Corte transgástrico eixo longo. (C) Corte aorta descendente eixo curto. (D)Corteaortadescendenteeixolongo.

Corteesôfagosuperiorarcoaórticoeixocurto

Docortedescritoacima,oângulodotransdutoré aumen-tadoparacercade70a90oparaaobtenc¸ãodoeixolongo.

Otroncodaartériapulmonare aVP podemser visibiliza-dos no eixo longo, é possível obter medidas de Doppler. DevidoàcurvaturadaAo,otroncobraquiocefálicodireitoe aartériacarótidacomumesquerdapodemmuitasvezesser identificadosàdireitanomonitor(fig.9B).

Valva

mitral

Introduc¸ão

Dentreasvalvas cardíacas, a VM é a que tem caracterís-ticasanatômicasmaisfavoráveisaoexametransesofágico,

poissesituapróximoao transdutor(nearfield),temo AE como‘‘janelaacústica’’enãotemestruturacardíaca pas-síveldecalcificac¸ãoe/ougerac¸ãodesombraacústicaentre otransdutoresuaestrutura11 (fig.1).

Duranteoperíodo intraoperatóriodacirurgiadaVM, a ETEéferramentafundamental,poispermiteaidentificac¸ão dalesãoedescric¸ãodetalhadadeseumecanismoe severi-dade,auxiliadessaformaatomadadedecisãocirúrgica.11

Anatomiaenomenclatura

Quandoseestudam aanatomia e afunc¸ão daVM, omais corretoéquesejaencaradacomoumcomplexovalvar, com-posto por estruturas anatômicas distintas que trabalham coordenadamente para o seu correto funcionamento.12

O complexo valvar mitral, ou aparato valvar mitral, é

(11)

ConsensosobreEcocardiografiaTransesofágicaPerioperatóriaETTI/SBA-DIC/SBC 11

Figura10 Avaliac¸ãodoanelmitralpelaecocardiografiatridimensional.(A)Diâmetroanteroposterior.(B)Diâmetro anterolateral--posteromedial.Ao,Anelaórtico;A,Anterior;P,Posterior;AL,Anterolateral;PM,Posteromedial.

formadopeloânulomitral,pelascúspides,pelacordoalha tendinosa, pelos músculos papilares e pela musculatura ventricularesquerda.12

Oânuloouanelmitral

O anel mitral é uma estrutura de tecido conjuntivo de estrutura tridimensionalmente complexa, em formato de sela. Relaciona-se anteriormente com o aparato valvar aórtico, faz a união entre átrio e ventrículo esquerdo e recebe aolongodeseuperímetro ainserc¸ãodas cúspides valvares.12

Oanelmitraltemdoiseixosprincipais,um anteroposte-rior(superioremenor)eumcomissural(inferioremaior). Taiseixospodemtambémserreferidoscomo anteroposte-rioreanterolateral-posteromedial13 (fig.10A-B).

Sob aac¸ãodacontrac¸ãoventricular,a regiãoposterior doanelmitralsofreumaimportantediminuic¸ãodesuaárea total,com reduc¸ão deaté25%. A região anteriordoanel mitral dobra-se durante a sístole e diminui ainda maiso diâmetroanteroposterior.13

As

cúspides

Ocomplexovalvarmitralnormaléformadoporduas cúspi-des,aanterioreaposterior.12,13Acúspideanteriorinsere-se

noânuloanterior,emumaregiãodoesqueletofibroso contí-guaaoaparatovalvaraórticochamadadefibrosaintervalvar mitroaórtica(Fima).Ocupaaproximadamente1/3do perí-metroanulare2/3desuaárea.Acúspideposteriorseinsere no ânuloposterior e ocupa 2/3 de seu perímetro, porém corresponde a apenas 1/3da área anular.13,14 As cúspides

encontram-seemumalinhadecoaptac¸ãocurvaaolongodo eixo intercomissural (anterolateral-posteromedial), há em situac¸õesnormais aproximadamente1cm desobreposic¸ão tecidual.12

As cúspides da VM foram didaticamente subdivididas em regiões distintas com a finalidade de melhorar a

comunicac¸ão entre os membros da equipe médica. Den-tre os esquemas propostos, usaremos a nomenclatura de Carpentier,10quetambéméadotadapelaASEepelaSCA.1

SegundoanomenclaturadeCarpentier, aVMé subdivi-didaemoitoregiões,deanteriorparaposterior,atravésde pequenossulcosouindentac¸õespresentesnacúspide pos-terior. A cúspide posterior é dividida em três segmentos, que recebem numerac¸ão de 1 a 3, P1 é o mais anterior e P3 o mais posterior.10 A cúspide anteriorem geral não

apresentasulcosanatômicosreais,porémdidaticamenteé subdivididada mesma formaque a posterior: uma região maisanterior(A1),umamédia(A2)eumaposterior(A3).Nos extremos anterolateral e posteromedial definem-se duas regiões chamadas de comissura anterolateral e comissura posteromedial,respectivamente10 (fig.11).

A1

P1

P2 P3

A2 A3

(12)

Figura12 Aparatosubvalvarmitral,evidenciaadistribuic¸ão dascordastendíneasemcadacúspide.12

Músculospapilares,cordastendíneaseventrículo esquerdo

Osdoismúsculospapilares,oanterolateraleo posterome-dial,dãosustentac¸ãoàscúspides,localizam-seemparalelo à musculatura ventricular.12 O músculo anterolateral em

geralsurgedaporc¸ãomédiadaparedeanterolateraldoVE, recebevascularizac¸ãoderamosdasartériasDAeCx.O mús-culopapilarposteromedialsurgedaporc¸ãomédiadaparede inferior,éexclusivamentevascularizadoporramodaartéria CD,oqueotornamaisvulnerávelaoinsultoisquêmico.12

Ascordastendíneasconectamambososmúsculos papi-lares e a musculatura ventricular às cúspides da VM. O músculopapilaranterolateralapoia,atravésdesuascordas, ossegmentos A1/P1eaporc¸ãoanterolateral dos segmen-tosA2/P2,aporc¸ãoposteromedialdeA2/P2eossegmentos A3/P3sãoapoiadospelopapilarposteromedial12(fig.12).

Ascordastendíneassãoclassicamentedivididasem cor-dasde primeira, segunda e terceira ordem. As cordas de primeira ordem conectam-se à ponta das cúspides, têm comoconsequência desuaruptura aeversão sistólicadas cúspides,ecocardiograficamenteconhecidacomoflail.12,13

As cordas secundárias conectam-se à base das cúspides e são conhecidas como cordas estruturais, é possível a identificac¸ãodeduasaquatrocordasmaisespessasdoque asdemais.12,13Ascordasterciáriasemgeralconectama

cús-pideposteriordaVMàparededoventrículoesquerdo,têm reconhecidaimportância na manutenc¸ãoda arquiteturae nodesempenhoventricular12(fig.12).

Exameecocardiográficointraoperatóriodavalva mitral

Comoobjetivodeincluirepadronizarousointraoperatório de novas tecnologias surgidas na última década, princi-palmentea ETEtridimensional (3D) em temporeal,além dainclusão de novos planos de imagem, as diretrizes da ASE/SCAde1999foramrevistaserepublicadasem2013.1,2,15

Taispadrõesdeaquisic¸ãodeimagensetreinamentotambém foramadotadospelaSBAparafinsdeensinoetreinamento.4

Didaticamente, descreveremos o método de avaliac¸ão sequencialdaVMatravésdametodologiadaASE/SCA,1

ten-taremos identificar os seusdiversos segmentos de acordo com sua importância clínica. Sabe-se que sua acurácia é variávelealtamentedependentedaexperiênciado exami-nador,comojáfoidemonstradoporMahamoodetal.16Por

outrolado,acapacidadedelocalizar-seespacialmentena anatomiadoaparatomitralpormeiodoexame bidimensio-nal(2D)aindaconstituitreinamentofundamental.

Corteesôfagomédiocincocâmaras

Comainserc¸ãodasondaaumaprofundidadede aproxima-damente30cmcomrotac¸ãodoângulomultiplanoemtorno de10o,visibiliza-seaVA,aVSVE,oVE(excetoseuápice)e

ossegmentosA1-A2eP1-P2(fig.3A).

Corteesôfagomédioquatrocâmaras

Insere-seasondaaumaprofundidadedeaproximadamente 35cmcomrotac¸ãodoângulomultiplanoentre10e20o,atéa

VMpoderserclaramentevisibilizada.Evidenciam-seos seg-mentosA3-A2eP2-P1,alémdascúspidesseptaleposterior daVT(fig.3B).

Corteesôfagomédiocomissural

Comasondanaposic¸ãoquatrocâmaras,avanc¸a-seoângulo multiplanar entre 50o e 70o e será evidenciado o plano

comissural.Serãovisibilizados,dadireitaparaaesquerda, ossegmentosP1,A2eP3,alémdosmúsculospapilares ante-rolateraleposteromedial.Gira-seasondaparaadireitae oplanodeimagem passaráatravésdetodaaextensãoda cúspideanterior(comissuraldireito:A1-A2-A3),bemcomo portodaextensãodacúspideposteriorquandorodadapara aesquerda(comissuralesquerdo:P1-P2-P3;fig.3C).

Corteesôfagomédioduascâmaras

Apartirdoplanocomissural,avanc¸a-seoângulomultiplano paraentre80oe100oesurgiráoplanodeimagemchamado

deduascâmaras.OssegmentosdaVMserão,dadireitapara aesquerda,A1/A2/A3eP3(figs.3De4A).

Cortetransgástricobasaleixocurto

Avanc¸a-seotransdutorparaoestômago,comoângulo mul-tiplano entre 0o e 20o, e obtém-se imagem da VM com

abertura e fechamentoem formato de ‘‘boca depeixe’’. A cúspide anterior apresenta-se à esquerda e a posterior à direita, a comissura posteromedial próxima ao transdu-tore a comissura anterolateral maisdistalem relac¸ão ao transdutor(fig.6C).

Cortetridimensionalfrontal(enfaceview)

Aavaliac¸ão3Ddoaparatovalvarmitraléútilparadefinire localizarapatologia,descreveromecanismofisiopatológico e suagravidadebem como facilitaracomunicac¸ãocom o cirurgiãooucardiologistaintervencionista.1Comaevoluc¸ão

dastécnicascirúrgicasepercutâneasdereparodoaparato mitral, houve a necessidade de obtenc¸ão de imagens de altaqualidadeemtemporeal,oquehojeemdiaépossível grac¸as à evoluc¸ão tecnológica dos transdutores (matrix array)esoftwaresdemanipulac¸ãodeimagem.17

(13)

ConsensosobreEcocardiografiaTransesofágicaPerioperatóriaETTI/SBA-DIC/SBC 13

Figura13 Valvamitralnavisãodocirurgiãoemimagemtridimensional.(A)Valvamitralnadiástole.(B)Valvamitralnasístole.

Figura14 Valvamitralnavisãodoventrículoesquerdoemimagemtridimensional.(A)Valvamitralnadiástole.(B)Valvamitral nasístole.

representativoseúteis nointraoperatório,que podemser emtemporealouemaquisic¸õesmultibatimento.

Visãodoátrioesquerdoouvisãodocirurgião

PelavisãodoAE,épossívelidentificartodaasegmentac¸ão valvar, o que facilita a descric¸ão topográfica da patolo-giaecomunicac¸ãocomaequipecirúrgica.Porconvenc¸ão, posiciona-se a VA às 12h na imagem e o AAE às 9h (fig.13A-B).

Visãodoventrículoesquerdo

Noaspectoventricularesquerdo,oplanodeimagem nova-mentedeveserorientadocomaVSVEeaVAposicionadasàs 12h,ficaacúspideposteriornaparteinferiordaimagem, a cúspideanterior na parte superior, a comissura antero-lateral à direita e a comissura posteromedial à esquerda (fig.14A-B).

Ecocardiografia3DcomDopplercolorido

Pormeiodaaquisic¸ãomultibatimento,épossívelaobtenc¸ão deimagensvolumétricasdojatoregurgitanteesuarelac¸ão comasestruturasdaVM eavaliac¸ão3D dosseusdiversos

(14)

Figura16 Classificac¸ãodeCarpentier:(A)mobilidadenormal;(B)excessiva;(C)restrita.

componentes,oquepermitedemarcarsuaexatalocalizac¸ão eavaliac¸ãoquantitativaemsoftwareespecífico18(fig.15).

Avaliac¸ãoquantitativatridimensionaldavalvamitral Alémdacapacidadedegerarimagens3Dem temporeal, inúmerossoftwaresforamdesenvolvidoscomacapacidade de gerar um modelo de análise quantitativa a partir de pontos específicos marcados na imagem 3D do aparato valvar.Dentre esses softwares, osmais amplamente usa-dos e estudados sãoo Mitral Valve Quantification --- MVQ

(PhillipsHealthcare®,Inc,Andover,MA)eo4DMV--- Asses-smentSoftware(TomTecImagingSystemsGmbH®,Munich, Germany).18 Apesardeosvaloresdereferênciaeutilidade

clínicaestaremaindaemestágiodevalidac¸ão,importante conhecimentotemsido acumulado arespeito do remode-lamento do aparato valvar mitral em diferentes estados fisiopatológicos.18

Avaliac¸ãointraoperatóriadavalvamitral

Osobjetivosda avaliac¸ão antesdacirculac¸ão extracorpó-reasão definir o mecanismo, localizar a lesão, estimar a suagravidadeeidentificarpatologiasassociadas,como,por exemplo,hipertensãoarterialpulmonar,disfunc¸ão ventricu-lareregurgitac¸ãotricuspídea.13Devesersalientado,porém,

que a anestesia geral modifica demaneira importante as condic¸õeshemodinâmicas,frequentementediminuia gravi-dadedelesõesvalvaresregurgitantes.13

Avaliac¸ãodamorfologiaanular

Diferentessituac¸õesclínicasepatologiasalteramas dimen-sõesanulares.Oanelmitral,pordefinic¸ão,devesermedido noesôfagomédio, eixolongonofim dasístole.A medida é feitada inserc¸ão da cúspideposterior à base da VA. O limitesuperiordanormalidadeé35mm,valoressuperiores a40mm indicam dilatac¸ão acentuada.13 Frequentemente,

odiâmetrointercomissuraltambémémedido,porém seus valores de referência são menos claros na literatura13

(fig.10A-B).

Avaliac¸ãodascúspides

A patologia da VM pode ser classificada de acordo com a mobilidade das cúspides, segundo a classificac¸ão de Carpentier.10,19

AspatologiassãoclassificadascomotipoIseelasocorrem em cúspidescom mobilidadenormal,como,por exemplo, aregurgitac¸ãomitral,devidoàperfurac¸ãodecúspidepor endocardite,cleftscongênitosoudilatac¸ãoanularisolada, emcasodefibrilac¸ãoatrial.19SerãoclassificadascomotipoII

aquelaspatologiasquecursamcommobilidadeexcessivadas cúspides,tem-secomoexemplooprolapsoouflailcausado pordeficiênciafibroelásticaoudoenc¸adeBarlow.19As

pato-logiassãoclassificadascomotipoIIIquandoseumecanismo fisiopatológico causarestric¸ãoao movimentodas cúspides e podemsersubdivididasem IIIa,IIIbe IIIc.Osubtipo IIIa correspondeàrestric¸ãocausadaporencurtamentoefusão do aparato subvalvar, como o que ocorre na cardiopatia reumática. Os subtiposIIIb e IIIc representam a restric¸ão decorrente doancoramento (tethering) das cúspides pre-sente na insuficiência mitralfuncional, oIIIb corresponde aotetheringsimétricoeoIIIcaoassimétrico19(fig.16B-C).

Regurgitac¸ão mitral causada por patologias do tipo II em geralproduzemjatos regurgitantesem direc¸ãooposta à lesão, podem porém ocorrer jatos centrais em caso de envolvimentodeambasascúspides.19

Patologiasdotipo III,com restric¸ão domovimento das cúspides,emgeralproduzemjatosregurgitantesnamesma direc¸ãodascúspides,podesercentralemcasode envolvi-mentosimétrico.19

Movimentac¸ãoanteriorsistólica

Movimentac¸ãoanteriorsistólica(MAS)daVMtemsido des-critaapósreparovalvar,comumaincidênciadeaté16%em pacientescomdoenc¸amixomatosa.20 Consisteno

desloca-mento anteriordopontode coaptac¸ão e tecidosubvalvar em direc¸ão àVSVEdurante asístole,causagrausvariados deobstruc¸ãodinâmica20(fig.17).

(15)

ConsensosobreEcocardiografiaTransesofágicaPerioperatóriaETTI/SBA-DIC/SBC 15

Figura17 Movimentosistólicoanteriordavalvamitral.

Frequentemente,é possívelverificarapresenc¸adetecido mitral a cruzar a VSVE, porém sem qualquer gradiente, situac¸ão essa clarificada por meio da ETE 3D/4D.14 A

capacidade de predizer, ecocardiograficamente, quais pacientesestãosobmaiorriscoparaodesenvolvimentode MASapós o reparomitralé tarefafundamental doexame intraoperatório.Nas últimasduas décadasalguns critérios foramdefinidosevalidados,osmaisrelevantessãocitados abaixo:20---22

- Distânciaentrepontode coaptac¸ão e septo(eixo longo 5câmaras)<2,5cm;

- Comprimento sistólico do folheto posterior (eixo longo 5câmaras)>1,5cm;

- Relac¸ão comprimento sistólico anterior/posterior (eixo longo5câmaras)<1,4cm;

- Cavidade ventricular pequena --- diâmetro diastólico < 4,5cm;

- Septointerventricular(SIV)proeminente>1,5cm; - Ângulomitroaórtico(quantificac¸ão3D)>65oemrepouso

e>35osobestresse;

- Ânguloaortomitral(quantificac¸ão3D)<120o.

Viadesaídadoventrículoesquerdo,valvaaórtica eaorta

A VA é um componente da raiz aórtica, a qual, por definic¸ão, se estende do anel valvar aórtico basal até a junc¸ão sinotubular.Com aassociac¸ão aostriângulos inter-valvulares da VSVE, teremos o chamado complexo valvar aórtico23 (fig. 18). Patologiaspodemocorrer nãosomente

naVA,mastambémenvolverquaisquercomponentesdesse complexo,oquereforc¸aaimportânciadaavaliac¸ão minu-ciosa, hemodinâmica e anatômica dessa região.1 Com o

advento de novas tecnologias para tratamento de pato-logias do complexo aórtico, houve grande avanc¸o no entendimento desua anatomia, oETE 2De 3D se desta-camna avaliac¸ão morfológicadetalhada dessas estruturas anatômicas.24

Junção Sinotubular

Anel Aórtico

VSVE

Aorta

ascendente

VSVD

VE

Figura18 Complexoaórtico.VE,ventrículoesquerdo;VSVE; viadesaídadoventrículoesquerdo;VSVD,viadesaídado ven-trículodireito.

Anatomia

Ocomplexovalvaraórticoéumacontinuac¸ãodaVSVE,está à direita e posterior à VSVD, com sua margem posterior encunhadaentreoorifíciodaVMeoSIVmuscular.24 Asua

circunferência basal é denominada ânulo ou anel aórtico basal(fig.18)eapresentaumformatoovalnamaioriadas pessoas.24---26Aproximadamentedoisterc¸osdesseanelbasal,

ondeseinseremosnadiresdasválvulasdaVA,estão conec-tadosaoSIVmusculareoterc¸orestante,emcontatocom acúspideanteriordaválvulamitral,representaabase da Fima,triângulofibrosoentreasválvulasnãocoronarianae coronarianaesquerda.

A raiz aórtica se estende dainserc¸ão basal das válvu-lasaórticas atéajunc¸ão sinotubular,passapelos seiosde Valsalva,deonde,nabordasuperiordosseioscoronariano esquerdoedireito,seoriginamasartériascoronárias.Assim, aVA éumvalvasemilunarcomtrêsválvulas,identificadas conformeapresenc¸aouausênciadeartériacoronária,que nascedoseiodeValsalva correspondente:válvula corona-rianaesquerda, válvula coronariana direita e válvula não coronariana24(fig.19).

Cúspide NC

Cúspide CE

Cúspide CD

(16)

VSVE

AoAsc

SIV

(basal)

Cúspide CD VSVEDiam 1,7 cm

2,27 cm2 Area

VSVE

Figura 20 Corte esôfago médio valva aórtica eixo longo. VSVE,viadesaídadoventrículoesquerdo;SIV,septo interven-tricular;CD,Coronarianadireita;AoAsc,Aortaascendente.

Imagem2DeDopplerdavalvaaórticaedaviade saídadoventrículoesquerdo

Sualocalizac¸ãoanatômicapróximaaoAE,queestáem con-tato com o esôfago em seu plano médio, possibilita uma imagem anatômica precisa, tanto na visão em eixo curto (fig.5A)quantoemeixolongo(fig.4B).24Ocontato

perpen-diculardosfeixesdeUScomessasestruturaspróximas(near field)nospermiteusarasfrequênciasmaisaltasdisponíveis, comconsequenteapreciac¸ãodetalhadadasuamorfologia.5

Ousodozoom,comorecursoparaaumentarodetalhamento paramedidasdedistânciase/oudiâmetros,podemelhorar aindamaisaprecisãoeérecomendado(fig.20).A perpendi-cularidadedosfeixesdeDopplercomessasestruturas,nos cortesecocárdiograficosnoesôfagomédio,impossibilitaa análiseprecisadasvelocidadesdefluxo.5 Essalimitac¸ãoé

superadacomoscortesTGeixolongo(fig.8B)eoTG pro-fundo(fig.7D),ondeoalinhamentoparalelocomosfeixes permiteumaavaliac¸ãoacurada.5,27

Corteesôfagomédioeixocurtodavalvaaórtica

Obtidocom leveangulac¸ão de25o a45o,podemosavaliar

astrês válvulas daVA, com a válvula coronariana direita emposic¸ão maisanterior,aválvulanãocoronariana adja-centeaoSIAeacúspidecoronarianaesquerdaposicionada lateralmente, à esquerda (fig. 19). Esse corte apresenta ótimaresoluc¸ãoespacialetemporal,permitedetalhamento daformae func¸ão davalva, importante na avaliac¸ão dos mecanismosdasdisfunc¸õesvalvares.ADopplerfluxometria coloridaéaplicadaparaavaliac¸ãodaregurgitac¸ãoaórtica, estimam-se o tamanho, mecanismo e a posic¸ão do orifí-cioregurgitante.28 Aretiradaouanteflexãodasondapode

evidenciaraimagemdoóstiocoronariano esquerdo,assim comosuaintroduc¸ãoouretroflexãonosforneceumaimagem emeixocurtodaVSVE.

Corteesôfagomédioeixolongo

Gira-seoângulomultiplanopara120o,apartirdocorte

esô-fagomédioquatrocâmaras,evisibilizam-seaporc¸ãobasal doSIV,VSVE,raizaórtica(anelaórtico, seiosdeValsalvae junc¸ãosinotubular)eaporc¸ãotubularproximaldaAoAsc aparece no lado direito da imagem (fig. 20). Duas válvu-lasdaVAsãodemonstradas,acoronarianadireitaésempre aquela presente maisdistal ao transdutor, por sera mais anterior.A outracúspidepresente nessecortepodeser a coronarianaesquerdaou,namaioriadasvezes,anão coro-nariana,dependedaposic¸ãodacomissuraentreelaseda localizac¸ãoexatadoplanodecorte,quandoelepassa atra-vésdaVA.Presenc¸adecalcificac¸ão,espessamento,graude mobilidade e abertura da valva, assim como sua relac¸ão anatômicacomestruturasadjacentes,comoóstios corona-rianoseSIV,devemseravaliada.Amedidadodiâmetrodo anelaórticobasaléfeitanessecortepeloETE2D, prefe-rencialmente com a imagem em zoom, como a distância entrea inserc¸ão mais ventricular(nadir) daválvula coro-narianadireitaeabasedaFima,contralateraleortogonal ao eixolongitudinal daraizaórtica,na sístoleventricular. Essa medida costuma ser menor do que a do eixo coro-nal(sóobtidapeloETE3Doupelatomografia),devidoao formato oval do anel basal. A precisão dessa avaliac¸ão é importanteparaasmedidashemodinâmicasdovolume sis-tólicoedébitocardíaco,assimcomonaprevisãodotamanho dasprótesesaórticas,percutâneasoucirúrgicas,colocadas nessa região.27 Além disso, os diâmetros dos outros

com-ponentes da raiz aórtica, bem como da Ao Asc, devem ser mensurados. Em casos deestenose aórtica, nos quais há convergência proximal do fluxo, devemos usar o diâ-metro da VSVE (localizado aproximadamente 5mm antes do anel aórtico), o volume daamostra do Doppler pulsá-til é colocado no mesmo lugar, para cálculo do volume sistólicoejetado.29 Aperpendicularidadedaincidência do

feixe deUS nofluxo dessaregião, nessecorte, impossibi-litamedidasprecisasdevelocidadecomoDopplerpulsátil e/oucontínuo.28 Emcontrapartida,asmedidasdeDoppler

coloridosãoúteiseconfiáveis,forneceminformac¸ões impor-tantes,como:regiõesdefluxoturbulento,comobstruc¸ões daVSVE; medida davena contractado jatoregurgitante; relac¸ãoentreodiâmetrodojatoregurgitante/diâmetroda VSVE.28

Cortetrangástricoeixolongoetrangástrico profundo

Esses cortessãoimprescindíveis na avaliac¸ão, aopermitir alinhamentoprecisodosfluxosnaVSVE enaVA, com con-fiávelmensurac¸ãodesuasvelocidades, atravésdosmodos deDopplercontínuoepulsátil,importantesnagradac¸ãode estenosesvalvares e/ousubvalvares,jatosregurgitantese medidadovolumesistólicoejetadodoVE(figs.7De8B).27,28

(17)

ConsensosobreEcocardiografiaTransesofágicaPerioperatóriaETTI/SBA-DIC/SBC 17

Rim

Art. Renal Aorta

Figura21 Cortedaartériarenal.

Imagem2DeDopplerdaaortaascendente

Os cortes necessários para a completa avaliac¸ão da Ao Asc são os seguintes: esôfago médio eixo longo Ao Asc e eixocurto. Comomencionadoanteriormente, pela inci-dência perpendicular dos feixes de US, esses cortes têm resoluc¸ão espacial ótima, servem para medidas dos seios deValsalva, junc¸ão sinotubulareporc¸ão tubularproximal daaortaascendente.27Cortesortogonaissimultâneos,com

o usodos transdutores3D, sãoúteis pelacerteza da cor-reta orientac¸ão espacial. Quandose mede o diâmetro da Ao,é particularmenteimportante amedida nomaior diâ-metroperpendicularaoeixolongodovasonaquelecorte.30

As mensurac¸ões devem ser feitas na imagem 2D, devido ao risco desubestimac¸ão quando feitas nomodo M, pela movimentac¸ão sistólica da base do corac¸ão em direc¸ão apical (variac¸ão média de 2mm no diâmetro do seio de Valsalva).31,32 O Dopper colorido dessas regiões é

impor-tantena identificac¸ãodeturbulênciasanormaisdofluxoe caracterizac¸ãodepatologiascomodissecc¸ãoaórtica, hema-tomasintramuraiseoutrassíndromesaórticasagudas.28

Placas ateroscleróticas

Figura 22 Placas de ateroma na aorta descendente eixo curto.

Imagem2DeDopplerdaaortadescendente

DesdeoplanoTGatéoesofágicosuperior,podemos visibi-lizaraAoaorodarasondanadirec¸ãoposterioreajustara imagemparaumaprofundidadede6cm.Apartirdoplano TG,retiramosasondaempequenosincrementosenquanto avaliamosa Aoabdominalproximale seusramos,como a artériarenal33 (fig.21),assimcomoaAo torácica

descen-denteem todasua extensão,para-separamelhor análise casohajaqualquerlesãoclinicamentesignificativa(fig.22). Doplano gástricoao esôfagomédio, aimagem transversa daAo é gerada a 0o. Quando chegamos ao esôfago

supe-rior,o arcoaórticoaparece em visão longitudinal, devido a sua posic¸ão anatômica nessa altura (fig. 9A). Se nesse planogirarmosoânguloparaaproximadamente90o,

pode-mosavaliarasaídadaartériasubcláviaesquerda,quecom umgirodasondaàesquerdapodeseravaliadaempartede suaextensão(fig.9B).Comumgiroanti-horário,podemos avaliarosdoisoutrosvasosbraquiocefálicos.Avisibilizac¸ão daartériainominadaéamaisdifícil,porselocalizaremum pontocego,ondeatraqueiaseinterpõe.34Ousodorecurso

Refluxo holodiastólico

(18)

X-plane,disponívelemtransdutores3D,nospermiteavaliar aAotorácicanosplanoslongitudinaletransversodeforma simultânea,aprimoraotemponecessárioàavaliac¸ãoegera umaimagemcomcorretaorientac¸ãoespacialdeplacasque possamexistire precisemseravaliadas.35 ODoppler

colo-ridodaAotorácicaéusadonaavaliac¸ãodefluxosanormais, principalmente nas síndromes aórticas agudas. O Doppler pulsátiléusadoparaidentificac¸ãodorefluxoholodiastólico, umimportantecomponentedaavaliac¸ãoqualitativada insu-ficiênciaaórtica(fig.23).28Porcontadarelac¸ãoanatômica

variávelentre o esôfago e a Ao torácica, é difícil deter-minarasorientac¸õesanterior-posterioredireita-esquerda nasimagensecocardiográficasdessaregião.Adefinic¸ãoda relac¸ão com estruturas anatômicas adjacentes, como AE, veiapulmonar,artériapulmonare VE,torna-seuma ferra-mentaútilparaessadefinic¸ãodeposic¸ão.1

Imagem3Ddavalvaaórticaeaorta

Aimagemecocardiográfica3Déadquiridapelacapturade umvolumedaimagemanatômica(fig.24),definidoemseu tamanhopelooperador,diferentementedaecocardiografia 2D, adquirida por fatias dessas imagens.36 Esse volume

contémumaquantidademaiordeinformac¸õesprecisas da região de interesse, permite a coletadessas informac¸ões detalhadas através de uma forma de ‘‘dissecc¸ão ele-trônica’’ do volume adquirido.36 Esse volume capturado

nos permite adquirir fatias de imagens bidimensionais, com orientac¸ão espacial adequada à informac¸ão que se deseja, através de um recurso chamado reconstruc¸ão multiplano37,38 (fig. 25).No entanto, ao adquirirmos mais

informac¸ões ultrassonográficas em cada captura, temos umaperdana resoluc¸ão temporal, proporcional ao tama-nho da nossa região de interesse. Com isso em mente,

Captura volumétrica

Figura24 Análisetridimensionalvolumétrica davalva aór-tica.

devemos sempre pocurar o equilíbrioentre as resoluc¸ões temporal e espacial,pela aquisic¸ão damenor quantidade de informac¸ões necessárias e/ou em várias aquisic¸ões sincronizadas peloeletrocardiograma (ECG).39 Alémdisso,

os transdutores3D nos permitema aquisic¸ão de atétrês imagens bidimensionais simultâneas de diferentes planos de corte, muito úteis na avaliac¸ão da VSVE, VA e Ao39

(fig.26).Adetecc¸ãodeplacascomplexasnaAoédegrande importânciaclínicadevidoàassociac¸ãoentreelaseorisco deembolizac¸ãoeàmortalidadeempacientessubmetidosà cirurgia cardiotorácica.40---42 Comodescritoanteriormente,

ousodeimagensbiplanaressimultâneasdaAonospermite poupar tempo e ganhar precisão na avaliac¸ão de placas ateroscleróticas (fig. 27).41 Após sua identificac¸ão, essas

placasdevemser tambémavaliadascom omodo 3D, que acrescenta qualidade e sensibilidade diagnóstica a essa investigac¸ão,é,poressemotivo,ométododeescolhapara aavaliac¸ãodaplacaateroscleróticaaórtica.43 Todasessas

vantagenstécnicassãoaplicadasparaavaliac¸ãodetalhada

(19)

ConsensosobreEcocardiografiaTransesofágicaPerioperatóriaETTI/SBA-DIC/SBC 19

Figura26 Reconstruc¸ãomultiplanonaanálisedaáreavalvaraórtica.

dassíndromesaórticas,comoadissecc¸ão aórtica,na qual o exame 3D fornece informac¸ões adicionais, particular-mente na quantificac¸ão do orifício de entrada, além de permitir um melhor entendimento damorfologia, quando a dissecc¸ão da íntima ocorre em espiral.44 O acréscimo

de informac¸ões na avaliac¸ão diagnóstica se repete nos procedimentos terapêuticos,quandose tornaumavaliosa ferramenta intraoperatória para aprimorar o trabalho do operador,duranteeapósoposicionamentodosstentsdeAo torácica.45 Com a exponencial expansão dos tratamentos

percutâneosdas patologias daVA, houve umgrande inte-ressenadefinic¸ãoanatômicaprecisadaVSVEeVA,através

daavaliac¸ãodoformatoedasmedidasdediâmetros,áreae perímetrosplanimetrados.Essadefinic¸ãoinfluenciao resul-tadodesses procedimentos, atéquantoà mortalidade em doisanos,46,47epodiamsermedidosprecisamentecomas

imagens3D(fig.26),jáqueoscálculosfeitospeloemprego defórmulasmatemáticasdaecocardiografia2Dse mostra-ram significativamente imprecisos.26,48 A identificac¸ão de

queaVSVEtemformatoelípticonamaioriadospacientes aumentouaimportânciadaETE3D,pelaincapacidade da ecocardiografia2Ddefazeressasimportantesmedidascom precisão.26 Alocalizac¸ãodistantedofocodotransdutor,a

curvaturadistante,afinaespessuradasválvulasdaVAeos

Imagem multiplano

Imagem 3D

(20)

artefatos decorrentes da reverberac¸ão e sombra acústica dascalcificac¸õesexistentes sãoalgunsdosdesafiosparaa aquisic¸ãodaimagemecocárdiografica3Ddaraizaórtica.26

O Doppler colorido 3D também deve ser usado para avaliac¸ãodefluxosnormaisesuasanormalidades,permite cortes bidimensionais com orientac¸ão espacial perfeita e a análise ímpar de todos os aspectos do fluxo anormal, comoamedida daáreadavenacontracta,importante na quantificac¸ãodessesfluxos,semanecessidadedaaplicac¸ão defórmulasgeométricasimprecisasparaasituac¸ão.37

Valva

pulmonar

Anatomia

AVPéumaestruturaanteriornotóraxeencontra-seemum planooblíquoemrelac¸ãoaoplanodaVA.49Éumavalva

semi-lunar constituída por três válvulas denominadas por suas posic¸õesrelativasàVA(esquerda,direitaeanterior).49

Dife-rentemente da VA, não existe continuidade daVP com o esqueletofibroso cardíacooucomavalva atrioventricular direita.49Por suasválvulasseremfinasepoucoecogênicas

e pelo fato de estar afastada dasonda transesofágica, a avaliac¸ãodaVPpelaETEégeralmentedifícil.1

Modos2DeDoppler

AsdimensõesdaVSVD,daVPedaartériapulmonarsãomais bemavaliadaspelocorteesôfagomédiodaviadeentrada esaídadoVD, noqualofeixe deUS encontra-se perpen-dicularaessasestruturas(fig. 5B).49 Nessecorteaválvula

anterioréaquelamaisafastadadotransdutorenquantoque amaispróximaàVApodecorresponderàválvuladireitaou esquerda.Nassituac¸õesem que asimagensdocorte esô-fagomédio davia deentradae saída doVD sãodebaixa qualidade,oscortesTGs davia deentradae saídadoVD, doesôfagosuperiordoarcoaórticoem eixocurto(fig.9B) e esôfago médio da Ao Asc em eixo curto e eixo longo (fig. 4C-D) poderão ser usados para complementar as informac¸õessobreaestrutura,asdimensõeseafunc¸ãoda valvaedaartériapulmonares.1

Apresenc¸aderegurgitac¸ãoouacelerac¸ãodefluxopode seravaliada pelomodoDoppler coloridonocorteesôfago médiodavia deentradaesaídadoVD. Paraavaliac¸ão do fluxotranspulmonar(modosDopplerpulsátilecontínuo),um bomalinhamentodofeixe deUS podeserobtidonocorte esôfagomédiodaAoAscemeixolongoealternativamente noscortesesôfagosuperiordoarcoaórticoem eixocurto, TGdaviadeentradaesaídadoVDeTGbasaldoVD.1,50

Valvapulmonarem3D

Asimagensem3DdaVPpodemseradquiridasnocorte esô-fago superior do arco aórtico em eixo curto ou nocorte esôfago médio da valva aórtica em eixo longo após leve rotac¸ãodasondaparaaesquerda.1,49

Aopermitiravisibilizac¸ãosimultâneadedoisplanos,as modernas sondas3D tornarampossível a avaliac¸ão daVP emseueixocurto.Paraessefimobtém-seocorteesôfago

médiodaviadeentradaesaídadoVDeumplanoortogonal éposicionadosobreaVP.1

Átrio

esquerdo

e

veias

pulmonares

Anatomia

O AE, em relac¸ão à caixa torácica, é a câmara cardíaca maisposteriordocorac¸ão.OAEencontra-semuitopróximo doesôfago,éseparadoapenaspelopericárdio fibroso.51 A

bifurcac¸ãodatraqueia,oesôfagoeaAoDescestão imedia-tamenteatrásdaparedeposteriordoAE.Essaproximidade do AE como esôfago é muito vantajosa paraa ETE, uma vezqueoAEéusadocomojanelaparaobtenc¸ãodoscortes transesofágicos médios.1,51 Nesses cortes, o AEsempre se

encontranoaltodatela,próximoaofeixedoUS(fig.1).1

Em relac¸ãoaoAD,o AEémaisposterioresuperiore está separadodoADpeloSAI.52

AsparedesdoAEpodemserdescritascomosuperior, pos-terior,lateralesquerda,septal(oumedial),posteroinferior eanterior.53AparedeanteriordoAEestáatrásdoseio

trans-verso,ouseja,atrásdaraizdaAo.OSCpercorreaparede posteroinferiordoAE.AsparedesdoAEsãomuscularesesua espessurapodevariar1±0,5mm.Espessamentoanormalda paredepodeindicarapresenc¸adeumtrombomuralouaté mesmodeendocardite.Acalcificac¸ãodoanelmitralpode seestenderatéaparededoAEeatornarmaisespessa.1,52

OAAEéumaestruturaemfundocegocomumaabertura paraaoAE.Emrelac¸ãoaoAE,localiza-selateralesuperiore suapontasedirecionaanteriormente,sesobrepõeaotronco daartériapulmonaredaartériacoronáriaesquerda.51OAAE

temumdiâmetro em médiade10-24mm,mas essevalor podevariar.SecomparadocomoAAD,oAAEtemuma aber-turamaisestreitaquepropiciaaformac¸ãodetrombosem situac¸ões debaixo fluxo sanguíneo e em ritmos cardíacos nãosinusais.51EntreoAAEeaVPSEumadobra

triangu-lardepericárdioserosochamadadepregacumarínica,que quando proeminente podeser confundidacom tromboou massaatrial51(fig.6B).

Deacordocomofluxosanguíneo,oAEseinicianajunc¸ão venoatrial e termina no orifício da VM. As quatro VVPP desembocam naparte posteriordoAE, asveias esquerdas sãomaissuperioresdoqueasdireitas.51duasVVPP

direi-tas(VPSDe VPID)eduas esquerdas(VPSEeVPIE). AVPSD passaatrásdajunc¸ãodoAD comaVCS e aVPID atrásda áreaintercaval.52OsorifíciosdasVVPPdireitasestão

dire-tamenteadjacentesaoplanodoSIA.JáasVVPPesquerdas seencontramentreoAAEeaAoDesc,aVPSEsesituade formaposterossuperioremrelac¸ãoaoAAE,enquantoquea VPIEassumeposic¸ãoposteroinferior.52,54

Fisiologia

OAEnãoéapenasumasimplescâmeradetransporte san-guíneo.OAErespondedinamicamenteàsuadistensãocom asecrec¸ãodepeptídeosnatriuréticosatriaiseparticipado manejodosfluidoscorporais.55OAEtambémfuncionacomo

(21)

ConsensosobreEcocardiografiaTransesofágicaPerioperatóriaETTI/SBA-DIC/SBC 21

Figura28 (A)Imagemecocardiográficadetromboemátrioesquerdo.(B)Trombo.AE,Átrioesquerdo;AD,Átriodireito;VA,Valva aórtica;VD,Ventrículodireito.

15-30%dovolumetransferidoparaoVE.56 PelofatodoAE

serumacontinuidadedoVEduranteadiástole,alterac¸ões dacomplacênciaventricularalteramotamanhoeafunc¸ão doAE.56,57

O aumento do AE é um preditor de eventos adver-soscardiovasculares,alémdepropiciaroaparecimentoda fibrilac¸ão atrial, a formac¸ão de trombos intracardíacos e acidentes vasculares cerebrais (fig. 28A-B).58 Quando

pesquisa de fonte tromboembólica, o AAE é o primeiro local a ser avaliado, o ETE tem uma sensibilidade e uma especificidade de diagnóstico de trombo de 100% e 99%, respectivamente. Porém, por se tratarem de estruturas pequenasecomplexas,pode-sedeixardediagnósticá-lasem algumascircuntâncias.59

Imagem

2

D

e

Doppler

do

átrio

esquerdo

e

do

apêndice

atrial

esquerdo

Os cortes mais frequentemente usados para avaliar o AE são:1

- Corteesôfagomédioquatrocâmaras(fig.3B); - Corteesôfagomédiocomissural(fig.3C); - Corteesôfagomédioduascâmaras(fig.3D);

- Corteesôfagomédioapêndiceatrialesquerdo(fig.6B); - Corteesôfagomédioeixolongo(fig.4A);

- Corteesôfagomédiovalvaaórticaeixocurto(fig.5A); - Corteesôfagomédiobicaval(fig.5D);

- Cortetransgástricoduascâmaras(fig.8A); - Cortetransgástricoprofundo(fig.7D).

OscortesquemaisfacilmenteavaliamoAEsãoos esofá-gicosmédios.OAEéaestruturamaispertodofeixedeUS

noscortesesofágicosmédios,ésempreencontradonoalto datela.OscortesdoETEqueavaliamaVMnecessariamente irãoavaliaroAE.1

Inicia-se a avaliac¸ão do AE a partir do corte esôfago médio quatro câmaras (fig. 3B). Gira-se o ângulo, passa--se pelos outros cortes para se obterem cortes 2D. No corteduas câmeras (fig. 3D) deve-se aumentar a imagem doAAE(fig.6B)paravercommelhorprecisãoapresenc¸ade trombos,principalmente em pacientes de risco. Nocorte bicaval, avalia-se a relac¸ão do AE com o SIA e o AD, à procura de FOPe defeitos doSIA. Nesses corte, também serãoavaliadosasVVPP,comoseráabordadoaseguir.Após aavaliac¸ãoesofágica, seavanc¸aotransdutor paraos cor-tesTGs.Noângulode90◦seavaliaoAEeprincipalmentea VMeseuaparatosubvalvar.NocorteTGprofundo(fig.7D), o AE também pode ser visibilizado, porém esse corte é mais usado para avaliac¸ão do fluxo transaórtico, o AE é uma avaliac¸ão secundária por estar mais longe do feixe de US, com pior resoluc¸ão se comparado com os cortes transesofágicos.

Pela proximidade entreo AE e o transdutor esofágico, oAEnãopodeseravaliadonasuatotalidadeporumúnico corte,oquetornasuaavaliac¸ãocompletaesuasmedidasde diâmetroevolumedifíceisaoETE.1AáreaeovolumedoAE

podemsersubestimados.Asmedidaslinearesadquiridasnos cortedoETEesôfagomédiovalvaaórticaeixolongoeeixo curtosãoasquemelhorsecorrelacionamcomamedidado cortedoecocardiograma transtorácico(ETT)paraesternal eixolongo,oqualmedeoAEnosentidoanteroposterior.60No

Imagem

Figura 1 Relac ¸ões anatômicas entre a sonda transesofágica, o esôfago e o corac ¸ão.
Figura 5 (A) Corte do esôfago médio valva aórtica eixo curto. (B) Corte do esôfago médio entrada e saída do ventrículo direito.
Figura 8 (A) Corte trangástrico duas câmaras. (B) Corte transgástrico eixo longo. (C) Corte aorta descendente eixo curto.
Figura 10 Avaliac ¸ão do anel mitral pela ecocardiografia tridimensional. (A) Diâmetro anteroposterior
+7

Referências

Documentos relacionados

SINDICATO DOS CONDUTORES DE. vrÍcur_os

O esquema de administrac¸ão de ciclofosfamida levou em considerac¸ão as reac¸ões adversas mais frequentes, o manejo de administrac¸ão em caso de insuficiência renal e a sequência

A lei britânica é a regulação que apresenta o âmbito de aplicação mais vasto de entre as três regulações, uma vez que inclui um maior número de atividades no grupo de atividades

A interpretac ¸ão das narrativas das atletas fez emergir as categorias nativas: gênero - associada às interpretac ¸ões sobre as modificac ¸ões corporais oriundas das

No artigo ‘‘Adic ¸ão de lidocaína à levobupivacaína reduz a durac ¸ão do bloqueio intratecal: estudo clínico randômico’’ (Rev Bras Anestesiol. Publicado por Elsevier

Em situac¸ões de heparinizac¸ão intraoperatória, devem- se considerar as seguintes recomendac¸ões: (1) intervalo mínimo de uma hora entre a punc¸ão ou colocac¸ão do cateter e

Finalidade: Proteção contra mudanças bruscas de pressão interna em transformadores. do

A) elas ocorrem em alguns centros urbanos modernos e não apresentam relação direta com o que cada cultura tem de característico. B) nas Filipinas, há quem acredite na