Levada por um Xeque
Kris Pearson
Traduzido por Caroline Lyra
“Levada por um Xeque”
Escrito por Kris Pearson
Copyright © 2019 Kris Pearson Todos os direitos reservados Distribuído por Babelcube, Inc.
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Traduzido por Caroline Lyra
Design da capa © 2019 Robin Ludwig Design
“Babelcube Books” e “Babelcube” são marcas comerciais da Babelcube Inc.
Sumário
Página do Título
Página dos Direitos Autorais
LEVADA POR UM XEQUE | Kris Pearson Sumário
Capítulo Um – Refém Aterrorizado Capítulo Dois – Sangue No Deserto Capítulo Três - Robe Transparente Capítulo Quatro – Ash Tem Sorte
Capítulo Cinco – Cicatrizes e Esmeraldas Capítulo Seis – Prendendo a Refém Dele Capítulo Sete – Na cama do Xeque
Capítulo Oito – Beijo de Frustração Capítulo 9 – Rafiq Retorna
Capítulo Dez – Hora do Jantar Casualmente Romântico Capítulo Onze – Despertar
Capítulo Doze – Revivendo o Passado Capítulo Treze – Um Homem de Uniforme Capítulo Quatorze – Banida e Despedaçada
Capítulo Quinze – Erva Daninha do Lago
Capítulo Dezesseis – Casamento no Haras Trindade
LEVADA POR UM XEQUE Kris Pearson
Abduzida. Seduzida. Ronronando. Laurel de Courcey é capturada por terroristas, amarrada em um bunker nojento e filmada por um resgate que é mostrado ao redor do mundo. Ooops – réfem errada!
Quem esperaria que uma babá Kiwi tímida valeria algo?
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Esse é um trabalho de ficção. Nomes, personagens, lugares e incidentes são produto da imaginação do autor e são usados ficcionalmente. Qualquer semelhança com eventos, locais ou pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência.
Direitos Autorais © 2012 por Kris Pearson
Todos os direitos reservados. Exceto o permitido pelo Ato de Direitos Autorais de 1976 dos EUA, nenhuma parte dessa publicação pode ser reproduzida, distribuída ou transmitida em qualquer forma ou por qualquer meio, ou armazenada em banco de dados ou sistema de retirada, sem permissão prévia da autora.
Sumário
Capítulo Um – Refém Aterrorizado Capítulo Dois – Sangue no Deserto Capítulo Três – Robe Transparente
Capítulo Quatro – Ash tem Sorte Capítulo Cinco – Cicatrizes e Esmeraldas
Capítulo Seis – Prendendo o Refém Dele Capítulo Sete – Na Cama do Xeque
Capítulo Oito – Beijo de Frustração Capítulo Nove – Rafiq Retorna
Capítulo Dez – Hora do Jantar Casualmente Romântico Capítulo Onze - Despertar
Capítulo Doze – Revivendo o Passado Capítulo Treze – Um Homem de Uniforme Capítulo Quatorze – Banida e Despedaçada
Capítulo Quinze – Erva Daninha do Lago
Capítulo Dezesseis – Casamento no Haras Trindade
Capítulo Um – Refém Aterrorizado
Laurel de Courcey encarou o abismo desanimada. Depois da sua caminhada exaustiva pelo deserto ela tinha que escalar aquilo?
A barreira inesperada no final do vale se mostrou íngreme e difícil. O pequeno filete que ela estivera seguindo pingava da face da rocha assombrosa. O que estava do outro lado? Rafiq não tinha alertado-a sobre isso - simplesmente ordenou que ela caminhasse e disse que ela encontraria "uma casa”.
Bem, não havia nenhuma casa à vista. E ela de fato confiava nele? Ele podia ser todo músculos e olhos brilhantes, mas ela tinha que se lembrar que ele era o menor dos males. O outro homem no grupo dele? O corpo dela convulsionou de repente só de pensar neles.
Ela tentou banir a memória odiosa e engoliu a última gota da sua água, encheu a garrafa do gorgolejar que salvava sua vida, trincou os dentes e tentou perigosamente sair de seu esconderijo temporário. Como ela desejava ter a força e o vigor dele!
Longos minutos depois ela se alçou para o topo e deitou ofegando. Pontos escuros dançavam diante do seu rosto. Ela apertou os olhos bem fechados e ainda os pontos passavam e pulavam. Finalmente ela levantou sua cabeça.
De fato havia uma casa - ou algum tipo de construção inacabada. Uma parede alta de massa escondia quase tudo, mas uma entrada em arco, suavizada pelas cascatas de rosas em flor de uma árvore antiga, parecia convidativo.
Ela se levantou fracamente e cambaleou em frente. Folhas frondosas e outros verdes bonitos apareceu diante dela enquanto ela mancava pra mais perto, e ela temia que esse oásis inesperado talvez fosse uma miragem depois de quilômetros infinitos de areia e pedra inóspitos.
Mas não – o portão era real. Ela ficou em pé na sombra dançante das rosas e amarrou o cinto do seu robe. Dentro de segundo, uma pequena mulher enrugada apareceu, indo apressada
em sua direção com sua saia longa colorida que flutuava ao redor das suas pernas.
Laurel puxou o bilhete de Rafiq do bolso do seu jeans e o desamassou. Essa seria a mulher a quem ela deveria entregar isso?
Ela o esticou pra frente.
O rosto escuro impassível se acendeu. O portão se abriu. A pequena mulher pegou o bilhete de seus dedos e tornou-se extremamente animada, fazendo com que ela andasse logo e falando com grande entusiasmo.
“Laurel,” Laurel disse, batendo em seu próprio peito com o dedo.
“Yasmina,” a mulher respondeu, batendo no próprio.
“Yasmina,” Laurel tentou. Isso fez surgir acenos e sorrisos.
“Rafiq?” ela perguntou. Mais acenos e sorrisos, mas também um gesto inconfundível de ‘não está aqui agora’.
Ah droga.
Yasmina releu o bilhete com atenção redobrada, enquanto isso falava em sua própria língua e arrastou Laurel pelo caminho e através de uma porta de uma casa velha com torres e paredes de pedra grossas. A luz que cegava do lado de fora, fazia o interior parecer em uma penumbra e convidativo a descansar, e o frio agradável passou por sua pele como uma benção.
Depois de passar por um longo corredor, elas chegaram em um quarto de teto alto. Yasmina abriu a porta mais à frente e Laurel ficou parada maravilhada enquanto a empregada ligava a água que jorrava para dentro de uma banheira de mármore de dentro de uma torneira ornada de ouro. Eça devia parecer desesperadamente com calor e suja se era assim que ela era recebida!
A pequena mulher emergiu – sorrindo e gesticulando para que Laurel tratasse o quarto como se fosse seu. Ela saiu e Laurel afundou na cama antes que suas pernas cedessem embaixo dela. O que danado iria acontecer depois?
A banheira parecia abençoada uma vez que ela conseguiu ficar de pé novamente. Uasmina tinha jogando uma mão cheia de pétalas de rosas frescas dentro. Laurel pressupôs que ela estivera cuidando das rosas desabrochadas enquanto caminhavam juntas, mas na verdade as flores tinha sido destinadas para isso. Espuma cheirosa aumentava na água à medida que a banheira se enchia. Uma
seleção de sabonetes franceses caíam de uma cesta em um dos cantos da larga banheira. Tudo parecia demais para um local lendário semi-desértico tão longe da civilização.
Ela se despiu e banhou, derramando xampu para lavar a areia suja de seu longo cabelo e deixando a água quente deliciosamente cheirosa acabar com suas dores. Quando ela retornou para o quarto viu que todas suas roupas tinham desaparecido e um robe transparente roxo tinha sido colocado na cama. Ela deslizou para dentro dele, admirando o trabalho dourado bordado nos cantos, se esticando na cama considerando a curva estranha que sua vida tinha dado e caindo em um sono exausto.
~♥~
O pesadelo caiu sobre ela novamente de repente. O vento do deserto gemeu misteriosamente. Palmas frondosas bateram ruidosamente, mas fora isso muito pouco se mexeu no pequeno resort ao lado do mar de Kalal enquanto passava por uma tarde quente.
Um veículo solitário entrou no acostamento parando logo atrás dela.
Laurel se virou quando ouviu a porta se abrir, mas ela só teve um milissegundo para registrar a figura escura de um homem se movimentando rapidamente, antes que mãos brutais colocassem um saco sobre seu rosto. Assim tão rápido, ela estava presa.
Uma cascata fervente de possibilidades horríveis encheram o cérebro dela. Assustada, ela gritou a plenos pulmões, derrubando seu caderno de desenho e coiceando com toda força de sua considerável determinação. O salto do sapato dela encontrou com o que ela esperava ser a canela do seu captor.
Fez com que uma voz masculina gutural deixasse sair um violento xingamento numa língua local e ela aproveitou um flash passageiro de triunfo. Mas então, uma mão pesada se fechou sobre seu rosto, pressionando os lábios dela dolorosamente contra os dentes dela. E um braço de aço envolveu sua cintura e a levantou para frente e de cabeça pra baixo.
Seus dedos descobriram que ela tinha aterrissado em uma fatia de espuma gasta de um piso duro.
Portas bateram, um motor ligou e ela foi jogada de costas quando o veículo saiu em alta velocidade.
Arrepios de pânico a sobressaltaram. Grandes arrepios correram por sua coluna.
Ela estava cega. Mãos cruéis tinham colocando uma corda apertada ao redor do pescoço dela para que o saco se fechasse e cortasse qualquer vestígio de luz.. qualquer esperança de ver para onde ela estava sendo levada.
Ela se debateu e chutou no veículo que balançava, e sofreu mais um insulto de um peso quente se movendo para segurá-la no mesmo lugar, sem dúvida um colchão imundo.
“Fique parada!” uma voz profunda de homem grunhiu perto da orelha dela.
Ela ficou tão perplexa de ouvir um inglês cheio de sotaque que ela momentaneamente congelou antes de voltar a seu frenético movimento de se debater. Mas ela não tinha nenhuma esperança de escapar desse corpo forte.
Mãos fortes agarraram os pulsos dela, e ela ouviu o barulho de algemas e sentiu o metal duro suave de encontro à sua pele. Seu cérebro confuso registrou que ela estava, agora, um nível mais indefesa.
Dedos passearam dos seus pulsos para os seus cotovelos e de volta pra suas mãos inúteis. Era quase uma carícia. Seu coração bateu ainda mais rápido enquanto a ficha caía.
“Fique parada,” ele murmurou novamente. “Nós não queremos te machucar, contanto que você coopere.”
Com seus ombros embaixo do peito dele, os seios de Laurel estavam amassados no chão. Os quadris do homem estavam exatamente sobre o dela. O pélvis ossudo dele estava em sua bunda enquanto o veículo balançava e parava. De cada lado dela se encontrava uma coxa longa e forte, a segurando, mantendo-a cativa.
E entre essas coxas impressionantes, a protuberância masculina parecia óbvia demais. Desolação a assolou ali.
“Deite quieta e será mais fácil pra você,” ele grunhiu, levantando o tórax dele de cima dela, o que deu a seus pobres seios um pouco de alívio.
Mas a mudança no peso, fez com que o quadril dele ficasse ainda mais firme no dela, e não tinha nenhuma escapatória a pressão íntima do corpo dele. Ela desejou que suas pernas ficassem juntas enquanto imagens estilhaçadas explodiam no cérebro dela.
O que eles queriam dela? Um minuto ela estivera vagando contente ao sol, pensando nas crianças que ela estava cuidado e inventando sua própria família. Em um instante, planos futuros foram arrancados e trocados pelo perigo desesperador do momento presente e esse homem cruel, e não havia sequer ar suficiente.
Cega e meio surda, ela usou os sentidos que lhe restavam para tentar consertar de alguma forma sua situação. Lá estava ele – que era forte e musculoso pois a mantinha firmemente confinada. Havia o motorista. E parecia ter outra voz ríspida no assento da frente também. Presumivelmente, esse era o homem que tinha agarrado-a na rua e empurrado-a para ser segurada por esse daqui?
Então pelo menos três deles. Probabilidade terrível. Ela não tinha uma chance.
Terror absoluto a envolveu enquanto ela tentava respirar ao máximo o ar parado para dentro dos seus pulmões em funcionamento.
“Eu não posso respirar,” ela gritou em pânico – quase mais aterrorizada pelo fato de sufocar do que qualquer outro destino possível.
Mãos deslizaram ao redor do pescoço dela, cutucando até achar o cordão que amarrava o saco. Ela tremeu ao sentir dedos calosos em sua nuca exposta... na pele macia logo abaixo da mandíbula dela. O coração dela bateu com um ritmo assustado.
“Nem mais um pio,” o homem disse. Mas pelo menos, ele tinha afrouxado o cordão, deixando um pouco de luz entrar e um pouco de ar fresco.
Laurel deitou ali arfando como um peixe fora dágua, absorvendo oxigênio – que estava entremeado do cheiro oleoso do veículo e um
leve cheiro apimentado do homem que a tinha segurado de encontro ao colchão.
Ela ouviu um bufo e um comentário de alguma forma malicioso do assento da frente. Seu captor riu acima dela. As vibrações do corpo dele viajaram pelo corpo dela, deixando-a mais à flor da pele, se isso fosse possível.
“O que?” ela disse, com uma pequena esperança de tradução.
“Ele disse que eu tenho o melhor trabalho,” veio uma resposta inesperada naquela voz profunda e rouca. “Mas contanto que você continue razoável. Eu não quero machucar você, mas se você lutar, eu talvez tenha que fazê-lo.”
Para o horror dela, um gemido assustado saiu de sua garganta, e uma risada saiu do homem da frente.
O veículo – algum tipo de van, ela pensou – continuou a se dirigir, balançando de lado a lado, batendo em buracos, pulando pra cima e pra baixo, de novo e de novo. Eles deixaram as ruas niveladas empoeiradas de Kalal bem atrás deles, e deviam estar no deserto do interior agora.
O interior deserto vazio, inóspito e infindável – onde seria muito difícil achá-la.
O homem aliviou o peso dele em um lado, o que causou um pequeno aumento no conforto.
“Obrigada,” ela murmurou. Certamente ela deveria cooperar tanto quanto possível para garantir a segurança de si mesma?
“O prazer foi meu.” a voz dele murmurou bem ao lado do ouvido dela.
O prazer dele em se mover pra uma posição mais confortável pra si? Ou ele tinha gostado da proximidade do corpo dela no dele?
Porco! Ela pensou. Porco sujo. Sequestrador, meliante, nojento, terrorista, porco.
Ela tensionou enquanto as mãos dele deslizaram pelo pescoço dela novamente, deslizando debaixo da mandíbula dela e sobre a boca dela. A tentação de morder seus dedos odiosos estavam quase além do controle dela.
Mas de alguma forma ela se manteve parada e foi recompensada ao ter sua venda puxada pra cima até o ar fluir e seu rosto estar à luz do dia finalmente. Seu boné vermelho – ou melhor,
o boné vermelho de Maddie – tinha sido jogado de lado quando o saco foi forçado sobre sua cabeça. Finalmente ela se colocou em uma posição que a aba não mais roçava em seu nariz.
Ela virou e encarou seu sequestrador.
Ele estava tão perto que era difícil focar e ela virou o rosto pra longe novamente – mas não antes de registrar um par de olhos bem escuros debaixo de sobrancelhas bem pretas, e, pele marrom tabaco esticada sobre as bochechas altas.
Uma face imperiosamente cruel – antiga, orgulhosa e difícil de dobrar. Podia ter sido esculpida em pedra de tanta leveza que demonstrava.
O coração de Laurel diminuiu. Ele realmente parecia ter se incrustado nas costelas dela. Não havia nenhuma compaixão evidente nas feições duras dele... nenhuma dica de que ela não estivesse em um grande perigo.
E então ele começou a acariciar o cabelo dela e ela tremeu.
“Tão pálida,” ele grunhiu. “Não é como as mulheres do meu país.” Ele passou os dedos gentilmente pelo longo rabo de cavalo loiro que ela tinha colocado por dentro do buraco de trás do boné para manter o calor longe do seu pescoço.
“Largue!” ela disse, empurrada até o limite pela atenção não pedida dele. Lágrimas repentinas derramaram sobre suas bochechas. Ela fechou os olhos com força e enterrou o rosto no colchão para esconder o medo dela.
O colchão, ela notou depois de alguns segundo de visão limpa, parecia estar perfeitamente limpo – provavelmente era novinho em folha e comprado pro trabalho. Pelo menos era melhor do que ser presa indefesa em algo sujo e cheio de vermes. Ela se sentia quase disposta a ser grata por essa pequena benção. Mas ah, ela não queria chorar e deixá-lo saber o quão apavorada ela estava.
A mão dele continuou a se mover pelo cabelo dela como se quisesse acalmá-la, e, Laurel não tinha mais forças para repeli-lo.
Ela veria a Sra. Daniels e as crianças novamente? Andaria mais uma vez na grama verde da Nova Zelândia, embaixo das árvores altas? Ou isso seria o final da sua vida – em uma terra estranha, seca e estrangeira, bem longe de tudo com que ela tinha crescido?
Ela tremeu repetidamente enquanto os três homens começaram uma rápida conversa em uma língua que ela não conseguia compreender. A fragrância levemente apimentada continuava a passar pelo nariz dela, mal discernível sobre o cheiro oleoso do veículo. Pelo menos o captor dela foi civilizado o bastante para usar sabonete ou colônia.
Depois do que pareceu uma eternidade, o veículo mudou para uma marcha mais baixa, subiu em um local, desacelerou e freou. O motor tossiu e morreu.
“Nós estamos aqui. É hora de sair.”
O coração de Laurel aumentou para um martelar frenético. Onde era ‘aqui’? E o que eles estavam planejando fazer com ela? Ela levantou a cabeça e olhou ao redor, sabendo que seus olhos deviam estar arregalados de medo.
A van mal parecia ter sido usada, as costas dos assentos arranhado e forrado. O colchão parcialmente cobrindo o chão de metal. E as janelas eram pintadas fortemente, dando ao céu um tom estranho esverdeado.
Ela ouviu um rufar e uma batida. Atrás dela, as portas da van se abriram em dobradiças que guinchavam.
“Fora,” seu carcereiro repetiu, pairando sobre ela, colocando as mãos dele ao redor da cintura dela. Ele a levantou sem qualquer esforço aparente e a girou para colocá-la com os pés pairando a alguns centímetros da areia.
E o deserto cegante disperso por quilômetros. Ela não viu nada além de rochas pálicas e areia dourada debaixo da luz do sol brilhante, por todo o horizonte enevoado. Dunas ondulantes e montes altos apareciam ocasionalmente, mas sem sinais de civilização.
Laurel apertou os olhos e encarou consternada para o homem pequeno e parrudo que tinha aberto as portas. Mal vestido, ele aconchegava uma grande arma preta automática nos braços. Tecido estava colocado sobre o rosto dele para esconder suas feições.
Somente seus olhos realmente cruéis estavam visíveis.
Presumivelmente ele havia pegado ela da rua? Ela esperava que sua canela doesse que nem o inferno.
Ele colocou a monstruosidade preta ferozmente de pé como um sinal de que ela precisava ficar de pé.
Laurel se encolheu de encontro ao homem que tinha, até agora, sido tão aterrorizante. Seu corpo troncudo e voz rouca eram infinitamente preferível à alternativa do lado de fora.
Ele agarrou os cotovelos dela e a empurrou pra fora e para ficar de pé.
“Cuidado,” ele gritou, soltando-a. Ela pisou cambaleando pra longe e virou para verificar o resto dos arredores. Nada além da van branca e o animal com a arma. O que danado eles estavam planejando? Eles podiam fazer qualquer coisa com ela nesse lugar escondido.
A porta do motorista se abriu e outro ocupante saiu, também mal vestido como o atirador – calças, de tecido áspero, enfiadas em botas pesadas, uma vestimenta que parecia uma longa camisa/casaco que todos os locais usavam, e, algo arranjado para esconder a maior parte das suas feições. Esse terceiro homem jogou alguns comentários jocosos na direção dela e ganhou algo que soou como uma réplica mordaz daquele que havia segurado-a no lugar durante aquela viagem aterrorizante.
Uma mão agarrou o longo rabo de cabelo para impedi-la de ir pra mais longe e a puxou de volta, fazendo com que ela quase perdesse o equilíbrio. Outra mão agarrou seu bíceps e ela foi virada, muito contra a vontade dela, para ficar mais perto do homem do colchão.
“Fique perto,” ele insistiu, encarando-a com olhos negros intensos.
Ela conseguiu dar um sorriso desesperançoso e sombrio. “De você?
“Sim, se você dá valor à sua vida.”
“Você me fez sentir muito segura até agora.” Ela nem ligava se tivesse o ofendido. O quão pior a situação dela poderia ficar?
“Eu sou uma aposta melhor do que os outros.” A voz dele caiu suavemente no ouvido dela, e seu hálito quente balançou os pequenos cabelos na nuca dela. “Veja,” ele adicionou.
E Laurel viu – impressionada – enquanto os outros dois arrastavam uma coberta cor de areia de lado para revelar uma
escadaria para um edifício enterrado.
“Como diabos você achou isso?” ela arfou.
“Eu conheço bem,” veio uma resposta enigmática.
Então ela olhou apropriadamente para o resto dele pela primeira vez. Se ela tivesse o visto em um filme estrangeiro – ou uma recepção diplomática, ou talvez uma ocasião social menos formal – ela teria pensado que ele era um homem lindo e loucamente exótico.
Ele era vários centímetros maior do que os outros dois. Laurel tinha meros 1,64; ele devia ter 1,88, 1,90? Ele se movia com uma graça flexível que a fazia pensar que ele fosse um ginasta ou dançarino profissional.
Ao contrário dos outros, ele não tinha nada em seu rosto, a não ser que você contasse a barba preta pequena e bem aparada que estava rente à sua mandíbula esguia. Os outros homens pareciam ter uma barba muito mais espessa, visíveis sobre as dobras do tecido que encobriam seu rosto.
Os olhos pretos enevoados dele furavam os dela, inspecionando com uma frieza clínica.
Ainda uma face cruel, ela pensou. Ainda primitiva, orgulhosa e impassível. O rosto de um soldado disciplinado que lidaria com a tarefa a cumprir firmemente.
Um soldado? Talvez não, mas ele usava calças cáqui com vários bolsos e zíperes, e, botas bem gastas. Ele parecia de alguma forma militar, e ela agora sabia como uma certeza amarga que ela era a tarefa a cumprir.
“Fayez!” ele chamou.
Um dos capangas dele pulou. Uma rápida sequência de instruções seguiu. O homem descarregou uma caixa de suprimentos da van e a carregou para baixo para dentro do esconderijo subterrâneo.
“E agora nós vamos,” o captor insistiu, levando-a firme pelos pulsos e rabo de cavalo em direção da prisão escondida.
Laurel não tinha outra opção além de obedecer. Ela tropeçou pelos degraus para uma porta baixa, abaixou a cabeça quando ele puxou o cabelo dela e entrou. Uma lanterna fedorenta queimava ritmicamente. A luz dispersava um pouco da penumbra, mas não
fazia do bunker uma prisão atrativa. Ela olhou ao redor, chocada.
Cavernas assustadoras em Indiana Jones vieram à mente dela.
“Nazim!” Mais instruções rudes foram dadas. O terceiro homem arrastou o colchão pelas escadas, forçando-o pela passagem e ficou ali parado espiando.
Fayez e Nazim, ela pensou, tentando alocar os nomes em sua memória no caso dela se libertar desse inferno e tivesse uma chance de contar a alguém. Então quem era ele?
“Rafiq,” ele disse, enquanto parecia ler sua mente. “Eu me certificarei de que o mínimo de mal possível caia sobre você enquanto estiver aqui.”
Ele puxou a cadeira de madeira maltratada de debaixo da mesa desgastada, colocando-a perto da parede e a sentando nela. Além do colchão e alguns caixotes, isso parecia ser a única mobília do bunker.
Rafiq, ela pensou. Lindo e cruel Rafiq. Eu não vou esquecer o seu rosto, se eu um dia sair daqui.
Ele produziu um telefone de um dos seus muitos bolsos e se concentrou na tela. Era a última coisa que ela esperava aparecer no deserto. Certamente não havia recepção?
“São incríveis os filmes que podemos fazer nessas coisinhas, ele disse, sentando sobre a mesa.
Pornografia passou pela mente dela e então mais ameaçadoramente, filmagem de homicídio. Bom Deus, certamente não.
Ela sentou ali aterrorizada e confusa, mantida indefesa pelas algemas e desesperada para urinar depois da longa viagem balançante no chão da van.
“E agora,” Rafiq disse, “nós filmaremos nossa pequena Americana e veremos qual o valor dela.”
“America!” ecoou Nazim, cuspindo no chão ao lado dos pés dela.
Laurel ficou tensa com o tom cruel e então seu cérebro atordoado registrou o que eles estavam dizendo.
“Não sou Americana,” ela insistiu. “Kiwi. Nova Zelândia.”
Rafiq não se importou. Simplesmente empurrou o boné vermelho dela para trás, para que o rosto dela estivesse à vista e continuou gravando. Ela encarou primeiro o telefone maldito e depois ele.
“Eu não sou,” ela repetiu. “Quem diabos você pensa que eu sou?
Alguém que você pode usar para barganhar?”
Rafiq a parou ao se esticar e agarrar o rosto dela com a mão, abaixando para que voltasse ao ângulo que ele queria. “Quieta!” ele ameaçou.
Ela teria continuado a brigar, mas o homem com a arma automática ficou ao lado dela, pressionando o objeto contra a cabeça dela e começando um mantra rouco de “América, América,”
para o benefício da gravação. Ela se arrepiou inteira enquanto a morte certa olhava em seu rosto, e, o tempo parou.
“Bom,” Rafiq disse alguns segundo depois. Ele checou o filme e balançou a cabeça.
Laurel ficou ali sem palavras e congelada até que a arma foi removida.
“Eu não sou americana,” ela disse tremulamente. “Eu sou da Nova Zelândia. Sou uma babá. Eu estou trabalhando para uma família de diplomatas americanas mas eu não sou americana.”
“Você é Madison Daniels.”
“Eu sou Laurel de Courcey.”
Rafiq sacudiu a cabeça, olhos gélidos. “Não minta.”
“Eu sou Laurel de Courcey,” ela insistiu. Nascida em Wellington, Nova Zelândia. Eu tenho vinte e três. Essa é minha primeira vez longe de casa. Eu sou a babá das crianças Daniels.”
“Você é Madison Daniels. Jeans azul, blusa branca, cabelo loiro longo, boné de beisebol vermelho. Você tem sido monitorada.”
“Eu sou Laurel de Courcey!”
Não havia ninguém ao redor pra escutar, mas falar num tom mais alto era maravilhoso. “Jeans azul, blusa branca, longo cabelo loiro e o boné vermelho de Maddie. Ela me emprestou – meu chapéu de sol não ficava com o vento.”
Eles encararam um ao outro. Rafiq se esticou e arrancou o boné dos Cincinnati Reds da cabeça dela. O rabo de cavalo dela deslizou facilmente pelo buraco do boné.
“Você é uma mulher ocidental,” ele disse, “Você serve.” Ele seguiu seu pronunciamento com um longo e incompreensível discurso na direção de um dos outros homens. Laurel imaginou se ele estava sendo bronqueado por sequestrar a mulher errada.
De qualquer fora, Rafiq não estava dissuadido. Ele puxou uma grande quantidade de corrente de um dos caixotes e começou a enrolar ao redor dos pulsos dela até as algemas ficarem escondidas. Ela se encolheu enquanto os aros se pressionavam de encontro aos seus ossos. Então ele foi pra trás dela.
Ela virou e viu que ele estava desatarraxando um largo relógio da parede, alterando a hora em várias horas e colocando-o no lugar.
“Tomada dois,” ele disse sem nenhuma aparente ironia. Ele voltou ao lugar dele e produziu um segundo telefone.
“Você tem que acreditar em mim,” ela insistiu. “Eu sou Laurel de Courcey.”
“Então você tem a intenção de continuar falando? Conte-nos mais.”
“Porco!” Ela disse de volta. “Eu não vou lhe dizer nada se você é estúpido demais até pra sequestrar a mulher certa.”
A mão grande de Rafiq pegou seu rosto novamente. “Tome cuidado com quem você insulta, pequena,” ele disse com uma ameaça sutil. “Não é sábio falar assim na sua posição atual.”
Ela sentou ali encarando-o, tentando se manter de se dissolver em lágrimas.
Novamente ele checou a gravação dele e pareceu satisfeito. Ele latiu uma instrução e um dos outros homens pegou o relógio e alterou a hora.
Mas foi Rafiq que se ocupou do cabelo dela, gentilmente removendo o elástico que segurava suas longas mechas brilhantes juntas, e, as penteou com os dedos para colocá-las sobre os ombros dela numa cachoeira bagunçada pálida. Laurel tremeu com o toque dele. Até mesmo aqui no deserto flamejante ele enviava frios tremores pela coluna dela.
Ele retirou a corrente pesada dos pulsos dela e abriu as algemas. Ela apertou a pele para trazer alguma sensibilidade de volta depois da constrição das correntes. Mas o alívio dela não foi duradouro. Ele se agachou na frente dela, abriu uma larga corda de poliéster, e, a amarrou ao redor de cada um dos pulsos dela, deixando pelo menos cinquenta centímetros daquilo entre as mãos dela.
“Fique bem parada,” ele instruiu, produzindo um isqueiro de um bolso da calça dele, e, começou a amarrar os nós bem apertados ao derreter a corda em calombos grossos. O alívio dela em estar livre foi retirado. A chama lambeu a carne dela, apesar dele ser cuidadoso em não queimá-la. Ele amarrou muito mais corda a primeira e deu para Fayez ou Nazim – ela ainda não conseguia distingui-los.
“Perdoe-me por isso,” Rafiq disse, passando os dedos pelo chão empoeirado e espalhando pelo rosto de Laurel e pela frente da sua camisa branca de manga longa e gola alta. Os dedos dele pareciam quentes pelo tecido fino da blusa e ela se encolheu pra longe do toque dele em seus seios.
“Nós precisamos fazer parecer que se passaram dias. Como se você estivesse agora suja e desesperada. Fayez?”
Fayez agarrou a corda em uma mão morena como se ela fosse uma pobre e triste vira-lata numa corrente e parou impassível diante dela.
Rafiq produziu ainda mais um telefone e começou a gravar novamente. Então ele murmurou algo. De repente a cabeça de Laurel foi arrastada pra trás e uma grande faca curva foi pressionada contra sua garganta. Ela gritou em total terror.
“Não, por favor! Por favor não faça isso! Eu não sou quem você pensa!” Por último ela explodiu em lágrimas que nunca estiveram longe.
“América...” Fayez disse enquanto permitia que ela caísse pra frente em um soluço.
“Bom, está tudo feito,” Rafiq confirmou com seu tom de negócios, checando o trabalho dele e colocando o último telefone de lado. Ele a deixou chorar por mais alguns minutos e então perguntou, “Você está com sede? Nós temos Coca Cola e suco de laranja, bem gelados.”
Ela levantou o rosto arruinado e o encarou desacreditada. “Você acha que pode me colocar por tudo isso e então atual todo hospitaleiro?”
Ele deu de ombros. “Está quente. Você precisa beber.”
“Você é um maníaco. Vocês todos são. O que diabos foi toda essa enigmática filmagem afinal de contas?”
“Querida mocinha – quem quer que você seja – você é a moeda com que vamos barganhar. A primeira gravação é pra deixar as autoridades saberem que nós temos você, sã e salva. A segunda, que eles receberão em alguns dias, mostrará você ainda viva mas em grave perigo. A terceira – que sua petição é agora desesperadora.” Ele deu de ombros novamente. “É o jeito que a gente consegue o que precisamos.”
“Isso é religioso ou político?”
“Um está bem ligado ao outro.”
“Nessa parte do mundo, sim,” ela disse mordazmente. “Eu achei que isso seria exótico, lindo e cultural quando Sra. Daniels disse que eles tinham sido alocados para Al Sounam.”
“Nós somos sem sombra de dúvidas, exótico, lindo e cultural, como você disse.”
“Não de onde estou olhando.” Ela olhou ao redor do bunker em pânico. Uma parede parecia feita de grandes pedras. Ela assumiu que isso era pra se disfarçar entre o cenário pedregoso do lado de fora.
Faixas de luz passavam em alguns lugares, pelo menos ela não ficaria sem ar fresco. “Por quanto tempo vocês vão me manter aqui?”
“Pelo tempo que levar para que certas pessoas vejam o certo.”
“Mas e sobre... encanamento,” ela perguntou bem baixo, sentindo o ardor se espalhar pelo pescoço e pelo rosto.
“Nós temos a invenção mais admirável, um penico portátil.” Ele apontou pro canto e ela de repente percebeu o que era o outro objeto.
“E a Coca Cola Americana decadente,” ela murmurou.
“Como você diz.”
Ela estava quase certa de que via um pequeno sorriso no canto da boca dura dele.
Rafiq amarrou um longo pedaço da corda laranja ao redor das pernas da mesa para que ela ficasse presa, desmanchando os nós e gesticulou para que os outros homens saíssem. “Nós vamos dar a você privacidade por alguns minutos. Nós temos coisas importantes pra fazer do lado de fora.”
Ela continuou sentada, profundamente envergonhada, até as longas pernas dele desaparecerem da vista dela, então ela foi até o canto.
Minutos depois, ela sabia que nunca ia conseguir desfazer os nós derretidos. Ela se preocupou com eles incansavelmente desde que os homens tinham se retirado, e, tudo que ela conseguira fora pontas dos dedos muito machucadas e uma unha quebrada.
Finalmente ela desistiu, ajeitou seu cabelo em um rabo de cavalo novamente, e, pegou o boné vermelho.
Ela suspirou profundamente. Quase qualquer coisa seria melhor do que isso. Ela se conformaria com o albergue barulhento, ou seu apartamento chinfrim, ou até mesmo a terrível casa de acolhimento Gorridge, do que sua situação atual. Se a vida parecia ruim antes, estava definitivamente pior agora.
Pedaços de conversa vinham pelas escadas. Ela não tinha ideia do que estava sendo discutido porque o alcance que ela tinha da língua local, até agora, se restringia às palavras mais básicas possíveis.
O vento ainda soava alto. Soprava por entre as dunas e mandava um pouco de areia pelas escadas. Ela ouviu o motor da van ligar, e então o veículo foi embora deixando um silêncio estranho. Ela temeu com medo e descrédito. Certamente eles não tinham-na abandonado ali,ainda que com um tipo de banheiro, Coca Cola, suco de laranja e possivelmente algum tipo de comida já que havia bebida? Era inacreditável que ela conseguiria ficar confinada nesse pequeno bunker totalmente sozinha por Deus sabe quantos dias. Ela olhou o colchão de espuma cautelosamente. Parecia uma possibilidade bem real.
E então o horror tinha a envolvido novamente enquanto ela detectava passos nas escadas, seguido por uma silhueta masculina contra o retângulo de luz. Qual deles tinha retornado?
Era o porco.
Capítulo Dois – Sangue No Deserto
“De pé,” Rafiq disse, agarrando os pulsos dela, ajudando-a a ficar de pé em pernas trêmulas. Ele produziu pequenos cortadores de um dos bolsos dele e cortou a corda dura. Laurel esfregou a pele machucada e viu entorpecida enquanto ele fazia novos nós de forma que parecesse que ela tinha de alguma forma se soltado.
“Rápido.” Ele agarrou duas garrafas de suco de laranja em uma mão grande e o braço dela na outra e a apressou para subir.
“O vento deve mover areia suficiente para cobrir nossos rastros antes que eles voltem da entrega da primeira gravação. Ande exatamente nas minhas pegadas para que pareça os pés de uma pessoa, pra garantir.”
A mudança dos fatos confundiu-a tanto que Laurel tornou-se um brinquedo mecânico. Ela seguiu sem protesto, encaixando os tênis nas marcas deixadas pelas botas dele, atravessando a areia infinita no vento sussurrante e desconfortável.
“Você está bem?” ele chamou de volta depois de algum tempo.
“Sim!” ela gritou, ofegando com força. Ele tinha marcado um passo puxado.
Depois de vinte minutos entorpecidos eles alcançaram um profundo vale escondido. Rafiq escolheu seu caminho pra baixo do lado que estava se desfazendo, virando para oferecer a mão dele para que ela pudesse alcançar as partes íngremes. Ela tremeu enquanto o tocava, mas sabia que era provável que caísse se recusasse a ajuda dele. Ela ainda sentia os dedos dele no cabelo dela, no pescoço dela, nos seios dela. Ela queimava com confusão e medo, mas se resignou a segui-lo, esperando que o lugar fosse melhor que o bunker odioso.
Era mais confortável na base do vale e um pequeno córrego corria entre pedras e pedregulhos. Ele tirou o pedaço original de corda do bolso dele, suspendeu uma das rochas e escondeu a corda embaixo dela. Então ele rapidamente pegou com as mãos a água e bebeu.
“Você deve pegar isso,” ele disse, enxugando as mãos na calça e produzindo uma caneta e um bloquinho. Ele escreveu instruções para alguém desconhecido e Laurel assistiu, hipnotizada, enquanto a caneta corria pelo papel em um estranho roteiro cursivo. Ele deu à ela a pequena folha, então arrancou várias, as rasgou em pequenas tiras e as colocou para flutuar na água antes de retornar o bloquinho pro bolso dele.
“Ande somente sobre as pedras para não deixar rastro. A uma hora de caminhada daqui você achará uma casa e empregados. Dê isso para mulher.”
“Por que?” ela perguntou, ainda confusa e em choque.
“Porque você não está a salvo com Fayez e Nazim. Eles são ladrões e assassinos.”
“E você não é?”
“Não como eles,” ele disse sombriamente. Ele olhou pro relógio e jogou as garrafas de suco de laranja na direção dela. “Comece a se mover. Eu preciso voltar e ajeitar algumas coisas.”
E tão suave quanto um gato ele foi embora e escalou a parede quase vertical do precipício.
Laurel ficou parada perplexa, papel em uma mão, garrafas de suco seguras no corpo superaquecido na outra. Pelo menos o vale não era no vento cheio de areia pinicante, mas isso tornava a temperatura ainda mais alta.
Ela o seguiu com os olhos enquanto ele a deixava para trás. Ele escalou com uma facilidade enganosa, se pendurando de uma mão pra outra. Ela não tinha ideia de como ele conseguiu descer o vale, mal deixando uma marca. Daqui parecia impossível.
Enquanto ele alcançava o topo, ele virou e a encarou. “Beba!”
ele mandou e ficou parado com as mãos no quadril até ela enfiar o bilhete precioso no bolso do jeans e abrir uma das garrafas de suco.
Ele esperou mais alguns momentos até ficar satisfeito que ela tinha obedecido, então desapareceu.
~♥~
Ela escolheu seu caminho de pedra em pedra, tomando cuidado em não deixar nenhuma marca na areia entre elas. A respiração dela se
acalmou enquanto ela andava. Progresso era bem mais lento aqui.
Outra hora disso? Ela podia andar por tanto tempo? Ela abriu a garrafa novamente, saboreando o suco dourado azedo. Nada tinha sido tão gostoso antes. Ela bochechou ao redor dos dentes para umedecer a boca seca, e, então deixou descer pela língua e pela garganta sedenta.
Ela estava com muita sede – e certamente ele também deveria estar? Mas ele tinha deixado ambas as garrafas com ela. Um pequeno ponto de gratidão e admiração indesejável começou a surgir no cérebro dela.
Ela assumiu que ele pretendia repetir a longa marcha dele até o bunker. Ele talvez fosse um homem do deserto, mas ele ainda precisava de algumas mãos cheias de água.
Ela balançou a cabeça determinada. Ele era um porco, terrorista, sequestrador, nojento, ela se lembrou, enojando-se do repentino momento de preocupação que ela tivera para com ele.
Ele tinha a manuseado, algemado e a mantido presa contra a vontade dela. Ele se esfregou nela e tocou os seios dela. Ele a assustou quase até a morte com o vídeo dele. O bem estar dele não era digno de ser considerando. Ele tinha considerado o dela?
Ela perdeu o fio da meada por um momento enquanto se concentrava no caminho perigoso de pedras. Ela pulou um espaço mais largo do que o costumeiro e gritou alarmada quando derrubou a segunda garrafa de suco de laranja que ricocheteou de uma superfície dura pra próxima. Felizmente a garrafa era de plástico.
Ela conseguiu recuperá-la e quase mais importante, não deixou nenhum pedaço de vidro quebrado que podia revelar sua rota.
Seus pensamentos retornaram para Rafiq. Sim, ele tinha a manuseado, mas ele não tinha sido tão duro. Alguns machucados talvez, mas sem ossos quebrados ou sangue. Ele tinha de alguma forma protegido-a dos dois homens, apesar da arma e a faca terem sido aterrorizantes.
E ele tinha – talvez – a levado para algum tipo de segurança. Ou isso ou ele a deixara a deriva, sozinha e perdida no deserto em chamas, para andar por aí até cair de exaustão e morrer do calor e de sede. Talvez ele simplesmente tinha a desovado? Ele e os homens dele tinha conseguido sequestrar a mulher ocidental e
tinham as gravações que queriam; se ela agora era supérflua, isso teria os salvado do incômodo de matá-la.
Mas... a segunda garrafa de suco de laranja dera a ela um pouco de esperança. Por que ele teria dado duas a ela? Porque ele não bebeu a outra? Parecia que ele queria que ela vivesse.
Ela já havia há muito tempo bebido o último gole da primeira garrafa e seguiu o exemplo dele com a corda; esmagou debaixo do calçado, enroscou a tampa de volta para manter o objeto amassado, e, escondeu embaixo de uma rocha.
Ela olhou pro relógio dela. Quase 3:45. A família Daniels estava passando férias em um resort perto da praia de Kalal – e era esse o motivo pelo qual ela estava desenhando sozinha. Em qualquer outra semana ela estaria buscando os meninos de oito anos, Oscar e Jefferson, da escola na capital de Al-Dubriz, ou transportando a Mindy, de seis anos, para aulas de dança. Será que alguém tinha notado que a babá deles tinha sumido? Provavelmente não.
Um soluço inesperado sacudiu o corpo dela. Ninguém sequer estava procurando por ela! Poderia passar várias horas antes que alguém o fizesse. A trilha já estaria fria nesse momento, e as trilhas dos pneus no deserto, obliteradas pela areia constantemente em movimento. Talvez ninguém sequer pensasse em procurar até ver a gravação. A versão ‘tomada um’ - onde ela ainda tinha o boné de Maddie na cabeça e as algemas de metal que tinham sido colocadas ao redor do pulso dela na van.
Ela se suspendeu entre as rochas e conseguiu pegar a tampa da garrafa que ela tinha deixado cair. Ela gritou quando um lagarto magrelo brilhante azul esverdeado saiu da pequena sombra que a garrafa tinha jogado. Como qualquer coisa podia viver nesse calor incessante? E o que danado isso comia? Claro, havia aquele pequeno filete de água no chão do vale, mas não havia plantas ou insetos visíveis.
“E isso é um trabalho horrendo de camuflagem,” ela gritou para a criatura iridescente enquanto saía de vista entre duas pedras.
Qualquer coisa para distraí-la da situação desesperadora... qualquer coisa para fazê-la sentir que não estava sozinha no mundo.
De rocha para pedra para pedregulho. De pedregulho para pedra para rocha. Laurel continuou incansavelmente, grata pelos
estranhos poucos segundos quando ela ficou perto o bastante do banco suspenso, que proveu sombra do raio solar furioso.
Ela virou o pulso para checar o relógio novamente. 4:07. Por quanto tempo ela tinha lutado pelo vale miserável? Ele disse ‘uma hora de caminhada’ Na passada devoradora de deserto dele ou no passinho lento dela? Graças a Deus ela estava usando tênis ao invés das novas sandálias sem arreio. Esse pensamento a animou até 4:11, e então ela afundou em uma larga rocha ao lado de um pequeno filete e olhou demoradamente para a segunda garrafa de suco.
Ela sabia que devia guardar para depois, mas ela tremia de sede, calor e exaustão. Rafiq tinha bebido do pequeno filete – talvez isso fosse seguro pra ela também? Ela enfiou uma mão na água tépida e segurou uma pequena quantidade.
Ela cheirou. Nada. Ela provou. Nada. Ela engoliu. Benção! Ela enfiou a mão e engoliu mais várias vezes, então abriu a garrafa e engoliu o suco numa torrente gananciosa. Quando a garrafa estava vazia ela encheu do filete brilhante, atarraxou a tampa e continuou sua caminhada sentindo-se totalmente triunfante.
~♥~
Yasmina olhou ao redor da porta do quarto novamente, notando que sua hóspede inesperada finalmente tinha ficado quieta. Pobre garota – ela estava obviamente exausta. Por quanto tempo ela tinha caminhado? Onde o mestre tinha encontrado-a? E quanto mais tempo passaria antes dele chegar para explicar esse mistério delicioso?
Enquanto Laurel dormia e sonhava, Rafiq deitava exausto e desidratado no bunker. Ele lembrava de se virar para longe do topo do precipício quando viu a garota enfiar o bilhete dele no bolso do jeans dela. Ela abrira a primeira garrafa de suco e levou até a boca.
O sol cruel tinha iluminado os movimentos da garganta de mármore dela enquanto ela bebia. Ele imaginara passar seus lábios por aquela pele suave e cremosa. Preencher suas mãos ao redor dos seios pequeninos dela.
Mas não ainda. Por agora ele tinha feito tudo que podia e ela estava livre.
Ele procurou por uma pedra adequada. Algo do tamanho de um punho e pesada, esperando que fizesse o trabalho suavemente.
Enquanto ele voltava à longa marcha de volta pela areia que queimava, ele desejou que sua mente tornasse vazia e não sentisse dor, o corpo dele para continuar a se mover e ignorar a necessidade gritante de beber.
Algo molhado, gelado e refrescante.
Algo que fosse diluir a dor retumbante que pulava de orelha a orelha, e que provavelmente só ficaria pior em um futuro breve.
Ele contou as vezes que as botas dele batiam na areia. A cada vinte passos ele trincava os dentes e batia a ponta afiada da pedra contra a mesma parte da sobrancelha dela até o sangue fluir.
Sua cabeça pulsava. A língua dele presa no céu da boca. As pernas se movendo no automático. Mas pelo menos, uma vez que ele sangrara, ele podia parar a tortura auto-induzida. Ele lambeu a pedra limpando-a, rindo com o gosto metálico do próprio sangue, deslizou-a dentro de um bolso e continuou andando com o mesmo passo incansável.
Finalmente o bunker apareceu. Uma grande onda de alívio passou por ele – a van ainda não tinha voltado.
Ele passou o dedo na sobrancelha. O sangue tinha secado no calor feroz. Ele retirou a pedra do bolso e bateu no mesmo lugar tenro até a crosta abrir e sangrar novamente. Então ele se inclinou e enterrou a pedra e os cortadores bem fundo na areia. Ele amassou o buraco – o vento terminando o esconderijo em alguns minutos.
Com uma prece silenciosa de agradecimento, ele cambaleou a última dúzia de passos e caiu na sombra do bunker. Ele virou a cadeira de madeira, passou os dedos na sobrancelha e passou um caminho de sangue em uma das pernas.
Esperava que isso os enganaria.
Ele checou os nós derretidos na corda laranja e transferiu um pouco de sangue para lá também, querendo que parecesse como se ela de alguma forma tivesse tido dificuldade para se libertar.
Então ele caiu no colchão e esperou, desesperado para beber, mas sabendo que ele devia parecer zonzo e desorientado para que
seu teatrinho fosse bem sucedido. Nazim e Fayez eram espertos e soldados experimentados; difíceis de enganar.
Um tempo indeterminado depois ele ouviu a van deslizar para parar. Ele tensionou enquanto botas batiam nos degraus. Ele não tinha ideia do quanto sua ferida na cabeça pareceria ruim. Ruim o suficiente para ser convincente, ele esperava.
Nazim foi o primeiro a entrar. “Como foi a puta Americana? Vale a pena termos nossa vez?” Os olhos dele passearam pelo bunker meio escuro. “Ela se soltou?”
“Livre mas morta,” Rafiq disse roucamente. “Ela não consegue sobreviver lá fora.”
“Você foi muito generoso com seus nós.”
“Eu queria ela responsiva – hábil para se mover um pouco para mim.”
“Mas ela escapou?
“E me bateu com aquilo.”
Fayez ajeitou a cadeira, passando o dedo pelo sangue escuro.
Ele se abaixou e tocou a ferida de Rafiq. “Nada mal,” ele disse com um pouco de simpatia. Ele colocou as mãos de lado e as correu pelo corpo de Rafiq, ostensivamente para ver se havia outras lesões. Rafiq sabia que ele estava sendo revistado.
“Bebida...” ele gemeu.
Nazim deu a ele um suco de laranja mas não se importou em tirar a tampa para ele. Suspeita gélida brilhou nos olhos dele.
Ela agarrou duas garrafas e correu,” Rafiq murmurou. “Em direção de Akajar. Eu a segui um pouco, assim que consegui. Ela nunca vai sobreviver. Ela está morta, com certeza.”
Fayez checou o caixote das bebidas. Três sucos faltando e a Coca Cola intacta. Os números batiam.
Rafiq lutou com a tampa. Fayez teve pena dele e abriu. Rafiq praticamente inalou o suco. Fayez deu outro pra ele.
“O primeiro telefone está na emissora de TV?” Rafiq perguntou quando conseguiu falar mais facilmente.
“Na caixa de correspondência e a campainha foi tocada como você instruiu.”
“Então nós fomos bem sucedidos. Agora tudo que temos que fazer é esperar para eles cederem.”
“E se nós não conseguirmos produzir a garota?”
“Você sabe que eles vão levar um tempo e tentar negociar. Será daqui a muito tempo antes que nós devamos nos preocupar. Isso não foi um problema antes.” Ele sorriu – dentes incrivelmente brancos na pele escura. “Carregue as coisas. Nós vamos ficar separados por enquanto. Vamos pra casa. Eu quero ver o noticiário hoje à noite.”
Capítulo Três - Robe Transparente
Laurel pulou acordando na total escuridão com um sólido bater de um helicóptero que se aproximava. Ela lutou para se sentar, e, sentou piscando e confusa em uma cama que não era a dela. O quarto desconhecido estava à meia luz da claridade que vinha do banheiro adjacente.
Droga – não era um sonho estranho então. Ela ainda estava aqui...
Uma batida forte soou na porta dela. O braço fino de Yasmina serpenteou do corredor para ligar o candelabro de ferro preto.
“Rafiq,” ela disse, entrando mais e apontando para o céu.
Laurel ainda parecia meio adormecida porque Yasmina fez um gesto com a mão simulando os rotores do helicóptero, e, disse novamente, “Rafiq.”
“Rafiq,” Laurel concordou, acenando com a cabeça furiosamente. Ela saiu da cama e fez o seu melhor para indicar que ela precisava dos jeans e da camiseta. De forma alguma ela encontraria o porco em um robe transparente e nada mais.
Yasmina sacudiu a cabeça e imitou um movimento de torcer a roupa com os punhos ossudos morenos.
Laurel bateu a mão na testa e fechou os olhos. Bem, ela podia adicionar seus tênis e o boné ao robe, mas era isso. Não era um visual legal! Parecia que até o seu sutiã e calcinha tinham sido lavados pela inesperada criada pessoal.
Ela passou o robe bem transparente pelo seu corpo, esperando conseguir uma camada dupla de tecido, pelo menos, sobre seus seios e virilha. Não havia outras roupas visíveis no quarto escuro; o candelabro só dava um pouco de luz; Yasmin tinha se mandado – provavelmente porque ela não poderia ser de mais ajuda.
O bater do helicóptero era agora ensurdecedor. Os rotores sacudindo cortavam o ar, e, soava como se fosse pousar bem próximo à causa. Alguns minutos depois, um silêncio desconfortável soou, prejudicado apenas pelos guinchos distantes de passarinhos acordando.
Laurel enfiou os pés nos tênis, tendo dificuldade em amarrá-los com seus dedos que pareciam ser só polegares. Então ela penteou seus cabelos recém lavados com os dedos. Ela estava tão pronta quanto poderia estar e ela faria o discurso da sua vida.
Ela andou com uma falsa confiança pelo corredor para onde as luzes brilhavam mais forte e o ar estava entremeado de aromas deliciosos de comida.
“Ah, você chegou a salvo, Srta. Kiwi,” a voz rouca disse. Ela girou e se achou sendo inspecionada por olhos escuros perfurantes.
Olhos que sem sombra de dúvida estavam apreciando a excelente visão da sua bunda debaixo de apenas uma camada de tecido fino.
“Não graças a você,” ela disse, sentindo uma vermelhidão correr pescoço acima.
“Você acha que não?” A pergunta foi suave, mas ela sentia o aço por trás dela.
“Deixando-me lá sozinha para caminhar todo esse trajeto? Em tanto calor?”
“Levando-a para longe de dois animais perigosos? Oh por favor...” As pálpebras dele se fecharam. Você preferia que eu deixasse você se defender? Estou certo de que você teria se saído bem, uma garota grande e forte como você.”
Laurel se esticou ao máximo em sua altura e fechou os punhos.
“Eu vejo que eles te deram um surra,” ela disse com satisfação, indicando o machucado coagulado sobre o olho dele.
“Talvez. Talvez não.” Ele não pareceu incomodado pela resposta dela.
Yasmina foi em direção à ele com uma tigela de água, antisséptico e uma esponja. A pequena mulher derrubou seu equipamento sem nenhum cuidado com a mesa, colocou Rafiq em uma das cadeiras da mesa, com menos cerimônia ainda, pôs uma pequena toalha sobre o ombro dele, e, atacou a ferida com tenros golpes e muito clique da língua e ai ai ais.
Rafiq sofreu essa atenção sem comentários e seu olhar escuro intenso prendeu uma Laurel furiosa e envergonhada onde estava.
Ela apertou ainda mais o robe ao redor dela e cruzou os braços sobre os seios. Ela se amaldiçoaria se virasse e mostrasse a bunda novamente...
Por que danado ela colocou os tênis? Eles deviam parecer ridículos debaixo de um robe bonito com os bordados suntuosos de ouro. O piso era de pedra amaciada com tapetes com padrões suaves – ela não precisava de solos emborrachados duros.
O porco parecia entretido, maldito seja. Como se ele positivamente gostasse do embaraço dela. Depois de tudo que ele a sujeitou naquela tarde, ele agora tinha a pachorra de rir?
Tendo-a subjugado e segurado-a no chão com seu corpo masculino nojento?
E algemado-a, e, brincado com o cabelo dela?
E manuseado-a para dentro daquele bunker odioso ao agarrar o rabo de cavalo dela?
Gravado-a sem permissão, e colocado-a para atravessar o inferno de ter aquelas armas enfiadas no rosto dela?
Gritado com ela para impressionar os amigos dele?
Ela sabia que podia continuar nisso por muito tempo, empilhando acusação sobre acusação.
“Eu espero que isso doa,” ela disse, olhando os esforços de Yasmina.
“Bem muito, obrigada.”
“Bom. Excelente. Serve bem pra você. Pelo menos você pode me levar de volta à Kalal no helicóptero agora – exceto pela parte que ela lavou minhas roupas e eu não tenho nada pra vestir.”
Ele acenou e intensificou o olhar, correndo os olhos sem pressa do topo da cabeça dela até os tornozelos e os sapatos incongruentes.
“Sim, eu posso ver que você não está usando nada,” ele finalmente concordou. “Elas te caem muito bem, essas roupas inexistentes. Você é uma diversão agradável da tortura de Yasmina.”
Laurel fumaçou, mas conseguiu de alguma forma segurar a língua e não reagir a pilhéria dele. Agora ela precisava muito das suas habilidades de voar mais do que ela precisava de defender o orgulho.
Yasmina ouviu seu nome e deu em Rafiq uma leve patinha na bochecha. Ele jogou algumas palavras suaves na direção dela e então retornou a atenção dele para Laurel.
“Bem, você não pode viajar se não tem nada pra vestir, certo, Srta. Kiwi? A Federação Internacional de Aviação proíbe com base que os pilotos podem se distrair e inaptos pra voar.”
“O que!?” Os olhos dela flamejaram com a insolência dele.
Os olhos muito mais escuros dele a encararam. Certamente ele tinha a língua colada na bochecha e estava tentando aborrecê-la?
E de qualquer forma, esse piloto está faminto. Ele precisa ser alimentado e descansar antes de voar novamente.” Ele virou a atenção de volta pra Yasmina, deixando Laurel impressionada e em silêncio.
~♥~
“O que você preparou pra gente?”
“Cozido de carneiro com cominho e tomates, Meu Senhor Rafiq.
Pêssego fatiado para acompanhar seu café.”
Yasmina deu uma última olhada na testa dele e pareceu tão satisfeita quanto poderia ficar.
“Ela fez pra gente cozido de carneiro, minha velha enfermeira e babá. Nós não podemos voar e desapontá-la.” Ele sorriu para a expressão indignada de Laurel. “Nós comeremos e então veremos.”
“Nós comeremos e então voaremos,” a garota disse.
“Talvez.” Os olhos dele continuaram a passear pelo corpo dela, parando agora nas mãos pequenas dela com as unhas rosa perolado, depois na garganta pálida dela que tinha tanto o atraído enquanto ela engolia o suco de laranja depois da marcha frenética deles pela areia rodopiante, então para a linha do pescoço desenhada no robe onde seus seios estavam pressionados pelos braços dela segurando o tecido com força.
Ela não tinha sido feita pro gosto de Nazim e Fayez. Ele sabia bem demais qual seria o destino dela se ele não tivesse intervindo.
Ela seria descartável no momento em que as gravações foram completas.
E ele teria que deixá-los tê-la porque muito tempo e planejamento fora gasto na missão, e, tantas outras vidas estavam em risco por conta disso. A cena que a mente dele insistia em
montar gelava o sangue dele. Ela era uma coisinha bonita – macia e jovem, feroz mas não sofisticada. Ela não teria chance.
“Eu não posso jantar vestindo só isso,” ela contestou, olhando pro tecido.
Rafiq tirou seu cérebro de estupro e assassinato para o pequeno problema do robe transparente.
“Yasmina tem poucas roupas e ela ficaria envergonhada se você pegasse qualquer uma delas.”
“Mas... isso não é decente.”
“Pobre Srta. Kiwi. Eu a segurei embaixo de mim nessa tarde por muitos minutos então eu estou bem familiarizado com seu corpo.
Por que você deveria ficar preocupada com isso?”
“Você é nojento!”
“Eu sou realista. Não há outras vestimentas de mulher no local.
Apesar de que...”
Ele empurrou a cadeira, ficando ereto e colocando a toalha no tampo da mesa.
Ele gostava do olhar de surpresa dela enquanto ele puxava a camiseta da cintura das suas calças. Ele desabotoou o botão mais próximo do topo, se moveu pro próximo e pro próximo. Os olhos dele mandaram um desafio malicioso pra ela enquanto ele progredia pra baixo. Como ele esperava, Laurel achou impossível desviar o olhar. Ela engoliu.
Ele viu o pequeno movimento convulsivo e algo deu um chute profundo em seu estômago. Então ele estava a excitando um pouco? Não tanto quanto as curvas compactas dela naquela confecção transparente estavam o afetando!
Ele afastou as partes da camiseta desabotoada e parou, seu torso ainda meio encoberto pelo tecido, mas agora à mostra para ela do pescoço até o umbigo.
~♥~
Laurel engoliu novamente e limpou a garganta. Certamente ele era feito de leite achocolatado, moldado suavemente e grosso? A luz da lamparina brilhou no peito dele, escuro e musculoso e o quente
vestígio de carne tensa embaixo. Ela deixou os olhos dela correrem pelo quadril estreito dele e de volta pro rosto dele.
Meio sorriso acariciava os lábios dele.
Maldito seja. Você sabe que eu estou gostando da vista...
“Sim, você ficaria mais vestida com minha camiseta,” ele disse.
“Está limpa. Eu tomei banho e me troquei antes de voar para cá.”
Ele tirou a vestimenta cor de canela e segurou próximo ao nariz dele.
Ela ficou desapontada ao perceber que a camiseta escondia muito do corpo dele, mas ela ainda tinha a visão de seus ombros largos e o comprimento delicioso dos braços dele em retorno.
Compensação razoável, ela decidiu depois de alguns segundos elétricos.
“Eu acho que seu robe bonito pode ter sido deixado aqui” - ele pontuou a frase com uma pausa cheia de significado - “por uma amiga.” Uma sobrancelha escura tinha arqueado?
Uma namorada! De repente Laurel não podia esperar para se livrar daquilo. Ela agarrou a camiseta laranja dele e saiu correndo pro quarto para trocar.
~♥~
O estômago de Rafiq se contorceu novamente ao ver as nádegas dela parecidas com pêssego por baixo do tecido transparente. Duas mãos cheias. Ou deveria ser mão cheia? O que diabos isso importava, contanto que fossem as mãos dele que estivessem cheias?
Em breve seria bom.
Em breve seria tão bom. A missão de hoje tinha ido bem, mas tinha sido nervosa e fisicamente exaustiva. Ele trabalhou duro com o cérebro e ainda mais duro com o corpo. O perigo de ser descoberto tinha sido constante. O perigo pelo qual Laurel passou foi horrendo.
O corpo dele precisava de alívio.
Ele duvidava que Laurel seria a pessoa a prover esse alívio no humor atual dela. Ela não sabia ainda que ela dormiria no profundo do deserto hoje à noite, e, ele seria aquele que decidiria quando ela poderia ir embora.
Ela ficaria, apesar do tanto que ela queria ir embora. E isso não ajudaria nadinha no humor dela.
~♥~
Laurel encarou-a si mesma no espelho comprido e de moldura ornada. Ele devia saber – claro que sim. O cavalheirismo do porco era até certo ponto. Ela poderia agora estar vestida do pescoço até meia coxa mas o último botão da camisa dele ficava bem no nível da virilha dela. E a roupa dela de baixo ainda não estavam disponíveis, com certeza ainda úmidas e sem poder ser vestida.
Rafiq tinha uma figura esguia e reta, e sua camiseta fora cortada para seguir as linhas do corpo dele. As curvas femininas de Laurel testavam os limites da vestimenta. Ela não estava melhor assim. Ela estava pior assim! Agora ela tinha que agarrar e puxar a camiseta pra baixo em qualquer momento que estivesse na presença dele, e, ser muito cuidadosa ao sentar.
Ela sentiu novamente a mínima fragrância apimentada dele na camiseta. Não exatamente apimentada, mas algo exótico e oriental.
Ela virou o rosto de lado e cheirou o tecido. O balançar aterrorizante da viagem de van voltou ao cérebro dela. Mais uma vez ela sentiu o corpo dele a prendendo e ouviu os comentários rudes e a risadas dos homens no banco da frente. Homens rudes, de vida difícil, todos eles.
Uma bolha de suspeita apareceu no cérebro dela. Por que um terrorista nojento agora estaria vestido numa camiseta assim? Ela correu os dedos pela manga, admirando o tecido suave e bem trabalhado e a costura meticulosa. Mais cedo, a camiseta dele tinha parecido abrasiva enquanto ele estava sobre ela. Mas essa caía bem na sua pele desnuda, mesmo que não estivesse nem de longe a cobrindo suficientemente.
Então ele se achava um homem de estilo?
Acabe com a diversão dele, Laurel, ela murmurou. Ela andou pelo quarto, pensando em como fazer, verificando o armário vazio e as gavetas do criado mundo esculpido, e, achando nada nem um pouco útil.
Mas haviam toalhas no banheiro adjacente. Um banheiro largo e luxuoso. Por que ela não tinha pensado nelas antes? Com grande deleite ela envolveu uma delas ao redor do quadril e colocou a sobra por cima fazendo uma saia instantânea.
Ela rebolou de volta pra grande cozinha, com uma confiança descoberta melhorando bastante o seu humor.
“Um encaixe perfeito,” ela disse. “Obrigada.”
Ela gostou do jeito que Rafiq cerrou os olhos e a olhou. Bem, ela tinha criatividade! Se ele estava esperando ver as pernas desnudas dela e talvez um pouco da bunda debaixo da barra da camiseta dele, ele estava sem sorte. Agora eles estavam envolvidos em uma toalha grossa e ela tinha fechado todos os botões da camisa. Sua única preocupação era que os seios dela talvez estivessem visíveis pelo linho fino.
Ela olhou pra ele enquanto ele sentava de peito nu à mesa, um copo grande de suco de fruta na frente dele. Sua vez de aproveitar a vista. O corpo dele podia estar relaxado e cansado, mas ele ainda era digno de ser inspecionado.
Eu lhe darei um gostinho do mesmo, ela jurou, mandando seus olhos correrem por ele, assim como ele fizera com ela. Ele parecia em forma de lutar. Longas horas na academia? Ou a célula terrorista a que ele pertencia insistia que os homens dela treinassem duro? A sua marcha do deserto parecia uma segunda natureza para ele. Ele mal suou no tempo que a levou para o vale rochoso.
“Como você pode ver agora, estou decente o suficiente para ser voada de volta pra Kalal,” ela disse, sentando e tomando um gole do próprio suco.
“Como você pode ver, eu ainda estou longe de estar pronto pra voar você pra qualquer lugar.”
“Então quando?”
“Depois.”
“Depois do jantar então?”
“Nós veremos.”
“Sim, nós certamente veremos.”
Seus olhos negros tinham sombra de fatiga, mas certamente depois de descansar por um tempo e se alimentar ele estaria bem?
“Fique quieta, Srta. Kiwi,” ele murmurou.
Ela continuou a sua inspeção agradável do corpo dele.
Ele tinha cicatrizes! Um pequeno calombo em um ombro. Longas linhas riscadas no braço esquerdo dele. Quanto mais ela olhava, mais cicatrizes achava. Um pedaço de pele enxertado no lado da garganta dele. Bem curados, mas arranhados definidos sobre o peito dele. Era por isso que ele só tinha aberto parcialmente a camiseta e então segurou para manter seu corpo coberto enquanto ele pretendia cheirar? Ele estava envergonhado da sua aparência?
Bem, ele não precisava se preocupar em sua relutante opinião.
Se ele fosse mais peludo, muitas das cicatrizes ficariam escondidos.
Mas ele era maravilhosamente liso e parecia flexível. Apenas um mínimo de cabelo preto grosso aparecia no meio da sua barriga lisa e desaparecia calça abaixo.
Repentinamente, ela queria tratá-lo como se fosse uma das crianças, e, passar os dedos pela pele amarronzada dele para acalmar as feridas que deviam ter causado a ele dor inimaginável.
Quão absurdo! Mas quando e como ele tinha sido tão machucado?
“Aquilo era uma bala?” ela perguntou, tentando esconder a preocupação, apontando pro calombo no ombro dele.
Ele suspirou e se esticou.
“Essa aqui, sim.”
Ela sabia que os olhos dela deviam estar arregalados de choque.
“E as outras?”
“Não.”
“Então como você ficou tão machucado?”
“Como você viu hoje, eu levo uma vida ativa.”
“Bem são muitos machucados para você ganhar do seu trabalho.”
“Teria sido – sim.” O rosto dele se fechou e ele virou de lado para evitar o questionamento dela. Laurel fumaçou com a insolência dele.
“Yasmina,” ele chamou, indicando que ele estava pronto pra comer.
Instantaneamente a babá obediente chegou com jogos americanos e pratos de jantar, seguido de uma caçarola de um cozido cheirando a tempero. Então ela trouxe um prato com arroz e nozes, e, uma salada verde que Laurel logo descobriu ter um sabor