Vinte minutos se passaram. Laurel nunca tinha se sentido mais acordada. Enquanto ela estava deitada ali ao lado dele, cada sentido tornou-se aprimorado. O tecido macio da velha cama cheirava a lavanda. Frondosas folhas balançavam com a brisa, soando muito perto da janela do quarto. O brilho da luz lá fora, algumas vezes, parecia diminuir quando as nuvens passavam na frente da lua mas ela podia sempre ver a silhueta escura de Rafiq no tecido pálido e ouvir o respirar silencioso dele. Para o grande alívio dela, ele manteve a palavra sobre não se aproximar dela.
Ela nunca tinha dividido a cama com um homem antes. Isso era um novo território. Não que isso fosse ‘dividir uma cama’ em qualquer sentido aceitável. Ela estava sendo mantida cativa. Contra a vontade. Por um homem que tinha feito coisas terríveis com ela há poucas horas.
Coisas terríveis como tratá-la gentilmente. Ajudá-la a escapar.
Providenciar algo para beber e direções para segurança.
Os pensamentos correram pela cabeça dela como moscas varejeiras em uma garrafa e ela achava difícil manter o ressentimento dela em direção ao homem que – talvez – agira mais cavalheiresco em direção a ela do que qualquer outra pessoa em sua vida.
Mas na verdade, que posição ridícula ele tinha colocado-a.
Insistindo que ela dividisse a cama dele. Amarrando-a como se ela não fosse de confiança. Deitar ao lado dela na escuridão pulsante e não notando-a.
Ela se encolheu com a última ideia estranha que tinha surgido no cérebro dela.
Claro que ela queria que ele a deixasse em paz! Mas apesar dele ter deixado o corpo dela em paz, a mente dela era outro assunto. Ali ele continuou a se intrometer de forma revoltante, e, Laurel tinha uma suspeita furtiva que isso era mais culpa dela do que dele.
Mesmo sem tocá-lo, a pele dela detectava o calor dele fluindo em direção a ela. E ele não tinha adormecido também; a respiração dele soava profunda e regular, mas de alguma forma não profunda e regular o bastante para ela se certificar que ele tinha dormido. Ele não estava nem roncando ou fazendo o mínimo de som – só deitado ali respirando.
Colônia picante vinha da pele dele e do cabelo escuro. Algumas vezes superava o cheiro de lavanda esvanecido dos lençóis. Ela odiou o cheiro dele na van, mas talvez o cheiro dele estivesse de tal forma atrelado àquela situação aterrorizante, ao saco, às algemas, ao corpo dele forte e dominante, que nada teria cheirado bem naquele momento. Agora ela achava que era exótico e certo para ele.
Apesar de que, ela tinha que se relembrar novamente, que ele ainda era um terrorista nojento que tinha sequestrado mulheres e mantido-as em cárcere privado contra a vontade delas. Ela não estava nem um pouco atraída a ele. Claro que ela não estava.
Como ela poderia ter pensamentos tão ridículos?
O quarto escuro era bem iluminado pela luz da lua, uma vez que os olhos dela se acostumaram com a noite. Era um quarto duro, aterrorizante e masculino. Quem queria armas e facas nas paredes dos quartos? As silhuetas vagas das mais altas eram visíveis onde ele as tinha deixado. Tão vísivel quanto à silhueta dele no travesseiro branco se ela virasse a cabeça novamente. Ela suspirou e rolou; sim – ali estava ele.
“Acordada, Srta. Kiwi?” A voz dele correu por ela como uma carícia rude na escuridão íntima.
“Surpreso?”
“Relaxe e durma, Laurel. Depois do que você passou hoje você precisa descansar e se recuperar.”
“Foi você que me fez passar por isso.” Ela suspirou com uma profunda raiva. “Você realmente acha que que posso só esquecer uma experiência dessa?”
“Fayez identificou a mulher errada.”
Laurel bufou em um som agudo de desaprovação. “E mesmo assim. Pobre Maddie teria fico horrorizada. Ela mal tem dezoito.
Ainda mora em casa.”
“E você é tão mais velha?”
Ela ouviu a provocação na voz dele, mas escolheu ignorá-la.
“Vinte e três. E eu tive que ser mais independente do que ela.”
“Você saiu de casa cedo?”
Sair de casa? Onde era casa...?
“Minha mãe morreu quando eu tinha cinco,” ela disse, ainda sentindo a dor que aquelas palavras sempre traziam. “Ela não era casada então eu me tornei uma criança adotiva. Mudei de casa várias vezes. Você fica mais duro depois de situações como essa.”
“Sim...”
Sua voz continha tristeza, e, ela percebeu que ele, também, tinha perdido a casa e a família dele. Mas por que ela deveria simpatizar? Ele a mantinha aqui contra a vontade dela. Ele não tinha o direito – não importava o quanto ele relembrasse a ela que a vida dela corria perigo e que a segurança de outras pessoas dependia dela se manter fora de vista. Ele tinha dado a ela pouquíssimos detalhes preciosos sobre o motivo.
“Então quem te educou?” ele perguntou, invadindo os pensamentos fraturados dela.
“Eu não fui educada, eu fui arrastada,” ela murmurou. “Pra casa de outras pessoas, pagas pelo Governo. Recebi comida e roupas.
Fui mandada pra escola.” Ela silenciou e levou algum tempo para falar novamente. “Eu acho que minha mãe estava doente. Eu tenho memórias dela estar bastante tempo na cama. E no hospital antes dela morrer.”
“E o seu pai? De Courcey soa como um nome francês?”
“Ele era marinheiro, ou assim ela disse. Talvez já casado com outra pessoa. Talvez ele nunca tenha existido. É só o nome na minha certidão de nascimento.” Ela virou ligeiramente pra ele. “Eu não lembro do meu pai. Ela talvez tenha o criado – ela não parecia ter uma família, por assim dizer.”
Laurel ainda lembrava a vergonha disso na escola. Sem parentes ‘reais’ para comparecer nos dias esportivos ou nas noites de prêmios do final do ano. Sem Vovó ou Vovô pra ir visitar aos finais de semana e falar sobre eles com os amigos da escola nas segundas.
Ela se mexeu intrepidamente e sentiu um leve puxar na cinta que os juntava.
“Desculpe,” ela disse. “De qualquer forma, eu passe muito tempo no último abrigo. Sr. e Sra. Gorridge. É por isso que eu não suporto ser trancada. Eles me trancavam o tempo todo.”
~♥~
Rafiq ouviu o tremor na voz dela. Fúria? Dor? Ele se achou querendo bastante envolvê-la nos braços dele novamente e confortá-la, mas na intimidade da cama dele, isso não era mais possível. No chão, com ela aos prantos, parecia permitido – de fato, necessário. Mas agora? Nem ferrando!
“E ninguém veio te resgatar?”
“Foi para o meu próprio bem. Ninguém sabia além deles.”
“Trancada por quê? O que você tinha feito?”
“Nada. Crescido. Ficado um pouco bonita, eu suponho. Eles me trancavam por causa do filho deles, Gary.” Ela se moveu agitada e novamente a cinta puxou apertada entre os pulsos deles. “Eu tinha catorze. Não muito confiante.”
Uma onda de proteção correu por ele, afogando qualquer outra emoção. “E o filho fez o que exatamente para que você merecesse isso?” ele perguntou, lutando para manter a voz dele calma.
“Ele era grande. Sr. Gorridge era grande, também. Grande e gordo.”
Rafiq sentiu ela tremer, o colchão balançou.
“Gary estava fora de controle,” ela adicionou alguns segundos depois, já que aparentemente ela tinha reunido coragem novamente. “Cheio de hormônios adolescentes em fúria. Queria transar. Queria transar o tempo todo, comigo. Então eles me trancaram para me manter a salvo.”
Rafiq ficou em silêncio por longos momentos enquanto lutava com a revolta dele.
“Eles deveriam ter trancado a ele,” ele finalmente disse.
“Eles o fizeram. Ele destruiu a porta do quarto dele. Duas vezes.
Eles não podiam deixar isso acontecer o tempo todo. Eu podia entender isso. Então me trancar era a segunda melhor opção.”
“Não pra você.”
“Não,” ela concordou com um fio de voz.
“Todo dia?”
“Na maioria. A não ser que ele tivesse treino.”
Rafiq praguejou baixinho.
“Mas o que era pior...” ela adicionou depois de um silêncio vibrante. “Ele costumava... bater na minha janela enquanto eu estava trancada. Muitas vezes. E eu tinha que olhar pela janela para fazê-lo parar de bater porque deixava Sra. Gorridge furiosa se ela ouvisse ele bater e bater.”
Ela se virou, obviamente envergonhada, mesmo que Rafiq soubesse muito bem que a vergonha não devia ser dela.
“E quando eu olhava pra fora, ele estaria... tocando-se,” ela concluiu em um murmúrio estrangulado. “A ‘coisa’ dele era enorme, vermelha e feia. Então você sabe...”
A voz dela era um mero sussurro agora. A voz de uma criança amedrontada. “Quando você me segurou nessa tarde, trouxe memórias a tona. Estar indefesa e com medo. Estar em um pesadelo que se repetia várias vezes. Eu odiava ter que assisti-lo, mas se eu não o fizesse ele ficaria batendo na janela e eu temia que o vidro quebrasse e que a mãe dele me culpasse por isso, assim como o fez com a porta quebrada.”
Ela suspirou e ele ouviu o peso de uma grande tristeza nesse som suave.
“O pensamento de ficar trancada novamente hoje à noite foi demais para suportar,” ela adicionou. “Desculpe se perdi o controle.”
Ele esticou-se e achou a mão dela. Envolveu os dedos dele ao redor dos dela em um gesto de amizade. E imaginou o que ele poderia fazer para corrigir isso.
~♥~
Os pequenos movimentos estavam acontecendo há algum tempo.
Ele acordou instantaneamente e ficou parado ali, alerta e pronto pra ação, mas ele estava sendo cuidadoso para não transparecer. Ele manteve os olhos fechados ao máximo para o caso de Laurel ver o brilho na escuridão.
Ele assistiu enquanto ela lentamente se sentava. Com grande precaução ela empurrou a coberta e levantou-se da cama.
Ele se lançou em direção a ela como um míssil teleguiado direto pra uma fogueira, puxando-a de volta enquanto ela gritava de terror.
“Onde diabos você acha que vai, Srta. Kiwi?”
Ele esticou um braço de lado e ligou o abajur. A cinta pendia do pulso dela mas não mais do de Laurel.
Ela estava deitada ofegando embaixo dele, seios subindo, olhos arregalado e em pânico.
“Para o banheiro,” ela arfou. “Eu não quis lhe acordar, mas eu devo ter tido suco demais no jantar. Deixe-me levantar ou você vai se arrepender.”
Os olhos dele perfuraram os dela, tentando perceber as reais intenções dela. Ela estava inventando isso? Relutantemente, ele se moveu pro lado, deixando-a sair mais ainda tendo bastante suspeitas dela.
Ela levantou com um olhar de dignidade ferida e andou até o banheiro. Os olhos dele seguiram as pernas magras dela subindo até a barra dos shorts pretos de seda dele.
Ela voltou pro lado dele um pouco depois.
“É melhor você me amarrar novamente,” ela disse, mostrando a ponta da cinta.
“Você se livrou facilmente da última vez.”
“Sim, me livrei,” ela disse, dando um sorrido pra ele que não parecia nem um pouco contrito. “Mas você não confia em mim, Rafiq. Amarre-me novamente, por favor.”
~♥~
Isso funcionaria? Ela estava certa de que tinha a simpatia dele depois de contar sobre Gary. Ele segurara a mão dela com tanto amor e carinho na hora. E de alguma forma ela não se sentia mais tão assustada. Agora ela estava animada por ouvi-lo dizer, “Não, Laurel, estou certo de que não há necessidade. Foi uma ideia estúpida.”
Ela se esticou e bocejou, secretamente gostando do jeito que os olhos deles focaram direto no tecido teso da camiseta dele que
delineava os seios dela. “Foi isso o que eu pensei pra começo de conversa, mas você foi todo machão pra cima de mim.” Ela fez um pequeno show ao checar o relógio “Só 1:45? É uma longa noite, não é mesmo...”
Ela se encolheu apenas um centímetro mais perto dele. Ela abriu os botões de cima da camiseta no banheiro e imaginou se ele havia notado. Ela precisava distrai-lo, de alguma forma fazê-lo abaixar a guarda. Ele continuava a olhar os seios dela durante o jantar. Talvez um pouco de pele fosse o preço que ela teria que pagar para distrair a atenção dele. Ela certamente não tinha nada mais com o que barganhar, e ele não tinha apagado o abajur ainda.
Mais uma vez ela deitara ali fingindo obediência. Ele estava sendo um porco com boas maneiras, ela tinha que admitir, mas de jeito nenhum ela estava disposta a ser mantida prisioneira dessa forma. Como ela se libertaria?
“Conte-me sobre seus pais e seus irmãos,” ela pediu. “A não ser que seja muito doloroso, claro.” Ela esperou, imaginando se ele o faria.
Rafiq não respondeu imediatamente, mas depois de um minuto ou dois ele suspirou e disse, “Faz muito tempo, Laurel. O tempo não cura, mas, pelo menos ameniza.”
“Hmmm.” Não tinha amenizado as memórias dela do Gary nojento, se mostrando tão perto da janela do quarto dela.
“Meu pai era um bom homem,” ele continuou. “Firme mas justo.
Al Sounam prosperou debaixo do reinado dele. Os campos de óleo eram produtivos, nós tínhamos excelentes contratos com América e Grã Bretanha, e, havia comida para todos.”
“E sua mãe?”
“Linda. Muito amada. Eu te mostrarei a fotografia dela. Você deve ver toda nossa família, o jeito que costumávamos ser.”
“Você também?”
“Claro. Mas você não me reconhecerá.”
“Você tinha dezessete – bem crescidinho. Claro que reconhecerei você.”
“Eu fui reconstruído,” ele murmurou. “Ninguém me reconheceria.
É por isso que eu posso fazer o trabalho que eu escolhi. Ninguém sabe que eu sou o filho do rei, exceto uns poucos seletos. Dois
médicos. Meu tio – que é o irmão gêmeo do meu pai. A esposa dele.
Yasmina, claro. E alguns homens de alta posição no Serviço Secreto.”
“E eu.”
“Sim – suponho que eu tenho que matar você agora.” Ele se lançou nela na cama, rindo e mordiscando o pescoço dela.
Laurel jogou a mão para afastá-lo, com medo da proximidade impensada dele e conectou coc a grande chave no bolso da calça dele. Tinha deslizado pra trás; quase caiu no lençol entre eles. Se ele se movesse um pouco mais...?
“Você não me mataria. Você me resgatou,” ela disse, tentando manter a voz dela neutra. Mesmo que ela fosse super desconfiada dos homens e do que eles podiam fazer com ela, ela começou a se sentir segura com Rafiq depois que várias horas tinham passado sem nenhum ataque sexual. Mas o medo era tão intrínseco a ela que ela duvidava conseguir baixar a guarda completamente, mesmo que ela quisesse.
“Verdade, Laurel. Eu não estava certo de que eu conseguiria lhe resgatar, mas as coisas correram bem.” Ele colocou um braço ao redor dela. Depois de se encolher um pouco, ela conseguiu relaxar no peito quente dele.
“Não foi sábio da minha parte te contar quem sou realmente. Eu preciso da sua promessa de segredo. Apesar de que eu acho que ninguém acreditaria em ti, se você alegasse me conhecer. Eu não existo mais oficialmente.”
“Todo mundo acha que você está morto?”
“Eu quase estive. A mínima faísca de vida. Eu tinha uma sorte incrível com meus médicos. Incrivelmente sortudo com o acidente, suponho. Eu fui o único jogado pra fora pela explosão antes da escolta bater no carro do meu pai. Todos os outros queimaram.” A voz dele estava longe de estar firme. Ele apertou o braço ao redor dela, suspirou novamente e caiu em silêncio.
“Então você era o Rei?”
“Tristemente, não, Laurel. Então eu era um paciente, que não era esperado viver. Ou se eu vivesse, não era pra funcionar.
Trabalharam em mim por quase dois anos. Haviam ossos para serem refeitos e recolocados no lugar, carne remodelada, meu rosto
reconfigurado novamente. Houve uma fisio interminável, odontologia esperta, enxertos de pele e muitas operações subsequentes. Mas eu era jovem e forte.”
“E muito determinado.”
“Como você diz, Laurel. Eu sempre fui um menino determinado.
Afinal de contas, eu tinha sido educado e treinado para governar.”
“Então por que você ainda não é rei?”
Ele riu com isso. “Você acha que meu tio roubou meu direito hereditário? Tem herança bastante por aí. Aquela pequena caixa incrustada de esmeraldas que você estava admirando pode comprar um apartamento razoável na cidade.”
“Então seu tio é o Rei agora?”
“Ele era o herdeiro depois dos filhos do meu pai. Ele mesmo teria sido o Rei se meu pai não tivesse dado um chute nele enquanto eles estavam juntos no útero da minha avó e feito ele chegar depois – ou ele alega.”
Ela deixou uma pequena gargalhada sair ao ouvir isso.
“Meu tio é um homem esperto,” ele continuou. “Havia pouca certeza sobre eu me juntar novamente à raça humana então ele disse que eu tinha morrido com os outros. Você pode imaginar os problemas constitucionais se a nação descobrisse que eles ainda tinham um herdeiro legal que era um imbecil babador?”
“Difícil, suponho.”
“Impossível.”
“Mas você não se importou?”
“Eu não estava em um estado de objetar. E uma vez que eu estava no caminho da recuperação, eu pude ver o sentido da decisão dele.”
Laurel moveu-se incansavelmente nele, virando ligeiramente nos braços dele. “Suas cicatrizes são visíveis se eu olhar de perto,” ela disse. “Mas você está em uma forma incrível para um homem que passou por tanta coisa.” Ela levantou a mão e acariciou o peito dele.
À luz quente do abajur ele brilhava músculos tensos – duramente polidos e fortes. Ela tracejou uma longa cicatriz até o mamilo dele, irradiante ao sentir a pele dele.
“Beringela,” ela disse. “A cor certa para descrever esse pedaço.
Que contraste com meus dedos pastéis.” Ela arranhou pra frente e
pra trás o pequeno monte, assistindo fascinada como a carne dele excitou-se e se levantou em um pequeno monte.
“Seus dedos de marfim,” ele a corrigiu em uma voz apertada. Ele olhou o relógio e retirou o braço do ombro dela. “É quase duas, Laurel. Ambos precisamos dormir. De jeito nenhum eu te amarrarei novamente.” Ele desligou a luz.
Ela sorriu na escuridão com seu triunfo secreto. Estágio um tinha sido alcançado.