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Capítulo Quinze – Erva Daninha do Lago

Isso não foi nenhum acidente. Isso tinha sido encapado e escondido – provavelmente logo antes dele carregar a bagagem deles para o elevador. Ele trouxe tudo desde a velha sala majestosa e manteve longe das vistas até que ele pudesse colocar na bolsa dela.

Os joelhos dela perderam força e ela sentou bem de repente na cama.

Oh, Rafiq, ela lamentou. Você me deu essa coisa linda e eu não tenho nada para você.

Ela virou nas mãos. O ouro era frio ao toque e as esmeraldas brilharam como a luz do sol na aguá salgada profunda. Haviam dúzias de pedras incríveis ao redor da caixa em fileiras bem próximas. No centro da tampa redonda uma joia enorme repousava brilhando em uma almofada num formato de coração dourado, e ao redor dela mais esmeraldas enfileiradas em círculos concêntricos.

Como um totem de amor era sublime.

Ela não tinha ideia de que estava chorando até a primeira lágrima enorme cair sobre a ponta da pedra central. Com uma pequena exclamação de espanto ela enxugou com o dedo, então levantou a tampa para secá-la na camiseta.

Dentro da caixa inestimável ela encontrou um pequeno montinho de papel, dobrado sobre si mesmo. Ela pegou-o, desamassou-o e leu as palavras dele com um coração dolorido.

O tempo e as circunstâncias eram erradas, Azizah, mas nunca duvide que você e eu éramos certos. Sempre, Rafiq.

E por debaixo havia outra linha no mesmo curioso roteiro cursivo que ele usara para o bilhete de Yasmina.

Ela encarou-o até que o cérebro dela absorveu as palavras dele.

Você e eu éramos certos.

Ela respirou tremulamente. Ela sabia que eles eram certo com cada fibra do ser dela, mas, sim, o tempo tinha sido atroz e as circunstâncias impossíveis.

Ela deixou o fôlego sair em um sussurro desesperançoso, redobrou o bilhete bem precisamente, colocou de volta na caixa, colocou a tampa novamente e empurrou para debaixo do travesseiro dela.

Então ela enterrou o rosto no objeto preenchido de penas suaves e uivou como um animal ferido, esperado que isso fosse absorve barulho suficiente para que não perturbasse Ash.

Sofrimento rolou sobre ela em enormes ondas envolventes enquanto ela estava deitada de bruços, soluçando. Ela tirou a peruca brilhante e jogou pro outro lado do quarto, tirou os sapatos bonitos e os deixou cair com dois baques no carpete e chutou o colchão como uma criança de dois anos de idade tendo um chilique.

Quando ela finalmente se acalmou em pequenos soluços ela se sentiu totalmente esgotada e nenhum pouco melhor.

Os dedos dela entraram embaixo do travesseiro e acharam a caixa de esmeralda novamente. Ela correu os dedos sobre as joias irregulares e pelas bordas douradas suaves.

Ele tinha tocado isso. As mãos dele tinham envolvido e colocado no papel de presente e escondido dela, até que ela achasse quando estivesse bem longe dele. Abruptamente ela se sentou e correu para as boxers de seda. Elas cheirariam como ele? Haveria traços de colônia apimentada nelas?

Não – por mais que ela cheirasse ela só conseguia detectar detergente e tecido fresco. Mas elas não eram novas em folha.

Deviam ter acariciado o corpo dele.

O quão absurdo era ela preferir um par de suas cuecas velhas que uma caixa tão preciosa que quase não se podia colocar um preço!

Mas o melhor de tudo foi o bilhete dele. Ela retirou e desdobrou de novo. A escrita era tão forte e livre como ele – uma escrita arrogante sem floreios chiques ou tentativas de embelezamento.

Ele estava machucado quando escreveu isso? Será que ele estava se sentindo perto do quão devastada ela estava? Ela correu o dedo sobre as palavras maravilhosas, sabendo muito bem que o batimento cardíaco dela acelerara conforme o fazia.

Você e eu éramos certos. Ele chamou-a de ‘Azizah’ - preciosa.

Isso teria que consolá-la por todos os longos dias e noites mais

longas ainda, que tinha pela frente.

Ela colocou a caixa novamente por debaixo do travesseiro e calçou os sapatos. Do outro lado do corredor no banheiro à moda antiga ela jogou água gelada sobre os olhos que queimava e escovou um pouco o cabelo. Então ela saiu para se juntar à Ash.

“Você tem fotos da minha mãe e avó?” ela perguntou depois que ele colocara uma xícara de chá para ela.

Ele produziu vários álbuns da estante da sala e os colocou sobre a mesa de jantar. Laurel começou a procurar pelo seu passado desconhecido enquanto seu avó pegou dois jantares congelados de uma pilha no freezer e os colocou para aquecer no micro-ondas.

Ele puxou a cadeira ao lado dela e apontou para uma das fotos mais velhas. “Marion, grávida da sua mãe, Deborah,” ele disse. “A única criança com que fomos abençoados. É por isso que chamamos o haras ‘Trindade’. Para nós três.”

“Então não tenho nem tios nem tias?”

Ash sacudiu a cabeça. “Tio-avô – olhe, aqui meu irmão Bruce.

Seu tio-avô Bruce e a esposa dele Helen. E os gêmeos Stephanie e Peter, quando eles eram pequenos. Steph tem uma filha da sua idade – Angela. O que isso faz dela? Algum tipo de prima? Você a achará em um dos álbuns mais novos.”

“E essa é a minha mãe?”

“Essa é a sua mãe.”

Juntos eles viram a garotinha loira segurando uma boneca preciosa.

Ele virou as páginas, nomeando pessoas e lugares, falando sobre o progresso de Deborah pela escola, gincanas e seu primeiro baile. “Ela tinha dezessete anos aí,” ele disse. “Esse vestido ainda está pendurado no fundo do armário da Marion.”

Laurel tocou a foto com o dedo. “Eu sou absolutamente ela novamente, não sou? Não é de imaginar que você me reconheceu na TV.”

“Ela fugiu logo depois que essa foto foi tirada,” ele disse.

“Ela fugiu por causa de mim, suponho? Porque ficou grávida?”

“Ela fugiu por causa de um homem casado,” Ash corrigiu.

“Anthony de Courcey. Ele era da equipe aqui em Trindade. Ele de alguma forma levou-a até Sydney e então eles desapareceram. “

“Eu não lembro dele. Nada sobre ele, na verdade. Talvez eles não ficaram juntos por muito tempo?”

“Apenas pelo percurso,” Ash disse. “Ele era um encantador mulherengo. Ela não podia ver isso, jovem e teimosa como era. Nós temos que assumir que ela descobriu do jeito difícil. Você não o achará aqui,” Ash adicionou depois.

Ele se levantou da cadeira e se ocupou do jantar para disfarças as emoções. Laurel continuou a virar as páginas do álbum, perdida no passado.

“É disso que você está vivendo?” ela perguntou enquanto ele colocava um jantar empratado na frente dela. “Eu adoraria cozinhar para você. Na verdade eu posso fazer todo tipo de coisa doméstica e ficar fora da suas vistas por um tempo. Isso seria bom?”

“Eu estive cuidando de mim muito bem,” Ash disse, vibrando um pouco. “Eu tenho uma faxineira uma vez por semana. Eu não estou vivendo na miséria.”

“Não, claro que não, mas eu nunca brinquei de casinha.”

Ele viu o desejo nos olhos dela. “Faça qualquer coisa que você quiser então. Deixe-me saber se vai precisar de muito dinheiro porque Trindade gasta um pouco – e agora eu tenho você para deixar uma herança então é melhor eu começar a manutenção.”

E então ela cozinhou, limpou e poliu, fazendo um trabalho consideravelmente melhor do que a mulher anterior. Mudou a mobília, tapetes e fotos de lugar na sala principal. E recolheu um monte de folhas e flores velhas para os vasos quando a equipe estava fora à noite.

Ash levou-a para andar à cavalo, também – em uma égua branca que ele comprara alguns dias depois dela chegar em Trindade. Laurel renomeou ela Yasmina.

Quatro semanas depois que ela chegara recebeu uma ligação de Barry.

“Aquele Árabe louco me pediu para arranjar uma segunda entrevista na TV,” ele uivou.

“Você tem o endereço dele?” ela demandou, quase doente de ansiedade.

“Nah, ele me ligou no escritório. Disse para dizer a você que sua memória está voltando. Que nós deveríamos fazer um pequeno

segmento para mostrar que você está em casa segura e não se lembra de nada. Ou não muito. Que tal quinta de manhã?”

“Ele disse mais alguma coisa?”

Oh por favor, por favor deixe ter uma mensagem?

“Seus malvadinhos estão mortos e os cavalos estão bem.”

Ela fechou os olhos com força. “Ele foi bem sucedido então.

Graças a Deus por isso.”

Ela viu os pássaros brancos voando pelo deserto na primeira vez que ela levou Azizah até o lago. Os espíritos dela voaram com eles.

Ele está vivo. Ele ainda está seguro.

~♥~

Era como ser solta de uma prisão. Por mais que ela odiasse a atenção, ela tropeçou pela entrevista com Barry, dizendo que ela podia lembrar de vagar pelo interior desértico, sentindo-se intensamente sedenta, tendo arranhões nos pulsos – presumivelmente por estar amarrada. Ela mostrou suas mãos agora intactas para a câmera.

... “Eu só quero viver quietamente e nunca realmente relembrar do que aconteceu.”

... “É incrível saber que eu tenho um avô inesperado. Foi tão bom voltar para casa com ele. Nós conversamos por todo caminho.”

... “Sim, eu assisti aquelas filmagens de mim incontavelmente mas não consigo lembrar aquele cômodo ou aqueles homens.”

“Mágica,” Barry disse, piscando.

Ela educadamente declinou qualquer outra entrevista de revistas ou estações de rádio e emergiu do esconderijo para tomar seu lugar de direito no haras. Viver tão dentro do interior em uma grande propriedade privada tinha suas vantagens. A mídia eventualmente perdeu o interesse.

Ash tinha arranjado para que a estrada grande fosse reasfaltada, e, Laurel fez seu projeto pessoal pintar todo o cercado próximo à casa e ajeitar os jardins. Aos pouquinhos, Trindade parecia amada novamente.

Enquanto ela estava limpando um arbusto velho logo após o Natal, uma longa limusine preta entrou na estrada e jogou um

homem de compleição escura em uma vestimenta árabe tradicional.

Laurel se levantou de seus joelhos sujos sem acreditar. Era ele?

Mas não – esse homem era mais baixo, mirrado demais, obviamente acostumado a ser adulado. Ela afundou de volta no gramado, coração batendo rápido.

Naquela noite ela sonhou com o deserto, o lago e a primeira vez que Rafiq a tinha tomado em seus braços para realmente transar.

Ela acordou pulsando, soluçando e sozinha – ligando a luz da cabeceira para que ela pudesse mais uma vez ler o pequeno bilhete na caixa de esmeralda da Rainha para convencer a si mesma que ele fora real.

No café da manhã da manhã seguinte ela disse, “Eu vi alguém que me lembrou Rafiq ontem.”

Ash deu um olhar interessado nela. “Xeique Ahmed? Ele é muito interessado nos cavalos dele. Eu colocarei os meus contra qualquer um do Oriente Médio. Ele gosta de checar os puros sangues que temos para as vendas anuais.”

“Foi só a vestimenta branca,” ela murmurou. “Eles não eram nem um pouco parecidos.” Ela mordeu o lábio e encarou desatenta a janela.

“Você, sem dúvidas, verá mais alguns dos nossos clientes da mesma parte do mundo. Não fique muito esperançosa, garota querida.”

“Não,” ela concordou vagamente.

Ele esticou a mão pela mesa ensolarada e colocou uma mão sobre a dela. Ela temeu que sua dor e desejo estivessem óbvios desde que eles deixaram Al Sounam.

Ash estivera certo com suas previsões. Mais duas vezes nas semanas seguintes, homens do Oriente Médio chegaram para falar com Don Charleston, o gerente do haras; usar os olhos experientes sobre éguas com Libby Westmore; para conduzir longas discussões sobre linhagens sanguíneas com Ash.

Ambas as vezes o coração de Laurel agarrou-se às costelas até ela estar próxima o bastante para ver que não era Rafiq.

No último dia de Fevereiro – um dia bem quente com nuvens tempestuosas se formando – ela andou descalça no grande lago de

lírios, puxando folhas apodrecidas, cortando juncos crescidos demais e hastes limosas de velhos lírios.

De repente um ronco pulsante preencheu o ar úmido, e uma moto Ducati subiu a longa rodovia, lentamente e então acelerou pelo gramado até onde ela estava trabalhando.

Ela ficou de pé e tirou o cabelo dos olhos com uma mão pingando.

O motorista balançou uma longa perna sobre o assento, chutou o pedal e descansou a moto sobre ele. Ele se deu ao trabalho de remover a jaqueta de couro preta e o capacete, então andou os poucos passos em direção ao lago.

Ele estendeu os braços para ela. “Você vai sair ou eu vou entrar?” ele desafiou.

“Rafiq?” ela sussurrou.

Depois de um choque de um ou dois segundos ela correu pela água, amassando as plantas e assustados peixinhos sonolentos.

“Rafeeeek!” Encharcada e nojenta, ela se jogou no abraço dele.

Ele a segurou bem perto, puxando a cabeça dela para debaixo do queixo dele, ajeitando o cabelo embaraçado dela e beijando onde podia.

Laurel pressionou o rosto contra o peito duro dele e inalou o cheiro amado dele. “Eu cheiro a pântano,” ela disse.

“Um cumprimento memorável,” ele disse gravemente. “Eu levarei como um tesouro para sempre.”

Ele ergueu a face perplexa dela e a beijou – suave ao começar e então com paixão irrestrita.

“Nós tivemos,” ela arfou entre beijos “todos aqueles homens árabes e cada vez eu esperava que fosse você.”

“Todos aqueles homens árabes?” ele grunhiu, puxando-a pra mais perto. “O que você fez com eles?”

“Nada, porque eles não eram.”

“Não eram o que?”

“Não eram você.”

“Esse sou eu,” ele murmurou na boca dela.

“Sim, eu sei,” ela disse, se afastando dele e absorvendo a visão do amante glorioso que ela não esperava ver novamente. “Você

tirou um pouco da sua barba,” ela adicionou, correndo as mãos pelo rosto dele.

“Eu sou um homem novo, um homem diferente.”

“Beije-me um pouco mais e eu pensarei no que dizer a seguir.”

Ela passou os dedos novamente sobre a barba negra sexy e arrepiou o cabelo dele onde o capacete havia amassado.

Rafiq sorriu para ela. “Beijar você um pouco mais?” ele provocou. “Dessa forma?”

O tempo passou em um êxtase quente molhado enquanto lábios e línguas se encontravam, se abriam, se acariciavam e deslizavam entre si.

Finalmente, com esse primeiro apetite feroz domado, eles se afastaram, sem fôlego.

“Venha se sentar,” ele disse, indicando o banco velho coberto de limo debaixo da árvore mais próxima. “Há coisas que eu preciso saber. Como está Ash? Você está bem? Você está feliz?”

Depois de uma breve pausa – “você tem um novo namorado?”

Laurel não pôde deixar de sorrir. Ele atravessa metade do mundo para vê-la. Ele estava seguro, vivo e ainda mais lindo do que ela se lembrava. Ela se juntou mais a ele no banco.

“Ash está bem,” ela disse, mexendo a cabeça. ‘Estou bem – apesar de não parecer muito ótima nesse exato momento.” Ela pegou uma erva daninha do lago que estava na perna nua dela.

“Sim, estou feliz. Eu tenho uma casa e afinal uma família. Eu sou útil aqui e isso é bom. Qual foi a última pergunta?” Ela virou os olhos azuis bem inocentes para ele.

“Você sabe muito bem qual foi, sua diabinha! Tem mais alguém?”

Os olhos dele fuzilaram os dela. “Porque se tiver, eu terei que matá-lo,” ele adicionou. “Estrangulá-lo.” Ele colocou as mãos gentilmente ao redor dela. “Atirar nele.” Ele levantou uma mão mais alto e imitou uma arma atirando entre os olhos dela com dois dedos. “Envenená-lo, atropelá-lo com minha nova e esplêndida máquina...”

Laurel olhou pra ele com tal intensidade que ele perdeu o fio da meada. “Beijá-la até a morte,” ele adicionou roucamente, uma vez mais deflorando aquela boca disposta.

Cada parte dela se rebelou arrebatada. Os lóbulos dela pinicaram, seus lábios pareciam inchados e famintos, e a pele dele

pegava fogo onde quer que ele a tocasse. Os seios dela ficaram pesados e quentes, e o íntimo dela se contorceu e pulsou como se ele já estivesse dando prazer a ela.

“Ninguém... mais,” ela disse entre beijos. “Eu levaria... mais que três meses... para me recuperar de você.”

Ele riu e deixou ela se acomodar de volta no banco. Eles sentaram de mãos dadas por alguns momentos silenciosos.

“Eu gosto da sua moto,” Laurel disse, de repente notando o que estava faltando. “Mas onde está sua bagagem? Eu suponho que você tenha alguma?”

“Eu deixei em Auckland na loja de motos. Eles me prometeram que o carregador as trará aqui hoje à noite.”

“Então você comprou esse monstro perigoso apenas para vir à Trindade?”

“Pareceu o jeito mais rápido para chegar.”

“Você não tem jeito,” ela disse. “Você não é normal. Por que não contratou um carro?”

“Porque eu não ando em Muzaffar há muito tempo. Eu sinto falta da velocidade. Faz com que eu me sinta vivo.”

Laurel viu uma faísca de excitação nos olhos negros dele e soube que era verdade. Ele estava acostumado com adrenalina, viver à flor da pele, enfrentar as estatísticas. Um pequeno jorro de desconforto correu por ela.

Então o que ele estava fazendo aqui comigo? Eu não sou rápida, excitante ou glamurosa.

“Oh bem,” ela disse, dando de ombros, tentando soar casual, “se suas malas não chegarem a tempo, pelo menos eu tenho as roupas de baixo com que você envolveu a caixa de esmeralda da Rainha. E nós sempre podemos pedir a Ash uma camiseta.”

Ele se esticou e sorriu. “Não é a caixa da Rainha, Laurel – é sua.

Eu fiquei satisfeito de ter algo tão lindo para dar a você.”

“Lindo!” ela exclamou. “É mais que lindo, Rafiq. Eu posso provavelmente ser presa por causa dela.”

“Foi um presente, de bom grado. Para lembrar você do nosso tempo no chalé.”

Novamente ela sentiu aquele jorro chato de desconforto. De alguma forma ele fez com que o tempo deles no chalé parecesse

bem no passado. Isso queria dizer que ela também estava bem no passado, apesar das perguntas provocantes dele sobre possíveis namorados? Ela olhou pra longe, não ousando perguntar.

“Então me conte mais sobre sua vida,” ele pediu.

“As coisas são boas, Rafiq,” ela disse, arrastando a compostura de volta para ela como se fosse um casaco. “Eu acho que Ash está gostando de me ter aqui. Eu comecei alguns cursos online. O haras é um lugar excitante para viver. Eu tenho meu próprio cavalo.” Ela tentou suprimir um sorriso e falhou. “Eu a chamei de Yasmina – ela tem os mesmos olhos amorosos e gentis.”

“Devo contar isso à Yasmina na próxima vez que vê-la?”

Laurel sentiu mais da alegria dela se evaporar como a névoa matutina que algumas vezes circulava ao redor das costas mais baixas de Trindade. Ele estava deixando-a e retornando para Al Sounam?

Como você pôde me dar tal esperança? Ela gritou silenciosamente. Como você pôde me beijar como se tudo fosse igual e fingir que mal podia esperar para me ver e então ir embora?

“Yasmina e Malik estão bem?” ela forçou os olhos dela, de repente quentes, a reter as lágrimas que ameaçavam jorrar pelo seu rosto.

“Muito bem quando eu os vi pela última vez. O chalé é... não é o mesmo... sem você.”

Bem, isso era algum tipo de elogio. Tirando coragem disso, perguntou, “Por quanto tempo você vai ficar?”

Ele olhou para ela de forma bem estranha. “Pelo tempo que for necessário para arranjar certas coisas.” Ele soltou a mão dela e se levantou para tirar o capacete.

~♥~

Rafiq ficou em silêncio por vários segundos. Tremores de incerteza perfuraram a euforia dele. Laurel não o queria, afinal de contas? A acolhida entusiasmada dela não tinha sido nada mais do que um alívio em vê-lo?

Esse era um problema que ele não havia previsto. “Você me leva até o Ash?” Ele bateu no assento, esperando que ela o

acompanhasse para encontrar o avô dela e facilitar a reunião crucial entre eles.

Ele assistiu enquanto ela catava as sandálias descartadas. Ele se inclinou para ajudá-la com o trabalho de amarrar a sandálias

Ele assistiu enquanto ela catava as sandálias descartadas. Ele se inclinou para ajudá-la com o trabalho de amarrar a sandálias