Laurel assistiu enquanto Rafiq mexeu seus ombros largos e cheio de cicatrizes pra cima e pra baixo.
“A vida é interessante não é, Srta. Kiwi? Quem sabe o que vai acontecer em qualquer dia?”
Ela sentou em algum tipo de transe enquanto as palavras dele eram absorvidas.
O rei legítimo? Eu fui sequestrada pelo Rei?
Finalmente ela limpou a garganta.
“Não é engraçado. Reis não saem sequestrando pessoas e a mantendo em cárcere. Reis não tem o tipo de amigo nojento que você tem.”
Ela se afastou um pouco da mesa para se distanciar um pouco dele, aborrecida que ela tinha sentido dó dele por causa de todas as cicatrizes. Assassinato de fato! “ E eles não moram nesse tipo de casa isolada e estranha também,” ela adicionou. “Quem você é realmente?”
“O único filho sobrevivente do falecido Xeque Abu Ali al-Husayn bin Khalid. Essa era o chalé de caça do meu pai.”
Ela deu uma risada em descrédito. “Você está brincando. Não há nada pra caçar. Nada vive aqui. Camelos e lagartos talvez. O que ele pensava que ia achar?”
Os olhos escuros de Rafiq deixaram o rosto dela e foram para um lugar bem distante. “Solidão e paz,” ele disse na noite calma.
Tal resposta inesperada fez Laurel sentir quase inclinada a acreditar nele. Ela deixou as palavras dele cair sobre ela enquanto ela considerava o quão incrível seria ter que procurar por solidão.
Ela tinha bem muito disso. Ninguém tinha realmente a querido ou tido tempo para ela. Ela foi abrigada em várias casas e havia barulho em algumas delas, mas ela nunca sentira realmente parte das famílias.
Depois, o albergue pra onde mandaram ela para ficar com outras garotas – gritando, emprestando roupas e maquiagem, tocando música até o apagar das luzes e então rindo e fofocando em sussurros altos – mas ela ainda tinha se sentido intensamente sozinha ali.
Compartilhar um apartamento tinha sido melhor, mas as garotas tinham suas próprias famílias e namorados, e, se mudavam tão perto que ela nunca tivera realmente uma melhor amiga. Ela saía pra uma caminhada na praia na Baía Oriental ou uma leitura silenciosa no Parque Waitangi ou vagar pelas lonjas de Lambton Quay e a Rua Willis para se afastar dos lugares em que todo mundo parecia pertencer com exceção dela.
Certamente ninguém tinha procurado sua companhia. As únicas vezes que ela tinha sido alvo de atenção era quando os grupos de crianças barulhentas pediam coisas igualmente impossíveis e diferente de sua babá contratada e nem um pouco bem paga. Ela estava acostumada com a solidão.
“Então eu suponho que ele tinha uma vida ocupada?” ela disse, pensando nos artigos de revista que ela tinha visto sobre a realeza e suas várias atividades sociais.
“Ele trabalhava incansavelmente. Ele era devotado ao povo dele.
Meu povo agora.”
Laurel ficou em silêncio por um tempo antes de perguntar qualquer outra coisa. Rafiq tinha ‘povo’? Ele parecia ser sério. Mas por que ela deveria acreditar nesse apelo revoltante?
“Rafiq é seu nome real?
“Um deles. Eu tenho muitos.”
“Você está lutando pra ter o trono de volta? É por isso que eu fui sequestrada? Eu sou refém para que você seja colocado de volta ao poder?”
Apesar dele parecer tão cansado, ele rugiu com uma risada.
“O que?”
A risada dele parou. “Eu queria que fosse tão simples.”
“Não ria de mim,” ela disse. “Eu tenho que deixar Sra. Daniels saber onde eu estou. Ela estará terrivelmente preocupada agora.
Tem um telefone?”
Ele sacudiu sua cabeça negra.
“Você tem um celular então?”
“Não tem recepção por aqui.”
“Eu tenho que avisá-la de alguma forma.”
“Sem chance, Srta. Kiwi. Ninguém deve saber onde você está – para sua própria segurança e para minha também. Você acabou como a carne de um sanduíche desagradável. Não é nem um pouco sua culpa. Mas por enquanto você deve ficar fora de vista e de contato com o resto do mundo. Isso é necessário para que certas pessoas pensem que você está morta.”
“Eu não sou nem um pouco importante.”
“Como Laurel, a babá, talvez não. Mas como Laurel, a refém, você é vital pro sucesso da minha missão atual. E muitas outras vidas estão em jogo por causa de você.”
Ela juntou as sobrancelhas. “Mas como? Por que?”
“Apenas acredite que é assim. Eu não posso lhe dizer tudo. Isso deve ser o suficiente pra você, ter a palavra do Rei.”
Ela soltou um suspiro exasperado. “Prove que você é o Rei, então. Eu não sei por que você espera que eu o acompanhe nessa fantasia.”
“Você reconheceria meus pais, os falecidos Rei e Rainha, se eu mostrasse a você as fotos que estão aqui nessa casa?”
Ela deu de ombros. “Eu duvido.”
“Então eu não tenho outros meios de lhe convencer agora. Você será bem cuidada mas você precisa continuar aqui, fora de vista e de contato.”
Ele falou sobre a próxima pergunta dela. “O mundo não vai parar de girar sem você. Deixe pra lá essa noite. Nós conversaremos mais pela manhã. Yasmina!” Ele gesticulou pro café.
Laurel ficou parada boquiaberta, pronta pra contestar tratamento tão cavalheiresco. Como ele ousava cortá-la desse jeito? Ele tinha roubado a liberdade dela e aparentemente não tinha intenção de devolvê-la. Levado-a pra longe de tudo familiar e seguro. Uma raiva furiosa começou a subir por sua garganta. Ela desejou que não virasse lágrimas.
A servente se apressou com o pote de café e colocou dois pequenos copos do líquido aromático quase tão grosso que podia
manter colheres em pé. Uma tigela grosseira de pêssegos frescos se seguiu.
“Obrigada Yasmina. Boa noite.”
“Boa noite, meu Senhor Rafiq.”
Ela virou a testa machucada dele pra luz, inspecionando mais uma vez e demonstrou sua desaprovação antes de deixá-los a sós.
“Do que ela lhe chamou?”
“Do que ela sempre me chama.”
“E o que é isso?”
Um pequeno sorriso espalhou-se pelo rosto bonito dele. “Você deseja me chamar da mesma forma, Laurel?”
“Eu duvido,” ela disse espirituosamente, de alguma forma sentindo do brilho inervante nos olhos dela que ela não queria.
“Eu duvido também,” ele concordou. “Yasmina sempre se dirige a mim como ‘Meu Senhor Rafiq’.”
Ela fungou. “Quão absolutamente feudal.”
~♥~
Rafiq assistiu enquanto ela alcançava um pêssego e mordia a fruta dourada. Uma mordida selvagem. Os dentes dela brancos e retos afundaram na suavidade da fruta e ele imaginou-se fazendo o mesmo com a carne deliciosa dela. Uma mordida no ombro dela, um carinho no lóbulo, um assalto contínuo nos lábios cheios dela.
Ele seria bem mais gentil com ela, do que ela estava sendo com um pêssego desafortunado. Ele mordiscaria, provocaria e atormentaria por muito tempo e tempo suficiente para puni-la por chamá-lo de
‘feudal’... por rir da possibilidade dele ser o herdeiro direto ao trono de Al Sounam.
Ela devia a vida a ele, e ele esperava que ela percebesse isso em breve e começasse a se comportar de um jeito agradecido.
Ele bebericou o café dele, considerando o que ele precisava fazer no dia seguinte. Comprar mais algumas roupas pra ela. Talvez alguns livros. Ele não a manteria na chalé muito tempo. Algumas noites no máximo. Talvez se ele mostrasse quem mandava – um chefe bem hospedeiro e bem sucedido – ela talvez suavizasse como mel ao sol e se derretesse nos braços dele?
Ele seria gentil com ela. Gentil e generoso. Ele iria flertar gentilmente, lisonjeá-la, deixá-la saber que ele a achava desejável.
Ele não tinha nada urgente para fazer. Ele entregaria o telefone com a segunda demanda para a estação de TV no final da semana e ganharia mais tempo. Cada minuto que passava trazia maior possibilidade de sucesso – para sua missão secreta assim como sua recém achada missão pessoal.
“Devemos tomar uma segunda xícara de café em algum lugar mais confortável?” ele perguntou alguns minutos depois quando ela terminara outro pêssego.
Os cílios dela levantaram e os olhos azuis deslumbrantes dela piscaram pra ele, cheios de suspeita. “Onde você está pensando?”
“As cadeiras de braço do salão. Eu considero ainda muito cedo para convidá-la para minha cama,” ele disse, tentando a duras penas manter um rosto impassível.
Laurel respirou profundamente, o que fez com que seus peitos empinados pulassem pra frente, dando a ele mais alvos tentadores pra contemplação satisfatória dele. “E você não precisa achar que vai se esgueirar pra minha,” ela disse.
“Há uma tranca na sua porta. Você ficará bem a salvo de mim.
Eu não a recrutarei para o meu harém hoje à noite.”
Ela deu um olhar murcho na direção dele. “Certo,” ela disse.
“Completamente certo.”
Rafiq suprimiu um sorriso.
Ele colocou outros dois cafés cheirosos do pequeno bule de cobre desgastado e ficou de pé.
“Por aqui.” Ele adicionou com um leve aceno da cabeça dele na direção do cômodo favorito da mãe dele.
~♥~
Laurel levantou um pouco mais devagar, tendo sua toalha precária para ajeitar. Seu olhar correu os ombros de Rafiq enquanto ele andava pelo corredor central da casa balançando dois copos de borda dourada fervendo. Apesar da chalé velha e magnífica ter várias outras coisas para fasciná-la, ela não conseguia manter o olhar longe dele.
As calças dele eram de cintura baixa, mal cobrindo o quadril estreito. Ele parecia tão esguio e muscular feito uma pantera; tão mais eletrizantes do que quaisquer homens pálidos e flácidos com quem ela socializava ao redor da piscina barulhenta dos Daniels. E ele era marcado por todo lado com cicatrizes desvanecidas que gritavam um terrível tratamento no passado ou machucados devastadores.
Os dedos dela pinicaram novamente com a necessidade de tocar a pele dourada negra.
Não com os dedos de babá dela, bem usados para confortar crianças pequenas, mas com os dedos de mulher dela – ainda não utilizados na carne nua masculina. Ele era inesperadamente bonito, apesar de ter roubado a liberdade dela.
Rafiq virou e entrou num cômodo bem mais largo. Ele transferiu ambos os copos para uma mão e alcançou um interruptor na parede. Um enorme candelabro jogou raios de luz quente em toda direção.
Os olhos de Laurel desviaram do corpo dele sinuoso para as magníficas cortinas nas janelas, o esplendor desvanecido de vários sofás de veludo com várias almofada franjadas e bordadas, mesas esculpidas e telas ponteando o espaço generoso.
A suave luz refletia em molduras douradas de fotografias e as tampas com joias de uma coleção de caixas douradas colocas juntas em um balcão de tampo de mármore. Duas cadeiras de couro flanqueavam a lareira alta.
Ela tinha ficado maravilhadas com as salas de recepção dos Daniels na capital de AL-Dubriz. Elas eram dispendiosamente mobiliadas com móveis da América, e, com cortinas de tecidos pesados.
Mas essa chalé bem dentro do deserto parecia muito mais impressionante – real, histórica e preciosa.
Ela tocou uma das caixas douradas.
“Você escolheu minha favorita – as esmeraldas.” Ele colocou os cafés na mesa.
Ela puxou a mão como se estivesse invadindo.
“Admire-as – elas são lindas,” ele disse. “Meu pai pagou os melhores joalheiros de Al Sounam para desenhá-las para cada vez
que minha mãe fizesse aniversário. Como o Czar e os ovos Fabergé dele para a Czarina. Ninguém os vê agora.”
Ela alcançou a caixa novamente, correndo o dedo sobre os anéis concêntricos de pedras brilhantes. Quando ela levantou para olhar mais de perto, o peso a impressionou.
“Ouro puro,” ele disse, sem dúvida divertindo-se com a expressão horrorizada dela. “E em cada caixa havia um broche, um colar ou um par de brincos espetaculares. Ele amava muito minha mãe. O país inteiro a amava.”
“Alguém obviamente n ão a amava, já que ela foi assassinada?”
O peito de Rafiq subiu e desceu em um suspiro tão cheio de arrependimento que quase quebrou o coração dela.
“Antimonarquistas. ‘Republicanos’, eu acho que é assim que são chamados no seu país.”
“E eles mataram para conseguir que fosse do jeito deles?”
“Eles não conseguiram deixar do jeito deles.”
“Mas eles mataram.”
“E nós matamos em retorno. O serviço secreto de Al Sounam é sempre bem informado.”
Ela tremeu com isso. “Porém, não tanto que prevenisse o acontecido.”
“Como você diz... Mas eles estavam há poucas horas de prender os planejadores. Meu pai escolheu nos trazer para cá de última hora. Muito tarde. Nós fomos atacados quando passávamos pela fronteira da cidade e deixados para morrer. Ele e minha mãe, meus dois irmãos e eu.”
Laurel soltou um arfar de medo. Ela podia quase sentir a tristeza que o rodeava. Como ele tinha sobrevivido mentalmente a algo horrendo como isso? Mesmo se o corpo dele tivesse lentamente se curando, a mente dele tinha ficado terrivelmente mexida. “E você foi o único que sobrou vivo?” ela ousou perguntar.
“Miraculosamente.” A mão dele fez um caminho gracioso pelo ar na frente do peito dele e da barriga como se estivesse acariciando a própria força vital dele. Os olhos dela seguiram – pela pele suave e músculos tesos até ela culposamente arrastou o olhar pro rosto dele novamente.
Rafiq não reagiu – simplesmente passou o café para ela e sentou em uma das cadeiras de couro, levantando uma longa perna para cima, deixando o pé dele repousando no joelho oposto. Ele se inclinou pra trás como se ele não tivesse contado nada mais chocante do que a fofoca hollywoodiana da semana.
Como ele podia deixar algo assim para trás com tanta facilidade?
E agora trabalhar com espionagem? Era espionagem, ela se perguntava? Julgando pela situação de hoje, ele tomou parte em missões horrivelmente perigosas com pouco cuidado com a própria segurança.
Ela colocou a caixa de esmeralda no lugar dela e sentou na outra cadeira grande.
“Então foi assim que você conseguiu essa bala?” ela perguntou, indicando o ombro dele.
“Dessa vez, não. Isso foi o treinamento do exército.”
“Dessa vez?” ela arfou. “Quantas vezes mais? Não – eu não quero saber. Como você levou um tiro no Exército?”
“Não era bem O exército.” Ele voltou a atenção para o café dele, fazendo ela olhá0lo com extrema suspeita.
“Algum tipo de Serviço Especial, eu suponho. SAS – esse tipo de coisa?”
“Próximo o suficiente. Foi há muito tempo.”
“Quanto tempo?”
“Você quer muitos detalhes, Srta. Kiwi. Você está certa de que não é uma das insurgentes?”
Ela o fuzilou. “Piada horrível depois de hoje.”
Instantaneamente ele estava de pé e se inclinou para pegar a mão dela que não segurava o café. Ele levantou-a e beijou os dedos.
“Minhas desculpas, Laurel,” ele murmurou. “Você está certa, claro. Minha vida fez de mim um homem inescrupuloso e duro.” Ele afundou de volta na cadeira dele, deixando-a tão tocada pelos lábios dele que era como uma reação instantânea a uma droga. Ela formigou. Ela faiscou e pulsou. Um sentimento delicioso, mas distraía muito. Ela sacudiu a cabeça para clareá-la. O cabelo dela balançou de um lado pro outro e ela notou o jeito que os olhos dele
acompanharam o movimento enquanto ele sentava em silêncio por algum tempo.
“Onze anos atrás,” ele eventualmente continuou. “Eles não esperavam que eu fosse viver. Todo mundo morreu. O carro tinha sido emboscado. A nossa escolta de então bateu no carro do Rei por trás. Eu fiquei... muito machucado.”
Ele retornou ao silêncio e bebeu o café novamente. Laurel fez o mesmo, desesperada pra saber mais, mas não querendo perguntar.
A família dele inteira – morta em um instante? Ela não podia pensar em nada pra dizer que não soasse bisbilhoteiro ou intrusivo.
Eventualmente ele ficou de pé, deixando o copo de café vazio na pequena mesa ao lado da cadeira dele, pegando a dela para colocar ao lado da dele.
“Já chega,” ele disse. “Eu lhe darei pesadelos.” Ele esticou um braço. Laurel se levantou também, bem lentamente, apreensiva com o que poderia acontecer depois.
Ele apagou o candelabro e os raios confortadores de luz desapareceram.
Agora a chalé estava à meia luz e cheia de sombras. Ele a guiou pela passagem lateral onde o quarto dela estava.
“Durma bem, Srta. Kiwi.”
Ela ficou parada, incerta, ao lado da porta do quarto dela. Ele não tentaria nada, não é mesmo? Sem mais piadas sugestivas de adicioná-la ao harém dele?
“Então você me levará de volta pra Kalal bem cedinho amanhã?”
“Você deve confiar em im sobre isso, Laurel. Eu não sou uma companhia segura. Eu verei o que posso arranjar.”
Ela franziu o cenho aborrecida e então entrou no quarto dela. Ele trancou a porta atrás dela. O som inesperado da chave soou agudo e alto na noite quieta.
“Ei!”
“Durma, Srta. Kiwi,” ele disse pela porta.
“Você me trancou aqui...”
“Eu disse que sua porta podia ser trancada para te manter a salvo das minhas investidas indesejadas.
“Mas você tem a chave.”
“De fato, eu tenho, Laurel – e você estará a salvo, eu prometo.
Eu não iria querer que você andasse sonâmbula para o deserto e se perdesse.”
“Eu nunca fui sonâmbula na vida. Destranque a porta.”
“Ou o que?”
“Ou eu gritarei por Yasmina.”
“O apartamento de Yasmina é bem separado da chalé. Ela nunca ouvirá você. E de qualquer forma, ela está um pouco surda atualmente.”
Fios de pânico enroscaram-se na coluna dela. Um suor frio e horrivelmente grudento apareceu em seu peito. “Destranque essa maldita porta, Rafiq!” ela gritou, chutando a base e exclamando de dor.
“Você não pode chutar seu caminho pra fora. O material é velho e fort. Você só se machucará. Você está a salvo essa noite, Laurel.
Vá pra cama. Você teve um dia que nenhuma mulher deveria ter de passar.”
“E essa é a pior parte,” ela gritou. “Rafiq – destranque essa porta – eu não posso suportar. Anos atrás eu costumava ser trancada dentro do meu quarto, noite após noite. Você está me aterrorizando.” Lágrimas correram pelo rosto dela apressadamente.
A voz dela tornou-se alta e em pânico. “Rafiq...” Seu longo e trêmulo grito ecoou pela noite.
Ela se dobrou, soluçando desesperançosa, temendo vomitar de medo. Tudo da Rua 165 Washington voltou; a atmosfera sempre em pânico, a loja de roupas usadas, as infinitas refeições de cozido e legumes cozidos além da conta que Liz Gorridge cozinhava para esticar o dinheiro conseguido através das autoridades para alimentar as crianças que ela abrigava, as quais sempre mudavam.
E pior do que tudo, o nojento Gary Gorridge.
~♥~
“Rafeek!!!” ele ouviu o grito dela de cortar os tímpanos. Seu soluço angustiado mexeu com o coração dele. Laurel não era mais sua pequena refém lutadora, preparada para cuspir invencionices enquanto ele a gravava. Agora ela soava como uma criança
assustada, atacada, mandada para o quarto e trancada como punição.
Rafiq comprimiu os lábios. Seu rosto endureceu enquanto ele se concentrava nos sons que ela fazia. Pequenos gemidos e soluços fungados. O próprio nome dele – repetindo-se em um canto desesperado e sem fôlego. Se ela fosse uma atriz ela seria inteiramente convincente.
Amaldiçoando, ele virou a chave e empurrou para abrir a porta parcialmente. Laurel gritou quando a porta bateu em seus tornozelos. Ela estava deitada em posição fetal no chão, braços sobre o rosto e ao redor da cabeça, miando como um gatinho assustado.
Ele empurrou um pouco mais a porta para conseguir entrar.
Então ele se ajoelhou e a recolheu nos braços, puxando de encontro ao peito dele, envolvendo-a com o seu calor.
“Acalme-se Laurel, acalme-se,” ele dizia, balançando-a como um bebê, enterrando o rosto dele no cabelo dela como se proximidade física fosse confortá-la. Ele não tinha ideia do que fazer – nenhuma das suas habilidades antiterroristas funcionavam pra isso.