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Capítulo Doze – Revivendo o Passado

Ash Winthrop alongou-se o máximo que seu assento apertado o permitiu. Foi uma viagem longa e cansativa, e mudaram de plano duas vezes – primeiro do jumbo internacional para um velho e barulhento 747, depois para um avião fretado menor e mais moderno. Ao seu lado, o repórter Barry Marsh roncava suavemente, tendo aproveitado uma quantidade profana de bebidas grátis no seu primeiro voo longo.

A cabeça de Ash ainda girava com a velocidade das coisas.

Depois da primeira notícia na TV parecia que todo jornalista na Nova Zelândia, e vários da Austrália, cercou Trinity Stud esperando por entrevistas.

Ele não estava disposto a cooperar. O canal de TV, por sua conta, prometeu levá-lo de avião até Al Sounam se ele os concedesse os direitos exclusivos à história. Ele pretendia de algum modo chegar lá sem nenhuma ajuda, então isto o servia bem. Não precisou desembolsar a passagem aérea e o pagamento extra que ofereceram cuidaria de muitas despesas do haras.

O sistema de alto falantes estalou com uma mensagem do piloto.

O idioma era incompreensível – para os ouvidos de Ash, soava como cliques e pigarros. Ele ficou aliviado ao ouvir novamente em um curioso inglês correto.

“Boa tarde, senhoras e senhores. Em vinte minutos pousaremos em Al-Dubriz, a capital de Al Sounam. O clima está bom, com uma leve brisa vinda do sul, e a temperatura está em trinta e oito graus Celsius – ou por volta de cento e quatro para aqueles mais acostumados com a escala Fahrenheit. Não esperamos turbulências significativas daqui até nosso destino.”

Ash recostou-se novamente no assento, sem conseguir esconder sua animação. Em vinte minutos estaria no mesmo solo que sua neta, e então o verdadeiro trabalho começaria.

Seus movimentos foram suficientes para acordar Barry de sua soneca. Barry olhou em volta confuso.

“No solo em vinte minutos,” Ash disse com satisfação. “Está cento e quatro.”

O repórter amarrotado praguejou, endireitou-se no assento, e olhou para seu relógio. “Precisamos revisar mais uma vez?” ele perguntou. “Estamos aqui como visitantes – sem mencionar a TV ou sua neta – e viajaremos de volta para casa em uma semana?”

“Certo, certo,” Ash disse calmamente. Na verdade, ele ficou irritado com o tratamento um tanto quanto autoritário do jovem repórter – como se ele fosse um velho excêntrico senil ao invés do proprietário bem respeitado de um excelente haras de puros-sangues, mesmo com sua reputação agora um pouco abalada. Mas Ash era astuto o bastante para deixar bem guardado qualquer ressentimento até que conquistasse tudo que podia. Afinal, este filhotinho era, no momento, sua melhor chance de encontrar Laurel, e possivelmente também rastrear Debs.

“Sem mencionar a TV,” Ash repetiu, com um aceno de cabeça.

Eles deveriam se encontrar com um jornalista local conhecido de Barry por outros trabalhos no exterior, depois levados diretamente para os estúdios de TV onde Ash seria mais uma vez entrevistado.

Barry explicou detalhadamente porque era melhor não atrair atenção para eles “nesta parte do mundo”. Assim sendo, eles negociaram utilizar as instalações locais de TV ao invés de trazer sua própria equipe. A história foi vantajosa para as duas emissoras – um tipo de acordo dividir/compartilhar foi obviamente feito.

“Não deixe o calor te incomodar,” Barry disse. “Todos os carros possuem ar condicionado. Nos prédios também. Não ficará do lado de fora por muito tempo.”

“Não sou avesso a um pouco de calor,” Ash bravejou. “Trabalhei alguns anos em uma fazenda de gados na Austrália nos anos sessenta para conseguir o dinheiro para começar o haras. Cem graus não eram nada lá. Vocês jovens são muito frágeis.”

O sorriso convencido de Barry dizia o contrário. “Certo,” ele concordou.

~♥~

Yasmina acenou com a cabeça concordando quando Laurel entrou na cozinha vestindo uma blusa de seda até o quadril. O tom rosa quente trouxe um rubor suave às bochechas pálidas da garota. O tecido macio revelava suas curvas femininas para o mestre. Era uma pena sobre os jeans velhos e gastos, mas se estivesse cavalgando então não importava. O próprio mestre frequentemente vestia jeans quando cavalgava.

Por que Senhor Rafiq não trouxera calças de montaria apropriadas para sua mulher? Usando a desculpa de fazer a cama de Laurel, ela fez uma pequena inspeção nas compras de Rafiq da noite passada – admirando as cores e tecidos das saias esvoaçantes e blusas justas. Ela franziu os lábios enquanto arrumava os lençóis; as formalidades apropriadas devem ser feitas, mesmo se houvesse pouca chance que a garota dormisse ali.

Naquela manhã, Rafiq dera instruções para que ela levasse a bandeja de chá para seu quarto, e ela encontrou a garota sentada na cama, parecendo um pouco envergonhada mas completamente à vontade.

Agora, depois da segunda noite na hospedaria, a posição dela pareceu estar mais segura.

Yasmina prestou muita atenção enquanto Rafiq entrava na cozinha. Os olhos dele percorriam possessivamente sobre os seus convidados, e pegou algumas pequenas flores brancas do vaso na mesa e colocou no cabelo de Laurel.

O mestre não fazia coisas deste tipo. Yasmina virou-se para esconder seu sorriso.

~♥~

Mais uma vez, Muzaffar e Azizah zurraram suas boas-vindas. Desta vez Laurel se aproximou de Azizah sem sua persistência, apenas dando tapinhas no seu pescoço e sussurrando palavras carinhosas em seu ouvido. “Eles gostam de correr?” perguntou a Rafiq.

“São Árabes – os mais rápidos do mundo. Foram feitos para correr.” Ele se virou para pegar seus robes.

“Mas eles gostam de correr?”

“Eles precisam de exercícios. Não quero que fiquem gordos ou preguiçosos. Eles não têm escolha além de correr se assim eu comandar, assim como não tenho escolha com o trabalho que faço.

É necessário.”

“E você é comandado?”

“Comandado por mim.”

“Por causa da sua família perdida ou sua posição real?”

Ele sorriu sombriamente. “Minha família. Não tenho posição agora, Laurel. Por isso posso trabalhar disfarçado. Não sou conhecido. Praticamente não existo.”

“Mas você ainda tem os recursos da família real ao seu dispor?”

“Tenho a fortuna pessoal da minha própria família. E tenho o encorajamento do meu tio, o Rei. Também possuo a motivação que preciso. Perder sua família inteira... e quase perder sua própria vida... são incentivos poderosos.”

Laurel mordeu seu lábio inferior e ponderou se deveria fazer a próxima pergunta. “Então você será o Rei um dia? Irá gostar?”

Ele deu outro sorriso sombrio e entregou um dos robes para ela.

“Meu tio não ficaria no meu caminho. Sou o herdeiro do trono, e tenho todas as evidências que preciso para provar. Se eu escolher, então sim, serei Rei.”

Não era exatamente a resposta que ela procurava.

“Mas você gostará de ser Rei?” ela perguntou novamente.

“Não das ocasiões cerimoniais,” ele admitiu. “Meu tio e tia são maravilhosos representantes. Ele adora ser o centro das atenções e ela adora as roupas.”

Ele fez uma cara de decepção e vestiu seu robe antes de continuar. “Meu tio não é o Rei que meu pai foi. Não falo apenas por ser filho dele. Meu pai instituiu muitas reformas. A maioria delas estavam completas quando meu tio assumiu o trono. E mais onze anos se passaram. Mudanças democráticas significam que o governo agora tem o poder e o Rei é um símbolo muito mais do que meu pai foi. Não me vejo carimbando os planos de outras pessoas.”

“Então você gosta do que faz agora?”

“Gosto dos resultados do que faço. Localizamos células terroristas e coletamos informações. Rastreamos e nos desfazemos de agentes hostis que escolheram se esconder em Al Sounam

enquanto planejavam fazer o mal em outro lugar. Prevenimos muitas mortes e sofrimento.”

“E ninguém sabe.”

“É assim que deve ser.”

Laurel suspirou e fixou seus olhos nos dele. “Odiarei pensar sobre seu trabalho quando chegar em casa na Nova Zelândia.

Nunca sabendo se está seguro.” Seu coração deu um pulo de absoluto terror, e ela virou-se para encostar a testa no pescoço quente de Azizah para esconder as lágrimas.

“Acho que gostam de correr,” ela disse em voz baixa. “Quando lhe vi no Muzaffar ontem, ele correu tão rápido e continuou indo e indo. Pude sentir que Azizah queria segui-lo.”

E eu também queria seguir. Queria ser livre assim. Queria esquecer que você está me mandando para casa como uma encomenda indesejada.

“Ainda precisa de muitas lições para você poder galopar assim.”

Ela encolheu os ombros e saiu, guiando a égua gentil. Não se sentiu segura para falar de novo por vários minutos.

Eles cavalgaram, e voltaram ao chalé.

Rafiq a levou ao escritório de seu pai e mostrou-a as fotografias de família como prometido. Ela pode ver uma pequena semelhança com o avô dele mas nenhuma com o pai. Ela teve de concordar que o Rafiq de feições suaves aos dezessete anos não carregava semelhança alguma com o homem arrogante de vinte e oito anos.

Tiveram um jantar leve mas delicioso, depois deitaram à sombra da Casuarina e leram. No meio da tarde, Rafiq recebeu uma ligação que o deixou muito irritado.

“Laurel, preciso sair hoje à noite. Não lhe deixaria sozinha se não fosse muito importante. Posso confiar que você continuará aqui onde estará segura? Sem mais tentar escapar?” Os olhos negros dele perfuraram os dela.

O pânico subiu à garganta dela e ela o engoliu com forte determinação. Ele estava indo de encontro ao perigo novamente.

Poderia nunca voltar.

Ela poderia ao menos fazer isto por ele; livrá-lo da preocupação dela ser um risco. Ela se inclinou e beijou os dedos dele.

“Sim, pode confiar em mim, Rafiq. Sei quais são as probabilidades agora. Muito pequenas de eu conseguir escapar, e muito grandes se você ou eu formos pegos. Estarei aqui quando retornar.”

Ela esperou por seu sorriso de aprovação – precisava do sorriso de aprovação dele para fazer o resto do dia suportável.

Rafiq apenas fechou os olhos e assentiu.

~♥~

Seu estômago virou. Colocaria Malik em proteção vinte quatro horas, embora tenha rezado para não precisar ficar muito tempo longe. Esta garotinha era preciosa agora de vários modos, mas ele não poderia deixá-la saber disto.

“Me ajude a fazer as malas, Senhorita Kiwi,” ele disse, esperando dissipar a intensidade do momento. Ele a trouxe para perto e enlaçou seus dedos nos dela. “Temos tempo para mais um abraço.” Ele levantou as sobrancelhas escuras e finalmente deu o sorriso que tinha se recusado a aparecer antes.

“Só um abraço?” ela perguntou, parecendo despreocupada e provocante.

“Acha que eu poderia ser capaz de mais depois de todo trabalho que esperou de mim na noite passada e nesta manhã?”

“Acho que conseguiria muito mais se tentasse.”

“Então tentarei. Não gostaria de desapontar uma mulher lasciva como você.”

Ela beliscou o peito dele e riu. “Não sou lasciva.”

“Você é muito faminta,” ele disse com satisfação.

“Faminta por você. Nunca me ofereceram um banquete assim antes. Preciso aproveitá-lo enquanto ainda o tenho.”

E rápido assim, as frivolidades desapareceram. Sem se importar se os serviçais veriam, Rafiq a tomou em seus braços e ardeu sua boca em um beijo selvagem de domínio. Ela o abraçou e forçou com vigor seus lábios contra os dele.

“Estarei de volta amanhã,” ele afirmou quando finalmente se separaram.

“Certifique-se que sim,” ela respondeu.

~♥~

O chalé parecia horrivelmente vazio sem ele. Laurel se entreteve por um tempo vestindo o resto de suas roupas novas, mas não havia alegria alguma sem a aprovação dos olhos escuros de Rafiq...

seus comentários com sua voz rouca.

Ela tirou as correntes e colares – mais bonitos do que já imaginou usar – e os colocou, um por um, em cima do baú sob sua janela.

Pegou seu livro e foi sentar-se à sombra da árvore, mas ainda não conseguia se acalmar. O que ele estava fazendo? Estava com Nazim e Fayez de novo? Estavam atormentando-o novamente sobre sua escapada? Seriam dois contra um se decidissem ser agressivos, e mesmo apto fisicamente e bem treinado, dois contra um não era uma probabilidade boa. Seu estômago revirou de apreensão.

Desesperada, ela entrou na cozinha onde Yasmina amassava e enrolava uma massa em pequenos rolos. Talvez uma companhia ajudasse? Ela tentou novamente ler, mas seus olhos corriam pela mesma página sem parar até que finalmente deixou o livro de lado e sentou olhando para o nada.

~♥~

Yasmina olhou de relance na direção onde Laurel estava sentada.

Apaixonada, é claro, ela pensou. Suas próprias duas filhas passaram pela mesma rotina triste e sonhadora antes de estarem casadas e seguras. A velha babá sabia que não havia nada como um homem inatingível para causar ansiedade no coração de uma mulher e dispersar os pensamentos racionais de sua cabeça.

O trabalho do mestre permitia pouco tempo livre para mulheres.

Laurel teve duas noites na cama dele, e agora ele poderia ficar várias semanas fora – o que frequentemente fazia, mesmo tendo dito que dessa vez seria apenas por um dia. Ela já ouvira isto antes.

A pobre garota pode ficar sozinha por séculos.

Ela pôs água quente nas folhas de chá e levou o bule com uma xícara e pires até onde Laurel sentava.

“TV?” sugeriu. Era praticamente todo o inglês que conhecia. Ela ligou o aparelho que ficava voltado para a casual área de jantar. O noticiário noturno começaria em instantes, e talvez Laurel ficaria distraída com alguma notícia internacional, mesmo que não falasse Sounamês.

O aparelho ligou. A música de abertura do noticiário ressoou pela sala. Yasmina diminuiu o volume um pouco em respeito à convidada.

Mais problemas em Baghdad... mais protestos na Nigéria... o Príncipe Charles da Inglaterra foi presenteado com um alazão magnífico por um muito conhecido Xeque... uma garota usando boné vermelho gritando em uma língua que Yasmina não conhecia...

E Laurel de repente se levantou, deixando cair seu chá de modo que a xícara se espatifou no chão de pedra, ofegando e com os olhos bem abertos na direção da TV.

Yasmina não tinha dúvidas que a garota na tela era a garota que sentava bem ali na sua cozinha. Ela ouviu com atenção quando o apresentador do noticiário retornou. Laurel continuava a emitir sons angustiados e esconder o rosto nas mãos.

A figura na tela mudou novamente – para uma tela dividida de Laurel e outra jovem mulher que parecia muito com ela. Laurel deu um grito incompreensível e abruptamente ficou em silêncio. Seus olhos congelaram na imagem da tela. O apresentador apareceu novamente com um anúncio breve, e então a imagem desapareceu para dar lugar a um jornalista entrevistando um homem mais velho cujas respostas sempre começavam com algumas palavras em inglês e logo eram traduzidas para Sounamês. Atrás do homem mais velho estavam as imagens ampliadas de Laurel e da outra jovem mulher.

“Mãe!” Laurel gritou. “Mãe!”

Até Yasmina entendeu aquilo. Ela pôs uma mão sobre o ouvido para indicar que ainda estava ouvindo, e caminhou para fazer um gesto de conforto pousando sua mão nos ombros de Laurel.

As duas assistiram ao resto da matéria em silêncio absoluto.

Uma partida de futebol apareceu.

“O que aconteceu? O que disseram?” Laurel implorou.

Yasmina fez gestos de balançar um bebê com os braços e olhou intensamente para sua convidada.

“Sim! Minha mãe! E quem era o homem?”

“Ele é o pai da sua mãe. Seu avô. Ele veio para encontrá-la porque sua foto estava na TV na Nova Zelândia.”

Laurel não entendeu nada dos rápidos sons do idioma desconhecido. Ela enrolou os braços ao redor do corpo e sentou balançando-se para frente e para trás em grande aflição, os olhos implorando para Yasmina de algum modo mudar para inglês fluente.

“Quem era o homem?” perguntou novamente, mais devagar para ver se ajudava. “Por que minha mãe estava na TV em Al Sounam?”

“Malik!” Yasmina decidiu, e saiu rápido para encontrar seu marido.

O inglês de Malik não era bom, mas era melhor que nada.

Yasmina tagarelou e ele valentemente tentou traduzir.

“Laurel-mãe-pai,” ele tentou, levantando as mãos para o ar para indicar três degraus.

“Laurel, mãe, pai,” Laurel repetiu. Nada fazia sentido para ela.

“Laurel,” ela disse, apontando para si.

Eles acenaram com a cabeça.

“Mãe. Mãe de Laurel – sim. Morreu há muito tempo.”

Malik traduziu para Yasmina que agarrou o peito e começou a se lamentar com uma série de ai-ai-ais.

“Pai?” ela perguntou inexpressiva. O pai dela? O nunca visto de Courcey?

“Mãe-pai,” Malik insistiu.

Devagar, a verdade começou a aparecer para ela. “Avô? Pai da minha mãe?”

“Sim!” ele sorriu. “Pai da mãe. Ele procurar em Al Sounam por você.”

Laurel de repente se sentiu invadida por fortes tremores do choque que recebeu. Ela tinha um avô?

Yasmina envolveu a convidada trêmula em um abraço maternal.

O mestre tinha que resolver isto, mesmo ele tendo deixado muito claro que não deveria ser interrompido enquanto estivesse trabalhando.

“Traga o telefone,” ela ordenou Malik.

Ele balançou a cabeça, chocado.

“Traga o telefone,” ela repetiu. “Emergência, Malik!” Ela parecia muito austera para alguém de apenas um metro e quarenta e cinco centímetros.

Ele trouxe o telefone, suspirando alto e roendo o lábio inferior.

Yasmina discou e entregou o telefone a Laurel.

Alguém atendeu com uma palavra ríspida.

“Meu Senhor Rafiq –”

A linha caiu abruptamente.

Yasmina discou novamente.

Ele não atendeu uma segunda vez.

~♥~

“Ninguém importante,” disse Rafiq, recolocando no bolso o telefone e rezando mais forte do que nunca que Nazim e Fayez e os dois outros homens presentes não tivessem ouvido a voz – ou seu título.

Agora as probabilidades estavam bem piores do que Laurel havia calculado de dois para um. “Continuamos como planejado – o avô aparecer não faz diferença alguma. Deixe-os gastar seu dinheiro em passagens aéreas e transmissões de televisão se quiserem. Ela sem dúvidas está morta, mas ninguém sabe disto exceto nós.

Precisamos pressionar mais. Vou liberar a segunda gravação amanhã. Sim?”

Olhares rígidos o avaliaram. Mãos tocavam armas.

Uma gota fria de suor começou sua lenta jornada pela coluna de Rafiq.

~♥~

“Lidou como um profissional,” Barry Marsh disse. “Se uma historinha como aquela não achá-la, nada achará.”

Ele e Ash estavam jantando tarde no hotel. Barry alternava entre gabar-se por adicionar mais um item internacional ao seu portfólio e lamentar a falta de álcool.

Ash ainda tremia. Ele deu o máximo de si para implorar aos terroristas o retorno de sua amada, e nunca vista, neta. E implorou às pessoas de Al Sounam para ficarem alertas a qualquer vislumbre de uma mulher jovem com longo rabo-de-cavalo loiro.

Se sentiu satisfeito quando viu a gravação na cabine. Não parecia tão nervoso como estava na TV na Nova Zelândia. Mas ajudaria a localizar Debs ou trazer Laurel de volta a salvo? Ele só podia esperar e torcer.

~♥~

Já passava da meia noite quando Rafiq finalmente chegou no chalé.

Malik o recebeu com alívio.

“Está de volta mais cedo do que pensou, Meu Senhor.”

“Como ela está?”

“Mal, pobre garota. Um choque terrível para ela.”

“Ela ainda está aqui?”

“Claro. Yasmina a deu algo para ajudar a dormir.”

Ele se apreçou ao seu quarto. A cama grande estava vazia. Um pânico frio tomou conta dele. Ela tentou novamente escapar – desta vez para encontrar seu avô? Estaria agora andando perigosamente sem rumo e perdida, em algum lugar no vasto e arenoso terreno além do chalé?

Ou – e isto era tão ofensivo à sua masculinidade – teria simplesmente deserdado sua cama, e sendo assim, ele também.

Ela seria capaz de fazer isto tão facilmente? Ela realmente não sentiu nada do laço que queimava tão intensamente entre eles? Ele andou à passos largos pelo corredor e, sem bater, abriu com força a porta do quarto dela.

Os olhos dela brilhavam na escuridão.

Ele fez uma oração silenciosa em agradecimento e sentiu o pânico frio escorrer um pouco. Pelo menos ela ainda estava em seus cuidados.

“Por que não está dormindo, Laurel?”

“Não tomei o comprimido que ela me deu. Como espera que consiga dormir, com o que acabo de descobrir? Suponho que sabia

“Não tomei o comprimido que ela me deu. Como espera que consiga dormir, com o que acabo de descobrir? Suponho que sabia