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Mana vol.9 número1

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Academic year: 2018

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Em u m a crôn ica d e jorn a l p u b lica d a e m 1932, Rob e rto Arlt, u m d os m a io-re s e scritoio-re s m od e rn ista s d a Arg e n tin a , p rote sta va con tra o va sto u so d a im a g e m d o g au ch o e m tu d o q u e p u d e sse se r d e fin id o com o a rg e n tin o. A im a g e m e ra a p lica d a a coisa s tã o d ive rsa s com o jog a d ore s d e p ólo com n om e s com o M ile s, La ce y, H a rrin g ton ou N e lson ; orq u e stra s d e ta n g o com m ú sicos ch a m a d os C a tta ru zzo, N ijisk y, Du p on t ou M ü lle r; ca n tore s d e ta n g o cu ja s ca n çõe s n a d a tin h a m a ve r com o ce n á rio ru ra l; e jog a d o-re s d e fu te b ol q u e e xib ia m a “ cora g e m criolla” , o “ e n tu sia sm o g au ch o” ou a “ típ ica té cn ica d o Pa m p a ” . Em su a q u e ixa , Arlt con firm a va a p re d o-m in â n cia d a “ io-m a g é tica g au ch a/ m e stiz a” e m u m m od e lo d e tra n sform a -çã o e h ib rid a -çã o q u e p e rm itiu “ criou liza r” e con ve rte r sim b olica m e n te e m g au ch os m ilh õe s d e im ig ra n te s re ce b id os p e la Arg e n tin a d e sd e os a n os 1880 (Arlt 1994:101-104). O s g au ch os e sta va m lig a d os a o p a ssa d o, à vid a ru ra l e , d e u m a m a n e ira con cre ta , à s ra íze s cu ltu ra is. O fu te b ol e o p ólo e ra m p rá tica s e sp ortiva s g lob a is im p orta d a s. O ta n g o, u m a cria çã o re ce n te . Porta n to, a s a tivid a d e s d e la ze r, d e d a n ça e e sp ortiva s q u e se h a via m torn a d o p op u la re s e ra m , d e ce rta form a , in ve n çõe s m od e rn a s ra -d ica is, m o-d e los -d e u m a tra n sform a çã o e , a o m e sm o te m p o, -d e u m a con ti-n u id a d e cu ltu ra l. O m od e rti-n ism o a b ra ça ra o rom a ti-n tism o e a tra d içã o. C o-m o já ob se rvou Stra th e rn , a n oçã o d e “ ‘tra d içã o’ é se o-m e lh a n te , o-m a s n ã o e xa ta m e n te id ê n tica , à id é ia d e ‘con tin u id a d e ’ e , p orta n to, a e la se sob re p õe ; tra ta se d a con tin u id a d e con sid e ra d a a p a rtir d o p on to d e vista d a -q u ilo -q u e é tom a d o com o ca ra cte rístico ou típ ico d e a lg o” (1992:14). A tra d içã o e o p rim itivism o, com o ve re m os m a is a d ia n te , sã o e fe tivos p or se -re m d e fin id os e p e rce b id os com o m e ca n ism os cu ltu ra is p a ra a -re g u la çã o d a vid a socia l. C on se q ü e n te m e n te , a tra d içã o p od e ta n to a n te ce d e r q u a n -to se r p rovoca d a p e la s m u d a n ça s. Em ou tra s p a la vra s, a a n á lise d a tra d i-çã o p ossib ilita q u e se e n te n d a m e lh or a in ova i-çã o cu ltu ra l. N e sse se n tid o, a lg u m a s id e olog ia s n a cion a lista s — u m fe n ôm e n o m od e rn o — te n d e m a

O “GAUCHO”, O TAN GO,

PRIMITIVISMO E PODER N A FORMAÇÃO

DA IDEN TIDADE N ACION AL ARGEN TIN A

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se r form u la d a s e a rticu la d a s e m u m a re la çã o ín tim a com o q u e é visto co-m o tra d icion a l, coco-m o p rod u to d e u co-m p a ssa d o ru ra l id e a liza d o. Alon so (1996) ch a m ou e ssa a m b íg u a re la çã o la tin a m e rica n a com o p roje to m o-d e rn iza o-d or o-d e “ fa ro-d o o-d a m oo-d e rn io-d a o-d e ” .

De 1900 a 1930, a Arg e n tin a tra n sform ou -se sob o im p a cto d e u m a im ig ra çã o e u rop é ia m a ciça , q u e re m od e lou a id e n tid a d e n a cion a l. O p ro-ce sso d e con stru çã o d o Esta d o-n a çã o a rg e n tin o d izia re sp e ito n ã o só à e x-te n sã o e fe tiva d a a u torid a d e sob re u m x-te rritório e u m p ovo, m a s ta m b é m à con stitu içã o d e su je itos com o se re s “ n a cion a is” , a ce ita n d o e id e n tifi-ca n d o-se com a s d e m a n d a s q u e o Esta d o lh e s vie sse a im p or. Se a con s-tru çã o d o Esta d o d e p e n d e , com o é la rg a m e n te re con h e cid o, d e a n e xa r, su b ju g a r e coop ta r, a “ n a çã o” é se u com p le m e n to, d e vid o à su a ca p a cid a -d e -d e a g ru p a r, g e ra r com p rom isso su b je tivo e cria r u m se n tim e n to -d e p e r-te n cim e n to (ve r Be rton i 2001). Um p roje to d e n a çã o, p orta n to, m a sca ra su a h e te rog e n e id a d e e n e g a e sp a ço ta n to à s com u n id a d e s q u e n e le su b -m e rg e -m q u a n to a os i-m a g in á rios a lte rn a tivos q u e e xib e .

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O declínio social do “gaucho” e da lit erat ura gauchesca: a questão de uma linguagem e de uma identidade nacionais

De sd e o fim d o oitoce n tos e a o lon g o d a s p rim e ira s d é ca d a s d o sé cu lo XX, a Arg e n tin a in te g ra va -se a o ce n á rio g lob a l d e troca s m e rca n tis m a ciça s, va sta s m ig ra çõe s in te rn a cion a is, rá p id a u rb a n iza çã o, n ova s form a s d e con -su m o u rb a n o, com p e tiçõe s e sp ortiva s m u n d ia is e circu la çã o d e p rod u tos d e cu ltu ra d e m a ssa . O p rin cip a l im p u lso e ra e stra n g e iro: tra b a lh o e stra n -g e iro, ca p ita l e stra n -g e iro e m e rca d os e stra n -g e iros fa vorá ve is a se u s p ro-d u tos ro-d e e xp orta çã o (ca rn e e ce re a is). In ve stiro-d ore s b ritâ n icos ro-d e tin h a m ce rca d e 80% d o siste m a fe rroviá rio a rg e n tin o, g ra n d e s e xte n sõe s d e te ra s n o p a ís, a m a ioria d a s lin h a s d e b on d e e d a s e m p re sa s u rb a n a s d e se rviço p ú b lico, e a lg u m a s d a s m a is im p orta n te s fá b rica s e in d ú stria s d e e n -la ta d os. Até a Prim e ira G u e rra M u n d ia l, p a ís a lg u m n o m u n d o e xp orta va m a is b e n s p or h a b ita n te q u e a Arg e n tin a . A re n d a p e r cap ita e ra com p a rá ve l à s d a Ale m a n h a , H ola n d a e Bé lg ica , e m a is a lta d o q u e a s d a Esp a -n h a , Itá lia e Su é cia (Rock 1993).

En tre 1890 e 1914, a Arg e n tin a torn ou -se u m a d a s g ra n d e s n a çõe s d e im ig ra n te s d o m u n d o m od e rn o. Em 1914, ce rca d e u m te rço d e se u s q u a se oito m ilh õe s d e h a b ita n te s — n ú m e ro q u e o te rce iro ce n so m ostra ra se r m a is q u e o q u á d ru p lo d o tota l a p u ra d o n o p rim e iro re ce n se a m e n -to, d a ta d o d e 1869 — h a via n a scid o n o e xte rior, a m a ioria n a Itá lia (39,4% ) e n a Esp a n h a (35,2% ). O s im ig ra n te s ru ssos, p rin cip a lm e n te ju d e u s q u e h a via m fu g id o d a p e rse g u içã o é tn ica e p olítica n o Im p é rio Ru sso, form a va m o te rce iro m a ior g ru p o (4,1% ). Sírios e lib a n e se s (2,7% ) ta m b é m h a -via m ch e g a d o, d e ixa n d o p a ra trá s ou tro im p é rio op re ssor, o O tom a n o. H a via a in d a im ig ra n te s d a Fra n ça , d a Ale m a n h a , d a Din a m a rca e d a Áu stria H u n g ria (p rin cip a lm e n te sé rviocroa ta s e p e ssoa s orig in á ria s d a re -g iã o d o Friu li) (Solb e r-g 1970:38). E os b ritâ n icos form a va m u m a m in oria p od e rosa . É im p orta n te a ssin a la r, a d e m a is, q u e p e lo m e n os u m q u a rto d a p op u la çã o e ra con stitu íd o d e d e sce n d e n te s d e im ig ra n te s d a s d u a s g e ra -çõe s a n te riore s.

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p u la çã o m a scu lin a foi la rg a m e n te m a joritá ria , p a rticu la rm e n te e n tre a p o-p u la çã o m a is jove m , d e vid o à m e n or im ig ra çã o fe m in in a (ve r G u y 1991). A ca p ita l torn ou -se u m a e sp é cie d e b a b e l cu ltu ra l, on d e o in g lê s e ra a lín -g u a d o com é rcio e d a in d ú stria , o fra n cê s, a d a cu ltu ra , e a s d a vid a cotid ia n a e ra m u m a m istu ra cotid o e sp a n h ol (e cotid o g a le g o), cotid o ita lia n o (vá rios cotid ia -le tos) e d e ou tra s lín g u a s d a Eu rop a d o Le ste e d o O e ste . M u ito a n te s d e a a n trop olog ia d e scob rir a cu ltu ra g lob a l, a s d iá sp ora s e os e n con tros m u l-tin a cion a is, a Bu e n os Aire s d os a n os 20, com o N ova York , re p re se n ta va , d e fa to, u m “ e sp a ço ve rd a d e ira m e n te g lob a l d e con e xõe s e d issolu çõe s cu ltu ra is” (C lifford 1988:4).

N a q u e la d é ca d a , e fe tiva ra -se n a Arg e n tin a u m a tra n sform a çã o socia l e e con ôm ica e con solid a ra se u m a d e m ocra socia in cip ie n te . O p a ís h a -via “ sob re vivid o” à ch e g a d a d e m ilh õe s d e im ig ra n te s e à s m u d a n ça s p rovoca d a s p e la s n ova s te cn olog ia s, p e la s con e xõe s g lob a is, p e la im e rsã o n o m e rca d o m u n d ia l e p e la u rb a n iza çã o m a ciça (e m 1930, a p op u la -çã o u rb a n a e q u iva lia a 63% d o tota l). A Arg e n tin a e a cid a d e d e Bu e n os Aire s n ã o só e ra m h e te rog ê n e a s n o se n tid o ob je tivo — com o p rod u tos d e m istu ra s é tn ica s e cu ltu ra is —, m a s ta m b é m e ra m im ag in ad as com o ta l p or in te le ctu a is, e scritore s, p olíticos e , é cla ro, p e la p op u la çã o e m g e ra l (ve r H a lp e rin Don g h i 1987; Sa rlo 1996; Be rn a n d 1997). Im a g in a r u m a “ com u n id a d e n a cion a l im a g in a d a ” h om og ê n e a n e sse q u a d ro h istórico n ã o e ra ta re fa fá cil, e xig in d o m u ito m a is e sforço d o q u e n o ca so d e socie -d a -d e s e tn ica m e n te m a is h om og ê n e a s e com tra n sform a çõe s -d e m og rá fi-ca s m e n os d ra m á tifi-ca s. Roja s, u m d os m a is im p orta n te s e scritore s n a cio-n a lista s d o p e ríod o, ticio-n h a a im ig ra çã o m a ciça e a fa lta d e u m a p olítica e d u ca cion a l orie n ta d a p a ra a in te g ra çã o d os e stra n g e iros p or u m a a m e a ça à re p rod u çã o cu ltu ra l e a o p e rte n cim e n to n a cion a l (1909:8990). Im a -g e n s com o “ in va sã o” , “ corru p çã o” d a lín -g u a e “ ca os” m ora l e se xu a l sã o e voca d a s e m se u s tra b a lh os e n os d e ou tros e scritore s com o Lu g on e s, G a lve z, Bu n g e e Ib a rg u re n . M e sm o Borg e s, u m e scritor m od e rn ista , se re -fe riu a Bu e n os Aire s, e m 1926, com o u m a fu sã o cosm op olita , con tra sta n d o a m a rg e m d a cid a d e e su a p op u la çã o criolla com o ce n tro, on d e re in a va m o “ b a b é lico, o p itore sco, o re tira n te d os q u a tro ca n tos d o m u n d o, o m ou ro e o ju d e u ” (1993:24).

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d e im ig ra n te s d a Eu rop a C e n tra l e Se te n trion a l le va ria à p u rifica çã o d a ra ça e a o m e lh ora m e n to ra d ica l d a é tica d e tra b a lh o d a p op u la çã o criolla. O re su lta d o n ã o foi e xa ta m e n te o e sp e ra d o. Pre va le ce ra m os ita lia n os, os e sp a n h óis, os ju d e u s e os q u e p rovin h a m d o O rie n te M é d io e d o Extre m o O rie n te (Sch n e id e r 1996), e os n a cion a lista s con tin u a ra m a re ivin d ica r a fig u ra e o sig n ifica d o cu ltu ra l d o g au ch o com o o p rin cip a l tip o sim b ólico d a n a cion a lid a d e a rg e n tin a . De m a n e ira b a sta n te p a ra d oxa l, o d iscu rso n a cion a lista re vive u os te m a s “ b á rb a ros” q u e tin h a m sid o con d e n a d os a d e sa p a re ce r p or m e io d a im ig ra çã o, d a h ib rid a çã o e d a m od e rn iza çã o. Essa re in ve n çã o d a tra d içã o se torn ou p ossíve l d e vid o a o lu g a r p rivile -g ia d o q u e a lite ratu ra g au ch e sca ocu p a va n o con su m o lite rá rio p op u la r u rb a n o e ru ra l d e sd e os a n os 1880. O p oe m a é p ico M artín Fie rro, e scrito p or J osé H e rn á n d e z e m 1872, e m u m e stilo q u e re p rod u zia a lin g u a g e m ru ra l g a u ch e sca , e ra u m a sín te se d a id e a liza çã o d o g au ch o (Borg e s 1980: 108). A h istória d o g au ch o q u e lu ta va con tra a in ju stiça d o Esta d o a fim d e m a n te r su a lib e rd a d e foi tra n sform a d a e m m od e lo p a ra u m a “ lite ra tu -ra n a cion a l” . O p e rson a g e m e -ra a com p a n h a d o p or ou t-ra s fig u -ra s m ítica s com o Sa n tos Ve g a e J u a n M ore ira , a m b os n ob re s g au ch os, com o e le p ró-p rio, lu ta n d o ró-p e lo q u e con sid e ra va m ju sto, re ró-p re se n ta n d o a lib e rd a d e e a tra d içã o (ve r Lu d m e r 1988; Ra m a 1996:5063). Prie to m ostrou q u e a lite -ra tu -ra g a u ch e sca ta m b é m e -ra lid a n a s cid a d e s, e sp e cia lm e n te e n tre im i-g ra n te s e u rop e u s, p a ra os q u a is a colorid a icon oi-g ra fia ru ra l e ra a ú n ica e xp re ssã o d e a lg o n a cion a l, d a Arg e n tin a loca l, “ d e n tro d a d e sord e m g e n e ra liza d a p rod u zid a p e la in g e stã o cosm op olita ” (1988:9899). Essa lite -ra tu -ra criou tip os h u m a n os virtu osos e m situ a çõe s d e con flito e te n sã o, in trod u zid a s p e la m od e rn iza çã o e p e los va lore s cosm op olita s. Era m p e rson a g e n s va le n te s e viole n tos, m a s ta m b é m e le g a n te s e e d u ca d os, q u a n -d o tra ta -d os -d e ce n te m e n te . Era m h om e n s -d e h on ra e cora g e m , sim b oliza n d o im a g e n s a ristocrá tica s id e a lioliza d a s. Era m , a in d a , fig u ra s im p orta n -te s e m ou tra s e xp re ssõe s d a cu ltu ra p op u la r, com o a p a n tom im a , o circo e o C a rn a va l (C h a ste e n 2000).

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“ Bu e n os Aire s, a p e sa r d os d ois m ilh õe s d e d e stin os in d ivid u a is q u e a a b a

r-rota m , p e rm a n e ce rá d e se rta e se m voz, a té q u e u m sím b olo a h a b ite . A p

ro-vín cia , sim , e stá p ovoa d a : lá e stã o Sa n tos Ve g a e o g a u ch o C ru z e M a rtín

Fie rro, p ossib ilid a d e s d e d e u se s. A cid a d e con tin u a à e sp e ra d e u m a p oe

ti-za çã o” (1993:126).

Esse m ovim e n to n ã o e sta va con fin a d o a p e n a s à lite ra tu ra . “ Socie d a -d e s tra -d icion a lista s” , “ a ca -d e m ia s criollas” ou “ ce n tros criollos” fora m fu n -d a -d os com a m issã o -d e re cria r os costu m e s -d o g au ch o, q u e in clu ía m a m ú -sica e a d a n ça . De a cord o com Ve g a , n o p e ríod o d e 1898 a 1914, fora m e s-ta b e le cid os, n a cid a d e d e Bu e n os Aire s e e m su a s vizin h a n ça s, ce n te n a s d e socie d a d e s com n om e s re la cion a d os à s fig u ra s m ítica s d a lite ra tu ra g a u-ch e sca , com o M artín Fie rro, Los Pe rse g u id os d e l Ju e z , Cru z e Trad ición d e S an tos V e g a (1981:13-57)1. A re cu p e ra çã o d e d a n ça s tra d icion a is p e rd id a s

e ra u m d os p rin cip a is ob je tivos d e ssa s a ssocia çõe s. J u n ta ra m -se a e sse e sforço a s com p a n h ia s itin e ra n te s d e te a tro (z arz u elas criollas) e o ch a m a -d o circo criollo, q u e e n ce n a va m d ra m a s g au ch os, in clu in d o m ú sica a o vi-vo e d a n ça s tra d icion a is com o p a rte d a s p e rform an ce s. Ap re se n ta va m -se d a n ça s com o cie litos, e stilos, p e ricon e s, m e d ia cañ as e triu n fos. Ad e m a is, a in cip ie n te in d ú stria cin e m a tog rá fica in sp irou -se n a s tra d içõe s g au ch as, p rod u zin d o film e s com títu los com o A lm a Criolla, Tie rra A rg e n tin a, El G au -ch o ou Rom an ce A rg e n tin o. N a s g ra va d ora s, os rótu los criollo e n acion al fora m la rg a m e n te u sa d os p a ra p e ssoa s ou g ru p os q u e ca n ta va m ca n çõe s p op u la re s, te n ore s q u e in te rp re ta va m óp e ra s clá ssica s e orq u e stra s d e ta n-g o q u e re ce b e ra m o títu lo d e orq u e stra típ ica criolla. As d u a s com p a n h ia s g ra va d ora s m a is im p orta n te s e ra m a Re cord s Cre ole e a Record s N ation al. É con tra e sse p a n o d e fu n d o cu ltu ra l e h istórico q u e o ta n g o a p a re ce , com o re p re se n ta n te d o u rb a n o e d a cid a d e d e Bu e n os Aire s, se n d o, a o m e sm o te m p o, criollo e n a cion a l. Este a rtig o a rg u m e n ta , com o foi a ssin a la d o n a in trod u çã o, q u e a m u d a n ça é m a is b e m com p re e n d id a com o u m p roce sso re la cion a d o à s tra d içõe s p orq u e a e xistê n cia d e con tin u id a d e s cu ltu ra is d a d a s le g itim a a in ova çã o. As com p le xid a d e s d a re p re se n ta çã o d o ta n g o e stã o su tilm e n te re la cion a d a s a o re n a scim e n to d a s tra d içõe s g au ch as.

As t ransf ormações do t ango:

de dança e música urbanas à represent ação “gaucha”

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a p e sa r d e a in d a se r im p orta n te n os arrab ale s, a p re se n ça ru ra l n ã o in -flu e n cia va ra d ica lm e n te se u d e se n volvim e n to. “ O ta n g o n ã o é ru ra l, é p orte ñ o” , e scre ve u . “ Su a p á tria sã o a s e sq u in a s rosa d a s d a s ru a s d os su -b ú r-b ios, n ã o o ca m p o; se u a m -b ie n te , os -b a irros p o-b re s; se u sím -b olo, os sa lg u e iros-ch orõe s, ja m a is o u m b u (a á rvore típ ica q u e re p re se n ta os p a m -p a s)” (1993:103). Um a d a s fig u ra s socia is d o arrab al e ra o com p ad re , p e r-son a g e m m a scu lin o com ra íze s n a s á re a s ru ra is, g e ra lm e n te e m p re g a d o d os m a ta d ou ros q u e lá p rolife ra va m . C ollie r d e scre ve u -o vivid a m e n te , co-m o se se g u e :

“ O livre e n ôm a d e m u n d o g au c h o h a via m a is ou m e n os d e sa p a re cid o n os

a n os 1880, e m b ora o c o m p ad re su b u rb a n o te n h a ta lve z h e rd a d o ce rtos va

lo-re s g au ch os: org u lh o, in d e p e n d ê n cia , m a scu lin id a d e oste n tosa , p rop e n sã o

p a ra re solve r p rob le m a s d e h on ra à fa ca . M a is n u m e rosos q u e os c o m p ad re s

e ra m os jove n s d e orig e m p ob re q u e p rocu ra va m im itá los e q u e e ra m con h e

-cid os com o c o m p a d ritos, va le n tõe s d e ru a b e m re p re se n ta d os n a lite ra tu ra

d a é p o c a e fa c ilm e n t e id e n t ific á v e is p o r se u s c o n t e m p o r â n e o s a p a r t ir d e

se u ve stu á rio p a d rã o: ch a p é u m ole , le n ço d e se d a folg a d o a m a rra d o n o p e

s-coço, fa ca d iscre ta m e n te e m b a in h a d a n o cin to, b ota s d e sa lto” (1992:94-95).

O ta n g o e ra , a ssim , p ovoa d o d e com p ad re s e com p ad ritos, e m u m a é p oca e m q u e os h e róis g au ch os tin h a m g ra n d e im p ortâ n cia n a cu ltu ra e n a lite ra tu ra p op u la re s. G au ch os e com p ad ritos, e m u m a e sp é cie d e com b in a çã o p ou co u su a l, torn a ra m se , d u ra n te e sse p e ríod o, p e rson a g e n s re -p re se n ta tivos n os d e sfile s d e C a rn a va l re a liza d os e m Bu e n os Aire s (C h a s-te e n 2000).

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cio-n a is” (2000:54). O can d o m b e re d u ziu se a u m a d a n ça con ve n cion a l d u -ra n te a se g u n d a m e ta d e d o sé cu lo XIX, a o la d o d e d a n ça s p op u la re s com o a p olca , a m a zu rca e e sp e cia lm e n te a h ab an e ra, o ritm o h isp a n o-cu b a n o d a m od a n a Am é rica La tin a . C a rp e n tie r ob se rvou q u e , n o ta n g o, a p o-p u la çã o n e g ra a rg e n tin a , q u a se d e sa o-p a re cid a n o fim d o sé cu lo XIX, foi re -cu p e ra d a e m u m a e sp é cie d e ca sa m e n to in e sp e ra d o com a h ab an e ra e u -rop é ia m a is d o q u e com a con trad an z a cu b a n a (2001:99). É, p orta n to, co-m u co-m e n te a ce ito q u e a in flu ê n cia d os co-m ovico-m e n tos d o can d om b e n a core o-g ra fia p a ra ca sa is d a h ab an e ra é o a n te ce d e n te m a is p róxim o d o ta n o-g o. C ollie r re su m e p e rfe ita m e n te e sse p roce sso cria tivo:

“ O ta n g o […] foi a p e n a s u m a fu sã o d e e le m e n tos d ísp a re s e con ve rg e n te s:

a s con torçõe s b ru sca s e se m i-a tlé tica s d o can d o m b e , os p a ssos d a m ilon g a e

d a m a zu rca , o ritm o e a m e lod ia a d a p ta d os d a h ab an e ra. Eu rop a , Am é rica e

África re u n ira m -se n os arra b ale s d e Bu e n os Aire s, e a ssim n a sce u o ta n g o

— p or im p rovisa çã o, p or te n ta tiva e e rro, e p or cria tivid a d e p op u la r e sp on

-tâ n e a ” (1992:97).

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a orq u e stra a té os a n os 20, q u a n d o o p ia n o e o b an d on e ón fora m g ra d u a l-m e n te in trod u zid os. Ul-m a ve z q u e o p rin cip a l ob je tivo e ra fa ze r l-m ú sica p a ra d a n ça r, o e stilo d e e xe cu çã o e ra “ ora l” , n o se n tid o d e q u e os m ú sicos im p rovisa va m o te m p o tod o, se m re a liza r solos p rop ria m e n te d itos. A m ú sica tom ou a form a d e u m a e sp é cie d e d iá log o e n tre a orq u e stra e os d a n -ça rin os — d iá log o e m q u e a im p rovisa çã o m u sica l e sta va in tim a m e n te a ssocia d a a u m a core og ra fia “ e rótica ” rica e com p le xa . N o com e ço, e n tã o, o ta n g o e ra p a ra d a n ça r e n ã o p a ra ou vir. O s te xtos q u e a com p a n h a va m a m ú sica e ra m d ire tos, ou sa d os, in sole n te s e , n a op in iã o d e m u itos, re fle ti-a m u m ti-a e sp é cie d e e xib icion ism o m ti-a scu lin o p rim itivo (ve r Rom ti-a n o 1991). Um n ovo ta n g o d e se n volve u -se d e p ois d os a n os 20, o ta n g o d e la N u e v a G u ard ia (Fe rre r 1960:31-36). Ta n to a com p osiçã o m u sica l d e sse p e ríod o q u a n to a s n ova s orq u e stra s d a va m m a is lib e rd a d e a os solista s, re -d u zin -d o -d ra stica m e n te o g ra u -d e im p rovisa çã o. O s m a e stros, p or su a ve z, p a ssa ra m a se p re ocu p a r m a is com d e ta lh e s e n u a n ça s n a orq u e stra çã o d o q u e com e xe cu çõe s d e solos im p rovisa d os. N e sse se n tid o, o ta n g o e vo-lu iu n a d ire çã o op osta à d o jaz z . A m u d a n ça m a is im p orta n te , con tu d o, p od e se r ob se rva d a n a s le tra s. O s n ovos a u tore s d o ta n g o con ta va m h is-tória s com p a cta s e com ove n te s sob re p e rson a g e n s e d ile m a s m ora is fa cil-m e n te e n te n d id os e id e n tifica d os p or u cil-m p ú b lico d a s cla sse s cil-m é d ia e b a i-xa , va sto e h e te rog ê n e o. O ta n g o, a ssim , d e ixou d e se r u m a e xp re ssã o e s-se n cia lm e n te in stru m e n ta l p a ra s-se torn a r p rin cip a lm e n te u m a n a rra tiva in te rp re ta d a p or u m a p le tora d e ca n tore s — h om e n s ou m u lh e re s — e x-tra ord in á rios.

O ta n g o g ra d u a lm e n te p e n e trou n o te a tro p op u la r, o sain e te , tom a n -d o o lu g a r -d a s ou tra s m ú sica s e -d a s -d a n ça s q u e p re -d om in a va m n o te a tro criollo (z arz u e lism o criollo). A p rim e ira a p re se n ta çã o foi e m 1918, n o sai-n e te Los Die sai-n te s d e l Pe rro, osai-n d e C a rlos G a rd e l ca sai-n tou M i N och e Triste , com p osta e m 1917 p or Pa scu a l C on tu rsi. N a m itolog ia d o ta n g o, e ssa ca n -çã o in a u g u rou a é p oca d a N ova G u a rd a . De sd e e n tã o, e d u ra n te os a n os 20, h ou ve ta n g os, orq u e stra s e ca n tore s n os m a is p op u la re s sain e te s, n or-m a lor-m e n te a p re se n ta d os n o con te xto d os ca b a ré s, u or-m a a re n a tip ica or-m e n te u rb a n a .

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ti-co p a ra m u ita s d a s h istória s d o ta n g o. N a s le tra s d e d ive rsa s ca n çõe s, o ca b a ré a p a re ce com o u m lu g a r-ch a ve p a ra a a tra çã o e rótica , u m a im a g em p od e rosa q u e con tra sta va com o la r, o b a r loca l e o b arrio (o b a irro). E m ta l ce n á rio, b e m com o e m ou tros loca is d e d a n ça , p re d om in a va m a s rou -p a s u rb a n a s, m od e rn a s, e le g a n te s e sofistica d a s. N e m os d a n ça rin os n e m os m ú sicos ou os ca n tore s u sa va m rou p a s g au ch as, cu jo lu g a r e vid e n te m e n te n ã o e ra a q u e le . O ta n g o d e scon e ctou se , p orta n to, d a s orig e n s ru -ra is, d os t-ra je s m istos d os c o m p ad ritos, e torn ou -se u m a re p re se n ta çã o d e u m e stilo d e vid a p or e xce lê n cia u rb a n o.

A g lob a liza çã o d o ta n g o ocorre u d u ra n te e sse p e ríod o, com a a ju d a d a te cn olog ia m od e rn a : o rá d io, os film e s e os d iscos. Alg u n s ca n tore s (com o C a rlos G a rd e l) e orq u e stra s se torn a ra m fa m osos m u n d o a fora . Es-se m e sm o p roce sso d e g lob a liza çã o Es-se rviu p a ra in ve n ta r u m a “ tra d içã o” , u m e sp e lh o n o q u a l os a rg e n tin os p od ia m se ve r, p re cisa m e n te p orq u e a li os “ ou tros” com e ça ra m a vê -los. A n a rra tiva , a d a n ça e a m ú sica , q u e form a va m a s d ife re n te s fa ce s d o ta n g o, torn a ra m -se u m e le m e n to-ch a ve n a cria çã o d e u m p rod u to cu ltu ra l a rg e n tin o “ típ ico” . O s te xtos, com o d iscu rso e scrito, con ve rte ra m -se e m u m a e sp é cie d e “ p oé tica p op u la r” . Se m o p od e r d a m ú sica , n o e n ta n to, o im p a cto d a s p a la vra s p rova ve lm e n-te n-te ria sid o b a sta n n-te d ife re n n-te . A p od e rosa com b in a çã o d e n-te xto e m ú si-ca d a va à s h istória s e m ocion a is e scrita s u m a d im e n sã o e sp e cia l, p orq u e fa zia d e la s ob je to d e ca n to e d a n ça . N a Eu rop a , p or su a ve z, a m ú sica e a d a n ça e ra m m a is im p orta n te s q u e a s le tra s. N e sse con te xto, e e sp e cia lm e n te q u a n d o a s orq u e stra s ou os d a n ça rin os se a p re se n ta va lm e lm ca b a -ré s e e m d ife re n te s tip os d e sh ow , a s rou p a s g au ch as, com o sím b olo d a Arg e n tin a típ ica , g a n h a va m im p ortâ n cia .

O ta n g o, com o d a n ça , ch e g ou a Pa ris log o n os a n os 10 e e ra con sid e -ra d o tã o e xótico q u a n to g ê n e ros m u sica is com o a m ú sica trop ica l cu b a n a , o fla m e n co, a s d a n ça s ru ssa s e a s h a va ia n a s e , m a is ta rd e , o jaz z n orte -a m e ric-a n o2. É n e sse con te xto q u e u m a d a n ça u rb a n a se rá a ssocia d a a u m a

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s-tid os d e coq u e te l tip o ta n g o, sa ia s-ca lça s h a ré m e o e sp a rtilh o ta n g o fora m a s in ova çõe s m a is b e m su ce d id a s. O ú ltim o foi con sid e fora d o re volu -cion á rio p orq u e e ra fle xíve l e le vou m u ita s m u lh e re s a a b a n d on a r os e s-p a rtilh os ríg id os m a is ortod oxos (Sa vig lia n o 1995:125).

O ta n g o e ra u m a e xp e riê n cia d ife re n te n ã o a p e n a s p or te r tra zid o a s m u d a n ça s q u e m e n cion e i, m a s ta m b é m p or te r sa íd o d e u m lu g a r d ista n -te , d e u m p a ís com u m va sto p a m p a p ovoa d o p or g au ch os, u m a te rra q u e a tra íra , n a s d é ca d a s a n te riore s, m ilh õe s d e im ig ra n te s e u rop e u s. Sa vig lia n o a firm a q u e o fa scín io d o ta n g o com o d a n ça n ã o e sta va n e ce ssa ria m e n -te re la cion a d o a u m a se n su a lid a d e in stin tiva , com o n o ca so d e m u ita s d a n ça s “ p rim itiva s” , m a s a o q u e e la ch a m a d e p roce sso d e se d u çã o: u m ca sa l d a n ça n d o e m a n te n d o se u s im p u lsos e róticos sob con trole , “ e m u m a m ú tu a m e d içã o d e força s” (1995:110). N o e n ta n to, o ta n g o e ra visto com o u m a d a n ça e xótica , vin d a d e u m lu g a r com u m a a tm osfe ra d e p rim itivis-m o. An d ré d e Fou q u iè re s, u itivis-m p e d a g og o d e d a n ça , a firitivis-m ou e itivis-m 1913 q u e o ta n g o

“ […] e ra u m a d a n ça d os fa m osos g au ch os, os va q u e iros d a Am é rica d o Su l,

h om e n s ru d e s q u e e vid e n te m e n te n ã o p od e m a p re cia r a s m a n e ira s d e lica

-d a s -d e n ossos sa lõe s — se u com p orta m e n to va i -d e u m a corte b ru ta l a u m

cor-p o-a -corcor-p o q u e cor-p a re ce u m a lu ta . O ta n g o […] n ã o cor-p od e se r d ire ta m e n te

im-p orta d o. Te m d e se r im-p a ra d o n a a lfâ n d e g a im-p a ra u m a sé ria in sim-p e çã o e d e ve ria

se r su b m e tid o a sé ria s m od ifica çõe s” (1913:58).

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m e sm o ocorre u com orq u e stra s e d a n ça rin os e m e xcu rsã o e m tod a a Eu -rop a e n os Esta d os Un id os. N och lin ca ra cte rizou e ssa a titu d e com o u m a m a n e ira d e d e fin ir o “ ou tro” e m re la çã o a u m a “ sin g u la r e in a p re e n síve l vid a se lva g e m ” (1989:50).

N o e n ta n to, a fa scin a çã o p e lo p rim itivism o n a s re p re se n ta çõe s e u ro-p é ia s sob re o ta n g o e ra a lg o a m b iva le n te , visto q u e e le ve io a torn a r-se u m a d a n ça d e sa lã o típ ica . A core og ra fia e xótica , se lva g e m e orig in a l, d e se n volvid a p or d a n ça rin os a rg e n tin os, foi tra n sform a d a p or p e d a g og os fra n ce se s e m u m a d a n ça e stiliza d a , q u a se u m b a lé . C on com ita n te m e n te a e ssa in se rçã o n o m e rca d o d e tra b a lh o, a “ core og ra fia m od e rn a ” torn ou -se u m ca m p o d om in a d o p e los p e d a g og os d e d a n ça fra n ce se s. C on cre ta m e n-te , De Fou q u iè re s p rop ôs u m a e sp é cie d e re volu çã o core og rá fica , su b sti-tu in d o os in con tá ve is p a ssos p or a p e n a s se is fig u ra s p rin cip a is. Sa vig lia n o ob se rva q u e “ e ssa s te n ta tiva s d e d om e stica r o ta n g o fora m , n a m a ioria , b e m re ce b id a s” (1995:122). O ta n g o foi e n tã o tra n sform a d o e m u m a d a n ça g lob a liza d a , u m a ve z q u e se p rod u ziu u m a g ra m á tica core og rá fica re -d u zi-d a . Borg e s com e n tou e ssa tra n sform a çã o, a ssin a la n -d o q u e , a n te s -d o triu n fo e m Pa ris, o ta n g o e ra u m a “ org iá stica d ia b ru ra ” e , d e p ois, a p e n a s “ u m a m a n e ira d e a n d a r” (1980:89) — d e se lva g e ria se xu a l, con ve rte u -se e m d a n ça u rb a n a .

Bioy C a sa re s ob se rvou q u e o ta n g o q u e Rod olfo Va le n tin o e Be a tri-ce Dom in g u e s, a m b os ve stin d o rou p a s g au ch as, d a n ça va m e m Th e Fou r H orse m an of th e A p ocaly p se , u m film e m u d o d e H ollyw ood fe ito e m 1921, e sta b e le ce u u m a e sp é cie d e m od e lo e sté tico d om in a n te id e n tifica d o com a Arg e n tin a tra d icion a l (1970:27). O e scritor con clu iu q u e , e m ce rta m e d i-d a , a ve stim e n ta g au ch a e ra im p osta p or u m a e sp é cie d e olh a r colon ia l. Ain d a se g u n d o Bioy C a sa re s, p a ra m u itos p orte ñ os e ssa im a g e m e ra “ fa l-sa ” , e e le s tin h a m m e d o d e q u e , n o m u n d o re a l, a s rou p a s e a s a titu d e s d e Va le n tin o fosse m id e n tifica d a s com os g au ch os a rg e n tin os. A con e xã o e n tre a Arg e n tin a , os g au ch os, o p rim itivism o e o ta n g o foi m a n tid a p or u m lon g o te m p o. M e sm o n os a n os 30, com o o g ra n d e p oe ta d o ta n g o En -riq u e Sa n tis Discé p olo con sta tou , e ra p ossíve l e n con tra r e m Pa ris orq u e s-tra s e d a n ça rin os u sa n d o rou p a s g au ch as. Discé p olo ch a m ou os d e “ g au -ch os in críve is e in e xp licá ve is” e , n o ca b a ré Le La p in , -ch e g ou a ve r u m “ m a rin h e iro g au ch o” (Za lk o 1998:138).

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Sa n tia g o d e l Este ro, loca liza d a e m u m a á re a re la tiva m e n te p ob re n o n or-d e ste or-d a Arg e n tin a , An or-d ré s C h a za rre ta , p rofe ssor e m ú sico or-d e im p roviso, in iciou n os a n os 10 a com p ila çã o d e ca n çõe s p op u la re s e a re cu p e ra çã o siste m á tica d e d a n ça s tra d icion a is. Ele re con h e ce u q u e su a in sp ira çã o n a sce u d o con ta to com a lite ra tu ra g a u ch e sca , d o com p a re cim e n to a a p re -se n ta çõe s d o circo criollo e d a re sistê n cia à s d a n ça s im p orta d a s com o a m a zu rca e a p olca , a in d a p re se n te s e m su a p rovín cia (Ve g a 1981:102-103). Em 1911, C h a za rre ta form ou u m a com p a n h ia d e d a n ça rin os e m ú sicos e a p re se n tou -se , com g ra n d e im p a cto, e m Sa n tia g o d e l Este ro3. O g ru p o —

q u e d a n ça va ch acare ras, g atos, e scon d id os, p alitos, h u e llas, b aile citos e m alam b os e q u e ve stia rou p a s g au ch as — ch a m a va -se Com p añ ia d e Baile Criollo. As visita s a a lg u m a s cid a d e s d o n orte d a Arg e n tin a e a s a p re se n ta çõe s n a q u e le s lu g a re s n ã o tive ra m o m e sm o su ce sso. A p rin cip a l a sp ira -çã o d e C h a za rre ta , n o e n ta n to, e ra le va r se u e sp e tá cu lo a Bu e n os Aire s. Ele e sp e rou d e z a n os. Em 1921, com u m n ovo g ru p o, a Com p añ ia d e A rte N ativ o, a p re se n tou u m sh ow q u e con q u istou o p ú b lico e a crítica d a cid a -d e . Ta l foi a re sp osta q u e e le s se a p re se n ta ra m , com ca sa lota -d a , -d u ra n te u m m ê s e m e io. Ve g a e xp lica o triu n fo d o folclore n a ca p ita l com o u m a in-d ica çã o in-d a in-d e scob e rta p e la Bu e n os Aire s “ e stra n g e ira e cosm op olita ” in-d a e xistê n cia d a “ ou tra Arg e n tin a ” e d e su a p op u la çã o n a tiva m a rg in a liza -d a , com su a s tra -d içõe s (1981:141-143; ve r, ta m b é m , Ale n La sca n o 1972). A im p re n sa d e fin iu u n a n im e m e n te o su ce sso com o u m e xe m p lo d e re -n a scim e -n to -n a cio-n a l.

Ta m b é m é im p orta n te m e n cion a r u m forte m ovim e n to re viva lista in icia d o e m 1926 n a cid a d e d e Sa n An ton io d e Are co, n a p rovín icia d e Bu e n os Aire s. Rica rd o G ü ira ld e s, a u tor d e u m a ob ra p rim a d a lite ra tu ra g a u -ch e sca , Don S e g u n d o S om b ra, foi h om e n a g e a d o p or u m m ovim e n to g au -ch o. C e n te n a s d e p e ssoa s com rou p a s g au ch as e ca va los visita ra m -n o e m su a e stâ n cia “ La Porte ñ a ” : toca ra m -se e d a n ça ra m -se ca n çõe s p op u la re s tra d icion a is, ou viu -se a “re tre ta d e l d e sie rto” , org a n iza ra m -se corrid a s d e ca va lo e o p on to a lto d a fe sta foi u m a a p re se n ta çã o e m q u e se d e m on s-tra va h a b ilid a d e e q ü e stre . Form ou -se u m a com issã o loca l com o ob je tivo d e cria r u m d ia n a cion a l d a tra d içã o. Em 1939, o g ove rn o d a p rovín cia d e Bu e n os Aire s d e cla rou 10 d e n ove m b ro o Dia d a Tra d içã o, e m com e m ora -çã o a o a n ive rsá rio d o e scritor J osé H e rn á n d e z, a u tor d o p oe m a é p ico g au -ch o M artín Fie rro. De sd e a q u e le a n o, a d a ta é ce le b ra d a n a cid a d e d e Sa n An ton io d e Are co (ve r Bla ch e 1979).

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-se n ta n te d o “ n a cion a l” . O b via m e n te , o ta n g o n ã o e ra a ú n ica m ú sica n e m a ú n ica d a n ça d a Arg e n tin a . O folclore a p re se n ta d o p or C h a za rre ta , ta m-b é m d e fin id o p e los a rg e n tin os com o n a cion a l, n ã o via jou p e lo m u n d o, con tin u ou ru ra l, loca l e p a rticu la r. Pa ris re criou o ta n g o, e n q u a n to Bu e n os Aire s d e scob ria o in te rior d a Arg e n tin a . N e ste p a ís, a coe xistê n cia d o fol-clore e d o ta n g o e ra e vid e n te . M e sm o n o p e ríod o a n te rior a o in ício d a No-va G u a rd a , e m 1917, g ra n d e s ca n tore s d e d ica ra m -se à m ú sica criolla d a s p rovín cia s d o p a m p a a n te s d e p a ssa r a o ta n g o. A d istâ n cia e n tre e sse s d ois g ê n e ros n ã o e ra tã o e xtre m a . Por in te rm é d io d o ta n g o, a lg u n s d os a r-tista s se con ve rte ra m d e ca n tore s “ ru ra is” e m típ icos ca n tore s “ u rb a n os” . Ilu stra re i e ssa tra n sform a çã o com e xe m p los d a vid a d e C a rlos G a rd e l, o m ítico ca n tor d e ta n g o a rg e n tin o.

A t ransf ormação de Carlos Gardel:

das canções populares t radicionais ao t ango

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-d á ve is -d e re cor-d a çã o p a triótica , ca n ta n -d o b on itos e stilos e vá ria s ou tra s ca n çõe s com o tra d icion a l se n tim e n to d os g au ch os” (C ollie r 1986:133). A con e xã o e n tre a a u te n ticid a d e criolla e os se n tim e n tos g au ch os tra d icio-n a is e ra e xp re ssa icio-n a m ú sica d e G a rd e l, M a rtiicio-n o e Ra zza icio-n o. A icio-n a çã o e ra re p rod u zid a p or m e io d e su a m ú sica e d e su a d a n ça .

M a rtin o d e ixou o g ru p o e n a sce u a ssim o fa m oso Du o G a rd e lRa zza -n o. A e stré ia form a l te ve lu g a r -n o ca b a ré Arm e -n o-n ville , e m d e ze m b ro d e 1915, on d e e le s d ivid ira m a a p re se n ta çã o com u m a orq u e stra d e ta n g o in te g ra d a p or m ú sicos e xtra ord in á rios com o Rob e rto Firp o n o p ia n o, Ed u -a rd o Arol-a s n o b an d on e ón e Da vid Rocca ta g lia ta n o violin o. C om o a ssn a le i a ssn te s, a ce ssn a cu ltu ra l e m Bu e ssn os Aire s d u ra ssn te os a ssn os 10 e ra d om i-n a d a p e la s form a s tra d icioi-n a is d o te a tro a rg e i-n tii-n o: sain e te e criollo. E m 1920, h a via cin q ü e n ta te a tros n a cid a d e . O s te a tros, m a s ta m b é m os cin e -m a s, fora -m i-m p orta n te s p a ra G a rd e l e Ra zza n o p orq u e , d u ra n te os in te rm e z z os, se ofe re cia e n tre te n irm e n to a o vivo. O Du o via jou p or ou tra s g ra n -d e s ci-d a -d e s -d a Arg e n tin a : Rosa rio, Sa n ta Fe e C ór-d ob a . Se u re p e rtório, com p osto d e ca n çõe s p op u la re s criollas — ou m e lh or, ca n çõe s p op u la re s com p osta s e m id iom a tra d icion a l ou d o ca m p o —, viria a se r re con h e ci-d o com o a lg o orig in a l e ca ra cte rístico. Em 1916, e le s in icia ra m ta m b é m u m a ca rre ira in te rn a cion a l, p rim e iro n o Uru g u a i, d e p ois n o Bra sil. A via g e m a e ste ú ltim o p a ís foi m u ito im p orta n te e con solid ou a fa m a d os ca n -tore s. C om o se m p re , e le s toca ra m n os in te rm e z z os d a s p e ça s, sain e te s ou criollos, in te rp re ta d a s p e la C om p a ñ ia Dra m á tica N a cion a l. A im p re n sa b ra sile ira a p re se n tou a m ú sica d e G a rd e l e Ra zza n o com o re g ion a l, ru ra l e criolla (p la n g e n te s ca n çõe s criollas).

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Em 1917-18, G a rd e l e n con trou a n ova ca n çã o p op u la r, o ta n g o, q u e e ra b a sta n te d ife re n te d o re p e rtório p op u la r tra d icion a l d o Du o. Se g u n -d o C ollie r, “ a q u e le s fora m os a n os e m q u e G a r-d e l e o ta n g o a rg e n tin o fi-n a lm e fi-n te se e fi-n cofi-n tra ra m , os a fi-n os e m q u e e sse a rtista m a g fi-n ífico ifi-n iciou a a sce n sã o g ra d u a l à su a p osiçã o in con te stá ve l e d e fin itiva com o a fig u -ra su p re m a d e tod a a h istória d o ta n g o” (1986:54). G a rd e l e n trou n o m u n -d o -d o ta n g o e o re p re se n tou a té su a m orte re p e n tin a , e m 1935. M e sm o h oje , é visto com o a le n d a d o ta n g o. De 1925 a 1930, con solid ou su a fa -m a e xcu rsion a n d o p e la Eu rop a e se torn a n d o u -m a stro d e cin e -m a . N o e n -ta n to, ja m a is d e ixou d e ca n -ta r ca n çõe s criollas, in trod u zin d o e m se u re -p e rtório, e m 1925, a lg u m a s com -p osiçõe s d e C h a za rre ta . Ele a s g ra vou d u ra n te os a n os 20 e n o in ício d os a n os 30. As ca rre ira s d e a rtista s p ro-fission a is com o G a rd e l e ou tros m ú sicos e ca n tore s ilu stra m a s in te rfa ce s e n tre d ife re n te s g ê n e ros d e m ú sica . O p a n ora m a m u sica l d a Arg e n tin a e ra va ria d o e re fle tia a s com p le xid a d e s d e u m a n a çã o e m con stru çã o. A d istâ n cia , p orta n to, e n tre a s re p re se n ta çõe s g au ch as e a m od e rn id a d e n ã o e ra tã o g ra n d e . N e sse con te xto, é m a is fá cil e n te n d e r p or q u e m ú si-cos e ca n tore s d e ta n g o a ce ita ra m se m re sistê n cia o olh a r e u rop e u q u e os d e fin ia com o “ g au ch os” .

Conclusão

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Em u m p a ís d e im ig ra çã o m a ciça p od e m os ve r o d iscu rso n a cion a l, a s im a g e n s e a s a p re se n ta çõe s com o e xe m p los d e id e n tid a d e s d e sloca -d a s, e p o-d e m os e sp e ra r q u e se e n con tre ig u a lm e n te -d e sloca -d o o se n ti-d o d e “ a lte rid a d e ” . Em socie d a d e s m a is h om og ê n e a s, se é q u e e xiste m , su -p on h o h a ve r u m d e sloca m e n to m e n os a -p a re n te e a cre d ito q u e a fa lta d e u m m od e lo e xp lícito d e tra n sform a çã o se ja m a is ób via : a n a cion a lid a d e é d e fin id a e vive n cia d a com o a lg o m a is e vid e n te , m e n os p rob le m á tico. Em u m a socie d a d e com o a a rg e n tin a , u m a im a g é tica n a cion a l a ca b a d a te n ta rá in te g ra r u m a “ a lte rid a d e ” d ife re n te , p ois p re cisa d e tod os os fra g m e n -tos, d e tod a s a s id e n tid a d e s d e sloca d a s e d e scom b in a d a s, e se a p óia n o ca rá te r m u ta n te d os g ru p os q u e h a b ita m u m d a d o te rritório. A Arg e n tin a e n trou n a m od e rn id a d e p rod u zin d o u m a sé rie d e id e n tid a d e s e te n d ê n -cia s cu ltu ra is con tra d itória s q u e im p e d ia m a in te g ra çã o e a re striçã o a u m a im a g é tica n a cion a l ú n ica , ta l q u a l a p re te n d id a p e los n a cion a lista s e p e -los re p re se n ta n te s d os m ovim e n tos tra d icion a lista s. M e u s e xe m p -los m ostra m q u e a id e n tid a d e cu ltu ra l a rg e n tin a e ra , e n tã o, a lta m e n te d e p e n -d e n te -d a m u ltip lici-d a -d e . O folclore e n volvia o ta n g o e vice -ve rsa . G a r-d e l e ra ta n to u m ca n tor p op u la r tra d icion a l q u a n to a q u in ta e ssê n cia d o ta n -g o. C on fron ta d a com tra n sform a çõe s a ce le ra d a s, a tra d içã o, ou m e lh or, a q u ilo q u e se d e fin ia com o tra d içã o e ra p e rce b id o com o u m a g a ra n tia d a con tin u id a d e cu ltu ra l, com o form a d e g e ra r u m se n so d e p e rte n cim e n to.

Re ce b id o e m 11 d e n ove m b ro d e 2002

Ap rova d o e m 12 d e n ove m b ro d e 2002

Tra d u çã o d e Sé rg io Pa u lo Be n e vid e s

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Not as

1 O live n (1996) m ostrou com o o M ovim e n to Tra d icion a lista G a ú ch o n o Bra sil

con te m p orâ n e o re criou id e n tid a d e s re g ion a is e n a cion a is. M u ita s d e su a s ob se r-va çõe s e d e su a s d e scob e rta s e m p írica s p od e m se r re la cion a d a s à id e olog ia e a os ob je tivos d o m ovim e n to tra d icion a lista n a Arg e n tin a .

2 Brod y a ssin a lou q u e a s G ra n d e s Exp osiçõe s d e 1867 e 1878 e m Pa ris p re

-p a ra ra m o ca m in h o -p a ra o g ra n d e im -p a cto d a m ú sica e xótica n a Ex-p osiçã o d e 1889. A com issã o org a n iza d ora d e 1889 con sid e ra va a m ú sica u m a d a s p rin cip a is a tra -çõe s d a e xp osiçã o. Brod y a firm a q u e , “ p e la p rim e ira ve z n e ssa e xib içã o, h a via a p re se n ta çõe s d e m ú sica ‘e xótica ’ q u e e ra m p e rce b id a s com o a p re se n ta çõe s ‘m u sica is’” (1987:94). Ela con clu i a firm a n d o q u e , e m 1889, “ m u itos e u rop e u s m ostra -ra m -se p ron tos p a -ra t-ra ta r a m ú sica com o u m u n ive rsa l cu ltu -ra l, m e sm o q u e su a s orig e n s fosse m ca m b oja n a s ou siou x” (1987:95).

3 C h a za rre ta d e fin iu a si p róp rio com o u m folk loris ta. Ele n ã o e ra m e m b ro

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Resumo

De 1900 a 1930, a Arg e n tin a e ste ve sob o im p a cto d e u m a m a ssiva im ig ra çã o e u -rop é ia q u e p rovocou a re con fig u ra çã o d a id e n tid a d e n a cion a l. Tod a via , o p ro-je to d e n a çã o m a sca ra su a h e te rog e n e id a id e e n e g a e sp a ço ta n to à s com u n iid a d e s q u e se vira m e n tã o su b m e rsa s q u a n to a os im a g in á rios a lte rn a tivos q u e a p re -se n ta . O a rtig o ilu stra e s-se p roce sso p a rticu la r d o p rism a d o im p a cto d a im a g e -ria e ve stim e n ta g au ch a n o ta n g o. N e sse con te xto, ve r-se -á q u e a s tra d içõe s e ve s-tim e n ta s g au ch as con stitu íra m e le m e n -tos-ch a ve d e u m re vive scim e n to n a cio-n a lista . Procu ra -se m osta r q u e a cocio-n e xã o e n tre a im a g e ria e a ve stim e n ta g au ch a, te orica m e n te p e rte n ce n te s a o p a ssa d o, a b a rca ta m b é m o ta n g o, a m ú sica e d a n -ça m od e rn a s cria d a s n a Arg e n tin a n os a n os 1880 e 1890 e e xp orta d a s p a ra o m u n d o n o in ício d o sé cu lo XX. O a rtig o ta m b é m e xa m in a a con flu ê n cia d o n a cion a lism o a rg e n tin o com id é ia s e u ro p é ia s d e e xotism o e p rim itivism o n a d e -fin içã o d e u m con te xto n o q u a l o ta n g o p od ia se r re fe rid o com o m ú sica e d a n ça g au ch as.

Palavras-chave Ta n g o, Prim itivism o, Id e n tid a d e Arg e n tin a , Ve stim e n ta G au -ch a

Abst ract

From 1900 to 1930 Arg e n tin a w a s ch a n g e d u n d e r th e im p a ct of m a ssive Eu rop e a n im m ig ra tion p rovok in g a re -m a k in g of th e n a tion a l id e n tity. H ow e v-e r, th v-e p rojv-e ct of a n a tion m a sk s its h v-e t-e rog t-e n ity a n d d t-e n it-e s a sp a ct-e b oth to th t-e com m u n itie s th a t b e com e su b m e rg e d th rou g h it a n d to th e a lte rn a tive im a g i-n a rie s th a t it d isp la ys. Th e a rticle is a i-n illu stra tion of th e se p a rticu la r p roce ss-e s th rou g h th e le n s of th e im p a ct of g au ch o im a g e ry a n d d re ss in ta n g o. In th is con te xt w e w ill se e th a t th e g au ch o d re ss a n d folk tra d ition s w e re k e y com-p on e n ts of a n a tion a list re viva l. Th e a r-ticle trie s to sh ow th a t th e con n e ction b e tw e e n g au ch o im a g e ry a n d d re ss, in th e ory b e lon g in g to th e p a st, e m b ra ce s a lso ta n g o, th e m od e rn d a n ce a n d m u sic cre a te d in Arg e n tin a in th e 1880s a n d 1890s a n d e xp orte d to th e w orld a t th e b e g in n in g of th e tw e n tie th ce n tu ry. Th e p a p e r a lso e xa m in e s th e con flu e n ce of n a tion a lism in Arg e n tin a w ith Eu rop e a n id e a s of e xoticism a n d p rim itivism in d e fin in g a n a re n a in w h ich ta n g o cou ld b e re fe rre d a s g au ch o m u sic a n d d a n ce .

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