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Mana vol.9 número1

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Academic year: 2018

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(1)

A op osiçã o e n tre e stru tura e h istória é u m d os e le m e n tos ce n tra is d o d e b a -te e p is-te m ológ ico n a a n trop olog ia socia l m od e rn a . Re su lta d o d a crítica a os m od e los e xp lica tivos e m la rg a m e d id a con je ctu ra is d o e volu cion ism o, e s-sa op osiçã o foi u m in stru m e n to fu n d a m e n ta l n a re ivin d ica çã o d e u m a h e u-rística p róp ria p a ra a d iscip lin a fe ita e m 1949 p or Lé vi-Stra u ss (1975:15)1 q u e , d e p ois, m a n te ria a cé le b re p olê m ica e m torn o d o a ssu n to com Sa rtre (cf. Sa rtre 1960; Lé vi-Stra u ss 1976 [1962]:280-ss.). C on tu d o, a p e sa r d e su a im p ortâ n cia p a ra a con stru çã o d a id e n tid a d e d a a n trop olog ia , a p ola riza -çã o d o d e b a te e m torn o d e ca te g oria s e p iste m ológ ica s e xclu d e n te s, d e re s-to u m a ca ra cte rística d o “ ca m p o” d a s ciê n cia s socia is (cf. Ale xa n d e r 1987), te m sid o d e n u n cia d a com o in fé rtil p or vá rios a u tore s, com o J e ffre y Ale xa n-d e r (1990), N orb e rt Elia s (1994:13-60), An th on y G in-d n-d e n s (1989) e M a rsh a ll Sa h lin s, q u e con sid e ra e ssa s op osiçõe s “ n ã o a p e n a s fe n om e n olog ica m e n te e n g a n a d ora s, m a s ta m b é m a n a litica m e n te d e b ilita n te s” (Sa h lin s 1990:18). Este s a u tore s d e fe n d e m u m a p rop osta a lte rn a tiva : a con stru çã o d e p e rs-p e ctiva s a n a lítica s fu n d a m e n ta d a s e m op e raçõe s d e sín te se te órica.

Esta p ostu ra la n çou n ova lu z sob re a q u e stã o d a s in te rp ola çõe s e n -tre trad ição e m u d an ça n a d in â m ica d os siste m a s socia is, m otiva çã o te ó-rica d e m e u s p rin cip a is e m p re e n d im e n tos d e p e sq u isa2, n os q u a is m e d e d iq u e i a d e m on stra r q u e o “ e stilo” ou o “ je ito d e se r” d e u m p ovo — va -le d ize r, o sig n o e a e ssê n cia d a tra d içã o cu ltu ra l q u e d e fin e o in d ivíd u o e su a socie d a d e (cf. Da M a tta 1986:15) — re a g e a o flu xo h istórico, e q u ili-b ra n d o-se e m u m a d ia lé tica q u e , e m ili-b ora e xp licite m u d a n ça s, re ssa lta , sob re tu d o, p e rm a n ê n cia s. O u se ja , n a re la çã o e n tre te n d ê n cia s d e e sta b i-lid a d e e stru tu ra l e p re ssõe s m od ifica d ora s con ju n tu ra is, o “ e stilo” d e u m p ovo, o se u “ je ito d e se r” , m a n té m a in te g rid a d e m od u lan d o-se3n o te m -p o, isto é , sin te tiz an d o trad ição e m u d an ça.

N a b u sca d o re fin a m e n to d e ssa id é ia , ch e g a m os a o con ce ito d e e th os, p a la vra a n tig a já u sa d a p or H om e ro (cf. Ve rg n iè re s 1999:82-88) e

O ETHOS SAN JOAN EN SE:

TRA D IÇ Ã O E M U D A N Ç A EM

UMA “CIDADE PEQUEN A”*

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Aristóte le s (1973:267), q u e foi a p rop ria d a p e la s ciê n cia s socia is p rim e i-ra m e n te p or Alfre d Kroe b e r, q u e d e fin e e th os com o u m “ a rom a ” q u e im p re g n a a cu ltu ra com o u m tod o (cf. Kroe b e r 1963 [1923]:101102), con -ce p çã o n a m e sm a d ire çã o form u la d a p or G e e rtz (1978 [1973]:143). N o se n tid o q u e lh e d ã o e sse s a u tore s, o con ce ito d e e th os te m e stre ita id e n -tid a d e com a n oçã o d e V olk sg e ist (e sp írito d e u m p ovo), e le m e n to ce n tra l d a filosofia d a h istória d e H e g e l (1982 [1837]) (cf. H yp p olite 1983:19-20 e In w ood 1997:117-120), a q u a l p re fig u ra a p e rsp e ctiva d e sín te se q u e a d o-to n e sta a b ord a g e m , n a m e d id a e m q u e , p a ra H e g e l, o “ e sp írio-to d e u m p o-vo” e sta rá se m p re tra sp a ssa d o p e lo “ e sp írito d o te m p o” (Z e itg e ist), q u e lh e im p õe lim ita çõe s e con stra n g im e n tos, m a s q u e a lon g o p ra zo p od e rá re ve la r d in a m ism os e m u d a n ça s, p e rm a n ê n cia s e re corrê n cia s. O u se ja , o e th os g u a rd a a m a rca d a e stru tu ra q u e con form a a tra d içã o d e u m p ovo, se u “ e sp írito” , m a s ta m b é m com p orta os in flu xos d a ação d os su je itos e d a s p re ssõe s con ju n tu rais q u e in te ra g e m com e ssa e stru tu ra e m u m d e -te rm in a d o -te m p o h istórico. Em u m a p a la vra , con sid e ro o e th os com o a m a triz e a m oe d a d os p roce ssos socia is, p ois é a re su lta n te d e u m a d u p la d ia lé tica e n tre a e stru tu ra e a ag ê n cia e e n tre a trad ição e a m u d an ça.

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“Cidade pequena”: unionismo e conflito

As “ cid a d e s p e q u e n a s” sã o con te xtos e m q u e a socia b ilid a d e é la rg a -m e n te con d icion a d a p e la p e ssoaliz ação p orq u e os in d ivíd u os e stã o in -clu íd os e m u m a m b ie n te socia l e m q u e o a lto g ra u d e p roxim id a d e p rod u z o q u e rod e fin im os e m ou tra oca siã o rod e “ visib ilirod a rod e in e vitá ve l” (C a -n ie llo e Soá re z 1989:22): os su je itos sã o re co-n h e cid os u -n s p e los ou tros e m virtu d e d e su a s m a rca s p e ssoa is, e o m a p e a m e n to d a re d e q u e p rod u z e ssa s m a rca s é a m p la m e n te d om in a d o p e la cole tivid a d e . Isto é , a “ cid a d e p e q u e n a ” é u m d a q u e le s lu g a re s on d e “ a p e ssoa n ã o te m op ortu n id a d e , d e se jo ou p ossib ilid a d e d e fica r só” (Elia s 1994:108) e , a ssim , a s re la -çõe s socia is sã o e stru tu ra d a s e m n e tw ork s (cf. La n d é 1977:xxxiii): e n g lo-b a d a p or la ços socia is e vid e n te s a o d om ín io p ú lo-b lico, a in d ivid u a lid a d e d issolve -se e m u m a re d e d e re la cion a m e n tos com p u lsórios d ita d os p e la fre q ü ê n cia d o con ta to n o cotid ia n o.

Um a d a s p rin cip a is ca ra cte rística s d e sse s con te xtos é a d ificu ld a d e e m ve icu la r d e m a n d a s con flitiva s, o q u e m a rca forte m e n te a ce n a socia l p or re la çõe s d e solid a rie d a d e e re cip rocid a d e “ ob rig a tória s” . A con tra p a rtid a d isso, q u e p od e m os d e n om in a r d e “ id e olog ia u n ion ista ” , é o d e -se n volvim e n to d a “ riva lid a d e d e b a -se fa ccion a l” (La n d é 1977:xxxii), u m a form a d e re cip rocid a d e h ostil q u e a g e in ve rsa m a s com p le m e n ta rm e n te a o in te rcâ m b io tota liza d or d a vid a cotid ia n a , p rove n d o o ca m p o d o con -flito d e u m com p on e n te in te ra tivo con d ize n te com a tra d içã o p e ssoa liza n te , n a m e d id a e m q u e a fa cçã o forn e ce a o in d ivíd u o u m a re d e d e re la çõe s su b sid iá ria s fu n d a d a e m la ços d e solid a rie d a d e p e ssoa is e d ota -d a d e u m a forte re fe rê n cia d e id e n tid a d e g ru p a l. Divid in d o o q u a d ro to-ta liza n te d a s re la çõe s socia is e m g ru p os op ostos e tra d icion a lm e n te ri-va is, o e xe rcício d a d isse n sã o torn a -se u m a p rá tica circu n scrita , cole tiri-va e , p rin cip a lm e n te , ritu a liza d a . Assim , p od e m os d ize r q u e a “ riva lid a d e d e b a se fa ccion a l” é a form a clá ssica d e org a n iza r o ca m p o d o con flito n e s-se s siste m a s a lta m e n te in te g ra tivos, u m a ve z q u e e la con s-se g u e tra d u zir a lin g u a g e m d a d e sa ve n ça p a ra o id iom a d a p e ssoa liza çã o a o d issolve r o in d ivíd u o n a fa cçã o.

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161). C om o in tu ito d e a b stra irm os o e th os san joan e n se , re con stitu ire i a h istória d a s riva lid a d e s ca rn a va le sca e p olítica d a cid a d e p a ra in te rp re ta r com o e ssa s in stitu içõe s q u e crista liza m o “ e sp írito” d o se u p ovo re a g ira m a o p roce sso d e m od e rn iza çã o p róp rio d o “ e sp írito” d o n osso te m p o.

O carnaval sanjoanense

A h istória d o ca rn a va l e m Sã o J oã o N e p om u ce n o é a n tig a . N a s p rim e ira s p ostu ra s d a C â m a ra M u n icip a l, e la b ora d a s e m 1854, já se p roib ia o “ jo-g o d e e n tru d o” (cf. C a stro 1987:165-191), o p re cu rsor d o ca rn a va l b ra si-le iro, cu ja “ ce rtid ã o d e b a tism o” é u m a p orta ria d o ch e fe d e p olícia d o Rio d e J a n e iro p u b lica d a n o a n o a n te rior, com o m e sm o te or d a le i sa n -joa n e n se (cf. Se b e 1986:55). C on tu d o, a tra d içã o ca rn a va le sca iria se fir-m a r n a cid a d e a p a rtir d o fir-m ofir-m e n to e fir-m q u e se u s h a b ita n te s p a ssa ra fir-m a se g u ir u m a te n d ê n cia q u e tra n sform ou o ca rn a va l e m u m a fe sta n a cio-n a l, a d isse m icio-n a çã o d os clu b e s ca rcio-n a va le scos (cf. J ota Efe g ê 1982). Em 1907, a lg u n s foliõe s d a cid a d e fu n d a m o Clu b Carn av ale sco Filh os d o I n fe rn o e , a p a rtir d e e n tã o, os “ fe ste jos d e M om o” torn a r-se -ia m u m a coq u e lu ch e n a p e q u e n a Sã o J oã o N e p om u ce n o (cf. V oz d o Pov o, no15, 1/ 3/ 1908). N a q u e la é p oca , o p on to a lto d o ca rn a va l e ra o “ p ré stito” re a li-za d o n a te rça -fe ira g ord a , q u e , a lé m d os ca rros a le g óricos, tra zia os “ ca rros d e crítica ” , n os q u a is g ru p os d e foliõe s m on ta va m p e q u e n os e sq u e -te s jocosos, ca n ta n d o ve rsos a lu sivos a os “ p rob le m a s” d a cid a d e e à q u ilo q u e se rvia d e a lim e n to à s re d e s cotid ia n a s d o m e xe rico.

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críti-ca s ofe n siva s a q u a lq u e r d os clu b s” (V oz d o Pov o, no326, 14/ 2/ 1915) e d e-te rm in a ria itin e rá rios d ife re n e-te s p a ra os p ré stitos d a s d u a s a ssocia çõe s, d e m a n e ira a e vita r o e m b a te e n tre trom b e te iros e d e m ocráticos.

Em 1916, ob se rva -se a con stitu içã o d e u m a p rá tica q u e p a ssou a m a r-ca r a d in â m ir-ca d a riva lid a d e r-ca rn a va le sr-ca e q u e se torn a ria u m p a d rã o p e rsiste n te , sob re vive n d o a té os d ia s a tu a is: u m a re n h id a d isp u ta p a ra sa b e r q u a l clu b e fa zia “ o m e lh or ca rn a va l” , p rin cip a lm e n te p e la a va lia çã o d os p ré stitos, m a s q u e n ã o cu lm in a va n a p rocla m a çã o d e u m “ ve n ce -d or” , n a m e -d d a e m q u e o p róp rio ju lg a m e n to -d e p e n -d ia a p e n a s -d a op i-n iã o d ifu sa e p e ssoal d e u m p ú b lico já d ivid id o p e la p a ixã o clu b ística . Is-so p rovoca va p olê m ica s in fin d á ve is d e p ois d o ca rn a va l, se ja n os e sp a ços in form a is, se ja n o p róp rio se m a n á rio loca l, re força n d o a id e n tid a d e d os a d e p tos e m re la çã o a se u clu b e e a riva lid a d e com a a ssocia çã o op on e n te . Se g u n d o os sa n joa n e n se s m a is ve lh os, e ssa e ra u m a p rá tica e xe rcid a com fre q ü ê n cia e e n tu sia sm o e e ste n d ia os la ços d e solid a rie d a d e e riva lid a d e clu b ística p a ra m u ito a lé m d o â m b ito p rop ria m e n te ca rn a va le sco. Pod e -se d ize r q u e a id e n tifica çã o clu b ística , a ssim , -se torn a va u m crité rio d e cla ssifica çã o socia l p od e roso n o e sp a ço tota liza n te d a s re la çõe s socia is.

Dois fa tos ocorrid os e m 1917 fora m m u ito im p orta n te s p a ra a con so-lid a çã o d o clu b ism o e d a riva so-lid a d e e m Sã o J oã o N e p om u ce n o: p rim e iro, a p rom oçã o con com ita n te d e fe sta s p ré -ca rn a va le sca s p e los d ois clu b e s, o q u e e ste n d ia o “ te m p o d o ca rn a va l” p a ra o m ê s d e ja n e iro; e , se g u n d o, a con stru çã o d a se d e socia l d o De m ocráticos, in a u g u ra d a p e lo a g e n te e xe cu tivo6, Dr. Pé ricle s Vie ira d e M e n d on ça , a fig u ra p olítica m a is im-p orta n te d a cid a d e e m tod os os te m im-p os (cf. C a n ie llo 1990a :48-51). M e m o n o p e ríod o d a Prim e ira G ra n d e G u e rra , q u a n d o se ob se rva u m “ e s-va zia m e n to” d o ca rn a s-va l, e ssa con solid a çã o con tin u a ria com a in stitu cio-n a liza çã o d o clu b e , torcio-n a d o “ socie d a d e civil” . Aliá s, cio-n o a cio-n o d e 1918, com o se fora u com a con tra p a rtid a a o re la tivo d e clín io d a riva lid a d e n o ca rn a -va l, sã o fu n d a d os d ois clu b e s d e fu te b ol, q u e se torn a ria m in stru m e n tos d e u m a riva lid a d e tã o ra d ica l com o a d os clu b e s ca rn a va le scos.

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Trom b e te iros d e M om o. A p a rtir d e e n tã o, a riva lid a d e se e xa ce rb a a in d a m a is com a a m p lia çã o d a s a tivid a d e s d os clu b e s e su a in stitu cion a liza -çã o: e le s p a ssa m a se r d e fin id os com o “ clu b e s socia is” , su a s d ire toria s d isp u ta m a su p re m a cia a tra vé s d a con stru çã o e re form a d a s se d e s — lo-ca liza d a s e m la d os op ostos d a p ra ça p rin cip a l — e d a p rom oçã o d e fe sta s e e ve n tos se m e lh a n te s e m d ia s coin cid e n te s d u ra n te o a n o p re p a ra tivos d a “ d isp u ta fin a l” n o ca rn a va l.

Essa a g u d iza çã o d a riva lid a d e se e ste n d e a té 1926, a com p a n h a n d o u m p e ríod o d e a q u e cim e n to d a s d isp u ta s e n tre situ ação e op osição n o m u n icíp io, a s q u a is, e n tã o, cod ifica va m u m a e sp é cie d e “ d ivisã o” d a ci-d a ci-d e e m ci-d u a s m e tad e s b e lig e ra n te s. Em fu n çã o d e ssa d ivisã o, ocorre o ú n ico e p isód io sa n g re n to d a h istória p olítica loca l (ve r a b a ixo), q u e iria m a rca r p rofu n d a m e n te a e stru tu ra d o fa ccion a lism o, a lé m d e d e te rm in a r u m a fa se d e re flu xo d a riva lid a d e n o ca rn a va l q u e d u ra ria a té 1933. N e s-se in te rre g n o, os clu b e s p ra tica m e n te a b a n d on a m o ca rn a va l d e ru a e vol-ta m -se p a ra a p rom oçã o d o “ ca rn a va l in te rn o” q u e su p u n h a — com o a s fe sta s socia is —, m a s n ã o e x p licitav a, o e m b a te ritu a l.

Em 1934, o ca rn a va l re tom a se u s d ia s d e m a ior a n im a çã o, p ois os d ois clu b e s volta m a re a liza r os p ré stitos. Alé m d isso, a riva lid a d e p a ssa a se con stitu ir e m u m a e sp é cie d e cód ig o h e g e m ôn ico n o ca rn a va l a o e te n d e r-se , a lé m d os tra d icion a is clu b e s q u e con g re g a m a e lite e a s cla s-se s m é d ia s, p a ra n ova s a g re m ia çõe s q u e s-se form a m — com o e n tre o Ran -ch o d os Fe n ian os, com p osto p e la p op u la çã o n e g ra , e o Ran ch o Colar d e Pé rolas, com p osto p e la p op u la çã o m e stiça , ou e n tre o Bloco d os A lin h a-d os e o Bloco d os Tu ru n as, d e e xtra çã o p op u la r. O b se rva -se , a p a rtir d e s-se p e ríod o, u m n ovo m ovim e n to d e e xa ce rb a çã o d a riva lid a d e clu b ística q u e p a ssa , con tu d o, p or u m d e sa lin h a m e n to e m re la çã o à s op osiçõe s p o-lítica s: ca d a ve z m a is, a riva lid a d e clu b ística re strin g e -se a o â m b ito d a s p róp ria s a ssocia çõe s.

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to. Lá ch e g a n d o, u m a ve rd a d e ira g u e rra e ra p rota g on iza d a p e los a d e p -tos d os clu b e s, q u e se riva liza va m n a te n ta tiva d e “ tom a r” o e sta n d a rte con d u zid o p e lo a d ve rsá rio e ra sg á -lo, e m m e io à a lg a za rra d e se u s p a re s. A Se g u n d a G u e rra M u n d ia l im p õe u m ce rto re tra im e n to a o ca rn a -va l sa n joa n e n se , fa ze n d o com q u e os clu b e s volte m a p rivile g ia r o “ ca r-n a va l ir-n te rr-n o” , com a p rom oçã o d e b a ile s e fe sta s ir-n te rd ita d os a os sócios d o clu b e con trá rio. En tre ta n to, im e d ia ta m e n te d e p ois d o fim d a g u e r -ra , se ve rifica o “ p e ríod o d e a p og e u ” d o clu b ism o n a cid a d e , o q u a l é m a r-ca d o p e la a g u d iza çã o d a riva lid a d e e p or u m a te n d ê n cia r-ca d a ve z m a is p ron u n cia d a d e “ con trole ” d e la , va le d ize r, d e d e sin stru m e n ta liza çã o d a op osiçã o clu b ística . Em 1946, p or e xe m p lo, a s d ire toria s d os clu b e s fir m a m u m a cord o e m re la çã o a os b a ile s p ré ca rn a va le scos se m a n a is, se -g u n d o o q u a l, e m lu -g a r d a tra d icion a l con com itâ n cia , ca d a clu b e d e ve ria p rom ove r su a s p ré via s e m d ia s a lte rn a d os: e ra m a s fa m osa s “ sa b a tin a s” e “ d om in g u e ira s” , q u e e vita va m e m b a te s d ire tos p e la “ m e lh or a n im a -çã o” . Alé m d isso, o p e ríod o ta m b é m é p rofícu o n o q u e se re fe re à vid a a ssocia tiva com o u m tod o, p ois os clu b e s d e fu te b ol — M an g u e ira e Botafog o — sã o re org a n iza d os e p a ssa m a d isp u ta r jog os n os fin s d e se m a -n a , q u e p rod u ze m , ta l com o os clu b e s ca r-n a va le scos, u m a riva lid a d e p ro-n u ro-n cia d a e ro-n tre se u s torce d ore s.

N o fim d a d é ca d a d e 40, su rg e m a s e scola s d e sa m b a e o ca rn a va l d os clu b e s se sofistica : a lé m d os p ré stitos tra d icion a is e d a s p ré via s, sã o p rom ovid os b a ile s in fa n tis, con cu rsos d e fa n ta sia , e le içõe s d e ra in h a d o ca rn a va l e tc. O coroa m e n to d e ssa fa se se d á com a re e d içã o d a “ b a ta lh a d e con fe te s” , a p a rtir d e 1953, e com o su rg im e n to d e ou tro com p on e n te ritu a l, q u e fe ch a va o ca rn a va l, a g in d o com o u m e ve n to h om ólog o, m a s in ve rtid o, d a “ b a ta lh a ” , a s “ visita s” : n o ú ltim o d ia d o ca rn a va l, u m a “ e m -b a ixa d a ” d e u m d os clu -b e s, com p osta p or a lg u n s d ire tore s e foliõe s, ia a té a se d e d o clu b e riva l p orta n d o se u e sta n d a rte ; lá ch e g a n d o, e ra e fu siva m e n te re ce b id a p e los a d ve rsá rios e os h in os d os d ois clu b e s e ra m e n -toa d os. Log o e m se g u id a , o clu b e visita d o re trib u ía a h om e n a g e m , visi-ta n d o o op on e n te , e m u m con g ra ça m e n to q u e fe ch a va o “ te m p o d o ca r-n a va l” e q u e p re p a ra va o e sp írito d os torce d ore s p a ra a s ir-n fir-n d á ve is d is-cu ssõe s sob re o ve n ce d or d o ca rn a va l.

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-to ritu a l, g ru p a l e con ju n tivo p or u m se cta rism o d isju n tivo e m a is in d ivi-d u a liza ivi-d o. O té rm in o ivi-d a s “ visita s” , n oticia ivi-d o p e lo jorn a l loca l e m 1966, e o in ício d e u m a crise fin a n ce ira q u e p ra tica m e n te le va ria a o fe ch a m e n to d o De m ocráticos a n os d e p ois, d e te rm in a ria m o fim d a riva lid a d e clu b ísti-ca ísti-ca rn a va le sísti-ca n o ú ltim o lu stro d os a n os 60.

Se m e m b a rg o, com o a ocu p a r o va zio d e ixa d o p e lo d e clín io d os clu -b e s, é p re cisa m e n te n e ssa é p oca q u e a s e scola s d e sa m -b a p a ssa m a p ro-ta g on iza r o ca rn a va l d e ru a . N o in ício d os a n os 70, já se p roce ssa u m cre s-cim e n to d a s e scola s com a a d e sã o cre sce n te d a p op u la çã o, in icia d a , com o a p on ta m vá rios in form a n te s, p e la a tra çã o d os a d e p tos d os clu b e s p e lo ca rn a va l d a s e scola s. C om a con solid a çã o d a Escola d e S am b a Esp le n d or d o M orro e d a Escola d e S am b a A v e n id a Carlos A lv e s (ES A CA ), q u e a os p ou cos vã o con stru in d o su a s se d e s e d ive rsifica n d o su a s a tivid a d e s so-cia is e , a ssim , torn a n d o-se a g re m ia çõe s a g lu tin a d ora s d e a d e p tos a p a ixon a d os, g e sta se u m a ixon ova ord e m d e id e ixon tifica çã o g ru p a l b a sta ixon te corre -la ta à q u e -la d os tra d icion a is clu b e s ca rn a va le scos. Assim , a e stru tu ra fa c-cion a l d e d u a s a ssocia çõe s se e m b a te n d o p e la su p re m a cia n o ca rn a va l é re e d ita d a com a con solid a çã o d a s e scola s d e sa m b a , a in d a q u e e la s ja -m a is te n h a -m tid o ta n ta a b ra n g ê n cia e -m ou tros ca -m p os d a vid a socia l co-m o os clu b e s. É e xa ta co-m e n te isso q u e ocorre n a d é ca d a d e 80, q u a n d o os d e sfile s d a s e scola s d e sa m b a p a ssa m , d e fin itiva m e n te , a p ola riza r a a te n-çã o d a p op u la n-çã o, q u e p a ssa a a corre r a os clu b e s a p e n a s p a ra os b a ile s.

An a lisa n d o o ca rn a va l a tu a l, ve rifica -se g ra n d e se m e lh a n ça com os a n tig os “ fe ste jos d e m om o” (cf. C a n ie llo 1993:176180). Em p rim e iro lu -g a r, o se u ca rá te r tota liza d or: a lé m d e a -g lu tin a r p ra tica m e n te tod a a p o-p u la çã o d a cid a d e , in clu sive os “ sa n joa n e n se s a u se n te s” q u e in va ria ve l-m e n te p a ssa l-m a s fé ria s n a cid a d e , o a ssu n to re in a n te e l-m tod a s a s rod a s é o ca rn a va l. Alé m d isso, o q u e é m a is im p orta n te é a e xistê n cia d e d u a s a g re m ia çõe s q u e se riva liza m n a d isp u ta p e la h e g e m on ia d a a n im a çã o ca rn a va le sca , p ola riza n d o “ fa ccion a lm e n te ” a p op u la çã o. Pu d e m os a va lia r o com p rom e tim e n to q u e a s p e ssoa s tê m com e ssa riva lid a d e , a com -p a n h a n d o tod a s a s fa se s d o ca rn a va l d e 1990.

(9)

O q u e m a is e vid e n cia o vig or d a riva lid a d e é o fa to d e tod a e ssa p re p a -ra çã o se r e n volta n o m a is e strito se g re d o: tu d o é p re p a -ra d o com g -ra n d e d iscriçã o e o q u e m a is se te m e é o “ fu ro” — a d e scob e rta , p or p a rte d os riva is, d os m od e los d a s fa n ta sia s d a e scola a se re m u sa d os n o g ra n d e e ve n to.

O u tra h om olog ia e n tre o ca rn a va l a tu a l e os d e a n ta n h o é q u e o clí-m a x con tin u a se n d o o d e sfile , q u e clí-m a n té clí-m o ca rá te r ritu a l d os a n tig os p ré stitos e q u e h á m u ito te m p o é re a liza d o n o d om in g o. Q u a n to à su a for-m a , e le p od e se r cofor-m p a ra d o, g u a rd a n d o-se a s p rop orçõe s, a o d e sfile d a s e scola s d e sa m b a d o Rio d e J a n e iro, m a s e le n ã o é c o m p e titiv o com o o fe stiva l d e re fe rê n cia : ta l com o m a n d a a tra d içã o, n ã o h á com issã o ju lg a -d ora , o ve n ce -d or n ã o é p rocla m a -d o e a “ vitória ” con tin u a a -d e p e n -d e r -d a d ifu sa “ op in iã o p ú b lica ” , d ivid id a p e la p a ixã o a u m a ou ou tra e scola . C o-m o a n tig a o-m e n te , te ro-m in a d o o ca rn a va l, a s d iscu ssõe s se p rolon g a o-m e o se cta rism o d á o tom d a s con ve rsa s e , a ssim , a “ p u g n a ca rn a va le sca ” obje -tiva d a p e la riva lid a d e é , com o foi d e sd e se m p re , d e m on strativ a: a cid a d e m u d ou , m a s con tin u a se n d o u m e sp a ço tota liza d or m ovid o p e lo va lor d a “ u n iã o” ; o ca rn a va l m u d ou , m a s con tin u a se n d o u m a a re n a m e ta fórica e m q u e a d isse n sã o se tra ve ste d e riva lid a d e , p e rm itin d o q u e a s p e ssoas, m a is ritu a lm e n te d o q u e n u n ca , e xe rça m o con flito e m u m id iom a p e s-soa liza d o, p articip an d o d e u m a fa cçã o q u e h oje é a e scola d e sa m b a .

As modulações do faccionalismo

Te m os fa la d o e m fa ccion a lism o p a ra d e fin irm os u m tip o d e siste m a tiza çã o d e p a d rõe s d e con d u ta n o â m b ito d a org a n iza çã o socia l op e ra d o m e d ia n te a riva lid a d e e n tre g ru p os com id e n tid a d e s p róp ria s d e fin id os d iá -d ica e op osta m e n te n o in te rior -d a tota li-d a -d e socia l e n g lob a -d ora e “ u n io-n ista ” d a p e q u e io-n a cid a d e . A riva lid a d e a ssim p rod u zid a iio-n form a u m a “ re cip rocid a d e h ostil” q u e p e rm ite a ve icu la çã o ritu a l e cole tiva d o con flito, circu n scre ve n d oo a a re n a s m e ta fórica s com o a d o ca rn a va l. C on tu d o, u m e le m e n to b á sico d o fa ccion a lism o é o se u ca rá te r d om in a n te m e n -te p olítico, p ois n orm a lm e n -te e le é u m a e stru tu ra cod ifica d a p or op osi-çõe s e n tre g ru p os org a n iza d os q u e d isp u ta m o p od e r.

(10)

i-roz 1977:170): n o ca so, p e la d isp u ta e n tre lib e ra is e con se rva d ore s. Essa n orm a se torn ou u m p a d rã o n o ca m p o d a s re la çõe s p olítica s e m Sã o J oã o N e p om u ce n o, p e rm a n e ce n d o op e ra n te a té os d ia s d e h oje , e ca ra cte ri-za n d o ta m b é m o p e ríod o e le itora l com o u m a a re n a e m q u e o con flito é e xe rcid o ritu a lm e n te a tra vé s d e u m a h ostilid a d e a u toriza d a e n tre fa cçõe s (cf. C a n ie llo 1993:181-277). Assim , ta l com o o clu b ism o, o p artid arism o in form a e stru tu ra lm e n te a m e sm a coisa : u m e m b a te circu n scrito, m a s vi-g oroso, e n tre vi-g ru p os oriu n d os d o con te xto socia l tota liza d or d a p e q u e n a cid a d e , org a n iza d os com b a se e m u m a id e n tid a d e op ositiva e m m om e n -tos ritu a is q u e re fra ta m o te m p o cotid ia n o.

É e xa ta m e n te a h istória d a re la çã o e n tre e sse s d ois ca m p os d a vid a socia l sa n joa n e n se q u e p od e n os in d ica r d e q u e form a o p ad rão p e ssoali-z an te re a g e d ia n te d o “ p roce sso d e in d ivid u a lissoali-za çã o” p rom ovid o p e la e xp a n sã o d o ca p ita lism o, cu ja p re ssã o ta m b é m é se n tid a n a s p e q u e n a s cid a d e s, cre sce n te m e n te in te g ra d a s n a socie d a d e in clu siva . O q u e n os a u toriza a su p or q u e h a via u m a e sp é cie d e te n sã o e n tre o trad icion al e o m od e rn o n a id e olog ia loca l é a form u la çã o d e u m d iscu rso d ú b io sob re a riva lid a d e , a tra vé s d a con stru çã o d e u m a re p re se n ta çã o d o flu xo h istórico n o q u a l “ p re se n te ” e “ p a ssa d o re ce n te ” se istóricon tra sta m istóricom o re a lid a -d e s e m q u e a riva li-d a -d e p ou co in flu i n a vi-d a socia l com o u m to-d o com u m “ p a ssa d o re m oto” q u a n d o e la ve rd a d e ira m e n te cod ifica va o p a n ora -m a socia l d a p e q u e n a cid a d e .

(11)

N a Sã o J oã o N e p om u ce n o d a p rim e ira m e ta d e d o sé cu lo XX, isso ocorre com a d isp u ta p e lo d om ín io d a “ m á q u in a ” (Scott 1969) d o Pa rtid o Re p u b lica n o M in e iro (PRM ), e m u m m om e n to e m q u e a d e sce n tra liza çã o fe d e ra tiva a rticu la d a a u m a e stru tu ra e le itora l vicia d a g a ra n te a os p a rti-d os re p u b lica n os e sta rti-d u a is u m a h e g e m on ia in con te stá ve l, con fe rin rti-d o a os “ ch e fe s p olíticos” loca is g ra n d e p od e r d e in flu ê n cia com o m e d ia d ore s e n tre a p op u la çã o d a p e q u e n a cid a d e e o g ove rn o e sta d u a l. Assim , d u -ra n te a Re p ú b lica Ve lh a , o jog o p olítico é m a rca d o p or u m a forte a n im o-sid a d e e n tre situ ação e op osição, cu jo clím a x se ve rifica d u ra n te o p e río-d o e le itora l, m a s q u e río-d e fin e os p a río-d rõe s río-d e socia b ilirío-d a río-d e m a is g e ra is a o “ d ivid ir” a cid a d e n o se u p róp rio cotid ia n o. C on tu d o, a o con trá rio d o q u e a firm a Q u e iroz (1977:170), e m Sã o J oã o N e p om u ce n o, o “ a ju ste viole nto” n ã o e ra a “ form a n orm a l” d e ve icu la çã o d a d isse n sã o. Lon g e d isso, o q u e ocorria n a cid a d e e ra u m siste m á tico con trole d a violê n cia p e la ritu a liza -çã o d a s d isp u ta s, a tra vé s d e u m e n fre n ta m e n to a b e rto e viole n to a p e n a s n o p la n o d a ora tória , ta n to n os e sp a ços d e re la çã o in te rp e ssoa l d o coti-d ia n o q u a n to n os com ícios e n o p rose litism o coti-d os jorn a lista s.

(12)

A te n d ê n cia d e e xa ce rb a çã o a tin g iu o se u á p ice n o d ia 7 d e se te m -b ro d e 1926, q u a n d o ocorre u o ú n ico e p isód io sa n g re n to n a h istória p olí-tica d a cid a d e . Um a p olê m ica b a n a l, a troca d o n om e d a p ra ça p rin cip a l p rop osta p e los d issid e n te s e ob stru íd a n a C â m a ra M u n icip a l p e la m a ioria p e riclista , le vou a s d u a s fa cçõe s — cu jos líd e re s se h a via m a u se n ta -d o p a ra a p osse d o p re sid e n te d o Esta d o — a tra n sform a re m a re fe rid a p ra ça e m u m ve rd a d e iro “ ca m p o d e b a ta lh a ” . O s d issid e n te s, in con for-m a d os cofor-m a for-m a n ob ra p e riclista , sa íra for-m e for-m cofor-m issã o a té a p ra ça e , a cofor-m- com-p a n h a d os d e su a b a n d a d e m ú sica e sob o e scom-p oca r d e fog u e te s, te n ta ra m a fixa r a p la ca com o n ovo n om e . O s p e riclista s re a g ira m p ron ta m e n te e , e m m e io à d iscu ssã o, h ou ve u m a troca d e tiros q u e d e ixou q u a tro p e s-soa s m orta s, in clu sive o d ire tor d a V oz d o Pov o.

Este e p isód io m a rca ria p rofu n d a m e n te o q u a d ro d a s re la çõe s p olíti-ca s e m Sã o J oã o N e p om u ce n o e re d e fin iria , com o ve re m os, a p róp ria e s-tru tu ra d o fa ccion a lism o n a cid a d e . A a va lia çã o d os “ a con te cim e n tos d e 1926” op e rou com o u m a e sp é cie d e a d ve rtê n cia e m re la çã o a o p ote n cia l d e violê n cia d o d ivision ism o p olítico e xa ce rb a d o, con tra d itório a o id e á -rio “ u n ion ista ” d o p a d rã o p e ssoa liza n te tip ica m e n te b ra sile iro8, e q u ilib ra d o p e la ritu a liza çã o d os con flitos n a p e q u e n a cid a d e . A m a té ria p u -b lica d a p e la V oz d o Pov o, a o com p le ta re m d ois m e se s d o e ve n to, é m o-d e la r:

“ Aza s p a n d a s, e n fu n a d a s p e la n orta d a rija d o in fortu n io, a a le g ria com p le ta

e m ig rou d e n osso m e io: n o a r, volte a n d o, com o fa rra p os n e g ros, os corvos

voe ja m , fa re ja n d o a re p u ta çã o a lh e ia e n e lla fin ca n d o su a s g a rra s a d u n ca s,

e m q u a n to a Discord ia — e ssa m e g e ra te rríve l — fa z o se u tra b a lh o d e liq u e

s-ce n te in va d in d o os la re s, se p a ra n d o os p a e s d os filh os, p a rtin d o a ffe ctos,

d e slig a n d o a m ig os d e in fâ n cia e d e m u itos a n n os, fa ze n d o e sq u e cid a a g ra

tid ã o, re fle ctin d ose n a s re la çõe s d e fa m ilia , p a ra a con stru çã o d e u m a Ba

b e l n ova e a in d a m a is p e rn iciosa q u e a d a le n d a cristã . [...] O sa n g u e h u m a

n o n ã o a lice rça p a rtid os. O se u d e rra m a m e n to in ju stifica d o q u e b rou a h a r

m on ia e a p a z re in a n te s n a h on ra d a fa m ilia sa n joa n e n se , p rod u zin d o o d e

-sa g g re g a m e n to d e e n e rg ia s p od e ro-sa s a té e n tã o vin cu la d a s a os sã os p re ce

i-tos d o Pe rd ã o, d o Am or e d a C a rid a d e ” (V oz d o Pov o, no927, 7/ 11/ 1926).

(13)

d e se u p od e r d e m a n d o m e sm o com a Re volu çã o d e 30, e m virtu d e d a q u a l foi n om e a d o in te rve n tor m u n icip a l.

N o e n ta n to, os a n os 30 te ste m u n h a ra m u m m om e n to d e tra n sfor -m a çõe s i-m p orta n te s n o p a n ora -m a socia l d o p a ís, q u e se re la cion a va -m p e rfe ita m e n te com a s te n d ê n cia s m od e rn iza d ora s d e fe n d id a s p e la Re vo-lu çã o: a in se rçã o m a is e fe tiva d a socie d a d e b ra sile ira n o â m b ito d o ca p ta lism o in te rn a cion a l (cf. Ab re u 1984:13) e , con se q ü e n te m e n te , a d e fin i-çã o d e u m p a d rã o d e re la çõe s socia is, p olítica s e e con ôm ica s ca d a ve z m a is p a u ta d o p e la lóg ica d o m e rca d o, se ja e m su a d im e n sã o p rop ria m e n -te e con ôm ica , com o im p u lso d o p roce sso d e in d u stria liza çã o (cf. Ab re u 1984:30), se ja n a b a se id e ológ ica q u e o in form a , com a re ivin d ica çã o d e u m m od e lo p olítico fu n d a d o n o lib e ra lism o e e m in stitu içõe s d e m ocrá ti-ca s (cf. Fa u sto 1990:236, p ass im ). N os n ossos te rm os, a e m e rg ê n cia d e u m p a d rã o é tico in d ivid u a lista com o m od e lo d om in a n te9.

Isso te ria p rovoca d o o q u e Ed g a r C a ron e (1978:6) ch a m a d e “ ca rá te r d e tra n sitorie d a d e ” e Boris Fa u sto (1990:237) d e “ p e ríod o d e a com od a -çã o” . N a su a p rim e ira fa se — e n tre 1930 e 1937 —, a Re p ú b lica N ova a r-ticu la va te n d ê n cia s m od e rn iza d ora s com form a s tra d icion a is d e p od e r p olítico — n a s p e q u e n a s cid a d e s, p rin cip a lm e n te , a s ve lh a s olig a rq u ia s m a n tin h a m se op e ra n te s, já q u e con se g u ia m ca p ita liza r p a ra si e le m e n -tos d o id e á rio lib e ra l, p rin cip a lm e n te p roce ssos e le itora is livre s e le g a is, su b m e te n d o-os à p re se rva çã o d e e stra té g ia s tra d icion a is d e coop ta çã o d e e le itore s (cf. C a m a rg o 1983:127). Pod e se d ize r q u e , n a q u e le m om e n -to, a socie d a d e b ra sile ira re a g ia a m b ig u a m e n te , form u la n d o u m m od e lo é tico d ú p lice q u e a rticu la va o trad icion al a o m od e rn o.

Em Sã o J oã o N e p om u ce n o, u m in d ício im p orta n te a p on ta p a ra o m e sm o p roce sso d ú p lice : a re d e fin içã o d a e stru tu ra fa ccion a l. Por u m la -d o, com o já vim os, op e ra -se a re sta u ra çã o -d a riva li-d a -d e clu b ística e , p or ou tro, o p a d rã o d e d isp u ta s e le itora is e n tre situ ação e op osição con tin u a op e ra n te , m a s p e rce b e -se u m a ce rta a com od a çã o com a a rticu la çã o d e u m n ovo q u a d ro d e com p osiçõe s p olítica s e n tre a s a n tig a s fa cçõe s p e la n e ce ssid a d e d e a lia r o p od e r d e voto d a ve lh a olig a rq u ia a o d iscu rso m o-d e rn iza o-d or cre sce n te m e n te h e g e m ôn ico. C om o re su lta o-d o, in icia -se u m p roce sso d e “ fle xib iliza çã o” d o fa ccion a lism o re a liza d o, fu n d a m e n ta l-m e n te , p e la d e sin stru l-m e n ta liza çã o d a riva lid a d e p olítica , q u e p a ssa a p e rd e r se u p od e r cod ifica d or n a con stru çã o d os a lin h a m e n tos fa ccion a is (cf. C a n ie llo 1993:224-227).

(14)

o-crá tica e d o fim d a g u e rra , a te n d ê n cia d e fle xib iliza çã o d o fa ccion a lism o re tom a se u cu rso.

E m p r im e ir o lu g a r , r e e d it a m - s e a s d is p u t a s e le it o r a is e n t r e fa c-çõe s p olítica s org a n iza d a s com b a se n os g ru p os tra d icion a is — p e riclis-tas e d issid e n te s —, m a s a n ova ord e m e le itora l d e te rm in a u m in u sita -d o e q u ilíb rio e n tre a a n tig a olig a rq u ia a lija -d a -d o p o-d e r n o Esta -d o N ovo e o g ru p o situ a cion ista e m e rg e n te , con fig u ra n d o-se u m a re com p osiçã o n o q u a d ro p olítico com a a lia n ça d a s a n tig a s fa cçõe s riva is, q u e p a ssa m a g oza r d e u m a tra n q ü ila h e g e m on ia p olítica con se n su a l. Assim , é n u m f lu x o d e p e rm an ê n cia n a m u d an ça q u e a p olítica m u n icip a l tra n scor -re a té o fin a l d a d é ca d a d e 50. Se h á , cla ra m e n te , u m a e volu çã o e m te r-m os d os p rin cíp ios in stitu cion a is n a e scolh a e le itora l e n a org a n iza çã o p a rtid á ria , u m d e sa p a re lh a m e n to fa ccion a l e u m com p orta m e n to p olítico m a is e q u ilib ra d o, h á , p or ou tro la d o, a m a n u te n çã o d os m e sm os g ru -p os d irig e n te s “ olig á rq u icos” , u m a e stru tu ra d e -p od e r ca lca d a e m u m a h e g e m on ia in d iscu tíve l d a situ ação e a sob re vivê n cia d e u m e stilo p olí-tico ca lca d o n a “ lóg ica d a p a tron a g e m ” (cf. C a n ie llo 1990a :50-51; 1993: 239-247).

Em se g u n d o lu g a r, vim os q u e e sse foi o p e ríod o d o “ a p og e u ” d a riva lid a d e clu b ística n a cid a d e , ta n to p e la con solid a çã o d os clu b e s ca rn a -va le scos, e p or se u in ve stim e n to n o ca rn a -va l, q u a n to p e lo a p a re cim e n to d os clu b e s d e fu te b ol, q u e cria ra m u m n ovo “ ca m p o” p a ra o e xe rcício d a riva lid a d e . C on tu d o, con form a va -se u m n ovo tip o d e fa ccion a lism o q u e se d e fin ia p or d ois a sp e ctos p rin cip a is: a riva lid a d e e ra e xe rcid a e m trê s a re n a s d ife re n te s — n a p olítica , n o ca rn a va l e n o fu te b ol —, e a e stru tu ra p olítica p e rd ia d e fin itiva m e n te o p od e r d e va le rse d a s in stitu içõe s clu b ística s — ou d e ou tra s q u a isq u e r — p a ra u m a in stru m e n ta liza çã o d ire -ta d a s d isse n sõe s p a rtid á ria s. C on fig u ra va -se , a p a rtir d e e n tã o, o q u e con -ce itu o com o faccion alism o e m sé rie (cf. C a n ie llo 1990a :52-53; 1993:299, p ass im ): u m a ord e m socia l q u e p u lve riza a riva lid a d e ca ra cte rística d os siste m a s tota liza d ore s d a p e ssoa p or d ive rsos ca m p os d a vid a socia l se m , e n t r e t a n t o , e st a b e le c e r a lin h a m e n t o s in c lu siv o s q u e in d iq u e m a fo r m a çã o d e d ois g ra n d e s b locos a n ta g ôn icos e e xclu d e n te s, cla ssifica toria -m e n te fa la n d o10. N o ca so d e Sã o J oã o N e p om u ce n o, e sse m od e lo fa ccio-n a l se ca ra cte riza p e la a u sê ccio-n cia d e id e ccio-n tifica çã o d ire ta e ccio-n tre o p e rte ccio-n ci-m e n to d o in d ivíd u o à s fa cçõe s p olítica s e su a a d e sã o à s a ssocia çõe s e s-p ortiva s e ca rn a va le sca s.

(15)

scre ve a a m b ie n te s e m om e n tos ritu a is e sp e cíficos, im p ossib ilita n d o o a p a -re lh a m e n to d u a lista d o g ru p o socia l. O q u e ocor-re é , a o m e sm o te m p o, u m a a g u d iza çã o d a riva lid a d e e u m a a com od a çã o d e “ e le m e n tos n ovos” . Se , p or u m la d o, a s a ssocia çõe s sã o d e fin id a s con tra stiva m e n te e m fu n -çã o d e u m a riva lid a d e op ositiva d e m a triz tra d icion a l, a a d e sã o a e la s torn a se ca d a ve z m a is “ livre ” , p a ssa torn d o a d e p e torn d e r m a is d a e scolh a d o itorn -d iví-d u o e m e n os -d e im p osiçõe s cla ssifica tória s in clu siva s. Isso “ a p a zi-g u ou ” a s re la çõe s, m a s m a n te ve o cód izi-g o d a riva lid a d e :

“ Tin h a o Trom b e te iros e o De m ocrá ticos, clu b e s d e ca rn a va l; e n tã o, e n tre

e sse s d ois clu b e s e ra u m a d isp u ta fe rre n h a . M a s, e m com p e n sa çã o, tin h a os

clu b e s d e fu te b ol [...] q u e e ra ta m b é m u m a d isp u ta fe rre n h a e b ra b a , q u e n te

m e sm o, m a is p ra b rig a d o q u e p ra ou tra coisa . De p ois, tin h a a d isp u ta p

olíti-ca . [...] O p e ssoa l troolíti-ca va , e n te n d e u ? É p or isso q u e e u te n h o a im p re ssã o

q u e o p rob le m a d o d e sforro p e ssoa l a ca b ou . [...] A coisa a m a in ou u m p ou co,

a coisa n ã o ficou tã o fe rre n h a p orq u e o su je ito n ã o ta va p od e n d o ofe n d e r o

ou tro; p orq u e lá n a re u n iã o, lá n a p olítica , o ca ra fa zia p a rte [d o g ru p o] d e le .

Eu n ã o p od ia b rig a r p orq u e n a ou tra a ssocia çã o e u ia te r q u e con vive r com

e le . Q u e r d ize r, o p e ssoa l e ra o m e sm o q u e p a rticip a va d e tod a s a s trê s [...],

com o é q u e e u vou fa ze r p a ra ofe n d e r u m ca ra q u e é d o ou tro p a rtid o lá ,

co-m o é q u e e u vou fa ze r p a ra ofe n d e r e sse ca ra q u e é d o PSDse e le é m e u a m

i-g o lá n o Trom b e te iros?” (J osé M a ria , 60 a n os, e m p re sá rio, e x-ca n d id a to a

p re fe ito e m d u a s e le içõe s n a d é ca d a d e 70)

O a d ve n to d a d é ca d a d e 60, n o e n ta n to, tra z im p orta n te s m od ifica -çõe s n o p a n ora m a socia l d a s “ cid a d e s p e q u e n a s” com a con solid a çã o d a “ m od e rn iza çã o” d a socie d a d e b ra sile ira , p ois a “ p olítica d e n a cion a lism o d e se n volvim e n tista ” (Sk id m ore 1982:205) d e J u sce lin o Ku b itsch e k , d e fi-n itiva m e fi-n te , ifi-n se riria o p a ís fi-n o â m b ito d o ca p ita lism o m u fi-n d ia l (cf. Sifi-n g e r 1984:225). Alé m d isso, u m a in con te stá ve l e volu çã o d a socie d a d e b ra si-le ira e m te rm os d e m og rá ficos, socia is e e con ôm icos a ca b a ria p or cria r con d içõe s b a sta n te p rop ícia s a o d e se n volvim e n to d e u m m e rca d o in te rn o a m p lo e vig oroso (cf. Sod ré 1963:361-362). Essa con ju n çã o d e fa tore s, a r-ticu la d a à e xp a n sã o d a m a lh a rod oviá ria , a u m p roce sso d e u rb a n iza çã o cre sce n te e a u m g ra n d e in cre m e n to d os m e ios d e com u n ica çã o d e m a s-sa , con solid a ria a d isse m in a çã o d e fin itiva d a lóg ica d e m e rca d o e m tod o o te rritório n a cion a l, e e sse m ovim e n to viria a im p a cta r o m od o d e vid a tra d icion a l d a s “ cid a d e s p e q u e n a s” .

(16)

-q u e n a cid a d e e a socie d a d e in clu siva , re la çõe s e sta s fom e n ta d a s p or u m a sig n ifica tiva m e lh ora d e su a s e stra d a s e d a s te le com u n ica çõe s, p a rticu -la rm e n te com a in a u g u ra çã o d e u m a re p e tid ora d e sin a is d e te le visã o e m 1962. Essa s n ova s con d içõe s e stim u la ria m a form u la çã o d e u m d iscu rso m od e rn iza d or d om in a n te n a é p oca , o q u a l ve icu la ria u m a ca te g oria ce n -tra l d a cosm olog ia h istórica d o fa ccion a lism o: “ o fim d a riva lid a d e ” . De fa to, a d ive rsifica çã o d a vid a socia l n a cid a d e e o cre sce n te d e se q u ilíb rio e n tre o De m ocráticos e o Trom b e te iros, a q u e le e m fra n ca d e ca d ê n cia e e ste e m p le n a a sce n sã o, viria m a m itig a r a tra d icion a l riva lid a d e e n tre os clu b e s. N o in ício d os a n os 80, a fu n d a çã o d o “ cou n try clu b e ” d o Trom b e -te iros, a m od e rn a se d e ca m p e stre d o “ clu b e socia l” q u e já fora “ clu b e ca r-n a va le sco” , p a re ce te r com p le ta d o e sse p roce sso, p ois su a e xce le r-n te e s-tru tu ra p a ssou a a tra ir n ã o só a s “ fa m ília s trom b e te ira s” , m a s ta m b é m a s “ fa m ília s d e m ocrá tica s” , q u e já n ã o p od ia m con ta r com o “ clu b e d o cora çã o” p a ra se u s m om e n tos d e la ze r. Em b ora a q u e le s ch a m a d os e a u tod e -n om i-n a d os “ re -n ite -n te s” d e a m b os os clu b e s a i-n d a re sistisse m , a s -n ova s g e ra çõe s con sid e ra va m a riva lid a d e clu b ística a p e n a s com o u m tra ço d e u m a ve lh a tra d içã o d e ca íd a n os n ovos te m p os.

Poré m , se som os in sta d os a e sta b e le ce r u m a re la çã o d e ca u sa lid a d e e n tre a s m u d a n ça s n a e con om ia n a cion a l, a h e g e m on iza çã o d a lóg ica d e m e rca d o com su a p re ssão m od ificad ora e a tra n sform a çã o d e p a d rõe s d e socia b ilid a d e tra d icion a is coloca d os p e lo “ d iscu rso n a tivo” , d ois fa tore s im p orta n te s con tra d ita m e ssa corre sp on d ê n cia : o q u a d ro d a s re la çõe s p o-lítica s e a p róp ria e stru tu ra d a riva lid a d e ca rn a va le sca .

(17)

Essa con fig u ra çã o se con solid ou a in d a m a is a p a rtir d a n ova le g isla -çã o e le itora l im p osta p e los m ilita re s a p ós a d e rrota d a s força s situ a cio-n ista s e m M icio-n a s e cio-n a G u a cio-n a b a ra cio-n a s e le içõe s d e 1965. C om a d issolu çã o d os a n tig os p a rtid os e a im p osiçã o d o b ip a rtid a rism o, a re la çã o situ ação vs. op osição p a ssa a se r a ú n ica a lte rn a tiva p ossíve l n o jog o e le itora l. Se m e m b a rg o, o e sta d o d e e xce çã o e se u re cru d e scim e n to p ra tica m e n te im-p e d e m o e xe rcício d o oim-p osicion ism o, con sid e ra d o “ su b ve rsivo” n a visã o d e u m re g im e q u e se torn a cre sce n te m e n te d iscricion á rio. Por ou tro la d o, a m orte d o Dr. Pé ricle s, e m 1966, “ e sva zia ” a tra d icion a l riva lid a d e p olítica a o d e stitu íla d e su a p e ça m a is im p orta n te . Por isso, e m m a is u m la n ce d e p ra g m a tism o p olítico, a s a n tig a s fa cçõe s volta m a se a lia r, a g ru p a n -d o-se a g ora sob a sig la -d o p a rti-d o oficia l, a Alia n ça Re n ova -d ora N a cion a l

(AREN A). Du ra n te a d é ca d a d e 70, e xe rce m u m a h e g e m on ia in con te stá -ve l n o m u n icíp io, -ve n ce n d o e le içõe s d e fin id a s p e la in flu ê n cia d a s força s m a joritá ria s e sta d u a is in d ica d a s p e la cú p u la fe d e ra l d o re g im e m ilita r. En tre ta n to, u m a re g ra d a s e le içõe s m u n icip a is n e sse p e ríod o e ra o la n ça -m e n to à “ ca b e ça d e ch a p a ” d os vice -p re fe itos e -m fi-m d e -m a n d a to, o q u e d e m on stra q u e o ca m p o p olítico a in d a g u a rd a va a m a rca d a s a n tig a s fa c-çõe s, con ju n tu ra lm e n te u n id a s sob a m e sm a sig la p a rtid á ria m a s org a n i-ca m e n te se p a ra d a s p e la a lte rn â n cia n o e xe rcício d o m a n d o p olítico:

“ Bolote [p re fe ito (1970-1973)] tin h a o com p rom isso com o Zé Sa lu , n a ou tra

e le içã o tra b a lh a ria p a ra e le se r p re fe ito; e n tã o n a ou tra e le içã o o Zé Sa lu foi

p re fe ito [1973-1976] e o An ton io C a va lh e iro, vice . Aí, ch e g ou a s e le içõe s,

e n tã o o C a va lh e iro e n trou p ra p re fe ito [1977-1982] e o Va g n e r, vice . Da í a

se is a n os, o Va g n e r e le g e u se p re fe ito [19821988]” (C é lio, 46 a n os, e m p re

-sá rio, p re fe ito d a cid a d e ).

(18)

“ C é lio Filg u e ira s Fe rra z se rá o p rim e iro p re fe ito e le ito d o PM DBn o m u n

icí-p io, a icí-p ós 20 a n os d e g ove rn o d os a n tig os icí-p a rtid os, AREN A, PDSe d o a t u a l

PFL. Pa ra a cid a d e se rá u m a m u d a n ça ra d ica l n e ce ssá ria , p ois d ora va n te a

a d m in istra çã o m u n icip a l e sta rá a fin a d a com o a tu a l g ove rn a d or N e w ton C a

r-d oso e o r-d e p u ta r-d o Elm o Bra z Soa re s q u e , a n te s, p ou co p or-d ia m fa ze r p or n

os-sa com u n id a d e . C re m os te r sid o e ste o g ra n d e m otivo q u e le vou os e le itore s

a a p oia r o ca n d id a to d o PM DB” (V oz d e S ão João, no2.667, 18/ 11/ 1989).

Porta n to, m e sm o d ia n te d a s ra d ica is m u d a n ça s p olítica s e e con ô-m ica s ve rifica d a s e n tre 1960 e 1990 n a socie d a d e b ra sile ira , o jog o p olítico e m Sã o J oã o N e p om u ce n o m a n te ve a su a e stru tu ra tra d icion a l fu n d a m e n ta d a n o p a d rã o p e ssoa liza n te : a riva lid a d e e n tre fa cçõe s p olítica s a n -ta g ôn ica s, a h e g e m on ia d o situ a cion ism o vin cu la d o a o p od e r e s-ta d u a l e o com p orta m e n to p olítico b a se a d o n a lóg ica d a p a tron a g e m , a p e sa r d e su a s a com od a çõe s con ju n tu ra is. En tre ta n to, o q u e se ve rifica é q u e o vi-g or d a riva lid a d e fa ccion a l n o ca m p o p olítico a p rofu n d a su a ca ra cte rísti-ca ritu a l, p ois e la va i g ra d a tiva m e n te p e rd e n d o o p od e r tota liza d or e cir-cu n scre ve n d o-se a o “ te m p o d a p olítica ” :

“ A p olítica e m Sã o J oã o é se m p re u m a p olítica m u ito ca lm a e só se fa la e m

p olítica e m a n o d e e le içã o [...]. Tod os vive m h a rm on ica m e n te , n a é p oca d e

e le içã o é q u e a g e n te se p a ra . [...] Q u a n d o ch e g a a p olítica , e n tã o h á o a fa

sta m e n to; a ca b ou a p olítica , se u n e tu d o.” (H e le n o, 68 a n os, a d vog a d o, vice

-p re fe ito)

N o ca so d a riva lid a d e ca rn a va le sca , com o vim os, e vid e n cia -se u m p roce sso h om ólog o. C om o d e clín io d os clu b e s e a a sce n sã o d a s e scola s d e sa m b a , re e d ita se u m a re a lid a d e e stru tu ra lm e n te id ê n tica à d os a n -tig os “ fe ste jos d e m om o” e se u p rin cip a l e le m e n to, a d isp u ta . C on tu d o, ta l com o n a p olítica , o e xe rcício ritu a l d a riva lid a d e é a g u d iza d o, a o re strin -g ir-se , ca d a ve z m a is, a o “ te m p o d o ca rn a va l” :

“ [A riva lid a d e ] é d ife re n te , p orq u e a e scola d e sa m b a a con te ce u m a ve z p or

a n o. As p e ssoa s e m Sã o J oã o n ã o vive m e m fu n çã o d a s e scola s d e sa m b a o

a n o tod o, é q u a n d o tá ch e g a n d o o ca rn a va l. N o clu b e , a s crítica s, a s coisa s,

a p e sa r d e só se re m fe ita s n o ca rn a va l, a riva lid a d e e xistia o a n o in te iro. [...]

Escola d e sa m b a te m só n o ca rn a va l, m a s é m u ito a cirra d o” (Plín io, 32 a n os,

(19)

Porta n to, n o in ício d os a n os 90, con fig u ra -se a ú ltim a fa se d o p roce s-so d e d e sin stru m e n ta liza çã o d a riva lid a d e tra d icion a l, q u e con ce itu e i co-mo faccion alism o p on tu al (cf. C a n ie llo 1993:319, p assim ): a riva lid a d e p e r-d e r-d e fin itiva m e n te a q u e le p or-d e r cla ssifica tório q u e con r-d icion a o trâ n sito d o in d ivíd u o n a s d ive rsa s á re a s d a vid a socia l, torn a n d o-se a in d a m a is cir-cu n scrita a m om e n tos e sp e cia is e d e m a rca d os q u e ve icir-cu la m e n fre n ta m e n-tos g ru p a is con flitu osos. Por ou tro la d o, e la p e rm a n e ce se n d o u m a ca te g o-ria d e fin id ora d a “ re cip rocid a d e h ostil” , q u e con tra b a la n ça ritu a lm e n te o “ u n ion ism o” g lob a liza d or d a vid a cotid ia n a e su a lóg ica m a is p rofu n d a , a é tica p e ssoaliz an te . Assim , n o faccion alism o p on tu al p re se rva se a e stru -tu ra d e fin id ora d a riva lid a d e , e xa ce rb a n d o se u ca rá te r rtu a l, m a s o in d i-víd u o é lib e rta d o d a cla ssifica çã o tota liza d ora p rove n ie n te d o p e rte n cm e n to à fa cçã o, cob rin d o-se d e u cm a id e olog ia q u e p on tu a a e scolh a in d i-vid u a l com o e le m e n to crítico d e su a s op çõe s p a rtid á ria s ou ca rn a va le sca s.

Ethos: tradição, mudança e síntese

Um a im p re ssã o g e ra l im p õe -se a p a rtir d a re con stitu içã o e a n á lise d a h is-tória d o fa ccion a lism o e m Sã o J oã o N e p om u ce n o: a o la d o d a s m u d an ças n a su a form a d e e xp re ssã o, p rin cip a lm e n te n o q u e se re fe re a o ca rá te r tota liza d or d a s op osiçõe s fa ccion a is, e vid e n cia -se u m a p e rm an ê n cia e s-tru tu ral sig n ifica tiva d e su a lóg ica in te rn a — a ritu a liza çã o fa ccion a l d o con flito. Le va n d o-se e m con ta q u e e ssa ritu a liza çã o é u m a fa ce sig n ifca tiva d o con ju n to d e va lore s re le va n te s q u e d e fin e o p a d rã o d e socia b i-lid a d e n a p e q u e n a cid a d e , p od e m os d ize r q u e o “ va lor m a ior” , a q u ilo q u e crista liza se u “ je ito d e se r” , m a n té m su a ce n tra lid a d e : u m a id e olog ia “ u n ion ista ” , m a rca d a p e la oje riza a o con flito in te rin d ivid u a l — u m d os e le m e n tos e stru tu ra d ore s d o q u e ch a m a m os d e p ad rão p e ssoaliz an te d e re laçõe s sociais.

(20)

-ra çã o q u e a p rofu n d a a lóg ica t-ra d icion a l a o n íve l d o in con scie n te , n a m e sm a m e d id a e m q u e m od ifica se u s con te ú d os p rá ticos p e la re e la b ora -çã o d os m od e los con scie n te s q u e ve icu la .

É e ssa liçã o q u e p od e m os d e riva r d a re con stitu içã o d o e th os san joa-n e joa-n se a p a rtir d o ciclo d e m od u la çõe s faccion alism o clássicofaccion a-lism o e m sé rie faccion alism o p on tu al: e m fa ce d e u m a re la çã o ca d a ve z m a is org â n ica com p a d rõe s é ticos in d ivid u a lista s q u e p a ssa m a e xe rce r m a ior in flu ê n cia n a vid a socia l, a riva lid a d e torn a se cre srce n te m e n -te e n ca p su la d a n a q u ilo q u e se m p re d e fin iu su a in te rn a lid a d e : u m ca rá -te r ritu a l q u e coa le sce a ord e m tota liza d ora d o g ru p o à in d ivid u a lid a d e d os su je itos q u e o com p õe m . C om o vim os, e ssa fle xib iliza çã o d o fa ccion a lism o é cla ra m e ccion te re la cioccion a d a com su a d e siccion stru m e ccion ta liza çã o, ou se -ja , com u m a cre sce n te a b e rtu ra à “ e scolh a ” d os in d ivíd u os e m re la çã o à su a in clu sã o e m u m a fa cçã o q u e o id e n tifica com o p e ssoa. Se m e m b a rg o, a riva lid a d e fa ccion a l com o cód ig o e stru tu ra n te d a ve icu la çã o d o con flito p e rm a n e ce , ta n to n a p olítica q u a n to n o ca rn a va l, com o u m e le m e n to crí-tico d o “ je ito d e se r” d os sa n joa n e n se s.

O q u e ta lve z torn e e ssa con sta ta çã o re le va n te é q u e o p roce sso p a r-ticu la r q u e d e scre vi se d e se n volve u e m u m m om e n to h istórico fu n d a m e n-ta l p a ra a socie d a d e b ra sile ira e q u e , com o d e m on stre i, con form ou a p ró-p ria ocorrê n cia d e sse ró-p roce sso: n ossa in clu sã o n a m od e rn id ad e . Se ja p e los p rog re ssos e con ôm icos d o p a ís q u e le va ra m à su a in se rçã o m a is e fe -tiva n o siste m a m u n d ia l, se ja p e la s tra n sform a çõe s p olítica s q u e a p e rfe i-çoa ra m a d e m ocra cia n a n ossa re p ú b lica ta rd ia , se ja p e la s n ova s id e olo-g ia s lib e ra is q u e se d isse m in a ra m e m fu n çã o d isso, se ja m e sm o p e lo re s-g a te d a “ b ra silid a d e ” n o fu te b ol, n a a rte , n a m ú sica , n a lite ra tu ra e n a tra d içã o p op u la r, o sé cu lo XX te ste m u n h ou a con solid a çã o d e n ossa id e n -tid ad e n acion al. Isto ocorre u te n d o com o p a n o d e fu n d o u m a te n sã o, a liá s ca ra cte rística d o p roce sso d e form a çã o n a cion a l b ra sile iro d e sd e a su a orig e m (cf. C a n ie llo 2001): o e m b a te e n tre n ossa tra d içã o p e ssoa liza n te e a é tica in d ivid u a lista d a ch a m a d a “ ord e m socia l com p e titiva ” (cf. Fe r-n a r-n d e s 1987:149, p assim ). O ra , a solu çã o b ra sile ira p a ra a s te n sõe s p ro-d u ziro-d a s p or e sse e n con tro foi e xa ta m e n te u m a op e ra çã o con ro-d ize n te com o n osso “ e stilo” , h istorica m e n te form a d o p or “ u m p roce sso d e e q u ilíb rio d e a n ta g on ism os” (Fre yre 1994 [1933]:53) fu n d a d o n o “ h orror à s d istâ n -cia s q u e p a re ce con stitu ir [...] o tra ço m a is e sp e cífico d o e sp írito b ra sile i-ro” (H ola n d a 1988 [1936]:110): a “ in stitu cion a liza çã o d o in te rm e d iá rio” (Da M a tta 1993:147).

(21)

sig n ifica tiva e n tre u m “ m icrop roce sso” e u m “ m a crop roce sso” , ocorrid os con com ita n te m e n te e con stru íd os sim ila rm e n te . O q u e ch a m e i d e “ op çã o d ú p lice ” (C a n ie llo 1993:324) p a re ce te r sid o a op e ra çã o ce n tra l d a m od u -la çã o ob je tiva d a ta n to n o â m b ito d a p e q u e n a cid a d e q u a n to n o d a p ró-p ria socie d a d e b ra sile ira com o u m tod o n a s situ a çõe s h istórica s e m q u e a trad ição e a m od e rn id ad e se te n sion a ra m , p ois o q u e ocorre u , ta n to e m u m ca so com o n o ou tro, foi u m a a rticu la çã o e n g e n h osa e n tre va lore s tra -d icion a is e m o-d e rn os, se m con tu -d o a b a la r a p osiçã o ce n tra l -d a ê n fa se p e ssoa liza n te d o n osso “ je ito d e se r” .

A p rin cip a l con clu sã o a q u e se ch e g a é q u e o e th os e n te n d id o com o u m fato sociológ ico e h istórico sin té tico e xp licita , sob re tu d o, a p re e m i-n ê i-n cia d o “ e sp írito d e u m p ovo” (Volsk sg e ist) — ou se ja , o â m a g o d a tra -d içã o q u e o con stitu i — sob re o “ e sp írito -d o te m p o” (Z e itg e ist) — ou se ja , a con ju n tu ra q u e o p re ssion a . Q u e r d ize r, m e sm o d ia n te d e p re ssõe s m od ifica od ora s e xte n sa s e in te n sa s p rovoca od a s p e la h e g e m on iza çã o od e te n -d ê n cia s con tra -d itória s à or-d e m é tica tra -d icion a l, a q u e le p a -d rã o q u e -d e fin e o “ e stilo” ou o “ ca rá te r” d o g ru p o socia l a o ifin form a r cód ig os d e cofin d u ta , p a râ m e tros m ora is, crité rios d e id e n tid a d e e se n tim e n tos d e in clu sã o m a n té m su a in te g rid a d e , m od u la n d ose a o sa b or d o “ e sp írito d o te m -p o” . Porta n to, e sta a n á lise d o e th os san joan e n se , b e m com o m in h a s ila -çõe s sob re o e th os n acion al b rasile iro (cf. C a n ie llo 2001) p rocu ra m e vo-ca r tã o-som e n te a q u e le “ m e sm o tip o d e m u d a n ça cu ltu ra l, in d u zid a p or força s e xte rn a s, m a s orq u e stra d o d e m od o n a tivo, q u e ve m ocorre n d o h á m ilê n ios” (Sa h lin s 1990:9).

Re ce b id o e m 29 d e m a io d e 2001

Ap rova d o e m 12 d e d e ze m b ro d e 2002

(22)

Not as

* Este a rtig o foi e scrito orig in a lm e n te e m 1998 p a ra u m a cole tâ n e a q u e d e -ve ria re g istra r os d e sd ob ra m e n tos d o p rolífico d e b a te in icia d o n o se m in á rio “ Es-tru tu ra e Re la çõe s d e Pod e r” m in istra d o p e los p rofs. M oa cir Pa lm e ira e Be a triz H e re d ia , e m 1989 n o M u se u N a cion a l. M a log ra d o o p roje to e m a n tid o o in e d itis-m o d o a rtig o, os org a n iza d ore s d o livro g e n tilitis-m e n te e n ca itis-m in h a ra itis-m o te xto à con si-d e ra çã o si-d a e si-d itoria si-d a Re v ista M an a, q u e , a g ora , o p u b lica com m od ifica çõe s su b sta n cia is e m re la çã o à ve rsã o in icia l, fru to d a s su g e stõe s e crítica s d e d ois p a re ce -rista s a n ôn im os d e M an a, a os q u a is a g ra d e ço.

1 “ O u n ossa s ciê n cia s se vin cu la m à d im e n sã o d ia crôn ica d os fe n ôm e n os,

isto é , à su a ord e m n o te m p o, e se torn a m in ca p a ze s d e tra ça r-lh e s a h istória ; ou p rocu ra m tra b a lh a r à m a n e ira d o h istoria d or e a d im e n sã o d o te m p o lh e s e sca p a ” (Lé vi-Stra u ss 1975:15).

2 Re firom e à d isse rta çã o d e M e stra d o d e fe n d id a n o M u se u N a cion a l (C a

-n ie llo 1993) e à te se d e Dou tora d o d e fe -n d id a -n o Prog ra m a d e Pós-G ra d u a çã o e m Sociolog ia d a UFPE(C a n ie llo 2001). Ag ra d e ço a s crítica s, su g e stõe s e e stím u lo d os p rofs. Rob e rto Da M a tta , orie n ta d or d a d isse rta çã o d e M e stra d o e e xa m in a d or d a te se d e Dou tora d o, J org e Ve n tu ra d e M ora is, orie n ta d or d a te se d e Dou tora d o, M oa cir Pa lm e ira e O tá vio G u ilh e rm e Ve lh o, e xa m in a d ore s d a d isse rta çã o d e M e stra d o, e Sa le te Ba rb osa C a va lca n ti, M a rcu s C a rva lh o e Socorro Fe rra z, e xa m in a -d ore s -d a te se -d e Dou tora -d o.

3 Sob re o con ce ito d e “ m od u la çã o” , cf. C a n ie llo (1990a ; 1993:300-301).

4 Aq u i, e stou a d m itin d o a in te rp re ta çã o d e Rob e rto Da M a tta (1993:19-21)

sob re a d istin çã o e n tre “ h olism o e in d ivid u a lism o” p rop osta p or Lou is Du m on t (1985:37; 1992:56-59). Pa ra u m d e ta lh a m e n to d e m in h a p osiçã o e m re la çã o a e ste s con ce itos e in te rp re ta çõe s, cf. C a n ie llo (1993:11-13).

5 Em ou tro tra b a lh o, a n a lise i a s re p e rcu ssõe s te órica s e os p a ra d oxos d o u so

d a n oçã o d e “ m u d a n ça socia l” n os “ e stu d os d e com u n id a d e ” (cf. C a n ie llo 1990b ).

6 De n om in a çã o d os ch e fe s d o Exe cu tivo m u n icip a l n a Re p ú b lica Ve lh a ,

e q u iva le n te a o d e p re fe ito a tu a lm e n te .

7 N e sse p e ríod o, h a via “ d issid ê n cia s” n os d ois p rin cip a is p a rtid os re p u b

(23)

8 C f. Fre yre (1994 [1933]:28 e 72), p a ra u m a e la b ora çã o clá ssica e p a ra d ig

-m á tica d e ssa id é ia (cf. C a n ie llo 2001:346, p ass im ). Pa ra u m a visã o con te m p orâ -n e a , cf. Pa lm e ira e H e re d ia (1997:160): “ N ossa socie d a d e re ve la -se a tra ve ssa d a p or con flitos d e tod a ord e m , m a s, n u m p a ra d oxo a p a re n te , te m n a u n iã o — d e q u e a fa m ília , n ã o o g ru p o d om é stico n a su a cru a re a lid a d e , é o m e lh or e xe m p lo — u m a e sp é cie d e va lor m a ior” .

9 Utilize i in te n sa m e n te a n oçã o d e “ p a d rã o é tico” e m vá rios tra b a lh os (cf.,

e sp ., C a n ie llo 1990a ; 1993, p ass im ).

10Acre d ito q u e e sse é u m a rra n jo e stru tu ra l b a sta n te h om ólog o a o q u e G e e rtz

id e n tificou n os d ive rsos “ p la n os d e org a n iza çã o socia l” e m Tih in g a n (cf. G e e rtz 1967:272).

11J u st in o Filh o (1 9 9 7 ) id e n t ific a o m e sm o p r o c e sso e m u m e st u d o d e c a so

sob re a h istória sociop olítica d a cid a d e d e Prin ce sa Isa b e l (PB), ch a m a n d o-o d e “ re ssig n ifica çã o” .

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