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Rev. Bras. Reumatol. vol.57 número6

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w w w . r e u m a t o l o g i a . c o m . b r

REVISTA

BRASILEIRA

DE

REUMATOLOGIA

Artigo

original

Evoluc¸ão

da

formac¸ão

de

reumatologistas

no

Brasil:

a

opc¸ão

pela

residência

médica

Cleandro

Pires

Albuquerque

e

Leopoldo

Luiz

Santos-Neto

UniversidadedeBrasília(UnB),Brasília,DF,Brasil

informações

sobre

o

artigo

Históricodoartigo:

Recebidoem18denovembro de2015

Aceitoem9demarçode2016 On-lineem11deabrilde2016

Palavras-chave: Reumatologia Residênciamédica Especializac¸ão Formac¸ãoprofissional

r

e

s

u

m

o

Objetivo:Descreverascaracterísticaseaevoluc¸ãodaofertadenovosreumatologistasno Brasil,de2000a2015.

Métodos:Fizeram-seconsultasabasesdedadoseadocumentosoficiaisdeinstituic¸ões rela-cionadasàformac¸ãoeàcertificac¸ãodereumatologistasnopaís.Osdadosforamcruzados, sumarizadoseapresentadosdeformadescritiva.

Resultados: De2000até2015,oBrasilhabilitou1.091médicosàcondic¸ãode reumatologis-tas,dentreosquais76,9%(n=839)concluíramresidênciamédicaemreumatologia(RMR); os demais (n=252) obtiveram otítulosem cursarRMR. Houveexpansão das vagas de RMR.Paralelamente,ocorreuumamodificac¸ãonoperfildosrecém-habilitados.Noinícioda série,afrac¸ãodenovosreumatologistassemRMR,ingressantesnomercadoanualmente, aproximava-sedos50%,reduziu-separacercade15%,emanosrecentes.Em2015,havia nopaís49programasdeRMRcredenciados,com120vagasanuaisdeacesso.Observou-se desequilíbrionadistribuic¸ãodevagasdeRMRpelopaís,comforteconcentrac¸ãonaRegião Sudeste,queem2015detinha59,2%dasvagas.Instituic¸õespúblicasresponderampor94% (n=789)dosconcluintesdeRMRnoperíodoestudado,mantiveramainda93,3%(n=112)das vagasparaingressoem2015.

Conclusões:Nosúltimos16anos,paralelamenteàexpansãodasvagasdeacesso,aRMR consolidou-secomoviapreferencialparaformac¸ãoemreumatologianoBrasil, eminente-mentesuportadaporrecursospúblicos.DesigualdadesregionaisnaofertadevagasdeRMR persistemcomodesafiosaseremenfrentados.

©2016ElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCC BY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Development

of

rheumatology

training

in

Brazil:

the

option

for

a

medical

residency

program

Keywords: Rheumatology

a

b

s

t

r

a

c

t

Objective:Todescribethecharacteristicsandprogressionofthesupplyofnew rheumatolo-gistsinBrazil,from2000to2015.

TrabalhofeitonoHospitalUniversitáriodeBrasília,UniversidadedeBrasília(UnB),Brasília,DF,Brasil.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](C.P.Albuquerque).

http://dx.doi.org/10.1016/j.rbr.2016.03.002

(2)

Medicalresidency Specialization

Professionalqualification

Methods: Consultationstodatabasesandofficialdocumentsofinstitutionsrelatedto trai-ningandcertificationofrheumatologistsinBraziltookplace.Thedatawerecompared, summarizedandpresenteddescriptively.

Results: From2000to2015,Brazilqualified1091physiciansasrheumatologists,ofwhich 76.9%(n=839)completedamedicalresidencyprograminrheumatology(MRPR);theothers (n=252)achievedthistitlewithoutMRPRtraining.TherewasanexpansionofMRPR posi-tions.Atthesametime,therewasachangeintheprofileofthenewlyqualifieddoctors. Earlyintheseries,thefractionofnewrheumatologistswithoutMRPR,enteringthemarket annually,wasapproaching50%,droppingtoabout15%inrecentyears.In2015,Braziloffered 49MRPRaccreditedprograms,with120positionsperyearforaccess.Therewasan imba-lanceinthedistributionofMRPRpositionsacrossthecountry,withastrongconcentrationin thesoutheastregion,whichin2015held59.2%ofthepositions.Publicinstitutions accoun-tedfor94%(n=789)ofgraduatesinMRPRduringthestudyperiod,whilestillmaintaining 93.3%(n=112)ofseatsforadmissionin2015.

Conclusions:Inthelastsixteenyears,inparallelwiththeexpansionofplacesofaccess,MRPR hasestablisheditselfasthepreferredrouteforrheumatologytraininginBrazil,mainly supportedbypublicfunds.RegionalinequalitiesintheprovisionofMRPRpositionsstill persist,aschallengesthatmustbefaced.

©2016ElsevierEditoraLtda.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-ND license(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc¸ão

Residência médica é uma modalidade de ensino de pós--graduac¸ãolato sensu,destinadaamédicos, sobaformade curso de especializac¸ão,caracterizadapor treinamento em servic¸o.1Osprimeirosprogramasderesidênciamédica(PRM)

no Brasil, chamados à época de internato, tiveram início em1944, no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.2Em1977,foicriadaaComissãoNacionaldeResidência

Médica(CNRM),queexercefunc¸õesderegulac¸ão,supervisãoe avaliac¸ãodosPRM,tevesuacomposic¸ãoesuascompetências recentementeredefinidas peloDecreto n◦ 7.562, de2011.3,4

Desdeadécadade1940,onúmerodePRMedevagasde resi-dênciamédicanopaíscresceuprogressivamente.Todavia,há poucasinformac¸õesdisponíveissobreascaracterísticasdesse crescimento.5 No que concerneespecificamente à

residên-ciamédicaemreumatologia(RMR)noBrasil,publicac¸õessão escassas.6–8

Residênciamédicaéumaformaconsagradaparainserc¸ão supervisionada de médicos à vida profissional e para habilitac¸ãodessesindivíduosàespecialidade.2Aconclusãodo

PRMconferelegalmenteotítulodeespecialista(TE)naárea.1

Entretanto,háoutraviaparaahabilitac¸ãoformalà especia-lidademédicanoBrasil,baseadaemconvêniofirmadopelo ConselhoFederaldeMedicina(CFM),pelaAssociac¸ãoMédica Brasileira(AMB)epelaCNRM.9Oconvênioprevêaoutorgados

títulospelosPRMcredenciadosjuntoàCNRM,mastambém pelassociedadesdeespecialidadesmédicasfiliadasàAMB, medianteprovadesuficiência.

A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), filiada à AMB, faz anualmente exame de suficiênciapara obtenc¸ão de TE.Em 2015,puderam seinscrever noexame os médi-coscomcertificadodeRMRoudecursodeespecializac¸ãoem reumatologiacredenciadospeloMinistériodaEducac¸ão,com durac¸ãomínimade24meses,observadopré-requisitode24 mesesconclusosderesidênciaouespecializac¸ãoemclínica

médica.EramadmitidostambémmédicossemRMRoucurso deespecializac¸ãoque,todavia,comprovassematuac¸ão pro-fissionalhaviamaisdequatroanoseparticipac¸ãoregularem eventoscientíficosnaespecialidade,comacumulac¸ãomínima de100pontospelosistemadeacreditac¸ãodaAMB.10,11

Ao momento da elaborac¸ão deste trabalho, no melhor dosnossosesforc¸os,nãoencontramospesquisaspublicadas especificamente sobre a formac¸ão de reumatologistas no país que abrangessem simultaneamente ambas asvias de habilitac¸ãoàespecialidade.Noentanto,taisinformac¸õessão relevantes à adequadaformulac¸ão e avaliac¸ãode políticas deformac¸ãoderecursoshumanosemreumatologia,sejana esfera governamentalou acadêmica. Este estudo objetivou descreverascaracterísticaseaevoluc¸ãodaofertadenovos reumatologistasnoBrasil,de2000até2015.

Material

e

métodos

Estefoiumestudoobservacional,retrospectivo,quantitativo, descritivo, de séries temporais. O período de interesse da pesquisa,definidoporconveniência,combasena disponibili-dadedeinformac¸ões,abrangeudesde2000até2015.Osdados foramcoletadosmedianteconsultaabasesinformatizadase adocumentosoficiaisdeinstituic¸õesbrasileirasrelacionadas àformac¸ãoeàcertificac¸ãodeespecialistasemreumatologia nopaís.

Asvariáveisdeinteressedapesquisacomsuasrespectivas fontesdedadossãodescritasaseguir.DaSBR,obteve-sea listanominaldosaprovadosnosexamesanuaisdesuficiência paraobtenc¸ãodeTEdessasociedade.DaCNRM,obteve-seo númerodevagascredenciadasparaacessoaoprimeiroano deRMR,onúmerodecertificadosnovosdeconclusãodeRMR emitidosealistanominaldetodososconcluintesdeRMRpor ano,porunidadedafederac¸ão(UF)eporinstituic¸ão.12,13Das

(3)

editaisdosprocessosseletivos,obteve-seonúmerodevagas deacessoàRMRefetivamenteoferecidasanualmente.

Adicionalmente,para fins de confrontac¸ão everificac¸ão cruzadadeinformac¸ões,consultaram-seasatasdasreuniões ordináriaseextraordinárias,bemcomosúmulaseextratosde atosautorizativosdaCNRMdisponíveisnapáginadeinternet dessacomissão.14Osanos2000e2001foramespecificamente

excluídosdassériestemporaisdonúmerodevagasedePRM dereumatologia,porincertezasnosdados.Asséries tempo-rais das demais variáveis incluem esses dois anos. Alista nominaldosconcluintesde RMRporano,UFeinstituic¸ão, obtidadosistemadaCNRM,nãoserestringiuaoperíodode interesseespecíficodapesquisa,masfoiextraídaemsua tota-lidade,desdeosregistrosmaisantigos(quedatamdofimda décadade1970)até2015,pelanecessidadeinstrumental des-critaaseguir.

Paraobtenc¸ãodonúmeroanualdenovosreumatologistas semcertificadodeRMR,fez-seocruzamentodedadosdalista nominaldosaprovadosnoexameanualdaSBR,desde2000até 2015,contratodoobancode dadosda CNRM, independen-temente delimite temporal,identificando-se os indivíduos aprovadosnoexame deTEquejamaistiveram certificados registradosdeRMRemqualquertempo.Onúmerode con-cluintesdeRMRemumdadoanofoicontabilizadoapartir donúmerodecertificadosnovosdeconclusãodeRMR emi-tidosnaqueleano.Ototaldenovosreumatologistasporano foicalculadomedianteasomadonúmerodeconcluintesde RMRcomonúmerodetituladospelaSBRnãodetentoresde certificadodeRMR.

Os aprovados em exame da SBR até 2003 que também cursaramRMRforamincluídosnacontagemdenovos espe-cialistassomentenoanodeconclusãodaresidênciamédica, umavezqueaté2003osresidentesfaziamaprovadeTEao iní-ciodosegundoanodeRMR.Porclareza:essescasosnãoforam incluídosnascontagensanuaisdeTEsemRMR.Todasas alu-sõesavagasdeRMRnestetrabalhodizemrespeitosomente àsvagasdeacessoaoprimeiroano(R1)naespecialidade.Da mesmaforma,todasasmenc¸õesacertificadosemitidosoua concluintesdeRMRsãorelativasapenasaociclomínimode 24mesesdaresidência,desconsideradososanosopcionais.

Os dados usados na pesquisa são acessíveis via inter-net, oriundos de basesde dados de caráter administrativo. Nenhumaintervenc¸ão,seguimentooucoletadeinformac¸ões se fez em nível individual ou populacional. A pesquisa nãoincluiu variáveis clínico-epidemiológicasou biológicas, ateve-seao estudo da formac¸ãode recursos humanos em reumatologia,combaseemfontesdeinformac¸ão secundá-rias.Destarte,oprotocolonãofoisubmetidoacomitêdeética empesquisabiomédica, porinexigibilidadenessecontexto. Oestudonãoabrangeureumatologistaspediátricos.Todasas consultasforamfeitas entremarc¸ode2013enovembrode 2015.Osdadosforamsumarizadoseapresentadosdeforma descritiva.

Resultados

De2000até2015,houve839concluintesdeRMRemtodoo Brasil. Nomesmoperíodo, a SBR outorgou 884novos títu-losde especialista,dentre osquais252 foramconferidos a

140 Vagas de RMR

Programas de RMR

120

100

80

60 55

63 64 66 69

73 73 75 78 79

88 99

110 120

49 49 47 43 40 40 40 40 40 40 38 37 37 31 40

20

0

2003

2002 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015

Año

Figura1–Númerodeprogramasedevagasderesidência médicaemreumatologia(RMR)noBrasil,de2002a2015.

médicossemRMR.Nototal,somadososconcluintesdeRMR comostituladossemRMR,foraminvestidosnacondic¸ãode novos reumatologistas1.091 médicos no país. Observou-se razãogeralde3,3novosreumatologistascomRMRparacada novoreumatologistasemRMRhabilitadonoperíodo.

HouveaumentoprogressivodonúmerodePRMde reuma-tologia,dasvagascredenciadasdeRMR,dosconcluintesde RMRedototaldenovosreumatologistasporano(figs.1e2A). Em2015,foramhabilitados103novosreumatologistas,dentre osquais86haviamconcluídoRMR.OnúmerodeTE outor-gadospelaSBRanualmentemostrou trajetóriadescendente nosprimeiroscincoanosdasérie,recuperou-se subsequen-temente, porém jamais superou os níveis iniciais (fig. 2B). OnúmerodeTEoutorgadosespecificamenteamédicossem RMRmostroudescensoinicial,estabilizou-seposteriormente,

110 Total reumatologistas

TE totais TE sem RMR Concluintes de RMR

100 90 80 70 60 50

A

B

30 20

No

vos

reumatologistas

TE-SBR

outorgados

10 0

80 70 60 50 40 40

30 20 10 0

2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 Año

(4)

60%

50%

40%

30%

20%

10%

0%

2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 Año

No

vos reumatologistas sem RMR

Figura3–Frac¸ãodeindivíduosquenãohaviamcursado residênciamédicaemreumatologia(RMR),dentreosnovos reumatologistashabilitadosanualmente,noBrasil,de2000 a2015.

semrecuperac¸ãoconsistentedesdeentão(fig.2B).Em2015, foram 68 os TE emitidos pela SBR, dentre os quais 17 a médicos sem RMR. A frac¸ão anual de novos especialistas semRMRreduziu-seconsistentemente,alcanc¸ouosmenores patamaresem2013e2014(fig.3).

Constatou-se heterogeneidade na distribuic¸ão de pro-gramasevagasde RMRentreasregiõesdopaís,com forte

concentrac¸ão naRegião Sudeste. Esse fenômeno foi obser-vado noscortestransversais tantode 2002quantode2015 (tabela1).Semelhanteinequalidadedistributivatranspareceu nonúmerodeconcluintesdeRMRporregiões,de2000a2015, com66,3%(556/839)dessesespecialistasformadosnaRegião Sudeste(tabela2).Apenas10,2%(5/49)dosPRMde reumato-logiacredenciadospara2015eramvinculadosainstituic¸ões privadas, que juntas detinham somente 6,7% (8/120) das vagasparaingressonaRMR(tabela3).Instituic¸õespúblicas responderam por94% (789/839)dosconcluintesdeRMRno Brasil,de2000a2015,dentreosquais65,4%(549/839)foram egressosdePRMdereumatologiavinculadosafaculdadese universidadespúblicas.

Discussão

Observou-sedesequilíbrioentreasregiõesdopaísquantoao número de concluintesde RMR, comológica consequência da desigualdade geográfica naoferta de vagas de ingresso aquitambémreportada.ExistênciadePRMéfatorassociadoà atrac¸ãoeàfixac¸ãodemédicosnalocalidadedoprograma.15,16

No tocante à reumatologia, correlac¸ão entre adistribuic¸ão geográfica desses especialistas ea oferta local de PRM na especialidadejáfoidemonstrada.8Assim,adesigualdadeaqui

evidenciadanadistribuic¸ãodasvagasedeconcluintesdeRMR potencialmenteinfluenciaaprópriadisponibilidaderegional dereumatologistasnoBrasil.

Tabela1–ProgramasevagasdeRMRnoBrasil,porregiãoeUF,nacomparac¸ãoentre2002e2015

Região,UF 2002 2015

PRM Vagas(%) PRM Vagas(%)

Norte 1 1(1,8) 3 4(3,3)

AM 1 1(1,8) 1 2(1,7)

PA 0 0(0) 1 1(0,8)

TO 0 0(0) 1 1(0,8)

Nordeste 3 4(7,3) 9 17(14,2)

BA 1 1(1,8) 1 1(0,8)

CE 1 1(1,8) 3 7(5,8)

PB 0 0(0) 1 2(1,7)

PE 1 2(3,6) 1 3(2,5)

PI 0 0(0) 1 1(0,8)

RN 0 0(0) 1 1(0,8)

SE 0 0(0) 1 2(1,7)

Centro-Oeste 3 5(9,1) 5 10(8,3)

DF 2 4(7,3) 2 5(4,2)

GO 1 1(1,8) 2 3(2,5)

MS 0 0(0) 1 2(1,7)

Sudeste 19 39(70,9) 23 71(59,2)

ES 0 0(0) 1 2(1,7)

MG 3 5(9,1) 6 11(9,2)

RJ 5 8(14,5) 4 16(13,3)

SP 11 26(47,3) 12 42(35,0)

Sul 5 6(10,9) 9 18(15,0)

PR 3 3(5,5) 4 8(6,7)

RS 2 3(5,5) 4 9(7,5)

SC 0 0(0) 1 1(0,8)

Brasil 31 55(100) 49 120(100)

(5)

Tabela2–ConcluintesdeRMRde2000a2015,porregião eUF

Região UF n (%)

Norte 12 (1,4)

AM 12 (1,4)

Nordeste 72 (8,6)

BA 14 (1,7)

CE 29 (3,5)

PB 2 (0,2)

PE 22 (2,6)

PI 5 (0,6)

Centro-Oeste 102 (12,2)

DF 62 (7,4)

GO 24 (2,9)

MS 16 (1,9)

Sudeste 556 (66,3)

ES 10 (1,2)

MG 83 (9,9)

RJ 92 (11,0)

SP 371 (44,2)

Sul 97 (11,6)

PR 54 (6,4)

RS 43 (5,1)

Brasil 839 (100)

RMR,residênciamédicaemreumatologia;UF,unidadedafederac¸ão.

Houveampliac¸ãodonúmerodePRMemreumatologiae

sobretudodasvagasanuaisdeRMRemtodoopaís,noperíodo estudado.ARegiãoNordestefoiaquemaiselevou

proporci-onalmentesuaparticipac¸ãonouniversodas vagasdeRMR.

Emcontrapartida,oSudesteperdeuparticipac¸ão

proporcio-nal.NoveUFquenãotinhamPRMdereumatologiaem2002

figuraramcomodetentorasdetaisprogramasnorolde2015,a saber:ES,MS,PA,PB,PI,RN,SC,SEeTO.Assim,nacomparac¸ão entre2002e2015,houvereduc¸ãodadesigualdadedistributiva devagasde RMRpelopaís, aqual,todavia,foi insuficiente paraeliminarosdesequilíbriosaindaobservados.Esses dese-quilíbriossãosemelhantesaosqueseverificamemrelac¸ãoàs vagasderesidênciamédicaemgeral,noBrasil.17,18

Houve acelerac¸ão do processo de ampliac¸ão das vagas deRMRnosúltimoscincoanos. Essefenômenoocorreuna esteiradeumanovaconcepc¸ãopolíticaquebuscaa expan-sãoda residênciamédica nopaís, direcionada àsregiõese àsespecialidadesprioritáriasparaoSUS (SistemaÚnicode Saúde),considerando-seasnecessidadesindicadasporseus gestores regionais.19 Essa concepc¸ão se materializou com

ainstituic¸ão doprograma Pró-Residência,do Ministérioda Educac¸ão.20OseditaisconvocatóriosdoPró-Residêncialistam

asespecialidadeseregiõesprioritárias,masadmitema inclu-sãodeoutrasnãocontempladas,mediantedemonstrac¸ãode necessidade.21–23

Instituic¸ões privadas responderam por pequena parcela dosprogramas,vagaseconcluintesdeRMR.Assantascasas foramcontadascomoinstituic¸õespúblicas,dadoseu financia-mentoeminentementepúblicoeolivreacessodapopulac¸ãoa seusservic¸os.Fossem,todavia,contadascomohospitais par-ticulares,aindaassimapenas16,3%(8/49)dosPRMe10,8% (13/120) das vagas de RMR de 2015estariam vinculados a instituic¸õesprivadas.Ademais,completaramRMRemsantas casasdemisericórdia46reumatologistasnoperíodoestudado,

Tabela3–ProgramasevagasdeRMRnoBrasil,em2015

Região Instituic¸ão(UF) Vagas

Norte HUGetúlioVargas/UFAM(AM) 2

CentroUniversitáriodoEstado doPará(PA)a

1

UFT(TO) 1

Nordeste H.Sta.Izabel/Sta.Casa deMisericórdia(BA)

1

H.GeraldeFortaleza/SES(CE) 4 H.GeralCésarCals/SES(CE) 1 HUWalterCantídio/UFC(CE) 2

HC/UFPE(PE) 3

H.GetúlioVargas/UFPI(PI)b 1

HULauroWanderley/UFPI(PB) 2 HUOnofreLopes/UFRN(RN) 1

HU/UFS(SE) 2

Centro-Oeste H.deBasedoDistritoFederal/ SES(DF)

3

HU/UnB(DF) 2

HC/UFG(GO) 2

H.GeraldeGoiânia/SES(GO) 1 HUM.A.Pedrossian/UFMS(MS) 2 Sudeste HUCassianoA.Moraes/UFES

(ES)

2

HC/UFMG(MG) 3

H.Gov.IsraelPinheiro/Ipsemg (MG)

1

UFTM(MG) 2

HU/UFJF(MG) 1

HC/UFU(MG) 2

Sta.CasadeMisericórdia(MG) 2 H.FederaldosServidoresdo

Estado(RJ)

5

HUClementinoFragaFilho/UFRJ (RJ)

4

HUPedroErnesto/UERJ(RJ) 5 HUGaffréeeGuinle/Unirio(RJ) 2

HC/Unicamp(SP) 2

FM/USP(SP) 12

HC/Famema(SP) 2

H.deBase/Famerp(SP) 4

HCFMRP/USP(SP) 3

H.ServidorPúblicoEstadual/ Iamspe(SP)

3

H.M.CelsoPierro/ PUC-Campinas(SP)a

2

H.Heliópolis/SES(SP) 2 Sta.CasadeMisericórdia(SP) 2 FMBotucatu/Unesp(SP) 2

FCMS/PUC-SP(SP)a 1

Unifesp(SP) 7

Sul HC/UFPR(PR) 4

HUEvangélicodeCuritiba(PR)a 1

HURegionaldoNortedoParaná/ UEL(PR)

2

HURegionaldeMaringá/UEM (PR)

1

HCPA/UFRGS(RS) 3

UFCSPA(RS) 1

GrupoHospitalarConceic¸ão(RS) 2 H.SãoLucas/PUC-RS(RS)a 3

HUP.E.SãoThiago/UFSC(SC) 1

RMR,residênciamédicaemreumatologia;UF,unidadedafederac¸ão.

(6)

desorteque,inclusosessesindivíduos,aindaassimsomente 11,4%(96/839)dosconcluintesdeRMRde2000a2015seriam egressosdePRMdeinstituic¸õesprivadas.

OEstadobrasileiroé,portanto,omaiorfinanciadore prin-cipalprovedor derecursoshumanosemateriais(incluindo espac¸os físicos) para a RMR. Destaca-se aqui o papel das faculdadeseuniversidadespúblicascomograndes formado-rasdereumatologistasno Brasil,responsáveisporcercade doisterc¸osdosconcluintesdeRMRnoperíodo.Adespeitoda dominânciadosservic¸ospúblicosnaformac¸ãodos reumato-logistasbrasileiros,oprovimentodessesespecialistasnoSUS éinferioraodainiciativaprivadaemuitoaquémdo recomen-dadoemoutrospaíses.8

Internacionalmente,apontam-seproporc¸õesideaisentre 52.000e85.000habitantesporreumatologista.24–27Em2013,

o Brasiltinha razão aproximada de 118.000 habitantes por reumatologista.28Todavia,noSUS,essaproporc¸ão superava

os 400.000 usuários porreumatologista.8 Se

desconsiderar-mos se os beneficiários de planos de saúde (cerca de 49 milhõesdebrasileirosem2013),aindaassim,paraosoutros maisde 150milhões debrasileiros eminentemente depen-dentes do SUS, a proporc¸ão superava os 247.000 usuários porreumatologista.8,29,30 Portanto,emborao Estadocusteie

aformac¸ãodamaiorpartedosreumatologistasnoBrasil,o SUStem-sedemonstradoincapazdereterumnúmero sufici-entedessesespecialistas,queposteriormentemigramparao mercadoprivado.

Houvemudanc¸anoperfildeformac¸ãodereumatologistas noBrasil,nosúltimos16anos.Noiníciodasérie,proporc¸ões aproximadamenteiguaisdenovosespecialistascomesem RMReramcontabilizadasanualmente.Nosanos subsequen-tes,reduziu-seafrac¸ãoanualdenovosreumatologistassem RMR, que oscila ultimamente por volta dos 15%. Paralela-mente,houveaumentodonúmerodevagasedeconcluintes deRMR.Aquedadafrac¸ãosemRMRantecedeuaintroduc¸ão,a partirde2008,dorequisitodepontuac¸ãomínimaemeventos científicosacreditadospelaAMB,paraadmissãodemédicos semRMRouespecializac¸ãoaoexamedesuficiênciadaSBR.31

Os achados sugeremumaopc¸ão dosmédicos que buscam especializac¸ãoemreumatologiapelaviadaRMR,desdeque hajavagasdisponíveis.

Opresente trabalhotrazperspectivas depesquisas sub-sequentes.Reportamosaquiquantosreumatologistasopaís formou e habilitou nos últimos 16 anos. Trabalhos recen-tesinformamaquantidadeexistentedessesespecialistasno país.8,28 Mas quantossão necessários? Asnecessidades do

Brasilsãosemelhantesàsdeoutrospaíses?Comoevoluiráa demandaporreumatologistasnoBrasil,naspróximas déca-das?Quantosteremosdeformaranualmenteparasupriressa demanda,semincorreremdesequilíbrios?Essassãoquestões relevantesparaopaís,quejustificampesquisasadicionais.

Emsuma,de2000a2015,paralelamenteàampliac¸ãono númerodevagas,aRMRseconsolidoucomoviapreferencial deformac¸ãoehabilitac¸ãoemreumatologianopaís,aqual res-pondeatualmentepelamaioriadosnovosespecialistasque anoaanoseagregamàsfileirasdareumatologiabrasileira. Houvemelhorianadistribuic¸ãodaofertadevagasentreas regiõesdopaís,conquantoinsuficienteparaeliminaros dese-quilíbriosexistentes.AmaioriadasvagaseprogramasdeRMR noBrasilestevevinculadaainstituic¸õespúblicas,sobretudo

universidadespúblicas.Reduc¸ãodasdesigualdadesregionais quantoàofertadevagasdeRMRpermanececomodesafiopara ofuturo.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

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Figura 1 – Número de programas e de vagas de residência médica em reumatologia (RMR) no Brasil, de 2002 a 2015.
Tabela 1 – Programas e vagas de RMR no Brasil, por região e UF, na comparac¸ão entre 2002 e 2015
Tabela 2 – Concluintes de RMR de 2000 a 2015, por região e UF Região UF n (%) Norte 12 (1,4) AM 12 (1,4) Nordeste 72 (8,6) BA 14 (1,7) CE 29 (3,5) PB 2 (0,2) PE 22 (2,6) PI 5 (0,6) Centro-Oeste 102 (12,2) DF 62 (7,4) GO 24 (2,9) MS 16 (1,9) Sudeste 556 (66

Referências

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