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Rev. Assoc. Med. Bras. vol.51 número4

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Academic year: 2018

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Rev Assoc Med Bras 2005; 51(4): 181-94

183

Ginecologia Ginecologia

Q

UAIS

OS

BENEFÍCIOS

DA

A

TIVIDADE

FÍSICA

NO

CLIMATÉRIO

?

P

anorama I nternacional

Em re ce nte e studo re alizado na Austrália, um grupo de clínico s ge rais avalio u o s be ne fício s da atividade física so bre alguns agravo s à saúde e m um a po pulação de 628 pacie nte s co m idade e ntre 2 0 e 7 5 ano s. Apó s do is ano s de im ple m e ntação de um pro gram a de atividade física, que incluiu fundam e ntalm e nte a prática de cam inhadas durante 30 m inuto s (um a o u duas ve ze s po r se m ana), o s clínico s co nstataram m e lho ra do pe so co rpo ral e m 4 0 ,9 % ; da hipe rte nsão e m 33,9% ; da hipe rco le ste ro lo m ia e m 26,4% ; da artrite e m 14,8% ; do diabe te s e m 14,2% e da D C V e m 8%1.

Coment ário

O im pacto benéfico da atividade física sobre a saúde é ine quívoco; ade m ais, repercut e de form a expressiva na redução de cust os para o sist em a de saúde, conform e de m onst rou o e st udo australiano.

Estudo brasileiro realiz ado nas regiões nordeste e sudeste m ostrou que a prática de exercícios regulares é m ais prevalente no se xo m asculino, igualando-se após os 5 0 anos entre os gêneros; a caminhada por 30 m inutos, um a vez por sem ana, foi praticada por 1 3 % e, cinco vez es por sem ana, por 3,3%2.

Os dados oriundos do estudo brasileiro denotam significativa taxa de sedentarismo, tornando im periosa a criação de progra-m as educativos e inforprogra-m ativos no sentido de estiprogra-m ular a prática regular de atividade física, principalm ente em m ulheres no clim atério (40 a 65 anos), quando são m ais prevalentes agravos que sabidam ente m elhoram , tais com o obesidade, hipertensão arterial, hipercolesterolem ia, artrite, diabetes e DCV.

Em função disso, a disciplina de pós-graduação Saúde da M ulher no Clim atério, da Faculdade de Saúde Pública da USP, de se nvolve u o De cálogo de Benefícios dos Exercícios, com o objet ivo de aumentar a adesão aos program as de prevenção de

doenças e prom oção de saúde. O De cálogo foi e laborado na figura de um decaedro, em que cada vértice representa o benefício da atividade física sobre um determ inado agravo, assim distribuído: cardiovascular, câncer de m am a, respira-tório, diabet es, ost eom ioart icular, psicológico, neurovege-tativo (ond as de calor n a pós- m e nopausa), obe sidade , dislipidem ia e hipertensão arterial.

Assim , após inúm eras discussões com os pós-graduandos e apoiado na literatura, o grupo concluiu que o m ais apropriado para m ulheres nesse estágio da vida seria a prática da cam inhada regular com duração de 150 m inutos sem anais.

To dos os participantes entenderam que a form a didática, ilustrativa e estim uladora de apresentação do decálogo pod e rá ser de grande utilidade prática não só para os profissionais de saúde utiliz arem no seu dia-a-dia, m as tam bém para ser incorporado e m programas institucionais.

AU RO RADE FÁTI M A GAZ O LI N CECI LI O MAFRA CABRAL

ELAI N E CRI STI N A ALVES PEREI RA

JO SÉ MEN DES ALDRI G H I

Re fe rê ncias

1. Sim s J, H uang N , Pie tsch J, N accare lla L. The Victo rian Active Script Pro gram m e : pro m ising signs fo r ge ne ral practitio ne rs, po pulatio n he alth, and the pro m o tio n o f physical activity. Br J Spo rts Me d 2004; 38:19-25. 2. Mo nte iro C A, C o nde W I, Matsudo SM, Matsudo VR, Bo nse ño r IM, Lo tufo PA. A de scriptive e pide m io lo gy o f le isure -tim e physical activity in Brasil, 1996-1997. Re v Panam Salud Publica 2003; 14:246-54.

M edicina Baseada em E vidências M edicina Baseada em E vidências

A

PESAR

DAS

EVIDÊNCIAS

,

POR

QUE

PERSISTE

A

VARIAÇÃO

NOS

CUID ADOS

AO

PACIENTE

CIRÚRGICO

?

São abundantes, por exemplo, as evidências sobre o melhor cuidado pe rio pe rató rio na cirurgia co lo rre tal. As me didas específicas que podem ser usadas na rotina incluem: nenhum preparo intestinal, analgesia/anestesia epidural por um a dois dias, nenhuma descompressão gástrica por sonda, restrição de infusão endovenosa de fluidos, e ingestão oral livre desde o primeiro dia1.

U tilizando -se de ssas m e didas, Surve y1, e nvo lve ndo

cirurgiõ e s de vário s ce ntro s de cirurgia dige stiva de cinco paíse s do no rte e uro pe u (Escó cia, H o landa, Ale m anha, Sué cia e N o rue ga), pô de co nfro ntar a prática pe rio pe rató ria na cirurgia do cânce r co lo rre tal ne sse s lo cais, fre nte às m e lho re s e vidê ncias dispo níve is. N e sse e studo , apre se ntava-se ao s cirurgiõ e s um ce nário clínico hipo té tico , de um pacie nte de 70 ano s, co m cânce r de có lo n, subm e tido à laparo to m ia e le tiva e re sse cção co lô nica, e pe rguntava-se qual a co nduta co m re lação ao pre paro inte stinal, analge sia, so nda naso gástrica, infusão de fluido s e re alim e ntação .

C o m o re sultado ve rifico use que as ro tinas pe rio -pe rató rias no tratam e nto do cânce r co lo rre tal no no rte da Euro pa dife re m substancialm e nte da prática base ada e m e vidê ncias. O s pacie nte s são subm e tido s unifo rm e m e nte à

Após corre t a ressuscitação volêm ica e utiliz ação de drogas, caso haja persistência da hipotensão , de ve se r avaliada a instituição de corticoterapia.

RO N ALDO ARKADER

WERTH ER B. DE CARVALH O

Re fe rê ncias

1 .Fe rnande z E, Schrade r R, W atte rbe rg K. Pre vale nce o f lo w co rtiso l value s in te rm and ne ar-te rm infants w ith vaso pre sso r-re sistant hypo te nsio n. J Pe rinato l 2005;25(2):114-8.

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de sagradáve l, de sne ce ssária e pre judicial prática do pre paro inte stinal e a je jum co m de pe ndê ncia e xage rada de fluido s intrave no so s, no pe rio pe rató rio . Para m uito s pacie nte s, a situação é ainda m ais agravada quando a so nda naso gástrica e o je jum são m antido s po r m uito te m po , fluido s intrave no so s são adm inistrado s irre stritam e nte e um blo que io ade quado de do r não é re alizado .

Comentário

A cirurgia e a m edicina baseada em evidências têm tido re lações turbulentas há algum tem po. H á am plo reconhecim ento que reconhecim uito da prática corrente não co nta coreconhecim conhe -cim ento ou educação advindos de e vidê ncias m édicas sólidas2.

Além disso, a aplicação de m é t odos de pe squisa, com o ensaios clínicos random iz ados e cont rolados, para responder questões cirúrgicas é quase sem pre difícil ou im praticável. N o e nt anto, existe um a crescente uniform idade na opinião da com unidade cirúrgica de que a qualidade da evidência que suport a os cuidados cirúrgicos necessita ser m elhorada e de que necessit am os de m ét odos inovadores para dissem inar a evidência na prática2.

A cirurgia tem algumas limitações, quando se trata da pesquisa em saúde:

Ao contrário dos ensaios sobre novos t ratamentos com

drogas, a pesquisa em procedim entos cirúrgicos não tem fonte de financiam ento natural;

A falta de m ecanism os reguladores estritos para a aprovação de procedim ent os cirúrgicos e disposit ivos novos, em m uit os países, leva ao ent endim ent o de que ensaios clínicos random iz ados não são necessários para novas intervenções cirúrgicas serem adotadas;

C o m o os procedim ent os cirúrgicos e os cuidados periope-ratórios são providos por dife re ntes cirurgiões e hospitais, estes variam enorm em ente, levando a um viés de experiên-cia, o que pode t ornar um válido ensaio clínico random iz ado im possível de ser realiz ado em várias circunstâncias, ou em outras situações lim itar a generaliz ação dos result ados para outras localidades que prestam cuidado em saúde;

Há ainda nos ensaios cirúrgicos tradicionais a lim itação

quanto ao cegam ento, bem com o excessiva m igração de pacientes entre os grupos de intervenção, com prom etendo a validade dos m e sm os.

As m udanças im ediatas necessárias para se m elhorar a qualidade dos cuidados cirúrgicos não são oriundas da desco-berta de novos conhecim entos, m as estão relacionadas com a integração do que nós já sabem os, na prática diária. Traduz ir a m elhor evidência na prática cirúrgica requer o envolvim ento dos cirurgiões, em um a atitude centrada no contexto do cuidado à saúde do paciente, e associada à utiliz ação de um a variedade de técnicas educativas2.

Evidências, em vários países, de intervenções educativas, com análise de resultados antes e depois, m ostram que o com portamento dos cirurgiões pode ser m udado e a qualidade

dos cuidados cirúrgicos pode ser m elhorada. Por exem plo, intervenções educativas na N oruega no ano de 1994 levaram a um m elhor resultado no tratamento do câncer de ret o, com redução na recidiva local de 28% para 8% , e aum ento na

sobre vida de cinco anos, de 55% para 71%2

. N os EUA intervenções tam bém de realim entação e educativas reduz iram a mortalidade na cirurgia coronariana em 24%2

.

O suce sso de program as para m elhoria nos cuidados cirúrgicos está no e ngajam ento individual de cirurgiões em nível local e regional, por m eio do desenvolvim ent o e m onit o-ram ento de indicadores de qualidade em saúde, da pesquisa e da criação de com unidades regionais de prática. Essas int ervenções inovadoras, unindo os cirurgiões, podem reque-rer investim entos substanciais, m as serão eficaz es. Ao m esm o tem po, deve-se trabalhar no desenvolvim ent o de um cont eúdo sólido da cirurgia baseada em evidências, por m eio de ensaios random iz ados controlados baseados na experiência3

.

WAN DERLEY M . BERN ARDO

FÁBI O B. JATEN E

MO ACYR C. NO BRE

Re fe rê ncias

1 .Lasse n K, H anne m ann P, Ljungqvist O , Fe aro n K, D e jo ng C H , Vo n Me ye nfe ldt MF, e t al. Patte rns in curre nt pe rio pe rative practice : surve y o f co lo re ctal surge o ns in five no rthe rn Euro pe an co untrie s. BMJ 2005; 330:1420-1. 2 .Urbach D R, Baxte r N N . Re ducing variatio n in surgical care . BMJ 2005; 3 3 0 :1 4 0 1 -2 .

3 .D e ve re aux PJ, Bhandari M, C larke M, Mo nto ri VM, C o o k D J, Yusuf S, e t al. N e e d fo r e xpe rtise base d rando m ise d co ntro lle d trials. BMJ 2005; 330:88.

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anorama I nternacional

P ediatria P ediatria

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ETERMINANTES

DO

CRESCIMENTO

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Referências

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