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Rev. Soc. Bras. Med. Trop. vol.25 número3

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Academic year: 2018

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COMUNICAÇÃO

O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE:

UM A OPORTUNIDADE ÚNICA

V ic e n te A m a to N e to e J a c y r P a s te r n a k R e v is t a d a S o c i e d a d e B r a s i l e i r a d e M e d ic in a T r o p ic a l

2 5 ( 3 ) .'2 0 1 - 2 0 2 , j u l - s e t , 1 9 9 2

S om os estu d io so s e interessados em saúde p ú b lica e n a b io lo g ia dos m uito s e num ero sos m icro rg an ism o s q u e co -h ab itam e in fern izam a v id a d o s m u ito s q u e m o ram em países tropicais. S o m o s , m u ito s , h o m e n s d e la b o ra tó rio o u ep id em io lo g istas e freq u en tem en te desligam o-n os d e p ro b lem as m ais p ro saico s e adm inistrativos. S om os, n o en tan to , to d o s cidadãos e precisam os n ão só sab e r o q u e se p assa n a organização desta n ação e d o sistem a de aten d im en to m édico p ú b lico , m as tam b ém p a rtic ip a r e d ar n o ssa opin ião . S e g u ra m e n te , se n ã o o fiz e rm o s v am o s ser su rp re en d id o s co m decisões p reju d iciais p ara nós co m o p esq u isad o res e p a ra o B rasil de um m odo g eral, c o n v in d o frisa r q u e o m om ento é agora, se n ão estiv erm o s lig eiram en te atrasados. E m 1988, a " C onstituição C idadã" deu d ireitos aos brasileiros q u e n o p ap el o s eq u ip aram aos habitan tes das reg iõ es m ais desenvolv idas. A ssim , to do brasileiro tem d ireito à cobertura com pleta dos seus problem as d e saú d e, ao acesso a tod o s os n ív eis do sistem a de a te n d im e n to e à m e d ic a ç ã o , q u e fa z p a rte e v i d e n t e m e n te d o t r a t a m e n to . A m e s m a C o n stitu ição , n o en tan to , n ão d efin iu com precisão a fo n te d e p ag am en to e isso d eix a o S istem a Ú nico d e S aúde (S U S ), n ela co nsagrado, m eio no ar. Se assim n ão fosse estaríam os tod o s m uito satisfeitos. V ário s d o s d ram as q u e acom panham os a p ro p ó sito d o s n o sso s p acien tes co m doenças endêm icas o rig in am -se do fato d e n ão serem disponíveis d iv e r s o s fá rm a c o s a p r o p r ia d o s , p o r ra z õ e s co m erciais. E m p resas do p rim eiro m undo não têm , co m u m en te, in teresse em p ro d u z ir rem édios u sad o s ex clu siv am en te n o terceiro , p o r gente p aupérim a, sem condições de bancá-los, im plicando isso em c o b ra r d e G o v ern o s o u tro ssim pobres e p e r ito s e m p r o m o v e r c a lo te s , to rn a n d o o s fab rican tes cansados d e sab e r se não quiserem p a g a r é d ifícil o b rig á-lo s. N ão há com o p ed ir fa lên cia d e G o v ern o s, o q u e é u m a p en a, p o is se fo sse v iáv el so b ra ria m p o u co s n a faix a sul do

Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP.

m undo. A g o ra ex iste o b rig ação de fo rn ecer tais m edicam entos, sem que a C onstituição ten h a indicad o com o e isso precisa ser d iscutido. N ão tem os in d ú stria farm acêutica nacio nal co m cap acid ad e d e fazer tais p ro d u to s e a d eterm in ação co n stitu cio n al, se seguida a co ntento, p o d e co n stitu ir o p o n to d e p artid a p ara fo rm ar seto r g enuinam ente b ra sileiro , o n d e suceda, co m co m p o stu ra d e n ão apenas m aq u iar, ev itan d o -se assim criticável p ro ced im en to , tão re ite rad o n estas bandas.

Igualm ente, den tro d e u m sistem a un ificad o o p a p e l d o s la b o r a t ó r i o s d e s a ú d e p ú b lic a é extrem am ente relevante. A ções in teg rad as p recisam de dad os de v igilâncias san itária e ep id em io ló g ica, não se fazendo n em u m a co isa n em o u tra sem b ons órgãos dessa n atu reza. M ais u m a v ez, tem lu g ar a o p o rtu n id ad e de eq u ip ar a d ev id a im p o rtân cia ao s nossos, q u e não recebem o devido v alo r n a consciência n acio nal, exatam ente p o rq u e até ag o ra in ex istia d iretiv a conveniente, dev id am en te in teg rad a. C o m o SUS ép o ssív e l p lan ejar e m an ter alg u m as das n o ssas conquistas n a área de saúde p ú b lica; afin al vacin ação das crianças de São P au lo n ão está em situação m uito d iferen te d a v ig e n te em v á rio s E sta d o s n o rte - am ericanos. V ale lem b rar ain d a q u e fica rá factível aferir quais são as n evessid ades e a im p o rtân cia das várias doen ças q u e n o s aflig em . Se ex istisse u m SU S fu n c io n a n te acred itam o s q u e a fe b re p u rp ú ric a b ra s ile ira te ria su as e tio lo g ia e e p id e m io lo g ia delineadas m ais d epressa; o fato d e term o s chegado lá em tem po b em razo áv el, se b e m q u e u tilizan d o apoio dos "C enter fo r D isease C o n tro l" (C D C ), sugere q u e contam os co m p essoal e cap acid ad e técnica p ara efetu ar tal tip o d e estu d o . F a lta in teg ra r os lab o rató rio s d e saú d e p ú b lica n o co n tex to da r e a lid a d e d e u m s is te m a ú n ic o , i n te g r a d o , hierarq uizado e descentralizado nas ações de execução das m anobras, sem pre co m d ireção . E sse p o n to é crítico , um a vez afig u ra-se in d isp en sáv el d ire triz lógica, baseada em d ad o s cien tífico s o riu n d o s dos n o sso s re ferid o s lab o rató rio s.

A lg u n s só c io s d a S o c ie d a d e B ra s ile ira de M ed icin a T ro p ica l ex ercem ativ id ad es e m h o sp itais

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C o m u n ic a ç ã o . A m a t o N e t o V , P a s t e m a k J . O s i s te m a ú n ic o d e s a ú d e : u m a o p o r tu n id a d e ú n ic a . R e v is t a d a S o c ie d a d e B r a s i le i r a d e M e d ic in a T r o p ic a l 2 5 : 2 0 1 - 2 0 2 , ju l - s e t , 1 9 9 2 .

u n iv ersitário s. N o S U S essas instituições costum am a c o lh e r g ra n d e s c o m p le x id a d e s assisten cia is e co n fig u ra m in d u b ita v elm en te elem ento s crítico s do sistem a, p o d en d o le v a r à co m u n id ad e o q u e se a p re n d e academ icam ente. C ientistas b io ló g ico s não p o d e m tran c ar-se e m excelsas to rre s de m arfim n u n c a , em n e n h u m p a ís e m u ito m enos n o no sso. T o d o s o s q u e receb em salário s adv in d o s d e dinheiro o rç am en tário s, g o v ern am en tal, d ev em ao p o v o que o s p a g a d ed icação e co m p ro m isso d e serv í-lo co m alg o q u e lh e seja ú til. P esq u isa básica, é claro, m erece ap reço e aten ção; p o ré m , decididam ente, in v estig açõ es d ev e m te r alg u m em basam en to n a re alid ad e, se p o ssív el p ro p icia n d o re to m o , q u e não p re c isa se r rá p id o . C o n tu d o , o s cidadãos que d u ra m e n te c o n trib u e m p a ra o erário são d ig n o s de b en efício s p ertin e n te s, p a ra eles m esm os o u , pelo m en o s, p ara seus descendentes.

P o r isso tu d o , fazem os u m apelo ao colegas. S en tem , d iscu tam e pen sem a respeito da inserção p ro fissio n al n u m sistem a ú n ico de saú de, ad espeito d o a s s u n to p a r e c e r n ã o m u ito r e le v a n t e , p resen tem en te, n o q u e fazem . D esen h em cenários,

avaliem p o ssib ilid ad es. M u itíssim o im p o rtan te, conform e, n o ssa o p in ião , é ex a m in a r d e fo rm a tran sp aren te o financiam ento do p ro cesso . A p esar d a tradição b ra sileira de não p ro je ta r e d e im ag in ar o G o verno com o um a in fin ita fo n te d e recu rso s, estam o s p erceb e n d o q u e n ão é assim . S o m o s favoráveis ao SU S co m o id éia, im ag in an d o -o algo eq u alitário , decente e, se b em o rg an izad o , eficiente. E v iáv el, até n o B rasil, d esd e q u e co n te com re cu rso s suficientes, n ão ex ag erad o s e d esp ro v id o s de luxo. Insistim os: definidos claram ente ed escentes. N ão obstante, com o reza u m fam oso p ro v é rb io , "o q u e é b o m é c a ro , e o q u e é m u ito b o m é m u ito c a ro ", não fu gindo disso o sistem a d e saúde. D o bo lo d e re cursos, im põe-se alo car m u ito m ais à saú d e, n u m contexto em q u e o p lan o m o stre fu n cio n alid ad e e u tilid ad e, senão p ersistirá o círcu lo v icio so q u e vem os hoje: j á q u e o sistem a n ão é b o m , n in g u ém q u er co n trib u ir p a ra m an tê-lo e vai p ro c u ra r p a ra si e os seu s co n d u ta s p a ra le la s , q u e p o r v ezes conseguem ser ain d a m ais in eficien tes e sem pre req u erem elevados d ispêndios.

Referências

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