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Dental Press J. Orthod. vol.20 número5

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Academic year: 2018

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© 2015 Dental Press Journal of Orthodontics 14 Dental Press J Orthod. 2015 Sept-Oct;20(5):14

edito

rial BBO

Em busca de qualidade

Com o passar dos anos, a maturidade vai chegando e nos tornamos mais sensíveis. Esse período é bem peculiar e se confunde com a experiência ou, quem sabe, bom senso não seria uma deinição melhor? A nossa vida, em grande parte, é absorvida pelo trabalho, pela proissão. Nada mais necessário, então, que, como exemplo aos mais jovens, busquemos traba-lhar bem, com ética, empenho e dedicação.

Volto no tempo e coloco-me no lugar dos nossos jo-vens colegas — recém-formados ou prestes a se formar —,

cheios de planos e sonhos. Trazem consigo um bando de

ideais e elaboram planos para seu futuro proissional. Aí, se

deparam com um mercado injusto e com alguns “vendedores

de ilusões” que, através de promessas inescrupulosas, se dis-põem a “fazê-los” ortodontistas.

Os sonhos vão se acumulando, os compromissos assu-midos também, e essas novas vítimas deste sistema corroí-do se entregam a esse mercacorroí-do de esquina, aos camelôs da educação proissional.

As estatísticas não mentem. O Brasil é o país com o maior número de cursos de “pós-graduação” em Ortodontia do mundo. Eram mais de 600 há pouco; talvez perto de mil ou mais no momento. Mas quantos realmente qualiicam um proissional sério? Difícil dizer.

Essa Ortodontia “barata”, que se prolifera tão arteiramen-te, mina nossa respeitabilidade como proissionais. A mídia faz chacota com “a moda” dos braquetes, e até mesmo programas humorísticos — acredito que inadvertidamente — montam cenas de humor que denigrem nossa especialidade. Pessoal-mente, vivo, há tempos, uma realidade diferente, mas não dei-xo de defender a Ortodontia brasileira perante as centenas de questionamentos que recebo mundo afora.

Mas deixemos isso para lá e foquemos em coisas boas e positivas. Em que patamar estamos?

Asseguro-lhes que, se houvesse um podium para a Orto-dontia mundial, o Brasil, com certeza, estaria nesse podium. Sinto orgulho ao ver os trabalhos de colegas brasileiros apre-sentados em congressos nacionais e internacionais, bem como os artigos/pesquisas/casos clínicos publicados nas principais revistas da especialidade. Sinto orgulho em mostrar a todos a qualidade de muitas de nossas publicações. Muitos se desta-cam e a gente torce para que esse número continue a crescer. Crescemos pelo muito que tantos izeram e têm feito para que chegássemos a esse estágio. Isso só comprova que sabemos

e podemos fazer bem feito. Porque não abraçarmos essa causa? Ressalto, porém, que para que isso aconteça precisamos abrir nossos olhos e buscar um parâmetro para a melhor quali-icação — para o certiicado de qualidade.

Acabo de cumprir meu tempo no BBO (Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial). Deixo a presidência feliz por ter convivido, nestes oito anos de trabalho, com colegas com princípios, aspirações e objetivos como os meus; com tantos jovens aguerridos, talentosos e que, assim como nós, se

preocupam com excelência e qualidade. Quem sabe esse

não seja o caminho?

Em meu nome e em nome de tantos diplomados, ofereço o BBO (Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial) como esse parâmetro para conduzi-lo(a) a essa almejada exce-lência. Infelizmente, nosso país, por meio de seus dirigentes, só permite o exame de qualiicação oicial para os proissionais de direito (qualiicação pelo exame da OAB). Mesmo após diversas tentativas, nós, os proissionais da saúde, não conse-guimos essa primazia. O BBO, sem dúvida, de forma inde-pendente mas estimulado pela ABOR, procura cobrir essa lacuna. Podemos suprir esse vazio com qualidade.

A experiência adquirida — desde o momento em que, mesmo depois de “velho”, me dispus a enfrentar o exame — só me fez ainda mais realizado, enquanto proissional e ser hu-mano. Convoco todos os colegas e professores, que lidam com o sonho de tantos jovens, a realmente lutarem por eles e com eles. Já agora em outubro, o exame da Fase I será oferecido em Florianópolis, durante o 11o Congresso da ABOR. Em

mar-ço de 2016 o exame clínico anual do BBO será também em Florianópolis: acontecerá de forma plena, com as Fases I e II, além da recertiicação. Visitem nosso site (www.bbo.org.br) e tenham uma ideia do nosso trabalho.

Esse é um convite, ou melhor, uma convocação, para que possamos assumir o protagonismo em defesa dos princípios de qualidade e excelência na nossa especialidade.

Não somos iguais, porém podemos, sim, sonhar os mes-mos sonhos focados na beleza e na arte de nossa especialidade, em respeito aos nossos pacientes e à vontade de dar aos outros aquilo que buscamos para nós próprios: qualidade de vida.

Eustaquio Araujo (CD, MDS), ex-presidente do Board

Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial; professor, vice-diretor do Center for Advanced Dental Education e diretor clínico do programa de Ortodontia, Saint Louis University, EUA.

Como citar essa seção: Araujo E. The pursue of quality. Dental Press J Orthod. 2015 Sept-Oct;20(5):14. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/2177-6709.20.5.014-014.edt

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