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Cad. Saúde Pública vol.12 número3

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Academic year: 2018

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ED ITO RIAL 288

Cad . Saúd e Púb l., Rio d e Jane iro , 12(3):288-289, jul-se t, 1996

Du ran te a X Con ferên cia Nacion al d e Saú d e, a Escola Nacion al d e Saú d e Pú b lica (ENSP) con firm a seu com p rom isso com a Reform a San itária e o Sistem a Ún ico d e Saú d e (SUS). O ob jetivo cen tra l d a Con ferên cia é corrigir d eficiên cia s e con solid a r o SUS com o p ro cesso so cia l co m p ro m etid o co m a co n str u çã o d e u m sistem a p ú b lico em q u e a saú d e seja recon h ecid a com o u m d os d ireitos in eren tes d a con d ição d e cid ad an ia. Tal d ireito n ão se con d icion a, em ab solu to, à fu n ção d o trab alh ad or n o p rocesso p rod u tivo e m en os ain da a sua capacidade de com pra de serviços n o m ercado, on de o que se com er-cializa é o d ireito à vid a.

Saú d e e q u alid ad e d e vid a refletem fu n d am en tos essen ciais d e su sten tação d e u m a socied ad e. A realização d a d escen tralização, a p articip ação d os d iferen tes n íveis d e or-ga n iza çã o d o Esta d o e d a so cied a d e civil, n o q u a l se eq u ilib ra m e co m p lem en ta m o aten d im en to e p rom oção d e saú d e, geram resp on sab ilid ad es m ú tu as en tre aqu eles en -vo lvid o s n a gestã o e p resta çã o d e ser viço s, e a p o p u la çã o co m o u m to d o. Em ú ltim a an álise, o SUS p ressu p õe a eqü id ad e d a oferta d a saú d e com o b em p ú b lico, acessível a tod as as p essoas n o exercício p len o d e seu s d ireitos con stitu cion ais.

No en tan to, os b rasileiros en con tram -se d istan tes d esta situ ação. Ap esar d e tod os os avan ços tecn ológicos e cien tíficos d isp on ib ilizad os n os ú ltim os an os, p ou cos são aqu les qu e têm acesso a eles. A im en sa m aioria d a p op u lação sequ er os con h ece, e h á aqu eles qu e, d ian te d a n ecessid ad e u rgen te d e u tilizálos, p en am em lon gas filas, agu ard an -d o o aten -d im en to a-d equ a-d o.

Su p erar esta etap a im p lica a recu p eração d e u m tem p o p erd id o d e au sên cia d e in -vestim en tos sociais, sob retu d o n a área d a ed u cação. A p rom oção d a saú d e d á-se com b ase n a ed u cação. Com o se p reten d e form ar cid ad ãos se crian ças n ão estão n as esco-las, m as n as ru as, d rogad as, p rostitu íd as, assassin ad as? Qu e p esad o trib u to p aga este País, in com p arável a qu alqu er d ívid a in tern a ou extern a em term os m on etários, ao su s-ten tar-se n a in d iferen ça crim in osa em face d o sofrim en to d estas crian ças, d a su a ex-clu são com o cid ad ãos? Pod e-se d iscu tir q u alid ad e d e vid a, acesso à saú d e p ara tod os d ian te d a ap artação p rovocad a p ela au sên cia d e in vestim en tos sociais am p los qu e efe-tivam en te assegu ram a n ecessária b ase ed u cacion al p ara su a p rom oção?

São questões de respon sabilidade do Estado e da sociedade. Os países que suplan taram este estágio desigual com relação às pessoas que os con stituem dirigiram pesados in vesti-m en tos n a forvesti-m ação de cidadãos, desde a edu cação p rivesti-m ária à u n iversitária. Este é o re-torn o m ais im ediato e o in vestim en to m ais seguro que um país pode fazer para si m esm o.

E esta é a m issã o d a ENSP – a con stru çã o d o con h ecim en to em sa ú d e e ed u ca çã o. Na X Con ferên cia Nacion al d e Saú d e m arcam -se as b ases d e u m p rocesso fu n d am en tal d e con solid ação d a p olítica d e saú d e p ara o País. O SUS é in ovad or, d escen tralizan d o m ecan ism os d e gestão e ou torgan d o resp on sab ilid ad es com p artilh ad as q u e con figu -ram n ovas in stân cias d e d ecisão, d en tro d e u m p rocesso cu ja am p la an álise e avaliação p erm an en te assegu ram su as b ases cien tíficas e p oliticam en te con stru íd as. A ENSP u n e-se às in stitu ições d e saú d e, d e p esq u isa e form ação d e recu rsos h u m an os, assim com o às rep resen tações p op u lares n esta reflexão, reiteran d o seu com p rom isso.

Ad a u t o J. G. Ara ú jo

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289

Cad . Saúd e Púb l., Rio d e Jane iro , 12(3):288-289, jul-jse t, 1996 ED ITO RIAL

Du rin g th e 10th Nation al Con feren ce on Health , th e Nation al Sch ool of Health (ENSP) rea ffirm s its co m m itm en t to Hea lth Refo rm a n d th e Un ified He a lt h Syst e m (SU S) in Brazil.

Th e cen tral p u rp ose of th e Con feren ce is to correct d eficien cies an d to con soli-d ate th e Un ifiesoli-d Health System as a social p rocess com m ittesoli-d to b u ilsoli-d in g a p u b lic sys-tem in wh ich h ealth is ackn owled ged as on e of citizen s’ in h eren t righ ts. In n o way is th is righ t co n d itio n ed o n a p erso n’s p la ce a s a wo rker in th e p ro d u ctio n p ro cess o r m u ch less on h is or h er ab ility to p u rch ase h ealth care services on th e m arket, wh ere wh at is b ou gh t an d sold is th e righ t to life.

Hea lth a n d q u a lity of livin g reflect th e fu n d a m en ta ls of su sta in in g a society. To ach ieve d ecen tralization an d p articip ation at th e variou s levels of govern m en t an d civil society, wh ere h ealth care an d p reven tion are b alan ced an d com p lem en tary, gen erates m u tu a l resp o n sib ilities fo r b o th th o se en ga ged in th e m a n a gem en t a n d p rovisio n o f services an d th e p op u lation as a wh ole. In th e fin al an alysis, th e Un ified Health System p resu p p oses eq u ity in su p p lyin g h ealth as a p u b lic good , acessib le to all p eop le in th e fu ll exercise of th eir con stitu tion al righ ts.

Yet Brazilian s are a lon g way from ach ievin g th ese righ ts. Alth ou gh great strid es h ave b een m ad e in scien ce an d tech n ology in recen t years, few Brazilian s h ave access to su ch p rogress. Th e vast m ajority of th e p op u lation is n ot even aware of it, an d m an y are th ose wh o lan gu ish for h ou rs in lin es, as th ey wait for th e p rop er treatm en t.

To overcom e th is stage requ ires m akin g u p for lost tim e an d lack of social in vest-m en ts, p articu larly in th e field of ed u cation . Th e b asis for p rovest-m otin g h ealth is ed u ca-tion . How can we p reten d to tu rn ch ild ren in to citizen s if th ey are ou t of sch ool, on th e streets, d ru gged , co n d em n ed to p ro stitu tio n , a n d m u rd ered ? Wh a t a terrib le to ll th is co u n try m u st p a y, in co m p a ra b le to a n y d o m estic o r fo reign d eb t in m o n eta ry term s, wh en it su stain s itself on crim in al in d ifferen ce to th e p ligh t of its own ch ild ren , to th eir exclu sion as citizen s! Can we really d iscu ss q u ality of livin g an d access to h ealth for all in th e face of th is ap arth eid cau sed by lack of social in vestm en ts in b asic ed u cation al n eed s?

Su ch issu es m u st b e ad d ressed by b oth govern m en t an d society. Cou n tries th at h ave overcom e th is u n equ al stage for its own citizen s h ad to m ake h eavy in vestm en ts in train in g th eir citizen s, startin g with p rim ary sch ool an d on u p th rou gh grad u ate cou rs-es. Th is is th e m ost im m ed iate retu rn an d safest in vestm en t th at a cou n try can ach ieve. Th is is th e m issio n o f ENSP – to b u ild kn owled ge o n h ea lth . Th e 10th Na tio n a l Con feren ce on Health is layin g th e grou n d work for a fu n d am en tal p rocess of con solid ation in th e cou n try’s h ea lth p olicy. Th e Un ified Hea lth System is in n ova tive in d ecen tralizin g m an agem en t m ech an ism s an d sh arin g resp on sib ilities to sh ap e n ew d ecision -m a kin g levels a s p a rt o f a p ro cess wh o se scien tific, p o litica lly b u ilt fo u n d a tio n s a re gu aran teed by b road an alysis an d p erm an en t assessm en t. Th e Nation al Sch ool of Pu b -lic Hea lth jo in s in th is p ro cess o f reflectio n a n d reitera tes its co m m itm en t, to geth er with oth er h ealth in stitu tion s d evoted to research an d h u m an resou rces train in g.

Ad a u t o J. G. d e Ara ú jo

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