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Cad. Saúde Pública vol.12 número3

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Academic year: 2018

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HIGIENE E ILUSÃO: O LIXO COM O INVENTO SO-CIAL. José Carlos Rodrigues. Rio de Janeiro: Edi-tora Nau, 1995. 111pp.

O livro d e José Carlos Rod rigu es p rop õe exam in ar ati-tu d es d a n ossa cu lati-tu ra em relação ao lixo, ten d o co-m o p rin cíp io a tese d e q u e lon ge d e ser u co-m fen ôco-m e-n o e-n atu ral, o sige-n ificad o q u e o lixo ad q u ire em q u al-q u e r cu ltu ra é u m a co n stru çã o so cia l d e se n vo lvid a e m m u ito te m p o d e h istó ria . A p ro p o sta d e co m -p reen d er u m “ou tro” cu ltu ra l, n este con texto, tem o p rop ósito d e servir com o u m p on to d e referên cia qu e p erm ite ver e com p reen d er as n ossas p róp rias in sti-tu ições e cossti-tu m es ou , m ais esp ecificam en te, as n os-sa s p ró p ria s a titu d e s e se n tim e n to s. Este e xe rcício d en om in a-se “relativização”, u m a p rop osta d a an tro-p o lo gia q u e a co m tro-p a n h a u m a a titu d e a b erta o tro-p o sta ao “etn ocen trism o”, u m a p ostu ra fech ad a e lim itad a qu e tom a verd ad es h istóricas e cu ltu rais com o se fos-sem n atu rais e ab solu tas.

Pa ra d e m o n stra r e ste p o n to d e vista , o a u to r se p ro p õ e co m p reen d er u m “o u tro” cu ltu ra l p ro jeta d o n o tem p o p ré-cap italista d a Id ad e Méd ia a p artir d e seu s p róp rios valores e atitu d es d e tal m od o qu e esta com p reen são p ossa trazer algu m a lu z p ara u m a cu l-tu ra p rojeta d a n o esp a ço ca p ita lista u rb a n o d e n os-so s d ia s q u e co m p o rta a d esõ es d iferen cia d a s à p er-cep ção d o corp o, d as excreções e d o lixo. As p ersp ec-tiva s h istórica e estru tu ra l coin cid em com a d ivisã o d o livro em d u as p artes p rin cip ais, além d a in trod u -ção e con clu são.

A ob ra d e José Carlos Rod rigu es u sa u m a lin gu a-gem sim p les, econ ôm ica e d id ática p ara d esen volver su a te se. Co n ce ito s co m p le xo s d a s ciê n cia s so cia is m o d e rn a s sã o tra zid a s à lu z d e u m m o d o ta l, q u e m e sm o u m le igo p o d e co m p re e n d ê -lo s. Tra ta -se, p o rta n to, d e u m a o b ra p io n eira q u e vem p reen ch er u m a lacu n a im p ortan te p rin cip alm en te se for con si-d erasi-d o o fato si-d e q u e o lixo está se con stitu in si-d o n u m p rob lem a ecológico extrem am en te sério n as socied a-d es m oa-d ern as.

O ob jetivo cen tral d esta ob ra en con tra-se n o p ro-p ósito d e tran sm itir o q u e talvez seja o asro-p ecto m ais n ob re p resen te n a An trop ologia Social e Cu ltu ral, ou seja, o im p u lso p ara com p reen d er e tolerar as m an i-festações cu ltu rais d istan tes d o cen tro d e gravid ad e im p osto p ela cu ltu ra d om in an te. Trata-se d e u m ver-d aver-d eiro exercício ver-d e tolerân cia cap az ver-d e ap reen ver-d er a in teligên cia, os sen tim en tos e as atitu d es qu e m u itas vezes su b jazem a m an ifestações q u e se torn am , p ela n o ssa in ca p a cid a d e d e co m p re e n d ê -la s, e stra n h a s d ian te d o n osso olh ar.

A d iscip lin a q u e o Pro fe sso r Ro d rigu e s e xe rcita e m re la çã o a o “o u tro” cu ltu ra l é ta m b é m e ste n d id a ao leitor n ão esp ecialista d esta ob ra. Foi certam en te p en sa n d o n este leito r q u e o a u to r d ivid iu o livro d e u m m o d o n ã o co n ven cio n a l, co lo ca n d o a su a p a rte teórica n o fin al.

Em b o ra seja a d m itid a u m a certa a rb itra ried a d e em focalizar a Id ad e Méd ia com o referên cia d e an áli-se n a p rim eira p a rte d o livro, a esco lh a é ju stifica d a p o r d o is m o tivo s. Em p rim e iro lu ga r, n u m se n tid o m ais am p lo e geral, p orq u e a Id ad e Méd ia é d e fato a referên cia con tra a q u al o cap italism o se d efin iu . Em se gu n d o lu ga r, n u m se n tid o m a is e sp e cífico à p ro -p o sta d o livro, -p o rq u e o a u to r re co n h e ce m u ito d e m ed ieval n a cu ltu ra b rasileira caracterizad a p or m a-n ifestações qu e se colocam a-n u m a p osição d e aa-n tago-n ism o e resistêtago-n cia ao cap italism o m od ertago-n o.

Sob o p on to d e vista d o olh ar cap italista m od er-n o, a cu ltu ra m ed ieva l é p erceb id a m u ito m a is p elo q u e n ã o fo i d o q u e p e lo q u e fo i. Co m o ta l, e la é e n -ten d id a co m o o m o m en to em q u e fa lta va m o s va lo-res, as con qu istas e o p rogresso desen volvido p elo sis-tem a cap italista. Aq u ilo q u e a cu ltu ra m ed ieval teria com o virtu d e n ão p od e ser d im en sion ad o p ela razão ca p ita lista sim p lesm en te p orq u e esta se forjou p ela su a n egação.

A esta visão d istorcid a e p recon ceitu osa q u e im -p ed e u m a -p erce-p ção ad eq u ad a d o q u e foi realm en te o m u n d o m ed ieval, o au tor con vid a o leitor p ara p ar-tilh ar com ele u m olh ar m ais im p arcial e toleran te e com isso p od er com p reen d er o p on to d e vista n ão só d o s h o m e n s q u e a vive ra m m a s ta m b é m d a q u e le s qu e p or vários m otivos, en d ógen os e exógen os, ain d a n ão p artilh am d o “eth os” cap italista m od ern o.

En tre a en orm e d iversid ad e étn ica e cu ltu ral q u e com p reen d e o m u n d o m ed ieval, o au tor ap on ta p ara d u as forças h om ogen eizad oras: o d ireito Rom an o e o Cristian ism o. Neste caleid oscóp io cu ltu ral ob servam -se ain d a 2 tip os b ásicos d e cu ltu ra: a oficial (con h ecid a p elos m on u m en tos, artes e in stitu ições) e a p op u -la r (p re d o m in a n te m e n te p a gã e p o u co co n h e cid a ). Qu a n to a o s a sp e cto s fo rm a is, a cu ltu ra m e d ie va l a p resen ta u m a m á lga m a d e m u ito s co n ceito s q u e a n ossa cu ltu ra con sid era totalm en te sep arad os com o, p or exem p lo, esp írito e m atéria, alm a e corp o, vid a e m orte, in d ivíd u o e coletivid ad e, p razer e d ejeto.

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p ela d esm istificação, m an ifestações estas associad as a festas e celeb rações d e caráter carn avalesco, on d e o p razer, o riso e as gargalh ad as eram fu n d am en tais.

A an álise d o au tor n este p articu lar, ain d a qu e tra-zen d o à ton a u m m aterial b astan te in teressan te, p er-d e u m co m p o n en te im p o r ta n te a o er-d eixa r er-d e p erce-b er as festas p agãs com o r itu ais q u e m ais d o q u e re-sistên cia cu ltu ral, exp ressavam o con trole e o p od er d a cu ltu ra d o m in a n te. O d e b o ch e, n e ste co n te xto, a p a re ce co m o u m a in ve rsã o ritu a l d a o rd e m , u m a so m b ra lú d ica e ca ó tica d e u m m u n d o sér io e o rd e-n a d o, m u e-n d o com q u e a cu ltu ra d om ie-n a d a ta m b ém co n co rd a va em p a rtilh a r. O b o b o d a co rte, a n tes d e ser u m a in ven ção d a cu ltu ra “b árb ara” e p agã, rem e-te à p róp ria estru tu ra social d om in an e-te d a core-te.

O au tor p rossegu e a su a an álise m ostran d o q u e, n o m u n d o m ed ieval, a relação com o corp o é ab erta, exp an siva, in d iscip lin ad a, tran sb ord an te e p regu içosa, m u ito d iferen te d a relação fech ad a, con tid a e in -d ivi-d u aliza-d a m an ti-d a n o m u n -d o b u rgu ês qu e tran s-form a o corp o h u m an o em in stru m en to d e trab alh o. De tal m od o qu e o qu e cau sa n ojo e tem or aos corp os d e h oje, cau sava riso, in tim id ad e e fam iliarid ad e aos corp os m ed ievais.

O au tor su sten ta q u e, p ara a em ergên cia d a m o-d e rn io-d a o-d e, a fra gm e n ta çã o o-d o a m á lga m a m e o-d ie va l em várias esferas d e d om ín io relativam en te au tôn o-m o s fo i in d isp en sá vel. En tre esse d o o-m ín io s, o a u to r en fa tiza a p ola riza çã o en tre ca m p o e cid a d e. Com o d e se n vo lvim e n to d o ca p ita lism o a p a rtir d o sé cu lo XVIII, u m a p reocu p ação con stan te foi isolar, sep arar e im p or u m con h ecim en to esp ecializad o e u m a d is-cip lin a in stitu cion al a tip os d iferen ciad os d e coisas e d e vid a . Exclu ir o s m o rto s d o s vivo s n este co n texto, p assou a ser u m em p reen d im en to fu n d am en tal. Um a forte p reocu p ação n esta ép oca foi colocar os m ortos, ju n tam en te com o lixo, cad a vez m ais lon ge d o m eio u rb an o e d o con vívio social. Mistu rar as coisas sem o devido cu idado p assou a ser visto com o u m a fon te ex-trem am en te im p ortan te d e p erigo e d oen ça.

No in terior d e u m Estad o Nacion al forte e d e u m a cu ltu ra q u e p reten d ia im p or seu con trole e d om ín io sobre a n atureza e os hom en s, o ar e a água con sistiam , p ela su a m ob ilid ad e e in cap acid ad e d e se m an terem fixos e su jeitos ao con trole, em fon tes d e gran d e p erigo à ord em e à saú d e. Restrição d e b an h os e d e ar p u -ro p -roced iam p rin cip alm en te p ara d oen tes e con va-le sce n te s, m a s ta m b é m p a ra in d ivíd u o s sa u d á ve is q u e n ão p reten d iam ad oecer. O con trole d as águ as e d o s ga se s q u e e m a n a va m d a te rra p a ssa ra m a se r a m aior q u estão d a saú d e p ú b lica en tão em ergen te.

Um o u tro a sp ecto im p o rta n te d a fra gm en ta çã o d o a m á lga m a m ed ieva l referse a o q u e o a u to r d e-n om ie-n a a h istória d a p rop ried a d e p riva d a d o eu , ou se ja , o p ro ce sso d e in d ivid u a liza çã o q u e re su lta n a a tu a l d im e n sã o cu ltu ra l q u e p e rm ite a o in d ivíd u o p e n sa r e se n tir a si m e sm o, a tra vé s d e u m m o d e la-m en to p révio d e seu s órgãos d o sen tid o, cola-m o sen d o u m in d ivíd u o com u m corp o e u m a p erson alid ad e in -d ivi-d u ais, p riva-d os e ú n icos. A in -d ivi-d u ali-d a-d e p res-su p õ e ta m b é m q u e o co rp o co n te n h a e m si tu d o o q u e oferece algu m risco d e tran sb ord ar as su as fron -teiras com o, p or exem p lo, o arroto, os flatos, o catar-ro, a tran sp iração, os h álitos e, m ais tard e, os p en sa-m en tos e sen tisa-m en tos.

O p rocesso d e h igien ização d os corp os qu e ocor-re a p a rtir d o sé cu lo XIX so focor-re a lgu m a a lte ra çã o n a

co n ce p çã o d e sa ú d e e lim p eza . A á gu a e o a r p u ro p e rd e m a su a co n o ta çã o d e p e rigo e a d q u ire m u m sen tid o d e p u rificad ores, d e p rod u tores d e lim p eza e h igien e. A sofisticação d o cap italism o in clu iu a id éia d e qu e corp os d e trab alh ad ores fortes e sau d áveis in -clu iria m aior p rod u tivid ad e ao sistem a e, assim , esta n ova p e rce p çã o d e sa ú d e e lim p eza se e ste n d e d a s cla sse s d o m in a n te s p a ra a s cla sse s d o m in a d a s. Re -cen tem en te, o d esen volvim en to in d u strial e a socie-d a socie-d e socie-d e co n su m o p ro socie-d u ziu u m a n ova m a n e ira socie-d e p e rce b e r e d e se n tir o co rp o : a d e sva lo riza çã o p ro -gressiva d os m ú scu los e d o corp o ferram en ta e a va-lorização d o con su m o e d o p razer.

No d esen volvim en to h istórico qu e p roced e a p atir d a Id a d e Méd ia , a té n o sso s d ia s o co rrera m , p o r-tan to, 3 m od elos d e m en talid ad e e sen sib ilid ad e corp orais: o m ed ieval, o cacorp italista e o con su m ista. Em -b ora a h istória recon h eça q u e u m d eterm in ad o m o-d elo se su ceo-d a a u m ou tro, o p receo-d en te n ão o-d esap a-rece com p letam en te e con tin u a a existir d e u m m od o m ais circu n scrito. Desse m od o, é p ossível en con trar u m p ou co d o corp o m ed ieval m esm o n a elite e o cor-p o h ed on ista e con su m ista m esm o en tre favelad os. É evid en te qu e am b os os casos n ão são p red om in an tes em relação ao m eio a qu e p erten cem .

Na se gu n d a p a rte d a o b ra , o s b a stid o re s d e su a p rod u ção (as teorias, os m étod os e técn icas) são tra-zid os à ton a. Aq u i, o au tor p rossegu e com seu estilo sim p les e d id ático, sed u zin d o o p ú b lico leigo a p en -sar em term os sociológicos e an trop ológicos. O au tor in icia esta p a rte d ecla ra n d o-se in flu en cia d o p rin ci-p a lm e n te ci-p e lo e stru tu ra lism o d e Lè vi-Stra u ss q u e trou xe u m verd ad eiro avan ço teórico ao p rop or u m a an alogia d a socied ad e n ão m ais com m ecan ism os fí-sicos ou organ ism os b iológicos, m as com u m asp ecto m en or d a p róp ria socied ad e q u e é su a estru tu ra lin -gü ística . Neste sen tid o, a ta refa d o cien tista so cia l é ap reen d er o sistem a d e com u n icação e as d iferen tes lin gu agen s d e u m a socied ad e.

Em segu id a, o au tor p rop õe u m a an alogia d e sistem a social com u m m ap a q u e ao classificar o m u n -d o com su a gra-d e im agin ária -d eixa aqu ilo qu e n ão foi d em arcad o com o in cogitável. Esta grad e im agin ária, d a m esm a m an eira q u e o con ceito d e p arad igm a d esen volvid o p or Kh u n , n ã o p erm ite ver, esen tir e p en -sa r o sign ifica d o d e q u a lq u er coi-sa q u e se situ e fora d ela. O seu p od er sim b ólico n a d em arcação d e fron teira s p o d e ser m u ito m a io r d o q u e q u a lq u er m u ra lh a. No in terior d a p róp ria grad e, algu m as coisas en -con tram -se em su a p arte cen tral; ou tras, n a p eriferia e ou tras, ain d a, n as fron teiras classificatórias e com o tal ap resen tam am b igü id ad e e p erigo. Deste m od o, o siste m a sim b ó lico d e cla ssifica çã o d o m u n d o, a o m esm o tem p o qu e in ven ta a ord em , in ven ta tam b ém o caos.

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o b je to s e id é ia s. O ce rn e d e sta ló gica , d e a p lica çã o u n iversal, é a segu in te: qu an to m ais p róxim o d o cen -tro d e p od er, m ais d istan te d a su jeira e vice-versa.

Ca d a socied a d e estru tu ra d iferen cia lm en te esta lógica classificatória, com m od os d iversos d e rigid ez. Ne ste p a rticu la r, o a u to r p ro p õ e u m a h ip ó te se b astan te in teressan te: n os am b ien tes sociais em q u e se req u er a lto gra u d e a u tocon trole a s p essoa s ten -d e m a se e xp re ssa r p o r a titu -d e s e co m p o rta m e n to s form alistas, b asead os em cód igos for tes, com rígid a ap licação d e regras d e p u reza e sep aração. As classes sociais m ais altas de um a sociedade cap italista se su b -m etera-m , d e u -m -m od o geral, a u -m tip o d e ed u cação cu jos asp ectos b ásicos são o con trole d o corp o, além d a d iscip lin a d as em oções e d a von tad e. Estes são re-q u isitos fu n d am en tais d o d om ín io re-q u e estas classes exercem n a socied ad e. As classes p op u lares, p or ou -tro lad o, sem ter receb id o a in cu lcação d esta d iscip li-n a corp oral, m ostra u m a m arcação m u ito m ais têli-n u e d as regras d e p u reza.

Sem recorrer a n om es e a teorias m ais esp ecíficas n o in terior d esta p rop osta d e an álise estru tu ralista, o au tor ap resen ta o seu cern e u tilizan d o-se n ão só d as id éias d e Lèvi-Strau ss, m as tam b ém d o estru tu ralis-m o b ritâ n ico, p rin cip a lralis-m en te Ra d cliff-Brown , Ma ry Dou glas, Leach , Glu ckm an e Victor Tu rn er. É eviden te q u e a a p resen ta çã o d e ta n to em tã o p ou ca s p á gin a s teve q u e se fazer com algu m a d ose d e sacrifício com relação às esp ecificid ad es e as n u an ces d estas várias teorias.

Em a lgu m a s oca siões, a ob ra d eixa tra n sp a recer a lgu m a in flu ên cia d o rela tivism o cu ltu ra l, u m a ten d ên cia u ltra p a ssa d a n o d esen vo lvim en to d a An tro -p o lo gia So cia l e Cu ltu ra l. Esta ten d ên cia , a in d a q u e in icia lm en te ú til n a va lo riza çã o d o “o u tro” cu ltu ra l, torn ou -se in con sisten te ao d eixar d e p erceb er o rela-cion am en to e a situ ação d e d ep en d ên cia em q u e esse “ou tro” esse en con tra em relação ao sistem a cap ita -lista. A lógica classificatória qu e im p õe aos m em b ros d as classes altas d a socied ad e con ten ção e d iscip lin a co rp o ra l e, co n se q ü e n te m e n te, u m a p e rce p çã o d e h ab itan tes d e favelas com o su jos existe n ão p or p re-con ceito ou falta d e in form ação, m as p orqu e faz p ar-te d e u m a estru tu ra d e p od er e o in d ivíd u o foi ed u ca-d o p a ra p re e n ch e r u m p a p e l so cia l. O h a b ita n te ca-d a favela, p or ou tro lad o, d eixa d e ad otar u m a d iscip lin a corp oral m ais rígid a n ão p orq u e resiste a cu ltu ra d as cla sses a lta s, m a s p o rq u e n ã o receb eu u m a p ro gra -m a çã o so cia l co -m p a tíve l. E-m o u tro s -m o -m e n to s d a ob ra, o au tor p arece en ten d er p erfeitam en te este as-p ecto q u a n d o m o stra q u e o as-p ro cesso d e in cu lca çã o d e n oções d e h igien e e d iscip lin a corp ora l, a n tes d e ser u m a con q u ista d as classes trab alh ad oras, corres-p o n d e a u m a n e ce ssid a d e d o siste m a ca corres-p ita lista , a p a rtir d e u m a d e te rm in a d a fa se d e se u d e se n vo lvi-m en to.

Este flan co ab erto à crítica revela-se tam b ém n a a n á lise d a cu ltu ra m ed ieva l q u e se con tra p õe à p er-cep ção d e su jeira n a socied ad e cap italista em fin s d o sécu lo XVIII q u a n d o, ta n to o lixo co m o o cem itér io, p a ssa ra m a se r p e rce b id o s co m o sé rio s p ro b le m a s u rb an os. É, em realid ad e, d ifícil im agin ar u m a cu ltu -ra p ré -ca p ita lista so b re vive n te n e ste m e io u rb a n o qu e n ão visse ton elad as d e lixo orgân ico em d escom -p osição n as ru as com o u m sério -p rob lem a d e saú d e p ú b lica . Em a m b ien te ru ra l, o lixo p o d eria ser visto com o reciclável, com o ad u b o, com o algo b en éfico. É

n este con texto qu e excrem en tos h u m an os ou d e an i-m ais teriai-m p od er cu rativo. Já ei-m ai-m b ien te u rb an o d esen volvid o, o lixo p erd e a su a con otação b en éfica e p a ssa a se r visto co m o u m gra n d e p ro b le m a n ã o só p elas classes d om in an tes, m as p or tod a a p op u lação. É d ifícil acred itar q u e favelad os n o Rio d e Jan eiro re-sistissem a u m p rojeto d e u rb an ização d a favela q u e in tro d u zisse u m siste m a d e e sgo to, á gu a tra ta d a e serviço d e lim p eza p ú b lica.

Um ou tro p rob lem a en con trável n ão só aqu i, m as em gran d e p arte d as an álises an trop ológicas, d iz res-p eito a u m a resistên cia d esres-p rores-p orcion al em con sid erar en u n ciad os d e ou tras d iscip lin as cien tíficas, p rin -cip alm en te d a b iologia q u e, p or m u ito tem p o serviu com o m od elo p ara as ciên cias sociais. Ain d a qu e esta resistên cia p u d esse ter sid o ú til n o p eríod o d e con solid ação d estas ciên cias, h oje em d ia, n a ép oca d a in -terd iscip lin arid ad e, m u ltid iscip lin arid ad e e tran sd is-cip lin a rid a d e, n ã o h á m a is o q u e a ju stifiq u e. Afin a l d e con tas, ad m itin d o qu e h á u m forte elem en to sim -b ó lico n o lixo, isto n ã o sign ifica q u e in exista m n ele im p licações m icrob iológicas, ecológicas e estéticas. A An tro p o lo gia está p erfeita m en te eq u ip a d a p a ra p o-d er in clu ir estas o-d im en sões com o p an o o-d e fu n o-d o sem in valid ar a su a p rop osta esp ecífica.

Con tu d o, a gran d e virtu d e d o livro p erm an ece n a o rigin a lid a d e d e se u te m a e e m a lgu m a s p ro p o sta s criativas qu e o au tor su gere em relação à teoria estru -tu ra lista . Tra ta -se d e u m livro e stim u la n te p a ra se r d a d o em a u la s em cu rsos d e gra d u a çã o em ciên cia s so cia is e gra d u a çã o e p ó s-gra d u a çã o e m m e d icin a , en ferm agem e saú d e p ú b lica.

Marcos S. Qu eiroz

Dep artam en to d e Psicologia Méd ica e Psiqu iatria Facu ld ad e d e Ciên cias Méd icas

Un iversid ad e Estad u al d e Cam p in as Cam p in as

ATLAS GEO GRAFICO DE LAS M ALFO RM ACIO -N ES CO -N GE-N ITAS E-N SUDAM ERICA. M aria da Graça Dutra (organizadora). Rio de Janeiro: Edi-tora Fiocruz, 1995. 144 pp.

ISBN 85-85676-18-3

O Estu d o Colab orativo Latin o-Am erican o d e Malform a çõ es Co n gên ita s (ECLAMC) é u Malform p ro gra Malform a p io -n eiro d e i-n vestigação d a freqü ê-n cia e d a etiologia d as m alform ações con gên itas, q u e fu n cion a h á 29 an os. Con siste em u m a red e con tin en tal d e m atern id ad es, n as q u ais são ob tid os d ad os cu id ad osam en te p ad ro-n izad os, os qu ais p osteriorm ero-n te são rem etid os p ara u m n ú cleo cen tral, on d e eles são revisad os e arm aze-n ad os em com p u tad or, p ara aaze-n álises fu tu ras. A p artir d essa m a ssa d e d a d o s, já fo ra m p u b lica d o s m a is d e d u zen tos artigos cien tíficos in exten so em revistas es-p ecializad as in tern acion ais, b em com o qu atro livros, e e la b o ra d a s vin te te se s d e p ó s-gra d u a çã o. Mu ita s con trib u ições a con gressos cien tíficos tam b ém foram p rep arad as a p artir d esse gran d e arqu ivo. O livro sob con sid eração an alisa p arte d esses d ad os d e m an eira sim p les, d ireta e elegan te.

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alfor-m a çõ e s o u co n ju n to s d e alfor-m a lfo ralfor-m a çõ e s, e sco lh id a s p or su a im p ortân cia m éd ica, b iológica ou p rática. A freqü ên cia d os m esm os foi ob tid a em 30 regiões (em -bora n a tabela 1 sejam listadas 41 regiões e 51 tip os d e u n id ad es) e p lotad a em m ap as. O livro tam b ém ap re-sen ta u m a b ib liografia d e 28 iten s, b oa p arte d e arti-gos em an ad os d o ECLAMC, m as tam b ém com ob ras d e referên cia geral; e seis tab elas, com as listas d as re-giõ es e d o s h o sp ita is co n sid era d o s, b em co m o co m os d ad os n u m éricos a p artir d os qu ais foram elab ora-d as as figu ras.

Os 40 m ap as forn ecem u m a visão im ed iata sob re a d istrib u içã o d a s fre q ü ê n cia s d o s d ia gn ó stico s a o lon go d e tod o o con tin en te e n os d ois p aíses d a Am é-rica Cen tra l, sen d o a ssim m u ito ú teis. In felizm en te eles n ão estão n u m erad os, n ão estan d o claro qu al foi o critério estab elecid o p ara a ord em d e su a ap resen -ta çã o, e n e m a q u e le re sp o n sá ve l p e la gra d a çã o d e fre q ü ê n cia s e sta b e le cid a (sã o se m p re trê s cla sse s, p resu m ivelm en te id en tificáveis com o in d ican d o in -cid ên cia s b a ixa , m éd ia e a lta , resp ectiva m en te, m a s os in tervalos d e freq ü ên cia n ão são u n iform es e p or-tan to este asp ecto d everia ter sid o esclarecid o).

Na p á gin a 114 é fo rn ecid o u m resu m o d o s va lo -res m áxim os ob tid os e aí tem os u m a su rp -resa, p ois se in d ica terem sid o co n sid era d a s 50 m a lfo rm a çõ es (e n ão 38). Seja com o for, os valores extrem os en volveram d ez m alform ações e oito regiões d iferen tes. En -tre as m alform ações com d istrib u ições m ais p ecu lia-res, estão a p olid actilia p ós-axial, o talip es talovalgo e a m icro tia . No q u e se re fe re a te n d ê n cia s se cu la re s (avaliad as con sid eran d ose q u atro in tervalos d e cin co a n o s e u m q u in to d e se is) fo i o b se rva d o u m a u -m en to n as in cid ên cias p ara 25 d os 40 d iagn ósticos e d im in u içã o d a freq ü ên cia d e a p en a s u m : sín d ro m e d e Down em m u lh eres com id ad e acim a d e 34 an os.. Os au m en tos ob servad os foram atrib u íd os a m elh o-rias n o d iagn óstico, e n ão a algu m fen ôm en o d e d ete-rioração am b ien tal ou d e ou tra n atu reza.

Ap esar d os p equ en os sen ões in d icad os acim a, es-ta ob ra d everá con stitu ir-se em im p ores-tan te fon te d e referên cia p ara q u alq u er p essoa in teressad a n a in ci-d ên cia ci-d e m alform ações con gên itas n a Am érica Lati-n a. Devem os ser gratos aos au tores, à orgaLati-n izad ora, e ta m b é m a Iê d a M. Orio li, q u e ta m b é m fa z p a rte d o n ú cleo cen tral resp on sável p ela triagem e m on tagem d este fan tástico acer vo d e d ad os, p or su a ap licação e p erseveran ça n a ob ten ção e an álise d os m esm os.

Fran cisco M. Salzan o Dep artam en to d e Gen ética

Un iversid ad e Fed eral d o Rio Gran d e d o Su l Porto Alegre

COM O AN DA O RIO DE JAN EIRO: AN ÁLISE DA CO N JUN TURA SO CIAL. Luiz Cezar de Q ueiróz Ribeiro (coordenador). Rio de Janeiro: Instituto de Pesquisa de Planejamento Urbano e Regional/ Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1995.

Com u m a lin h a d e trab alh o qu e visa con trib u ir p ara a form u lação d e p olíticas p ú b licas n o Estad o d o Rio d e Jan eiro, o In stitu to d e Pesqu isa em Plan ejam en to Ur-b a n o e Re gio n a l d a Un ive rsid a d e Fe d e ra l d o Rio d e Ja n e iro p u b lica m a is u m b o le tim co m in fo rm a çõ e s relevan tes p ara a an álise d a con ju n tu ra social d o

Es-tad o.“Com o an d a o Rio d e Jan eiro: an álise d a con ju n -t u ra socia l”fo i p ro d u zid o n o â m b ito d o p ro je to d e p esq u isa Avaliação d a con ju n tu ra social e d as p olíti-cas p ú bliolíti-cas n a Região Metrop olitan a d o Rio d e Jan ei-ro, con vên io IPPURUFRJ/ IPLANRIO (Em p resa Mu -n icip al d e I-n form ática e Pla-n ejam e-n to S. A.), e ap re-sen ta a evolu ção d as d esigu ald ad es sociais d a Região Metro p o lita n a d o Rio d e Ja n eiro (RMRJ), a p a rtir d a u m co n ju n to d e in d ica d o re s so cia is e sta b e le cid o s com b ase n as PNDAS – Pesq u isas An u ais d e Am ostra a Dom icílio – d e 1981 a 1990 referen tes a Dem ografia, Trab alh o, Ren d a, Ed u cação, Fam ília, Hab itação e Sa-n eam eSa-n to. O p aSa-n o d e fu Sa-n d o q u e p ossib ilita u m a b oa visu alzação d as d esigu ald ad es sociais, en tre as d iver-sas su b -áreas d a RMRJ e d e ou tras áreas d o Estad o, é a con stru ção d e in d icad ores p ara oito áreas h om ogê-n eas d e coogê-n form ação e orgaogê-n ização iogê-n terogê-n a d a RMRJ e, tam b ém , áreas d e In terior Urb an o e In terior Ru ral . Desta form a, as Regiões Adm in istrativas (RA’s) do m u -n icíp io d o Rio e -n co -n tra m -se co m p o -n d o u m a á re a h o m o gê n e a ju n ta m e n te co m m u n icíp io s d a Re giã o Metrop olita n a e a lgu m a s RA’s con tígu a s geogra fica m en te n ão se en con tram n ecessariam en te, com p on -d o u m a m esm a área h om ogên ea.

O b otetim tra z, em ca d a u m d e seu s seis ca p ítu -los, u m a sín tese an alítica d os in d icad ores p ara o Es-tad o e su as d istin tas áreas h om ogên eas e d e u m a sé-rie d e gráficos e tab elas on d e p od em ser visu alid as as va ria çõ es d o s in d ica d o res en tre o s a n o s d e 1980 e 1991. As áreas h om ogên eas con stru íd as p ara o estu -do são: Zon a Su l/ Niterói (com p ostas p elas RA’s de Bo-ta fo go, Co p a ca b a n a , La go a , Ba rra e o m u n icíp io d e Niteroi); Zon a Norte (com p osta p elas RA’s d a Tiju ca, Vila Isa b el, Méier, Rio Co m p rid o, Sa n ta Tereza , Ilh a d o Govern ad or e Ilh a d e Paqu etá); Cen tro/ Su b ú rb io 1 (com p osta p elas RA’s d o Cen tro, Portu ária, São Cris-tó vã o, Ra m o s, In h a ú m a , Ira já e Pe n h a ); Su b ú rb io 2 (com p osta p elas RA’s d e An ch ieta, Pavu n a, Mad u reira e Ja ca rep a gu á ); Zon a Oeste (com p osta p ela s RA’s d e Ban gu , Cam p o Gran d e, San ta Cru z e Gu aratib a); No-va Igu açu ; Baixad a Flu m in en se (com p osta p or Niló-p o lis, Sã o Jo ã o d o Me riti e Du q u e d e Ca xia s); Sã o Gon çalo/ Ou tros Mu n icíp ios (com p osta p or São Gon -çalo, Man garatib a, Itab oraí, Paracam b í, Magé, Itagiaí e Maricá); In terior Urb an o (Zon a Urb an a d os d em ais m u n icíp ios d o Estad o) e In terior Urb an o (Zon a Ru ral d os d em ais m u n icíp ios d o Estad o).

Algu m a s co n clu sõ es d o tra b a lh o evid en cia m a s d esigu ald ad es socias en tre essas d iversas áreas. As in -form ações sob re d em ografia ap on tam a Zon a Oeste d o m u n icíp io d o Rio e Sã o Gon ça lo/ Ou tros Mu n icí-p ios com as m aiores taxas d e crescim en to d em ográfi-co. O m u n icíp io d e Nova Igu açu ap resen tou a m en or ta xa . A d istrib u içã o esp a cia l d a p op u la çã o p or cor e ren d a d em on stra qu e as faixas d e m ais alta ren d a es-tão con cen trad as en tre os in d ivíd u os d e cor “b ran ca” e estão localizad as n as áreas cen trais. À m ed id a q u e h á u m d ista n cia m e n to d a á re a ce n tra l, d im in u iu a ren d a e au m en ta a p op u lação d e “p ard os e n egros”. A d istrib u içã o d a p o p u la çã o p o r fa ixa etá r ia a co m p a -n h a a te -n d ê -n cia e m -n íve l -n a cio -n a l: to d a s a s á re a s ap resen tam u m en velh ecim en to d a p op u lação.

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rasileiras. Ap esar d o d ecréscim o d a d istrib u ição d e ren -d a n a Zon as Su l/ Niterói e Zon a Norte a con cen tração d e riqu eza n essas áreas ain d a é b astan te im p ortan te: a Zon a Su l/ Niterói, on d e resid em ap en as 9% d as fa-m ília s d o e sta d o, ch e go u a co n ce n tra r 31% d o to ta l d e ren d im en tos fam iliares, em 1990. Além d isso h ou -ve u m a qu ed a gen eralizad a n o ren d im en to fam iliar: a ren d a m ed ian a fam iliar teve u m a red u ção d e 19,4%.

A cob ertu ra d os serviços d e sa n ea m en to , a n a li-sad a através d a p rop orção d e p op u lação aten d id a p e-la red e geral d e águ a, p or san em an to ad equ ad o e p or co le ta d e lixo d e m o n stra m q u e, d e m a n e ira ge ra l, h ou ve am p liação d a cob ertu ra d esses servíços n o Es-tad o. Ap esar d isso, a p rop orção d e h ab itan tes aten d id o s p o r esses ser viço s a in id a é b a sta n te b a ixa : a co -b ertu ra d a red e d e águ a n ão p assa d e 80% d a p op u la-ção e a coleta d e lixo só aten d e 69,3%. Qu an d o verifi-cad a a am p litu d e d o aten d im en to d esses serviços n as d ive rsa s á re a s d o Esta d o, a s va ria çõ e s sã o b a sta n te sign ificativas: as áreas d o In terior Ru ral, São Gon ça-lo/ Ou tros Mu n icíp ios e Nova Igu açu , ap esar d e ap re-sen tarem u m acréscim o n a p rop orção d e p op u lação aten d id a p or red e geral d e águ a, ain d a têm cob ertu -ra s a b a ixo d e 65%. Essa s va ria çõ e s ta m b é m p o d e m ser verificad as n as in form ações referen tes à p rop or-ção d e p essoas resid en tes em d om icílios d otad os d e san eam en to ad eq u ad o (com red e geral d e águ a e d e esgoto ou d e fossa sép tica). Cab e aq u i u m a ob servção em relaservção ao in d icad or d e san eam en to ad equ a-d o : n ã o se ria p la u síve l, p a ra e fe ito a-d e a va lia çã o a-d e p olítica p ú b lica e d e q u alid ad e d e vid a, agregar n u m m esm o in d icad or d ad os referen tes a d om icílios d ota-d o s ota-d e re ota-d e ota-d e e sgo to o u ota-d e fo ssa sé p tica , u m a vez qu e o in vestim en to n as d iferen tes in stalações d ep en -d em , -d istin tam en te, ou -d e ação p ú b lica ou fam iliar.

No to ca n te à p ro p o çã o d e p o p u la çã o a te n d id a co m co le ta d e lixo, a s d e sigu a ld a d e s e n tre a s á re a s são b astan te acen tu ad as. A situ ação m ais p recária foi verificad a em Nova Igu açu qu e em 1981 já ap resen ta-va u m a b aixíssim a cob ertu ra d esse serviço (28,4%) e n o an o d e 1990 caiu m ais ain d a (atin giu 25,9%). A Zo-n a Norte foi a área q u e atiZo-n giu a m aior p rop orção d e p o p u la cã o a te n d id a p o r co le ta d e lixo, sa iu d e u m a p ro p o çã o d e 85,2% e m 1981 e a lca n ço u 97,1% e m 1990.

“Com o an d a o Rio d e Ja n eiro: an álise d a con ju n -tu ra social”n ão é ap en as m ais u m b oletim com esta-tísticas oficiais sob re o Estad o, m as sim d e u m a con s-tru ção an alítica qu e favorece a visu alização d as d esi-gu ald ad es sociais e d a d istr ib u ição d os b en s e servi-ços p ú b licos. É u m a fon te ob rigatória d e con su lta p a-ra aqu eles qu e se d ed icam a estu d os sob re o p rocesso saú d e-d oen ça n o Estad o.

Rosely Magalh ães d e Oliveira

Dep artam en to d e En d em ias Sam u el Pessoa

Escola Nacion al d e Saú d e Pú b lica, Fu n d ação Oswald o Cru z Rio d e Jan eiro

ECOLOGIA: PRINCÍPIOS & M ÉTODOS. Sebastião Laroca. Petrópolis: Vozes. 1995.

ISBN 85-326-1524-4

Mu ito a ce rta d a a id é ia d e co m e ça r o livro m e n cio -n a -n d o o co -n h ecim e-n to d o s í-n d io s. Na verd a d e eles são os gran d es con h eced ores d a ecologia b rasileira.

O Brasil está p resen te n a h istória d a ecologia, n a o b ra p io n eira d e Eu gen Wa rm in g, geo gra fia vegeta l ecológica, u m a vez q u e ele trab alh ou em Lagoa San -ta, Min as Gerais.

Fritz Mü lle r, o gra n d e n a tu ra lista teu to -ca ta ri-n eri-n se, cori-n siderado p or Darwiri-n “o p ríri-n cip e dos obser-vad ores” é tratad o com m u ito carin h o.

Estão m u ito b em ap resen tad as as ligações en tre o con h ecim en to cien tífico e o p op u lar, com d estaqu e p ara algu n s gran d es ob servad ores d a n atu reza, com o “Ta itu b a” (Ra im u n d o Aselin o d e Ca stro), q u e tra b a -lh o u co m a e xp e d içã o d a Roya l So cie ty n o n o rte d e Ma to Gro sso e Jo a q u im Ve n a n cio d e Ma n gu in h o s, am b os p raticam en te sem n en h u m a escolarid ad e.

A p arte d e m eteorologia está ótim a, o qu e d en u n -cia u m cu rso d e m eteorologia feito p or Laroca, an tes d e in gressar n a Un iversid ad e.

Na d iscu ssã o d o s a ssu n to s rela tivo s à s p o p u la-çõ es, n o ta -se q u e o a u to r é se rvid o p o r u m a a m p la cu ltu ra geral.

O au tor n ão esqu ece d e lem b rar as con trib u ições in ovad oras d e algu n s b rasileiros e con sid era a teoria d a seleção “r” e “K”, com o a lei Oliveira Castro am p li-ad a.

Assu n tos com p lexos com o ecologia d as com u n i-dades e n ich o ecológico estão ap resen tad os d e form a b em sim p les.

En cerra o livro a lgu n s exem p los im p orta n tes d e ecologia d as in vasões, com o a d o An op h eles gam biae, n o n o rd este b ra sileiro, a d e u m ca cto e d o s co elh o s n a Au strália.

Há n o livro m u ita com p u tação, com d iversos p ro-gram as, u m dos qu ais desen volvido p or u m dos filh os d o a u tor. Com o n ã o en ten d o n a d a d o a ssu n to, lim i-to-m e a d ar ap en as esta n otícia.

Com a p u b licação d esse livro está d e p arab én s a Un iversid ad e Fed eral d o Paran á e seu Dep artam en to d e Zoologia, d esen volvid o p elo in can sável Pad re Je-su s San tiago Mou re.

Diz o sab er p op u lar q u e tod os cam in h os levam a Rom a. Isso faz lem b rar o caso d os d ois ecólogos aqu i em jo go. La ro ca viro u ecó lo go estu d a n d o a b elh a s e Aragão, trab alh an d o com m osq u itos. Don d e se con -clu i qu e o im p ortan te é trab alh ar. Com o d izia Oswal-d o Cru z: “n ão h á n aOswal-d a qu e resista ao trab alh o”.

Mário B. Aragão

Dep artam en to d e Ciên cias Biológicas

Referências

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