Prof.ª Franciele Kühl | Prof. Felipe Dalenogare
@prof.frankuhl | @prof.felipedalenogare
2.1 Observações gerais:
Nas ações de procedimento comum aplica-se o Código de Processo Civil ao
que tange a estruturação de peça e regras pertinentes ao tramite processual, sem prejuízo
das legislações específicas dentro de cada matéria, como por exemplo, as regras de
competência que traz a Constituição Federal na Seção IV, que trata dos Tribunais Regionais
Federais e dos Juízes Federais e das demais regras esparsas ou sumuladas.
Deve-se observar também que com o advento do novo CPC não existe mais
procedimento comum dividido em ordinário e sumário. Não há mais que se falar em ação
de conhecimento no procedimento ordinária ou em ação ordinária, como se via em exames
anteriores ao XX Exame da FGV (pois ainda se aplicava o CPC antigo). Agora temos o
procedimento comum e o especial.
Novo CPC também extinguiu com os processos cautelares: elas estão reunidas agora
dentro da tutela provisória de urgência, que estão lá a partir do artigo 299.
Aqui neste tópico você vai estudar as ações regidas pelo procedimento comum, ou
seja, a indenizatória, anulatória, obrigação de fazer, obrigação de não fazer,
obrigação de dar, etc.
Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e no Mandado de Segurança com
rito sumário: nestes casos há rito sumário em razão da legislação específica
aplicada, o que não se confunde com o CPC.
ATENÇÃO!
2.2 petição inicial:
A petição inicial é ato que dá início ao processo, delimita a defesa e a atuação do juiz.
Ela desencadeia o processo: o Artigo 312, do CPC, vai dizer que se considera proposta a
ação com o protocolo da ação e produz efeito após a citação.
Quais os requisitos dessa petição inicial? Os requisitos estão no artigo 319 e 320 do
Código de Processo Civil:
Art. 319. A petição inicial indicará:
I - o juízo a que é dirigida;
II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o
número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa
Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu;
III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido;
IV - o pedido com as suas especificações;
V - o valor da causa;
VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;
VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de
mediação.
Art. 320. A petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à
Como identificar uma inicial? O enunciado vai deixar claro que não há
processo tramitando e que você deve ajuizar ação para defesa dos direitos de seu
2.3 O juízo a quem é dirigida:
O endereço é feito no cabeçalho da petição inicial e deve ser observada as regras de
competência estabelecidas na Constituição Federal, leis de organização judiciária, no CPC:
1) Verifica-se se é caso de competência originária dos tribunais; (exemplo: ato
abusivo praticado por juiz federal, a CF vai dizer que o MS deve ser endereçado ao
TRF); caso não seja...
2) Se da justiça comum (estadual ou federal) ou especial (eleitoral, trabalho ou
militar).
3) Se é da justiça comum verifica-se se é da justiça federal (art. 109, I, CF e 45
e 53, CPC) ou estadual.
4) Após, verifica-se qual a comarca ou seção/subseção judiciaria competente.
1) Quando o enunciado trouxer que a competência é da Justiça Estadual, o
endereçamento será para "Douto Juízo da Vara da Fazenda Pública da Comarca de...".
Justiça Estadual = Comarca.
2) Se o enunciado trouxer que a competência é da Justiça Federal = Seção/Subseção,
como fica o endereçamento então:
2.1) Para "Douto Juízo da Vara Federal da Seção Judiciária de..." quando o enunciado
falar em Estado ou em Capital de Estado.
2.2) Para "Douto Juízo da Vara Federal da Subseção Judiciária de..." quando o
enunciado falar em cidade.
Como fica o endereçamento então?
Em regra, para identificar a competência você deve ir por eliminação, isto é,
vai até o artigo 109 da Constituição Federal e verifica se o seu caso se enquadra no
artigo 109 (que trata da competência para a Justiça Federal), não sendo um daqueles
casos e não havendo outra disposição normativa, então a competência será da
justiça estadual (competência residual). Identificada a competência o
endereçamento fica da seguinte forma:
3) Observar as regras de foro especiais, quando a competência for diretamente no
TJ, TRF, STJ e STF. Por exemplo, se for Mandado de Segurança contra ato do Ministro do
STF, aí o endereçamento ficaria "Excelentíssimo Senhor Ministro Presidente do Supremo
Tribunal Federal".
Ações que possuem foro especial na nossa segunda fase de administrativo: Habeas
Data, Mandado de Segurança, Mandado de Injunção e o Habeas Corpus.
2.4 Dicas para acertar a competência:
Em razão das partes: Competência Fundamento
Autarquia federal
Justiça Federal Art. 109, I, CF; Art. 45, do CPC e Súmula 324, do STJ.
Empresa pública federal
União
Fundação pública federal (de direito
público ou de direito privado)
Autarquia estadual e municipal
Justiça Estadual
Competência residual
Fundação pública (de direito
público ou privado) estadual ou
municipal
Empresa pública estadual ou
municipal
Sociedade de Economia Mista
federal, estadual ou municipal
Súmula 42, do STJ e Súmula
556, do STF
Tem foro especial: Habeas Data,
Habeas Corpus e Mandado de
Segurança
Vide artigo 20, Lei 9.507/97; Artigo 102, 105, 108,
109 e 125, §1º, da Constituição Federal;
Concessão ou permissão
Justiça Estadual como regra, em razão da
competência residual, ou seja, julga matérias que
não sejam da competência dos demais
segmentos do Judiciário.
no feito como assistente ou oponente, a competência passa a ser da justiça
federal, conforme artigo 109, I, da Constituição Federal.
2) Não há foro especial em ação indenizatória, anulatória, obrigação de fazer/dar,
nem em ação popular, ação civil pública e ação de improbidade administrativa,
não importa quem são as partes do processo.
3) Competência absoluta: quando não é facultado às parte alterarem (art. 62), pois
são de ordem pública. Exemplo: a Vara de família é materialmente incompetente
para conhecer demanda que envolve ente público. A competência absoluta pode
ser reconhecida de ofício ou alegada pela parte, a qualquer momento.
4) Competência relativa: são aquelas que podem ser modificadas pelas partes (art.
63). A competência relativa não pode ser reconhecida de ofício e só pode ser
alegada em preliminar de contestação, sob pena de preclusão (art. 63, §4º).
5) Outros artigos importantes: art. 45, 46, 47, 51, 52 e 53, do CPC;
Algumas súmulas importantes:
- Súmula 137, STJ: Compete a Justiça Comum Estadual processar e julgar ação de servidor
público municipal, pleiteando direitos relativos ao vinculo estatutário.
- Súmula 150, STJ: Compete a Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse
jurídico que justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas
públicas.
- Súmula 42, STJ: Compete a Justiça Comum Estadual processar e julgar as causas cíveis
em que e parte sociedade de economia mista e os crimes praticados em seu detrimento.
- Súmula 173, STJ: Compete a Justiça Federal processar e julgar o pedido de reintegração
em cargo público federal, ainda que o servidor tenha sido dispensado antes da instituição
do regime jurídico único.
- Súmula 183, STJ: Compete ao juiz estadual, nas comarcas que não sejam sede de vara da
justiça federal, processar e julgar ação civil pública, ainda que a União figure no processo.
- Súmula 508, STF: Compete à Justiça Estadual, em ambas as instâncias, processar e julgar
as causas em que for parte o Banco do Brasil S. A
- Súmula 556, STF: É competente a Justiça comum para julgar as causas em que é parte
sociedade de economia mista
Teses de repercussão geral importantes:
RE 571572 - Compete à Justiça estadual julgar causas entre consumidor e concessionária
de serviço público de telefonia, quando a ANATEL não seja litisconsorte passiva necessária,
assistente, nem opoente.
RE 549560 - O foro especial por prerrogativa de função não se estende a magistrados
aposentados.
RE 726035 - Compete à justiça federal comum processar e julgar mandado de segurança
quando a autoridade apontada como coatora for autoridade federal, considerando-se como
tal também os dirigentes de pessoa jurídica de direito privado investidos de delegação
concedida pela União.
RE 627709 - A regra prevista no § 2º do art. 109 da Constituição Federal também se aplica
às ações movidas em face de autarquias federais.
2.5 Qualificação das partes:
A qualificação é indispensável para que as partes sejam identificadas no processo,
indicando o POLO ATIVO e o POLO PASSIVO da ação.
Nesse momento é muito importante que o autor identifique corretamente e da forma
mais completa o réu, se o enunciado não trouxer todos os dados, o candidato NÃO PODE
INVENTAR DADOS, deve substituí-los por dados genéricos.
Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o
domicílio e a residência do autor e do réu;
Como ficaria a qualificação da Pessoa Física:
• Obs. 1: quando a parte for incapaz, deverá ser qualificado junto o seu representante
legal, se relativamente capaz, deverá ser assistido.
• Obs. 2: Quando a parte autora for pessoa jurídica, é fundamental que a petição venha
acompanhada do estatuto social e da documentação que comprove a regularidade
da representação.
Como ficaria a qualificação da Pessoa Jurídica:
NOME COMPLETO DO AUTOR, nacionalidade..., profissão..., estado civil...
(verificar no problema se há menção sobre união estável), portador do RG nº..., e do
CPF nº..., com endereço eletrônico..., residente e domiciliada na Rua..., nº...,
bairro..., Cidade..., Estado..., CEP..., por intermédio de seu advogado constituído
(procuração em anexo), inscrito na OAB sob o nº..., endereço eletrônico..., com
endereço profissional na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., CEP..., onde
recebe intimações, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, ajuizar,
pelo procedimento comum, com fundamento no artigo..., a presente
RAZÃO SOCIAL, pessoa jurídica de direito privado/público, inscrita no CNPJ
sob o nº..., endereço eletrônico..., com sede na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade...,
Estado..., CEP..., representada nos termos do inciso VIII do artigo 75 do Código de
Processo Civil por seu Diretor (ver conforme enunciado)..., conforme Contrato
Social (se for sociedade limitada, porque se for sociedade anônima será estatuto)
em anexo, por intermédio de seu advogado constituído (procuração em anexo),
inscrito na OAB sob o nº..., endereço eletrônico..., com endereço profissional na
Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., CEP..., onde recebe intimações, vem,
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, ajuizar, pelo procedimento
comum, com fundamento nos artigos..., a presente:
Ainda, segundo o Art. 319, § 1°, CPC: Caso não disponha das informações
previstas no inciso II, poderá o autor, na petição inicial, requerer ao juiz diligências
necessárias à sua obtenção. (§ 2°) A petição inicial não será indeferida se, a despeito da falta
de informações a que se refere o inciso II, for possível a citação do réu. (§ 3°) A petição
inicial não será indeferida pelo não atendimento ao disposto no inciso II deste artigo se a
obtenção de tais informações tornar impossível ou excessivamente oneroso o acesso à
justiça.
2.6 Causa de pedir (o fato e o fundamento jurídico do pedido):
Os fatos e fundamentos jurídicos constituem a causa de pedir e a razão pela qual se
está postulando algo no poder judiciário. Nos fatos, o examinando deve fazer a narração
objetiva dos fatos apresentados no enunciado, é necessário descrever os fatos relevantes
que constituem a relação jurídica.
Cuidado: Não pode inventar nenhum fato!
2.7 O pedido com suas especificações:
O pedido deverá ser CERTO e DETERMINADO (art. 322, 324, CPC). A exceção está nas
possibilidades de pedido genérico, estabelecidas no art. 324, §1º, CPC:
Cuidado com os pedidos implícitos, na prática alguns pedidos são implícitos, mesmo
não aparecendo expressamente na petição inicial o juiz condena ao pagamento mesmo
assim, mas como a FGV quer testar o seu conhecimento, em razão de ser uma prova prático
profissional, você deverá fazer os pedidos mesmo assim! São alguns exemplos de pedidos
implícitos:
Art. 324. O pedido deve ser determinado.
§ 1º É lícito, porém, formular pedido genérico:
I - nas ações universais, se o autor não puder individuar os bens demandados;
II - quando não for possível determinar, desde logo, as consequências do ato ou do
fato;
III - quando a determinação do objeto ou do valor da condenação depender de ato que
deva ser praticado pelo réu.
§ 2º O disposto neste artigo aplica-se à reconvenção.
Art. 325. O pedido será alternativo quando, pela natureza da obrigação, o devedor
puder cumprir a prestação de mais de um modo.
Parágrafo único. Quando, pela lei ou pelo contrato, a escolha couber ao devedor, o
juiz lhe assegurará o direito de cumprir a prestação de um ou de outro modo, ainda que o
autor não tenha formulado pedido alternativo.
Ainda, o pedido pode ser:
A) Pedido alternativos – 325, CPC
• Quando há mais de uma forma para cumprir a obrigação.
• Exemplo: requer ao réu que cumpra a obrigação de... ou a obrigação de...
B) Cumulação de pedidos – 327, CPC
• Própria: quando há mais de um pedido e o autor espera que todos sejam atendidos.
Exemplo: condenação ao pagamento de danos materiais referente a... e danos
morais no valor de R$...
• Imprópria: Há vários pedidos, mas um só vai ser atendido, eu estabeleço hierarquia
entre os pedidos. Exemplo: Obrigação de fazer, se não for possível, então de
indenização.
Pedidos implícitos: exceção à regra de que os pedidos devem ser expressos:
1) A condenação da parte vencida ao pagamento de honorários advocatícios e ao
reembolso das custas judiciais adiantadas pela parte vencedora, nos termos do art.
322, §1º, do CPC.
2) A condenação do réu ao pagamento das prestações que se vencerem no
curso da demanda, conforme artigo 323, do CPC.
3) Inclui-se no pedido incidência de juros e correção monetária (art. 322, §1º,
CPC e art. 1º, da lei n. 6.899/81).
4) A comunicação de astreintes nos casos de obrigações de fazer, não fazer ou
entrega de coisa, nos termos dos artigos 497 e 536, §1º, do CPC, como a imposição
de multa diária, busca e apreensão, remoção de pessoas ou coisas, força policial, etc.
2.8 Valor da causa, art. 319, v, c/c 292 CPC:
Em toda petição inicial ou reconvenção vai o valor da causa, que deve ser certo e
determinado.
O valor da causa tem diversas utilidades, como para base de cálculos das custas
judiciais, definição da competência do órgão jurisdicional, cabimento de recurso, base de
cálculo de multas processuais. O valor da causa deve observar o disposto no artigo 292, do
CPC.
Se nenhuma das hipóteses do artigo 292 seja suficiente para atribuir valor à causa, o
cálculo será a critério do autor (DIDIER JR, 2016), neste caso o valor será controlado a partir
1) O recebimento e procedência da presente demanda.
2) O deferimento da tutela provisória (urgência ou evidência), uma vez
presentes os requisitos, para que..., nos termos da fundamentação; (Art. 294 do CPC,
c/c Art. 300 ou Art. 311 do CPC)
3) Tramitação preferencial do presente feito, tendo em vista o art. 1048, do
CPC, Art. 71, caput e §5º da lei n. 10.741/2003 e Art. 9º, VII, da lei 13.146/2005.
4) A citação do réu, por intermédio de sua representação judicial, para,
querendo, contestar a presente demanda, no prazo legal, sob pena de revelia;
5) A procedência da presente ação, para...
6) A designação de audiência prévia de conciliação ou mediação, de acordo
com o Art. 319, VII, do CPC e a respectiva citação do réu para comparecer na
audiência.
7) A produção de todas as provas admitidas em direito, especialmente a
prova...
8) A condenação do réu ao pagamento dos honorários advocatícios e custas
processuais; (Art. 85 e 82 do CPC)
9) A concessão do benefício da gratuidade da justiça, por ser o Autor pessoa
pobre nos termos da lei, consoante o Art. 98 e 99 do CPC. OU O recolhimento das
do princípio da boa-fé (art. 5º, do CPC), que veda o abuso de direito, assim como, os
princípios da razoabilidade e da proporcionalidade (art. 8º, do CPC).
O juiz pode controlar de ofício o valor atribuído, de acordo com o artigo 291, §3º,
quando verificar que o valor não corresponde ao conteúdo patrimonial em discussão. O réu
pode impugnar o valor da causa em preliminar de contestação, se não o fizer, incorrerá na
pena preclusão (art. 293, do CPC).
O juiz não estará limitado ao valor da causa, caso tenha sido menor ao que foi pedido.
Como a FGV, em seu histórico, não dá informações suficientes para que possa haver
o cálculo na hora da prova, o examinando deve apenas colocar na peça para fins de
pontuação:
2.9 As provas com que o autor pretende demonstrar a veracidade dos
fatos alegados:
É indicação do meio de provas que o autor utilizará para comprovar suas alegações,
o examinando deve sempre pedir a produção de provas de forma genérica, exemplo: requer
a produção de todos os meios de prova de direito. Bem como, pedir a produção de provas
específicas se o enunciado deixar claro que elas existem, por exemplo, se o enunciado
informar que há testemunhas do fato, você fará o pedido específico também: Requer a
produção de todos os meios de prova, em especial a produção de prova testemunhal.
2.10 A opção do autor pela realização ou não de audiência de
conciliação ou de mediação:
Essa audiência deve ser obrigatoriamente designada, portanto, ainda que o autor não
se manifeste ela ocorrerá, assim, o silêncio do autor não acarreta no indeferimento da
inicial, nem será mandado emenda-la.
Exceção: se autor e réu manifestarem desinteresse na sua realização ou se o
processo não admitir autocomposição, artigo 334, §4º, do CPC. O autor se manifesta
audiência de conciliação ou mediação e poderá manifestar desinteresse até 10 dias antes
dela ocorrer, essa manifestação será por simples petição.
2.11 Documentos indispensáveis à propositura da demanda, art. 320:
Consideram-se indispensáveis ou substanciais tanto os documentos que a lei
expressamente exige para que a demanda seja proposta (título executivo, na execução;
procuração, em qualquer caso, conforme o art. 287, CPC; laudo médico, na ação de
obrigação de fazer ou dar; certidão de propriedade, em ação indenizatória em razão de
danos causados pela Administração Pública; o contrato, em ação de anulação de contrato
escrito; etc.), como também aqueles que se tornam indispensáveis porque o autor a eles se
referiu na petição inicial, como fundamento do seu pedido - documentos fundamentais.
Art. 32. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão criar câmaras de
prevenção e resolução administrativa de conflitos, no âmbito dos respectivos órgãos da
Advocacia Pública, onde houver, com competência para:
I - dirimir conflitos entre órgãos e entidades da administração pública;
II - avaliar a admissibilidade dos pedidos de resolução de conflitos, por meio de
composição, no caso de controvérsia entre particular e pessoa jurídica de direito público;
III - promover, quando couber, a celebração de termo de ajustamento de conduta.
Art. 34. A instauração de procedimento administrativo para a resolução consensual
de conflito no âmbito da administração pública suspende a prescrição.
§ 1º Considera-se instaurado o procedimento quando o órgão ou entidade pública
emitir juízo de admissibilidade, retroagindo a suspensão da prescrição à data de formalização
do pedido de resolução consensual do conflito.
2.12 Tutelas provisórias: urgência e evidência:
Tutelas provisórias correspondem a incidentes no processo, não são processos
autônomos ou distintos do processo principal. A tutela provisória busca evitar injustiças ou
danos que possam ocorrer em razão da longa espera da resolução do conflito que foi
submetido à apreciação jurisdicional. Representa o provimento imediato, todavia
provisório, que de alguma forma possa evitar ou minimizar prejuízos ou inconvenientes
daquele que demonstra o fumus boni iuris, isto é, a fumaça do bom direito, a aparente
proteção pela ordem jurídica, que no CPC de 2015 é chamado de probabilidade do direito.
As tutelas provisórias correspondem a de urgência ou evidência. Sendo que as
tutelas provisórias de urgência se subdividem em cautelares (ou conservativas) e
antecipadas (satisfativas) – estas podem ser concedidas em caráter antecedente ou
incidental, segundo o parágrafo único, do artigo 294, do CPC.
Incidental são aquelas requeridas no curso do processo principal, podem ser
requeridas até mesmo por simples petição, elas não dependem do pagamento de custas
(art. 295). Já as antecedentes, precedem o pedido principal, apenas após a efetivação ou
indeferimento da tutela provisória é que o autor deverá formulá-lo, estas dependem do
pagamento de custas processuais nos termos do artigo 82 e seguintes do Código de
Processo Civil.
Nas tutelares de urgência, além da probabilidade do direito, a parte também deve
comprovar também que o objeto litigioso corre o risco de perecer, se perder, ou de ser
privado de usufrui-lo até o final do curso do processo, demonstrando, assim o periculum in
mora, ou seja, o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo, segundo a redação
do artigo 300, do CPC.
A grande diferença entre as tutelas de urgência e evidência está no perigo de dano
ou o risco ao resultado útil do processo, requisito apenas da tutela de urgência, pois a tutela
de evidência justifica-se pela extrema densidade da prova existente na qual se visa a tutela
liminar. Assim, a conexão entre ambas diz respeito somente a probabilidade de direito.
OBSERVAÇÃO: Sempre que não necessitar dilação probatória e se exigir o rito
mais célere, possivelmente será uma das ações constitucionais e não a ação pelo
procedimento comum.
De acordo com o artigo 297, do CPC, o juiz pode determinar qualquer medida que
No documento
PROCESSO ADMINISTRATIVO
(páginas 11-34)