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AÇÃO PELO PROCEDIMENTO COMUM:

No documento PROCESSO ADMINISTRATIVO (páginas 11-34)

Prof.ª Franciele Kühl | Prof. Felipe Dalenogare

@prof.frankuhl | @prof.felipedalenogare

2.1 Observações gerais:

Nas ações de procedimento comum aplica-se o Código de Processo Civil ao

que tange a estruturação de peça e regras pertinentes ao tramite processual, sem prejuízo

das legislações específicas dentro de cada matéria, como por exemplo, as regras de

competência que traz a Constituição Federal na Seção IV, que trata dos Tribunais Regionais

Federais e dos Juízes Federais e das demais regras esparsas ou sumuladas.

Deve-se observar também que com o advento do novo CPC não existe mais

procedimento comum dividido em ordinário e sumário. Não há mais que se falar em ação

de conhecimento no procedimento ordinária ou em ação ordinária, como se via em exames

anteriores ao XX Exame da FGV (pois ainda se aplicava o CPC antigo). Agora temos o

procedimento comum e o especial.

Novo CPC também extinguiu com os processos cautelares: elas estão reunidas agora

dentro da tutela provisória de urgência, que estão lá a partir do artigo 299.

Aqui neste tópico você vai estudar as ações regidas pelo procedimento comum, ou

seja, a indenizatória, anulatória, obrigação de fazer, obrigação de não fazer,

obrigação de dar, etc.

Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e no Mandado de Segurança com

rito sumário: nestes casos há rito sumário em razão da legislação específica

aplicada, o que não se confunde com o CPC.

ATENÇÃO!

2.2 petição inicial:

A petição inicial é ato que dá início ao processo, delimita a defesa e a atuação do juiz.

Ela desencadeia o processo: o Artigo 312, do CPC, vai dizer que se considera proposta a

ação com o protocolo da ação e produz efeito após a citação.

Quais os requisitos dessa petição inicial? Os requisitos estão no artigo 319 e 320 do

Código de Processo Civil:

Art. 319. A petição inicial indicará:

I - o juízo a que é dirigida;

II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o

número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa

Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu;

III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido;

IV - o pedido com as suas especificações;

V - o valor da causa;

VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;

VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de

mediação.

Art. 320. A petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à

Como identificar uma inicial? O enunciado vai deixar claro que não há

processo tramitando e que você deve ajuizar ação para defesa dos direitos de seu

2.3 O juízo a quem é dirigida:

O endereço é feito no cabeçalho da petição inicial e deve ser observada as regras de

competência estabelecidas na Constituição Federal, leis de organização judiciária, no CPC:

1) Verifica-se se é caso de competência originária dos tribunais; (exemplo: ato

abusivo praticado por juiz federal, a CF vai dizer que o MS deve ser endereçado ao

TRF); caso não seja...

2) Se da justiça comum (estadual ou federal) ou especial (eleitoral, trabalho ou

militar).

3) Se é da justiça comum verifica-se se é da justiça federal (art. 109, I, CF e 45

e 53, CPC) ou estadual.

4) Após, verifica-se qual a comarca ou seção/subseção judiciaria competente.

1) Quando o enunciado trouxer que a competência é da Justiça Estadual, o

endereçamento será para "Douto Juízo da Vara da Fazenda Pública da Comarca de...".

Justiça Estadual = Comarca.

2) Se o enunciado trouxer que a competência é da Justiça Federal = Seção/Subseção,

como fica o endereçamento então:

2.1) Para "Douto Juízo da Vara Federal da Seção Judiciária de..." quando o enunciado

falar em Estado ou em Capital de Estado.

2.2) Para "Douto Juízo da Vara Federal da Subseção Judiciária de..." quando o

enunciado falar em cidade.

Como fica o endereçamento então?

Em regra, para identificar a competência você deve ir por eliminação, isto é,

vai até o artigo 109 da Constituição Federal e verifica se o seu caso se enquadra no

artigo 109 (que trata da competência para a Justiça Federal), não sendo um daqueles

casos e não havendo outra disposição normativa, então a competência será da

justiça estadual (competência residual). Identificada a competência o

endereçamento fica da seguinte forma:

3) Observar as regras de foro especiais, quando a competência for diretamente no

TJ, TRF, STJ e STF. Por exemplo, se for Mandado de Segurança contra ato do Ministro do

STF, aí o endereçamento ficaria "Excelentíssimo Senhor Ministro Presidente do Supremo

Tribunal Federal".

Ações que possuem foro especial na nossa segunda fase de administrativo: Habeas

Data, Mandado de Segurança, Mandado de Injunção e o Habeas Corpus.

2.4 Dicas para acertar a competência:

Em razão das partes: Competência Fundamento

Autarquia federal

Justiça Federal Art. 109, I, CF; Art. 45, do CPC e Súmula 324, do STJ.

Empresa pública federal

União

Fundação pública federal (de direito

público ou de direito privado)

Autarquia estadual e municipal

Justiça Estadual

Competência residual

Fundação pública (de direito

público ou privado) estadual ou

municipal

Empresa pública estadual ou

municipal

Sociedade de Economia Mista

federal, estadual ou municipal

Súmula 42, do STJ e Súmula

556, do STF

Tem foro especial: Habeas Data,

Habeas Corpus e Mandado de

Segurança

Vide artigo 20, Lei 9.507/97; Artigo 102, 105, 108,

109 e 125, §1º, da Constituição Federal;

Concessão ou permissão

Justiça Estadual como regra, em razão da

competência residual, ou seja, julga matérias que

não sejam da competência dos demais

segmentos do Judiciário.

no feito como assistente ou oponente, a competência passa a ser da justiça

federal, conforme artigo 109, I, da Constituição Federal.

2) Não há foro especial em ação indenizatória, anulatória, obrigação de fazer/dar,

nem em ação popular, ação civil pública e ação de improbidade administrativa,

não importa quem são as partes do processo.

3) Competência absoluta: quando não é facultado às parte alterarem (art. 62), pois

são de ordem pública. Exemplo: a Vara de família é materialmente incompetente

para conhecer demanda que envolve ente público. A competência absoluta pode

ser reconhecida de ofício ou alegada pela parte, a qualquer momento.

4) Competência relativa: são aquelas que podem ser modificadas pelas partes (art.

63). A competência relativa não pode ser reconhecida de ofício e só pode ser

alegada em preliminar de contestação, sob pena de preclusão (art. 63, §4º).

5) Outros artigos importantes: art. 45, 46, 47, 51, 52 e 53, do CPC;

Algumas súmulas importantes:

- Súmula 137, STJ: Compete a Justiça Comum Estadual processar e julgar ação de servidor

público municipal, pleiteando direitos relativos ao vinculo estatutário.

- Súmula 150, STJ: Compete a Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse

jurídico que justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas

públicas.

- Súmula 42, STJ: Compete a Justiça Comum Estadual processar e julgar as causas cíveis

em que e parte sociedade de economia mista e os crimes praticados em seu detrimento.

- Súmula 173, STJ: Compete a Justiça Federal processar e julgar o pedido de reintegração

em cargo público federal, ainda que o servidor tenha sido dispensado antes da instituição

do regime jurídico único.

- Súmula 183, STJ: Compete ao juiz estadual, nas comarcas que não sejam sede de vara da

justiça federal, processar e julgar ação civil pública, ainda que a União figure no processo.

- Súmula 508, STF: Compete à Justiça Estadual, em ambas as instâncias, processar e julgar

as causas em que for parte o Banco do Brasil S. A

- Súmula 556, STF: É competente a Justiça comum para julgar as causas em que é parte

sociedade de economia mista

Teses de repercussão geral importantes:

RE 571572 - Compete à Justiça estadual julgar causas entre consumidor e concessionária

de serviço público de telefonia, quando a ANATEL não seja litisconsorte passiva necessária,

assistente, nem opoente.

RE 549560 - O foro especial por prerrogativa de função não se estende a magistrados

aposentados.

RE 726035 - Compete à justiça federal comum processar e julgar mandado de segurança

quando a autoridade apontada como coatora for autoridade federal, considerando-se como

tal também os dirigentes de pessoa jurídica de direito privado investidos de delegação

concedida pela União.

RE 627709 - A regra prevista no § 2º do art. 109 da Constituição Federal também se aplica

às ações movidas em face de autarquias federais.

2.5 Qualificação das partes:

A qualificação é indispensável para que as partes sejam identificadas no processo,

indicando o POLO ATIVO e o POLO PASSIVO da ação.

Nesse momento é muito importante que o autor identifique corretamente e da forma

mais completa o réu, se o enunciado não trouxer todos os dados, o candidato NÃO PODE

INVENTAR DADOS, deve substituí-los por dados genéricos.

Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o

domicílio e a residência do autor e do réu;

Como ficaria a qualificação da Pessoa Física:

• Obs. 1: quando a parte for incapaz, deverá ser qualificado junto o seu representante

legal, se relativamente capaz, deverá ser assistido.

• Obs. 2: Quando a parte autora for pessoa jurídica, é fundamental que a petição venha

acompanhada do estatuto social e da documentação que comprove a regularidade

da representação.

Como ficaria a qualificação da Pessoa Jurídica:

NOME COMPLETO DO AUTOR, nacionalidade..., profissão..., estado civil...

(verificar no problema se há menção sobre união estável), portador do RG nº..., e do

CPF nº..., com endereço eletrônico..., residente e domiciliada na Rua..., nº...,

bairro..., Cidade..., Estado..., CEP..., por intermédio de seu advogado constituído

(procuração em anexo), inscrito na OAB sob o nº..., endereço eletrônico..., com

endereço profissional na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., CEP..., onde

recebe intimações, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, ajuizar,

pelo procedimento comum, com fundamento no artigo..., a presente

RAZÃO SOCIAL, pessoa jurídica de direito privado/público, inscrita no CNPJ

sob o nº..., endereço eletrônico..., com sede na Rua..., nº..., Bairro..., Cidade...,

Estado..., CEP..., representada nos termos do inciso VIII do artigo 75 do Código de

Processo Civil por seu Diretor (ver conforme enunciado)..., conforme Contrato

Social (se for sociedade limitada, porque se for sociedade anônima será estatuto)

em anexo, por intermédio de seu advogado constituído (procuração em anexo),

inscrito na OAB sob o nº..., endereço eletrônico..., com endereço profissional na

Rua..., nº..., Bairro..., Cidade..., Estado..., CEP..., onde recebe intimações, vem,

respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, ajuizar, pelo procedimento

comum, com fundamento nos artigos..., a presente:

Ainda, segundo o Art. 319, § 1°, CPC: Caso não disponha das informações

previstas no inciso II, poderá o autor, na petição inicial, requerer ao juiz diligências

necessárias à sua obtenção. (§ 2°) A petição inicial não será indeferida se, a despeito da falta

de informações a que se refere o inciso II, for possível a citação do réu. (§ 3°) A petição

inicial não será indeferida pelo não atendimento ao disposto no inciso II deste artigo se a

obtenção de tais informações tornar impossível ou excessivamente oneroso o acesso à

justiça.

2.6 Causa de pedir (o fato e o fundamento jurídico do pedido):

Os fatos e fundamentos jurídicos constituem a causa de pedir e a razão pela qual se

está postulando algo no poder judiciário. Nos fatos, o examinando deve fazer a narração

objetiva dos fatos apresentados no enunciado, é necessário descrever os fatos relevantes

que constituem a relação jurídica.

Cuidado: Não pode inventar nenhum fato!

2.7 O pedido com suas especificações:

O pedido deverá ser CERTO e DETERMINADO (art. 322, 324, CPC). A exceção está nas

possibilidades de pedido genérico, estabelecidas no art. 324, §1º, CPC:

Cuidado com os pedidos implícitos, na prática alguns pedidos são implícitos, mesmo

não aparecendo expressamente na petição inicial o juiz condena ao pagamento mesmo

assim, mas como a FGV quer testar o seu conhecimento, em razão de ser uma prova prático

profissional, você deverá fazer os pedidos mesmo assim! São alguns exemplos de pedidos

implícitos:

Art. 324. O pedido deve ser determinado.

§ 1º É lícito, porém, formular pedido genérico:

I - nas ações universais, se o autor não puder individuar os bens demandados;

II - quando não for possível determinar, desde logo, as consequências do ato ou do

fato;

III - quando a determinação do objeto ou do valor da condenação depender de ato que

deva ser praticado pelo réu.

§ 2º O disposto neste artigo aplica-se à reconvenção.

Art. 325. O pedido será alternativo quando, pela natureza da obrigação, o devedor

puder cumprir a prestação de mais de um modo.

Parágrafo único. Quando, pela lei ou pelo contrato, a escolha couber ao devedor, o

juiz lhe assegurará o direito de cumprir a prestação de um ou de outro modo, ainda que o

autor não tenha formulado pedido alternativo.

Ainda, o pedido pode ser:

A) Pedido alternativos – 325, CPC

• Quando há mais de uma forma para cumprir a obrigação.

• Exemplo: requer ao réu que cumpra a obrigação de... ou a obrigação de...

B) Cumulação de pedidos – 327, CPC

• Própria: quando há mais de um pedido e o autor espera que todos sejam atendidos.

Exemplo: condenação ao pagamento de danos materiais referente a... e danos

morais no valor de R$...

• Imprópria: Há vários pedidos, mas um só vai ser atendido, eu estabeleço hierarquia

entre os pedidos. Exemplo: Obrigação de fazer, se não for possível, então de

indenização.

Pedidos implícitos: exceção à regra de que os pedidos devem ser expressos:

1) A condenação da parte vencida ao pagamento de honorários advocatícios e ao

reembolso das custas judiciais adiantadas pela parte vencedora, nos termos do art.

322, §1º, do CPC.

2) A condenação do réu ao pagamento das prestações que se vencerem no

curso da demanda, conforme artigo 323, do CPC.

3) Inclui-se no pedido incidência de juros e correção monetária (art. 322, §1º,

CPC e art. 1º, da lei n. 6.899/81).

4) A comunicação de astreintes nos casos de obrigações de fazer, não fazer ou

entrega de coisa, nos termos dos artigos 497 e 536, §1º, do CPC, como a imposição

de multa diária, busca e apreensão, remoção de pessoas ou coisas, força policial, etc.

2.8 Valor da causa, art. 319, v, c/c 292 CPC:

Em toda petição inicial ou reconvenção vai o valor da causa, que deve ser certo e

determinado.

O valor da causa tem diversas utilidades, como para base de cálculos das custas

judiciais, definição da competência do órgão jurisdicional, cabimento de recurso, base de

cálculo de multas processuais. O valor da causa deve observar o disposto no artigo 292, do

CPC.

Se nenhuma das hipóteses do artigo 292 seja suficiente para atribuir valor à causa, o

cálculo será a critério do autor (DIDIER JR, 2016), neste caso o valor será controlado a partir

1) O recebimento e procedência da presente demanda.

2) O deferimento da tutela provisória (urgência ou evidência), uma vez

presentes os requisitos, para que..., nos termos da fundamentação; (Art. 294 do CPC,

c/c Art. 300 ou Art. 311 do CPC)

3) Tramitação preferencial do presente feito, tendo em vista o art. 1048, do

CPC, Art. 71, caput e §5º da lei n. 10.741/2003 e Art. 9º, VII, da lei 13.146/2005.

4) A citação do réu, por intermédio de sua representação judicial, para,

querendo, contestar a presente demanda, no prazo legal, sob pena de revelia;

5) A procedência da presente ação, para...

6) A designação de audiência prévia de conciliação ou mediação, de acordo

com o Art. 319, VII, do CPC e a respectiva citação do réu para comparecer na

audiência.

7) A produção de todas as provas admitidas em direito, especialmente a

prova...

8) A condenação do réu ao pagamento dos honorários advocatícios e custas

processuais; (Art. 85 e 82 do CPC)

9) A concessão do benefício da gratuidade da justiça, por ser o Autor pessoa

pobre nos termos da lei, consoante o Art. 98 e 99 do CPC. OU O recolhimento das

do princípio da boa-fé (art. 5º, do CPC), que veda o abuso de direito, assim como, os

princípios da razoabilidade e da proporcionalidade (art. 8º, do CPC).

O juiz pode controlar de ofício o valor atribuído, de acordo com o artigo 291, §3º,

quando verificar que o valor não corresponde ao conteúdo patrimonial em discussão. O réu

pode impugnar o valor da causa em preliminar de contestação, se não o fizer, incorrerá na

pena preclusão (art. 293, do CPC).

O juiz não estará limitado ao valor da causa, caso tenha sido menor ao que foi pedido.

Como a FGV, em seu histórico, não dá informações suficientes para que possa haver

o cálculo na hora da prova, o examinando deve apenas colocar na peça para fins de

pontuação:

2.9 As provas com que o autor pretende demonstrar a veracidade dos

fatos alegados:

É indicação do meio de provas que o autor utilizará para comprovar suas alegações,

o examinando deve sempre pedir a produção de provas de forma genérica, exemplo: requer

a produção de todos os meios de prova de direito. Bem como, pedir a produção de provas

específicas se o enunciado deixar claro que elas existem, por exemplo, se o enunciado

informar que há testemunhas do fato, você fará o pedido específico também: Requer a

produção de todos os meios de prova, em especial a produção de prova testemunhal.

2.10 A opção do autor pela realização ou não de audiência de

conciliação ou de mediação:

Essa audiência deve ser obrigatoriamente designada, portanto, ainda que o autor não

se manifeste ela ocorrerá, assim, o silêncio do autor não acarreta no indeferimento da

inicial, nem será mandado emenda-la.

Exceção: se autor e réu manifestarem desinteresse na sua realização ou se o

processo não admitir autocomposição, artigo 334, §4º, do CPC. O autor se manifesta

audiência de conciliação ou mediação e poderá manifestar desinteresse até 10 dias antes

dela ocorrer, essa manifestação será por simples petição.

2.11 Documentos indispensáveis à propositura da demanda, art. 320:

Consideram-se indispensáveis ou substanciais tanto os documentos que a lei

expressamente exige para que a demanda seja proposta (título executivo, na execução;

procuração, em qualquer caso, conforme o art. 287, CPC; laudo médico, na ação de

obrigação de fazer ou dar; certidão de propriedade, em ação indenizatória em razão de

danos causados pela Administração Pública; o contrato, em ação de anulação de contrato

escrito; etc.), como também aqueles que se tornam indispensáveis porque o autor a eles se

referiu na petição inicial, como fundamento do seu pedido - documentos fundamentais.

Art. 32. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão criar câmaras de

prevenção e resolução administrativa de conflitos, no âmbito dos respectivos órgãos da

Advocacia Pública, onde houver, com competência para:

I - dirimir conflitos entre órgãos e entidades da administração pública;

II - avaliar a admissibilidade dos pedidos de resolução de conflitos, por meio de

composição, no caso de controvérsia entre particular e pessoa jurídica de direito público;

III - promover, quando couber, a celebração de termo de ajustamento de conduta.

Art. 34. A instauração de procedimento administrativo para a resolução consensual

de conflito no âmbito da administração pública suspende a prescrição.

§ 1º Considera-se instaurado o procedimento quando o órgão ou entidade pública

emitir juízo de admissibilidade, retroagindo a suspensão da prescrição à data de formalização

do pedido de resolução consensual do conflito.

2.12 Tutelas provisórias: urgência e evidência:

Tutelas provisórias correspondem a incidentes no processo, não são processos

autônomos ou distintos do processo principal. A tutela provisória busca evitar injustiças ou

danos que possam ocorrer em razão da longa espera da resolução do conflito que foi

submetido à apreciação jurisdicional. Representa o provimento imediato, todavia

provisório, que de alguma forma possa evitar ou minimizar prejuízos ou inconvenientes

daquele que demonstra o fumus boni iuris, isto é, a fumaça do bom direito, a aparente

proteção pela ordem jurídica, que no CPC de 2015 é chamado de probabilidade do direito.

As tutelas provisórias correspondem a de urgência ou evidência. Sendo que as

tutelas provisórias de urgência se subdividem em cautelares (ou conservativas) e

antecipadas (satisfativas) – estas podem ser concedidas em caráter antecedente ou

incidental, segundo o parágrafo único, do artigo 294, do CPC.

Incidental são aquelas requeridas no curso do processo principal, podem ser

requeridas até mesmo por simples petição, elas não dependem do pagamento de custas

(art. 295). Já as antecedentes, precedem o pedido principal, apenas após a efetivação ou

indeferimento da tutela provisória é que o autor deverá formulá-lo, estas dependem do

pagamento de custas processuais nos termos do artigo 82 e seguintes do Código de

Processo Civil.

Nas tutelares de urgência, além da probabilidade do direito, a parte também deve

comprovar também que o objeto litigioso corre o risco de perecer, se perder, ou de ser

privado de usufrui-lo até o final do curso do processo, demonstrando, assim o periculum in

mora, ou seja, o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo, segundo a redação

do artigo 300, do CPC.

A grande diferença entre as tutelas de urgência e evidência está no perigo de dano

ou o risco ao resultado útil do processo, requisito apenas da tutela de urgência, pois a tutela

de evidência justifica-se pela extrema densidade da prova existente na qual se visa a tutela

liminar. Assim, a conexão entre ambas diz respeito somente a probabilidade de direito.

OBSERVAÇÃO: Sempre que não necessitar dilação probatória e se exigir o rito

mais célere, possivelmente será uma das ações constitucionais e não a ação pelo

procedimento comum.

De acordo com o artigo 297, do CPC, o juiz pode determinar qualquer medida que

No documento PROCESSO ADMINISTRATIVO (páginas 11-34)