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MANDADO DE SEGURANÇA

No documento PROCESSO ADMINISTRATIVO (páginas 34-43)

Prof.ª Franciele Kühl | Prof. Felipe Dalenogare

@prof.frankuhl | @prof.felipedalenogare

3.1. Fundamento:

a) Constitucional: Art. 5º, LXIX, da CF/88,

b) Infraconstitucional: Art. 1º, da Lei nº 12.016/2009.

3.2. Cabimento:

A impetração de MS exige um ato de autoridade, que cause lesão ou ameaça de lesão

ao direito líquido e certo do impetrante. É residual, ou seja, é preciso que se trate de uma

lide que não seja amparada por outra garantia (Habeas Corpus ou Habeas Data). Direito

líquido e certo é o que se mostra de plano, aquele direito evidente, sobre o qual não

repousam dúvidas. Assim, pressupõe prova pré-constituída.

OBSERVAÇÃO 1: Caso seja necessário comprovar o direito por meio de prova pericial,

testemunhal, etc, não é possível que se fale em direito líquido e certo, portanto não

cabendo mandado de segurança.

Não se impetra Mandado de Segurança em face de agente ou pessoa, mas sim contra

ato da autoridade coatora X, do órgão X, vinculado ao (ente/entidade federativo que

detém personalidade jurídica).

3.3. Prazo decadencial:

É possível a impetração por aquele que teve o seu direito líquido e certo lesado ou

ameaçado por ato de autoridade dentro dos 120 dias subsequentes à data da ciência do

ato (que ocorrerá com notificação pessoal ou publicação em meio oficial). O prazo de 120

dias estabelecido pela lei é decadencial, não havendo suspensão, nem interrupção.

3.4. Vedações:

Elencadas no Art. 1º, § 2º, e no Art. 5º da Lei nº 12.016/2009, quais sejam: 1) ato de

gestão comercial praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedade de

OBSERVAÇÃO 2: Quanto à autoridade coatora, é indispensável indicar o cargo que

ocupa a autoridade pública, bem como a pessoa jurídica de direito público à qual ela

pertença (União, Estado, Distrito Federal, Município, Autarquia, Fundação). A pessoa

jurídica deve ser, obrigatoriamente, intimada, sob pena de nulidade. É possível que um

particular seja o agente coator em MS, nos casos em que o particular estiver no

exercício de uma função pública. Exemplo: diretor de faculdade, que exerce uma

função delegada do Ministério da Educação, em atos que não sejam de gestão, como

a negativa à expedição de diploma ou negativa de matrícula em curso superior.

OBSERVAÇÃO 1: O prazo decadencial do MS não atinge o direito, em si, uma vez que

é possível que o indivíduo o pleiteie através de uma ação pelo procedimento comum.

OBSERVAÇÃO 2: Para o ato omissivo que seja de prestação periódica, o prazo se

renova a cada período. Ex.: não recebimento de vencimentos mensais que deveriam

ser pagos pela Administração (a cada mês o direito líquido e certo se renova. Assim,

os vencimentos inadimplidos há mais de 120 dias não poderão ser pleiteados por MS).

ATENÇÃO!

administrativo com efeito suspensivo, independentemente de caução; 3) de decisão

judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo; e 4) de decisão judicial transitada em

julgado.

Súmula 266 do STF: não será cabível a interposição de mandado de segurança

contra lei em tese (em substituição às ações constitucionais de controle concentrado de

constitucionalidade);

Súmula 101 do STF: não será cabível a impetração de mandado de segurança para

substituir ação popular;

Súmula 269 do STF: nesta linha, não será possível, também, impetrar mandado de

segurança como sucedâneo de ação de cobrança (em alguns casos, o MS tem por objeto

uma contraprestação pecuniária, esta medida visa, em regra, uma obrigação de fazer ou de

não fazer. O MS não tem por objetivo a obtenção de um benefício econômico direto. É

possível que isso ocorra de forma indireta).

3.5. Espécies:

a) Quanto ao momento do ato coator:

Preventivo: tem cabimento nos casos em que existe tão somente uma ameaça de

lesão. Neste caso não se conta o prazo de 120 dias, uma vez que não existe o ato coator em

si.

Repressivo: tem cabimento nos casos em que houver uma lesão. Aqui, a propositura

da ação está sujeita ao prazo decadencial de 120 dias.

b) Quanto à legitimidade ativa:

Individual: cabível nos casos em que alguém (pessoa física ou jurídica), em nome

próprio, defende direito próprio. Não importa que se configurem, no polo ativo, uma, duas

ou vinte pessoas, para que se classifique como mandado de segurança individual, é

necessário que se defenda direito próprio.

Coletivo: cabível nos casos em que alguém, em nome próprio, defende direito alheio,

OBSERVAÇÃO: Há, ainda, algumas súmulas do STF e do STJ, referentes a matéria:

professores municipais que impetra mandado de segurança a fim de defender os interesses

da sua categoria.

3.6. Competência:

O julgamento do Mandado de Segurança compete:

I - Originariamente:

a) ao Supremo Tribunal Federal, contra atos do Presidente da República, das Mesas

da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do

Procurador-Geral da República e do próprio Supremo Tribunal Federal (Art. 102, I, “d”, da

CF/88);

b) ao Superior Tribunal de Justiça, contra atos de Ministro de Estado ou do próprio

Tribunal (Art. 105, I, “b”, da CF/88);

OBSERVAÇÃO 1: A propositura de um MS coletivo é possível para as pessoas

indicadas no art. 5º, inciso LXX, da CF/88 c/c art. 21 da Lei nº 12.016/2009: 1) partido

político com representação no Congresso Nacional; 2) entidades de classe ou

associações de classe constituídas há mais de um ano – o juiz pode,

excepcionalmente, dispensar o prazo de um ano, se entender necessário (não é a

regra!).

OBSERVAÇÃO 2: É indispensável que a menção ao caráter coletivo do MS venha

indicado na peça: “MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO”.

OBSERVAÇÃO 3: Se for MS coletivo, é indispensável, ainda, que se faça uma seção

sobre a legitimidade ativa para a sua impetração.

c) aos Tribunais Regionais Federais contra atos do próprio Tribunal ou de juiz federal

(Art. 108, I, “c”, da CF/88);

d) a juiz federal, contra ato de autoridade federal, excetuados os casos de

competência dos tribunais federais (Art. 108, VIII, da CF/88);

e) a tribunais estaduais, segundo o disposto na Constituição do Estado;

f) a juiz estadual, nos demais casos;

II - em grau de recurso:

a) ao Supremo Tribunal Federal, quando a decisão denegatória for proferida em

única instância pelos Tribunais Superiores;

b) ao Superior Tribunal de Justiça, quando a decisão for proferida em única instância

pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e

Territórios, quando denegatória a decisão (Art. 105, II, “b”, da CF/88);

c) aos Tribunais Regionais Federais, quando a decisão for proferida por juiz federal

ou estadual no exercício da competência federal da área de sua jurisdição (Art. 108, II, da

CF/88);

d) aos Tribunais Estaduais e ao do Distrito Federal e Territórios, conforme

dispuserem a respectiva Constituição e a lei que organizar a Justiça do Distrito Federal (Art.

125, da CF/88);

III - mediante recurso extraordinário:

OBSERVAÇÃO: Mandado de segurança contra autoridade universitária, seguirá

a seguinte competência:

- Autoridade coatora de Universidade Federal ou Particular: competência da

Justiça Federal;

- Autoridade coatora de Universidade Estadual ou Municipal: competência da

Justiça Estadual;

3.7. Estrutura:

DOUTO JUÍZO (OU EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR/MINISTRO

PRESIDENTE DO TRIBUNAL...) DA … VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE ...

(OU DA VARA FEDERAL DA … SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE...)

(Deixe 1 linha em branco – não escreva isso na sua peça!)

NOME COMPLETO DO IMPETRANTE, nacionalidade, estado civil, profissão, portador

do RG..., CPF..., domicílio e residência..., endereço eletrônico..., (se for pessoa jurídica:

RAZÃO SOCIAL, CNPJ..., com sede no endereço..., endereço eletrônico..., representada

legalmente pelo(a) Sr(a)… (documento de representação anexo), por intermédio de seu

advogado (procuração em anexo), com endereço profissional no endereço ..., onde

receberá intimações, vem, perante Vossa Excelência, com fundamento no Art. 5º, inciso

LXIX ou LXX, alínea “a” ou “b” (MS coletivo), da Constituição Federal de 1988 e no Art. 1º da

Lei nº 12.016/2009, impetrar

MANDADO DE SEGURANÇA (PREVENTIVO) (COLETIVO)

(COM PEDIDO LIMINAR)

Em face de ato coator do Sr…, SECRETÁRIO MUNICIPAL DA FAZENDA, vinculado ao

MUNICÍPIO..., pessoa jurídica de direito público, com sede no endereço..., endereço

eletrônico…, pelas razões de fato e de direito que passa a expor:

1. DOS FATOS

Descrever a situação fática constante na situação problema, sem acrescentar

nenhum dado que não esteja no problema.

A via Mandamental, conforme previsto no Art. 5º, inciso LXIX, da Constituição Federal

de 1988, e o disposto na Lei n.º 12.016/2009, é o meio processual adequado, sempre que

houver lesão ou ameaça de lesão ao direito líquido e certo.

No caso em tela, a lesão ao direito líquido e certo do impetrante se deu com o … (ou

a ameaça a direito líquido e certo se dá…)

Ademais, verifica-se que a prova encontra-se pré-constituída, dispensando-se

qualquer dilação probatória, cumprindo-se, assim, plenamente, todos os requisitos para

que seja impetrado mandado de segurança, bem como o direito de impetrar o presente

mandado de segurança encontra-se dentro do prazo de 120 (cento e vinte) dias, contados

da ciência, pelo impetrante, do ato impugnado, conforme a previsão do Art. 23 da Lei n.º

12.016/2009.

3. DA LEGITIMIDADE ATIVA (apenas em caso de MS Coletivo)

Preliminarmente, destaca-se que o impetrante possui legitimidade ativa para a

propositura do mandado de segurança, uma vez que é…, conforme preceitua o Art. 5º,

inciso LXX, alínea “a” ou “b” (a definir pelo caso), da Constituição Federal de 1988.

Do mesmo modo. o sentido, a Lei nº 12.016/2009 confere ao (legitimado)..., em seu

Art. 21, § único, legitimidade extraordinária ou substituição processual para atuar em juízo,

na defesa dos direitos coletivos ou individuais homogêneos de seus membros e/ou

categoria.

Assim, o impetrante possui legitimidade ativa para a presente ação mandamental.

3. DO DIREITO

Buscar o desenvolvimento de, no mínimo, quatro teses sobre os subtemas de

direito administrativo trabalhados, envolvendo o tema de direito material aplicável.

Uma tese Constitucional;

Uma tese Infraconstitucional;

Uma tese com base nos princípios;

Uma tese com base em súmulas;

4. DO PEDIDO LIMINAR

O Art. 7º, inciso III, da Lei 12.016/2009, autoriza o juiz a suspender o ato coator

quando houver fundamento relevante e a demora na prestação da tutela, capaz de gerar a

ineficácia da medida.

No presente caso, como ficou amplamente demonstrado, o impetrante teve direito

líquido e certo violado, corroborando a relevância dos fundamentos.

Além disso, caso não seja concedida a liminar, o Impetrante ... (demonstrar o perigo

de dano irreparável).

Sendo assim, comprovada a fumaça do bom direito e o perigo de lesão irreparável,

impera a concessão da medida liminar para que haja a imediata suspensão do ato coator,

nos termos da fundamentação.

5. DOS PEDIDOS

Ante o exposto, requer:

1) A concessão da medida liminar uma vez presentes os requisitos legais, a fim de

que... (objeto do pedido liminar, geralmente a suspensão de um ato); (Art. 7º, III, da Lei

12.016/09)

2) Seja a autoridade coatora notificada para, no prazo legal, apresentar suas

informações; (Art. 7º, inciso I, da Lei nº 12.016/2009)

3) Seja dada ciência do feito ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica de

direito público…, para, querendo, ingressar no feito; (Art. 7º, inciso II, da Lei nº 12.016/2009)

4) Seja intimado o representante do Ministério Público; (Art. 12 da Lei nº 12.016/2009)

5) Seja concedida a segurança, com a procedência do pedido, confirmando a liminar

em todos os seus termos, para determinar à Autoridade coatora que … (geralmente a

anulação de um ato administrativo); (Art. 7º, inciso III, da Lei nº 12.016/2009)

6) Seja procedida à juntada da prova documental pré-constituída; (Art. 320 do CPC)

7) Seja a autoridade coatora condenada ao pagamento das custas processuais e o

impetrante isento de honorários, uma vez presente a boa-fé; (Art. 82 do CPC) (Não cabe, no

mandado de segurança, a condenação ao pagamento dos honorários advocatícios, sem

prejuízo da aplicação de sanções no caso de litigância de má-fé – Art. 25 da Lei nº

12.016/2009).

Dá-se a causa o valor de R$ ...

Nestes termos, pede deferimento.

Local/data

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