Prof.ª Franciele Kühl | Prof. Felipe Dalenogare
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3.1. Fundamento:
a) Constitucional: Art. 5º, LXIX, da CF/88,
b) Infraconstitucional: Art. 1º, da Lei nº 12.016/2009.
3.2. Cabimento:
A impetração de MS exige um ato de autoridade, que cause lesão ou ameaça de lesão
ao direito líquido e certo do impetrante. É residual, ou seja, é preciso que se trate de uma
lide que não seja amparada por outra garantia (Habeas Corpus ou Habeas Data). Direito
líquido e certo é o que se mostra de plano, aquele direito evidente, sobre o qual não
repousam dúvidas. Assim, pressupõe prova pré-constituída.
OBSERVAÇÃO 1: Caso seja necessário comprovar o direito por meio de prova pericial,
testemunhal, etc, não é possível que se fale em direito líquido e certo, portanto não
cabendo mandado de segurança.
Não se impetra Mandado de Segurança em face de agente ou pessoa, mas sim contra
ato da autoridade coatora X, do órgão X, vinculado ao (ente/entidade federativo que
detém personalidade jurídica).
3.3. Prazo decadencial:
É possível a impetração por aquele que teve o seu direito líquido e certo lesado ou
ameaçado por ato de autoridade dentro dos 120 dias subsequentes à data da ciência do
ato (que ocorrerá com notificação pessoal ou publicação em meio oficial). O prazo de 120
dias estabelecido pela lei é decadencial, não havendo suspensão, nem interrupção.
3.4. Vedações:
Elencadas no Art. 1º, § 2º, e no Art. 5º da Lei nº 12.016/2009, quais sejam: 1) ato de
gestão comercial praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedade de
OBSERVAÇÃO 2: Quanto à autoridade coatora, é indispensável indicar o cargo que
ocupa a autoridade pública, bem como a pessoa jurídica de direito público à qual ela
pertença (União, Estado, Distrito Federal, Município, Autarquia, Fundação). A pessoa
jurídica deve ser, obrigatoriamente, intimada, sob pena de nulidade. É possível que um
particular seja o agente coator em MS, nos casos em que o particular estiver no
exercício de uma função pública. Exemplo: diretor de faculdade, que exerce uma
função delegada do Ministério da Educação, em atos que não sejam de gestão, como
a negativa à expedição de diploma ou negativa de matrícula em curso superior.
OBSERVAÇÃO 1: O prazo decadencial do MS não atinge o direito, em si, uma vez que
é possível que o indivíduo o pleiteie através de uma ação pelo procedimento comum.
OBSERVAÇÃO 2: Para o ato omissivo que seja de prestação periódica, o prazo se
renova a cada período. Ex.: não recebimento de vencimentos mensais que deveriam
ser pagos pela Administração (a cada mês o direito líquido e certo se renova. Assim,
os vencimentos inadimplidos há mais de 120 dias não poderão ser pleiteados por MS).
ATENÇÃO!
administrativo com efeito suspensivo, independentemente de caução; 3) de decisão
judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo; e 4) de decisão judicial transitada em
julgado.
Súmula 266 do STF: não será cabível a interposição de mandado de segurança
contra lei em tese (em substituição às ações constitucionais de controle concentrado de
constitucionalidade);
Súmula 101 do STF: não será cabível a impetração de mandado de segurança para
substituir ação popular;
Súmula 269 do STF: nesta linha, não será possível, também, impetrar mandado de
segurança como sucedâneo de ação de cobrança (em alguns casos, o MS tem por objeto
uma contraprestação pecuniária, esta medida visa, em regra, uma obrigação de fazer ou de
não fazer. O MS não tem por objetivo a obtenção de um benefício econômico direto. É
possível que isso ocorra de forma indireta).
3.5. Espécies:
a) Quanto ao momento do ato coator:
Preventivo: tem cabimento nos casos em que existe tão somente uma ameaça de
lesão. Neste caso não se conta o prazo de 120 dias, uma vez que não existe o ato coator em
si.
Repressivo: tem cabimento nos casos em que houver uma lesão. Aqui, a propositura
da ação está sujeita ao prazo decadencial de 120 dias.
b) Quanto à legitimidade ativa:
Individual: cabível nos casos em que alguém (pessoa física ou jurídica), em nome
próprio, defende direito próprio. Não importa que se configurem, no polo ativo, uma, duas
ou vinte pessoas, para que se classifique como mandado de segurança individual, é
necessário que se defenda direito próprio.
Coletivo: cabível nos casos em que alguém, em nome próprio, defende direito alheio,
OBSERVAÇÃO: Há, ainda, algumas súmulas do STF e do STJ, referentes a matéria:
professores municipais que impetra mandado de segurança a fim de defender os interesses
da sua categoria.
3.6. Competência:
O julgamento do Mandado de Segurança compete:
I - Originariamente:
a) ao Supremo Tribunal Federal, contra atos do Presidente da República, das Mesas
da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do
Procurador-Geral da República e do próprio Supremo Tribunal Federal (Art. 102, I, “d”, da
CF/88);
b) ao Superior Tribunal de Justiça, contra atos de Ministro de Estado ou do próprio
Tribunal (Art. 105, I, “b”, da CF/88);
OBSERVAÇÃO 1: A propositura de um MS coletivo é possível para as pessoas
indicadas no art. 5º, inciso LXX, da CF/88 c/c art. 21 da Lei nº 12.016/2009: 1) partido
político com representação no Congresso Nacional; 2) entidades de classe ou
associações de classe constituídas há mais de um ano – o juiz pode,
excepcionalmente, dispensar o prazo de um ano, se entender necessário (não é a
regra!).
OBSERVAÇÃO 2: É indispensável que a menção ao caráter coletivo do MS venha
indicado na peça: “MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO”.
OBSERVAÇÃO 3: Se for MS coletivo, é indispensável, ainda, que se faça uma seção
sobre a legitimidade ativa para a sua impetração.
c) aos Tribunais Regionais Federais contra atos do próprio Tribunal ou de juiz federal
(Art. 108, I, “c”, da CF/88);
d) a juiz federal, contra ato de autoridade federal, excetuados os casos de
competência dos tribunais federais (Art. 108, VIII, da CF/88);
e) a tribunais estaduais, segundo o disposto na Constituição do Estado;
f) a juiz estadual, nos demais casos;
II - em grau de recurso:
a) ao Supremo Tribunal Federal, quando a decisão denegatória for proferida em
única instância pelos Tribunais Superiores;
b) ao Superior Tribunal de Justiça, quando a decisão for proferida em única instância
pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e
Territórios, quando denegatória a decisão (Art. 105, II, “b”, da CF/88);
c) aos Tribunais Regionais Federais, quando a decisão for proferida por juiz federal
ou estadual no exercício da competência federal da área de sua jurisdição (Art. 108, II, da
CF/88);
d) aos Tribunais Estaduais e ao do Distrito Federal e Territórios, conforme
dispuserem a respectiva Constituição e a lei que organizar a Justiça do Distrito Federal (Art.
125, da CF/88);
III - mediante recurso extraordinário:
OBSERVAÇÃO: Mandado de segurança contra autoridade universitária, seguirá
a seguinte competência:
- Autoridade coatora de Universidade Federal ou Particular: competência da
Justiça Federal;
- Autoridade coatora de Universidade Estadual ou Municipal: competência da
Justiça Estadual;
3.7. Estrutura:
DOUTO JUÍZO (OU EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR/MINISTRO
PRESIDENTE DO TRIBUNAL...) DA … VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE ...
(OU DA VARA FEDERAL DA … SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE...)
(Deixe 1 linha em branco – não escreva isso na sua peça!)
NOME COMPLETO DO IMPETRANTE, nacionalidade, estado civil, profissão, portador
do RG..., CPF..., domicílio e residência..., endereço eletrônico..., (se for pessoa jurídica:
RAZÃO SOCIAL, CNPJ..., com sede no endereço..., endereço eletrônico..., representada
legalmente pelo(a) Sr(a)… (documento de representação anexo), por intermédio de seu
advogado (procuração em anexo), com endereço profissional no endereço ..., onde
receberá intimações, vem, perante Vossa Excelência, com fundamento no Art. 5º, inciso
LXIX ou LXX, alínea “a” ou “b” (MS coletivo), da Constituição Federal de 1988 e no Art. 1º da
Lei nº 12.016/2009, impetrar
MANDADO DE SEGURANÇA (PREVENTIVO) (COLETIVO)
(COM PEDIDO LIMINAR)
Em face de ato coator do Sr…, SECRETÁRIO MUNICIPAL DA FAZENDA, vinculado ao
MUNICÍPIO..., pessoa jurídica de direito público, com sede no endereço..., endereço
eletrônico…, pelas razões de fato e de direito que passa a expor:
1. DOS FATOS
Descrever a situação fática constante na situação problema, sem acrescentar
nenhum dado que não esteja no problema.
A via Mandamental, conforme previsto no Art. 5º, inciso LXIX, da Constituição Federal
de 1988, e o disposto na Lei n.º 12.016/2009, é o meio processual adequado, sempre que
houver lesão ou ameaça de lesão ao direito líquido e certo.
No caso em tela, a lesão ao direito líquido e certo do impetrante se deu com o … (ou
a ameaça a direito líquido e certo se dá…)
Ademais, verifica-se que a prova encontra-se pré-constituída, dispensando-se
qualquer dilação probatória, cumprindo-se, assim, plenamente, todos os requisitos para
que seja impetrado mandado de segurança, bem como o direito de impetrar o presente
mandado de segurança encontra-se dentro do prazo de 120 (cento e vinte) dias, contados
da ciência, pelo impetrante, do ato impugnado, conforme a previsão do Art. 23 da Lei n.º
12.016/2009.
3. DA LEGITIMIDADE ATIVA (apenas em caso de MS Coletivo)
Preliminarmente, destaca-se que o impetrante possui legitimidade ativa para a
propositura do mandado de segurança, uma vez que é…, conforme preceitua o Art. 5º,
inciso LXX, alínea “a” ou “b” (a definir pelo caso), da Constituição Federal de 1988.
Do mesmo modo. o sentido, a Lei nº 12.016/2009 confere ao (legitimado)..., em seu
Art. 21, § único, legitimidade extraordinária ou substituição processual para atuar em juízo,
na defesa dos direitos coletivos ou individuais homogêneos de seus membros e/ou
categoria.
Assim, o impetrante possui legitimidade ativa para a presente ação mandamental.
3. DO DIREITO
Buscar o desenvolvimento de, no mínimo, quatro teses sobre os subtemas de
direito administrativo trabalhados, envolvendo o tema de direito material aplicável.
Uma tese Constitucional;
Uma tese Infraconstitucional;
Uma tese com base nos princípios;
Uma tese com base em súmulas;
4. DO PEDIDO LIMINAR
O Art. 7º, inciso III, da Lei 12.016/2009, autoriza o juiz a suspender o ato coator
quando houver fundamento relevante e a demora na prestação da tutela, capaz de gerar a
ineficácia da medida.
No presente caso, como ficou amplamente demonstrado, o impetrante teve direito
líquido e certo violado, corroborando a relevância dos fundamentos.
Além disso, caso não seja concedida a liminar, o Impetrante ... (demonstrar o perigo
de dano irreparável).
Sendo assim, comprovada a fumaça do bom direito e o perigo de lesão irreparável,
impera a concessão da medida liminar para que haja a imediata suspensão do ato coator,
nos termos da fundamentação.
5. DOS PEDIDOS
Ante o exposto, requer:
1) A concessão da medida liminar uma vez presentes os requisitos legais, a fim de
que... (objeto do pedido liminar, geralmente a suspensão de um ato); (Art. 7º, III, da Lei
12.016/09)
2) Seja a autoridade coatora notificada para, no prazo legal, apresentar suas
informações; (Art. 7º, inciso I, da Lei nº 12.016/2009)
3) Seja dada ciência do feito ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica de
direito público…, para, querendo, ingressar no feito; (Art. 7º, inciso II, da Lei nº 12.016/2009)
4) Seja intimado o representante do Ministério Público; (Art. 12 da Lei nº 12.016/2009)
5) Seja concedida a segurança, com a procedência do pedido, confirmando a liminar
em todos os seus termos, para determinar à Autoridade coatora que … (geralmente a
anulação de um ato administrativo); (Art. 7º, inciso III, da Lei nº 12.016/2009)
6) Seja procedida à juntada da prova documental pré-constituída; (Art. 320 do CPC)
7) Seja a autoridade coatora condenada ao pagamento das custas processuais e o
impetrante isento de honorários, uma vez presente a boa-fé; (Art. 82 do CPC) (Não cabe, no
mandado de segurança, a condenação ao pagamento dos honorários advocatícios, sem
prejuízo da aplicação de sanções no caso de litigância de má-fé – Art. 25 da Lei nº
12.016/2009).
Dá-se a causa o valor de R$ ...
Nestes termos, pede deferimento.
Local/data
No documento
PROCESSO ADMINISTRATIVO
(páginas 34-43)