1.8.9 A Crítica Literária e a Literatura Principal
I.4 A ECONOMIA COMO IMPULSIONADORA DO CONHECIMENTO
"O possível é o futuro do impossível (...) O possível de agora não deve ser muito diferente do impossível de antes. Por sua vez, o impossível mesmo impossível existia num e continua a existir no outro, mas como não pode ser distinguido do impossível no futuro, a hipótese mais criadora, aquela que propõe esperança é a que se considera que tudo o que formos capazes de imaginar poderá ser materializado. Ou seja, todo o impossível pode vir a ser possível. (...)"
(José Luís Peixoto, 2012)
INTRODUÇÃO
Entendemos a tecnologia como a aplicação da ciência, que enforma a transformação da sociedade através dos processos chamados de inovação, o que acaba por ter consequências económico-‐sociais a nível global, indissociáveis no passado, no presente, e no futuro, (Fiolhais, 2011). E se, por sua vez, a ciência é impulsionada pela economia, então, assumimos que é a economia que promove o progresso.Aqui não discutiremos os aspetos quantitativos e qualitativos dessa relação, nem do conceito de progresso, pois tal ultrapassaria sobremaneira o enquadramento desta investigação. Focar-‐nos-‐emos apenas em legitimar o investimento financeiro na produção científica por integrar estratégias de disseminação do conhecimento com vista à sua futura aplicação no culminar de um novo produto ou serviço, (Leite, 2006), logo, da transferência efetiva de tecnologia dos centros de conhecimento para o mundo empresarial.
(Landes, 2009), sublinha o carácter universal da investigação científica e do progresso tecnológico como sendo uma corrente comum à humanidade pelo que há a necessidade permanente de realçar as contribuições para esse empreendimento. É o que em seguida nos ocuparemos, mesmo reconhecendo que, infelizmente, a par do progresso tecnológico, a história da humanidade observa uma longa experiência do engenho
humano que a ela aplicado, vem sendo colocado ao serviço da violência e da opressão, (Landes, 2009).
Enquanto desenvolvemos as nossas competências académicas e profissionais como designers industriais, temos testemunhado a diminuição do anterior vigor da indústria transformadora nacional. Assistimos à progressiva transição desta sociedade pós-‐ industrial26, em que nos tornamos adultos, para a sociedade da informação em que vivemos, e daí, esperemos, para a sociedade do conhecimento na qual almejamos participar, o que tem exigido um esforço permanente de adaptação, quer em termos pessoais, mas sobretudo em termos profissionais, o que não nos deixa de surpreender, deslumbrar e simultaneamente entusiasmar.
A sociedade passou a ser dominada por um vasto conjunto de tecnologias de informação (TI), na qual o acesso ao factor informação equivale a uma commodity27 da nova economia digital, que funcionando em rede, se caracteriza por um grau elevado de conectividade de comunicações, ligando pessoas e o funcionamento dos mercados através da disponibilização de dados. Esses dados sendo posteriormente transformados em informação, possibilitam a ambicionada transição para a sociedade do conhecimento, onde o valor acrescentado terá origem nas atividades relacionadas com os ativos intangíveis como o conhecimento científico e que favorece o design e a investigação em design.
Com o advento da web 2.0 da era digital, atualmente passamos também a assistir a uma utilização social da tecnologia que, dando enfâse a conectividade, permite que estejamos todos ligados a todos os outros, (Zalesne, 2008). O contributo das novas tecnologias para a economia contemporânea tem sido, para (Ramonet, 1997), a aceleração do movimento dos capitais à escala planetária, para quem a sociedade da
26 Desindustrialização para alguns autores.
27 Palavra do inglês que passou a funcionar como um anglicismo do campo da economia para designar
informação serve para a afirmação da consequente mundialização28, considerando tratar-‐se por isso, de uma tecno-‐utopia muito longe da democracia da informação. Segundo (Félix, 2011), para quem é o desenvolvimento económico que promove o progresso tecnológico, o que inclui os novos processos de produção. Para esta autora a dinâmica económica tem impulsionado o aparecimento de novos materiais cujas propriedades permitiram a miniaturização de funções como as electrónicas, que ao serem aplicadas nos objetos de consumo revolucionaram as novas utilidades de interatividade o que, no contexto das novas tecnologias de informação, se traduz por novas funções de conectividade que disponibilizam, em quantidade e qualidade, novos bens instrumentais e intelectuais.
Consequentemente, atingimos um ponto em que a velocidade do surgimento da novidade dessas funções, a par com o desenvolvimento de inovadoras e inusitadas propriedades dos materiais compósitos, cujas características sensoriais, prestacionais e simbólicas, (Oliveira, 2011), convergem para o estímulo à mudança da indústria transformadora nacional. Se aliarmos esta oportunidade contextual ao amadurecimento da atividade de design como recurso estratégico nacional, ampliaremos o universo dos possíveis para nos tornarmos mais competitivos por via da exportação de bens com maior valor percepcionado.
Nesta medida, entendemos a tecnologia como sendo a consequência da aplicação do conhecimento científico às necessidades práticas da vida humana ou, para alteração e manipulação do ambiente humano. Quer por via da investigação fundamental, quer pela da investigação aplicada, que por sua vez é condicionada pelos ciclos económicos longos, sobre os quais nos ocuparemos mais adiante.
I.5 OS IMPACTOS E AS CONSEQUÊNCIAS DA TECNOLOGIA
(Hall, 1966), considera ser um erro não considerar o ser humano e as extensões por ele criadas, como um único e mesmo sistema, expresso pelas cidades e pela tecnologia, pela ciência, constatação que (Landes, 2009), assinala como uma exceção, o relógio, que identifica como a reprodução de algo mais vasto, o sistema planetário. Para este último, o relógio representa um quadro alegórico uma representação da divina criação do céu e da terra, a uma escala reduzida.
Mas, como a exploração do potencial tecnológico que o mecanismo do relógio encerrava, impulsionou a evolução das artes mecânicas de máquinas e ferramentas que, por sua vez, possibilitaram o fabrico de outros quantos bens de conveniência, quanto a nós, a competência de medir o tempo através dessa invenção teve implicações diretas na criação das consequentes funções extensivas das capacidades humanas. Logo, pela sua mecânica, o relógio também faz parte do sistema humano, afinal.
A competência de medir com precisão o tempo que decorreu a partir de uma dada ocasião ou, o tempo que falta para um dado momento, promove a uniformidade de práticas, a sincronia de atividades que, expressa por horários, beneficia a economia temporal dos modos de produção com base na vantagem da divisão do trabalho.
Tal como (Landes, 2009), relacionamos a invenção do relógio mecânico com a economia pelas inerentes possibilidades de miniaturização e automatização, cujas implicações foram por um lado, o acesso a qualidade barata e por outro, a promoção da civilização que, por ter passado a estar atenta à passagem do tempo, ficou condicionada à produtividade, aos resultados, assim como, refém quer da produção, quer do consumo de bens.
Se todos os que ganhavam a vida de uma forma independente valorizavam a gestão particular do tempo porque condiciona os seus rendimentos, para a economia, com base na produção de utilidades, o seu controlo é o preço da produtividade, logo, da riqueza potencial, ou o preço da modernização, (Landes, 2009).