A IMPLEMENTAÇÃO DO PROJETO AIP NAS ESCOLAS E SEUS DESAFIOS
6.2 A IMPLEMENTAÇÃO DAS ETAPAS DO PROJETO PELAS CPAs
O processo de sensibilização local, entendido como uma etapa do projeto, contínua e permanente, teve como objetivo principal divulgar, informar, esclarecer e chamar o coletivo da escola à participação. Iniciado já na constituição das CPAs, ele ocorre no início de 2006.
Esse processo de sensibilização, utilizado no decorrer da constituição das CPAs, em ambas as escolas em avaliação do processo inicial, foi considerado insuficiente para atingir toda a escola. Assim, concluiu-se que havia a necessidade das CPAs fazerem divulgação e sensibilização que envolvesse as escolas como um todo, e cada uma seguiu caminhos diferentes. Foram disponibilizados às CPAs textos sobre Avaliação Institucional Participativa para aqueles que tivessem interesse nessa leitura.
Na escola E1, a sensibilização foi realizada via cartazes, elaborados pelos alunos da 6ª e 7ª séries. As duas professoras de Português e Leitura/Pesquisa trabalharam com os alunos textos que se referiam à instituição escola, com o objetivo de que entendessem o projeto e elaborassem os cartazes. Segundo as professoras, no princípio houve certa dificuldade de entendimento dos textos, mas, com o auxílio delas, foram compreendidos e o trabalho realizado. Com isso os alunos estavam, também, desempenhando uma tarefa dentro das disciplinas citadas.
Discutiu-se nas CPAs que os cartazes trouxessem mensagens sobre a abrangência da AIP, para não enfatizarem apenas a avaliação do ensino e da aprendizagem, e de que o compromisso com o projeto seria de toda a escola e não só da CPA envolvendo a participação de todos os segmentos. Foi sugerido, também, um cartaz onde constassem os nomes dos atuais membros da CPA e os segmentos que representavam. Esse cartaz poderia deixar aberta a possibilidade de participação na CPA para quem quisesse fazê-lo. Decidiu- se que cada membro da CPA completaria a sensibilização junto aos seus representados. Por sugestão de uma mãe, membro da CPA, depois de um debate do grupo, a escola escolheu um slogan para a divulgação e sensibilização do projeto: Avaliar para melhorar: uma escola de todos.
Interessante observar o nome escolhido pela CPA, uma escola “de todos” e não “para todos”, que indicava “a escola é nossa”, de quem ali trabalha, de quem ali está inserido, não feita de fora para dentro. Mostrando o nível de participação alcançado pela escola e/ou do compromisso de quem participava do coletivo.
As sugestões foram colocadas em prática e a as paredes da escola ficaram povoadas de cartazes. Os membros da CPA, representantes dos alunos, passaram nas classes de 5ª a 8ª séries falando sobre o projeto, ocasião em que houve certa resistência dos alunos, pois se confundia AIP com nota, prova. Depois de melhor explicado o projeto, houve maior aceitação por parte dos alunos. Para evitar que fossem facilmente destruídos, os cartazes foram colocados mais ao alto das paredes. Se por um lado isso evitou a destruição dos mesmos, por outro, impediu que os alunos menores tivessem fácil acesso à sua leitura.
Em uma breve avaliação, a CPA achou que os objetivos foram alcançados, porém apenas entre os alunos de 5ª a 8ª séries, mas não entre os de 1ª a 4ª série. Para os alunos dessas séries, foi pedido pela direção que os professores lessem e conversassem com eles sobre o assunto. Aliás, a não participação dos alunos de 1ª a 4ª no projeto foi um assunto constante nas reuniões da CPA. Apontaram que os cartazes não falavam de avaliação do ensino e aprendizagem, justamente ao contrário do receio que se tinha de que fossem falar apenas desse enfoque. A justificativa foi de que isso poderia ter ocorrido porque os alunos já haviam feito um trabalho nesse sentido, isto é, levantamento dos problemas da escola, enfocando a questão do ensino e da aprendizagem. Um mês após a divulgação dos cartazes específicos para a sensibilização, foram afixados outros cartazes, agora decorrentes de trabalhos realizados pelos alunos da 6ª e 7ª séries sob a orientação das professoras de Português e Leitura/Pesquisa, membros da CPA. Esses cartazes também serviram para o processo de sensibilização da comunidade.
Na escola E2, a complementação do processo de sensibilização foi feita por meio do jogo da “caça ao tesouro”. Os membros da CPA entenderam que essa forma motivaria mais a população a buscar as informações sobre o projeto. Seriam cartazes que, além de informar, proporiam uma interatividade com a comunidade. Aproveitar-se-ia para pesquisar sobre os problemas que o coletivo da escola gostaria que fossem trabalhados e melhorados. Assim, ao mesmo tempo em que se fazia a sensibilização, fazer-se-ia também o levantamento dos problemas e demandas que seriam trabalhados pela CPA.
Como na escola E1, houve a sugestão de se fazer um cartaz onde constassem os nomes dos atuais membros da CPA e os segmentos que representavam, pois poderia ser uma motivação aos diferentes segmentos da escola a participar da CPA. Também foi sugerido que os cartazes trouxessem mensagens sobre a abrangência da AIP (para não enfatizarem apenas a avaliação do ensino e da aprendizagem) e de que o compromisso com o projeto é de toda a escola e não só da CPA (para que se enfatizasse a participação de todos os segmentos da escola). Uma professora do EJA levantou a possibilidade de se fazer um vídeo sobre o assunto, o que seria um veículo mais adequado aos alunos.
Na escola E2, a elaboração dos cartazes foi um trabalho conjunto de toda a CPA que se reuniu especificamente para tanto. Foram colocados nos corredores da entrada da escola. O vídeo não chegou a ser feito, talvez porque a professora que o havia idealizado desligou- se da CPA por motivos de ordem particular. Os cartazes permaneceram afixados nas paredes da escola durante um mês. Foi um momento bastante significativo de participação dos membros da CPA.
A avaliação do grupo foi de que o trabalho não atingiu os objetivos, a escola não havia se sensibilizado pelo projeto; apesar de todo envolvimento dos membros da CPA em fazer os cartazes. É necessário considerar que os professores da CPA eram na grande maioria do EJA e do período vespertino; não havia representantes de pais e alunos do período da manhã; e não havia mais representantes dos funcionários. Os cartazes pediam sugestões de melhorias para a escola, não houve nenhuma (um cartaz tinha um envelope dependurado para que sugestões fossem ali colocadas). Para superar ou minimizar o problema, a CPA decidiu que os professores discutissem o assunto com os alunos; entretanto, não houve retorno se a discussão foi ou não realizada, lembrando que do período da manhã havia apenas um professor representante, o que dificultaria a comunicação. Essa etapa mostra a importância de desencadear o processo de participação nessa escola e o quanto ela poderá se beneficiar com a implantação da AIP, isto é, de um processo participativo.
O próximo passo do trabalho, passadas as fases de constituição das CPAs e de sensibilização, foi direcionado para a elaboração do Plano de Avaliação Institucional das escolas, incluindo as fases de explicitação e validação das suas demandas quer fossem elas internas ou externas.
A preocupação das equipes passou a ser o levantamento das necessidades das escolas tanto na dimensão pedagógica, como na dimensão administrativa. Essa foi uma etapa importante do processo que envolveu não só as CPAs como também a coletividade escolar. Foi importante, também, pelo fato de que a elaboração dos planos de ação resultou em problemas, ações, indicadores definidos pelo coletivo da escola e que deveriam ser avaliados em articulação com o PPP, em função da melhoria da qualidade social da escola. Sordi e Freitas (2006b, p. 3) abordam a questão enfatizando alguns desses aspectos:
Para uma avaliação conseqüente e rigorosa da qualidade da escola independente de seu nível, exige-se que se tornem claros que dados da realidade deverão ser medidos e que foram considerados relevantes na configuração do processo de avaliação da instituição para explicitar a eficácia dos processos nela desenvolvidos. Isto nos permite, por antecipação ao processo avaliatório, marcar posição sobre os significados da concepção de qualidade de ensino que queremos firmar. A medida de alguns desses dados contribui para a etapa diagnóstica que é vital para o desenvolvimento pleno da avaliação. Logo se conclui que em geral, processos de avaliação tendem a ser iniciados pela medida de alguns indicadores. A mensuração, no entanto, não se torna avaliação a menos que os dados sejam apropriados pelos sujeitos envolvidos nos processos e uma vez re-significados, sejam convertidos em ações e proposições sobre a realidade.
Como as escolas já possuíam os relatórios das avaliações pedagógicas, processadas semestralmente nas reuniões de AVP, a nossa sugestão foi de que se utilizassem desses relatórios para a elaboração de seus planos. Entretanto, cada uma delas seguiu o seu método, conforme será descrito.
A escola E1 utilizou-se dos levantamentos já realizados durante o ano de 2006 e do relatório da AVP de dezembro de 2005. Em fevereiro de 2006 havia sido realizado um trabalho de levantamento de dados sobre os problemas da escola, através de reuniões, junto
aos alunos de 5ª a 8ª séries. Junto à 5ª série, especificamente, esse levantamento de dados referia-se aos impactos que existiam ou que sentiam na transição da 4ª para a 5ª série. Os alunos da 1ª a 4ª série, por opção da escola naquele momento, não foram envolvidos nesse levantamento de dados. Esse aspecto foi discutido na CPA e a direção comprometeu-se em envolvê-los em breve nas discussões dos problemas da escola. Isso mostra a preocupação dos membros da CPA não apenas de participar, mas de educar os alunos politicamente, isto é, para a participação da plena cidadania.
Os dados foram organizados e discutidos pela CPA. Em abril de 2006, realizaram-se coletas de dados junto aos professores e funcionários pelos representantes desses segmentos na CPA. A direção também se propôs a sugerir ações. Quanto aos pais, nada foi feito; os dados a serem trabalhados seriam os trazidos por aqueles que participavam da CPA, o que demonstrou que esse segmento ainda não estava totalmente entrosado à vida da escola. Um representante dos pais, que também fazia parte do Conselho da Escola, manifestou a intenção de trabalhar corpo a corpo com as famílias. O levantamento de dados para elaboração do Plano de Avaliação Institucional da escola foi feito nas reuniões com os envolvidos e não via questionários. As ações que já estavam sendo trabalhadas pela escola, decorrentes da AVP de dezembro de 2005, mas não sistematizadas em um plano organizado, também fariam parte do plano de avaliação institucional da escola.
Entre a reunião em que foram explicitados e validados os problemas para a elaboração do Plano de Ação e a próxima reunião passou-se um mês. Tivemos um contado intermediário com a direção que alegou excessiva carga de trabalho, postergando a reunião para o início de junho, período mais fácil e menos traumático para a escola, em conformidade com os membros da CPA.
Em reunião da CPA marcada para se elaborar o plano, foram discutidos, além dos problemas coletados, alguns outros que o grupo achava que deveriam ser contemplados, tais como: participação dos pais na escola, tanto na parte pedagógica como na parte não pedagógica; o Conselho da Escola seria um órgão que poderia ser mais mobilizado pela escola e, por conseguinte, poderia ser também um órgão mobililzador dos pais;