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A luta do MST

No documento A marcha nacional dos sem-terra (páginas 51-55)

quem não sabe para onde ir segue o caminho dos ventos109. É preciso saber aonde ir, dizem juntos o filósofo e o sem-terra. Por longínqua que seja a meta a alcançar, estabelecê-la é condição para pôr-se a caminho e chegar ao destino traçado. A elaboração do Programa de Reforma Agrária parece, na ambição de seus propósitos, atender à admoestação presente na frase de Sêneca, transvertida pelo militante. A procrastinação em realizá-lo, por sua vez, indica o processo de lento amadurecimento na definição do estatuto do próprio MST como Organização e, mais ainda, dos recursos organizativos para efetuar suas demandas. As origens do MST encontram-se na reivindicação de terra no estado de procedência, feita principalmente por colonos do sul em oposição à política de colonização empreendida pelos governos militares pós-64. Mas ao criarem uma organização nacional que conferia continuidade

à luta e ao enfrentarem as vicissitudes seja da permanência na terra seja das próprias condições de sua conquista, eles amplificaram suas demandas: da reivindicação por distribuição de terras passam à de uma reforma agrária abrangente, com um programa consistente de medidas conexas. Ao longo do tempo, também, cresceu a convicção de que a realização dessa reforma agrária “ampla, radical e em tempo limitado”, implica e supõe, em última instância, uma transformação da sociedade110. Com a criação do MST como organização nacional, ocorreu um processo de politização do significado das reivindicações por terra, concomitantemente à politização imposta pelas condições da própria luta original111.

Com o correr do tempo, portanto, verificou-se uma ampliação dos propósitos advogados no MST, um alargamento do âmbito discursivo e de sua esfera de atuação, diversificando-se a própria estrutura do Movimento. Manteve-se, porém, uma definição clara dos objetivos: “O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra tem, em seus princípios, três grandes objetivos, pelos quais luta: a terra, a reforma agrária e uma sociedade mais justa”112. Desdobramento de uma meta inicial, os objetivos do MST são apresentados como uma questão de princípio que guia a luta: princípio e finalidade conjugam-se no curso mesmo da ação113. Na representação estabelecida no interior do Movimento, lutar por terra, condição de sobrevivência, define o caráter sindical do MST – ou seja, institui a “luta” segundo objetivos econômicos e corporativos imediatos;

lutar pela reforma agrária, visando beneficiar trabalhadores rurais e urbanos confere--lhe um caráter social amplo; lutar pela transformação da sociedade, atuando junto à organização da sociedade e ao poder político conforma-lhe um caráter político. São esses objetivos de luta que estabelecem a feição do MST como Organização e permitem a seus membros forjarem uma “autodefinição”:

O MST se considera um movimento social de massas cuja principal base social são os camponeses sem-terra, que tem caráter, ao mesmo tempo, sindical (porque luta pela terra para resolver o problema econômico das famílias), popular (porque é abrangente, várias categorias participam, e porque luta também por reivindicações populares, especialmente nos assentamentos) e político (não no sentido partidário, mas no sentido que quer contribuir para mudanças sociais)114.

O MST fez-se, portanto, através dos embates e vicissitudes de sua luta e dos limites e oportunidades “objetivos” tomados como condições para a realização de seus propósi-tos. Consoante com isso é o fato de que o dinamismo que é possível reconhecer na curta história do MST deriva da extrema atenção que seus militantes dedicam à “conjuntura”, o que lhes confere grande senso de oportunidade traduzido no uso circunstanciado do repertório de ações coletivas que a Organização tem capacidade de mobilizar115. Em um Movimento que se faz pela ação, a dinâmica dos acontecimentos é matéria-prima.

Conforme aprendeu uma militante, é preciso não renegar o acontecimento porque ele é o que deveria ser e deve ser aproveitado tal qual é. Se o MST faz-se pelos fatos que

é capaz de criar, a “luta” é a categoria catalisadora que exprime de maneira unitária o sentido das diversas ações coletivas empreendidas no Movimento e sintetiza a mul-tiplicidade de experiências que elas organizam. Não é sem razão que muitos de seus militantes digam do MST: “é uma escola”. O MST é uma escola que forma através da luta, uma escola que é, ela mesma, feita da luta.

A categoria luta é onipresente: encontra-se nas canções, nas palavras de ordem, nos lemas, nas falas e discursos, em todas as ocasiões e lugares. Ela circunscreve tanto as ações coletivas do Movimento quanto as motivações pessoais de seus militantes.

Encontra-se na própria definição do MST:

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra tem como base a articulação para a luta pela terra, pois não acreditamos que o governo, o Estado ou as classes dominantes vão fazer a reforma agrária por iniciativa própria. Portanto, o trabalhador deve se organizar e lutar para conquistar a reforma agrária, sem cair em ilusões de esperar por soluções milagrosas há tantos anos prometidas116. O MST, portanto, existe como articulação dos trabalhadores para empreenderem a luta: ela é a razão de ser, constitutiva, dessa organização coletiva. Nessa formulação, a organização coletiva e a luta impõem-se em face do malogro das promessas políticas e da ilusão por elas veiculadas. Considerando-se o contexto explicitamente mencionado através das categorias “governo”, “Estado”, “classes dominantes”, evidencia-se que o MST como organização de luta pela terra apresenta-se como uma resposta política dos trabalhadores para o problema fundiário irresoluto.

Para além da autodefinição do MST, contudo, é pertinente afirmar que em vista da entranhada e histórica conexão com a constituição do Estado e a organização po-lítica brasileiras, a questão da terra emerge em seu lugar próprio, a popo-lítica. Não é de se estranhar, portanto, que ela surja vinculada ao malogro das “promessas”, um dos elementos fundamentais da política tradicional brasileira117 e não só dela. Nesse sentido, é pertinente dizer que o MST apresenta-se como uma resposta política ao desencanto com a política. Não é casual, portanto, que essa resposta manifeste-se na forma da luta, isto é, da ação direta, refletindo uma profunda incredulidade para com os meca-nismos da representação política, característica do discurso e da ação dos sem-terra.

A necessidade da organização de todos os segmentos sociais para luta por direitos era também o conteúdo, a “mensagem”, da Marcha Nacional, no propósito pedagógico, quase missionário, que a inspirou118.

Na acepção dos sem-terra, luta é ação, ação independente. É no contexto da in-credulidade com os mecanismos consagrados da política representativa, seus ritos e promessas, que se inscreve o ethos próprio da luta do MST119. Visto como resistência à cooptação e aos malogros da política institucional, é do modus operandi do MST só negociar após a criação independente de fatos. Isso, que se tornou quase um prin-cípio no Movimento, é tido como condição de sua autonomia. A constituição de fatos

relevantes pela ação coletiva, quase invariavelmente rompendo os limites tradicional-mente reconhecidos da lei, é o modo pelo qual o MST impõe-se como interlocutor na arena pública e questiona, pela denúncia de injustiça que a situação de carência dos sem-terra expõe, os parâmetros usuais de constituição da ordem legal regulada pelo Estado. O caráter espetacular das aparições massivas dos sem-terra no espaço público é o único capital político de que dispõem para questionar a política do espetáculo – como eles dizem: “queremos a reforma agrária no chão e não na televisão”. Sua luta é, nas perturbadoras ações concretas e coletivas que empreende, eminentemente simbólica.

A categoria luta possui um sentido agonístico explícito, marcado na representação dos sem-terra pela oposição ao governo, ao Estado e às classes dominantes. Continua-mente lembrado – e vivido, no enfrentamento seja das forças de segurança do Estado, seja do aparato paramilitar dos proprietários –, esse sentido orienta as ações necessárias à realização do intento da reforma agrária. O sentido agonístico expresso na categoria luta, porém, parece ser constitutivo da ação política em geral, pois como disse um marchante: “sem inimigo não tem jogo”. Diante do outro tomado como inimigo, tomar posição na luta será quase sempre fazer oposição. É pela oposição que as identidades são representadas na cena formada pela luta. Delineado o cenário de significação expresso pela luta, a oposição apresenta-se como a lógica do sistema. As variações aparecem por conta dos termos, materiais e simbólicos, que compõem o cenário.

O conceito de luta, assim como a representação correlata de jogo, tem largo empre-go no cotidiano da política. A cateempre-goria luta é mesmo central na definição dessa esfera de relações, tal qual concebida por parte de várias linhagens de pensamento que sobre ela se debruçaram – como as obras de Maquiavel, Hobbes, Locke, Rousseau, Weber e Marx, entre outros, exemplificam. Os conceitos de jogo e luta – ou seja, de conflito – são indissociáveis, portanto, da representação da política e são centrais na ação política do MST. Entretanto, uma característica importante da ação política do MST parece ser o fato de, ao privilegiar na representação da luta a polarização irreconciliável, pautar sua ação por uma “ética da convicção”, nos termos weberianos, ou seja, uma ética dos fins últimos. Ainda nos primeiros passos no caminho de sua independência política, os cadernos de formação do MST apontavam o risco de “entrar religiosamente na políti-ca”. Sem dúvida o MST conquistou autonomia e maturidade política, separando-se da

“mãe-Igreja”. Foi capaz de identificar o desafio de superar uma perspectiva religiosa da política, mas se a ultrapassou, é uma questão em aberto.

A Formação

Marchantes em fileira pelas estradas do país rumo a sua capital; multidões de sem-terra nos centros de cidades grandes e pequenas; peregrinos que desfilavam e discursavam.

Como as demais iniciativas do MST, a Marcha Nacional reuniu elementos díspares do repertório de ações sociais em seu conteúdo e forma. As diversas iniciativas do MST

compartilham, porém, uma característica comum, como a Marcha Nacional expressou-o paradigmaticamente: a de serem ação coletiva em curso. Ademais, ao buscar visibilida-de, ocupações de propriedades e órgãos públicos, marchas, manifestações e saques são ações cuja força expressiva, fundada na ruptura do sancio-nado e no poder da multidão, parecem, paradoxalmente, acionar um repertório de formas simbólicas conhecidas.

Formas sancionadas que, conjugadas, embaralham os sentidos usuais. Marchas pacíficas apenas aparentemente se opõem a ocupações ou invasões de terras: nestas, mulheres e crianças formam vanguarda para demonstrar propósitos construtivos e marchas, mobi-lizando multidões disciplinadas são também uma demonstração, ordeira, de força. Ao interdito legal, questionado por suas ações e pretensões, os sem-terra opõem, através da força expressiva de seu próprio número e da expressividade de suas iniciativas, valores sociais fundamentais, procurando desse modo conquistar legitimidade.

Como muitas de suas canções veiculam e as falas de seus líderes reforçam, o ob-jetivo da luta é considerado legítimo por tratar-se de uma defesa do desenvolvimento do país, da justiça social, do direito à cidadania plena e, não menos, da vida. No MST, os diferentes propósitos da reforma agrária – econômicos, políticos, sociais e culturais – são apresentados como harmônicos entre si e sintetizam-se na busca da construção de um projeto de transformação social. Se as ações – e suas vicissitudes – do MST são apresentadas sumariamente pela categoria luta, esta é dotada de sentido através da idéia de projeto. Conformando a luta, esse projeto de mudança apresenta-se em oposição a outro, em vigor: um apontaria para o futuro, o outro para o passado. “Já disse o homem/ que depois morreu/ e ficou na memória/ que existe uma coisa/ na roda da história/ que uma camada/ pra trás quer rodar.// Mas estes não servem/ pra pôr suas mãos/ nesta manivela/ ficarão à margem/ olhando da janela/ a luta do povo/ esta roda girar”120. Orientada segundo um projeto político, a luta possui em última instância um sentido transformador, calcado no valor moral: “A terra é a maior riqueza/ que a natureza criou/ a todos foi entregado/ meia dúzia de malvados/ esta terra concentrou...

Hoje as cercas geram mortes/ geram fome e miséria/ a terra perdeu seus filhos/ pois a cerca fechou os trilhos/ pra eles voltar pra ela”121.

Nessas duas letras, pode-se observar dois diferentes anseios ou projetos: o desejo da terra e a esperança de transformação. A primeira letra, escrita por um dos ‘ideólogos’

do Movimento, expressa o propósito de ‘transformação da sociedade’, a segunda sinaliza a motivação primeira que reúne os sem-terra. A diversidade de expectativas expressa nestas como em outras canções dos sem-terra correspondem a diferentes concepções a respeito da terra e do sentido da luta. O ingresso no MST como Organização implica senão a renúncia, a subordinação prática de uma aspiração à outra. O que não se veri-fica, porém, sem conflito. Mas no MST, a compreensão do sentido último da luta, para além do objetivo imediato de conquista da terra, é considerada imprescindível. Essa conversão é um dos objetivos da “formação”.

No MST supõe-se que a luta, ela própria, ensina: por isso o Movimento é consi-derado uma escola. Não por outra razão, a Marcha Nacional também era tida como um

“grande curso de formação”. Da Marcha Nacional deveriam sair capacitados novos militantes da causa do MST. Mas embora nele a luta seja vista como essencialmente pedagógica, o Movimento tem um setor específico responsável pela “formação”, tomada a cargo na Marcha Nacional por uma equipe. Naturalmente, as condições adversas im-puseram dificuldades particulares ao seu trabalho. A própria exigüidade do tempo livre disponível pelos marchantes constituía um limite prático à sua implementação. Ainda assim, a equipe de formação não deixou de realizar suas atividades, particularmente com a constituição de grupos de estudo em dias de descanso da Marcha. Sobretudo, porém, foi o processo da própria Marcha Nacional a formação dos sem-terra que a fizeram. Ela o realizou no sentido mais amplo emprestado ao termo pelo Movimento, um curso feito de palavra e ação. A Marcha Nacional foi uma luta imediata feita escola para os marchantes, escola de militantes para o MST122.

Indissoluvelmente ligada ao conceito de luta, no MST a formação é também produzida no curso dos acontecimentos, pelas ações coletivas que o Movimento cria.

Ela é entendida como processo pessoal e coletivo, feito na interação interpessoal e na conjugação de “teoria e prática”: “Conhecer a caneta e a enxada/ Afinando estudo e trabalho/ Aprendendo teoria e prática/ Nova forma de aprendizado”123; ou como diz outra canção: “Num gesto lindo de aprender e ensinar/ Se educando com palavra e com ação”124. A formação no MST faz-se com palavra e ato, é feita de símbolo e ação.

Entendida como processo contínuo, nela está embutido o propósito de transformação portado no MST: longínquo em sua realização acabada, ele define o Movimento, signo de seu próprio nome.

“Professor tem que ser militante/ Ensinar dentro da realidade/ A importância da Reforma Agrária/ E a aliança do campo e da cidade// Discutindo as tarefas da escola/

Ensinando como o plano quer/ Ir gerando sujeitos da História/ Novo homem e nova mulher// Combatendo o individualismo/ Se educando contra os opressores/ Aprendendo viver coletivo/ Construindo assim novos valores...”125. Conforme o sentido moral em-prestado à luta, formação e educação estão no MST vinculadas ao propósito de cultivo de novos valores. O eixo desta proposta de renovação é um princípio antiindividua-lista. A constante negação do individualismo – expressa, por exemplo, na insistência da importância de saber repartir e de valores tais como solidariedade e fraternidade – ilumina a centralidade da categoria “coletivo” no ideário do MST. Nela afirma-se não a justificação utilitarista de um bem para a maioria, que supõe a preeminência do indivíduo, mas o valor maior do coletivo, compreendido como expressão de uma to-talidade superior. O coletivo é princípio estrutural ao MST: na forma de um princípio de organização – que deve ser colegiada –, na forma de uma estratégia de luta – a ação deve ser de massa –, assim como na forma de um valor de legitimação – princípio e objetivo de luta justificam-se na idéia de ser o “coletivo”, ele mesmo, um bem superior.

Segundo a perspectiva expressa no Movimento, entendida como processo de conhecimento, a luta promove um saber novo: “Ninguém educa ninguém/ Ninguém se educa sozinho/ As pessoas se educam entre si/ Descobrindo este novo caminho”126. Visto como caminhada, o aprendizado da luta faz-se como um percurso coletivo com-preendido como processo de interação. Nesse aprendizado, os sem-terra estabelecem um compromisso e empreendem um sacrifício pessoal a uma Organização impessoal, o MST, tendo em vista um fim coletivo. Esse aprendizado promovido pelo MST na formação de seus militantes é continuamente renovado nas ações concretas empreen-didas sob os auspícios da luta, mas é também permanentemente socializado por meio dos “Cursos de Formação” constantemente promovidos pelo Setor de mesmo nome127.

Se a amplitude dos objetivos é a razão de ser e o princípio orientador que faz do MST um “Movimento”, a correspondente ampliação de suas esferas de atuação – pro-dução, saúde, educação, cultura etc. – é uma importante fonte de diferenciação de sua estrutura e do modo de integração interno, constituindo-o como uma “Organização”

complexa. Como disse um militante: “a organização é necessária uma vez que o Movi-mento assumiu um caráter massivo”. Mas como os próprios militantes reconhecem, a organização anda de par com a disciplina. A hierarquia que a Organização supõe exige disciplina, que no MST é justificada em nome de princípios, tais como democracia de base e direção coletiva, e dos objetivos a serem alcançados. Sendo prevalecente a crença de que decisões originam-se no coletivo, fonte maior de legitimação da autoridade, a aquiescência aos desígnios estabelecidos pelas instân-cias superiores da Organização, a disciplina, justifica-se no valor proeminente que se lhe confere. Tida como princípio fundamental do MST, a disciplina é, porém, um valor cultivado através da formação e de regras, controle e vigilância. Contudo, prepondera a concepção de que a adesão a suas imposições deve ser voluntária. Também nisto reside a importância atribuída à formação.

A relevância da formação no plano da estruturação interna do MST não é, portanto, negligenciada. Se por um lado ela implica a assunção de valores e objetivos bastante amplos, por outro, no plano de sua realização interna, a formação possui um sentido muito estrito. Isso porque ela se dá nos quadros de um modelo de Organização extre-mamente rígido. Modelo este sistematicamente reproduzido em todas as instâncias do Movimento e que se faz acompanhar de um enquadramento ideológico circunstanciado e restritivo. Ambos fazem parte de uma “teoria da organização no campo”, que orienta os cursos de formação do MST128. Seguindo essa teoria, os cursos de formação do Movimento visam instruir, de modo a “introduzir em um grupo social a consciência organizativa” (Morais, 1986: 40). Essa instrução, que é tanto teórica quanto prática, realiza-se através de um “laboratório experimental”, para o qual se faz “necessário criar artificialmente uma empresa, porém com existência e funcionamento reais” (ibidem).

Nesse aprendizado cujo sujeito é “um grupo social”, visa-se constituir instâncias orga-nizativas dotadas das qualificações positivas atribuídas à “divisão social do trabalho”,

própria das empresas como organização. Segundo a teoria adotada no MST, essa forma de organização social do trabalho gerada nas empresas, considerada mais complexa e frutuosa, deve ser nele reproduzida e aplicada, embora o Movimento constitua-se como “organização de luta”.

Essa teoria sustenta ainda uma visão determinista do “comportamento ideológico do indivíduo, [que] consiste em um complexo de valores culturais, morais e políticos, determinado pelo papel que desempenha dentro de um determinado processo

Essa teoria sustenta ainda uma visão determinista do “comportamento ideológico do indivíduo, [que] consiste em um complexo de valores culturais, morais e políticos, determinado pelo papel que desempenha dentro de um determinado processo

No documento A marcha nacional dos sem-terra (páginas 51-55)