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A Marcha do Contexto Informativo

No documento A marcha nacional dos sem-terra (páginas 133-138)

As primeiras semanas do transcurso da Marcha Nacional foram acompanhadas pela con-tinuidade das iniciativas e declarações das autoridades federais no sentido de enquadrar judicialmente as ações do MST e as manifestações públicas de seus líderes, tratando-as como desrespeito às leis vigentes e incitamento à violência, passíveis de ação penal.

Se desde agosto do ano anterior o isolamento político do MST vinha sendo levado a cabo pelo Ministério Extraordinário da Reforma Agrária, cujo ministro não recebia representantes do MST e contestava seus objetivos para a reforma agrária, no início de 1997 o isolamento foi acompanhado da criminalização das ações do Movimento por meio de um conjunto de iniciativas e manifestações públicas de autoridades federais, concertadas pelo presidente da República. A passagem do isolamento à criminalização do MST pelo governo federal foi um processo de tentativa de deslegitimação, mas também de exclusão política do oponente por meio do enquadramento de suas ações na esfera da ilegalidade. Invocando a defesa do Estado de Direito, buscava-se realizar a expulsão do MST do cenário político, em resposta à politização do discurso de seus líderes. A ampliação da esfera do discurso de contestação social empreendida pelos militantes do MST redundou no tratamento de suas declarações e das ações coletivas do Movimento como questão de segurança, tornando-os alvos privilegiados de iniciativas governamentais repressoras1.

A ampliação do espectro temático das falas dos líderes do MST e a proposta de intensificação das ações coletivas do Movimento não significavam, na apreciação dos militantes, um desvio de seus propósitos: “o objetivo é forçar o governo a assumir o processo de reforma agrária como opção política de combate à miséria”2. Além de significar um aumento de pressão no sentido da realização efetiva da reforma agrária pretendida, a ampliação de seu discurso contestador respondia a uma determinada

com-preensão dos problemas mais gerais do país, de sua solução e do papel do próprio MST como ator social: “nós defendemos a reforma agrária como alternativa ao desemprego e não podemos deixar de pressionar por uma mudança na política econômica”3; “não tem nenhuma lei dizendo que o MST nasceu só para ocupar terras. Pertencemos a um movimento social e patriota. A privatização da Vale (Cia. Vale do Rio Doce) fere os interesses do país”4. Entretanto, esse investimento político de contestação empreen-dido pelo MST foi recebido, seja por parte do governo federal, seja, ainda que apenas temporariamente, por parte de entidades sindicais e partidos políticos de oposição, com reações restritivas.

No círculo dos aliados históricos do MST, que partilham um mesmo campo de oposição, as restrições foram de ordem verbal e corresponderam à necessidade de delimitação de esferas discursivas e também ao empenho de demarcar posição e manifestar força. Tanto é assim que a postura crítica das entidades de oposição não perdurou, logo cedendo lugar a manifestações públicas de apoio ao MST no palanque itinerante da Marcha Nacional. A reação governamental, ao contrário, foi tão duradoura quanto possível diante da inelutável aproximação de Brasília pela Marcha Nacional e do crescente apoio popular que ela recebia. Nesse ínterim, medidas políticas, legais, fiscais e policiais foram utilizadas pelas autoridades. Elas foram reforçadas pela contínua inabilitação do MST através da desqualificação do Movimento – declarado ‘primitivo’

pelo presidente da República – e de seus objetivos – classificados pelo presidente de

‘utopia regressiva’. “Superados pela evolução social” os discursos e metas do MST eram apresentados como obsoletos, enquanto a reforma agrária era tratada como uma natural decorrência de alterações na legislação já efetivadas pelo governo – o Imposto Territorial Rural e o rito sumário. Esses discursos deslegitimadores foram acompa-nhados por medidas judiciais e legais repressoras visando à exclusão política do MST.

Num primeiro momento, as declarações e exigências de incriminação por parte das autoridades federais traduziram-se em medidas de intimidação legal nos estados, revistas policiais em acampamentos, prisões. Essa tônica inicial, sem desaparecer com-pletamente, cedeu lugar a acusações de corrupção por desvio e apropriação indevida de recursos públicos. Com o passar do tempo, houve um empenho em outra direção, manifesto em discursos visando mostrar as realizações da reforma agrária no governo Fernando Henrique Cardoso. Por fim, às vésperas da chegada da Marcha Nacional a Brasília, as autoridades passaram a reconhecer a impossibilidade de negligenciar a importância política do MST, enfatizando, porém, a necessidade de uma flexibilização da postura política do Movimento, como condição de viabilizar negociações com o Estado. Entretanto, esse movimento foi paulatino, executado em ritmos diversos por diferentes autoridades e pontuado por recuos momentâneos, até conformar uma uni-dade discursiva de todos às vésperas da chegada da Marcha Na-cional a Brasília. A inesperada intercorrência da Marcha Nacional provocou em pouco mais de dois meses, pelo menos momentaneamente, uma significativa mudança de inflexão no discurso e

propostas das autoridades políticas.

O anúncio, ao final do Encontro dos Coordenadores do MST, da resolução de

‘massificar’ as ações do Movimento, recrutar e organizar os desempregados das cidades, promover ocupações contra a política de privatização, além da manifestação pública contra o projeto de reeleição presidencial, suscitou – como já se fez notar – reações em cadeia de aliados históricos, de inimigos estruturais e do principal oponente na pers-pectiva do MST, o governo. Entre os nomeados inimigos do MST, os proprietários, a reação fez-se como contra-manifestação de força, pelo recrudescimento do discurso da segurança, de defesa do direito de propriedade através de todos os recursos, inclusive o uso de armas – “desde que sejam armas legais e usadas com critério”5 – implicando, portanto, a justificação da formação de milícias privadas. Escudada pela polarização inicial dos diferentes atores sociais contra as proposições do MST, a investida governa-mental deu-se de maneira muito mais complexa e multifacetada, em diferentes frentes.

Um traço comum, porém, a definiu: a negação dos conteúdos políticos vocalizados pelos líderes do MST, simplesmente ignorando-os, e a classificação do procedimento histórico de pressão do Movimento, as ocupações, como desrespeito violento à lei. Por esse meio, reforçava-se o processo de exclusão política do Movimento. Classificando como violentas as ações do MST, operou-se sua identificação simbólica com a UDR.

Uma manchete de jornal é ilustrativa: “FHC critica violência do MST e da UDR”. Na reportagem, o leitor é informado que “o porta-voz (da presidência) disse que o MST, a UDR e fazendeiros têm desrespeitado a lei e praticado violência. Afirmou que FHC quer o desarmamento e a reforma agrária dentro da lei, ‘o que significa respeito ao direito de propriedade’”6. “Invadiu, arrancou cerca, matou, executou, por favor, isso é Segurança, isso é Justiça”, declarou, por sua vez, o ministro Raul Jungmann7.

Na fala do ministro, os atores da luta pela terra são tornados indistintos na indi-ferenciação de suas ações, sujeitos de uma violência sem qualificativos. Nela, crimes contra a propriedade – como são classificadas as ocupações, ou melhor, as ‘invasões’ do MST – foram equacionados a crimes contra a pessoa e, pelas medidas a partir de então postas em curso, passaram a receber um tratamento mais rigoroso. Dessa postura política a fala do presidente, através do seu porta-voz, era já um indicativo, na especificação do

‘respeito ao direito de propriedade’ e na omissão correlata. As medidas legais, fiscais e policiais cobradas pelo presidente da República8 e por seu emissário, o ministro da Justiça, endereçavam-se especialmente ao MST, e os procedimentos de desarmamento efetivamente postos em operação visaram particularmente seus membros9. O respeito ao direito de propriedade, invocado pelo presidente, princípio a partir do qual as ocu-pações são classificadas como ilegais e, por isso, violentas, torna-se por fim a medida da própria lei quando policiais promovem revistas em acampamentos sem autorização judicial, por não constituírem propriedade10. Assim, a politização do discurso militante do MST – reconhecida como a razão da investida governamental repressora – e ne-gativamente classificada como ‘partidarizada’, deu lugar ao escamoteamento de seu

conteúdo. Através de declarações de diferentes autoridades, reforçando-se mutuamente pela repetição de um mesmo tema, operou-se um deslocamento significativo das ações do MST para o âmbito da ilegalidade e sua identificação com a violência. “Ambas as facções (MST e UDR) fazem a apologia de suas condutas pelos meios de comunica-ção, criando clima de tensão social, propício à eclosão da violência generalizada, de conseqüências imprevisíveis”, declarou o ministro Nelson Jobim11. Por outro lado, o ministro Raul Jungmann, após afirmar que “não teria dificuldades para assentar” os sem-terra acampados, argumentou que o MST responderia com o aumento do número de acampados “para não perder sua bandeira de luta”12. Nos argumentos dos dois mi-nistros, a origem do conflito e da violência era escamoteada, a questão da concentração fundiária e os problemas delas advindos apresentavam-se como uma criação artificial, politicamente orientada. Além disso, tematizava-se não o conteúdo político da crítica social vocalizada pelos líderes do MST, mas as próprias ações do Movimento. Estas, antes toleradas pelas autoridades por serem vistas sob a cunha social, agora lidas sob o crivo político, tornaram-se ilegítimas, ilegais e violentas.

Para os demais atores da cena política, portanto, o âmbito próprio, mais ou menos tolerável, de ação do Movimento deveria concernir exclusivamente à luta pela terra.

Nos últimos anos que se seguiram ao regime militar, estabeleceu-se um relativo con-senso quanto à necessidade de uma melhor distribuição fundiária no país, do qual o MST aufere legitimidade perante diferentes setores sociais, inclusive junto a entidades de proprietários. Nesse nível de generalidade, constituiu-se em torno da questão uma espécie de unanimidade retórica. Quando se trata, porém, de definir o significado da reforma agrária, ou seja, suas dimensões e condições, e de estabelecer os meios para que ela efetivamente se realize, o aparente consenso dissolve-se. Diante do fato considerado inelutável da necessidade da reforma agrária, apontar sua urgência, por exemplo, é considerado aceitável. Fazê-lo, como o MST, mediante pressão popular organizada, não. A passagem dessa posição para a compreensão de que organizar os sem-terra significa fabricar a necessidade de reforma agrária faz-se num átimo. Texto de um editorial ilustra a facilidade dessa passagem:

O MST não nasceu no vazio. Existe um grave problema fundiário no Brasil.

Por isso, a organização gozou de simpatia e tolerância de setores da opinião pública... Mas especialmente no caso do Pontal do Paranapanema (SP), o MST está rapidamente deixando de ser um instrumento de mobilização para ajudar a solucionar um problema real e se transformando num grupo de ação puramente político. O governo paulista alega ter encontrado 1.200 famílias à espera de assentamento, quando assumiu, há dois anos. Diz ter assentado não 1.200, mas 1.500 famílias. Não obstante, ainda segundo a administração, surgiram outras 1.200 em busca de novos pedaços de terra. Se os dados forem corretos, está se criando um círculo de ferro: quanto mais o governo assentar, mais candidatos a assentamentos surgirão... O movimento que nasceu apoiado nas carências de uma

sociedade claramente desigual está comprometendo, de forma talvez irreversível, sua legitimidade (Folha de São Paulo, 25/02/97).

O texto inicia com o reconhecimento da existência do problema fundiário, origem da ‘simpatia e tolerância da opinião pública’ para com o MST. Mas ao organizar os tra-balhadores sem-terra, promover ocupações, pressionar coletivamente para a realização da reforma agrária o MST ‘deixa de ser um instrumento de mobilização para ajudar a solucionar um problema real e se transforma num grupo de ação puramente político ...’, ‘comprometendo sua legitimidade’. Do mesmo modo que se opera essa passagem, verifica-se a transição entre a tolerância e a criminalização das ações do MST. Se or-ganizar os sem-terra com fins de reforma agrária é considerado ação política ilegítima, a ampliação da esfera de contestação para além da demanda por terras torna o MST irremediavelmente ilegítimo e ilegal. Os candidatos a assentamento não são fruto das

‘carências de uma sociedade claramente desigual’, mas uma criação artificial prove-niente da organização, que se torna atividade política inaceitável. Como decorrência, usualmente passa-se, então, à declaração da ilegalidade do MST.

Essa também é a tônica do debate suscitado pela batalha dos números entre MST e governo federal. Para além do embate numérico, nela está em questão a própria existência do Movimento. “Dentro do governo, avalia-se que se o MST tivesse como objetivo a reforma agrária não teria por que continuar radicalizando. Os números do Ministério da Reforma Agrária demonstram que nos anos de 1995 e 1996 foram desapropriados 801 imóveis, num total de 3 milhões e 290 mil hectares, e assentadas 104.956 famílias. ‘O governo está fazendo sua parte, não há razão para tanto barulho’, garante Jobim”13. O ministro da Reforma Agrária foi mais enfático: “Jungmann disse que não teria dificuldades para assentar, ainda em 1997, os 25 mil sem-terra mantidos em acampamentos, mas duvidou que o movimento não aumente progressivamente o número de acampados para não perder sua bandeira de luta. ‘Esse é o xis da questão:

sem os conflitos e os acampados, o MST desaparecerá’, disse”14.

Tratando-se de um embate político através dos meios de comunicação, a guerra de declarações, suscita uma discussão entre os atores políticos na qual os dados apre-sentados são sobretudo armas que põem em questão a credibilidade do oponente e, em alguns casos, seu próprio direito à existência, com freqüência obscurecendo-se a questão de fundo. Dentro dessa lógica, a concentração fundiária é escamoteada, assim como suas conseqüências sociais. Apenas no contexto de exclusão do MST e de tentativa de criação de um nova via de interlocução – quando o ministro declarou “meu parceiro hoje é a CUT” – compreende-se que se noticie que “Jungmann reconheceu (que) a meta de assentamentos fixada pelo governo – 280 mil famílias – está muito aquém da realidade, pois há no país 4,8 milhões de sem-terra. O ministro disse, entretanto, que o processo poderá ser reavaliado, a partir das discussões do Fórum da Terra”15. Desse modo, o aceno de uma ampliação das metas para a reforma agrária verificava-se no

contexto de tentativa de valorização de um Fórum de debates do qual o MST estava, a priori, excluído.

Entretanto, a lógica do enfrentamento na guerra de declarações impunha, por um lado, a reafirmação contínua dos números oficiais pelo governo federal e, por outro, o seu contraponto pelo MST. “O governo Fernando Henrique assentou, nesses dois anos, mais de 100 mil famílias – 40 mil em 95 e 60 mil no ano passado... O MST diz que, no ano passado, o governo assentou apenas 25 mil famílias, mas inclui em sua estatística contingentes de sem-terra que ainda não foram definitivamente acomodados ou que estavam no campo, provisoriamente, desde governos anteriores. De acordo com as últimas informações do movimento, mais de 42 mil famílias de sem-terra es-tão atualmente acampadas à beira da estrada, aguardando a senha para invadir novas áreas”16. Apresentando os seus próprios números, o MST enfatizava não apenas o descumprimento das metas anunciadas pelo governo, afirmava sua força na quantidade de famílias acampadas, além de corroborar a existência mesma do problema agrário, no contingente, sempre frisado, de 4,8 milhões de famílias sem-terra.

Além disso, ao apresentar os números de acampamentos ao longo da gestão de Fernando Henrique Cardoso, o MST fazia uma demonstração adicional de força, ates-tando ser o encaminhamento da reforma agrária, ainda que precário, um resultado da pressão social. “As estatísticas do MST mostram que as invasões no campo aumentaram depois da posse do presidente Fernando Henrique, quase na mesma proporção em que o governo ampliou o número de assentamentos. De 1994 a 95, o número de invasões saltou de 52 – envolvendo 16.860 famílias – para 93 – com quase o dobro de famílias, 31.531. No ano passado, foram 176 invasões e 45.218 famílias recrutadas pelo MST”17. Ao apontar a correlação entre crescimento da pressão social devida às ocupações e o crescimento numérico dos assentamentos, o MST colocava em questão a existência de uma política de governo concernente à reforma agrária e a disposição política das autoridades de efetivamente resolver o problema fundiário do país.

Na guerra de declarações, a outra parte envolvida, a UDR, também tem números a apresentar. Se os números apregoados pelo MST são aduzidos como um índice da inoperância do governo e da ausência de um planejamento político conseqüente para a questão agrária, utilizando-se de dados oficiais, o propósito da UDR é assinalar a ineficiência do governo federal na repressão às invasões e, por conseguinte, sua po-sição de retaguarda na dinâmica dos conflitos. “O líder da UDR afirmou ainda que o governo está “a reboque do crime” quando desapropria áreas invadidas pelos sem-terra.

Segundo ele, dados do próprio governo apontam que 226 áreas foram repassadas para sem-terra depois de terem sido invadidas em 1995 e 1996. ‘Destas fazendas, 126 são terras entregues ao MST e as outras 100 a gente da CUT e da Contag’”18. Do ponto de vista da entidade de representação dos proprietários, os assentamentos concedidos aos sem-terra são um atestado da fraqueza da ação repressora do governo e de sua coni-vência com o ‘crime’ das invasões, sendo dele, em última instância, uma premiação19.

Nesse sentido, longe de representar no mínimo um programa continuado de re-distribuição de terras, a dinâmica do processo de reforma agrária parece estar sujeita às vicissitudes do jogo de forças conjuntural estabelecido entre os diferentes agentes sociais e o governo federal. A realização de assentamentos e sua viabilização parecem advir da capacidade variável dos agentes, particularmente daqueles interessados na consecução de uma redistribuição fundiária, de criar fatos capazes de demonstrar força política ao gerar opinião. Em larga medida, a qualidade impactante de eventos e declarações, sua capacidade de mobilização social e política é um elemento dinâ-mico de monta na constituição ou não de conquistas. Na ótica do jogo, esposada por militantes do MST, todos os lances dos oponentes – e é preciso que os haja para que o jogo se constitua20 – devem ser revidados, todas as declarações requerem uma res-posta, todos os fatos demandam uma interpretação. Os fatos, as falas, as declarações, as iniciativas são produzidos para fazer efeito – no mínimo, criar notícia –, são atos simbólicos tanto quanto possível amplamente manter divulgados.

O isolamento que se seguiu ao anúncio das decisões do Encontro do MST, em janeiro de 1997, por parte de entidades e partidos políticos de oposição, não foi, como já se mencionou, duradouro. A polarização contra o Movimento logo se desfez21. Atos públicos de protesto serviram de palco a manifestações de apoio ao Movimento, encontros do ministro Raul Jungmann com o presidente da CUT e com o presidente da CNBB com o intuito de constituir um Fórum sobre a questão agrária deram lugar à crítica da exclusão do MST: “isolar um movimento social não resolve o problema”22. Em entrevistas, pronunciamentos e atos públicos com participação de diferentes atores sociais – sindicalistas, políticos, religiosos – passou-se a testemunhar reconhecimento público ao Movimento e a reafirmar a necessidade de interlocução entre o governo federal e o MST. Eles deram lugar a críticas mais severas, como a cobrança de uma verdadeira política de reforma agrária. D. Demétrio Valentini, bispo de Jales e responsável pelas pastorais sociais da CNBB, por exemplo, declarou que “‘mais do que esvaziar um fórum que já existe com a participação da sociedade pode servir de desculpa para o governo se desincumbir do que lhe é próprio, que é governar... Cabe ao governo governar e não ficar propondo fóruns’, disse”23.

A posição das autoridades federais, porém, não teve um refluxo imediato.

A posição das autoridades federais, porém, não teve um refluxo imediato.

No documento A marcha nacional dos sem-terra (páginas 133-138)